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Quelimane: Mercado de Inhangome iluminado com energia solar

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A zona do mercado de Inhangome, em Quelimane, ganhou ontem (27 de julho) um novo rosto com a instalação de iluminação pública alimentada por energia solar. A acção, liderada pela Associação ASSOACO no âmbito do projecto IRENE, contou com financiamento do Conselho Autárquico de Quelimane e o apoio da fundação norte-americana Bloomberg Philanthropies.

Num bairro marcado pela precariedade e pela insegurança noturna, a chegada da luz representa mais do que comodidade: significa dignidade e resgate do espaço público. Vendedores e moradores locais celebraram a mudança como uma vitória, apontando a melhoria das condições de trabalho, maior segurança e a possibilidade de estender as actividades comerciais para além do pôr do sol.

“Agora já podemos trabalhar sem medo”, comentou um dos comerciantes, visivelmente emocionado com a transformação.

A instalação do sistema solar é também vista como um passo estratégico na transição para fontes de energia limpa, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e os custos operacionais do município. Para o edil de Quelimane, Manuel de Araújo, “este é apenas o começo de um esforço contínuo para iluminar toda a cidade com soluções sustentáveis”.

Com este gesto simbólico mas concreto, Quelimane reafirma-se como uma referência nacional na aposta por energias renováveis e governação centrada nas necessidades reais das comunidades.

Tensões geopolíticas aumentam à medida que EUA propõem sanções a líderes do ANC

As relações entre os Estados Unidos da América e a África do Sul enfrentam uma nova fase de tensão, após a aprovação, por parte de legisladores norte-americanos, de um projeto de lei que visa rever os laços bilaterais com Pretória e aplicar sanções a figuras ligadas ao partido no poder, o Congresso Nacional Africano (ANC).

O projeto alega que a África do Sul tem adotado uma política externa que desafia os interesses estratégicos de Washington, ao manter uma aproximação crescente com a Rússia e a China, bem como ao manifestar apoio ao Hamas — grupo considerado terrorista pelos EUA e atualmente em conflito com Israel na Faixa de Gaza.

Embora os nomes dos líderes visados pelas possíveis sanções não tenham sido divulgados, o projeto sugere que as medidas seriam aplicadas a indivíduos suspeitos de envolvimento em corrupção ou violações dos direitos humanos. A retórica de Donald Trump também ecoa na iniciativa, alimentando críticas e divisões internas e externas.

O ANC reagiu de forma contundente. A porta-voz do partido, Mahlengi Bengu-Motsiri, classificou a iniciativa como uma ofensiva política orquestrada por grupos de extrema direita, tanto nos EUA quanto dentro da África do Sul. Segundo ela, o verdadeiro objetivo das sanções seria punir a África do Sul pelas suas posições independentes na arena internacional.

“O que está em curso é uma tentativa de intimidar e isolar a África do Sul por sua postura firme em questões como a crise humanitária na Palestina, a defesa do multilateralismo e o papel do país nos BRICS. Continuaremos a mobilizar a comunidade internacional, tal como fizemos contra o apartheid, para expor essas manobras unilaterais e ideologicamente motivadas”, afirmou Bengu-Motsiri.

Enquanto isso, o grupo de lobby AfriForum — frequentemente crítico do ANC e defensor dos interesses da minoria africâner — afirmou não apoiar sanções contra o país, mas declarou publicamente seu apoio à imposição de restrições direcionadas a líderes políticos. O grupo já foi acusado anteriormente de influenciar decisões do governo norte-americano, incluindo ameaças de cortes de ajuda e tarifas comerciais durante a administração Trump.

Este novo capítulo evidencia o crescente atrito entre um bloco emergente de países do Sul Global, que busca maior autonomia política, e as potências ocidentais que veem essas movimentações como ameaças à sua influência global. A resposta da África do Sul poderá definir o tom das relações exteriores do país nos próximos anos.

Literatura como ponte cultural: Ilha de Moçambique acolhe lançamento de obras que celebram a identidade e a imaginação local

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A literatura moçambicana ganha novos contornos na Ilha de Moçambique com o lançamento de duas obras que dialogam com o imaginário coletivo e as emoções universais. Promovido pelo Clube de Leitura Olhar Literário, com o apoio da Mediateca do BCI e do Museu da Ilha de Moçambique, o evento reafirma o papel do livro como instrumento de memória, diálogo e transformação social.

Amanhã, a Mediateca do BCI abre as portas para a estreia de Naufrágio do Sorriso, do autor Arnaldo Sondiua. A obra propõe uma viagem interior marcada por inquietações existenciais e lampejos de esperança — uma escrita que convoca o leitor a sentir e refletir.

No dia 31 de julho, será a vez do público infantojuvenil mergulhar em O Gulamo e a Tartaruga Zena, de Benjamim Luís, que será lançado no Museu da Ilha de Moçambique. Inspirado nas tradições orais locais, o livro resgata símbolos e personagens da sabedoria popular para construir uma narrativa que educa e encanta.

Mais do que simples lançamentos, os encontros com os autores reafirmam o valor da leitura como prática coletiva e da literatura como guardiã da identidade moçambicana. São momentos de escuta, de partilha e de resistência cultural, abertos a todos os interessados.

A entrada é gratuita, e toda a comunidade está convidada a participar.

A democracia no banco dos réus: O caso Venâncio Mondlane e a crise de justiça em Moçambique

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O processo judicial movido contra Venâncio Mondlane, membro do Conselho de Estado, ultrapassa os limites de uma simples acusação. Trata-se de um episódio que nos obriga a questionar o grau de independência da justiça moçambicana e a vitalidade da nossa democracia.

A Constituição da República (Artigo 225) e a Lei nº 5/2005 (Lei Orgânica do Conselho de Estado) são claras:

  • Nenhum membro do Conselho pode ser detido ou julgado sem autorização do próprio órgão, salvo em caso de flagrante delito por crime doloso punível com pena superior a dois anos;
  • E o Tribunal Supremo é o único com competência legal para julgar estes casos.

Por isso, o que está em análise não é apenas a legalidade dos actos da Procuradoria-Geral da República, mas o próprio compromisso das instituições com o Estado de Direito.

Quando a justiça se politiza…

Estamos diante de um cenário cada vez mais preocupante: a judicialização da política e a politização da justiça. Quando os tribunais se transformam em ferramentas de combate político, toda a sociedade perde.

“Quando a justiça se politiza, a política é judicializada — e a democracia senta-se no banco dos réus.”

A pergunta que ecoa é:

  • Será que o Tribunal Supremo actuará com a isenção e imparcialidade que a Constituição exige, ou cederá às pressões de um sistema que se recusa a democracia?

A repetição do ciclo de 2024, marcado por alegações de fraude eleitoral, repressão e silêncio institucional, seria um golpe profundo para a já fragilizada democracia moçambicana.

…A Política enfraquece a democracia

Não se trata apenas de Mondlane. Trata-se de todos os moçambicanos que acreditam na justiça, na cidadania e na alternância democrática. O precedente que este caso criar poderá definir como serão tratados os críticos do poder no futuro.

E, mais uma vez, a comunidade internacional será chamada à responsabilidade. O silêncio de 2024 gerou consequências humanas e institucionais graves. A omissão não pode repetir-se.

Caminhos ainda existem

Se as instituições nacionais falharem, ainda restam mecanismos legais nacionais e internacionais que podem ser mobilizados:

  • Provedor de Justiça – [email protected];
  • Ordem dos Advogados de Moçambique;
  • CIP;
  • CDD;
  • Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos: www.achpr.org
  • Relatores Especiais da ONU sobre Justiça e Liberdade de Expressão – 🌐 www.ohchr.org

A hora de agir

A sociedade civil, os advogados, os jornalistas, os estudantes, os líderes comunitários e todos os cidadãos devem erguer a voz.
A democracia está em risco, e desta vez quem está a ser julgado não é apenas um homem — é a própria promessa de justiça e liberdade para todos.

O silêncio de hoje pode custar a liberdade de amanhã.

 

Manifestações agravam crise económica e expõem fragilidade do Estado — OMR

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As manifestações pós-eleitorais que eclodiram em Moçambique a partir de 31 de Outubro de 2024 deixaram um rasto de destruição humana e material, aprofundando uma crise económica já instalada. Segundo uma análise do Observatório do Meio Rural (OMR), o país entrou nos protestos mergulhado em múltiplas crises estruturais, que vão desde o sobreendividamento público à recessão, desemprego e inflação elevada.

O estudo, publicado esta semana no Destaque Rural nº 339, revela que os protestos — convocados pelo ex-candidato Venâncio Mondlane sob o lema da “reposição da verdade eleitoral” — resultaram em 315 mortes e mais de 3 mil feridos, incluindo 22 agentes das Forças de Defesa e Segurança, além da destruição de 1.677 estabelecimentos comerciais e 226 infra-estruturas públicas.

No plano económico, os impactos foram imediatos: o Produto Interno Bruto registou uma contracção de 4,9% no último trimestre de 2024, a inflação alimentar subiu para 7,8% e mais de 50 mil postos de trabalho foram afectados, com prejuízos estimados em cerca de 32,2 mil milhões de meticais (504 milhões de dólares), de acordo com a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).

O estudo do OMR critica a resposta do governo, classificada como limitada, simbólica e de baixo impacto, consistindo na eliminação de alguns cargos governamentais, isenção do IVA para produtos básicos, criação de um fundo de apoio empresarial e medidas pontuais no sector dos transportes. Segundo o relatório, estas acções “não visam aumentar o poder de compra nem respondem de forma estruturante às causas da crise”.

A análise alerta que a continuação do ciclo de repressão, instabilidade política e ausência de reformas estruturais poderá agravar a fragilidade do Estado e a desconfiança dos investidores. O relatório conclui que “não existem milagres económicos” e que a recuperação requer medidas de médio e longo prazo, baseadas em diálogo efectivo e políticas públicas inclusivas.

Quelimane já tem bispo: Dom Osório Citora assume pastoreio diocesano

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Dom Osório Citora nomeado Bispo de Quelimane

A Diocese de Quelimane tem novo pastor. O Papa Leão XIV nomeou, esta quinta-feira (25), Dom Osório Citora Afonso, I.M.C., como novo Bispo Diocesano de Quelimane, cargo que se encontrava vago. A nomeação marca uma nova etapa na liderança católica da província da Zambézia, região onde a Igreja desempenha um papel central não apenas na vida espiritual, mas também social e comunitária.

Natural de Ribaue, província de Nampula, onde nasceu a 6 de Maio de 1972, Dom Osório Citora traz consigo um percurso académico e pastoral robusto. Estudou Filosofia no Seminário Santo Agostinho da Matola e Teologia no Institut Théologique S. Eugene, em Kinshasa, República Democrática do Congo. Licenciou-se em Sagrada Escritura no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e completou estudos em línguas bíblicas na Hebrew University e na École Biblique et Archéologique de Jerusalém .

A sua trajetória religiosa iniciou-se com a profissão religiosa em 1997, tendo feito a profissão perpétua em 2001. Foi ordenado sacerdote em 3 de Novembro de 2002. Em Setembro de 2023 foi nomeado Bispo Auxiliar de Maputo e, em Janeiro de 2024, recebeu a ordenação episcopal por imposição de mãos do Cardeal Luís António Tagle. Já em Novembro de 2024, foi eleito Secretário-Geral da Conferência Episcopal de Moçambique .

Ao longo dos anos, desempenhou várias funções pastorais e administrativas, com destaque para o trabalho missionário em Kinshasa, onde foi vice-pároco, formador e tesoureiro do Seminário Teológico local, bem como colaborador da Nunciatura Apostólica. Em Roma, integrou o Conselho da Casa Geral dos Missionários da Consolata e prestou serviço no Dicastério para a Evangelização da Santa Sé. Também serviu na Itália, como Superior do Centro Missionário de Vittorio Veneto e Conselheiro Regional dos Missionários da Consolata.

A comunidade católica de Quelimane acolheu com entusiasmo a nomeação de Dom Osório, cuja chegada alimenta expectativas de revitalização das acções pastorais e sociais da Igreja, especialmente nas áreas da juventude, saúde, educação e diálogo com as comunidades.

A data da tomada de posse será anunciada brevemente. Com esta nomeação, Dom Osório Citora torna-se o rosto de uma nova etapa na Diocese de Quelimane, num tempo em que a Igreja é chamada a exercer um papel activo no reforço da coesão social e na promoção da dignidade humana.

Jovens da Zambézia escrevem contributo local para Conferência Nacional do Clima

A província da Zambézia foi palco, esta quinta-feira, do Seminário de Preparativos para a 3ª Conferência Local de Crianças e Jovens sobre as Mudanças Climáticas em Moçambique (LCOY-Moçambique), reunindo dezenas de jovens líderes, ativistas ambientais e representantes de organizações nacionais e internacionais empenhados na luta contra a crise climática.

O evento, que decorreu num ambiente marcado por diálogo intergeracional, troca de experiências e fortalecimento de redes de ação climática, teve como foco principal a mobilização de crianças e jovens para um papel mais ativo na defesa do meio ambiente e na adaptação às consequências das mudanças climáticas, que têm afetado com particular intensidade a região centro do país.

Entre os momentos de maior destaque do seminário esteve a intervenção de Álvaro Mendes, coordenador do movimento Safeguard the Planet, que abordou com profundidade os desafios enfrentados pelas comunidades locais e apresentou iniciativas concretas de conservação ambiental. “A juventude precisa estar no centro das decisões climáticas. Não podemos esperar por amanhã para agir. O futuro começa agora”, afirmou Mendes, apelando a uma maior articulação entre juventude, governo e sociedade civil.

Durante a sua apresentação, Mendes compartilhou experiências de projetos sustentáveis desenvolvidos na região e realçou a urgência da implementação de políticas públicas inclusivas e eficazes, especialmente após os recentes eventos climáticos extremos que afetaram comunidades na Zambézia, incluindo cheias e secas prolongadas.

A conferência contou também com a presença de representantes da UNICEF-Zambézia, que reforçaram o apelo à participação ativa dos jovens nos debates climáticos. O representante da organização sublinhou que “o engajamento juvenil é essencial para garantir soluções duradouras. É preciso ouvir as vozes das crianças e jovens, pois elas vivem diretamente os impactos da crise climática”.

O seminário culminou com a elaboração da Declaração de LCOY-Zambézia, um documento estratégico que reúne as principais preocupações, propostas e compromissos assumidos pelos participantes. Esta declaração será apresentada oficialmente durante a 1ª Conferência Nacional de Jovens sobre o Clima, agendada para os próximos meses em Maputo.

A LCOY-Moçambique é parte do processo global de Conferências Locais da Juventude sobre o Clima, reconhecido pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), e serve como uma importante ponte entre a juventude e os processos de negociação climática internacional, como a Conferência das Partes (COP).

Com o sucesso deste seminário preparatório, a Zambézia reafirma o seu papel como um dos epicentros da mobilização juvenil em Moçambique, dando um passo significativo rumo à construção de um futuro mais sustentável e resiliente para as próximas gerações.

Quando a Justiça entra em rota com a Política: o caso Venâncio Mondlane e os riscos para Moçambique

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O recente processo judicial movido contra Venâncio António Bila Mondlane, destacado político da oposição, está a gerar ondas de choque no panorama político moçambicano. Com mais de dez crimes imputados, incluindo instigação ao terrorismo, incitamento à desobediência colectiva e apologia pública ao crime, a acusação levanta questões profundas não apenas sobre o comportamento do arguido, mas sobretudo sobre o estado da democracia, da liberdade de expressão e da justiça no país.

Para muitos observadores nacionais e internacionais, estamos diante de um processo de criminalização da oposição política, prática comum em regimes autoritários. Ao invés de dialogar, o Estado prefere usar a força da lei para silenciar.

Os Riscos para o Governo de Chapo

O Presidente Daniel Chapo, recém-empossado, tem a oportunidade histórica de romper com práticas do passado e inaugurar um ciclo de diálogo, inclusão e estabilidade democrática. Contudo, a forma como este caso está a ser conduzido pode rapidamente minar a sua legitimidade interna e externa:

  1. Perda de confiança nacional e internacional: Organizações de direitos humanos e parceiros de cooperação podem rever os seus compromissos com Moçambique, caso se confirme que a justiça está a ser instrumentalizada contra adversários políticos.
  2. Radicalização política e social: O silenciamento de vozes críticas empurra jovens e activistas para o desespero, alimentando a radicalização e instabilidade social.
  3. Deterioração da imagem do Estado de Direito: Se a justiça deixa de ser imparcial e se transforma numa arma política, perde-se a confiança nas instituições — algo que nenhuma democracia sobrevive.

Liberdade e Responsabilidade

É verdade que todos os cidadãos, incluindo políticos, devem agir com responsabilidade, respeitando os limites da lei. Se alguém incita à violência, deve ser responsabilizado. Contudo, o direito à liberdade de expressão e de manifestação é sagrado, especialmente quando se trata de líderes da oposição.

O discurso político pode ser inflamado, provocador, simbólico — faz parte do jogo democrático. Transformar esse discurso em crimes de terrorismo sem provas sólidas e inequívocas abre um precedente extremamente perigoso: qualquer crítica pode ser criminalizada?

A criminalização de discursos políticos — ainda que radicais — deve ser cuidadosamente analisada para não comprometer princípios fundamentais como a liberdade de expressão, manifestação e oposição política democrática.

 

O Povo é o Termómetro

O povo não é cego. Está atento. Nas redes sociais, nas ruas e nas praças digitais, no chapa, nas praias, muitos já identificaram este processo como um ensaio de autoritarismo camuflado. Perante os desafios económicos, o desemprego, o alto custo de vida e os conflitos armados em Cabo Delgado, o que menos o país precisa agora é de mais divisões políticas e perseguições judiciais.

Em Conclusão

Este processo contra Venâncio Mondlane deve ser acompanhado com olhos críticos e exigência de imparcialidade. Se a justiça falhar, falha a democracia. E quando a democracia falha, todos nós pagamos — governo, oposição e povo.

O Presidente Chapo tem a chave para mudar o rumo. Pode escolher o caminho da reconciliação e do diálogo ou da repressão e do medo. A história não perdoa os que optam pela segunda via.

 

Twenty Fingers conquista dois prémios nos MyMuze Awards e leva para casa 175 mil meticais

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O músico moçambicano Twenty Fingers, natural da cidade da Beira, foi um dos grandes vencedores da mais recente edição dos MyMuze Awards, iniciativa promovida pela plataforma digital da Vodacom Moçambique que visa reconhecer e valorizar o talento nacional no setor da música.

O artista venceu em duas categorias de destaque: Melhor Artista Masculino, com 60,15% dos votos, e Música Viral, com o tema “Rivais”. Com estas conquistas, Twenty Fingers leva para casa 175 mil meticais em prémio monetário, além dos troféus correspondentes às distinções.

O anúncio foi feito pelo próprio músico nas redes sociais, onde agradeceu o apoio do público:
“Com o vosso apoio, levámos dois grandes prémios no MyMuze Awards. Estas conquistas são vossas. Cada voto, cada partilha, cada stream fez a diferença. Obrigado por estarem sempre presentes, com força e lealdade”, escreveu.

Com uma carreira em ascensão, Twenty Fingers tem-se destacado pela autenticidade das suas composições, com letras que abordam temas sociais e urbanos da realidade moçambicana. A música “Rivais” tornou-se viral nas plataformas digitais, conquistando milhares de ouvintes e reforçando o seu impacto no panorama musical do país.

Os MyMuze Awards são atribuídos com base em votações do público, promovendo maior interação entre os artistas e os seus fãs. Além da visibilidade, os vencedores recebem prémios monetários como forma de incentivo à produção artística nacional.

Com estas distinções, Twenty Fingers consolida a sua posição como uma das vozes mais relevantes da nova geração musical em Moçambique.

Assembleia Provincial da Zambézia em formação intensiva sob olhar da sociedade civil

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Os membros da recém-empossada Assembleia Provincial da Zambézia participaram, entre os dias 17 e 19 de Julho, numa sessão de indução política e funcional, realizada em Quelimane, numa iniciativa promovida pela Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), em coordenação com o IFAPA e parceiros internacionais como o UNICEF e a World Vision.

O evento, que reuniu os eleitos para o mandato 2025–2029, surge num momento em que se intensificam os debates sobre a eficácia das estruturas descentralizadas no país e sobre o seu real impacto na melhoria das condições de vida das populações.

Durante três dias, os deputados provinciais foram expostos a sessões temáticas sobre planificação orçamental, fiscalização da acção governativa, mecanismos de participação cidadã e combate à corrupção — temas que se têm mostrado particularmente sensíveis na província da Zambézia, onde persistem denúncias recorrentes sobre má gestão e exclusão social.

O Governador da Província, Pio Matos, marcou presença na abertura da formação, onde aproveitou para empurrar a Assembleia para a “priorização de grupos vulneráveis”, com destaque para a luta contra a desnutrição infantil. “O que muda o comportamento é o conhecimento”, afirmou, numa intervenção que apelou mais à pedagogia do que à governação de resultados.

O recém-eleito Presidente da Assembleia, Hilário Costa, procurou capitalizar a ocasião para reforçar a imagem de um órgão virado para a “defesa dos interesses da população e promoção da transparência”. Contudo, persistem dúvidas quanto à real capacidade fiscalizadora da Assembleia e à independência dos seus membros face ao aparelho executivo provincial.

A FDC conduziu sessões sobre participação inclusiva e apresentou um aplicativo digital de monitoria da governação, ferramenta que levanta questões sobre o alcance prático da tecnologia num contexto de profundas assimetrias de acesso à informação e frágil cultura de prestação de contas.

Num gesto simbólico e em tom quase ritualístico, adolescentes e jovens subiram ao palco no encerramento da formação, com performances de música e poesia, exigindo da nova Assembleia uma postura mais próxima dos seus reais anseios e direitos. O gesto, ainda que carregado de significado, arrisca-se a cair no vazio caso as intenções ali expressas não encontrem ressonância nas decisões e práticas concretas dos deputados provinciais.

Os certificados foram entregues, os compromissos reiterados. Resta agora aferir se a retórica da inclusão, a evocação dos direitos da criança e os apelos à boa governação se traduzirão, ou não, numa alteração concreta das dinâmicas de poder e decisão na Zambézia — onde, como noutras províncias, o fosso entre os discursos e a realidade continua a desafiar os que ainda acreditam numa governação centrada no bem comum.