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PR destaca papel do Banco de Moçambique na construção da soberania económica

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O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou recentemente que o Banco de Moçambique e o Metical são símbolos incontornáveis da soberania  e  identidade económica  do país. A declaração  foi  feita  durante  a  cerimónia  oficial  de celebração dos 50 anos do Banco Central e dos 45 anos da criação da moeda nacional.

Embora os desafios, como crises  financeiras,  choques externos e dívidas avultadas, Chapo distinguiu o papel do BM na preservação da estabilidade macroeconómica e na credibilização da  política  monetária. “O Banco de Moçambique tem desempenhado, com excelência, o seu papel fundamental de preservação do valor da moeda nacional”, afirmou.

O estadista destacou ainda a introdução do Metical, em 1980, como um gesto de afirmação da dignidade e liberdade do povo moçambicano, salvaguardando que “o Metical é mais do que uma moeda; é  uma  expressão da nossa identidade”.

 

 

Orlando Conde (1957–2024): parte um dos pilares do futebol da Beira pós-independência

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O futebol moçambicano perdeu, neste domingo, um dos seus nomes históricos. Faleceu na cidade da Beira, vítima de doença, Orlando Conde, antigo futebolista e irmão mais velho do actual selecionador nacional, Chiquinho Conde. A informação foi tornada pública pelo Conselho Municipal da Beira, que manifestou profundo pesar pela partida de uma figura que marcou o desporto regional e nacional.

Orlando Conde destacou-se nas décadas que se seguiram à independência de Moçambique, integrando equipas de referência como o Ferroviário da Beira e o Palmeiras da Beira, tendo também envergado a camisola da Seleção Nacional de Futebol em momentos determinantes da sua reorganização no pós-colonialismo.

Até à data do seu falecimento, exercia funções directivas no Ferroviário da Beira, clube onde, além do contributo como jogador, continuava a influenciar a formação e organização desportiva, num tempo em que os clubes moçambicanos enfrentam desafios estruturais.

Numa nota oficial, o Conselho Municipal da Beira descreve Orlando Conde como “um cidadão comprometido com o crescimento do futebol e da juventude moçambicana”, reconhecendo o seu papel no processo de consolidação do desporto local.

“Que o legado de Orlando Conde inspire futuras gerações e que o seu nome permaneça na história do desporto moçambicano”, lê-se no comunicado da edilidade.

A morte de Orlando Conde representa, para muitos, o fim de um ciclo de jogadores cuja trajectória estava ligada à génese do futebol nacional independente, marcada por esforço, sacrifício e construção de identidade.

Na memória colectiva, permanecerá o atleta firme e disciplinado, o dirigente atento, e o irmão mais velho que, silenciosamente, ajudou a moldar o percurso de Chiquinho Conde — hoje um dos rostos mais visíveis da nova ambição desportiva do país.

Orlando Conde parte aos 67 anos. Deixa um legado de dedicação e paixão ao desporto, gravado nos campos da Beira e no coração de quem viu no futebol mais do que um jogo: uma forma de servir a Nação.

Até sempre, Orlando Conde.

Presidente felicita jovem futebolista moçambicano pelo bicampeonato em Portugal

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A bandeira de Moçambique voltou a tremular alto na Europa. Geny Catamo, jovem internacional moçambicano, sagrou-se no sábado (17) bicampeão da Liga Portuguesa de Futebol, ao serviço do Sporting Clube de Portugal, após a vitória por 2-0 diante do Vitória de Guimarães, no Estádio José Alvalade.

A conquista foi saudada pelo Presidente da República, Daniel Chapo, que, em mensagem oficial, endereçou os parabéns ao atleta, sublinhando o seu exemplo de “disciplina, perseverança e crença nas capacidades”. O Chefe de Estado apontou Catamo como símbolo de inspiração para a juventude moçambicana, num tempo em que os desafios sociais, económicos e institucionais exigem referências positivas e mobilizadoras.

“Em nome do povo moçambicano e, em particular, da juventude, venho por este meio endereçar os meus parabéns ao jovem moçambicano Geny Catamo, que sagrou-se bicampeão pelo Sporting Club de Portugal, um feito que enche de orgulho todo o nosso país,” declarou o Presidente Chapo.

Geny Catamo, que iniciou a sua carreira no futebol moçambicano antes de emigrar para Portugal, teve uma participação regular e estratégica na campanha vitoriosa do Sporting. Com assistências, golos e presença táctica em momentos decisivos, Catamo consolida-se como um dos expoentes da nova geração de atletas nacionais com impacto internacional.

Contudo, o percurso de Geny também lança uma reflexão inevitável sobre a ausência de políticas desportivas estruturadas no país. Embora o seu sucesso revele o potencial dos jovens moçambicanos, a falta de investimento em infraestruturas desportivas, formação técnica e programas de base limita o surgimento de novos talentos no território nacional.

Geny Catamo põe Maputo em festa: Sporting sagra-se bicampeão com toque moçambicano

Zambézia: o arroz existe, a água corre, mas falta vontade de governar

Há terras que não podiam  se ajoelhar diante da miséria. A Zambézia é uma dessas terras. Rica em braços, fértil em solos e abençoada com rios que nunca secam. Aqui brota arroz como esperança, mas a esperança tem sido ceifada não pela seca, nem pela praga, mas por uma seca mais grave, a de vontade política.

A província dispõe de 11 regadios distribuídos por distritos como Mopeia, Nicoadala, Maganja da Costa e Namacurra. Três funcionam, o resto cambaleia ou jaz. Ao todo, temos 3.750 hectares com infraestruturas prontas para irrigação, mas só 1.220 hectares estão a ser explorados. Em termos simples, temos a panela ao lume, mas ninguém quer pôr arroz lá dentro.

Os números não mentem. Só Nicoadala, com os seus 40 mil hectares lavrados, promete mais de 145 mil toneladas de arroz este ano. Imaginem o que seria se os regadios de M’ziva, Limane, São Francisco de Assis e Mutage estivessem operacionais, com mecanização, crédito agrícola e uma política de comercialização seria. Moçambique, hoje é importador de arroz, passaria a olhar para a Zambézia como o Senegal olha para o Vale do Rio Senegal, uma âncora alimentar.

Mas a realidade é outra. O que temos são regadios vandalizados e promessas eleitorais demagogas. O Estado entra, financia, fotografa, inaugura  e vai-se embora antes que a primeira colheita aconteça. O modelo é cíclico, intervenção sem continuidade, investimento sem manutenção, discurso sem consequência.

A culpa não é dos camponeses. Eles lá estão, dia após dia, lançam as sementes como quem atira preces ao chão. Também não é da natureza, chove o suficiente, os rios transbordam, o clima ajuda. A culpa mora mais acima, nos gabinetes climatizados.

Falta vontade política, e essa ausência não se disfarça com projectos-piloto nem com caravanas ministeriais. Se houvesse vontade, o Governo estruturaria um Plano Provincial de Desenvolvimento Agrário, financiaria silos, garantiria preços mínimos, eliminaria os intermediários especuladores. Se houvesse vontade, regadios não seriam deixados à sorte dos ciclones ou dos ladrões de sucata em Namacurra.

Não é por falta de estudos, nem de exemplos internacionais. O Vietname saiu da fome para o top 5 mundial de exportadores de arroz em menos de 30 anos. Fez isso com irrigação, organização camponesa e crédito agrícola. Moçambique, com muito menos população e muito mais terra arável, não consegue alimentar nem os seus próprios mercados urbanos.

O arroz é mais do que um alimento, devia ser soberania,  emprego, escola paga, e hospital evitado. Quando um país abandona o seu potencial agrícola, abdica da sua dignidade. E quando uma província como a Zambézia, com tudo para ser celeiro nacional, é tratada como periferia política, então o problema não é técnico — é moral.

Não se trata de sonhar alto. Trata-se de exigir baixo: que o Estado faça aquilo que prometeu. Que regue o que já plantou. Que olhe para a Zambézia como o que ela é — a chave para a soberania alimentar de Moçambique.

Elvino Dias nada fez para merecer prémio!

Logo pela manhã, um amigo me ligou e, naquela conversa descontraída disse que Elvino Dias, meu herói incondicional havia sido premiado. Disse-me que foi destacado para um prémio que se chama Prémio Nelson Mandela.
Mas premiar um defunto Puruquê e Paraquê? O meu amigo argumentou de que é sobre o reconhecimento de sua luta pela democracia e justiça social. Um dos poucos cidadãos que usou da lei para despertar consciência e não aqueles que usam-na para ludibriar, extorquir e aldrabar o povo.
Mas mesmo assim, a justificação do meu amigo não me foi profunda. A questão ainda prevalecia, o puruquê de premiar um sem vida.
Sem rodeios eu, humildemente, dei meu ponto de vista quanto ao assunto em alusão.
Eu disse que este prémio tinha que ser direccionado aos pulúcias. Bem que coincide com a data da sua génese. Então cabia bem se este prémio tivesse sido atribuído aos pulúcias da República de Moçambique pelo belo trabalho que mostraram antes e depois das eleições bem como durante as manifestações. Foram exímios cumpridores das Ordens Superiores. Então, por mim, estes seriam os genuínos donos deste destaque. E, que desde já apresentem uma moção por formas que […] este prémio caia em suas mãos, de sangue…

Silva Livone não precisa pedir desculpas aos jovens, pobres

Circulam nas redes sociais e noutras plataformas de informação os pronunciamentos do novo Secretário do Estado (SED) de Niassa, Silva Livone onde ele afirma com categoria e de rosto levantado que a primeira preocupação de um jovem, e ele estabelece intervalo, de 20 a 30 e poucos anos deve ser de adquirir um talhão.
Estes pronunciamentos foram rotulados de ofensa à juventude e ao povo no geral, porque segundo argumentos que têm pululado toda que é parte é de que ele não tinha que dizer isto, sabendo que apesar de a Lei da Terra estabelecer a terra como propriedade do Estado e ninguém tinha que vender ou comprar, a realidade dita o contrário. O negócio de terra é tão lucrativo, sendo que só para sua aquisição é necessário um investimento de toda a vida. Outro desafio é haver parcialidade na distribuição de terra, sobretudo nas zonas de expansão. Têm facilidade de aquisição de terra nestes moldes os que possuem cartão vermelho e/ou familiares de dirigentes graúdos. Esta forma de proceder joga muitos jovens na situação em que o representante do SED em Niassa advoga.
Todavia, insisto na lógica de que as pessoas não tiveram tempo suficiente para filtrar a mensagem do SED e que na minha pobre opinião, Silva Livone não precisava pedir desculpas aos jovens sequer ao povo, porque ele teve a coragem de dizer uma verdade que muitos não teriam a coragem de o dizer e muitos, porém, não estão preparados em ouvir.
Se pensarmos fora da caixa política, havemos de perceber que nas nossas comunidades, tradicionais, até 15 anos de idade os homens já começam a construir as suas primeiras casas no quintal dos pais, os designados gabes ou surgery house do português “casa de cirurgia” e mais tarde quando se casam lhes são atribuídos talhões para construir casas onde passarão a habitar com a família.
Neste contexto, tradicional, é também pobre, talvez inválido quiçá inútil quem até essa idade, se não for por outra ocupação, estudos na cidade […] não tiver adquirido talhão e construído uma casa
Não é à toa que professores, logo que começam a trabalhar correm para os bancos, com a mesma velocidade com que os europeus vieram à Africa. O professor está ciente de que talhão é prioridade. Repito, talhão é prioridade.
Portanto, se o governo tem como plano resolver a situação de habitação para jovens que a maioria vive nas casas dos pais e/ou de seus dependentes, o melhor a fazer é distribuir talhões a todos os jovens, sem qualquer tipo de discriminação. Todavia insisto na ideia de que Silva Livone não devia tampouco pedir desculpas a ninguém e digo mais: nós queremos jovens como estes que dão de frente.

Quelimane felicita Manhiça e Gorongosa pelos aniversários de elevação à categoria de Vila e propõe gemelagens

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O Presidente do Conselho Autárquico de Quelimane (CAQ), Manuel de Araújo, endereçou hoje mensagens de felicitação aos municípios de Manhiça, na província de Maputo, e Gorongosa, em Sofala, pelas celebrações dos seus 68.º e 62.º aniversários, respetivamente, da elevação à categoria de vila. Em ambas as mensagens, Araújo expressa solidariedade, reconhecimento e abertura para cooperação institucional com vista ao desenvolvimento sustentável.
Em relação à Vila da Manhiça, o edil de Quelimane transmitiu, em nome dos munícipes da capital zambeziana, da sua família e em nome pessoal, “as mais vivas felicitações” por mais um marco histórico, salientando o papel estratégico da vila na exploração sustentável dos recursos minerais e faunísticos. Destacou ainda a resiliência dos residentes face aos recentes episódios de violência pós-eleitoral.

No que toca à Vila de Gorongosa, que celebrou 62 anos da sua elevação, Araújo reiterou votos de progresso e paz para os habitantes daquele ponto do centro do país, incentivando-os a manterem-se firmes na missão de promover o desenvolvimento local com base numa gestão eficaz dos recursos naturais.

O Bicampeonato do Sporting também tem raízes moçambicanas

Ontem, o Sporting conquistou o seu bicampeonato português. Para muitos, uma notícia entre tantas no mundo do futebol. Para Moçambique, um motivo de orgulho e celebração que ultrapassa as fronteiras do desporto.

Geny Catamo, jovem talento da Beira, foi a figura que simbolizou este despertar do Sporting. Seus passos rápidos, sua determinação em campo não são apenas qualidades de um jogador; são o reflexo da força de um país que luta para se afirmar no mundo. Geny não joga só para si, joga para toda uma geração que vê nele a possibilidade de chegar mais longe.

Ao lado do talento de Geny, há a voz inconfundível de Plutónio, um dos grandes nomes da música Lusófona. Foi ele quem, com a sua canção “Acordar”, antecedeu o momento histórico, como uma premonição que uniu música e futebol numa celebração maior. A sua voz soou em Alvalade, juntando os dois mundos, Lisboa e Maputo, num abraço de cultura e talento.

Este bicampeonato do Sporting é também de Moçambique. É de todos que acompanham com emoção cada passe de Geny e cada verso de Plutónio. É o reflexo do que o país pode oferecer ao mundo, através de jovens que carregam em si as raízes profundas e a esperança de um futuro melhor.

O Sporting acordou. Moçambique também.

Geny Catamo põe Maputo em festa: Sporting sagra-se bicampeão com toque moçambicano

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O verde e branco do Sporting Clube de Portugal atravessou oceanos e instalou-se, por uma noite, nos restaurantes e esplanadas de Maputo. A razão? A consagração do bicampeonato português, selado neste sábado com um triunfo por 2-0 sobre o Vitória de Guimarães, em Alvalade. No epicentro da euforia, um nome era aclamado com força entre moçambicanos e portugueses: Geny Catamo.

A emoção tomou conta de antigos jogadores, adeptos e curiosos que, mesmo longe dos relvados lisboetas, não pouparam nas celebrações. Um dos rostos mais entusiasmados era o do antigo defesa esquerdo da selecção nacional, Paíto, que, entre cânticos e selfies, fez questão de homenagear o jovem extremo leonino: “Obrigado Geny, por representares os moçambicanos”, declarou à agência Lusa, visivelmente comovido.

O nome de Geny Catamo foi aplaudido de pé quando, já no final da partida, foi substituído sob aplausos do público presente em Alvalade e, simbolicamente, também nos cafés e restaurantes da baixa da capital moçambicana. Mais do que um jogador, Geny é hoje símbolo de um país que ainda luta por se afirmar nos grandes palcos do futebol global.

“Por mim ele ficava no Sporting até terminar a carreira. Fez uma época belíssima e merece este título. Trabalhou, lutou, superou. Está de parabéns”, continuava Paíto, hoje dirigente da Federação Moçambicana de Futebol, falando com conhecimento de causa sobre a trajetória do internacional moçambicano.

Entre mariscos e bifanas, cachecóis ao pescoço e camisolas a condizer, o título foi celebrado com um misto de emoção e nostalgia por adeptos portugueses a viver temporariamente em Moçambique. Mariana Pimenta, que trabalha em Maputo, falava com brilho nos olhos: “É o primeiro bicampeonato da minha vida. Muito especial. Só faltou um golo do Geny para ser perfeito”.

Ao seu lado, a amiga Maria Ornelas, habituada aos festejos no Marquês de Pombal, não escondeu o entusiasmo por viver esta conquista fora de Portugal: “É uma alegria estar aqui e sentir que há tantos sportinguistas em Maputo. Isso também é África”.

O orgulho nacionalista moçambicano, que muitas vezes se vê empurrado para as margens do protagonismo desportivo global, encontrou neste sábado um espaço para se manifestar com orgulho. Geny Catamo — um nome cada vez mais tatuado na pele do futebol português — é hoje mais do que um atleta, é um símbolo de resistência, talento e identidade. A festa continua, nos ecrãs, nos copos erguidos e nas conversas partilhadas. Com Geny, Moçambique também é campeão. Txopela com Lusa

Lambda assinala 35 anos do IDAHOBIT e denuncia 16 anos de espera pelo registo legal em Moçambique

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Passaram-se exactamente 35 anos desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da lista internacional de doenças. O gesto, ocorrido a 17 de Maio de 1990, marcou um ponto de viragem na luta global contra a discriminação baseada na orientação sexual e identidade de género, dando origem ao IDAHOBIT — o Dia Internacional contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia.

Em Moçambique, país que descriminalizou as relações entre pessoas do mesmo sexo em 2015, este dia foi assinalado com um comunicado contundente da organização Lambda, que há 16 anos luta, sem sucesso, pelo reconhecimento legal como associação.

“Lamentavelmente, a nossa associação tem o seu processo de registo pendente há cerca de 16 anos, o que mais uma vez mostra a discriminação no usufruto de um direito constitucional: o direito à livre associação”, lê-se no comunicado tornado público este 17 de Maio.
A Lambda alerta para um retrocesso global e também local  no que tange à promoção dos direitos das pessoas LGBTQIA+. Segundo a organização, o contexto actual caracteriza-se por um ambiente “tenebroso” e crescentemente hostil aos direitos humanos, alimentado por movimentos anti-direitos com influência estrutural nas políticas públicas e financiamento internacional.

“Nos últimos tempos vivemos momentos de muitas incertezas… com o crescimento acentuado de movimentos anti-direitos humanos e anti-direitos LGBTQIA+, com capacidade de influenciar leis e políticas discriminatórias em diferentes países”, denuncia a Lambda.
Apesar dos avanços legislativos e constitucionais — com a Constituição da República de Moçambique, no artigo 35, a estabelecer igualdade de direitos entre todos os cidadãos — a realidade no terreno permanece dissonante. A organização nota que a visibilidade e o crescimento do movimento LGBTQIA+ nos últimos anos não têm sido acompanhados por garantias reais de cidadania plena.

Um dos pontos críticos destacados no comunicado é a redução drástica de apoios a organizações da sociedade civil voltadas à promoção dos direitos LGBTQIA+. A Lambda aponta ainda para o enfraquecimento das alianças tradicionais no seio da sociedade civil moçambicana, um fenómeno que tem resultado no isolamento político e social da agenda LGBTQIA+, dificultando articulações interseccionais mais amplas.

“Preocupa-nos o enfraquecimento progressivo das alianças entre organizações da sociedade civil moçambicana… o que contribui para o isolamento da nossa agenda e dificulta o trabalho conjunto.”
A organização termina o comunicado agradecendo os parceiros que continuam comprometidos com a causa, mesmo diante de um cenário cada vez mais adverso, deixando implícita uma crítica ao Estado moçambicano, que continua a bloquear o registo legal da Lambda — uma mancha persistente num país que gosta de se apresentar como tolerante.