Foi formalizado este sábado, em Maputo, um acordo de cooperação e assistência técnica entre o BdM e o Banco Central de Timor-Leste. A cerimónia teve lugar à margem do simpósio internacional que assinala os 50 anos do banco central moçambicano e os 45 anos do Metical.
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O acordo, que resulta de entendimentos anteriores, nomeadamente durante a 2.ª Conferência dos Governadores dos Bancos Centrais dos Países Lusófonos em Macau (Setembro de 2024), visa aprofundar a cooperação bilateral através de formação profissional, assistência técnica, consultoria e intercâmbio de informação, abrangendo áreas sensíveis como a supervisão bancária e a regulamentação de fintechs.
“Criamos condições para uma supervisão mais eficaz, baseada em riscos emergentes e que inclua os serviços financeiros digitais”, afirmou Rogério Zandamela, Governador do BdM, num discurso marcado por um misto de diplomacia institucional e ambição técnica. Zandamela destacou que este acordo não é um gesto simbólico, mas sim “um compromisso concreto para enfrentar os desafios comuns das nossas economias”.
O Governador sublinhou ainda que a partilha de boas práticas em torno da supervisão conjunta de instituições financeiras e do mercado de capitais é hoje “mais do que necessária, é urgente”, face às exigências de um sistema financeiro global cada vez mais interligado, mas também mais exposto a riscos sistémicos e tecnológicos.
A cooperação não é nova, e já teve expressão em iniciativas anteriores, como o seminário de alto nível sobre fundos soberanos, organizado em Maputo em 2019. Agora, com o acordo formalizado, Zandamela aposta num horizonte mais estruturado e institucionalizado. “Acreditamos que esta parceria trará resultados concretos e benefícios mútuos”, referiu.
Do lado timorense, Hélder Lopes, Governador do Banco Central de Timor-Leste, reiterou a abertura do seu país para aprofundar a cooperação, sobretudo no campo da gestão do Fundo Soberano timorense – um dos mais relevantes no contexto lusófono – numa altura em que a diversificação da economia e a transparência institucional estão no centro das preocupações de Díli.
“Estamos abertos para cooperar com o Banco de Moçambique, não apenas na gestão do Fundo Soberano, mas em todas as matérias de interesse mútuo”, afirmou Lopes, numa intervenção breve, mas politicamente significativa.
A cerimónia contou com a presença de representantes diplomáticos e técnicos de ambas as instituições, incluindo o Embaixador timorense em Maputo, Miguel Lopes de Sousa Sequeira, e altos quadros do BdM, como Luísa Navele, Emília Matsinhe, Zacarias Maculuve e Pinho Ribeiro.
A assinatura deste acordo ocorre num contexto regional marcado por fragilidades macroeconómicas, tensões geopolíticas e crescentes exigências regulatórias. A articulação entre bancos centrais, com especial enfoque nos países da CPLP, surge assim como uma das respostas possíveis para garantir maior resiliência e autonomia estratégica dos sistemas financeiros nacionais.
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