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PRM detém suspeito envolvido em rede de fraude bancária na Zambézia

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As autoridades policiais da província da Zambézia detiveram, em flagrante delito, um cidadão de 35 anos suspeito de integrar uma rede criminosa dedicada à prática de fraudes bancárias. A detenção ocorreu no município de Quelimane e foi anunciada esta segunda-feira pela porta-voz do Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), Belarmina Henriques.

Segundo a PRM, o indivíduo foi surpreendido no momento em que tentava aplicar mais um esquema fraudulento, tendo na sua posse 19 cartões bancários pertencentes a diferentes titulares. A polícia acredita que o suspeito seja parte de um grupo com atuação coordenada e especializada neste tipo de crime económico. “O trabalho da polícia permitiu neutralizar o cidadão em plena ação criminosa. Foram apreendidos vários cartões bancários que indicam um padrão de atuação recorrente e organizado”, afirmou Belarmina Henriques.

Durante as diligências, uma das vítimas relatou ter notado a substituição do seu cartão e prontamente solicitado o bloqueio junto da instituição bancária. No entanto, já haviam sido levantados 12 mil meticais de sua conta.

O detido assumiu a autoria do crime, alegando tratar-se de sua primeira tentativa, inspirada por conhecidos que o instruíram na técnica de burla. A Polícia está a aprofundar as investigações no sentido de identificar e responsabilizar outros possíveis membros da rede.

As autoridades reiteram o compromisso de intensificar o combate ao crime económico, sobretudo fraudes financeiras que colocam em risco a segurança do sistema bancário e o património dos cidadãos.

Mais de 150 mil casas destruídas: Zambézia exige respostas estruturadas às mudanças climáticas

A província da Zambézia tem sido gravemente afetada pelos impactos das mudanças climáticas, com consequências significativas para a vida das populações locais. De acordo com dados divulgados esta segunda-feira (28), durante um seminário realizado na cidade de Quelimane, mais de 181 mil famílias foram afetadas por diversos eventos climáticos nos últimos anos. As estatísticas revelam ainda a destruição de 157.526 habitações, a danificação de 810 estabelecimentos de ensino e 88 unidades sanitárias.

A informação foi apresentada por Victória Carlos, diretora do Gabinete do Secretário de Estado na província, durante o Seminário de Consulta para a Elaboração da Estratégia Nacional de Financiamento Climático (ENFC). Na sua intervenção, a dirigente destacou a necessidade de intensificar os esforços financeiros do Governo e dos parceiros de cooperação para a reconstrução das infraestruturas afetadas. “A reposição dos danos causados por estes desastres requer um esforço financeiro redobrado por parte do Governo e dos parceiros de cooperação. Este seminário constitui um passo fundamental para definir mecanismos mais claros e eficazes que permitam maximizar as oportunidades de financiamento climático”, afirmou.

Durante o evento, o diretor nacional do Gabinete de Financiamento Climático, Albano Manjate, sublinhou a importância de uma atuação articulada entre os diversos atores nacionais no combate às mudanças climáticas.

“Com esta estratégia, pretendemos clarificar os papéis de cada interveniente, tanto na mitigação dos impactos climáticos, como na gestão transparente dos recursos que vierem a ser mobilizados”, destacou Manjate.

O seminário realiza-se num contexto em que a província da Zambézia continua a ser uma das mais vulneráveis do país, enfrentando fenómenos extremos como inundações, ciclones, erosão costeira e crescente insegurança alimentar, fatores que agravam a já frágil situação socioeconómica de milhares de famílias.

Manifestações mais destrutivas que a guerra dos 16 anos? A retórica exagerada do Presidente

Por: Luís de Figueiredo

Na sua mais recente visita à província da Zambézia, o Presidente da República, Daniel Chapo, teceu declarações controversas ao afirmar que as manifestações violentas pós-eleitorais causaram mais estragos que a guerra dos dezasseis anos. Tal comparação, para além de despropositada, revela uma perigosa tentativa de reescrever a memória coletiva de um dos períodos mais trágicos da história moçambicana.

Comparar manifestações populares – por mais violentas que possam ter sido – com uma guerra civil que durou 16 anos, matou centenas de milhares de moçambicanos, forçou milhões ao deslocamento e deixou um país em escombros, é não só uma banalização do sofrimento vivido durante esse conflito, como uma instrumentalização política da dor nacional. É importante reconhecer que a violência, em qualquer forma, deve ser condenada. No entanto, colocá-la no mesmo patamar, ou até acima, de uma guerra devastadora é falacioso e irresponsável.

As declarações do Presidente ignoram a complexidade histórica e social da guerra civil moçambicana. A destruição não se mede apenas por edifícios demolidos ou vilas abandonadas. A guerra dos dezasseis anos dilacerou comunidades inteiras, dividiu o país e deixou feridas profundas ainda hoje visíveis na estrutura social e económica de Moçambique. Reduzir esse período a uma mera comparação de danos materiais é uma forma de minimizar seu impacto e reescrever a história à luz de interesses políticos imediatos.

Por outro lado, ao equiparar manifestações populares a uma guerra, o Chefe de Estado corre o risco de criminalizar a contestação democrática. As manifestações, mesmo quando degeneram em violência – algo que deve ser investigado e punido com base na lei – são, em essência, uma expressão política. Equipará-las a atos de guerra é colocar a cidadania ativa no campo do inimigo, é reforçar uma narrativa autoritária em que qualquer voz dissonante é vista como uma ameaça à ordem nacional.

Se a preocupação do Presidente é com a destruição das vilas na Zambézia, o caminho mais sensato seria o de buscar as causas profundas da instabilidade pós-eleitoral – como a falta de confiança nas instituições, denúncias de fraude, e o sentimento de exclusão política – ao invés de adotar discursos inflamados que demonizam o protesto. É preciso fazer justiça sem recorrer à hipérbole e ao revisionismo histórico.

Por fim, ao apelar à solidariedade da sociedade moçambicana com os afetados pelas manifestações, o Presidente assume um tom que seria mais convincente se não estivesse contaminado por uma retórica que confunde destruição com dissidência e guerra com protesto. A solidariedade nasce da empatia, não do medo.

É tempo de tratar os desafios pós-eleitorais com responsabilidade, diálogo e verdade histórica. Porque nenhuma manifestação, por mais caótica que seja, deve ser equiparada à tragédia de uma guerra civil. Fazer essa equivalência é um insulto à memória de quem viveu e morreu por um Moçambique em paz.

Limpeza bimestral melhora condições no Centro de Saúde de Namuinho

Decorreu na semana finda uma jornada de limpeza no Centro de Saúde de Namuinho, em Quelimane. A iniciativa contou com a participação ativa dos funcionários da unidade, membros do Comitê de Gestão de Saúde, estudantes estagiários e outros colaboradores.

A atividade abrangeu diversas áreas, incluindo os setores internos, o pátio e até as estradas de acesso ao centro de saúde. Esta ação está inserida no cumprimento do plano de atividades delineado pelo enfermeiro-chefe da unidade, Pedro Mazanga.

Em conversa com a nossa redação, Mazanga explicou que a limpeza do centro é realizada duas vezes por mês. “É importante mantermos a nossa infraestrutura limpa e saudável. O nosso centro está rodeado de mata, o que favorece a presença de mosquitos, cobras e outros animais. Por isso, temos que nos manter vigilantes e garantir um ambiente seguro para todos”, frisou.

Os estudantes estagiários também mostraram-se motivados com a ação, considerando-a parte essencial da sua formação. “Nem só com seringas vamos trabalhar, mas também com o ambiente. Esta experiência é mais um aprendizado para nós”, afirmou um dos participantes.

Além de melhorar as condições de trabalho para os profissionais de saúde, a iniciativa beneficia diretamente os utentes que recorrem aos serviços da unidade sanitária, promovendo um ambiente mais limpo e acolhedor.

A jornada de limpeza em Namuinho é um exemplo de envolvimento comunitário e de compromisso com a saúde pública, demonstrando que pequenos gestos podem gerar grandes impactos no bem-estar coletivo.

HCQ aperta o cerco contra práticas ilícitas

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O Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Central de Quelimane (HCQ) reuniu-se na sexta-feira, 25 de Julho, com funcionárias das áreas de urgência, maternidade e ginecologia, num encontro marcado por alertas contra práticas desviantes e apelos à humanização no atendimento às utentes.

O director do serviço, Dr. Equibal Muanarira, denunciou a persistência de cobranças ilícitas em procedimentos legalmente gratuitos, como o aborto seguro, e sublinhou que tais actos atentam contra a ética profissional e a imagem do hospital. “Essas práticas são ilegais e devem ser combatidas com firmeza. A nossa missão é salvar vidas, não comercializá-las”, afirmou.

Muanarira revelou ainda preocupações com o aumento de atestados médicos falsos, atrasos e ausências não justificadas entre as funcionárias no primeiro semestre do ano, referindo que o incumprimento das obrigações funcionais coloca em risco a qualidade dos cuidados prestados.

No encontro, foi também abordada a resistência de parte do pessoal à implementação do sistema informático para registo de dados, uma mudança que o director classificou como “irreversível e essencial para modernizar o serviço e garantir maior transparência”.

“O nosso sector lida diariamente com duas vidas — a da mãe e a do bebé. A humanização não é opcional, é imperativo ético e clínico”, enfatizou Muanarira, apelando à responsabilidade e à adesão plena às reformas em curso.

A reunião, que integra o ciclo regular de sessões internas do departamento, visa reforçar a disciplina, a qualidade da assistência e a ética no atendimento, num momento em que o HCQ procura consolidar-se como referência na prestação de cuidados materno-infantis na região centro do país.

Embaixada Francesa e Gapi preparam nova agenda de cooperação económica e social

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A Embaixada da França em Moçambique e a Gapi-SI (Sociedade de Investimentos) estão a preparar uma nova etapa de cooperação estratégica, com foco no desenvolvimento sustentável, inclusão social e reforço do sector privado. A parceria surge no seguimento de uma visita oficial realizada pelo embaixador francês, Yann Pradeau, e sua equipa técnica à sede da Gapi, com o objectivo de aprofundar o diálogo institucional e identificar áreas concretas de colaboração.

Durante o encontro de trabalho com a comissão executiva da Gapi, liderada por Adolfo Muholove, as duas partes revisitaram a longa relação de cooperação entre a Gapi e a Agence Française de Développement (AFD), recordando projectos emblemáticos implementados desde os anos 1990, incluindo o financiamento de cantinas rurais e iniciativas ligadas à comercialização agrícola e protecção ambiental.

No centro das discussões estiveram temas críticos como a mobilização de financiamento para pequenas e médias empresas (PMEs), segurança alimentar, energias renováveis, inovação digital, bem como medidas para fortalecer a resiliência às alterações climáticas. A Gapi apresentou a sua estratégia institucional 2026–2029, que prevê o reforço das parcerias internacionais e do financiamento de impacto com enfoque no emprego jovem e feminino, inclusão produtiva e transição energética.

“A colaboração com a França foi fundamental para posicionar a Gapi como instrumento de financiamento de segmentos de risco e de estímulo à economia rural. O momento actual exige que ampliemos essa parceria com novas iniciativas”, sublinhou Adolfo Muholove, destacando que a nova estratégia da instituição está alinhada com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e o novo pacto global para o desenvolvimento.

A delegação francesa e os directores da Gapi identificaram prioridades comuns em áreas sensíveis como o combate ao desemprego juvenil, igualdade de género, segurança alimentar e promoção do investimento privado. Ficou acordada a criação de um grupo técnico bilateral que se encarregará da concepção de projectos conjuntos de financiamento e assistência técnica, com vista a traduzir a convergência estratégica em acções concretas no terreno.

Esta reaproximação ocorre num contexto em que Moçambique procura diversificar as fontes de financiamento para o desenvolvimento e reforçar a capacidade das instituições nacionais de responder de forma integrada aos desafios económicos, sociais e ambientais que o país enfrenta.

Quelimane: Jovens formados para produzir biogás e promover a sustentabilidade

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Um grupo de 20 jovens da cidade de Quelimane participa, desde sexta-feira (25), numa acção formativa dedicada à produção de biogás, com enfoque na construção e manutenção de biodigestores — dispositivos que permitem transformar resíduos orgânicos em gás para uso doméstico, sobretudo na cozinha.

A iniciativa, promovida pela Associação para a Preservação Ecológica e da Biodiversidade (APEB), em coordenação com o Conselho Autárquico de Quelimane, enquadra-se no Fundo Juvenil para Iniciativas Climáticas e conta com o apoio da Bloomberg Philanthropies.

Com duração de duas semanas, a formação não se limita ao domínio técnico. Inclui também conteúdos sobre gestão de pequenos negócios, voluntariado e boas práticas ambientais, procurando dotar os participantes de ferramentas que lhes permitam não só aplicar os conhecimentos adquiridos, como também mobilizar outros jovens para práticas sustentáveis nos seus bairros.

Durante a abertura, o engenheiro Brito Lopes, responsável pela capacitação, destacou que a formação responde a um desafio ambiental urgente e reiterou a necessidade de alternativas viáveis ao uso de lenha e carvão vegetal. Referiu igualmente outras acções complementares em curso, como a produção de carvão ecológico e a aquacultura de espécies como camarão, tilápia e caranguejo, destinadas ao repovoamento de mangais.

“Esta formação pretende abrir novas oportunidades para os jovens, ao mesmo tempo que os transforma em agentes activos na mitigação dos impactos ambientais”, disse Brito Lopes, defendendo a aposta em soluções de baixo custo e alto impacto social.

A capacitação decorre num contexto em que Quelimane tem vindo a afirmar-se no cenário nacional pelas suas políticas de adaptação às mudanças climáticas, com foco no envolvimento comunitário e no estímulo ao empreendedorismo juvenil voltado para a economia verde.

Miss Escola usada como plataforma de mobilização social em Tete

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As participantes da IV edição do concurso Miss Escola, em Tete, foram exortadas este domingo (27) a assumirem papel activo na promoção da responsabilidade social nas suas comunidades. O apelo foi lançado por Joana Beta, directora provincial do Género, Criança e Acção Social, em representação de Célia Viola, esposa do governador de Tete, durante a abertura do evento, realizada no Pavilhão Polivalente Municipal.

Joana Beta sublinhou que o concurso, que decorre sob o lema da valorização da juventude, representa mais do que uma simples gala estética. “Miss Escola é um espaço para cultivar autoestima, estimular o talento e desenvolver a capacidade intelectual da rapariga moçambicana, numa lógica de reforço identitário e formação de lideranças femininas”, disse.

Com categorias como Miss Escola, Miss Simpatia, Miss Honra, Miss Tikts e Miss Influencer, a iniciativa — cuja final está agendada para Setembro — procura também projectar a juventude como agente de mudança social.

A dirigente destacou que “a beleza deve andar lado a lado com a consciência social”, defendendo que a preservação da cultura e a construção de um futuro digno exigem engajamento cívico das jovens, dentro e fora das escolas.

Para os organizadores, o concurso constitui uma plataforma de visibilidade para jovens talentos femininos e uma oportunidade de alavancar discursos sobre igualdade de género, liderança juvenil e participação activa na sociedade.

Eduardo Abdula intensifica laços com comunidade Muçulmana em Nampula

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Governador de Nampula Usa Concurso do Alcorão para Capitalizar Apoio da Comunidade Muçulmana

Numa demonstração pública de aproximação à comunidade islâmica, o governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, e sua esposa, Dra. Nazira Abdula, participaram este domingo (27) no Concurso de Memorização e Recitação do Sagrado Alcorão, 1ª Edição – Feminina, realizado no Pavilhão de Desportos do Ferroviário de Nampula.

Organizado pelo Conselho Islâmico de Moçambique, delegação de Nampula, o evento revestiu-se de grande simbolismo político e espiritual, ao colocar o poder governativo lado a lado com líderes religiosos, num momento de exaltação da fé e da mulher muçulmana.

Na ocasião, o governador Abdula, que também presidiu à cerimónia de entrega de prémios — entre eles, valores monetários, televisores plasma e computadores HP — destacou o “papel estruturante da mulher na preservação dos valores religiosos e culturais”, num discurso lido entre as récitas do Alcorão e os aplausos da plateia.

Ao público presente foram igualmente distribuídas senhas de sorteio, cujos vencedores levaram para casa motorizadas e congeladores, facto que imprimiu um tom festivo à gala corânica.

A presença do chefe do executivo provincial no concurso é vista como parte de uma estratégia de afirmação política junto da influente comunidade islâmica de Nampula, numa província onde a fé se entrelaça com as dinâmicas de poder e onde a visibilidade pública em eventos religiosos se traduz frequentemente em capital político.

Para analistas locais, a aposta do governador na promoção de iniciativas culturais e religiosas com grande adesão popular visa consolidar a sua imagem e influência, sobretudo num contexto em que a relação entre o Estado e os diversos segmentos sociais assume contornos cada vez mais estratégicos.

Beira: CMB reforça a defesa costeira da cidade com plantio de casuarinas

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O Conselho Municipal da Beira (CMB) plantou nesta sexta-feira, 26 de julho, novas casuarinas ao longo da orla marítima, numa iniciativa liderada pela Vereação da Agro-pecuária, Pesca e Meio Ambiente. A acção reafirma o compromisso do município com a protecção ambiental e a resiliência costeira.

As casuarinas, conhecidas pela sua resistência e função de barreira natural contra a erosão e ventos fortes, fazem parte da estratégia municipal de defesa da linha costeira, frequentemente ameaçada por inundações e ciclones.

Segundo fonte da edilidade, o plantio é parte de um plano mais amplo de recuperação ecológica e adaptação às mudanças climáticas, desafios com os quais a cidade da Beira convive de forma recorrente.

“O município está atento e continua a apostar em soluções naturais para proteger a cidade e melhorar a qualidade ambiental”, destacou o vereador do pelouro, sublinhando que esta acção terá continuidade noutras zonas vulneráveis.

Para os moradores da cidade, iniciativas como esta são mais um passo na construção de uma Beira mais verde e resistente.