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Primeiros 100 dias: Governo de Sofala reforça segurança marítima com entrega de coletes salva-vidas

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Sofala — Em nome do compromisso com a segurança e a dignidade dos moçambicanos que vivem do mar e com o mar, o Governador da Província de Sofala, Lourenço Ferreira Bulha, procedeu, nesta segunda-feira (21), à entrega simbólica de 205 coletes salva-vidas à Associação dos Transportadores Marítimos da Praia Nova. O acto insere-se nas iniciativas dos primeiros 100 dias de governação do Presidente da República, Daniel Francisco Chapo.

A cerimónia, com lugar na Praia Nova, coração pulsante da economia informal costeira de Beira, assinala um gesto de reconhecimento do Estado a um sector historicamente marginalizado, mas vital para a mobilidade e sobrevivência de milhares de moçambicanos. Na ocasião, o Governador Bulha sublinhou a centralidade do transporte marítimo para a Província: “Sete dos nossos treze distritos têm o mar como vizinho, e é nele que os nossos cidadãos encontram caminho, sustento e esperança”.

As rotas mencionadas por Bulha, como Marromeu–Chinde, Amparapara, Nova Sofala, Honve, Wiriquize e Chiloane, são vias ancestrais de trocas comerciais e mobilidade social que, embora invisibilizadas no discurso do progresso, sustentam o quotidiano de milhares. “Estes coletes não são apenas objectos. São símbolo do nosso compromisso com a vida, com a economia local e com a inclusão”, frisou o dirigente.

A presença de Unaité Mustafa, Presidente do Conselho de Administração da ITRANSMAR, IP, reforçou o alcance institucional do gesto. Coube à representante da associação local agradecer, com palavras que misturaram alívio e expectativa: “Estes meios chegam numa altura em que, por falta de segurança, muitos pais e mães de família hesitavam em embarcar. Agora, com os coletes, os nossos passageiros viajam com mais confiança”.

No discurso oficial, o Governo evitou a retórica grandiosa, optando por uma linguagem próxima das populações, um estilo que parece marcar os primeiros passos da governação de Chapo, menos palanque, mais proximidade. O acto simples de entrega de coletes, longe de projectos megalómanos, aponta para uma abordagem de governação ancorada na resposta às necessidades reais e urgentes das comunidades.

Apesar do gesto meritório, muitos desafios permanecem, a maioria das embarcações ainda opera em condições precárias; a fiscalização é escassa e os sinistros marítimos continuam a registar perdas humanas quase sempre silenciosas. Fica o apelo para que o Governo avance de forma estruturada com políticas de regulação, formação e modernização do transporte marítimo tradicional.

Governo de Sofala procura soluções para o agravado conflito entre homem e fauna bravia

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Sofala – O Governador da Província de Sofala, Lourenço Ferreira Bulha, e a Secretária de Estado, Cecília Chamutota, reuniram-se esta segunda-feira (21) com gestores das zonas de conservação e representantes da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), com o objectivo de reflectir sobre os impactos crescentes do conflito entre comunidades humanas e fauna bravia nas zonas adjacentes às áreas de conservação.

Durante o encontro, que decorreu num clima de preocupação e apelo à acção concreta, o Governador Lourenço Bulha destacou a gravidade do cenário vivido em várias comunidades, onde 133 pessoas perderam a vida e 134 ficaram feridas, nos últimos quatro anos, em resultado directo de ataques de animais selvagens. O dirigente defendeu a necessidade de responsabilização por parte dos gestores das áreas de conservação pelas perdas humanas e materiais resultantes do conflito.

“A morte de cidadãos e a destruição dos seus meios de subsistência não podem ser tratadas como um efeito colateral inevitável. É urgente que se definam mecanismos de resposta e compensação, bem como acções preventivas eficazes”, afirmou Bulha, apontando os distritos de Muanza, Gorongosa e Nhamatanda como os mais afectados. Sublinhou ainda que entre 70% a 80% dos crimes julgados nestas zonas têm conexão com o conflito homem-fauna, muitas vezes relacionados com tentativas de defesa das populações ou caça retaliatória.

Por sua vez, a Secretária de Estado Cecília Chamutota frisou a necessidade de promover uma convivência saudável entre a fauna e as comunidades humanas, chamando atenção para os animais considerados mais problemáticos, com destaque para o elefante, hipopótamo, búfalo e crocodilo, cuja incidência é mais notória nos distritos de Chemba, Nhamatanda, Marromeu, Chibabava, Caia e Búzi.

“Precisamos de soluções integradas que combinem medidas de protecção, educação comunitária, compensações e estratégias de coexistência pacífica. O actual modelo está a mostrar sinais de exaustão”, referiu Chamutota, apelando a uma acção coordenada entre os órgãos do Estado, gestores das áreas protegidas e as comunidades locais.

A reunião surge num momento em que cresce a pressão sobre os ecossistemas protegidos, em resultado da expansão agrícola e da pressão populacional nas franjas das zonas de conservação. Especialistas têm alertado para a necessidade de rever os modelos de gestão das áreas protegidas, reforçar os corredores ecológicos e implementar tecnologias de alerta precoce e cercas inteligentes.

Embora o encontro não tenha produzido medidas concretas de imediato, fontes da ANAC indicam que um plano provincial de mitigação e resposta ao conflito homem-fauna está em elaboração, devendo incluir medidas de compensação, educação ambiental e financiamento de soluções tecnológicas comunitárias.

Governo pretende contratar mais de 58 mil professores até 2029 para reduzir rácio aluno-professor

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Quelimane – O Governo moçambicano prevê admitir mais de 58 mil professores durante o quinquénio 2025-2029, com o objectivo de reduzir o rácio actual de 68,1 alunos por professor para 59 em 2025, e atingir a meta de 55 até 2029, de acordo com o Plano Estratégico de Educação. A medida está condicionada à disponibilidade orçamental em cada exercício fiscal.

A informação foi avançada esta segunda-feira (21) pela Ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, durante uma audição parlamentar perante a Comissão dos Assuntos Sociais, do Género, Tecnologias e Comunicação Social, no contexto da análise da Proposta do Programa Quinquenal do Governo (PQG) 2025-2029.

Segundo a Ministra, o ensino primário conta actualmente com cerca de 7,2 milhões de alunos, servidos por 106.262 professores, o que resulta num rácio médio nacional de 68,1 alunos por docente. Contudo, as províncias de Nampula, Cabo Delgado e Zambézia apresentam os rácios mais críticos, com 87, 85 e 78 alunos por professor, respectivamente.

“O Plano Estratégico de Educação 2022-2029 estabelece como meta a redução do rácio para 55 alunos por professor no ensino primário, e é nesse sentido que o Governo vai direccionar os seus esforços”, declarou Samaria Tovela.

A ministra acrescentou que, em 2024, foram contratados 1.277 professores, mas este número está aquém das necessidades, uma vez que mais de 1,5 milhão de crianças ingressam anualmente na primeira classe. A alocação dos professores, segundo disse, tem seguido uma lógica de priorização das províncias mais críticas.

Em resposta às preocupações dos deputados sobre a acumulação de dívidas resultantes do pagamento de horas extraordinárias aos professores, a governante revelou que o Ministério está a estudar a introdução de uma plataforma digital de gestão académica, a ser implementada ao nível distrital. “Pretendemos que cada distrito possa ter, logo no início do ano lectivo, um mapeamento claro das horas leccionadas e do seu impacto orçamental”, explicou.

No tocante à entrega atempada do livro da caixa escolar, Samaria Tovela anunciou mudanças no modelo de distribuição, que passam pela descentralização do processo logístico. A proposta prevê que a entrega aos armazéns regionais continue sob responsabilidade do órgão central, enquanto caberá aos órgãos provinciais assegurar o transporte até aos distritos e, destes, às escolas.

“Acreditamos que este modelo permitirá reduzir significativamente os atrasos na chegada dos manuais às instituições de ensino”, concluiu a ministra.

Presidente da República lamenta a morte do Papa Francisco e enaltece legado de paz e fraternidade

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O Presidente da República, Daniel Chapo, endereçou esta segunda-feira uma mensagem de condolências à comunidade cristã e, em particular, aos fiéis católicos, na sequência da morte de Sua Santidade o Papa Francisco, a quem descreveu como “líder espiritual cuja vida foi marcada por um incansável compromisso com a paz, a justiça social e a fraternidade entre os povos”.

O Chefe de Estado afirmou que o momento é de “choque” e “dor partilhada”, sublinhando a dimensão universal do Papa Francisco e a marca profunda que deixa não apenas na Igreja Católica, mas no mundo. “Neste momento, com corações em choque, juntamo-nos ao mundo na despedida de um líder cuja luz brilhou intensamente, iluminando caminhos de fé e esperança”, lê-se na mensagem tornada pública pela Presidência da República.

Daniel Chapo destacou a humildade do Papa, a sua voz profética em defesa dos marginalizados e o seu papel como promotor do diálogo inter-religioso. “Sua Santidade, um pastor para todos, transcendeu as fronteiras da Igreja Católica, tocando a alma da humanidade com sua mensagem de amor a Deus e ao próximo. Sua voz, um verdadeiro clamor por justiça, ecoou em cada canto do planeta, inspirando a construção de pontes entre culturas e religiões”, declarou o estadista moçambicano.

A mensagem presidencial faz igualmente referência à visita apostólica de Francisco a Moçambique, em Setembro de 2019, num contexto particularmente delicado para o país, ainda em processo de reconstrução após os ciclones Idai e Kenneth, e perante a escalada de violência em Cabo Delgado. O Chefe de Estado recordou que “a sua presença foi um símbolo poderoso de esperança” e considerou que o seu discurso no Palácio da Ponta Vermelha, onde apelou à reconciliação nacional, permanece como um dos momentos mais marcantes da história recente de Moçambique.

Ao encerrar a sua nota de pesar, o Presidente Chapo expressou solidariedade aos católicos moçambicanos e reiterou o desejo de que o legado do Papa Francisco continue a ser fonte de inspiração. “Que a fé e a esperança tragam consolo aos corações enlutados, e que a paz e a misericórdia de Deus estejam com todos”, concluiu.

A morte do Papa Francisco representa o fim de um pontificado que, desde 2013, se destacou por uma postura de proximidade com os mais vulneráveis, uma liderança espiritual voltada para os desafios contemporâneos e um apelo constante à compaixão e ao entendimento entre os povos. O seu desaparecimento físico deixa um vazio no seio da Igreja Católica, mas o seu exemplo continua vivo na memória colectiva da humanidade.

 

Zambézia renova-se: Autoridades apostam no diálogo para Impulsionar o desenvolvimento local

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A província da Zambézia virou hoje uma nova página na história política-administrativa, onde foram exonerados, transferidos e empossados os novos administradores para liderarem o ciclo de governação 2025 -2025, numa das maiores reestruturações dos últimos anos, que abrange praticamente todos os 22 distritos da província.

Esta mudança acontece num contexto de crescentes exigências sociais e económicas,  facto que leva os empossados a dar ênfase ao diálogo com as forças locais, com destaque para as igrejas, juventude, sector privado e sociedade civil no relançamento económico e social da província.

A administradora Guilhermina Machica, que liderou o distrito de Mulevala, assume agora a  administração de Lugela. Conhecida pelo seu estilo aberto e dialogante, agora, leva sua experiência para um distrito com grande potencial agrícola.

“Estou a sair com missão cumprida. Trabalhei lá durante quatro anos e foi uma boa experiência. Agora, para o distrito de Lugela, espero encontrar uma população humilde, simples e que juntos busquemos soluções. Vamos trabalhar com toda a população, líderes comunitários, religiosos, combatentes, jovens e mulheres para juntos encontrarmos soluções. Vamos trabalhar com a juventude no sentido de avaliar as iniciativas locais e promover o autoemprego.” disse Machica.

Foi nomeado Abobacar Salimo Cassimo para o distrito de Luabo, um dos mais desafiadores devido aos impactos de manifestações e fenómenos naturais. O novo administrador mostrou-se consciente do ambiente sensível que encontrará e defende o diálogo como pilar da sua liderança.

“Os desafios são quase os mesmos ao nível do país. Neste momento, é manter o diálogo com as lideranças locais. Sabemos que há diferença de opiniões que de certa forma galvaniza o desenvolvimento. Nossa missão é saber como colocar essas opiniões diferentes a convergir para o progresso, sem destruir o que já foi construído.” afirmou Cassimo.

Com esta nova composição, a Zambézia inicia um novo capítulo administrativo, marcado por rostos renovados e discursos de esperança. Resta agora acompanhar se os compromissos assumidos hoje em Quelimane se traduzirão em ações concretas nos bairros, campos e mercados dos distritos.

 

Quelimane vive a magia da leitura na 3ª Edição da Semana do Livro

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A cidade de Quelimane acolhe hoje o terceiro dia da 3ͣ  Edição da Semana do Livro, que decorre nos átrios da Rádio Chuabo FM,.  Sob o lema  “O livro, como caminho  para o futuro”, o evento presta homenagem à escritora Josina Viegas.

O destaque do dia vai para o Concurso de Leitura Josina Viegas, que reuniu dezenas de alunos locais num ambiente marcado por emoção e entusiasmo. Os vencedores serão conhecidos a 23 de Abril, data que assinala o encerramento da iniciativa.

Para Dr. Paulo Galelo,  docente de língua portuguesa, a obra literária vai além do entretenimento, os livros carregam ideias que moldam mentalidades. O investimento  na leitura deve começar desde os primeiros anos de escolaridade.

“Não é no nível superior que se aprende a ler. É desde a primeira classe. E ver crianças da 8ª classe a ler com tanta fluência é uma prova de que a leitura transforma”, completou.

Estudantes como Hélio Sobra, da Escola Secundária Amor de Deus, demonstram orgulho e motivação de participar no concurso de leitura e sonha com Victória “Participei na primeira fase do concurso e hoje passei para a segunda. Estou confiante e espero vencer”, partilhou.

Ticiane Figueiredo, também estudante participante, destaca a experiência como enriquecedora e espera por mais. “Gosto muito de participar porque além do concurso, temos oportunidade de conhecer autores, aprender mais sobre livros e até visitar as instalações da rádio”  disse.

Para além das actividades, a Semana do Livro também serve como palco de valorização da literatura moçambicana, sendo que, até o último dia do evento, espera-se lançar obras literárias, entre elas: Tu és linda, eu te amo – Josina Viegas; A saga da estrela Champion e O Gulamo e a tartaruga Zena – Benjamim João Luís; Testemunho de sacrifício – Luís Sabonete; O endereço para dentro do segredo – Américo Baptista; A última oração de Judas – Sakharari

A Semana do Livro em Quelimane tem-se afirmado como uma iniciativa que ultrapassa o âmbito escolar e assume-se como um verdadeiro movimento cultural. Promove a aproximação entre leitores e autores, reforça o papel das bibliotecas e mediação da leitura, além de estimular o pensamento crítico e o gosto pelo saber.

Francisco, o Papa do Coração e da Escuta

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O Papa Francisco, de seu nome de baptismo e de cidadão, Jorge Mario Bergoglio, jesuíta de formação, é filho de um casal de italianos, que se estabeleceu na Argentina, assumindo-se como o único Pontífice das Américas, seja do Norte ou do Sul.

Percebeu as agruras, as dificuldades, as preocupações, as pobrezas e as misérias humanas de muita gente que se lhe dirigia. Ele, como prior e mais tarde no desempenho do cargo de Cardeal de Buenos Aires, soube entregar-se ao seu ministério e ao seu semelhante.

Deu o seu coração para perceber os outros, os mais deserdados de vidas. Soube escutar os que o procuravam para lhes deixar, depois, a palavra mais adequada, incentivadora e criadora de forças. Tudo na linha do Salvador, o Cristo Homem e o Filósofo, o filho de Deus.

Este Papa teve, e por parte da maior parte dos conservadores, a que chancelaria de moralistas perdidos ou desorientados, o arremesso de pedras com que o tentaram verdascar, para o catalogar com a esquerda. No figurativo de um trecho da Bíblia que revela que Jesus deixou a palavra: “quem estiver sem pecado…”. Do outro lado, os esquerdistas, pretendiam mais de Francisco, pelo que foram aplaudindo uma ou outra palavra sua, esta e aquela posição marcante e, também, uma homília ou um documento papal mais arrojado.

O Papa Francisco, com elevação do seu carácter pessoal e, ainda, com a finura da sua inteligência e perspicácia, a de um verdadeiro jesuíta, soube, percebendo toda a problemática que foi envolvendo os corredores do Vaticano e, também, a de muitas cúrias, templos, sacristias e outros espaços da Instituição Igreja, evangelizar e traçar um rumo.

Assumiu que a pedofilia, dentro da Igreja, tinha de ser estancada, apesar de saber que se trata de uma situação que não se erradica como quem trava um vírus, uma bactéria ou uma chaga social. Abriu as portas ao diálogo. Disse que a Igreja é de e para todosmas para todos, tomando a Palavra do Mestre como sapiente para tornar a Instituição-Igreja, como uma casa que sabe e tem de acolher todos, mesmo que alguns, os mais beatos, tentem escorraçar, como o cão vadio da rua…os mais pecadores, andrajosos e rançosos.

O Papa Francisco idealizou e concretizou o Sínodo para, e de novo, abarcar todos num diálogo franco, democrático e aberto sobre problemas que vêm afectando a Igreja. Uma Igreja que tem de acompanhar os tempos, revogar o Concílio Vaticano II. Uma Igreja que se tem de reencontrar consigo e com os seus. Uma Igreja que deve olhar a sua renovação, no tempo do digital e de novas tecnologias, em que a comunicação é mais abrangente e corre veloz e, muitas vezes, sem freio.

O Papa esteve ao lado dos que são postos de lado, como quem deita no caixote do lixo as cascas pôdres e os desperdícios de um mundo materialista, desumano e pouco dado a parar para escutar o outro, acolher o outro, olhar o outro e situar-se nos que sofrem ou são marginalizados.

Numa altura em que o nosso Papa, o Francisco, já não pertence ao mundo dos vivos, tendo partido para o conforto do Pai, gostaria de o saudar e de lhe agradecer a sua presença, o seu testemunho, a sua fé, a sua postura e, também, as Mensagens que nos deixa. Reconheço em Francisco, ao contrário de uns tantos, o Papa do Coração para Amar; e o da Escuta para ouvir clamores de vozes abafadas pelo ruído dos que, apesar de professarem a religião cristã, nunca souberam interpretar a Palavra redentora, salvífica e libertadora de Cristo, o Homem e o Filho de Deus. Inclino-me perante a sua morte.

                                           António Barreiros, jornalista

Morreu o Papa Francisco: O adeus de Moçambique a um aliado da paz

EDITORIAL

Quelimane — Faleceu o Papa Francisco, esta manhã, segundo confirmou a Santa Sé, deixando a Igreja Católica e o mundo em luto. O pontífice argentino, nascido Jorge Mario Bergoglio, marcou profundamente a história recente da Igreja e teve, para Moçambique, um significado muito além da liturgia e da fé: foi um defensor do diálogo, da reconciliação e da justiça social num país que cicatriza ainda feridas antigas.

A notícia foi avançada oficialmente pelo Vaticano e pela Agência Ecclesia, que noticiou: “Morreu o Papa Francisco. O primeiro Papa latino-americano e jesuíta da história da Igreja Católica morreu esta manhã, depois de vários dias de agravamento do seu estado de saúde.”

Memórias de uma visita que tocou corações

Em Setembro de 2019, o Papa Francisco realizou uma visita apostólica a Moçambique, marcada por um simbolismo raro. Foi recebido em Maputo com cânticos, danças e sorrisos de esperança, numa altura em que o país procurava consolidar a paz definitiva após décadas de conflito armado e divisões profundas. Francisco não veio apenas abençoar os fiéis; veio lembrar aos moçambicanos que a paz é tarefa colectiva, compromisso contínuo e exercício de perdão.

“A paz é um processo que exige trabalho constante. Não basta a assinatura de um papel, é preciso empenhar-se todos os dias para desarmar os corações”, afirmou então, perante milhares de fiéis reunidos no Estádio Nacional do Zimpeto.

Um Papa que olhou para os pobres e os esquecidos

A passagem de Francisco por Moçambique foi marcada por encontros com jovens, religiosos, políticos e vítimas de catástrofes naturais, como o ciclone Idai. O Papa deu visibilidade às zonas marginais, falou contra a corrupção e a desigualdade e deixou um recado que prevalece até hoje: “Não pode haver desenvolvimento sem justiça. Não pode haver paz onde alguns têm tudo e muitos não têm nada.”

A visita teve também um peso diplomático: Francisco encontrou-se com o então Presidente da República, Filipe Nyusi, a quem apelou para que “o compromisso com a paz não seja apenas institucional, mas vivido nas aldeias, nos bairros, nas comunidades.”

Legado para Moçambique e para o mundo

Com a morte de Francisco, desaparece uma figura que, para além das vestes papais, carregava a imagem de um homem simples, próximo dos excluídos e profundamente preocupado com África. Não esqueceu Moçambique, mesmo depois da visita: mencionou o país em várias audiências, após desastres naturais ou nos apelos anuais pela paz no continente.

Foi ele quem afirmou: “Moçambique não é apenas uma terra ferida, é também uma terra de esperança. Cabe aos moçambicanos decidir se o amanhã será feito de sangue ou de flores.”

Um adeus com rosto moçambicano

A Igreja Católica em Moçambique prepara homenagens e celebrações em memória do Papa Francisco. Paróquias em todo o território nacional deverão realizar missas em honra do pontífice, cuja mensagem foi sempre de reconciliação.

Em tempos de incerteza, desaparece uma voz que pedia coragem para sonhar. Francisco deixa um legado moral incontornável e, para Moçambique, um mapa de princípios que continua por cumprir: justiça, inclusão, paz.

Actores políticos e sociedade civil debatem futuro da Zambézia

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Num raro momento de convergência entre a arena política e a sociedade civil, o Salão Nobre do Município de Quelimane acolheu, na tarde de 17 de abril, um debate crucial sobre os desafios estruturais que afetam a juventude africana, com foco particular na província da Zambézia — uma das mais populosas e socialmente vulneráveis do país.

O encontro, que contou com a participação activa de representantes dos partidos MDM, RENAMO e PODEMOS, assumiu um carácter plural e construtivo, promovendo um espaço de escuta mútua e formulação de propostas em torno das questões sociais, económicas e políticas que continuam a limitar o pleno desenvolvimento da juventude zambeziana.

Entre os temas levantados estiveram o desemprego juvenil, a falta de acesso à educação e formação técnica, os bloqueios institucionais ao empreendedorismo jovem, e a contínua ausência de políticas públicas eficazes para reverter este cenário.

Em representação do Conselho Autárquico de Quelimane, a Vereadora da Saúde e Ação Social, Maria Moreno, falou em nome do edil Manuel de Araújo e garantiu que a edilidade está comprometida com a construção de pontes com os jovens.

A iniciativa foi saudada por analistas locais como um exercício de maturidade democrática e um apelo à governança participativa, numa província onde o capital humano jovem permanece subaproveitado e, em muitos casos, abandonado à sua sorte.

Os organizadores do evento sublinharam que o diálogo não pode ser episódico nem refém de agendas partidárias, mas sim parte de uma estratégia contínua de escuta e inclusão, se o país quiser reverter o ciclo de marginalização e desilusão que paira sobre grande parte da sua juventude.

Quelimane deu o exemplo. Resta saber se o resto do país está disposto a ouvir os jovens — e, mais importante, a agir.

Xadrez como ferramenta de igualdade: torneio celebra mês da mulher em Quelimane

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Num contexto onde o desporto muitas vezes é negligenciado como espaço de transformação social, a Associação Provincial de Xadrez da Zambézia (APXZ) desafiou o status quo ao realizar, na Sexta-feira Santa (18 de abril), um torneio especial em homenagem ao Mês da Mulher, nas instalações do Instituto de Formação de Professores de Quelimane (IFPQ).

O evento, que reuniu 26 atletas distribuídos entre as categorias Sénior e Infantojuvenil, trouxe não apenas competitividade, mas também um sinal claro de que o xadrez pode — e deve — ser um instrumento de promoção da igualdade de género, da formação intelectual e da participação cidadã desde a infância.

No escalão sénior, foram oito os competidores, com destaque para Izidine Gafar, que conquistou o primeiro lugar, seguido por Celso Pequite e Avertino Sande. Já na categoria infantojuvenil, que contou com 18 participantes (7 raparigas e 11 rapazes), o protagonismo feminino foi visível e significativo.

Entre as meninas, Josimery brilhou no topo do pódio, com Lucrécia em segundo lugar e um empate técnico no terceiro lugar entre Chaquila e Leonarda. No quadro masculino infantojuvenil, os vencedores foram Kleiton Natanaio, Ramadane e Alves, do primeiro ao terceiro lugar, respectivamente.

Mais do que os troféus, o torneio destacou a presença crescente e determinada das raparigas na modalidade, num país onde o desporto escolar e comunitário enfrenta obstáculos estruturais e simbólicos.

A organização sublinhou o seu compromisso com a expansão do xadrez em toda a província da Zambézia, priorizando acções que envolvam juventude, escolas e comunidades, com enfoque na formação de valores, inclusão social e igualdade de oportunidades.