Sintonize a Rádio Chuabo – 103.0 FM

Início Site Página 86

Novo governo herdou Estado exausto e instituições capturadas, defende o pesquisador João Mosca

Maputo — À medida que a governação de Daniel Chapo procura afirmar-se num país exausto, uma radiografia sem adornos elaborada pelo pesquisador João Mosca, no Destaque Rural nº 328, revela uma crise de múltiplas dimensões que atravessa toda a espinha dorsal do Estado moçambicano.

O documento, publicado a 15 de Maio de 2025 pelo Observatório do Meio Rural (OMR), não apresenta diagnósticos suaves. Com o título sugestivo “Situação Política, Social e Ambiental: à atenção da nova governação”, o texto pinta um quadro de um país que se aproxima perigosamente das fragilidades dos anos 1980 — mas agora sem guerra civil declarada e com mais actores a disputar a pilhagem do pouco que ainda funciona.

“A crise em Moçambique abrange a globalidade da economia, da sociedade, do ambiente, e em instituições frágeis que possuem múltiplas relações que se reforçam entre si e manifestam-se em conflitos”, escreve Mosca, num alerta que pouco espaço deixa para ilusões (Destaque Rural Nº 328, p. 9).

Educação: um sistema que alfabetiza pouco e investe menos

O estudo mostra que, apesar do aumento no número de alunos e universidades, a qualidade educativa regrediu. Em 2017, quase 39% da população com mais de 15 anos ainda era analfabeta. As universidades, na sua maioria, “dedicam-se exclusivamente ao ensino e possuem fracas relações com a sociedade”, enquanto os professores estão mal preparados e as admissões, muitas vezes, são automáticas (p. 3).

O orçamento da educação revela mais: em 2021, apenas 4% do OGE foi dedicado a educação, ciência e tecnologia, com 61% destinados a despesas de funcionamento, em detrimento do investimento (p. 2). As escolas técnicas continuam abandonadas desde a era das nacionalizações. A “pirâmide invertida” tornou-se norma: licenciados ocupam postos pensados para técnicos médios — quando têm onde trabalhar.

Saúde: números que adoecem

Em 2021, apenas 9% do orçamento total do Estado foi alocado à saúde, com 82,4% consumidos em despesas de funcionamento. O investimento público no sector caiu para 8,8% do total de investimentos nacionais, revelando um sector exausto, que não tem como reagir às epidemias cíclicas que varrem o país (p. 3).

Malária, HIV, tuberculose, cólera e sarampo mantêm-se como inimigos diários, enquanto hospitais e centros de saúde lutam com escassez de medicamentos e profissionais desmotivados. A taxa de mortalidade permanece elevada e o sistema, frágil.

Ambiente: o clima como nova guerra

A secura do solo rivaliza com a secura das políticas públicas. Os gráficos do estudo demonstram um aumento vertiginoso na frequência de cheias e ciclones. Entre os efeitos: deslocações forçadas, insegurança alimentar, destruição de infra-estruturas e conflitos fundiários (p. 4).

“Não é evidente que existam planos de prevenção dos efeitos climáticos”, denuncia o documento, atribuindo a omissão à “ineficiência das instituições e à crónica falta de recursos financeiros” (p. 5).

O caso da reconstrução pós-ciclone Idai é paradigmático: a solidariedade chegou antes que o dinheiro estatal. A desertificação avança silenciosa. A migração forçada já é realidade. E o planeamento urbano ignora sistematicamente a crise climática.

Conflito armado e social: uma democracia que não se reconcilia

Quase 30 dos 50 anos de independência foram vividos sob conflito armado. De 2017 a esta parte, a guerra em Cabo Delgado, explica Mosca, é resultado de geoestratégias internacionais cruzadas com pobreza, desigualdade étnica e ausência do Estado. A soberania foi parcialmente entregue a tropas estrangeiras, num “protectorado energético” gerido em torno do gás da Total.

As eleições de 2024, marcadas por fraudes massivas, reacenderam a desconfiança. A juventude protestou. A resposta foi repressão. E hoje, o país vive um clima tenso de “normalidade blindada”. “Estas manifestações geraram pânico, incluindo na elite da Frelimo”, relata o autor, descrevendo uma elite cada vez mais fechada sobre si mesma e isolada das aspirações populares (p. 6).

Instituições capturadas: o Estado como negócio de família

O relatório não poupa as instituições. O Estado moçambicano é descrito como “partidarizado a todos os níveis, incluindo empresas públicas”, com nomeações políticas, ineficiência crónica e uma promiscuidade cada vez maior entre o público e o privado (p. 7).

“Estas elites têm áreas demarcadas nos negócios, assentes na confiança familiar, identidade regional e protecção política”, revela Mosca, descrevendo uma economia de compadrio onde o mérito é carta fora do baralho e o Estado serve como balcão de acesso privilegiado a recursos públicos (p. 7).

A corrupção, segundo o autor, “piora o ambiente de negócios, asfixia o empresariado nacional e afecta o crescimento económico”, deixando a maioria da população fora do jogo.

 

Chibabava sem fecalismo: vitória sanitária ou estatística triunfalista?

0

Chibabava – Sofala. O distrito de Chibabava foi esta quarta-feira reconhecido oficialmente como “livre de fecalismo a céu aberto”, numa cerimónia presidida pelo Governador de Sofala, Lourenço Ferreira Bulha. A certificação — que se insere na Estratégia Nacional de Saneamento Rural 2021–2030 — contou com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pretende ser mais do que uma placa para fotografias oficiais.

Segundo dados apresentados no acto, Chibabava conta actualmente com 33.805 famílias, 33.997 latrinas construídas, 464 comunidades certificadas como LIFECAS (Livres de Fecalismo a Céu Aberto) e 2.305 famílias-modelo em práticas de saneamento. O objectivo do programa é ambicioso: eliminar totalmente o fecalismo a céu aberto até 2030 e assegurar acesso universal ao saneamento básico, uma meta que, em teoria, alinha Moçambique com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

A cerimónia decorreu com pompa e protocolo, mas levanta uma interrogação: estamos diante de uma transformação estrutural, ou apenas de uma boa fotografia para os relatórios de Maputo e Nova Iorque? Os números impressionam, sim, mas por trás das estatísticas há comunidades com infra-estruturas mínimas, onde a manutenção das latrinas, o acesso à água e a fiscalização permanente continuam a depender da boa vontade de chefes locais, ONGs e promotores de saúde comunitária — frequentemente mal pagos ou voluntários.

O reconhecimento de Chibabava como “livre de fecalismo a céu aberto” é, inegavelmente, uma conquista. Mas o desafio agora é impedir que este estatuto se transforme em mais um selo institucional que a realidade, com o tempo, desmente. Como lembrou o próprio Governador: “o compromisso do Governo é continuar a trabalhar lado a lado com os parceiros e as comunidades para garantir saúde, bem-estar e um ambiente limpo e seguro para todas as crianças da província.”

 

PQG 2025–2029: Promessas recicladas para uma crise estrutural

0

Num país onde mais da metade da população vive em pobreza multidimensional, o Governo decidiu olhar para o abismo… com binóculos do século passado. O Programa Quinquenal do Governo (PQG) 2025–2029, recentemente tornado público, parece mais um catálogo de intenções já gastas do que uma resposta realista aos desafios que se avolumam dentro e fora das fronteiras.

Uma análise crítica publicada pelo Centro de Integridade Pública (CIP), com a autoria de Rui Mate, não poupa nas palavras: “Moçambique tenta resolver problemas do século XXI com ferramentas do século passado” (CIP, 2025, p. 1). A frase não é apenas provocatória. É também um retrato fiel do desalinhamento entre a retórica oficial e a realidade no terreno.

O documento confronta o conteúdo do PQG com os dados do World Social Report 2025, das Nações Unidas, e o relatório Poverty, Prosperity and Planet (Banco Mundial, 2024), que traçam um panorama difícil sobre o aumento das desigualdades, informalidade como norma e sistemas de protecção social frágeis, quando não inexistentes. Em todos esses critérios, Moçambique encaixa como numa luva.

Segundo o relatório do CIP, 83% da força de trabalho na África Subsaariana está na informalidade. Em Moçambique, o número não é apenas estatística — é sobrevivência disfarçada de auto-emprego. E o PQG? Ignora essa bomba-relógio. “Apesar de prometer criar empregos decentes, o PQG não apresenta uma política coerente para a formalização laboral”, aponta o estudo (CIP, 2025, p. 6).

No papel, o Governo promete “transformar a economia”, “acelerar a industrialização” e “gerar empregos dignos”. Mas nenhuma dessas metas vem acompanhada de fontes de financiamento claras nem de metas mensuráveis. Os números são particularmente reveladores: “O défice orçamental estimado para 2025 é de 126,8 mil milhões de meticais, cerca de 33% das receitas previstas, a serem cobertos por dívida pública e doações externas” (PESOE 2025, apud CIP, 2025, p. 3).

A pobreza, tal como descrita na análise do CIP, deixou de ser apenas económica — é também climática e institucional. Ciclones como Idai e Freddy tornaram-se referências recorrentes. E, mesmo assim, “o PQG trata a mudança climática como uma questão ambiental, não como uma crise socioeconómica” (p. 6). Sem fundos de adaptação, sem orçamento verde, a palavra“resiliência” não faz sentido.

A educação, tida como chave para o futuro, continua a funcionar com métodos e infra-estruturas do passado. “O PQG fala em melhorar a qualidade da educação, mas como, se o investimento por aluno continua entre os mais baixos da África Austral?” — questiona o documento, alertando que “investir em escolas sem investir em aprendizagem é construir edifícios, não futuro” (p. 6).

O estudo do CIP é ainda mais incisivo quando trata da fragilidade institucional. O PQG fala de “boa governação”, mas evita tocar no essencial: reforma judicial, combate à corrupção, prestação de contas e participação cidadã efectiva. “Menos de 40% da população mundial confia nos seus Governos. Em Moçambique, os números não são melhores. O descrédito é palpável” (p. 6).

No final do texto, o autor lança um desafio directo: “Infelizmente, Moçambique ainda resiste ao primeiro e mais básico passo: reconhecer que a crise é estrutural e que soluções paliativas não bastam” (p. 7). Em vez de inaugurar uma nova fase de governação — após as tensões pós-eleitorais de 2023 —, o PQG aparece como um gesto de continuidade burocrática.

 

Reforma ou Rejeição? O desafio da FRELIMO para reconquistar a confiança popular

0

 

Os sinais que chegam de distritos como Morrumbala mostram que sem mudança profunda, o partido arrisca-se a perder o seu vínculo com o povo.

O sinal vindo de baixo a FRELIMO, partido histórico da libertação nacional, vive hoje um dos seus maiores desafios desde a independência: reconquistar a confiança do povo. Em distritos como Morrumbala, província da Zambézia, as vozes populares clamam por uma reforma profunda. O empresário local Charifo Tomo, nascido e criado no seio da FRELIMO, lançou um apelo directo: “É urgente reforçar a questão da reforma no partido FRELIMO. Só assim poderá vencer as próximas eleições”.

Esta opinião é ecoada por jovens, comerciantes e cidadãos comuns, que sentem-se excluídos, desacreditados e esquecidos por um partido que outrora simbolizava esperança. Esta realidade exige escuta e acção urgente.

O QUE ESTÁ EM CAUSA? Ao longo dos anos, observou-se um afastamento crescente entre a FRELIMO e os seus militantes de base. Denúncias de exclusão política, corrupção na administração pública e favoritismo no acesso a empregos são apenas alguns dos elementos que geram insatisfação.

Em Morrumbala, muitos relatam que jovens não-militantes são excluídos de oportunidades nos concursos públicos. A desigualdade e a pobreza continuam a aumentar, enquanto os serviços de saúde, educação e justiça permanecem distantes das necessidades reais das comunidades.

A URGÊNCIA DA REFORMA a solução não está na propaganda nem no silenciamento das críticas. O caminho é a reforma interna. A FRELIMO precisa de:

  • Rever suas políticas com participação cidadã;
  • Promover a inclusão da juventude e das mulheres nos processos de decisão;
  • Reforçar o combate à corrupção com acções concretas;
  • Apostar em educação profissional para autonomia juvenil;
  • Garantir transparência na gestão dos recursos públicos e nos concursos.

A ESCOLHA ESTÁ COM O PARTIDO o povo moçambicano é resiliente, mas também exigente. A FRELIMO ainda tem tempo e estrutura para se reinventar. A história do partido pode ser honrada através de uma governação mais justa, centrada no bem-estar colectivo.

A alternativa à reforma é clara: a rejeição nas urnas, a perda do apoio das bases, e a deslegitimação progressiva da sua liderança. O momento é de escutar as ruas, os mercados, os jovens informais e os camponeses. Ali está a verdadeira leitura da realidade.

O TEMPO DE OUVIR É AGORA a reforma do partido FRELIMO não deve ser vista como fraqueza, mas como coragem histórica. Reformar-se é voltar a ser parte da solução. O empresário Charifo Tomo, a jovem vendedora de amendoim, e tantos outros cidadãos de Morrumbala estão a enviar um recado claro:

Queremos um Estado que funcione, que proteja os seus cidadãos e trate todos com dignidade, independentemente do partido que professam”.

O tempo da reforma é agora. O futuro da democracia moçambicana depende disso.

 

As eleições em Portugal

 O escrutínio dos políticos e da vida pública é um dos pormenores mais característicos e fundamentais da vida democrática. Aliás, foi isso que fez ruir, em Portugal, o anterior Governo liderado pelo Primeiro-Ministro Luís Montenegro, que caiu por não ter maioria parlamentar.

  Montenegro não deu a conhecer, como está plasmado na lei, todos os seus bens e, no que lhe diz respeito, não informou, quando iniciou o cargo de deputado, que era dono de uma empresa que lidava com outras, algumas das quais concorrentes a serviços do Estado. Um político não pode misturar assuntos seus e do Estado, porque provoca suspeitas…Ora, os políticos não se devem servir do seu posto para se servirem, antes devem colocar a sua missão ao serviço do povo e da Nação.

  Os portugueses, por força disso, vão ser chamados às urnas, já no próximo domingo, 18.

  A “guerra” eleitoral está centrada, no seu palco maior, entre o ex-Primeiro-Ministro Luís Montenegro, o qual volta a concorrer para essa função, e o líder do Partido Socialista, Pedro Nuno Santos, além de um outro partido, da direita, o “Chega”, com o cabeça André Ventura, representar um forte opositor, a um e a outro.

  Mas Montenegro pode voltar a ganhar, aliás, as sondagens – elas valem o que valem, é certo – dão-lhe a vitória por uns 32%, enquanto o PS poderá ficar pelos 28%. O Chega pode ir aos 20% ou ultrapassar essa marca. Os partidos da chamada esquerda radical – os que querem acabar com os ricos, quando deveriam exterminar os pobres – que acenam com o marxismo, uma ideologia apodrecida pelos tempos, como o PCP, o Bloco de Esquerda e o Livre, não passam dos 3% ou ficam abaixo disso.

  A abstenção, que tem subido faz uns 25 anos, porque a política e os políticos já cansam, como se diz por cá, pode voltar a penalizar, mais gravemente, os partidos do centro, o PSD; e o da esquerda, o PS. Este, com o seu líder Pedro N. Santos, que já foi Ministro e fez borradas, como o aeroporto de Lisboa, a TAP e a ferrovia, não colhe simpatias, porque se enleou em plataformas de interesses e de jogadas.

  No domingo, Portugal tem de reiniciar um ciclo de estabilidade, num tempo de mudanças europeias e mundiais, com um Trump falho de saberes e de intelectualidade; um Putin que joga malhas de mentiras e é hegemónico; um Xi que gere a China com mão de ferro e a pretende a dominante do Mundo; um Kim Jong-un endeusado por um povo humilhado e subjugado…e um conjunto de conflitos e incertezas que definem certos homens como tresloucados e senhores de si e dos Mundos. Um Estado Democrático e de Direito é o que coloca em prática o escrutínio da vida pública e dos seus fazedores, sem apelos a tumultos e tomada do poder pelo povo, na legitimidade do funcionamento das suas Instituições, sabendo banir a corrupção e os políticos pôdres… António Barreiros, jornalista

 

Executivo quer manter indústrias “limpas” de IVA até 2025, em nome da segurança alimentar

A Assembleia da República aprecia, esta quarta-feira, 14 de Maio, a Proposta de Lei que altera o Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA).

O Governo Moçambicano solicitou ao parlamento a emenda pontual do número 13 do Artigo 9 do Código do IVA, tendo em vista “dar continuidade à política de apoio fiscal, dinamizar as indústrias do açúcar, óleos alimentares e sabão, prorrogando o período de isenção do IVA até Dezembro de 2025.

Da lista dos produtos a beneficiar de isenção constam a transmissão do açúcar , matérias-primas, produtos intermédios, peças, equipamentos e componentes efectuadas pela indústria nacional do açúcar, óleos alimentares e de sabões,  bens e as prestações  de serviços efectuados no âmbito da actividade agrícola de produtos de cana-de-açucar destinados à indústria.

Na fundamentação, o executivo estima que a prorrogação da isenção do IVA resultará na perda de receita fiscal na ordem de dois mil milhões de meticais.

No seu parecer, a Comissão do Plano e Orçamento da Assembleia da República, que em matérias de natureza económica é a principal, considera que o alargamento da isenção do IVA, solicitado pelo executivo, “irá estimular a produção nacional, promover a segurança alimentar e nutricional, bem como fortalecer o tecido industrial do País, consolidando a recuperação e o crescimento das indústrias do açúcar, ólesos alimentares e sabões, sectores que desempenham um papel estratégico na economia nacional.”

Presidente quer jovens a comandar oficinas e salões

O Presidente da República, Daniel Chapo, desafiou a juventude moçambicana a assumir o protagonismo na construção da independência económica nacional, com base no trabalho, no empreendedorismo e na mudança de mentalidade. Falando esta terça-feira, no distrito de Báruè, província de Manica, durante um encontro com jovens, o governante lembrou que a geração da luta de libertação nacional já cumpriu a sua missão, cabendo agora aos jovens actuais transformar o país com base na geração de riqueza e auto-suficiência.

“Dialogar com a juventude é sempre um grande prazer”, afirmou o Chefe do Estado, satisfeito com a adesão dos jovens ao encontro. Por conseguinte, sublinhou que a liberdade política conquistada em 1975 foi fruto do sacrifício de jovens “mais novos do que nós que estamos aqui”, que pegaram em armas para libertar o país do domínio colonial. “A 25 de Junho de 1975, o saudoso Presidente Samora Moisés Machel proclamou a nossa independência nacional. E ficámos livres politicamente”.

No entanto, advertiu que a independência política não é suficiente se o país continuar economicamente dependente. “Moçambique só vai ser rico se cada um dos moçambicanos for rico honestamente. Nunca vai ser rico enquanto os próprios moçambicanos são pobres”, advertiu, defendendo uma geração de jovens “nervosos”, que rejeitam a pobreza e lutam todos os dias para melhorar de vida.

Durante a sua intervenção, o Presidente Chapo traçou uma linha do tempo desde o período colonial, passando pela luta de libertação, até aos dias actuais, para ilustrar os ganhos da independência. “Aqui em Báruè, onde nós estamos, não havia energia eléctrica. Esta escola secundária, este pavilhão, esta estrada asfaltada, o hospital […] não havia nada. Isto tudo que estão a ver é a conquista da nossa independência”.

Rebatendo discursos que minimizam os progressos dos últimos 50 anos, o Presidente da República exemplificou com a expansão da educação e da saúde. “Hoje temos universidades em todo o país, do Rovuma ao Maputo. Médicos moçambicanos não chegavam a cinco. Hoje ninguém consegue contar quantos médicos temos”, frisou.

O estadista recomendou ainda aos jovens a leitura do livro Pai Rico, Pai Pobre, como forma de estimular uma nova mentalidade virada para o empreendedorismo. “Você não precisa ser empregado. Você tem que ter empregados. Você tem que ser empregador”, disse, acrescentando que a pobreza não é apenas material, “é uma pobreza mental”.

Para operacionalizar esta visão, o Chefe dO Estado revelou a criação de novos mecanismos de apoio ao empreendedorismo juvenil, como o Fundo de Desenvolvimento Económico Local. “Decidimos que 60 ou 70 por cento deste valor vai para jovens. Estes jovens têm que ter juízo”, alertou, lembrando experiências passadas em que fundos públicos foram mal utilizados.

“Dinheiro tem leis, tem uma ‘língua que fala’. Tem que saber poupar. Temos que ensinar o que é receita, lucro, despesa, poupança, investimento”, defendeu, incentivando os jovens a apresentarem projectos sustentáveis nas suas comunidades, como oficinas, barracas, carpintarias ou salões de beleza.

Num tom conciliador, o Presidente Daniel Chapo reiterou o compromisso do Governo com o diálogo nacional inclusivo para pôr fim aos ciclos de violência pós-eleitoral. “Temo-nos encontrado com todos os partidos políticos para encontrarmos um consenso de um Moçambique onde haja paz, segurança, harmonia, e não haja discurso de ódio entre irmãos”, declarou.

Outrossim, saudou, ainda, a presença de jovens de diferentes filiações políticas no encontro em Báruè, considerando-a um sinal de maturidade e união nacional. “Não há razões para que um irmão odeie o outro por causa do partido político. Somos todos moçambicanos”, disse, apelando ao patriotismo acima das diferenças partidárias. Antes de encerrar o encontro, o Presidente da República reafirmou que a juventude deve ser o motor de uma nova era de transformação. “A nossa geração precisa definir um objectivo claro: alcançar a independência económica. E isso só será possível se formos jovens determinados, organizados e comprometidos com o trabalho honesto”.

Três tribunais e um apelo: “Não nos destruamos”, Daniel Chapo

O Presidente da República e Mais Alto Magistrado da Nação, Daniel Chapo, inaugurou ontem, na província de Manica, três tribunais distritais nos distritos de Tambara, Macossa e Mossurize, num gesto que marca o compromisso do Governo em aproximar a justiça dos cidadãos.

O Chefe do Estado aproveitou a ocasião para apelar à preservação das infra-estruturas públicas, ao reforço da cidadania e à resolução de conflitos através do diálogo e não da violência.

“É com muita satisfação que, hoje, nos encontramos aqui, na província de Manica, para procedermos à entrega, ao nosso povo, de três novos edifícios. Referimo-nos aos Tribunais Judiciais dos Distritos de Tambara, de Macossa e o deste distrito de Mossurize”, declarou o Presidente da República, no acto central realizado em Mossurize.

Na sua intervenção, o governante sublinhou a importância das novas infra-estruturas judiciais como ferramentas de consolidação do Estado de Direito e de promoção da justiça acessível e eficaz. “Nestes locais, a partir de hoje, os nossos compatriotas terão infra-estruturas apropriadas para exercer a cidadania, defendendo os seus direitos e liberdades fundamentais”, afirmou, acrescentando que os profissionais do sector também passam a contar com melhores condições para o desempenho das suas funções.

Ademais, recordou que estas são as primeiras inaugurações no sector da justiça desde que assumiu a liderança do país, a 15 de Janeiro. Citando a Constituição da República, reforçou que “os tribunais têm como objectivos: garantir e reforçar a legalidade como factor da estabilidade jurídica; garantir o respeito pelas leis; e assegurar os direitos e liberdades dos cidadãos, assim como os interesses jurídicos dos diferentes órgãos e entidades com existência legal”.

O estadista condenou os actos de vandalismo que, nos últimos tempos, têm destruído infra-estruturas públicas construídas com esforço e sacrifício colectivo. “Vandalizá-las e ou destruí-las só pode significar um retrocesso no nosso desenvolvimento colectivo”, advertiu. Em contraste, saudou a população de Manica: “Parabéns, província de Manica. Vocês tiveram comportamento exemplar e merecem os nossos parabéns!”

Dirigindo-se directamente à população de Mossurize, o Presidente da República apelou à responsabilidade comunitária na protecção dos tribunais recém-inaugurados. “Queremos dizer à população de Mossurize que o tribunal que hoje está a ser inaugurado é para nós a população de Mossurize. O Estado construiu para nós. Por isso, não podemos ser nós a destruirmos o nosso próprio tribunal”, declarou, apelando ao uso do diálogo na resolução de conflitos: “Quando nós temos problemas não podemos partir para a violência, temos que partir pelo diálogo, mesmo em casa, para que haja paz”.

O Presidente Chapo destacou ainda o papel dos tribunais na protecção das camadas mais vulneráveis e na fiscalização da exploração dos recursos naturais, áreas particularmente sensíveis na província de Manica. Alertou para os impactos negativos da mineração ilegal e da exploração florestal desordenada, que atentam contra a vida humana, a biodiversidade e a saúde pública.

Como parte do IV Pilar do Programa Quinquenal do Governo (2025-2029), o Presidente moçambicano anunciou a meta de construção de 97 novas infra-estruturas judiciais e 10 estabelecimentos penitenciários até 2029, com vista a ampliar o acesso à justiça e humanizar o sistema prisional. “A proximidade da justiça ao cidadão demonstra a nossa contínua preocupação em pacificar a sociedade, através da ordem social em caso de violação”, frisou. No fim, o Presidente Daniel Chapo deixou uma mensagem de união e de valorização do trabalho comunitário: “Entre irmãos, vamos continuar unidos a trabalhar, na nossa machamba, no mercado, na nossa barraca, para construirmos Moçambique. É isto que vai desenvolver Moçambique, não andarmos a lutar entre irmãos”.

Mogovolas acolhe novas instalações do INSS

0

 

O distrito de  Mogovolas, na  província de Nampula, conta desde o dia 13 de Maio com novas instalações do Instituto Nacional  de  Segurança  Social (INSS), marcando um passo significativo na aproximação dos serviços públicos às comunidades locais. O novo edifício, construído de raiz, insere-se no esforço de expansão e descentralização do sistema de segurança social obrigatório, visando facilitar o acesso dos cidadãos aos seus direitos sociais.

No seu discurso, Plácido Pereira, Secretário de Estado na Província de Nampula, sublinhou que o novo posto não apenas reforça a presença institucional do INSS, como também responde às necessidades dos contribuintes, beneficiários e pensionistas do distrito, assegurando um serviço mais célere, humanizado e eficaz.

Mogovolas regista actualmente  118  entidades empregadoras, 1.937 beneficiários e 49 trabalhadores por conta própria, além de 138 pensionistas. A chegada desta unidade representa, um marco de inclusão social e de reforço do contrato entre o Estado e os cidadãos, assente no princípio da proteção social para todos.

Quelimane: Araújo entrega Avenida Ahmed Sekou Touré aos munícipes de Sinacura

0

 

A cidade de  Quelimane  testemunhou  nesta  quarta-feira mais um marco no processo de requalificação urbana, com a inauguração da Avenida Ahmed Sekou Touré, localizada em frente à Escola Primária do bairro Sinacura. A cerimônia foi presidida por Manuel de Araújo, Presidente do Conselho Autárquico de Quelimane.

A via, agora pavimentada, representa um  avanço  significativo na mobilidade da zona e oferece melhores condições de circulação para os munícipes, em particular para os alunos da escola local que, durante anos, enfrentaram dificuldades para chegar ao estabelecimento de ensino em condições seguras e dignas.

Durante a inauguração, Araújo destacou o papel exemplar da empresa encarregue pela obra, sublinhando o comprometimento do empresário envolvido, conhecido como “NAPIDO”. Segundo o edil, a empreitada foi iniciada com fundos próprios da empresa e concluída dentro dos prazos estabelecidos.

“Ao contrário do que tem acontecido com outras obras, aqui temos um empresário modelo. Ele comprometeu-se e entregou a obra com a qualidade desejada, iniciou com recursos próprios e terminou. O nosso irmão ‘NAPIDO’ demonstrou ser um parceiro confiável”, afirmou o edil, perante dezenas de moradores que acompanharam o momento.