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Icidua clama por dignidade: um apelo urgente por acções concreta

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O Bairro de Icidua, em Quelimane, é um reflexo da indiferença institucional que caracteriza muitas comunidades periféricas em Moçambique. Com uma população crescente e uma luta constante pela sobrevivência, os moradores de Icidua enfrentam uma realidade alarmante: a água que consomem é imprópria, perigosa e um verdadeiro risco à saúde. Em pleno século XXI, ainda há quem beba água contaminada, e isso é simplesmente inaceitável.

A maior parte da água consumida em Icidua vem de poços rudimentares e furos artesianos construídos de forma precária. O que agrava essa situação é o fato de que esses pontos de captação estão, frequentemente, localizados perto de latrinas, fossas e lixões a céu aberto. A consequência imediata é a contaminação das águas, expondo a população a doenças como cólera, diarreia e verminoses, principalmente entre crianças e idosos. Essa realidade, que poderia ser facilmente resolvida com investimentos e planejamento, é ignorada, e a população paga o preço dessa negligência.

O mais revoltante, no entanto, não é apenas a falta de infraestrutura e a precariedade do saneamento básico, mas o silêncio e a inação das autoridades. Ano após ano, o problema se agrava, mas as respostas do governo municipal e provincial continuam sendo as mesmas: promessas vazias e visitas que só ocorrem em época de eleições. Icidua se transforma, então, em palco para discursos políticos vazios, onde se prometem furos, sistemas de canalização e melhorias no saneamento, mas nada disso se concretiza. A cada ciclo eleitoral, os mesmos rostos aparecem, com microfone em mãos, repetindo promessas que se dissolvem assim que as eleições terminam.

O que ocorre em Icidua não é apenas um problema de infraestrutura; é uma questão de dignidade humana. Governar não é aparecer apenas quando os votos são necessários. Governar é cumprir compromissos com a vida das pessoas, garantindo-lhes os direitos mais básicos, como o acesso à água limpa, que é um direito humano universalmente reconhecido. O governo, tanto local quanto central, não pode continuar a tratar os moradores de Icidua como se fossem invisíveis ou descartáveis.

Para que a realidade de Icidua mude, é necessário mais do que discursos. É preciso ações concretas e políticas públicas eficazes. Em primeiro lugar, é urgente realizar um levantamento técnico da situação das fontes de água do bairro, com testes de qualidade conduzidos por instituições competentes. Isso permitiria identificar as reais condições das águas e tomar as medidas necessárias para garantir a segurança da população.

Além disso, é fundamental que sejam implementados sistemas de tratamento de água, mesmo que em pequena escala, como unidades de filtração comunitária ou tecnologias de dessalinização e purificação. Não se trata de soluções imediatistas, mas de medidas sustentáveis para que a população tenha acesso a água potável e não seja mais refém de fontes contaminadas.

Outro ponto crucial é o investimento em saneamento básico, com a construção de fossas ecológicas e a reorganização do manejo de resíduos sólidos. Essa medida evitaria que as fontes de água se contaminassem ainda mais e melhoraria as condições de higiene das famílias de Icidua.

É também necessário empoderar a comunidade, realizando campanhas permanentes de sensibilização sobre a importância da higiene, da preservação da água e sobre como exigir seus direitos junto às autoridades. A educação e a participação ativa da população são ferramentas fundamentais para garantir que o problema da água seja tratado com seriedade e urgência.

Por fim, é preciso criar mecanismos de responsabilização política. Os governantes devem ser cobrados publicamente por suas promessas não cumpridas. Não podemos mais aceitar que a população de Icidua seja tratada com desdém, como se a sua luta pela sobrevivência fosse invisível para aqueles que ocupam cargos de poder.

Icidua não precisa de visitas protocolares ou de promessas vazias. O que Icidua precisa é de respeito, dignidade e, acima de tudo, ação. A água é vida, e negar o acesso a ela é negar a humanidade. As autoridades têm a obrigação moral e constitucional de resolver esse problema com urgência. A população de Icidua já não pode mais viver entre a lama, o lixo e a sede. Esta é uma questão de justiça social, e a hora de agir é agora.

Icidua não pode esperar mais. Já é tempo de escutar e, mais importante ainda, de agir.

Funeral do Papa Francisco será neste sábado

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O Vaticano anunciou  que o  funeral  do Papa  Francisco será realizado neste sábado, dia 26 de abril, às 9 horas da manhã (hora local), na Praça de São Pedro. O governo decretou três dias de luto nacional, de 24 a 26 de abril, em sinal de respeito e homenagem ao legado espiritual e humano deixado pelo pontífice argentino.

As primeiras imagens do velório foram divulgadas na manhã desta terça-feira, mostrando o corpo do Papa na capela da Casa de Santa Marta. Nesta quarta-feira, o corpo será transferido para a Basílica de São Pedro, permitindo que fiéis de todo o mundo prestem últimas homenagens.

Bandeira a meia haste em Quelimane em luto pela morte do Papa Francisco

 

Quelimane – O Presidente do Conselho Municipal de Quelimane, Manuel de Araújo, manifestou esta semana o seu profundo pesar pela morte de Sua Santidade o Papa Francisco.

Num comunicado emitido esta segunda-feira, o autarca da capital zambeziana fala da dor colectiva que se abate sobre a cidade após a notícia da morte do Papa, que considera “figura ímpar da Igreja Católica e referência universal de humanidade, fraternidade e paz”.

Para Araújo, Quelimane, uma cidade com fortes raízes cristãs e histórico de convivência inter-religiosa, sente de forma intensa esta perda. “A sua memória permanecerá viva nas iniciativas de inclusão, nos apelos à solidariedade e na inspiração de uma fé vivida em proximidade com o povo”, lê-se na nota.

O edil recorda ainda o impacto da visita do Papa Francisco a Moçambique, em 2019, que considera ter deixado “uma marca indelével de esperança e reconciliação”. E vai mais longe: partilha, de forma inédita, detalhes de um encontro privado com o Santo Padre, ocorrido em Roma no ano passado. “Pude testemunhar o afecto genuíno que nutria pelo nosso país e pelo povo moçambicano. Ao despedir-se, prometeu continuar a orar por Moçambique”, revela.

Como sinal de luto e homenagem, Manuel de Araújo decretou que a bandeira municipal seja içada a meia haste durante três dias.

A nota termina com um tributo solene: “Que a luz perpétua o ilumine. Paz à sua alma.”

O desaparecimento físico do Papa Francisco ocorre num momento em que o mundo enfrenta crescentes desafios sociais, económicos e ambientais. A sua voz, moderada mas firme, era presença constante nas causas dos oprimidos e na denúncia das desigualdades.

Greve na Saúde: Profissionais ameaçam endurecer paralisação e acusam Governo de negligência

Os profissionais de saúde moçambicanos estão a perder a paciência. Em greve desde quinta-feira passada, dia 17, e já com serviços limitados entre as 07h30 e as 15h30, os membros da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) avisam: se o Governo continuar a ignorar suas reivindicações, a paralisação pode escalar para formas mais duras  e por tempo indeterminado.

A advertência foi lançada esta segunda-feira, em Maputo, pelo presidente da APSUSM, Anselmo Muchave, durante uma conferência de imprensa convocada para avaliar os dois anos de impasse desde a assinatura de acordos entre o Executivo e a associação.

“Se dentro desta semana o Governo não fechar os acordos connosco, nós seremos obrigados a piorar mais um pouco a greve”, afirmou Muchave, com um tom que oscilava entre o cansaço e a indignação.

Os profissionais em greve apontam a degradação das condições nas unidades sanitárias como uma das principais motivações da paralisação, mas a lista de queixas é mais longa e remonta a promessas feitas e não cumpridas pelo Governo moçambicano em negociações anteriores.

Segundo Muchave, embora alguns membros da APSUSM tenham sugerido uma retirada total dos serviços de saúde, a direcção decidiu conceder mais uma oportunidade ao diálogo. No entanto, o gesto está longe de ser interpretado como sinal de fraqueza.

“Não somos escravos na nossa terra”, disse o líder , sublinhando a mágoa acumulada pela classe. “Nenhum agradecimento do Governo apareceu para os profissionais de saúde, depois de tantas balas, tanto sangue que nós atendemos”.

Visivelmente agastado, Muchave criticou a postura do novo Presidente da República, acusando-o de não querer dialogar. “O novo Presidente devia ter um bocadinho de vergonha quando diz que é estranho haver insistência por parte dos profissionais de saúde em ir à greve. Submetemos o pedido de diálogo em Janeiro, depois da sua tomada de posse. Em Fevereiro voltámos a insistir, e agora estamos em Abril e nada!”, protestou.

A greve dos profissionais de saúde, embora ainda parcial, está a afectar o funcionamento normal de hospitais e centros de saúde em várias províncias, levantando preocupações sobre o impacto nos serviços essenciais, como urgências, partos e consultas para doentes crónicos.

Num país onde a crise no sector da saúde é cíclica e estrutural, a presente greve volta a expor o fosso entre os discursos de valorização da classe e a realidade vivida pelos profissionais nas enfermarias e corredores das unidades sanitárias.

Caso o Governo continue em silêncio, o sistema de saúde poderá enfrentar, nos próximos dias, um colapso com implicações humanitárias imprevisíveis.

Deputados pressionam Governo a abrir mais consulados para assistir moçambicanos na diáspora

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Maputo — Assembleia da República põe dedo na ferida da política externa moçambicana

A Comissão das Relações Internacionais, Cooperação e Comunidades (CRICC) da Assembleia da República (AR) fez soar esta segunda-feira, em Maputo, os alarmes sobre a urgência de expandir a rede de representações diplomáticas de Moçambique pelo mundo, com especial enfoque para locais onde a presença de cidadãos nacionais já se faz sentir, sobretudo no comércio informal e formal.

A exigência foi colocada pela presidente da CRICC, Catarina Dimande-António, minutos após o término da audição parlamentar à ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Manuela dos Santos Lucas, em torno da proposta do Programa Quinquenal do Governo (PQG) para o período 2025-2029.

Na habitual linguagem contida mas cirúrgica que caracteriza os briefings da casa do povo, Dimande-António deixou claro que há moçambicanos a “remar contra a maré” no estrangeiro, muitas vezes sem qualquer amparo consular, em cidades onde o país não dispõe sequer de uma placa com o nome “República de Moçambique”.

“Há moçambicanos a desenvolver actividades comerciais relevantes em países onde não temos nem embaixada, nem alto-comissariado, nem consulado”, afirmou, sugerindo que a diplomacia moçambicana continua ancorada numa cartografia datada.

No epicentro das preocupações da comissão parlamentar está a cidade chinesa de Guangzhou, onde a comunidade moçambicana, composta maioritariamente por comerciantes, carece de serviços consulares urgentes. Segundo avançou a presidente da CRICC, o Ministério reconhece a lacuna e já inclui nos seus planos a criação de um consulado geral naquela que é uma das maiores plataformas comerciais da Ásia.

A ministra, por sua vez, reconheceu a pertinência da proposta e sublinhou que a discussão em torno do PQG foi “uma escola”, permitindo colher sensibilidades do Parlamento sobre a acção externa do Executivo. “Foi uma oportunidade para podermos contribuir para esta discussão”, declarou Manuela Lucas, visivelmente aliviada pelo acolhimento político da proposta.

O PQG 2025-2029 prevê, no entanto, a criação de apenas duas novas missões diplomáticas durante o quinquénio, com a sua instalação já prevista para este ano. O custo estimado ronda os 2,1 milhões de meticais — cerca de 33 mil dólares — valor que, convenhamos, parece simbólico face às exigências de representação e protecção consular que o país tem no exterior.

Com mais de 40 missões diplomáticas espalhadas pelo mundo, o mapa da presença moçambicana além-fronteiras revela claros vazios, sobretudo em destinos emergentes da diáspora nacional. A CRICC pretende que o parecer resultante desta audição seja incluído no relatório final do PQG que segue para debate e votação na plenária da AR ainda esta semana.

Num país onde a política externa raramente ocupa o centro do debate público, a intervenção da CRICC devolve ao Parlamento o papel de instância fiscalizadora e impulsionadora de uma diplomacia com rosto humano. Afinal, como questionou um deputado durante a audição: “De que serve a política externa, se ela não serve o cidadão que vive fora do território nacional?”

(AIM e Redacção )

Investir nas mulheres: A vez delas de contar a história

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MAPUTO – Numa altura em que Moçambique celebra o mês da Mulher, o discurso em torno do empoderamento feminino deixa, felizmente, de ser apenas retórica de ocasião para se tornar acção com resultados mensuráveis. A MultiChoice África, gigante da comunicação e entretenimento no continente, é um exemplo de que é possível investir nas mulheres não apenas como gesto simbólico, mas como estratégia estrutural e sustentada de transformação social.

De acordo com a empresa, 48% da sua força de trabalho é feminina, e 43% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres. A marca, presente em 49 países da África Subsariana, produziu mais de 6.500 horas de conteúdo local só no último ano, em parte com rostos, vozes e histórias de mulheres que, até há bem pouco tempo, estavam confinadas ao bastidor.

Mas o impacto vai além do que se vê na tela. Em Moçambique, a MultiChoice promoveu recentemente um workshop voltado exclusivamente para as suas colaboradoras, conduzido pela terapeuta quântica Lara Pacheco Faria. Foram abordados temas como equilíbrio entre vida pessoal e profissional, gestão financeira e desenvolvimento interior — aspectos frequentemente ignorados no mundo corporativo, mas essenciais para a criação de ambientes laborais mais saudáveis e inclusivos.

Do ecrã para a mesa da cozinha

A transformação começa dentro, mas é pensada para fora. A MultiChoice Moçambique também está envolvida no projecto Sopa Solidária, da Plataforma Makobo, que alimenta comunidades vulneráveis enquanto oferece emprego e dignidade a mulheres, muitas delas chefes de família. Um modelo de acção que leva o discurso de empoderamento da televisão à panela do dia-a-dia.

Já o Fundo de Inovação da MultiChoice, lançado em 2012, desembolsou mais de 407 milhões de rands para apoiar pequenas empresas lideradas por mulheres negras e jovens. Com esse investimento, 77 empresas foram apoiadas, gerando mais de 1.400 empregos – um impacto real, económico e social, que não se esgota no branding.

A MultiChoice afirma-se como a maior contadora de histórias de África. E não é por acaso. As academias MultiChoice Talent Factory, sediadas em Lusaka, Nairobi e Lagos, garantem que 50% das vagas sejam destinadas a mulheres, num esforço deliberado de romper com o velho ciclo de exclusão e invisibilidade.
Os cursos, que abrangem áreas como realização, escrita, engenharia de som e produção, têm sido trampolim para uma geração emergente de cineastas africanas. Muitas já brilham em festivais internacionais e estreiam seus filmes nas plataformas da MultiChoice, numa clara viragem de narrativa: as mulheres já não são apenas personagens secundárias — estão, cada vez mais, no comando da câmara e da história.

Investir nas mulheres não é um favor, nem um gesto de compaixão. É uma decisão estratégica, consciente, sustentada por programas sérios e resultados verificáveis. Como sublinha a Organização Internacional do Trabalho, o emprego feminino é um dos factores mais determinantes para tirar famílias da pobreza. E as estatísticas mostram que as mulheres reinvestem mais em saúde, educação e bem-estar das suas comunidades.

O que a MultiChoice está a fazer, em bom rigor, é criar um efeito dominó positivo: capacita-se uma mulher, melhora-se a vida de uma família. Empodera-se uma cineasta, transforma-se a narrativa de um povo.

Num continente habituado a ser narrado por outros, dar voz às mulheres africanas é talvez o acto mais revolucionário de todos.

 

O Pássaro de Água, na conquista do recanto terreno da PR

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Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo, nascido em Quelimane-Moçambique, está na berlinda para concorrer às eleições da Presidência da República Portuguesa.

Não deixa de ser curioso o significado de um dos seus sobrenomes – parece que foi escolhido à medida pelos seus progenitores que esperariam que ele viesse a sulcar os mares, como marinheiro – o de Passaláqua. Vejamos o significado: No sul do Piemonte e na Ligúria, em Itália, acredita-se que o sobrenome Passalacqua possa estar ligado “àqueles que passam pela água; pássaro de água; barqueiro”.

Portanto, bem se pode dizer que o “pássaro de água”, o Almirante e ex-Chefe da Armada/Marinha de Guerra Portuguesa, Gouveia e Melo, se posiciona, apesar de ser uma figura dos mares, para conquistar o recanto terreno da Presidência da República. Terra enxuta, mas com salgas, nortadas e ondas gigantes, porque a política mete tudo isso e muito mais…

Ele tem um lastro, usando uma linguagem da indústria naval, de forte presença nesse Ramo das Forças Armadas Portuguesas, tendo servido como submarinista, principalmente, com incidência na flotilha da frota ou esquadra desse tipo de embarcação, os submarinos.

Mas Gouveia e Melo sobressaiu por alturas da pandemia da Covid quando pôs ordem na casa, no sistema de vacinação que, a dado tempo, conheceu balbúrdia e estava a resvalar para o descrédito. Mostrou a sua postura e aprumo militar e, ainda, a sua conduta de homem do leme, que sabe ter rumo e levar a bom porto a proposta que lhe foi entregue.

Esse ex-oficial militar, em texto publicado no semanário português Expresso, escreve que é apartidário, mas deixa a nota de que é próximo do PS e do PSD, portanto, do “centrão”.

O marinheiro-político fez-se por ocasião da vacinação da covid. Jamais pensara que essa sua destreza e responsabilidade, com o astrolábio na mão, o poderia levar a Belém, tendo como baliza esse instrumento para se candidatar. Não confessa, ainda, essa sua intenção – não faltará o tempo para o fazer, quando considerar oportuno para não queimar etapas, aliás, é militar – ao cargo de Presidente da República.

Cauteloso, calculista e apresentando sobriedade aritmética para não andar depressa demais, a fim de não queimar tempos e a hora própria para se apresentar, Gouveia e Melo já é, por tudo quanto tem sido dito e por todas as premissas lançadas, o candidato maior ao “posto” de Chefe de Estado.

A figura institucional de PR não tem poderes por aí além. É uma personalidade de estilo da nossa República, acantonada num semi-presidencialismo, que pós Abril, nunca os políticos quiseram mexer. Está tal e qual a deixaram, desde o tempo do Estado Novo. Figura decorativa, de corta-fitas e, mais recentemente, desde o consulado de Marcelo, bastião das selfies, dos abraços e dos beijos, além de acoitar um comentarista de serviço, de Belém…

Gouveia e Melo sabe disso. Será que poderá abanar, com a sua magistratura de influência, a Constituição para dar nova fórmula ao cargo e, também, banir certas benesses de personalidades do regime? Será que terá a coragem de perfilar a nossa Democracia como participativa, de escrutínio e de Direito?

Os pássaros de água sabem andar à chuva sem se molharem para conseguirem escapar a tempestades e trazerem bonanças. Espero para ver…

António Barreiros, jornalista

Campanha de cirurgias no HCN devolve visão a pacientes com cegueira total

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Nampula – Em tempos de desconfiança generalizada na capacidade dos serviços públicos de saúde, eis uma história que brilha, literalmente, nos corredores do Hospital Central de Nampula (HCN). Seis pacientes que haviam mergulhado no escuro absoluto devido à catarata bilateral voltaram a ver o mundo, graças a uma campanha cirúrgica de cinco dias promovida pelo departamento de oftalmologia da unidade sanitária.

Entre segunda e sexta-feira, a campanha atendeu 113 pacientes, dos 120 inicialmente previstos. O número, embora ligeiramente abaixo da meta, não ofuscou os resultados clínicos e emocionais. “Pelo menos seis pessoas que não viam absolutamente nada voltaram a enxergar. Isso, para nós, já é um enorme sucesso”, desabafou Sofia Nacibo, médica residente em oftalmologia, visivelmente tocada com o impacto humano da acção.

O primeiro dia foi marcado por dificuldades de acesso, sobretudo para pacientes oriundos de distritos periféricos. Segundo Nacibo, as condições climatéricas adversas comprometeram o transporte de utentes, influenciando directamente no número final de atendimentos. Ainda assim, a avaliação geral é de “missão cumprida”.

A campanha foi realizada com o apoio da organização Sightsavers, parceira antiga do HCN na luta contra a cegueira evitável. Para além das cirurgias pontuais, a unidade hospitalar oferece consultas regulares e cirurgias electivas de forma gratuita, um alívio para muitos moçambicanos que, entre a fome e a farmácia, são obrigados a escolher.

A médica deixou um alerta sério: “Muitos chegam até nós quando já é tarde demais. A automedicação está a destruir olhos que podiam ser salvos com uma simples gota no momento certo”, afirmou Nacibo, apelando ao público para que procure assistência ao primeiro sinal de problema ocular.

Num país onde a saúde pública é tantas vezes sinónimo de filas intermináveis, diagnósticos por adivinhação e frustração crónica, histórias como estas mostram que quando há vontade, organização e profissionalismo, a transformação é possível. Os seis pacientes que voltaram a ver são testemunhos vivos e agora também visuais de que o Estado ainda pode fazer a diferença, mesmo com poucos meios.

Jogos Desportivos da SADC: Banco Central celebra 50 anos com “diplomacia atlética” em Matutuíne

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Matutuíne – Num ambiente mais descontraído do que é habitual nos corredores sisudos do sistema financeiro, o Banco de Moçambique abriu, nos dias 18 e 19 de Abril, as portas do seu Complexo Desportivo para acolher os Jogos Desportivos dos Bancos Centrais da SADC, uma iniciativa que, apesar do verniz festivo, carregava peso institucional e simbólico.

A ocasião coincidiu com o cinquentenário do próprio banco central moçambicano e os 45 anos da criação do Metical, efemérides que não passaram despercebidas nas palavras do Governador Rogério Zandamela, anfitrião do certame. O economista de profissão e atleta nas horas vagas frisou que, “para além do convívio, os jogos devem ser uma plataforma para reforçar os laços de cooperação entre as instituições financeiras da região”.

Zandamela insistiu na tónica da união e da ética desportiva, apelando ao fair play como regra de ouro durante as competições. “O espírito vencedor é bem-vindo, mas deve estar subordinado à fraternidade que nos une enquanto região”, disse, perante delegações oriundas de vários países da África Austral.

Apesar da informalidade típica de um torneio desportivo, os Jogos revelam uma outra face do regionalismo económico da SADC — mais suave, mais humana, mas não menos estratégica. Trata-se de “soft power” bancário em formato de estafeta e futebol, onde o networking substitui os dossiês e as reuniões formais dão lugar a cumprimentos suados nos corredores dos balneários.

Fontes do Txopela indicam que a organização foi marcada por uma logística apertada mas eficaz, com destaque para o envolvimento activo de quadros seniores do banco anfitrião e o apoio técnico de equipas desportivas profissionais.

O evento serviu também como sinal claro de que o Banco de Moçambique está a tentar cultivar uma imagem menos rígida e mais próxima da sociedade. A escolha de Matutuíne, longe do habitual circuito Maputo-centrista, também carrega uma leitura política de descentralização e inclusão territorial.

No fim, entre golos e passes certos, a mensagem ficou clara, os bancos centrais também têm coração e, de quando em vez, precisam de sair da rotina da inflação e dos juros para se encontrarem como pessoas e como região.

 

Nampula: Entregue ambulância ao Centro de Saúde de Nametil

Mogovolas, Nampula — A governação que escuta, responde. Foi sob este princípio que o Governador da Província de Nampula, Eduardo Abdula, procedeu, nesta segunda-feira (21 de Abril de 2025), à entrega formal de uma ambulância ao Centro de Saúde de Nametil, no Distrito de Mogovolas. O gesto surge como resposta directa a um apelo popular, feito durante a visita recente do Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, àquela localidade.

Num acto que transcende o protocolo, Abdula reafirmou o compromisso do executivo provincial com a dignificação da vida e do acesso à saúde, sobretudo nas zonas onde a distância entre a doença e o socorro ainda se mede em horas de espera e estradas por vencer.

Uma ambulância, 400 mil razões

A nova ambulância vem reforçar a capacidade de evacuação médica no distrito, permitindo a transferência de doentes das unidades sanitárias periféricas para a sede distrital e, quando necessário, desta para o Hospital Central de Nampula (HCN)  um percurso que, até hoje, era feito em condições muitas vezes indignas e arriscadas.

Com uma população estimada em mais de 400.000 habitantes, Mogovolas enfrenta desafios crónicos na resposta às urgências médicas, agravados por limitações de mobilidade.

Desde a sua investidura, o Presidente Chapo tem apostado numa política de escuta activa e intervenção cirúrgica nas zonas mais vulneráveis. A resposta célere ao pedido da população de Nametil é vista como um símbolo da nova postura governativa, que privilegia resultados tangíveis em detrimento de promessas vãs.