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Ubisse lança em Quelimane “mataram o nosso chefe”

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Quelimane assiste no próximo dia 10 de Junho , às 14 horas, o livro “Mataram o Nosso Chefe”, da autoria de Vitorino Ubisse Oliveira. O evento, a decorrer no átrio da Rádio Chuabo FM, junta um leque de parceiros que inclui o Clube de Leitura de Quelimane, Camões – Centro de Língua Portuguesa, Conselho Autárquico de Quelimane, Jornal Txopela, Rádio Chuabo FM, Massinhane Edições e TV Zambézia 24 Horas.

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A apresentação da obra estará a cargo do jornalista Mariano Mucueia, conhecido pelo olhar crítico sobre a política moçambicana e pela leitura sem rodeios da literatura que interroga o poder.

“Mataram o Nosso Chefe” é uma ficção incómoda. Ambientada no período pós-independência, a narrativa traz à tona uma das feridas mal fechadas da história recente de Moçambique: o desmantelamento forçado de estruturas tradicionais em nome da revolução. No centro da trama está a figura de um chefe comunitário, cuja autoridade é triturada pelas novas ordens políticas que chegaram com os tanques da independência, mas nem sempre com o consentimento dos governados.

A morte do chefe, mais do que o fim de uma personagem, é o símbolo da ruptura brutal entre passado e presente, entre a autoridade legitimada pela tradição e a imposta pelo Estado central.

O autor, Vitorino Ubisse Oliveira, nasceu na Beira em 1972, filho de estivadores matswas. Licenciado em Ensino de Matemática “a escopro e martelo”, como gosta de dizer, escreve com o mesmo rigor de quem sobreviveu ao desleixo institucional e às promessas frustradas de mobilidade social.

Ubisse não é novato nas letras. Tem publicado contos no Diário de Moçambique, e carrega consigo um estilo seco, narrativo, mas com farpas escondidas em cada frase. Diz que enquanto estiver a escrever, o resto pouco importa. A literatura, para ele, é mais víscera do que vaidade.

O lançamento do livro em Quelimane não é coincidência. A cidade, conhecida por dar palco à dissidência e por acolher vozes que não se curvam, oferece o cenário ideal para um romance que questiona os projectos de poder pós-coloniais e as suas continuidades silenciosas.

“O chefe morreu, mas quem o mandou matar ainda manda” — é uma das leituras possíveis do romance.

 

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