Sintonize a Rádio Chuabo – 103.0 FM

Início Site Página 82

Beira: Lixo e negligência persistem no Empório

A tentativa do Conselho Municipal da Beira de garantir higiene urbana esbarra, mais uma vez, no desleixo cívico dos residentes. Esta sexta-feira, 17 de Maio, uma brigada liderada pelo chefe do Posto Administrativo de Chiveve, José de Brito, voltou a intervir no edifício Empório, um dos focos críticos de acumulação de lixo no centro da cidade.

A acção enquadra-se na Jornada de Limpeza promovida pela edilidade, que visa devolver salubridade à urbe e evitar riscos de saúde pública. No entanto, o esforço da edilidade tem sido sistematicamente frustrado por atitudes reincidentes dos próprios moradores, que, mesmo com a presença de contentores de lixo nas imediações, insistem em depositar resíduos nos arredores e no interior do prédio.

A denúncia do representante municipal não é isolada. Vários moradores e activistas da Beira têm alertado para o abandono da cultura de limpeza e para a ausência de mecanismos de responsabilização, tanto por parte do Município quanto dos próprios cidadãos. Durante a jornada, Brito apelou ao fim da impunidade no que chamou de desacato à ordem e à saúde pública, deixando um aviso claro, qualquer cidadão apanhado a depositar lixo em locais impróprios será sancionado.

Banco de Moçambique em busca de credibilidade aos 50 anos

Cinco décadas após a sua criação, o Banco de Moçambique (BdM) assinalou este sábado, 17 de Maio, o seu cinquentenário com a realização de um simpósio internacional em Maputo, subordinado ao tema “Credibilidade dos Bancos Centrais e Política Monetária”. A escolha do tema não é inocente, vem num contexto em que a autoridade monetária moçambicana tem sido alvo de crescentes pressões para justificar as suas opções e resultados, num ambiente marcado por incertezas macroeconómicas, inflação persistente e perda de confiança por parte de segmentos do mercado.

A iniciativa, que teve lugar no Centro Cultural Moçambique-China, reuniu um conjunto de governadores de bancos centrais, académicos, representantes de instituições financeiras internacionais e membros do Governo, numa tentativa de reforçar a imagem do banco central como pilar de estabilidade num país que, ciclicamente, vê o seu sistema financeiro afectado por choques externos e fragilidades internas.

Na sua intervenção de abertura, o Governador do BdM, Rogério Zandamela, reconheceu que a credibilidade deixou há muito de ser um mero exercício de comunicação ou de reputação. Trata-se, segundo disse, de um activo estratégico essencial para a eficácia das políticas monetárias, nomeadamente no que toca à ancoragem das expectativas de inflação e à promoção da estabilidade do sistema financeiro.

“Quando um banco central é verdadeiramente confiável, a sua declaração não é apenas um anúncio, mas também um sinal que molda comportamentos em famílias, mercados e instituições”, afirmou o governador, dando a entender que a autoridade monetária ainda tem um percurso a consolidar neste domínio.

Zandamela reconheceu, ainda, que a credibilidade exige mais do que boas intenções: requer um quadro legal robusto, actuação consistente e, sobretudo, transparência, uma palavra que, nos últimos anos, tem sido pronunciada com parcimónia por parte do banco central, sobretudo em torno de decisões controversas como a liberalização da taxa de câmbio ou a gestão da política cambial em contexto de escassez de divisas.

“Tomámos a decisão de trazer convidados que pudessem partilhar connosco a sua visão, conhecimento e experiências sobre como têm vindo a lidar com esta matéria, para deles colhermos subsídios que possam apoiar-nos no processo contínuo e difícil de credibilização do Banco de Moçambique”, sublinhou.

Ao longo dos últimos anos, o BdM tem vindo a reforçar o seu discurso técnico, mas enfrenta desafios operacionais estruturais, incluindo um mercado financeiro pouco profundo, vulnerabilidades bancárias, uma economia excessivamente dependente de matérias-primas e a fragilidade institucional que mina a confiança dos agentes económicos.

Banco de Moçambique assina acordo estratégico com Timor-Leste e aposta na supervisão conjunta e fundos soberanos

0

Foi formalizado este sábado, em Maputo, um acordo de cooperação e assistência técnica entre o BdM e o Banco Central de Timor-Leste. A cerimónia teve lugar à margem do simpósio internacional que assinala os 50 anos do banco central moçambicano e os 45 anos do Metical.

O acordo, que resulta de entendimentos anteriores, nomeadamente durante a 2.ª Conferência dos Governadores dos Bancos Centrais dos Países Lusófonos em Macau (Setembro de 2024), visa aprofundar a cooperação bilateral através de formação profissional, assistência técnica, consultoria e intercâmbio de informação, abrangendo áreas sensíveis como a supervisão bancária e a regulamentação de fintechs.

“Criamos condições para uma supervisão mais eficaz, baseada em riscos emergentes e que inclua os serviços financeiros digitais”, afirmou Rogério Zandamela, Governador do BdM, num discurso marcado por um misto de diplomacia institucional e ambição técnica. Zandamela destacou que este acordo não é um gesto simbólico, mas sim “um compromisso concreto para enfrentar os desafios comuns das nossas economias”.

O Governador sublinhou ainda que a partilha de boas práticas em torno da supervisão conjunta de instituições financeiras e do mercado de capitais é hoje “mais do que necessária, é urgente”, face às exigências de um sistema financeiro global cada vez mais interligado, mas também mais exposto a riscos sistémicos e tecnológicos.

A cooperação não é nova, e já teve expressão em iniciativas anteriores, como o seminário de alto nível sobre fundos soberanos, organizado em Maputo em 2019. Agora, com o acordo formalizado, Zandamela aposta num horizonte mais estruturado e institucionalizado. “Acreditamos que esta parceria trará resultados concretos e benefícios mútuos”, referiu.

Do lado timorense, Hélder Lopes, Governador do Banco Central de Timor-Leste, reiterou a abertura do seu país para aprofundar a cooperação, sobretudo no campo da gestão do Fundo Soberano timorense – um dos mais relevantes no contexto lusófono – numa altura em que a diversificação da economia e a transparência institucional estão no centro das preocupações de Díli.

“Estamos abertos para cooperar com o Banco de Moçambique, não apenas na gestão do Fundo Soberano, mas em todas as matérias de interesse mútuo”, afirmou Lopes, numa intervenção breve, mas politicamente significativa.

A cerimónia contou com a presença de representantes diplomáticos e técnicos de ambas as instituições, incluindo o Embaixador timorense em Maputo, Miguel Lopes de Sousa Sequeira, e altos quadros do BdM, como Luísa Navele, Emília Matsinhe, Zacarias Maculuve e Pinho Ribeiro.

A assinatura deste acordo ocorre num contexto regional marcado por fragilidades macroeconómicas, tensões geopolíticas e crescentes exigências regulatórias. A articulação entre bancos centrais, com especial enfoque nos países da CPLP, surge assim como uma das respostas possíveis para garantir maior resiliência e autonomia estratégica dos sistemas financeiros nacionais.

Parlamento: Deputados formam-se para fiscalizar megaprojectos

Realizou-se este sábado, 17 de Maio, em Mulotana, Província de Maputo, um seminário destinado aos deputados da 1ª Comissão da Assembleia da República, Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade, com foco nos processos legislativos, fiscalização parlamentar e os sectores da indústria extractiva e das mudanças climáticas.

A Presidente da Comissão, Ana Comoana, disse, na abertura da sessão, que o actual cenário económico e ambiental do país exige uma actuação legislativa mais estratégica, informada e coordenada com os compromissos internacionais assumidos por Moçambique.

“É inegável o peso económico que a indústria extractiva tem no país, mas os desafios que carrega são igualmente significativos: da gestão transparente das receitas ao impacto ambiental e social”, afirmou Comoana.

A líder parlamentar disse que a necessidade de que a Assembleia da República assuma um papel proactivo na criação de legislação que promova resiliência ambiental, transição energética e desenvolvimento sustentável, alinhando o quadro legal às metas de protecção climática e aos direitos das comunidades afectadas por grandes projectos.

Novo ciclo, novos rostos, velhos desafios

O seminário, organizado em parceria com o Instituto para Democracia Multipartidária (IMD), acontece numa altura em que o Parlamento se encontra renovado: 52% dos deputados da legislatura actual são novos, o que impõe desafios ao nível da continuidade e da capacitação técnica.

De acordo com Osman Cossing, gestor de programas do IMD, o número elevado de novos parlamentares constitui “expressão viva da vitalidade democrática”, mas também exige um esforço redobrado de formação para garantir que o Parlamento seja capaz de legislar com base em evidências, fiscalizar com rigor e representar com responsabilidade os interesses dos cidadãos.

“Não se pode falar de democracia de qualidade sem um Parlamento bem preparado. Este ciclo legislativo exige competências renovadas para lidar com sectores sensíveis como o dos recursos naturais e as alterações climáticas”, sublinhou Cossing.

Parlamento e extractivismo: entre intenção e prática

Desde os anos 2000 que o país regista uma forte presença de megaprojectos de mineração e hidrocarbonetos, com impactos directos sobre comunidades locais, ecossistemas e economias regionais. No entanto, a legislação nacional ainda carece de mecanismos eficazes de fiscalização e responsabilização, e a participação das comunidades nos processos de tomada de decisão continua limitada.

O seminário de Mulotana pretende, segundo os organizadores, reforçar as competências da 1ª Comissão, dotando-a de ferramentas jurídicas e analíticas para acompanhar de forma mais eficaz os contratos, os relatórios de impacto ambiental e os processos de reassentamento.

Comoana defendeu uma abordagem legislativa que antecipe os riscos e proteja as gerações futuras, sublinhando que o Parlamento “não pode continuar a legislar de forma reativa ou desconectada das realidades do território”.

Caminho institucional

A formação insere-se no projecto “Reforçando o Papel de Fiscalização da Assembleia da República e das Assembleias Provinciais no Sector da Indústria Extractiva e Mudanças Climáticas”, e está estruturada em dois dias, com painéis técnicos e sessões de debate.

Com este esforço, espera-se que o Parlamento reforce a sua capacidade de exercer um controle mais robusto sobre a actuação do Executivo e das empresas envolvidas em grandes projectos, promovendo uma gestão mais inclusiva e responsável dos recursos naturais.

FMI reaproxima-se de Maputo com promessas de apoio e com exigências veladas

O presidente da República, Daniel Francisco Chapo, recebeu neste sábado (17), em seu gabinete oficial, o diretor-geral adjunto do Fundo Monetário Internacional (FMI), Bo Li, em um encontro que, embora revestido de formalidade diplomática, pode se traduzir no relançamento de uma nova etapa de alinhamento entre o Governo moçambicano e a instituição de Bretton Woods.

Segundo apurou o Txopela , a audiência serviu para reafirmar a vontade do FMI de continuar financiando programas governamentais, em um contexto em que Moçambique tenta recuperar a confiança dos parceiros internacionais, abalada por sucessivos escândalos de má gestão e corrupção endêmica, cujo clímax foi alcançado com o caso das dívidas ocultas.

Bo Li, que falava à imprensa após o encontro, teceu elogios ao que classificou como “avanços significativos” na governação. Referia-se, entre outros aspectos, à racionalização da máquina do Estado e ao alegado combate à corrupção – este último, um dossier sensível que, embora recorrente nos discursos presidenciais, permanece longe de produzir resultados convincentes aos olhos da opinião pública.

“Estamos impressionados com as medidas já adoptadas, que estão em linha com os princípios e expectativas do FMI”, disse Bo Li, sem detalhar os indicadores concretos sobre os quais assenta essa avaliação positiva.

A reunião terá também servido para discutir os contornos de um eventual novo pacote de cooperação técnica e financeira entre Maputo e Washington, a ser materializado ainda durante o presente exercício económico. O programa, segundo fontes bem posicionadas, deverá incluir cláusulas mais apertadas em matéria de transparência fiscal, eficiência administrativa e controlo da dívida pública, num momento em que o país enfrenta múltiplos choques desde os efeitos do terrorismo em Cabo Delgado até ao agravamento das desigualdades sociais.

Internamente, os críticos sublinham que, para além da retórica, pouco se avançou na construção de uma cultura institucional sólida de prestação de contas. A máquina estatal continua marcada por clientelismos, opacidade e um sistema judicial cuja independência permanece sob suspeita.

Ainda assim, a presença do número dois do FMI em Maputo é vista como um sinal de “reabertura de portas” ou, pelo menos, de aposta cautelosa na figura de Daniel Chapo, cuja ascensão à Presidência gerou expectativas sobre um eventual reposicionamento da política económica e uma ruptura com certas práticas herdadas do passado.

Por enquanto, o discurso é de “confiança mútua” e aposta no desenvolvimento inclusivo. Resta saber se, nas entrelinhas, a comunidade internacional está disposta a continuar financiando um Estado cuja credibilidade ainda está longe de ser restaurada.

Daniel Chapo exige reformas profundas na PRM e Polícia mais próxima do Cidadão

O Presidente da República e Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança (FDS), Daniel Chapo, apelou hoje, em Maputo, à Polícia da República de Moçambique (PRM) para protagonizar “mudanças profundas” que estejam à altura dos seus 50 anos de existência, face aos novos desafios da segurança pública e do crime organizado.

Falando durante a cerimónia central das bodas de ouro da PRM, o Chefe de Estado enalteceu o empenho dos agentes da corporação, mas sublinhou que a sua actuação deve ser cada vez mais humanizada e próxima das comunidades.

“É tempo de a Polícia da República de Moçambique ter a sua rica história devidamente documentada em livros, vídeos, músicas e peças teatrais”, declarou Chapo, lembrando a trajectória da instituição desde a criação do Corpo de Polícia, em 1974, até à actual PRM, formalizada em 1992 com a nova ordem constitucional democrática.

O Presidente destacou ainda o contributo dos efectivos da reserva e dos agentes actualmente destacados em zonas de conflito, nomeadamente os que combatem o terrorismo no norte do país, ao lado da Força Local e das tropas de países aliados.

Reformas e ética

Referindo-se ao aumento da criminalidade organizada, incluindo raptos, tráfico de drogas, seres humanos e órgãos, Chapo defendeu uma reconfiguração profunda das estratégias policiais. “É preciso fazer coisas diferentes para obter resultados diferentes”, sublinhou, defendendo o reforço das capacidades operacionais, técnicas e éticas da corporação.

Reconhecendo a dedicação da maioria dos agentes, o Presidente foi taxativo ao condenar comportamentos que mancham a imagem da instituição: “Sabemos que há elementos que agem de forma contrária aos princípios da corporação. Estes poucos fazem com que, algumas vezes, a nossa Polícia seja vista como o rosto mais visível da corrupção. Esta imagem deve mudar!” Chapo defendeu, por isso, uma formação contínua da PRM, centrada na ética, integridade e responsabilidade.

Liberdade e ordem pública

No seu discurso, o Presidente advertiu que o respeito pelos direitos fundamentais deve ser balizado pelo princípio da convivência social: “Onde termina o direito de um, começa o do outro. Não podemos confundir liberdade com libertinagem.”

Lema e compromisso

A cerimónia teve como lema “PRM, 50 Anos Aprimorando Estratégias de Ligação Polícia-Comunidade, Face aos Desafios da Manutenção da Ordem e Segurança Públicas”. O Presidente da República considerou-o pertinente e desafiador, frisando que a aproximação da polícia ao cidadão é a chave para a construção de um Moçambique seguro, coeso, em paz e próspero.

O Alto Comando da PRM, por sua vez, reafirmou o compromisso de combater ameaças como o terrorismo, a imigração ilegal e a sinistralidade rodoviária, reiterando que a segurança pública é pilar fundamental para o desenvolvimento nacional.

Quelimane quer tornar-se polo digital da região centro de Moçambique

O presidente do Conselho Autárquico de Quelimane, Manuel de Araújo, defendeu esta sexta-feira, 17 de Maio, que a cidade deve posicionar-se como polo de inovação tecnológica e inclusão digital no centro de Moçambique. A declaração foi feita por ocasião do Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação, efeméride proclamada pela União Internacional das Telecomunicações (UIT).

Segundo Araújo, esta data deve servir não apenas como comemoração simbólica, mas como momento de reflexão sobre o papel das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) na superação das desigualdades sociais e territoriais que ainda caracterizam o país.

“As telecomunicações são mais do que apenas meios de comunicação. São pontes que ligam comunidades isoladas, impulsionam a educação, fomentam o empreendedorismo e possibilitam o acesso a serviços essenciais como a saúde, o comércio e a governação eletrónica”, lê-se na mensagem oficial do edil.

Apesar dos avanços verificados no sector, nomeadamente a expansão da cobertura móvel e o crescimento do uso da internet por jovens e pequenas empresas em Quelimane, o autarca reconhece que os desafios estruturais continuam a comprometer a universalização do acesso às TICs.

“Ainda há necessidade de infraestruturas mais robustas, de alfabetização digital transversal e de políticas públicas que incentivem o uso responsável e produtivo das TICs”, adverte.

O edil avança como exemplo de boas práticas o programa “Escolas Conectadas”, uma iniciativa conjunta entre o Governo central, o sector privado e parceiros internacionais. A acção, segundo Araújo, tem permitido levar internet e equipamentos digitais a escolas rurais, mudando a realidade de alunos e professores em distritos periféricos. Cita-se, entre outros, o caso da Escola Secundária de Chitima, em Tete, que após ter sido conectada passou a funcionar também como centro comunitário de acesso à internet.

Em Quelimane, o desafio é transformar experiências como estas em política local, promovendo um ecossistema digital assente em inovação, capacitação e inclusão.

“Apelamos a uma acção coordenada entre o governo, o sector privado, as universidades e a sociedade civil para transformar Quelimane num verdadeiro polo digital”, reforça Araújo.

O autarca sublinha ainda que o acesso às TICs deve ser um direito e não um privilégio, e que a transformação digital só será efectiva se não deixar ninguém para trás, nem nas zonas recônditas, nem entre os grupos mais vulneráveis como mulheres, jovens e pessoas com deficiência.

Quelimane regista recuo da criminalidade nos bairros periféricos, defende Manuel de Araújo

O Presidente do Conselho Autárquico de Quelimane, Manuel de Araújo, assinalou hoje, 17 de Maio, o Dia Nacional da Polícia da República de Moçambique (PRM) com uma mensagem pública de reconhecimento ao papel da corporação, sublinhando os ganhos concretos obtidos na cidade, sobretudo nos bairros mais vulneráveis à criminalidade.

Numa nota oficial tornada pública, o edil ressaltou o contributo “de coragem, disciplina e sentido patriótico” dos homens e mulheres que compõem a PRM, que ao longo dos anos se têm empenhado na protecção dos cidadãos, na preservação da ordem pública e no combate à criminalidade, mesmo em zonas onde o Estado se apresenta mais frágil.

A mensagem assume um tom elogioso, mas não menos realista, ao afirmar que “na cidade de Quelimane, capital da província da Zambézia, podemos testemunhar de forma concreta o impacto do trabalho da Polícia”. Araújo aponta que medidas como o patrulhamento nocturno intensificado, o combate ao consumo e tráfico de drogas, e a prevenção de roubos e assaltos têm contribuído para uma redução assinalavel das ocorrências criminais em bairros como Coalane, Torrone Novo, Chirangano e Icídua.

Mercado do Torrone em Quelimane
Mercado do Torrone em Quelimane

“Graças a este esforço, registou-se uma redução significativa de ocorrências criminais”, lê-se no comunicado, onde se ressalta igualmente a articulação entre os Conselhos Comunitários de Policiamento e as autoridades formais, um mecanismo de vigilância que tem reforçado a cultura de denúncia e o sentimento de segurança nos bairros populares da urbe.

Além da acção policial directa, o edil saudou as campanhas de sensibilização levadas a cabo nas escolas e mercados, que visam educar jovens e vendedores sobre os riscos de práticas ilícitas e promover a convivência pacífica.

Manuel de Araújo lembrou, ainda, a importância da formação contínua, da disciplina e do respeito pelos direitos humanos como pilares do trabalho policial, exortando a população a continuar a colaborar com a corporação. “A segurança é uma responsabilidade colectiva”, sublinha a nota.

Bairro Sangariveira em Quelimane
Bairro Sangariveira em Quelimane

A mensagem encerra com uma homenagem não só aos agentes visíveis nas ruas, mas também àqueles que, “nos bastidores, garantem o funcionamento das instituições policiais”.

Acidente em Mocuba: Oito mortos e suspeitas de negligência operacional

0

 

Oito pessoas perderam a vida na passada quarta-feira (14), na Estrada Nacional Número 1 (EN1), na ponte sobre o rio Maquia, no distrito de Mocuba, província da Zambézia, na sequência de um acidente envolvendo dois veículos de mercadoria, um ligeiro da marca Mitsubishi, modelo Canter, e um pesado da marca Sinotruk. De acordo com o Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO), o veículo ligeiro operava de forma ilegal no transporte de passageiros, não obstante estar licenciado apenas para carga.

O comunicado oficial do INATRO indica ainda que o condutor do veículo articulado não respeitou as regras básicas de trânsito durante uma manobra de cruzamento. As autoridades apontam para “culpa grave” e ordenaram a detenção imediata do motorista, além da apreensão das cartas de condução e das licenças dos veículos por 180 dias.

“Não confundamos provocação com debate interno legítimo”, alerta porta-voz da RENAMO sobre a crise no partido

Terminou a momentos na sede da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) em Maputo, uma conferência de imprensa convocada para reagir aos recentes episódios daquela formação politica, evocando o direito à informação como fundamento da sua intervenção pública, o Porta-voz, Marcial Macome recordou o papel histórico da Renamo na consagração das liberdades fundamentais na Constituição da República, com destaque para a liberdade de expressão e de filiação partidária.

Violência interna e encerramento das sedes

A direcção do partido reconheceu a escalada de violência nas estruturas da RENAMO, incluindo o encerramento de algumas delegações e até da sede nacional. Na conferência, o Porta-voz, Marcial Macome apelou ao diálogo e rejeitou a via da confrontação interna, comparando os acontecimentos recentes a episódios como o assalto ao Capitólio, nos EUA, e aos Três Poderes, no Brasil.

Infiltrações e “agendas inconfessáveis”

A direcção da RENAMO lançou duras acusações contra o que classificou como tentativas de infiltração por parte de actores externos, com o objectivo de desestabilizar o partido e dividir a sua base. A mensagem foi clara: “não confundamos provocação com debate interno legítimo”.

Renamo: Ex-guerrilheiros cercam a sede em Maputo e exigem a cabeça de Ossufo

DDR: partido diz não controlar pagamentos

Sobre o processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR), a RENAMO esclareceu que não tem controlo sobre o pagamento de pensões aos desmobilizados, atribuindo a responsabilidade ao Governo. Garantiu, no entanto, que o partido continua em diálogo com o Executivo e parceiros internacionais para resolver os atrasos nos pagamentos.

A liderança da RENAMO apelou aos seus membros fundadores e históricos para que recuperem a consciência e a responsabilidade que os levou a fundar o partido, exortando ao regresso à cultura de diálogo e unidade. “Tenhamos a cultura de olhar para dentro de nós sem preconceito e sem animosidade”, disse o porta-voz.

Presidente da RENAMO mantém silêncio estratégico

Questionado sobre a ausência de um posicionamento claro por parte do presidente do partido, Ossufo Momade, a resposta foi evasiva: “brevemente, quando se justificar, irá falar com os líderes”. A falta de comunicação directa tem sido criticada por membros que exigem um diálogo mais aberto e transparente.

Acusações contra Elias Dhlakama e Muchanga

As divisões internas na RENAMO não são novas. Desde a morte de Afonso Dhlakama, o partido tem sido palco de lutas de sucessão, disputas regionais e acusações mútuas de traição. A liderança de Ossufo Momade foi inicialmente contestada por alas ligadas à guerrilha e mais tarde por sectores civis, incluindo juventudes partidárias e membros da bancada parlamentar.
As divisões internas na RENAMO não são novas. Desde a morte de Afonso Dhlakama, o partido tem sido palco de lutas de sucessão, disputas regionais e acusações mútuas de traição. A liderança de Ossufo Momade foi inicialmente contestada por alas ligadas à guerrilha e mais tarde por sectores civis, incluindo juventudes partidárias e membros da bancada parlamentar.

A imprensa levantou questões sobre publicações nas redes sociais da RENAMO que acusaram  Elias Dhlakama, Antônio Muchanga entre outros de estarem por detrás das revoltas internas. A direcção escusou-se a comentar, alegando desconhecimento da origem das informações. “Se calhar também o Trump está em Moçambique”, ironizou o porta-voz.

Ex-deputados da RENAMO acusados de financiar sabotagem interna