Cinco décadas após a sua criação, o Banco de Moçambique (BdM) assinalou este sábado, 17 de Maio, o seu cinquentenário com a realização de um simpósio internacional em Maputo, subordinado ao tema “Credibilidade dos Bancos Centrais e Política Monetária”. A escolha do tema não é inocente, vem num contexto em que a autoridade monetária moçambicana tem sido alvo de crescentes pressões para justificar as suas opções e resultados, num ambiente marcado por incertezas macroeconómicas, inflação persistente e perda de confiança por parte de segmentos do mercado.
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A iniciativa, que teve lugar no Centro Cultural Moçambique-China, reuniu um conjunto de governadores de bancos centrais, académicos, representantes de instituições financeiras internacionais e membros do Governo, numa tentativa de reforçar a imagem do banco central como pilar de estabilidade num país que, ciclicamente, vê o seu sistema financeiro afectado por choques externos e fragilidades internas.
Na sua intervenção de abertura, o Governador do BdM, Rogério Zandamela, reconheceu que a credibilidade deixou há muito de ser um mero exercício de comunicação ou de reputação. Trata-se, segundo disse, de um activo estratégico essencial para a eficácia das políticas monetárias, nomeadamente no que toca à ancoragem das expectativas de inflação e à promoção da estabilidade do sistema financeiro.
“Quando um banco central é verdadeiramente confiável, a sua declaração não é apenas um anúncio, mas também um sinal que molda comportamentos em famílias, mercados e instituições”, afirmou o governador, dando a entender que a autoridade monetária ainda tem um percurso a consolidar neste domínio.
Zandamela reconheceu, ainda, que a credibilidade exige mais do que boas intenções: requer um quadro legal robusto, actuação consistente e, sobretudo, transparência, uma palavra que, nos últimos anos, tem sido pronunciada com parcimónia por parte do banco central, sobretudo em torno de decisões controversas como a liberalização da taxa de câmbio ou a gestão da política cambial em contexto de escassez de divisas.
“Tomámos a decisão de trazer convidados que pudessem partilhar connosco a sua visão, conhecimento e experiências sobre como têm vindo a lidar com esta matéria, para deles colhermos subsídios que possam apoiar-nos no processo contínuo e difícil de credibilização do Banco de Moçambique”, sublinhou.
Ao longo dos últimos anos, o BdM tem vindo a reforçar o seu discurso técnico, mas enfrenta desafios operacionais estruturais, incluindo um mercado financeiro pouco profundo, vulnerabilidades bancárias, uma economia excessivamente dependente de matérias-primas e a fragilidade institucional que mina a confiança dos agentes económicos.
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