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Carta aberta a Chapo: Manuel de Araújo acusa o Estado de execuções *

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Sua Excia Senhor Presidente da República

 

Temos vindo a acompanhar com bastante preocupação ao desenrolar dos acontecimentos desde a proclamação dos resultados eleitorais.

 

Diariamente temos recebido informação de vários pontos do pais alertando-nos sobre uma verdadeira caça ao Homem, alegadamente efectuada por elementos  ligadas as  Forcas de Defesa e Segurança, de que Vossa Excia é Comandante em Chefe.

 

Excia,

 

Saudamos a vossa iniciativa de congregar as forcas vivas da sociedade para um diálogo inclusivo, iniciativa essa que foi aprovada pela Assembleia da Republica e aguarda a vossa ratificação e promulgação, para que passe efectivamente a ser Lei, e por isso de cumprimento obrigatório.

 

Vimos por este meio solicitar a intervenção de Vossa Excia, senhor Presidente da República, na qualidade de Comandante em Chefe das Forças de Defesa e Segurança para que ordene a investigação e imediata cessação da perseguição e morte a cidadãos indefesos alegadamente perpetradas por elementos ligados as Forças de Defesa e Segurança (FDS) e deia permissão a nacionais, regionais e  internacionais para investigarem as alegações de tortura, maus tratos, bem como a execuções extrajudiciais.

 

Excia,

 

Temos conhecimento que algumas instituições internacionais submeteram pedidos de permissão para enviarem missões de investigação entre  Outubro e Novembro de 2025 e até hoje não receberam qualquer resposta das autoridades moçambicanas.

 

Exigimos as instituições da justiça, a Procuradoria Geral da República (PGR), a Policia da República de Moçambique (PRM) e ao Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) o esclarecimento célere das circunstâncias e causas que levaram ao baleamento do nosso colega.

 

Solicitamos a organizações de defesa de direitos humanos nacionais, regionais e internacionais como a Comissão Nacional dos Direitos Humanos, a Ordem dos Advogados, a Intelwatch, a UN Human Rights Commission, a Human Rights Watch, a Amnest International dentre outras, para que levem em consideração as denúncias sobre execuções sumárias e tratamento desumano e degradante em vários pontos do pais e organizem missões de campo para in loco  investigar as alegações.

 

Excia Senhor Presidente,

 

Sabe como muitos de nós que a Constituição da República de Moçambique proíbe a pena da morte. E Vossa Excia, na Cerimónia de Tomada de Posse jurou não só respeitar como também fazer respeitar a Lei Mãe.

 

Excia,

 

 

O baleamento do jovem musico e DJ Trufafá, vulgo Joel de Amaral, bem como a  “caça ao homem” que tem sido reportadas em vários distritos da província da Zambézia e do pais, desde a proclamação dos resultados eleitorais. Estas acções ilegais e que atentam a Lei Mãe,  tem sido reportadas com maior frequência nos distritos de Morrumbala, Mopeia, Luabo, Chinde, Nicoadala, Namacurra, Maganja da Costa, Milange, Molumbo, Gurue, Moatize onde centenas de pessoas foram e continuam a ser barbaramente assassinadas e seus direitos flagrantemente violados por indivíduos alegadamente ligados as forças de defesa e segurança são violações graves a Constituição da República.

 

Excia,

 

Lembrar-Lhe que estamos em Domingo de Ramos e que passam seis meses sem on esclarecimento do bárbaro assassinato dos jovens  Elvino Dias, e Gwambe e ousaram exercer direitos fundamentais normais num  Estado de Direito Democrático.

 

Cumpramos na Letra e no Espirito o Acordo sobre o Diálogo Inclusivo.

 

Atenciosamente,

 

Manuel de Araújo

 

Cidadão Comum

 

Nota: O título desta carta aberta é da inteira responsabilidade do Jornal Txopela.

EDUCAÇÃO NA ZAMBÉZIA: GOVERNO AINDA SEM PLANOS DE REABILITAR ESCOLA PRIMÁRIA AEROPORTO

Na Escola Primária Aeroporto, dezenas de alunos assistem às aulas em salas sem teto nem carteiras. Muitas crianças são obrigadas a sentar-se no chão, uma realidade que compromete o ensino e a aprendizagem.
Perante a situação, pais e encarregados de educação manifestaram recentemente a sua insatisfação, alegando existir falta de vontade política para a reabilitação da infraestrutura escolar.

Em reação às preocupações da comunidade escolar, o porta-voz da Direcção Provincial de Educação na Zambézia, Caunda Mutecomala, esclareceu que, apesar da Escola Primária Aeroporto não constar nos planos imediatos, existem projetos para a reabilitação de outras salas de aula na província.

Enquanto não há uma resposta concreta para a Escola Primária Aeroporto, a comunidade escolar continua a aguardar com expectativa e preocupação pela reabilitação das salas de aula.

Texto: Juenta Jorge

6.320 candidatos disputam 560 vagas para o curso de formação de professores na Zambézia

Na província da Zambézia, 6.320 candidatos concorrem a apenas 560 vagas para o curso de formação de professores, uma situação que revela, por um lado, a elevada procura pela carreira docente e, por outro, as limitações da capacidade de formação no sector da educação.

O acto de abertura dos exames teve lugar no Instituto de Formação de Professores de Quelimane e foi orientado por Victória da Glória João Carlos, em representação do Secretário de Estado da Zambézia, que apelou ao empenho e à seriedade dos candidatos durante o processo.

Em média, cerca de 11 candidatos concorrem a cada vaga disponível, um dado que evidencia vários desafios estruturais e sociais. A elevada procura reflete o interesse crescente dos jovens pela carreira docente, vista como uma oportunidade de emprego relativamente estável e um contributo direto para o desenvolvimento das comunidades.
No entanto, a forte concorrência também expõe as limitações do sistema de formação, sobretudo ao nível das infraestruturas, recursos humanos e financiamento, o que impede a absorção de todos os interessados.

A província da Zambézia conta com cinco centros de formação de professores, nomeadamente: IFP de Quelimane, com 150 vagas; IFP de Nicoadala, com 120 vagas; IFP de Alto Molócuè, com 120 vagas; IFP de Morrumbala, com 120 vagas; Escola de Professores do Futuro, com 50 vagas.

Em síntese, a disputa de 6.320 candidatos por apenas 560 vagas na Zambézia vai além de números estatísticos e reflete os desafios e as oportunidades do sistema educativo moçambicano, reforçando a necessidade de investimento contínuo na formação de professores para responder à crescente procura no sector da educação.

Texto: Lídia José

Há Fraca Procura De Material Escolar Em Quelimane

Com o arranque do ano lectivo 2026 cada vez mais próximo, os vendedores de material escolar na cidade de Quelimane enfrentam um cenário preocupante, marcado pela fraca procura por parte dos encarregados de educação.

Apesar das bancas estarem devidamente abastecidas e dos preços serem considerados acessíveis pela maioria dos comerciantes, a afluência de clientes continua abaixo do esperado.

A poucas semanas do início das aulas, os principais pontos de venda de material escolar, com destaque para o Mercado Central de Quelimane, apresentam um movimento reduzido.

Cadernos, mochilas, lápis, canetas e outros artigos essenciais para o regresso às aulas estão disponíveis em quantidade, mas permanecem nas prateleiras por mais tempo do que o habitual.

Segundo relatos dos vendedores, a situação contrasta com o que se verificava em anos anteriores, quando, neste mesmo período, a procura era significativamente maior.

Alberto Joaquim é vendedor de material escolar há mais de 10 anos no Mercado Central de Quelimane, afirma que “outros anos, por esta altura, já tínhamos vendido quase metade do material. Agora, passamos dias inteiros sem vender quase nada”, lamentou.

Joaquim conta ainda que, apesar de terem mantido os preços relativamente baixos, na tentativa de atrair mais clientes, o número de compradores continua aquém das expectativas.

Alguns apontam as dificuldades económicas enfrentadas pelas famílias como uma das principais razões para a fraca procura, levando muitos encarregados de educação a adiar as compras para mais perto do início efectivo das aulas.

Entretanto, há quem opte por se antecipar. Dona Marlene Ambrósio decidiu fazer compras mais cedo para evitar a correria de última hora.

Segundo ela, os preços continuam acessíveis, embora reconheça uma ligeira subida em comparação com o ano passado.

“Preferi comprar agora, porque mais tarde pode ficar mais caro e também para evitar filas”, afirmou.

Apesar do cenário actual, os vendedores mantêm alguma esperança de que a procura venha a aumentar nas próximas semanas, à medida que se aproxima a data oficial de abertura do ano lectivo.

Muitos acreditam que, tradicionalmente, a maioria dos encarregados de educação deixa as compras para os últimos dias.

Por enquanto, o ambiente nos mercados é de expectativa e apreensão, com os comerciantes a aguardarem por dias melhores que possam compensar o fraco movimento registado até ao momento.

A abertura do ano lectivo 2026 está prevista para o dia 30 de Janeiro.

Texto: Juenta Jorge

Funcionários do Instituto IPIMO em Quelimane Reivindicam 5 Meses de Salários Atrasados

Em Quelimane, oito funcionários do Instituto Politécnico Islâmico de Moçambique (IPIMO) estão em um cenário de profunda insatisfação, enfrentando a dura realidade de não receberem seus salários há mais de cinco meses. A situação tem gerado frustração entre os colaboradores, que buscam uma solução urgente para o problema.

Alguns, além da pendência salarial, relataram ter recebido a rescisão de contrato, apesar de não terem recebido a devida remuneração, o que amplifica ainda mais a crise e gera um clima de incerteza e insegurança entre eles.

Os funcionários exigem um posicionamento claro da direção sobre o pagamento dos salários atrasados e a questão das rescisões. Segundo fontes internas, a falta de comunicação por parte da administração do instituto tem sido um fator agravante, deixando os trabalhadores sem explicações claras sobre o motivo da demora nos pagamentos.
Até o momento, a direção do Instituto IPIMO não se manifestou publicamente sobre a reivindicação dos funcionários, o que tem gerado um aumento na tensão e nas cobranças por respostas.

A falta de uma solução imediata pode ter consequências negativas não apenas para os trabalhadores, mas também para a imagem do Instituto IPIMO, uma vez que a situação financeira e o bem-estar dos seus colaboradores são fundamentais para o bom funcionamento da instituição. Os funcionários aguardam uma manifestação oficial por parte da direção, na esperança de que a situação seja resolvida com urgência.

Texto: Lídia José

Chapo destaca papel de Alfredo Gamito na reconstrução do Estado moçambicano

O Presidente da República, Daniel Chapo, manifestou profundo pesar pelo falecimento de Alfredo Gamito, ocorrido na noite de domingo, vítima de doença prolongada. Numa mensagem de condolências, o Chefe do Estado destacou o papel marcante do antigo governante na Administração Pública e no processo de reconstrução institucional de Moçambique no período pós-guerra civil.

Segundo o Presidente da República, a morte de Gamito representa uma perda significativa para o país, particularmente nos domínios da Administração Pública e da governação descentralizada.

Daniel Chapo disse que, “o falecimento do compatriota Alfredo Gamito representa uma perda significativa para Moçambique, particularmente no domínio da Administração Pública e da governação descentralizada, áreas às quais dedicou grande parte da sua vida com sentido de missão, competência e elevado espírito patriótico.”

O Chefe do Estado recorda ainda o papel desempenhado por Alfredo Gamito enquanto Ministro da Administração Estatal, entre 1995 e 2000. Nesse período, liderou importantes reformas administrativas orientadas para a modernização, descentralização e profissionalização da Administração Pública, num contexto exigente de consolidação da paz e reconstrução nacional após a guerra civil.

De acordo com a mensagem presidencial, Gamito teve um papel determinante no processo de municipalização do país e na preparação das primeiras eleições autárquicas, realizadas em 1998, consideradas um marco na promoção da governação local democrática.

Daniel Chapo evocou igualmente o percurso de Alfredo Gamito como Vice-Ministro da Agricultura, Governador da província de Nampula e Deputado da Assembleia da República, sublinhando os contributos deixados na formulação de políticas públicas e no fortalecimento das instituições democráticas moçambicanas.

Segundo uma nota da família, o funeral de Alfredo Gamito terá lugar esta quarta-feira, às duas da tarde, no Cemitério da Lhanguene, na cidade de Maputo. Antes, será celebrada uma missa de corpo presente, às onze horas, na Igreja Santo António da Polana.

Texto: Redação

Município de Quelimane avança com cobrança de taxas sob expectativa de melhorias nos mercados e bairros

O Município de Quelimane iniciou a cobrança de taxas e impostos municipais referentes ao novo exercício económico. A medida visa reforçar a arrecadação de receitas, mas surge num contexto em que munícipes esperam ver melhorias concretas nos mercados e nos bairros da cidade.

Segundo as autoridades municipais, estas receitas são fundamentais para garantir o funcionamento regular da máquina municipal e responder às necessidades básicas da população. O Conselho Autárquico explica que os valores arrecadados deverão ser aplicados em áreas prioritárias como a manutenção de vias de acesso, saneamento do meio, iluminação pública, recolha de resíduos sólidos e melhoria das condições nos mercados municipais.

Apesar das garantias, alguns munícipes ouvidos pelo Jornal Txopela e TV Zambézia 24 Horas manifestam apreensão. Para estes contribuintes, o cumprimento das obrigações fiscais deve ser acompanhado por resultados visíveis, sobretudo nos mercados e em zonas residenciais que continuam a enfrentar problemas de saneamento e ordenamento.

O Conselho Autárquico garante que estão criadas condições para um atendimento organizado e transparente e apela à colaboração dos munícipes no cumprimento das suas obrigações fiscais, sublinhando que a participação de todos é essencial para o desenvolvimento sustentável da cidade.

Com o arranque da cobrança de taxas e impostos, Quelimane entra numa nova fase do exercício económico. A expectativa agora recai sobre a capacidade do município em transformar as contribuições dos munícipes em melhorias concretas e perceptíveis no quotidiano da cidade.

Texto: Felix Taiobo

Lançada a Semana da Legalidade na Zambézia

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Quelimane, 31 de Outubro – Foi lançada na manhã desta quinta-feira, em Quelimane, a Semana da Legalidade, um evento que visa reforçar a confiança do cidadão nas instituições do sistema de justiça. A iniciativa decorre sob o lema: “50 anos consolidando um sistema de justiça ao serviço do cidadão, rumo a maior confiança e coesão social”.

No acto de lançamento, Antônio Mequesa, Director da Ordem e Segurança Pública no comando da PRM na Zambézia, representando o comandante provincial da corporação, destacou a importância de promover uma cultura de respeito à lei e de proximidade entre a polícia e a população.

Antônio Mequesa 
“A Semana da Legalidade é uma oportunidade para reforçarmos a confiança da sociedade nas nossas instituições, promovendo o respeito às leis e a coesão social.”

Por sua vez, Rambo Tomas Simbe, Procurador-Chefe Distrital de Quelimane, apresentou as actividades previstas pela Procuradoria durante a semana, incluindo palestras, sensibilização comunitária e acções de fiscalização a nível do distrito.

Rambo Tomas Simbe 
“Vamos trabalhar para que os cidadãos conheçam melhor os seus direitos e deveres, e possam contar com um sistema de justiça mais próximo e eficaz.”

A Semana da Legalidade, que teve início ontem, prolonga-se até 5 de Novembro, envolvendo diversas instituições públicas e organismos da sociedade civil, com vista a consolidar práticas de justiça e reforçar a confiança da população nas autoridades.

A GERAÇÃO Z É A NOVA OPOSIÇÃO AFRICANA

Por: Zito do Rosário Ossumane (Régulo de Inhassunge)
A política africana está a mudar diante dos nossos olhos. Durante décadas, o espaço político foi dominado pelos partidos históricos e líderes que se apoiavam em estruturas hierárquicas tradicionais. Hoje surgiu uma força diferente, imprevisível e poderosa, a famosa Geração Z. Jovens nascidos entre meados dos anos 1990 e início da década de 2010 estão a redesenhar o mapa da política no continente.
Eles cresceram num mundo digital, ligados a smartphones, redes sociais e com acesso imediato à informação, mas também enfrentam muitos desafios concretos como o desemprego, desigualdade, corrupção e serviços públicos deficitários. Diferente das gerações anteriores, estes jovens não esperam pelos partidos ou pelos políticos para agir. Eles criam, mobilizam e pressionam, usando a tecnologia como ferramenta de transformação.
A Geração Z não se limita ao teclado, leva a indignação para as ruas. Exemplos não faltam. Na Nigéria, o movimento #EndSARS mobilizou milhares contra a violência policial e forçou a dissolução de uma unidade como a UIR ou GOE. Na África do Sul, os protestos estudantis #FeesMustFall mudaram as políticas educacionais e deram voz a toda uma geração. E no Quénia, a campanha #OccupyParliament fez com que o governo recuasse em algumas medidas fiscais sufocantes.
Em Moçambique, a força desta geração começa a ser visível também. Jovens jornalistas, músicos e influenciadores estão a questionar, práticas de corrupção e injustiça social, organizam campanhas digitais que ampliam o debate e desafiam narrativas políticas antigas. Estes jovens provam que é possível participar sem depender de um partido, mas com resultados reais. Lembre-se de como derrubaram as taxas de internet.
O impacto não se limita às ruas ou às redes sociais. Em muitos países africanos, mais de 60% do eleitorado tem menos de 25 anos. Isso obriga aos partidos e governos a responder de forma directa, transparente e rápida. A Geração Z redefine o conceito de oposição, não precisa de ideologia tradicional ou estruturas partidárias. Actua com informação, cultura e exigência de responsabilidade social.
Claro que há obstáculos. Censura digital, repressão e perseguição ainda limitam alguns movimentos. Mas a criatividade e persistência desta geração indicam que estes desafios não vão detê-la por muito tempo.
O que se observa é uma oposição do século XXI. Ela existe nas ruas, nas universidades, nas plataformas digitais e na cultura urbana. Está a moldar eleições, legislação e opinião pública de forma que líderes tradicionais não podem ignorar.
A política passiva está a ceder lugar a uma política activa, conectada e exigente. Para compreender o futuro político do continente, é importante olhar para esta geração que transforma indignação em acção, hashtags em movimentos reais e criatividade em poder político.
A Geração Z é a nova oposição continental, e qualquer análise séria sobre a política africana precisa partir desse pressuposto.

Moçambique 2029: Lições da Tanzânia e o risco de uma geração sem medo

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Introdução Editorial

À medida que a Tanzânia enfrenta tensões pós-eleitorais e restrições às liberdades cívicas, surgem questões inevitáveis sobre o futuro democrático de Moçambique. John Chekwa, jornalista e mediador social, reflete neste artigo sobre as lições que o país vizinho oferece e o que deve ser feito para evitar que Moçambique repita os mesmos erros. Num momento em que decorre o Diálogo Nacional Inclusivo, o autor alerta para a necessidade urgente de reformas na justiça eleitoral e para a força crescente de uma nova geração — uma juventude “sem medo”, que exige transparência, justiça e paz efectiva rumo às eleições de 2029.

Moçambique 2029: Lições da Tanzânia e o risco de uma geração sem medo

Por John Chekwa

A recente crise eleitoral na Tanzânia, marcada por protestos, distúrbios e repressão, é mais uma chamada de atenção para o continente africano. A reportagem da BBC mostra como a falta de transparência e a manipulação dos processos eleitorais continuam a fragilizar a democracia e a confiança dos cidadãos nas instituições públicas.

Mesmo quando as leis eleitorais são revistas, a sua implementação raramente é respeitada. O resultado é sempre o mesmo: diálogos falsos, promessas não cumpridas, economia prejudicada e vidas humanas perdidas. Enquanto não houver uma verdadeira reforma da justiça eleitoral, muitos partidos libertadores correm o risco de perder o seu valor histórico por não garantirem o respeito pelos direitos humanos e pela democracia.

Em Moçambique, espera-se que o processo eleitoral de 2029 seja transparente, inclusivo e justo. Desde as primeiras eleições gerais, acumulámos muitas lições, mas continuamos a repetir os mesmos erros. Houve diálogos e acordos de paz, mas sem resultados sustentáveis.

É preciso reconhecer que esta nova geração — a geração “TikTok” — é diferente. É uma juventude mais informada, destemida e que não tem medo de exigir mudanças. Ignorar a sua voz é alimentar o risco de instabilidade futura.

O actual Diálogo Nacional Inclusivo é uma oportunidade única para corrigir os erros do passado. É urgente resolver a questão da justiça eleitoral e fortalecer as instituições que garantem eleições livres e transparentes. Só assim poderemos prevenir conflitos, proteger vidas e preservar o património do Estado.

O exemplo da Tanzânia mostra que quando se retira o poder ao povo, a democracia deixa de existir. Os governos devem lembrar-se de que o poder pertence aos cidadãos. Se o povo não decide, então por que razão realizamos eleições?

Moçambique precisa escolher o caminho da paz efectiva e da verdadeira democracia.

O vazio deixado por Dominguez e a goleada que expôs fragilidades

A goleada sofrida pelos Mambas, na sexta-feira, diante do Uganda (4-0), voltou a expor as fragilidades de uma selecção que parece ter perdido o rumo dentro e fora das quatro linhas. O resultado, para além de custar pontos preciosos na corrida ao Mundial, reacendeu o debate em torno da exclusão do eterno capitão, Dominguez, cuja ausência continua a dividir opiniões no seio dos adeptos e a levantar suspeitas sobre a gestão interna da equipa.

Depois de semanas de barulho e acusações de “mau comportamento”, a verdade é que os Mambas entraram em campo sem alma, sem liderança e sem norte. O golo inaugural, apontado por A. Okello aos 48 minutos, abriu espaço para o desmoronamento. Seguiram-se dois golos de R. Mato (70’ e 84’), e o golpe final veio com um auto-golo de Nené, aos 90’, que simbolizou a noite negra do futebol moçambicano em Kampala.

A derrota pesada colocou o Uganda na vice-liderança do Grupo G, com 12 pontos, os mesmos que Moçambique, mas com melhor diferença de golos. Mais do que números, fica a sensação de que os Mambas se encontram mergulhados numa crise de identidade.

Não é apenas sobre tácticas, bolas paradas ou erros defensivos: é sobre a incapacidade de gerir símbolos e referências. Dominguez pode já não ter o mesmo fôlego de outrora, mas o vazio que deixou mostra que, muitas vezes, a liderança em campo não se substitui com discursos técnicos ou castigos internos.

O que se viu em Kampala não foi apenas uma derrota. Foi um aviso de que o futebol moçambicano precisa urgentemente de reconciliação entre dirigentes, jogadores e adeptos, sob pena de a selecção continuar a ser notícia não pelos feitos, mas pelas polémicas e humilhações.

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