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Hospital Central de Quelimane assegura: MC Trufafá está estável e comunicativo

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Palmira Nascimento mostra-se optimista, mas população continua em vigília à porta do hospital: “Não basta estar vivo, queremos justiça”.

Quelimane – O Hospital Central de Quelimane (HCQ) quebrou o silêncio clínico e confirmou, hoje  segunda-feira (14), que o estado de saúde de Joel Amaral, conhecido artisticamente como MC Trufafá, é estável. O músico e político encontra-se sob cuidados intensivos, mas já está comunicativo, para alívio de uma cidade que ainda digere o choque do atentado.

Em conferência de imprensa, Palmira Nascimento, porta-voz do HCQ, descreveu um quadro clínico com “prognóstico favorável”, apesar da gravidade dos ferimentos sofridos: “Foi atingido na região esquerda da cabeça e num dos membros inferiores. Mas, felizmente, não houve alojamento intracraniano. Ele está estável e a sua recuperação é animadora.”

Do lado de fora do hospital, o ambiente é outro. Centenas de cidadãos mantêm-se em vigília, empunhando cartazes com mensagens como “Força Trufafá!” e “Queremos justiça, não apenas sobrevivência!”. A presença constante de populares demonstra que este caso já transcendeu os limites do boletim clínico, ganhando contornos de símbolo político e social.

Manuel de Araújo lança hoje em Lisboa a obra “Pedalando Moçambique – Quo Vadis Democracia?”

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Nesta sexta-feira, às 18 horas, o conhecido político moçambicano e actual presidente do Município de Quelimane, Manuel de Araújo, lança oficialmente a sua mais recente obra literária, “Pedalando Moçambique: Quo Vadis Democracia? e outras reflexões”, na Associação Cabo-Verdiana em Lisboa, situada na Rua Duque de Palmela. O livro é uma colectânea de textos escritos e publicados durante o que o próprio autor chama de “exílio académico e profissional”.

A obra, publicada sob a chancela da Gala-Gala Edições, é mais do que um exercício de memória, é uma radiografia crítica de Moçambique, uma travessia entre a bicicleta política e os labirintos de um país onde a democracia anda a pedais  e muitas vezes de marcha atrás.

Nas palavras de Manuel de Araújo, esta primeira edição junta textos dispersos, mas unidos por um fio condutor, a inquietação com o estado da nação. São reflexões nascidas longe da pátria, mas com o coração preso às praças, ruas e becos onde se disputa a verdadeira política moçambicana, aquela que raramente aparece nos discursos oficiais, mas se escuta no murmúrio das panelas vazias.

O lançamento em Lisboa pode parecer discreto, mas carrega simbolismo e peso, num contexto de crescente repressão política, ataques à liberdade de expressão e um sistema cada vez mais fechado sobre si mesmo, a publicação de uma obra como esta é, em si, um acto de resistência.

Com distribuição já activa em Maputo, Matola, Xai-Xai, Inhambane, Chimoio e Beira, através das livrarias Mabuko, Sequoia e Escolar Editora, está previsto um lançamento formal em solo moçambicano ainda no mês de Maio.

O título não deixa espaço para leituras neutras: Quo Vadis Democracia? é uma pergunta dirigida ao regime, aos partidos, às instituições e também ao povo que, muitas vezes, segue pedalando sem saber bem para onde — ou para quê.

E como quem pedala contra o vento, Manuel de Araújo avança, entre páginas e polémicas, numa estrada onde a liberdade parece ser o último destino.

População consome água com fezes directamente das torneiras

Maputo vive, neste momento, um dos mais graves escândalos de saúde pública das últimas décadas. Milhares de moçambicanos estão a consumir, diariamente, água turva, fétida e imprópria para o consumo humano, tudo sob o olhar impassível das autoridades reguladoras e da empresa pública de abastecimento, Águas da Região Metropolitana de Maputo (AdRMM).

Bairros como Alto Maé, Munhuana, Bagamoyo, Malhangalene, Tchumene e muitos outros transformaram-se em laboratórios de doenças hídricas. Crianças com dores estomacais, vómitos e diarreias estão a ser levadas aos hospitais após ingerirem o líquido que deveria lhes garantir vida, mas que, neste caso, parece estar a oferecer a morte gota a gota, é uma conclusão do Observatório Cidadão para a Saúde (OCS),  organização nacional compost por profissionais de saúde, cientistas sociais e investigadores interessados em contribuir para o fortalecimento da participação do público no debate atinente ao sector de saúde.

O relatorio recentemente divulgado por esta organizacao refere que a população tem vindo a consumir água contaminada, abastecida através da rede pública e ou fornecedores privados no país. Maputo, Matola e Tete estão entre algumas regiões cujos moradores consomem água contaminada, segundo constatações do Observatório Cidadão para a Saúde (OCS). Análises laboratoriais diversas concluem que, em alguns casos, a água está contaminada por bactérias maléficas ou químicos prejudiciais à saúde humana.  A situação coloca a população a viver no risco iminente de contrair doenças de origem hídrica.

Governo lava as mãos com água suja

A violação do Decreto Ministerial n.º 180/2004, que regula a qualidade da água para consumo humano, tornou-se rotina. A AdRMM e a Autoridade Reguladora de Águas (AURA, IP) ignoram, sem pudor, as reclamações da população. Procuradas pelo Observatório Cidadão para a Saúde (OCS), ambas as instituições optaram pelo silêncio, um silêncio cúmplice e criminoso, que fala alto sobre o estado de abandono em que vive o povo.

Em Tete, os relatos são ainda mais assustadores, água contaminada com metais pesados como ferro e manganês, provenientes da exploração mineira, continua a ser distribuída como se fosse potável. A ausência de tratamento eficaz é a regra. A presença de coliformes fecais em furos e nascentes públicos foi confirmada pelos académicos. Mesmo assim, o líquido continua a jorrar livremente das torneiras — e dos túmulos.

Enquanto os relatórios oficiais celebram estatísticas, a realidade no terreno mata. Em 2024, Maputo registou mais de 10 mil casos de diarreia em apenas 18 semanas. Em 2023, foram 20 mil casos de cólera em todo o país. Crianças com menos de cinco anos continuam a ser as maiores vítimas, representando a esmagadora maioria das mais de 3 milhões de mortes anuais causadas por doenças relacionadas com água contaminada no mundo, segundo a OMS.

Apesar disso, a resposta institucional resume-se a notas técnicas, reformas administrativas e concessões a operadores privados que, na prática, operam sem fiscalização eficaz. A promessa de acesso universal à água potável até 2030, inscrita nos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), está a afundar no mesmo esgoto que contamina as condutas de abastecimento.

O país que quer crescer… com a barriga cheia de germes

Paulo Marcos Sebastião, engenheiro químico e doutor em Meio Ambiente, afirma: “O fornecimento de água imprópria compromete a saúde pública, afecta a produtividade nacional e perpetua o subdesenvolvimento.” E o mais grave: o problema é conhecido, diagnosticado, mapeado,  mas deliberadamente ignorado.

O Governo de Moçambique assina tratados internacionais de qualidade, como a norma ISO 24500, mas dentro de portas permite que operadores forneçam água com odor, cor estranha e bactérias fecais, em plena capital do país. O que não se vê nos gráficos do INE é que muitas famílias, mesmo tendo torneiras, são obrigadas a ferver água, comprar galões ou, pior ainda, resignar-se ao consumo de veneno líquido.

Com a proliferação de operadores licenciados pelo Estado, a gestão da água virou oportunidade de negócio, mas sem garantias de qualidade. O controlo laboratorial é esporádico e quase sempre feito por iniciativa dos próprios cidadãos. Foi o caso de uma estudante universitária que descobriu, por conta própria, que três das cinco amostras de água recolhidas em mercados populares da cidade de Maputo eram impróprias para o consumo humano.

A cada copo, uma roleta russa. A cada banho, um risco de infecção. A cada silêncio das autoridades, uma sentença assinada.

🔴 Perigo: Ponte Quelimane à praia de Zalala pode desabar

O risco de desabamento da ponte que liga a cidade de Quelimane à praia de Zalala — o principal destino turístico da província da Zambézia — deixou de ser um alerta técnico para tornar-se um prenúncio de tragédia anunciada.

Há quase uma década que os primeiros sinais de fragilidade estrutural foram detectados, mas o problema tem sido reiteradamente ignorado pelos sucessivos governos.

A última intervenção de que há registo ocorreu há quatro anos, e consistiu numa operação remediativa de emergência após a abertura de um buraco na ponte que se situa na zona residencial de Mugogoda, que obrigou à interrupção do tráfego durante dias. Desde então, nada mais foi feito, apesar da progressiva e visível erosão provocada pelo rio nas bases terrestres da ponte. Especialistas locais alertam que a erosão é acelerada, mas perfeitamente calculável e evitável — caso houvesse vontade política.

Com cerca de 10 metros de comprimento, a ponte representa muito mais do que um simples troço rodoviário. É o elo vital que liga Quelimane ao ícone turístico de Zalala, que anualmente acolhe milhares de turistas nacionais e estrangeiros, sendo também palco do aclamado Festival de Zalala, um dos maiores eventos culturais da provincia.

Zalala abriga unidades hoteleiras, restaurantes e uma vibrante linha de actividades recreativas e comerciais que impulsionam a economia. A eventual queda da ponte poderá significar o colapso desse circuito económico, mergulhando a província num retrocesso com impacto directo no turismo, no comércio e na mobilidade da população.

O governo continua em silêncio, alheio aos apelos da sociedade civil e dos agentes económicos locais, que alertam para as consequências nefastas de mais um caso de omissão crónica do Estado moçambicano. A transitabilidade está já hoje condicionada, e com ela, esvai-se também a esperança de que a Zambézia venha um dia a ocupar o lugar que merece no mapa turístico e económico do país.

Mais do que uma ponte, o que está em jogo é a própria dignidade de uma província que, apesar das promessas, continua a ser tratada como parente pobre da República.

Em actualização

Chapo e Africa CDC afinam discurso, mas sistema de saúde em Moçambique continua em coma

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Numa altura em que os serviços de saúde continuam a sangrar entre a crónica escassez de profissionais, medicamentos e infraestruturas condignas, o Presidente da República, Daniel Chapo, reuniu-se esta quarta-feira (10) com o Director-geral do Africa CDC, Jean Kaseya, numa audiência tida como mais simbólica do que concreta — ainda que com promessas que podem ter impacto a médio prazo.

Kaseya, o rosto técnico da União Africana para assuntos de saúde, saiu do encontro com o Chefe de Estado em Maputo visivelmente entusiasmado. “Estou a trazer boas notícias para África e para o mundo sobre o compromisso do Presidente em aumentar o orçamento para a saúde em Moçambique”, disse sem revelar detalhes sobre percentagens ou marcos temporais.

Se por um lado, a retórica presidencial soa a música para os ouvidos de um sector há muito em estado de cuidados intensivos, por outro, as experiências anteriores recomendam prudência. No Orçamento de Estado de 2024, a alocação para a saúde pública ficou aquém dos 15% recomendados pela Declaração de Abuja, subscrita pelo próprio país.

A audiência com o dirigente do Africa CDC trouxe, um leque de promessas desde o apoio à criação de uma Escola de Saúde Pública em Moçambique, à intensificação da vigilância epidemiológica, passando pela cooperação com o Instituto Nacional de Estatística (INE) para melhorar os sistemas de recolha de dados em saúde. Objectivos louváveis, mas que exigem mais do que discursos.

Kaseya aproveitou ainda a ocasião para saudar Chapo pela estabilidade política alcançada, afirmando que tal clima tem sido fundamental para atrair fundos internacionais. “A paz que conseguiu estabelecer neste país está a atrair a atenção do mundo”, disse, numa leitura que parece ignorar os múltiplos focos de tensão pós-eleitoral e o silêncio oficial sobre casos de repressão a manifestações pacíficas.

Criado para responder a crises sanitárias como a COVID-19 e surtos de Ébola, o Africa CDC procura agora reposicionar-se como actor-chave no reforço dos sistemas de saúde no continente. A visita a Moçambique insere-se nesse esforço de reforço institucional e diplomático, procurando países aliados dispostos a adoptar agendas ambiciosas de reforma.

Jean Kaseya garantiu que o Africa CDC está empenhado em promover parcerias para a mobilização de recursos — uma declaração que, embora positiva, depende da articulação entre a vontade política interna e compromisso internacional efectivo.

Segurança regional: Tanzânia manda recado de amizade — e evita tocar no nome “Cabo Delgado”

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Num momento em que a instabilidade em Cabo Delgado continua a desafiar as narrativas oficiais de “normalização” e o terrorismo se disfarça de silêncio estratégico, o Presidente Daniel Chapo recebeu, esta quinta-feira (10), a ministra da Defesa da Tanzânia, Stergomena Lawrence Tax, enviada especial da Presidente Samia Suluhu.

O encontro, descrito como “fraterno” pela Presidência, foi mais um exercício de diplomacia regional, recheado de discursos sobre paz e desenvolvimento, mas escasso em compromissos concretos visíveis à luz do dia.

Falando à imprensa no final da audiência, Stergomena Tax destacou que a sua missão tinha um mandato presidencial directo. “Vim enviada pela minha Presidente para reafirmar o nosso compromisso com Moçambique”, declarou. Palavras que reforçam uma retórica antiga de irmandade forjada nas trincheiras da luta anticolonial, mas que hoje se depara com novos campos de batalha — desta vez contra insurgências transfronteiriças e ameaças difusas.

A ministra tanzaniana fez questão de invocar os laços históricos entre os dois países, um gesto que mais simbólico do que funcional, tendo em conta os desafios prácticos colocados pela crescente tensão securitária na faixa norte, onde a colaboração entre Moçambique e Tanzânia é vital, mas nem sempre transparente.

Fontes militares regionais têm apontado para a existência de corredores logísticos que alimentam a insurgência a partir do lado tanzaniano da fronteira, uma questão delicada que raramente é abordada em público, mas que paira como sombra sobre qualquer encontro bilateral.

Durante a visita, Stergomena Tax reuniu-se também com o ministro moçambicano da Defesa, num encontro de cortesia que serviu, segundo a versão oficial, para “trocar ideias” e “identificar áreas de cooperação”. Entre as prioridades partilhadas, voltaram a surgir os chavões do costume: paz, segurança e desenvolvimento económico.

No entanto, à imprensa não foi dada qualquer indicação de acordos assinados, planos operacionais ou metas conjuntas. A retórica manteve-se no plano da intenção — boa para fotos, fraca para o terreno.

A visita da ministra decorre num contexto de esvaziamento das missões militares da SADC em Cabo Delgado e do regresso a uma lógica mais nacionalizada da resposta ao extremismo violento. Moçambique e Tanzânia continuam a ser, em teoria, parceiros-chave nesta frente, mas o nível de coordenação real permanece opaco. As estruturas da SADC, embora mencionadas, parecem neste momento mais decorativas do que determinantes.

Com este encontro, Chapo procura reforçar a sua imagem regional de estadista dialogante e colaborativo, ao mesmo tempo que projecta estabilidade num tabuleiro interno ainda volátil. A presença da ministra Tax pode servir de moeda simbólica para este esforço, mas resta saber se os discursos se traduzirão em acções tangíveis.

Ministro dos Transportes e Comunicações visita hoje “porto seco” em Marracuene

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Em mais uma tentativa de aliviar o sufoco logístico na fronteira de Ressano Garcia, o Ministro dos Transportes e Comunicações, João Matlombe, desloca-se esta sexta-feira às instalações da empresa Corredor Logístico de Maputo (CLM), um “porto seco” instalado no distrito de Marracuene que, segundo as promessas oficiais, poderá reduzir o congestionamento crónico que afecta o fluxo de mercadorias entre Moçambique e a África do Sul.

A visita do ministro foi cuidadosamente coreografada, com direito a desfile de autoridades e presença do sempre presente Agostinho Vuma, presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), além de representantes do governo local. O evento deverá servir para apresentar os alegados “padrões internacionais” da estrutura, embora persistam dúvidas sobre a real capacidade do terminal em desafogar o tráfego fronteiriço, um problema que já dura anos e cuja solução tem sido mais discursiva do que logística.

Access Bank: entre o azul da inclusão e os cinzentos do marketing corporativo

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O Access Bank Mozambique associou-se, recentemente, às comemorações do Dia Mundial da Consciencialização sobre o Autismo, promovidas pela Associação Moçambicana de Autismo (AMA), numa cerimónia realizada no átrio do Conselho Municipal de Maputo, que contou com mais de 200 participantes. O gesto foi apresentado como um exemplo do compromisso do banco com a diversidade e a inclusão. Mas será que o gesto é tão altruísta quanto parece?

Sob o lema “Nossa Voz Importa, Autismo na Primeira Pessoa”, a actividade deu palco a experiências reais de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Uma das vozes mais marcantes foi a de Hilton Machel, diagnosticado aos 33 anos, que fez uma intervenção carregada de verdade: “O diagnóstico foi a melhor coisa que me aconteceu porque comecei a aceitar-me e a fazer com que me aceitassem.”

Na plateia, para além de activistas e técnicos, estavam também os inevitáveis representantes do banco, incluindo Roberto Gonçalves, director de Risco Operacional e pai de uma criança autista, que aproveitou para ligar o lado pessoal ao corporativo: “É reconfortante perceber que instituições como o Access Bank abraçam iniciativas que beneficiam a sociedade.”

A cerimónia teve todos os ingredientes de um típico evento de Responsabilidade Social Corporativa desde discursos emotivos, camisetas azuis, fotos cuidadosamente tiradas para circular nos canais internos e externos do banco. Tudo envolto na promessa de que, desta vez, o compromisso com a causa vai além do simbolismo.

Para Chiwetalu Obikwelu, Administrador Delegado Interino do Access Bank, “a consciencialização sobre o autismo é uma das prioridades do Banco”. Declaração ousada vinda de uma instituição financeira que opera num país onde muitas escolas públicas não têm sequer professores preparados para lidar com alunos com necessidades especiais e onde os acessos para pessoas com deficiência continuam a ser, na maior parte, obstáculos físicos e sociais.

A Presidente da AMA, Nélia Macondzo, foi cautelosa no elogio, agradecendo ao banco pela parceria, mas deixando escapar uma frase que pode ser lida com várias camadas: “Sentimos que o Banco, ao apoiar-nos, não procura visibilidade.” Se o Banco não procura visibilidade, porque tanto holofote?

Enquanto os eventos continuam, com uma marcha agendada para o dia 26 de Abril na Beira, o pano de fundo desta história levanta uma pergunta legítima, quantos bancos em Moçambique, para além das sessões de fotos e discursos, estão realmente a empregar pessoas com TEA, ou a adaptar os seus serviços a clientes neurodivergentes?

Palavras doces, realidades amargas: o brinde de Talapa aos jornalistas

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A Presidente da Assembleia da República, Margarida Talapa, felicitou os jornalistas moçambicanos pelos 47 anos da criação do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ), assinalados esta sexta-feira, 11 de Abril, e brindou simbolicamente com os profissionais da comunicação social que cobrem as sessões do Parlamento.

O gesto aconteceu no final da sessão dedicada às Informações do Governo, na Casa do Povo, onde Talapa destacou o papel dos jornalistas na consolidação do Estado de Direito Democrático, pedindo que continuem a exercer com “isenção e profissionalismo”.

A dirigente reconheceu que, sem o trabalho da imprensa, as actividades parlamentares não teriam visibilidade junto dos cidadãos. “A vossa presença aqui é importante não só para o Parlamento, mas para o povo moçambicano como um todo”, disse.

Apesar das palavras simpáticas, a realidade vivida por muitos jornalistas no país está longe de ser motivo para brinde. A precariedade laboral, a pressão editorial e a falta de liberdade de expressão são desafios constantes para uma classe que continua a lutar para exercer o seu trabalho com dignidade.

Nos últimos anos, cresceram os relatos de jornalistas perseguidos por investigarem casos de corrupção, por denunciarem abusos de poder ou simplesmente por fazerem perguntas “inconvenientes”. Em muitas redacções, o medo substituiu a coragem, e o silêncio é, por vezes, o preço da sobrevivência.

A maioria dos profissionais da comunicação social no país continua sem contractos formais, com salários baixos e atrasados, e sem protecção social adequada. As homenagens simbólicas são importantes, mas o que a classe realmente precisa são políticas concretas de valorização do jornalismo.

O Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ), fundado em 1978, é hoje uma das poucas vozes organizadas a levantar-se contra as injustiças que afectam os profissionais da informação. Os 47 anos da sua existência servem para lembrar que, sem jornalistas livres, informados e protegidos, não há democracia verdadeira.

Hospital de Mocuba em protesto

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Já não é só o giz que se quebra na sala de aula. Desta vez, os estetoscópios calaram-se e os termómetros esfriaram no Hospital Rural de Mocuba, um grupo de profissionais de saúde saiu à rua esta semana para reivindicar aquilo que o Estado teima em ignorar, o pagamento de horas extras e turnos acumulados ao longo de meses.

Entre apitos, cânticos, os técnicos de enfermagem, pessoal administrativo e auxiliares do hospital decidiram interromper as suas actividades, num protesto que teve mais de desabafo do que de confronto. “Queremos nosso dinheiro”, gritavam alguns, lembrando que cuidar de vidas também exige respeito pela vida de quem cuida.

O protesto surge numa altura em que o sector da Saúde, particularmente nas zonas rurais, parece estar num compasso de espera por reformas que nunca chegam. No epicentro do problema está o não pagamento das horas extraordinárias e dos turnos nocturnos, trabalho essencial, sobretudo num contexto de crónica escassez de pessoal.

Este episódio soma-se à mobilização recente de professores da Escola Secundária Samora Machel, também em Mocuba, que denunciaram atrasos salariais e condições de trabalho degradantes. Dois sectores vitais, duas manifestações distintas, mas um denominador comum, a frustração perante um Estado que parece mais interessado em silenciar do que em escutar.

Fontes locais indicam que o governo distrital ainda não emitiu nenhum posicionamento oficial sobre o protesto dos profissionais de saúde. Enquanto isso, os doentes continuam a chegar, as filas crescem e o clima no hospital permanece suspenso entre o juramento de Hipócrates e a realidade da hipocrisia institucional.