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Morte do Papa Francisco: Conclave vai eleger novo pontífice nos próximos dias

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O Vaticano vive dias de luto  e  preparação  após  a morte do Papa Francisco, ocorrida nesta semana. Fiéis de todo o mundo acompanham com pesar os rituais fúnebres, enquanto os cardeais iniciam os primeiros passos para a escolha do próximo líder da Igreja Católica.

O funeral do Papa Francisco está marcado para este sábado, 26 de abril, e deve atrair  chefes de Estado, religiosos e milhões de  católicos em oração e homenagem.

De acordo com BBC, há actualmente 252 cardeais, porém  apenas  135  deles têm  direito a voto no conclave, critério definido pelas regras da Igreja, que limitam a participação aos que têm menos de 80 anos. Os cardeais eleitores já estão se dirigindo à Cidade do Vaticano, onde se reunirão em sessões secretas para votar e eleger o novo pontífice, sucessor de Francisco.

Polícia de Trânsito intensifica sensibilização rodoviária na Zambézia

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Num esforço para reduzir os índices  de  sinistralidade rodoviária, a  Polícia de Trânsito tem vindo a realizar ações de sensibilização  junto de automobilistas e taxistas de bicicletas em diversos pontos da província da Zambézia. As actividades têm como foco a educação cívica no trânsito, com destaque para a prevenção de acidentes e a promoção de comportamentos seguros na via pública.

“Aconselhamos  os  condutores  a informarem – se sobre  o  destino dos passageiros, para evitar  situações que possam resultar em acidentes”, disse Isabela Câssimo, Inspectora de Operações de Trânsito, durante uma das sessões realizadas na cidade de Quelimane.

A campanha,  que  decorre  de  forma  simultânea em distritos como Mocuba, Maganja da Costa e outros, tem sido bem recebida por vários segmentos da população. Contudo, nem todos partilham do mesmo pensamento.

Alguns taxistas de bicicletas apontam para uma contradição entre o conteúdo das palestras e o comportamento de  certos  agentes  no  terreno.  “Há polícias que nos forçam  a  andar mais rápido sempre que sobem as nossas bicicletas em direção aos seus locais de trabalho. Isso vai contra o que dizem nas palestras sobre segurança”, lamentou um dos operadores ouvido pelo Txopela.

 

E agora, que será da Zambézia?

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A primeira vez que pisei o solo da Zambézia foi em 2013, numa missão parlamentar, na qualidade de Deputado na Assembleia da República. Na altura, esperava encontrar as indústrias lendárias e os projetos agrícolas robustos que outrora estudei nos livros escolares. Encontrei, no entanto, escombros (ruínas) do que foi, um dia, o orgulho inequívoco económico de Moçambique ao nível da região e do Mundo.

Desde 2018 vivo nesta província, são mais de 6 anos, visitei vários lugares nesta parcela do País, por isso posso declarar, com propriedade e dor, que a Zambézia foi e está a ser roubada do seu estatuto de liderança na economia nacional. Ora vejamos, como é possível, uma Província que antes e depois da independência, contribuía com cerca de 32% do Produto Interno Bruto nacional. Hoje, actualmente esse número caía para menos de 12%. Isso é o resultado da continua destruição e colapso do tecido industrial, agrícola e pesqueiro, sabotagem sistemática dos grandes projetos que constituem um plano maquiavélico de empobrecimento e desprezo ou marginalizacao dos zambezianos e dos Chuabos desta terra fértil e rica.

Volvidos 50 anos de governação da FRELIMO, a Zambézia continua relegada ao quarto, quinto ou mesmo décimo plano e é quanto este regime continuar a estuprar os moçambicanos no períodos eleitorais não esperemos que isto mude. O exemplo mais gritante é o aeroporto de Quelimane: nunca se mudou um único prego desde a era colonial. Mas Pemba, Nampula, Lichinga, Inhambane, e outros os seus aeroportos foram reabilitados; aliás sem necessidade foi foram colocados ou considerados novos aeroportos em Nacala que dista a 200km do aeroporto de Nampula, Xai-Xai que também dista a 200Km ou pouco mais do aeroporto de Maputo, porém Quelimane nada acontece, o que é que esses tem que Quelimane e Zambezia não tem? A resposta é clara, é o retrato do abandono, da falta de visão e da indiferença do Estado em relação ao desenvolvimento desta província, porém é uma das províncias o segundo com mais deputados na Assembleia da República.

Os grandes projetos, sejam nacionais ou internacionais que se esperava que transformassem a Zambézia foram sabotados. A província, riquíssima em recursos minerais e com extensas terras aráveis, continua entre as mais pobres do país. O resultado? Crianças a morrerem por malnutrição.

Compatriotas, a Zambézia é vítima de um sistema que a marginaliza e de um regime que se habituou a prometer para nunca cumprir, é só visitar todas promessas eleitorais da Frelimo de todos pleitos eleitorais e descubra a percentagem de cumprimento.

O primeiro Millennium Challenge foi uma farsa, parou mal alem de ter sido mal executado, visita as obras pelas artérias da cidade de Quelimane. Outros projectos anunciados com pompa e circunstância também morreram na praia. Recentemente, na campanha eleitoral ouve promessas do homem que apareceu como salvador do barco de nachingueia, tanganhica…, que tinha embatido na pedra de gelo no mar, como foi com o imponente “titanic” esperava-se que o tão falado Porto de Macuze, apresentado como reaparecimento da Zambézia, finalmente se materializasse, isto é sair do papel, do computador ou do imaginário. O Plano Estratégico de Desenvolvimento foi até aprovado na Assembleia da República. Mas o Porto de Macuze? Nem rasto! Até agora, nada indica que o projecto tenha saído do papel. A “Capital Legislativa” em Mocuba, sonhada como símbolo de descentralização e progresso, não conseguiu infiltrar-se em tal plano.

Como se não bastasse o abandono interno, até os espíritos internacionais parecem ter virado as costas. O poderoso Donald Trump e o bilionário Elon Musk decidiram encerrar o segundo pacote do Millennium Challenge, que destinava cerca de 500 milhões de dólares exclusivamente para a Zambézia. Tudo estava preparado. As mãos dos camaradas já esfregavam-se ansiosas pela chegada das “verdinhas”, como se apelida o dólar americano. Mas os olhos se apagaram. O MCI desapareceu está encerado pelo Governo Americano. Mais uma vez, a Zambézia foi traída.

Por isso, fica a pergunta: e agora, que será da Zambézia?
Até quando esta província continuará a pagar o preço da indiferença? Até quando os zambezianos continuarão a ser marginalizados, ignorados e esquecidos?

É hora de acordar. É hora do País e o regime pensar seriamente na Zambézia e nos zambezianos.

Se, as políticas nacionais são aprovadas na Assembleia da República onde a Zambezia tem o segundo maior número de deputados juntos, por que é que à Zambezia continua nestas condições? A que representam aqueles deputados que se mudaram para Maputo as custas da confiança dos Zambezianos?

Se realmente aqueles deputados, juntos, tem em mente o desenvolvimento da Nação e o seu círculo eleitoral, chegada é a hora de se impor para o bem da Zambezia que lhes elegeu!

E é também hora de nós, zambezianos, incluindo a mim mesmo que aqui vivo há mais de seis anos, e em particular nós os Chuabos — que somos a maioria — deixarmos de nos combater, de nos autodestruir, de vivermos em brigas e fofocas internas, cada um querendo subir à custa do outro. É hora de nos unirmos, levantarmos e lutarmos pela nossa província, pela nossa terra. Porque Zambézia também é Moçambique. E nós, zambezianos, também somos moçambicanos!

Ela’bo gijane! O’tonga bani!

A falha do governo central e o silêncio das Autarquias

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Em pleno século XXI, Moçambique se vê diante de uma vergonha fiscal que compromete a dignidade dos seus cidadãos. Desde janeiro deste ano, o Fundo de Compensação Autárquica (FCA), que deveria ser um fio de esperança para as autarquias, permanece congelado nas gavetas da burocracia e da indiferença governamental. Um atraso que já se arrasta por meses e cujas consequências são devastadoras. O governo, em um gesto de descaso, parece ignorar o impacto profundo e irreversível desta negligência nas vidas daqueles que, com suor e sacrifício, fazem a máquina das autarquias funcionar.
A promessa de descentralização, feita para trazer os serviços mais perto do povo, esvai-se diante da desorganização e da falta de compromisso com os recursos essenciais. O FCA, destinado a garantir o funcionamento das autarquias, deveria ser o oxigênio que alimenta a vida urbana. Contudo, desde janeiro, esse oxigênio foi retirado, deixando as cidades sufocadas e as suas autarquias incapazes de honrar os compromissos mais básicos: os salários de seus funcionários e agentes do estado.
Os funcionários e agentes de estado das autarquias, a espinha dorsal da administração local, são os primeiros a sentir o peso desse descaso. São eles que, diariamente, garantem o funcionamento dos serviços essenciais: a limpeza das ruas, a manutenção da infraestrutura, o ordenamento do tráfego, o atendimento ao público. Mas, como funcionariam essas autarquias sem os recursos necessários para pagar aqueles que tornam tudo isso possível?
Este não é apenas um problema administrativo, é uma questão de respeito à dignidade humana. Como esperar que os funcionários municipais se dediquem a suas tarefas quando, ao final de cada mês, o silêncio das contas bancárias fala mais alto que as promessas de um governo que se esquece das suas obrigações? Como exigir que um trabalhador continue a fazer sua parte quando as suas necessidades mais básicas são ignoradas?
É inaceitável que as autarquias funcionem sobre os ombros de trabalhadores que, ao invés de serem pagos pelo seu esforço, são esquecidos nas promessas vazias de um governo distante. Esta falha não é apenas uma falha financeira, é uma falha moral. E, por sua culpa, o sistema está se despedaçando.
Não é apenas o funcionário municipal que sofre, mas a sociedade como um todo. A falta de pagamento dos salários tem um efeito devastador na prestação dos serviços públicos, impactando diretamente a vida do cidadão comum. A sujeira nas ruas cresce, os serviços essenciais tornam-se irregulares, e a confiança na capacidade das autarquias se esvai como um sonho distante. O que é um município, senão um reflexo de seu povo e de seus governantes? E o que é uma nação, senão um conjunto de municípios que respiram ou morrem conforme os recursos que recebem?
Quando o pagamento dos salários se torna um ato de caridade, a dignidade do funcionário municipal desaparece. E com ela, a própria confiança no sistema de governança que deveria ser, antes de tudo, uma garantia de direitos, e não uma fonte de frustração e abandono.
O que se exige do governo central é mais do que palavras. Exige-se ação. Exige-se responsabilidade. O que está em jogo não é apenas a sobrevivência das autarquias, mas a confiança do povo em um sistema que se pretende democrático e justo. Se o governo não cumprir com o repasse do FCA, ele estará, de fato, assassinando a esperança de milhares de funcionários e cidadãos que acreditam em um Moçambique melhor.
Não se pode permitir que os governantes, imunes às dificuldades cotidianas, sigam governando como se nada tivesse acontecido. O atraso no FCA não é uma falha técnica, é uma falha humana. E não será mais tolerado.
Um Apelo à Urgência: A Responsabilidade Não Pode Esperar
A falta de ação do governo central é uma afronta à justiça e à dignidade dos trabalhadores municipais. O silêncio diante dessa falha ressoa nas ruas e nos corações dos cidadãos, e não há desculpas que possam justificar a paralisação de um sistema que deveria ser movido pela vida e pela esperança.
É hora de o governo acordar, não apenas para a urgência das transferências financeiras, mas para o dever moral de respeitar aqueles que, nas linhas de frente, sustentam a máquina pública. O repasse do FCA não é uma opção: é uma obrigação. Que o governo se lembre disso antes que o silêncio da omissão se torne o grito de uma nação que padece nas mãos da ineficiência.

BCI doa obra de António Niquice à UP-Maputo

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O Banco Comercial e de Investimentos (BCI) ofereceu, na passada quinta-feira (24), à Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo), exemplares da obra “Indústria Extractiva em África, Bênção ou Maldição”, da autoria do político, docente e escritor António Niquice.

Não foi apenas uma cerimónia simbólica de entrega de livros. Foi, sobretudo, uma reafirmação de um debate ainda por resolver: como é que Moçambique, e África, lida com a promessa e o peso dos seus recursos naturais?

Na presença do Reitor Jorge Ferrão, do Administrador do BCI Luís Aguiar e do próprio autor, António Niquice, a cerimónia serviu para recordar que a indústria extractiva africana não é apenas uma bênção anunciada. É, antes de tudo, uma disputa constante entre riqueza e desigualdade, entre soberania e concessões mal negociadas, entre desenvolvimento e destruição ambiental.

A obra, fruto de investigação profunda, mergulha em temas como os hidrocarbonetos, minerais e metais preciosos, revelando os impactos sociais e económicos dessa exploração em Moçambique e no continente africano. É uma leitura crítica, ancorada em evidência empírica, mas que exige e propõe uma nova ética na gestão da abundância.

O Administrador do BCI, Luís Aguiar, falou de compromisso com o saber. Sublinhou que, ao doar livros, o banco não faz apenas filantropia investe num capital imaterial essencial: o pensamento crítico.

“Os recursos naturais precisam de conhecimento e visão estratégica para se transformarem em oportunidades. Esta obra é um contributo valioso para essa transformação”, declarou Aguiar, num tom que resgata a academia como espaço de resistência intelectual e incubadora de políticas públicas fundamentadas.

Recordando a longa parceria entre o BCI e a UP-Maputo, Aguiar destacou que o banco tem apoiado a universidade não apenas com livros, mas também com equipamentos desportivos e incentivo à cultura, numa lógica de apoio transversal ao desenvolvimento do ensino superior.

Se há espaço onde a questão extractiva deve ser desmontada e reconstruída com seriedade, esse espaço é o universitário. É ali que se formam os futuros geólogos, engenheiros, juristas e economistas que vão negociar contratos, fiscalizar projectos e com sorte  proteger os interesses colectivos.

A doação do BCI é um gesto que abre portas para esse debate. Mas o verdadeiro desafio é garantir que estas obras não fiquem confinadas às estantes do saber, mas transitem para as praças do poder, para os corredores ministeriais, para os cadernos de políticas públicas.

António Niquice, com esta obra, junta-se a um pequeno mas corajoso coro de moçambicanos que questiona, estuda e propõe outro modelo de exploração  um que não trata o minério como maldição inevitável, nem como bênção cega, mas como instrumento de soberania económica.

Diálogo político versus discursos de Ódio

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Estamos a acompanhar de perto os processos pendentes de diálogo nacional inclusivo, enquanto, em contrapartida, assistimos a discursos de ódio proferidos por alguns líderes. Mas afinal, qual é a relação entre o diálogo e os discursos de ódio?

Recentemente, testemunhámos um gesto simbólico — um aperto de mãos — que todos nós aplaudimos com esperança. E vocês, que apertaram as mãos, também não sentiram orgulho? Não sentiram paz? O que motivou esse gesto? Se foi a vontade genuína de encontrar soluções concretas para a construção da paz no país, então estão de parabéns.

Mas como é possível que, depois desse gesto de reconciliação, um líder continue a falar das feridas do passado, incitando os seus apoiantes contra o outro? Isso não é reconciliação. Como um pai pode, após reconciliar-se com o vizinho, continuar a alimentar ódio nos filhos contra esse mesmo vizinho? Naturalmente, os filhos agirão com raiva. E isso contraria tudo o que queremos alcançar com o diálogo político nacional.

“A liberdade de expressão é um direito fundamental, mas não permite insultos à fé dos outros.” – Papa Francisco, 2025

Aproveito para saudar a União Europeia, na pessoa do Embaixador António Maggiore e sua equipa, pelos esforços consistentes em promover o diálogo nacional inclusivo entre o Governo e o Engenheiro Venâncio Mondlane. Saudamos igualmente as iniciativas dos encontros realizados nos dias 9 e 21 de abril de 2025, com ambas as partes.

A recente iniciativa do Presidente da República, Daniel Chapo, ao lançar a quarta edição da Chama da Unidade, é outro sinal positivo. Sabemos que este tipo de acção implica elevados custos, mas, como bem sabemos, a paz não tem preço. Por isso, devemos continuar a apostar no diálogo nacional inclusivo como caminho seguro para a estabilidade.

Na minha opinião, o sucesso do diálogo e da reconciliação nacional depende sobretudo da liderança. Se os líderes e os seus apoiantes continuarem a propagar discursos de ódio, a paz continuará distante. Devemos evitar alimentar o rancor e mostrar, com gestos e palavras, que a reconciliação é sincera e possível.

O povo moçambicano precisa de resultados concretos e transformadores. Está na hora de focarmo-nos nas verdadeiras prioridades:

  • Emprego digno para os jovens
  • Habitação condigna
  • Educação técnica e profissional de qualidade
  • Acesso a pequenos fundos para iniciativas juvenis
  • Cursos de curta duração para capacitação
  • Melhoria das vias de acesso
  • E, urgentemente, soluções para o alto custo de vida

Queremos um país com: Zero baleamentos e assassinatos de cidadãos inocentes
Zero manifestações violentas. Zero destruição de bens públicos e privados
mais empregos e oportunidades para a juventude.

John Chekwa

Mediador Social, Consultor e Jornalista Independente

 

IVA um caos social

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A decisão do governo de prorrogar a isenção do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) até dezembro de 2025  para  produtos  como óleo, açúcar,  sabão e matérias-primas tem  gerado  controvérsias.  Economistas apontam que  a  medida pode não produzir os efeitos desejados, especialmente para as famílias de baixa renda.

Os economistas  Michael  Sambo e Egas Daniel  questionam  a real  eficácia da prorrogação, destacando que os bens isentos não atendem directamente às necessidades mais urgentes das camadas mais vulneráveis na sociedade. Sambo, por exemplo, ressalta que as famílias mais pobres estão aflitas por alimentos essenciais como arroz, farinha e outros produtos básicos, que não foram contemplados na medida anunciada pelo Conselho de Ministros.

Daniel aponta o risco de que as empresas  ao longo da  cadeia de valor possam se apropriar do benefício da isenção, sem repassá-lo integralmente aos consumidores. Ele teme que a isenção de 16% seja uma  oportunidade  para que os  produtores retenham parte do benefício, enquanto os comerciantes se apropriem de outra parcela, fazendo com que o valor não chegue efetivamente ao consumidor final.

Mais detalhes no Jornal Txopela que sai as quartas-feiras

 

 

Carta ao Papa Francisco

       Caro e amigo Bergólio:

 Escrevo-te, sabendo-te a iniciar a viagem para junto do Pai, onde descansarás na casa da Eternidade. Lugar seguro, longe de todo o tipo de males, de medos, de sofrimentos, de angústias, de fomes, de pobrezas e de guerras. O Pai te consolará e te dirá “bem-hajas” Francisco pelo que fizeste em Meu Nome.

 Quero, numas poucas e simples linhas, transmitir-te a alegria e a satisfação de te ter tido como Papa, da Igreja, a Católica, em que acredito, creio e professo.

  Sem papas na língua, mas com a consciência e a nobreza do teu espírito, aliás, porque vinhas de terras de pobreza, de desigualdades e de corrupções, onde os frágeis e os de fraqueza humano-profissional são explorados e escravizados, denunciaste todo o tipo de atropelos que beliscavam a dignidade de todos.

  Inclusão foi uma das tuas palavras mais “abusadas” nos teus escritos e mensagens. Amar foi, também, uma outra mais propalada por ti para que, na plenitude dessa expressão, se pudesse mudar o Homem e o transformar. Essa trua batalha  para que, cada um, saiba ser porta-estandarte dessa máxima humana, tentando pacificar o Mundo e para que a Vida tenha sabor  a rosas… Promover a Paz, uma outra chave-força do teu cajado de pontificado para que haja quietude em cada coração, para que se viva em felicidade e se respire tranquilidade.

  O teu bordão, o que estendeste a Todos, Todos…foi a ponte para os que mais buscavam, nas tuas palavras, o apoio e a dinâmica para se relançarem, para se reerguerem, para se refazerem e para se reencaminharem.

  Tu que foste um Papa que nos convidaste a peregrinar, tentando ver o Rosto de Deus nos outros; que nos lançaste olhares cândidos e amigos para que descobríssemos o verdadeiro sentido da Vida; e que nos soubeste ensinar a escutar, mesmo nos silêncios apetecidos da solidão, para que buscássemos os sons desse tempo sem acústicas; deixa que te agradeça essa tua unção de nos inquietardes o espírito e de nos sacudires o coração. Fizeste-o com uma sublimada inteligência. Conseguiste chamar-me, voltando a estar presente e a deixar, aqui e ali, um gesto, um escrito, uma palavra e um afecto.

  Um outro figurativo do teu Pontificado foi a palavra Esperança. Todos, todos a buscamos e temos vontade a encontrar para que, ungidos por e com ela, possamos alcançar os nossos sonhos e desígnios.

  Hoje, perante a tua morte, que foi serena, tendo sido antecedida de diversas aparições, apesar da tua falência de saúde, em que observei a tua fragilidade humana, mas a grandeza da tua natureza espiritual irmanada na do nosso Cristo, o Salvador e Redentor, quero lançar-te um pedido: continua, com a tua humildade e elevada humanidade, a ser meu/nosso farol de luz para a caminhada que me/nos resta para, percebendo-nos humanos e pecadores, sabermos amar, principalmente os mais desprotegidos, escorraçados e atropelados. Faz-nos entender que só com amor, perdão, respeito, tolerância, compreensão e aceitação para com o outro e com todos, poderei/conseguiremos ser verdadeiros Cristãos e dar cumprimento à Palavra mais honrada e salvífica do Senhor: amar-nos para espalharmos bondades, misericórdias e partilharmos com os outros o que melhor nos caracteriza.

      Um abraço amigo do António Barreiros, Jornalista

VM com posição estranha sobre Mc Trufafa

 Vi, não admirando, pela narrativa nada abonatória e até fora do trilho da verdade, a intervenção, em Quelimane, de V. Mondlane sobre o acontecido com o Mc Trufafa, Joel Amaral.

 A pedir dinheiro para a família do Joel suportar os custos da sua estada no Hospital – disse, em público, perante uma multidão, o político e pastor. Será possível esta forma de pedinchar, sabendo-se que a saúde, em Moçambique, é gratuita? Gostava de recordar a Mondlane o que está escrito, a propósito: “Quanto à saúde, a Constituição Moçambicana (2004) consagra a todos os cidadãos o direito à assistência médica. Também assegura que todos os cidadãos gozam dos mesmos direitos, independentemente da cor, raça, sexo, origem étnica, local de nascimento, religião, nível de educação, posição social ou género”. Senhor Mondlane deixe-me dizer-lhe que lhe fica mal essa pedincha, junto de um povo que, na sua maioria, não tem dinheiro para comer…

 Depois, todo o resto da intervenção VM, na rua, na proximidade de centenas e centenas de pessoas, é despropositada. Envolve Deus, chama-O para a berlinda de um caso da vida real e cavalga numa acção com uma linguagem sem tomar na devida conta que o povo a quem fala é iletrado, na sua esmagadora maioria, além de ingénuo e bom. Basta ouvir falar em Deus e esse povo fica na dúvida: se Ele é amor ou antes castigo ou e, ainda, um fazedor de milagres… Deus não é nada disso. É um Amigo a quem oramos, um Amigo que nos escuta, uma Divindade que nos apresentou um modelo salvífico…e dá-nos a maior liberdade para vivermos. Deus com o seu plano de Esperança, de Misericórdia, de Perdão e de Reconciliação convoca-nos a participarmos na onda da Paz e no Diálogo para reordenarmos e corporizarmos a sociedade em que vivemos de forma a uma convivência pacífica e ordeira.

  1. Mondlane continua a pretender certificar a sua ideologia para ascender ao púlpito governativo, trazendo a Bíblia debaixo do braço. Quer apresentar Deus, em qualquer das esquinas que atravessa, como sendo remédio (mitombo) para curar o mal dos homens e tentando ser o único porta-voz desse mesmo Deus. Está mal, caro pastor. Não percebeu que o Salvador não embarca nesse estilo de Vida, na sua perspectiva Dele errada? Entre a religião e a política a faísca é o resultado para se atearem grandes fogos…e se levar a multidão, em êxtase, sem tino, a cometer actos desagradáveis e desmandos em desvario.

 Joel Amaral, conhecido por Mc Trufafa, é músico e autor de temas que mobilizaram apoiantes de Mondlane nas campanhas eleitorais para as autárquicas (2023) e depois para as presidenciais (2024), além de ser assessor de V. Mondlane.

  A lesão não passou de um raspão ao nível do couro cabeludo. Não admito que um elemento da polícia da RPM – é o que se diz – faça um atentado do género para limpar a vida de quem é contra a Frelimo e o poder governativo. Mas ninguém, especialmente um responsável político moçambicano como o é V. Mondlane, poderá tirar partido de um caso que merece repúdio mas que não pode servir para, e uma vez mais, se criarem tumultos ou se lançar Moçambique em confrontos de e na rua.

                                             António Barreiros, jornalista

Daniel Chapo em Zitambira: entre coroas de flores, rituais ancestrais e a diplomacia do sagrado

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Foi com o peso cerimonial dos tambores e o silêncio reverente dos antepassados que o Presidente da República, Daniel Chapo, pisou, esta terça-feira, o solo do Reino de Zitambira, no distrito de Angónia, província de Tete. Recebido pelo Rei Zitambira V , nascido Horácio Sebastião Marcos Dama Zintambira , o Chefe do Estado mergulhou num acto profundamente simbólico, mas carregado de mensagens políticas, culturais e institucionais.

Oficialmente, tratava-se de uma visita de cortesia. Mas quem entende os rituais do poder sabe que, em Moçambique, o simbólico é muitas vezes mais eloquente que o formal. Num país de múltiplas nações dentro da Nação, visitar um reino tradicional é também reforçar alianças invisíveis, validar estruturas paralelas e reescrever, mesmo que temporariamente, a hierarquia do Estado.

Chapo sabia onde estava a pisar, o Reino de Zitambira não é apenas uma peça folclórica num inventário antropológico; é um eixo de pertença de um povo  os Nguni com raízes espalhadas por Moçambique, Zâmbia, Tanzânia e Malawi. Gente com tradição oral poderosa, com códigos próprios de governação, com uma ideia de justiça moldada no consenso, não na sentença.

E ali, no sopé da história, Chapo ajoelhou-se simbolicamente diante de um poder que não emana da Constituição, mas do sagrado, do sangue, da memória coletiva.

A homenagem à falecida Rainha Zitambira IV teve o peso de um gesto que vai além do protocolo. Coroas de flores foram depositadas nas campas dos três reis falecidos. Um silêncio ritual envolveu a cerimónia. Nenhuma palavra política teria mais força naquele instante.

Mas Chapo falou — e bem. Saudou a falecida monarca como uma mulher de “visão e sensibilidade social”, dotada de “liderança sábia”. E, dirigindo-se ao recém-empossado Rei Zitambira V, entregou-lhe o bastão invisível da confiança do Estado:

“Estamos confiantes de que Sua Majestade irá dar continuidade ao legado da Rainha e promover a harmonia, o diálogo e o progresso da comunidade.”

Mas quem conhece os meandros do poder tradicional sabe que o reconhecimento verbal não é suficiente. A integração real e funcional das lideranças tradicionais no sistema de governação local continua a ser o calcanhar de Aquiles do Estado moçambicano — que, por um lado, glorifica os régulos como guardiões da cultura, e por outro, limita-lhes o espaço de decisão nas políticas públicas.

Chapo defendeu, no seu discurso, que as lideranças tradicionais devem ser integradas na concepção e execução dos programas públicos, sobretudo nas áreas rurais. Falou de justiça comunitária, de agricultura, de saúde e de educação.

Quer o Governo uma verdadeira partilha de poder com as autoridades tradicionais, ou apenas a sua mobilização cerimonial em tempos eleitorais e catástrofes naturais?

No terreno, sabe-se que os régulos continuam muitas vezes a ser instrumentalizados, sem autonomia orçamental nem voz vinculativa. E, no entanto, são eles que garantem a coesão, a resolução de conflitos, a continuidade social onde o Estado é ausente ou ineficaz.

A população de Angónia recebeu o Presidente com festa, mas também com esperança. Para muitos, ver o Chefe do Estado reconhecer o rei é também ver-se reconhecido enquanto povo. É um acto de validação identitária num país onde a centralidade de Maputo ainda se impõe como norma.

Com esta deslocação, Daniel Chapo ensaia uma política de proximidade, tentando costurar o país pelo avesso da história: pelas suas raízes e não apenas pelas suas instituições formais.