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Geraldo de Carvalho atira-se à liderança e diz que salvar o partido exige cortar a cabeça

A crise interna na RENAMO deixou de ser apenas um ruído dos guerrilheiros. Desta vez, o epicentro da contestação é o próprio Chefe Nacional de Mobilização do partido, Geraldo de Carvalho, que, num gesto politicamente insólito, mas cada vez mais frequente na oposição moçambicana, veio a público sugerir a demissão imediata de Ossufo Momade, presidente da formação, como única saída para evitar o colapso da RENAMO.

A actual direcção está politicamente esgotada, e perdeu a legitimidade interna e não consegue responder à desconfiança crescente das bases, sobretudo após os desastrosos resultados das eleições autárquicas de 2023 e o desgaste acumulado pela falta de diálogo com as alas internas que exigem reformas.

A reacção de Geraldo de Carvalho não pode ser lida como simples desabafo. Ele ocupa uma das pastas mais sensíveis do aparelho interno, a mobilização, ou seja, o elo entre as estruturas locais e a direcção nacional. Desde a morte de Afonso Dhlakama, a RENAMO perdeu quadros, perdeu eleições, perdeu rumo e agora perde o respeito dentro de casa.

A declaração de Carvalho junta-se a uma sequência de episódios que compõem a nova geografia do descontentamento, sedes vandalizadas, acusações de traição ideológica, manifestações internas silenciadas e suspeitas de uso selectivo de fundos partidários.

As divisões internas na RENAMO não são novas. Desde a morte de Afonso Dhlakama, o partido tem sido palco de lutas de sucessão, disputas regionais e acusações mútuas de traição. A liderança de Ossufo Momade foi inicialmente contestada por alas ligadas à guerrilha e mais tarde por sectores civis, incluindo juventudes partidárias e membros da bancada parlamentar.
As divisões internas na RENAMO não são novas. Desde a morte de Afonso Dhlakama, o partido tem sido palco de lutas de sucessão, disputas regionais e acusações mútuas de traição. A liderança de Ossufo Momade foi inicialmente contestada por alas ligadas à guerrilha e mais tarde por sectores civis, incluindo juventudes partidárias e membros da bancada parlamentar.

O próprio Elias Dhlakama – irmão do falecido líder – foi recentemente acusado pela direcção de estar por detrás de actos de sabotagem interna, juntamente com ex-deputados como Ivone Soares, Muchanga e Magumisse.

“Código das Serpentes” de Hélder Muteia lançado em Maputo com a participação de figuras de peso da cultura moçambicana

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Teve lugar na quarta-feira, 14 de Maio, no auditório do edifício-sede do BCI, o lançamento do mais recente romance do escritor e poeta moçambicano Hélder Muteia, intitulado O Código das Serpentes. A cerimónia decorreu num ambiente que conjugou literatura, memória, simbologia e um raro compromisso institucional com a cultura, reunindo amigos, familiares, colegas e amantes da palavra.

Sob o olhar atento de uma plateia diversa, a obra foi apresentada pelo académico e crítico António Barros, que sublinhou a densidade do texto e a ousadia da proposta narrativa. “Desde as primeiras linhas, o autor propõe-se a estimular os leitores, a acompanhá-los no mergulho num mundo distinto, paradigmático e pouco explorado”, disse Barros, apontando a obra como um exercício de provocação intelectual e espiritual.

O evento foi acolhido pelo BCI, que através do seu administrador Luís Aguiar, reafirmou a aposta na cultura como pilar do seu programa de impacto social. “Queremos, com este trabalho, consolidar a nossa vocação: sermos mais do que um banco e sermos reconhecidos como uma instituição que eleva o padrão da satisfação e autoestima dos moçambicanos, criando valor”, afirmou.

Hélder Muteia é uma figura incontornável das letras moçambicanas, descreveu O Código das Serpentes como resultado de anos de investigação e escuta atenta a uma realidade profunda, silenciosa e frequentemente ignorada. “Todos nós, sem querer, sabemos conviver com ela”, afirmou, numa frase que parece definir o tom do livro: introspectivo, simbólico e atravessado por arquétipos que habitam a memória colectiva.

A obra, segundo o autor, é menos uma ficção tradicional e mais um mapeamento literário de forças subterrâneas, emocionais, culturais, espirituais, que moldam silenciosamente os destinos individuais e colectivos.

Jornalistas da TV Sucesso agredidos no Polana Caniço; directora do hospital protagoniza acto de censura física e verbal

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Em mais um episódio que expõe o nervo exposto da liberdade de imprensa em Moçambique, dois jornalistas da TV Sucesso foram agredidos na passada quarta-feira, 14 de Maio, no Hospital Geral da Polana Caniço, em Maputo, enquanto investigavam uma denúncia pública. O caso envolveu directamente a directora da unidade hospitalar, que, segundo os profissionais agredidos, liderou o ataque — verbal e físico — com auxílio dos seguranças da instituição.

O repórter Alfredo Guitimela e o operador de câmara Cláudio Manhique deslocaram-se à unidade sanitária para confirmar informações segundo as quais o elevador do hospital estaria avariado há cerca de dois meses, situação que afectava gravemente a mobilidade de pacientes e o funcionamento da unidade hospitalar.

“A directora do hospital aproximou-se e iniciou uma abordagem hostil, dizendo que estávamos a invadir o hospital e que não tínhamos autorização para filmar”, relatou Guitimela à imprensa, ainda visivelmente perturbado com o episódio.

A versão do jornalista aponta para uma escalada de agressões após a equipa tentar explicar que estava devidamente identificada e que apenas buscava resposta institucional a uma denúncia de interesse público. Segundo o repórter, a directora partiu para insultos: chamou os profissionais de “jornalistas sem ética” e classificou a TV Sucesso como “televisão de quinta categoria”. Um dos seguranças, ao tentar impedir a filmagem, deixou cair o equipamento da televisão, danificando-o.

MISA reage: “É censura, é violência, é crime”

A reacção do MISA Moçambique foi imediata e contundente. Em comunicado tornado público esta quinta-feira (15), a organização que defende a liberdade de imprensa classificou o acto como um atentado grave e repudiável contra o exercício da profissão jornalística em Moçambique.

“Trata-se de uma violação da liberdade de imprensa e expressão, além de representar um ataque directo à integridade física e psicológica dos profissionais de comunicação”, lê-se no documento.

O MISA exige o esclarecimento e responsabilização dos autores da agressão, apelando ao Ministério da Saúde e ao Governo para que ponham fim à cultura de impunidade e garantam condições seguras e legais para o exercício do jornalismo em espaços públicos.

A organização lembra que os jornalistas estavam no exercício do seu dever constitucional de informar e que a conduta da directora do hospital contraria os princípios democráticos consagrados na Constituição da República e na Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos.

Jornalismo sob cerco em instituições públicas

O episódio do Polana Caniço junta-se a uma longa lista de incidentes em que funcionários públicos confundem o espaço do Estado com propriedade pessoal, e tratam o jornalismo de investigação como ameaça ao poder, em vez de ferramenta de responsabilização democrática.

O caso remete, mais uma vez, à urgente necessidade de formação ética e cívica de gestores públicos, bem como à adopção de mecanismos claros que inibam o abuso de autoridade e o uso da força contra jornalistas.

“Solidarizamo-nos com os colegas da TV Sucesso”, encerra o MISA, reafirmando o seu compromisso com um jornalismo que se quer livre, digno e sem medo de subir escadas — mesmo quando o elevador está avariado.

 

Governo renegocia com credores e deixa a justiça em stand-by

A Primeira-Ministra Maria Benvinda Levi revelou esta quinta-feira, 15 de Maio, durante a apreciação da Conta Geral do Estado (CGE) de 2023, que o Governo moçambicano conseguiu reduzir significativamente a sua potencial responsabilidade financeira associada às dívidas ocultas, passando de 1,5 mil milhões para 220 milhões de dólares norte-americanos.

A redução resulta de um acordo celebrado com o Banco Comercial Português (BCP), o VTB Capital e o OWH (ex-VTB Bank Europe) — três credores centrais no polémico processo das garantias soberanas ilegais concedidas à ProIndicus e à Mozambique Asset Management (MAM).

“Este acordo tem como objecto a resolução global e definitiva do litígio entre as partes e a renúncia total e recíproca das suas reivindicações”, afirmou Levi, sem, no entanto, entrar em detalhes sobre os termos específicos da negociação, ou se o Estado reconheceu parcial culpa na engenharia financeira que mergulhou o país numa crise de credibilidade e isolamento financeiro.

Acordos à porta fechada

O que se sabe é que, num movimento discreto e fora do radar do debate público, o Executivo está a negociar com os credores do chamado Clube de Paris, em busca de soluções “coordenadas” para a reprogramação da dívida remanescente. O foco é evitar novos calotes e, ao mesmo tempo, escapar a pressões orçamentais que possam agravar o já frágil equilíbrio macroeconómico.

A CGE de 2023, aprovada pelo Tribunal Administrativo e agora em análise na Assembleia da República, traz consigo não apenas os números da execução orçamental, mas também a expectativa de reformas prometidas há anos e nunca completamente implementadas.

A Primeira-Ministra prometeu mais uma vez aquilo que tem sido o refrão dos últimos governos: controlo interno, responsabilização e modernização da gestão financeira pública.

“O Governo continuará a aperfeiçoar e a implementar políticas com o objectivo de garantir a aplicação rigorosa da legislação e dos procedimentos da Administração Financeira do Estado”, disse Levi, acrescentando que a capacitação institucional e a fiscalização interna são prioridades da acção governativa.

MERIDIAN: a nova esperança digital?

Na tentativa de conferir credibilidade técnica à narrativa da reforma, Levi anunciou que o Executivo está a implementar o sistema informático MERIDIAN, que visa melhorar o registo, serviço e análise da dívida pública. Segundo a PM, a ferramenta deverá “concorrer para a estabilidade e transparência fiscal”.

No entanto, o histórico institucional moçambicano tem mostrado que sistemas informáticos sofisticados não substituem vontade política, nem servem de escudo contra as redes de corrupção e compadrio que operam dentro do próprio aparelho do Estado.

A promessa de Levi de tornar o Estado mais transparente pela via digital pode ser bem intencionada, mas, como lembram especialistas, o problema da dívida não está nos computadores — está nos gabinetes onde se assinam contratos ilegais com caneta dourada e patriotismo de ocasião.

 

Autoridade Reguladora de Águas anuncia conferência para divulgar novas tarifas de água potável

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Maputo – A Autoridade Reguladora de Águas (AURA, IP) convocou para esta sexta-feira, 16 de Maio de 2025, uma conferência de imprensa onde serão divulgadas as novas tarifas de água potável a vigorar no país. A sessão será dirigida pela presidente da instituição, Suzana Saranga Loforte, e terá lugar na sede da AURA, na Avenida Amílcar Cabral, em Maputo, às 10h00.

Segundo o comunicado de imprensa emitido hoje, 15 de Maio, o encontro visa não apenas anunciar os novos preços, como também “abordar outras matérias de interesse público no âmbito das atribuições da instituição”.

A AURA, criada pelo Decreto 8/2019 de 18 de Fevereiro, é o organismo responsável pela regulação económica e fiscalização dos serviços públicos de abastecimento de água e saneamento, com a missão de equilibrar os interesses dos consumidores e operadores, mantendo a qualidade dos serviços e a sustentabilidade dos sistemas.

Embora o comunicado não antecipe detalhes sobre os reajustes, o tema das tarifas de água potável tem estado no centro das preocupações das famílias moçambicanas, sobretudo num contexto de encarecimento generalizado do custo de vida.

 

Governo instado a dar ouvidos ao Tribunal Administrativo

Maputo — A Comissão do Plano e Orçamento (CPO) da Assembleia da República pediu esta quinta-feira, 15 de Maio, ao Governo moçambicano que comece a tratar o Relatório e Parecer do Tribunal Administrativo (TA) com o respeito e o rigor que a Constituição e a Lei exigem — e que a boa governação já devia ter naturalizado.

A exigência surge na sequência da apreciação da Conta Geral do Estado (CGE) de 2023, debatida no Parlamento. Para a CPO, trata-se de um documento “estruturante” para a avaliação da saúde das finanças públicas, mas que continua a mostrar sinais preocupantes: falta de documentação de despesas, fragilidade nos controlos internos e défice de responsabilização.

“A Conta Geral do Estado deve ser elaborada com clareza, exactidão e simplicidade, com base nos princípios e regras de contabilidade em vigor aplicáveis à administração pública”, disse Eneas Comiche, Presidente da CPO, citando o artigo 49 da Lei do SISTAFE.

A recomendação parece óbvia — mas num país onde documentos somem, justificações improvisam-se e o “ajuste directo” tornou-se o nome de guerra da impunidade financeira, a obviedade é revolucionária.

O relatório da CPO vai além do apelo técnico. Pede ao Executivo que adopte medidas disciplinares e legais contra os responsáveis por uso indevido de fundos públicos. Exige-se, também, que nenhuma despesa seja realizada sem documentos justificativos, os quais devem ser arquivados e conservados por pelo menos cinco anos, nos termos do artigo 40 do Regulamento do SISTAFE.

São alertas recorrentes. O próprio Tribunal Administrativo, em pareceres anteriores, tem sido claro sobre o padrão de desorganização e fuga à responsabilização que grassa em vários sectores do Estado. Mas, até hoje, poucos rostos acompanharam as irregularidades que o TA aponta por escrito.

A CPO reconhece que, apesar das limitações, a CGE 2023 apresenta “um desempenho aceitável” e que os recursos, embora escassos, foram canalizados para sectores prioritários, com impacto positivo na criação de emprego e na redução de assimetrias sociais.

ODS e papel timbrado

Outro ponto levantado foi o alinhamento entre os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e os instrumentos de planificação nacional, como o PESOE 2025. A CPO defende que o Governo deve definir, com urgência, indicadores claros e um cronograma realista para medir o cumprimento das metas — e não apenas preencher papel timbrado para agradar aos doadores.

“É preciso transformar compromissos em acções verificáveis. Sem mecanismos de controlo, a Agenda 2030 corre o risco de ser mais um slogan do que um plano de desenvolvimento”, alerta o relatório.

Ubisse lança em Quelimane “mataram o nosso chefe”

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Quelimane assiste no próximo dia 10 de Junho , às 14 horas, o livro “Mataram o Nosso Chefe”, da autoria de Vitorino Ubisse Oliveira. O evento, a decorrer no átrio da Rádio Chuabo FM, junta um leque de parceiros que inclui o Clube de Leitura de Quelimane, Camões – Centro de Língua Portuguesa, Conselho Autárquico de Quelimane, Jornal Txopela, Rádio Chuabo FM, Massinhane Edições e TV Zambézia 24 Horas.

A apresentação da obra estará a cargo do jornalista Mariano Mucueia, conhecido pelo olhar crítico sobre a política moçambicana e pela leitura sem rodeios da literatura que interroga o poder.

“Mataram o Nosso Chefe” é uma ficção incómoda. Ambientada no período pós-independência, a narrativa traz à tona uma das feridas mal fechadas da história recente de Moçambique: o desmantelamento forçado de estruturas tradicionais em nome da revolução. No centro da trama está a figura de um chefe comunitário, cuja autoridade é triturada pelas novas ordens políticas que chegaram com os tanques da independência, mas nem sempre com o consentimento dos governados.

A morte do chefe, mais do que o fim de uma personagem, é o símbolo da ruptura brutal entre passado e presente, entre a autoridade legitimada pela tradição e a imposta pelo Estado central.

O autor, Vitorino Ubisse Oliveira, nasceu na Beira em 1972, filho de estivadores matswas. Licenciado em Ensino de Matemática “a escopro e martelo”, como gosta de dizer, escreve com o mesmo rigor de quem sobreviveu ao desleixo institucional e às promessas frustradas de mobilidade social.

Ubisse não é novato nas letras. Tem publicado contos no Diário de Moçambique, e carrega consigo um estilo seco, narrativo, mas com farpas escondidas em cada frase. Diz que enquanto estiver a escrever, o resto pouco importa. A literatura, para ele, é mais víscera do que vaidade.

O lançamento do livro em Quelimane não é coincidência. A cidade, conhecida por dar palco à dissidência e por acolher vozes que não se curvam, oferece o cenário ideal para um romance que questiona os projectos de poder pós-coloniais e as suas continuidades silenciosas.

“O chefe morreu, mas quem o mandou matar ainda manda” — é uma das leituras possíveis do romance.

 

Ex-deputados da RENAMO acusados de financiar sabotagem interna

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Maputo — A crise interna na RENAMO, o principal partido da oposição moçambicana, conheceu hoje um novo capítulo. Pela primeira vez, num comunicado colocado a circular na pagina oficial do partido no Facebook se aponta Elias Dhlakama, irmão do falecido líder histórico Afonso Dhlakama, como a figura central de um movimento político que visa, segundo o post, “tomar de assalto” a liderança da RENAMO. Com ele, surgem ainda os nomes de Ivone Soares, Muchanga, Magumisse e Muchacuare, todos ex-deputados e, segundo a narrativa interna, “magoa­dos com Ossufo Momade por não terem visto renovado o seu mandato parlamentar”.

“Evitávamos divulgar os mandantes por questões de ética e pensávamos que era uma reclamação digna, mas chegámos à conclusão de divulgar, e caberá às instâncias superiores do Partido RENAMO tomar as medidas disciplinares de acordo com as regras internas e os estatutos do partido”, lê-se NA nota.

 

Os visados são acusados de financiar e organizar uma campanha nacional de desestabilização, num contexto pós-eleitoral em que o partido vive um dos seus momentos mais sensíveis desde a assinatura dos Acordos de Paz.

A actual direcção afirma que os actos incluem “destruição e fecho de delegações políticas” e classifica-os como criminais, defendendo que a Polícia da República de Moçambique (PRM) deve intervir “em conformidade com a lei”. Sem apresentar provas, os autores da denúncia sustentam que os visados estão a instrumentalizar a liberdade de expressão para alimentar um ambiente de instabilidade.

“A paciência tem limites e não se pode confundir liberdade de expressão com libertinagem”, conclui o comunicado.

As divisões internas na RENAMO não são novas. Desde a morte de Afonso Dhlakama, o partido tem sido palco de lutas de sucessão, disputas regionais e acusações mútuas de traição. A liderança de Ossufo Momade foi inicialmente contestada por alas ligadas à guerrilha e mais tarde por sectores civis, incluindo juventudes partidárias e membros da bancada parlamentar.

O nome de Elias Dhlakama já havia surgido noutras ocasiões como figura de dissidência silenciosa. O ressurgimento público do seu nome nesta denúncia pode indicar um endurecimento da disputa pela liderança do partido.

Nota completa e sem  edição publicada pela Renamo nas redes sociais 

As divisões internas na RENAMO não são novas. Desde a morte de Afonso Dhlakama, o partido tem sido palco de lutas de sucessão, disputas regionais e acusações mútuas de traição. A liderança de Ossufo Momade foi inicialmente contestada por alas ligadas à guerrilha e mais tarde por sectores civis, incluindo juventudes partidárias e membros da bancada parlamentar.
As divisões internas na RENAMO não são novas. Desde a morte de Afonso Dhlakama, o partido tem sido palco de lutas de sucessão, disputas regionais e acusações mútuas de traição. A liderança de Ossufo Momade foi inicialmente contestada por alas ligadas à guerrilha e mais tarde por sectores civis, incluindo juventudes partidárias e membros da bancada parlamentar.

Evitávamos divulgar os mandantes por questões de ética e pensávamos que era uma reclamação digna, mas chegamos a conclusão de divulgar e caberá as instâncias superiores do Partido RENAMO tomar as medidas disciplinares de acordo com as regras internas e os estatutos do Partido.
Os mandantes da desestabilização do Partido RENAMO são:
Elias Dlhakama, porque quer ser presidente da Renamo a todo custo.
Muchanga, Magumisse, Muchacuare são antigos deputados que não renovaram o mandato e estão zangados com presidente Ossufo.
São patrocinadores ou financeiros de toda logística dos infractores de destruição e fechos das delegações políticas no país.
A paciência tem limites e não se pode confundir liberdade de expressão com libertinagem.
Estes actos não são da política são actos criminais… a polícia da República deve agir em conformidade com a lei…

Direitos humanos: Parlamento elege nomes, mas a CNDH continua sem dentes

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Maputo — A Assembleia da República elegeu esta quarta-feira, 14 de Maio, por consenso, três novos membros para a Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH). Os cidadãos António José Amélia, Rosália Celestino Lumbela e Adérito Stélio Zimba foram indicados pelas bancadas parlamentares e aprovados em plenário sem contestação.

De acordo com o parecer emitido pela Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade, os eleitos são “idóneos, de reconhecida integridade moral e com experiência em matérias relacionadas com a promoção e defesa dos direitos humanos”.

O que faz realmente a CNDH? Tem autonomia? Fiscaliza com independência? Ou limita-se a reagir pontualmente, sem impacto real nos conflitos e abusos que se repetem de Norte a Sul do país?

Criada com o objectivo de promover e proteger os direitos humanos através de acções de educação cívica e de monitoria institucional, a CNDH é muitas vezes vista como uma entidade sem poder sancionatório, subfinanciada e à margem dos grandes debates sobre repressão, violência policial, detenções arbitrárias e discriminação social.

Embora a eleição de novos membros possa representar uma oportunidade para revitalizar a sua actuação, a falta de autonomia financeira, o silêncio em temas sensíveis e a proximidade ao poder político têm sido apontadas por organizações da sociedade civil como os principais entraves ao seu papel.

“O problema não está nas pessoas eleitas, mas sim no modelo institucional e no ambiente político que tolhe o exercício real da defesa dos direitos humanos em Moçambique”, comentou AO TXOPELA um jurista ligado a uma ONG de advocacia legal.

E agora?

Com os novos membros empossados, resta saber se a CNDH dará sinais de vida em dossiês como Cabo Delgado, repressão a manifestantes em 2024, prisões arbitrárias de jornalistas e activistas, ou no acompanhamento das condições nas cadeias superlotadas.

 

Parlamento aprova isenção temporária para açúcar, óleos e sabões

Maputo – Por consenso e em definitivo, a Assembleia da República aprovou esta quarta-feira, 14 de Maio, a revisão pontual do Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), que prorroga até Dezembro de 2025 a isenção fiscal para um pacote de bens e serviços ligados às indústrias do açúcar, óleos alimentares e sabões. A medida tem um custo estimado de 2.270 milhões de Meticais — a ser compensado, espera o Governo, com “efeitos multiplicadores” na economia.

A alteração, proposta pelo Executivo, modifica o número 13 do artigo 9 do Código do IVA. Segundo o Conselho de Ministros, o objectivo é “reduzir os encargos fiscais sobre a comercialização dos produtos acima referidos e sobre as matérias-primas e componentes necessários à sua produção, apoiando assim a indústria nacional”.

Em bom português: alívio fiscal para três sectores económicos considerados estratégicos, com a promessa de mais competitividade, estímulo ao consumo e, talvez, algum respiro na carteira dos moçambicanos.

A Ministra da Economia e Finanças, Carla Loveira, defendeu a medida como um acto de justiça social e prudência técnica. “Esta proposta está alinhada com os compromissos do Governo no combate à pobreza, na promoção da justiça fiscal e no estímulo à actividade económica”, declarou no Parlamento. Para Loveira, o carácter temporário da isenção permite “avaliar os seus efeitos e realizar ajustamentos com base em evidências concretas”.

Açúcar e sabão com alívio; finanças com fardo

A lista de bens abrangidos pela isenção é extensa: transmissões de açúcar, matérias-primas, equipamentos e serviços associados à produção de sabões e óleos alimentares, bem como à actividade agrícola da cana-de-açúcar. O discurso oficial alinha a medida à Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–2044 e ao desiderato de reanimar o tecido industrial — expressão gasta, mas recorrente nos corredores da governação.

A Comissão do Plano e Orçamento (CPO) deu luz verde à proposta, argumentando que a iniciativa vai “promover a segurança alimentar e nutricional” e “fortalecer o tecido industrial do país”. Já a 5ª Comissão da Assembleia (Agricultura, Economia e Ambiente) introduziu uma nota mais realista: a isenção só fará sentido se for sentida no bolso do consumidor final.

Preço ou pretexto?

A 5ª Comissão foi mais longe, recomendando que o Governo utilize a medida não apenas como resposta conjuntural, mas como “instrumento impulsionador do desenvolvimento da cadeia de valor dos sectores abrangidos”. Pediu-se maior fiscalização das margens de lucro das empresas e transparência na fixação de preços. Em outras palavras: que os benefícios não fiquem nas mãos dos intermediários.

Às empresas, o recado foi igualmente claro: valorizem a matéria-prima local, colaborem com as autoridades, e não transformem a isenção fiscal num mecanismo de engorda dos lucros sob protecção legal.

O dilema é conhecido: alívio fiscal sem controlo pode virar fuga disfarçada. E num contexto em que a autoridade tributária nem sempre tem dentes — ou vontade — para morder, a isenção pode ficar na planilha sem chegar à prateleira.

Contas que não fecham?

O impacto orçamental é considerável: 2,27 mil milhões de Meticais. O Governo acredita que o rombo será compensado por maior actividade económica, aumento do consumo e consequente arrecadação em outros impostos, como o IRPC e o ICE.

Mas a promessa de efeitos multiplicadores tem sido a muleta de várias decisões fiscais com pouco retorno palpável. Com um Orçamento já dependente de doadores e uma dívida pública em crescimento, qualquer isenção exige vigilância redobrada.