Sintonize a Rádio Chuabo – 103.0 FM

Início Site Página 115

Agitação pós-eleitoral em Moçambique é estratégia global contra movimentos de libertação – Frelimo

LUSA

O presidente da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e Presidente moçambicano afirmou hoje que as manifestações pós-eleitorais integram uma “estratégia global” para “acabar” com os movimentos de libertação africanos, mas pediu uma “introspeção” ao partido.

“As últimas eleições de 09 de outubro (…) foram disputadas numa conjuntura marcada por fortes pressões endógenas e exógenas, visando a todo custo afastar a Frelimo do poder, no quadro de uma estratégia global de acabar com os partidos ou antigos movimentos de libertação nacional em toda a região da África austral”, afirmou Daniel Chapo na abertura da IV sessão ordinária do Comité Central da Frelimo, que vai decorrer durante três dias na Matola, arredores de Maputo.

“No entanto, insuflados pela palavra de ordem `a vitória prepara-se e a vitória organiza-se`, a Frelimo preparou-se e organizou-se para que a vitória em todas as fases do processo eleitoral fosse uma realidade (…). O alto nível de preparação e de organização da Frelimo permitiu ao seu candidato enfrentar e derrotar os candidatos, fazendo prevalecer a vontade genuína do cidadão eleitor expressa por meio de voto depositados na urna. Camaradas, esta é a verdadeira verdade eleitoral”, disse ainda, na mesma intervenção.

Daniel Chapo foi eleito em 09 de outubro quinto Presidente da República de Moçambique, num contexto de forte contestação e agitação social, em protestos convocados pelo então candidato presidencial Venâncio Mondlane — que não reconhece os resultados eleitorais -, durante os quais morreram mais de 360 pessoas, em cinco meses.

“As manifestações violentas, ilegais e criminosas levadas a cabo por um certo candidato derrotado, claramente identificado, devem ser matéria de análise franca e desapaixonada sobre as verdadeiras causas. Para que essa análise nos conduza a um caminho do restabelecimento da estabilidade política efetiva e duradoura, é fundamental reconhecer que, para além de fatores externos, precisamos fazer uma introspeção dentro do nosso partido para identificar e corrigir eventuais desvios e falhas”, pediu.

Insistindo que a “Frelimo e o seu candidato venceram” as eleições gerais de outubro de 2024, Chapo afirmou: “As manifestações violentas, ilegais e criminosas não têm respaldo nos resultados eleitorais, mas estão simplesmente numa agenda meticulosamente preparada para desestabilizar o país e, sobretudo, estrangular a nossa economia”.

Na mesma intervenção, o líder do partido e chefe de Estado reconheceu “apreço e reconhecimento” aos membros do Comité Central, aos militantes simpatizantes e à população pela determinação demonstrada no período pós-eleitoral “em defesa da vitória duramente conquistada”.

Na reunião do Comité Central, Chapo pediu uma “reflexão profunda sobre os desafios que se colocam à Frelimo na atualidade, sobretudo no domínio dos processos eleitorais”, dado que será analisado, entre outros pontos, o relatório do Gabinete Central de Preparação de Eleições.

Esta sessão decorre até sábado na Escola Central da Frelimo e vai analisar essencialmente assuntos de gestão interna, incluindo relatórios das estruturas do partido e a proposta do Plano de Atividades e Orçamento para 2025.

De acordo com informação da Frelimo, a reunião vai ainda analisar a proposta do Programa Quinquenal do Governo (2025-2029) e a proposta do Plano Económico e Social e do Orçamento do Estado para 2025, ambas já apresentadas à Assembleia da República.

Os 254 membros efetivos do Comité Central da Frelimo voltam a reunir-se depois de, em fevereiro, terem escolhido, sem surpresa, Daniel Chapo para presidente do partido e Chakil Aboobakar para secretário-geral, após votação no principal órgão entre congressos.

O Presidente moçambicano assumiu em 14 de fevereiro a liderança da Frelimo, tendo sido candidato único a suceder à liderança de dez anos, no país e no partido, de Filipe Nyusi.

Frelimo reúne-se na Matola sob um país em “ebulição”

0

A Comissão Política da Frelimo convocou a IV Sessão Ordinária do Comité Central, que decorre de 3 a 5 de Abril de 2025 na Escola Central do partido, na cidade da Matola, Província de Maputo. A reunião, que à superfície se apresenta como mais um exercício burocrático do partido no poder, ocorre num contexto de convulsão social e incertezas políticas sem precedentes na história recente do país.

Com professores e enfermeiros em greve, paralisando sectores vitais para o funcionamento do Estado, a crise atinge também a economia doméstica com a escalada do custo de vida. Nas principais cidades, a escassez de alimentos e combustíveis transforma o quotidiano do cidadão num verdadeiro campo de batalha pela sobrevivência. Tudo isto num momento em que a Assembleia da República, dominada pela própria Frelimo e pelos partidos da oposição, toma decisões desalinhadas das expectativas populares, agravando a crise de legitimidade das instituições.

A reunião do Comité Central, para além das formalidades, terá sobre a mesa temas que podem definir os próximos anos da governação do partido. Estão previstos debates sobre o Relatório da Comissão Política, o Relatório do Secretariado do Comité Central, o Relatório do Gabinete Central de Preparação de Eleições, bem como a análise do Plano de Actividades e Orçamento do Partido para 2025. Acresce ainda a revisão do Programa Quinquenal do Governo (2025-2029) e do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado para 2025.

Se para os militantes e dirigentes a reunião pode ser vista como uma oportunidade de reafirmação política, para o cidadão comum, que sente na pele a deterioração das condições de vida, a expectativa resume-se a uma única pergunta: sairá algo de concreto desta reunião para aliviar o sofrimento popular ou será apenas mais uma sessão de discursos e promessas vazias? A resposta, como sempre, será dada nas ruas.

Saneamento em Chimoio: Governo e BAD vão Investir 27 milhões de dólares

0

Foi apresentado, na quarta-feira, 2 de Abril, o Projecto de Saneamento Urbano Inclusivo da Cidade de Chimoio, uma iniciativa do Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, através da Administração de Infra-Estruturas de Água e Saneamento (AIAS). A intervenção, financiada pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e pelo Governo de Moçambique, está orçada em 27 milhões de dólares. Contudo, as obras só deverão arrancar no segundo semestre de 2026 e terão previsão de conclusão para 2028, deixando os munícipes com um horizonte distante para a resolução dos problemas críticos de saneamento.

Com uma população superior a 372 mil habitantes, Chimoio enfrenta desafios persistentes na gestão de resíduos e no acesso a condições sanitárias condignas. A promessa do governo é de que, com este projecto, cerca de 190 mil pessoas serão beneficiadas directamente, contribuindo para a redução de doenças de origem hídrica e para a melhoria da qualidade de vida da população. A iniciativa está enquadrada na Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE 2023-2042), que prevê a reabilitação e expansão de infra-estruturas essenciais para o bem-estar social.

Apesar do optimismo demonstrado pelas autoridades, a execução tardia do projecto preocupa devido às necessidades urgentes da população. De acordo com documento em posse do Jornal Txopela, os fundos do BAD serão distribuídos da seguinte forma: 25 milhões de dólares para a implementação do projecto e 2 milhões para estudos destinados à expansão do sistema de abastecimento de água.

A rede de esgoto de Chimoio actualmente opera de forma combinada com as águas pluviais, um modelo ineficaz e que expõe os munícipes a riscos ambientais e de saúde. Para corrigir esta situação, o projecto inclui a construção de uma Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) e uma rede de esgoto independente. Durante a cerimónia de lançamento, o Secretário Permanente do Ministério das Obras Públicas, Hélio Manuel Jeremias Banze, reconheceu os desafios que persistem no sector e reafirmou o compromisso do governo em melhorar a cobertura de saneamento urbano, actualmente situada em cerca de 54,6%.

Por sua vez, a representante do BAD, Patrícia Baptista, disse que o projecto está alinhado com a necessidade de reforçar a resiliência climática, integrando tecnologias que minimizem os impactos ambientais e promovam soluções sustentáveis para a gestão de águas residuais. Contudo, enquanto os estudos e os procedimentos básicos de financiamento seguem o seu percurso, os munícipes de Chimoio continuam a lidar com infra-estruturas precárias e um sistema de saneamento deficitário, com soluções estruturais ainda a pelo menos dois anos de distância.

Banco de Moçambique promove debate sobre política monetária na UCM em Tete

0

No quadro das celebrações dos 50 anos do Banco de Moçambique e dos 45 anos do Metical, a instituição promoveu, esta terça-feira (1), uma palestra sobre política monetária na Universidade Católica de Moçambique (UCM), em Tete. O evento serviu também para a divulgação do mais recente Relatório de Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflação (CEPI).

Na sessão de abertura, o Diretor do Gabinete de Comunicação e Imagem do Banco de Moçambique, Pinho Ribeiro, destacou a importância do CEPI como um instrumento fundamental para a tomada de decisões no sector financeiro e para o acompanhamento da evolução da economia nacional.

Análise Económica e Decisões de Política Monetária

A palestra teve como orador principal Carlos Baptista, Diretor do Departamento de Estudos Económicos, que explicou os principais fundamentos das decisões do Comité de Política Monetária (CPMO). Durante a sua intervenção, Baptista detalhou a metodologia utilizada na análise da conjuntura económica, as projeções de inflação e os principais riscos que influenciam as decisões do Banco de Moçambique.

O evento contou com a participação ativa de estudantes, professores e investigadores da UCM, que interagiram com os representantes do banco em debates sobre as dinâmicas da política monetária, os desafios macroeconómicos do país e o impacto da inflação na vida dos cidadãos.

Ao longo da sessão, os especialistas do Banco de Moçambique sublinharam a importância da disseminação do conhecimento económico e da aproximação entre a academia e as instituições financeiras, reforçando a necessidade de decisões económicas informadas e sustentáveis.

Presidente da República nomeia Elias Zimba como Embaixador itinerante para Hungria, Áustria e Polônia

0

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, procedeu à nomeação de Elias Jaime Zimba como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República de Moçambique junto da Hungria, Áustria e Polónia. A decisão foi formalizada através de Despachos Presidenciais separados, no uso das competências conferidas pela alínea c) do artigo 161 da Constituição da República.

Com uma carreira diplomática consolidada, Elias Zimba ascendeu à categoria de embaixador em 2015, desempenhando, desde então, funções de relevo no serviço externo moçambicano. Em 2023, foi nomeado Embaixador de Moçambique junto da República Federal da Alemanha, missão que continua a exercer até ao momento. Já em 2024, viu o seu mandato estendido à República Checa, função que acumula com a nova designação para os três países do centro da Europa.

Fontes ligadas à diplomacia moçambicana consideram que esta nomeação reforça a presença do país em mercados estratégicos, particularmente em contextos políticos e económicos desafiantes. Analistas sublinham que Zimba terá a missão de dinamizar as relações políticas e económicas entre Moçambique e os três países europeus, num período em que o Governo moçambicano procura diversificar as suas parcerias internacionais.

A residência do diplomata permanecerá ainda em Berlim, na Alemanha, facilitando, assim, a coordenação com as representações moçambicanas em toda a região.

A decisão insere-se na estratégia do executivo em fortalecer a presença diplomática moçambicana no exterior e promover a cooperação internacional em áreas como comércio, investimentos e desenvolvimento sustentável.

Africa50 discute investimentos em infra-estruturas com o Governo de Moçambique

0

O Presidente da República, Daniel Chapo, reuniu-se esta quarta-feira com Alain Ebobissé, Director-Executivo (CEO) da Africa50, para explorar oportunidades de investimento em infra-estruturas estratégicas para Moçambique. O encontro reafirmou o compromisso da instituição financeira em apoiar o desenvolvimento do país, priorizando os sectores de energia, transportes e comunicação digital.

“Foi uma honra ser recebido pelo Presidente Chapo. Represento a Africa50, um fundo de investimento detido por 32 países africanos, incluindo Moçambique, e pelo Banco Africano de Desenvolvimento, com a missão de financiar projectos estruturantes no continente”, declarou Alain Ebobissé após a reunião.

No encontro, o CEO da Africa50 destacou que a visão do Presidente Chapo passa pela transformação de Moçambique num centro energético de referência em África. Neste sentido, a organização manifestou total apoio e interesse na dinamização de projectos que consolidem o potencial energético nacional e garantam maior segurança no abastecimento.

Para além da energia, a reunião abordou investimentos na modernização de infra-estruturas de transportes, considerados essenciais para a integração económica e desenvolvimento regional. “Falámos sobre projectos fundamentais na área dos transportes, bem como iniciativas voltadas para a comunicação e a transformação digital. O Presidente está determinado em avançar rapidamente com essas iniciativas, e a nossa organização está pronta para apoiar”, frisou Ebobissé.

O CEO da Africa50 disse ainda as condições favoráveis para investimentos em Moçambique, reforçando a aposta da organização no país. “Estamos muito satisfeitos por contribuir para o crescimento deste grande país, sob a liderança do Presidente Chapo. Moçambique tem um enorme potencial e oferece um ambiente atractivo para o investimento”, afirmou.

Ebobissé sublinhou ainda a importância de garantir que os investimentos sejam sustentáveis e inclusivos. “Precisamos de assegurar que os projectos que apoiamos promovam um crescimento económico equilibrado, beneficiando directamente a população moçambicana e fortalecendo o desenvolvimento do continente”, acrescentou.

Banco de Moçambique promove literacia financeira na 13.ª semana internacional do dinheiro

0

O Banco de Moçambique assinalou a 13.ª edição da Semana Internacional do Dinheiro (Global Money Week – GMW) com uma série de atividades em diversas províncias do país, reforçando a importância da educação financeira, sobretudo entre os jovens.

Sob o lema “Pense antes de decidir, dinheiro amanhã só com sabedoria”, a iniciativa teve o seu ponto alto no dia 20 de Março, na cidade de Tete, onde decorreu a cerimónia central no campo do Centro de Recursos de Educação Inclusiva. O evento contou com a presença da Direção Provincial de Educação e reuniu cerca de 300 alunos e nove professores das escolas secundárias Francisco Manyanga, São Tiago Maior e Samora Machel de Moatize.

Durante a cerimónia, os participantes envolveram-se em debates, palestras, quizzes e encenações teatrais que abordaram a gestão responsável do dinheiro. A iniciativa teve também um lado competitivo, premiando os grupos vencedores com kits escolares contendo material didático diversificado.

Para reforçar a interação entre estudantes e o sector financeiro, realizou-se uma feira de promoção de produtos e serviços financeiros voltados para crianças e jovens, envolvendo instituições de crédito e operadoras de moeda eletrónica atuantes na cidade de Tete.

O Diretor da Filial de Tete, Bento Baloi, sublinhou na ocasião que a campanha tem como principal objetivo sensibilizar a juventude sobre a necessidade de gerir o dinheiro de forma consciente e informada. “Queremos garantir que os jovens compreendam a importância de decisões financeiras responsáveis, minimizando riscos e promovendo uma cultura de poupança e investimento inteligente”, afirmou Baloi.

Governo e Sasol reafirmam parceria para impulsionar energia em Moçambique

0

O Presidente da República, Daniel Chapo, reuniu-se esta quarta-feira com o CEO da multinacional sul-africana Sasol, Simon Baloy, para avaliar o progresso do Contrato de Partilha de Produção (PSA). O projecto, avaliado em um bilião de dólares norte-americanos, encontra-se na reta final de implementação e promete transformar o panorama energético nacional, afirmando Moçambique como um dos principais produtores de gás.

Durante o encontro, realizado na Presidência da República, o chefe de Estado sublinhou a importância estratégica do PSA para o fortalecimento da segurança energética e do crescimento económico do país.

Por sua vez, Simon Baloy jurou o compromisso de longo prazo da Sasol com Moçambique, reiterando que a multinacional continuará a expandir sua presença no país.

O PSA permitirá a produção de gás natural e gás de petróleo liquefeito (LPG), reduzindo grandemente as importações deste último e garantindo maior autonomia energética ao país. Segundo Baloy, a Central Térmica de Temane duplicará a actual capacidade de produção de electricidade a partir de gás moçambicano, atingindo cerca de 900 megawatts, um aumento substancial para atender à crescente demanda do sector industrial e doméstico.

A Sasol reconhece que o ambiente de negócios em Moçambique apresenta desafios, mas acredita que o esforço do governo em criar condições favoráveis para o investimento

O governo moçambicano tem colocado o sector energético no centro da sua estratégia de desenvolvimento, apostando em parcerias público-privadas para dinamizar a economia e atrair novos investimentos. A finalização do projecto PSA será um passo crucial para consolidar Moçambique como um centro energético na África Austral, contribuindo para a industrialização e para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.

Bancada do Podemos na AR promete vigiar implementacão do dialogo nacional inclusivo

0

O Chefe da Bancada Parlamentar do PODEMOS, na Assembleia da República, Sebastião Avelino Mussanhane, disse que o grupo que dirige apoia, com firmeza, a Proposta de Lei que aprova o Compromisso Político Para Um Diálogo Nacional Inclusivo e compromete-se a vigiar a sua implementação, uma vez que este não é apenas um acto legislativo, é um compromisso com o futuro, uma promessa solene de que os dias da exclusão, da violência institucional e da surdez política ficaram para trás.

“Uma promessa de que o futuro será construído com todos, por todos e para todos. É chegado o tempo de reconciliar a política com a ética, a governação com a escuta, e o poder com a humildade”, disse Mussanhane para quem este é o tempo de provar que a coragem não está em impor, mas em ceder para construir; que o verdadeiro patriotismo não se mede em discursos inflamados, mas na capacidade de encontrar pontes onde antes só havia abismos.

Para a Bancada Parlamentar do PODEMOS, a Proposta de Lei sobre o Compromisso Político Para Um Diálogo Nacional Inclusivo é um instrumento transformador que institucionaliza a escuta e consagra o diálogo como pilar do novo ciclo político moçambicano. “É um convite formal à inclusão de todos os actores, desde os partidos políticos às comunidades locais, da sociedade civil às instituições religiosas”, sublinhou Mussanhane.

“Esta proposta permite que o Estado se descentralize na escuta e centralize na resposta; os jovens sejam sujeitos políticos e não apenas instrumentos eleitorais; a inclusão se torne critério operacional da governação; os conflitos encontrem resolução através de mecanismos institucionais e não da violência”, explicou o Chefe da Bancada Parlamentar do PODEMOS, reafirmando que esta Proposta de Lei não é apenas urgente é indispensável.

Para Mussanhane este dispositivo representa uma oportunidade histórica dos moçambicanos reescreverem, em conjunto, o futuro de Moçambique com base no respeito mútuo, na escuta ativa e na construção de consensos. “Por isso, a Bancada Parlamentar do PODEMOS reafirma o seu apoio incondicional a este Compromisso Político Para Um Diálogo Nacional Inclusivo, assumindo, desde já, o papel de guardiã activa da sua implementação, monitoria e consolidação”, frisou Mussanhane.

MDM considera o diálogo nacional inclusivo um passo para a refundação do Estado

0

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) considera que a Proposta de Lei do Compromisso Político Para Um Diálogo Nacional Inclusivo representa um ponto de viragem para a refundação do Estado e a promoção da boa governação. Segundo Fernando Bismarque Ali, chefe da bancada parlamentar do partido na Assembleia da República (AR), o documento abre caminho para reformas profundas e necessárias, abrangendo desde a Constituição da República até ao sistema de justiça e ao pacote eleitoral.

Para o MDM, o diálogo inclusivo pode ser o ponto de partida para transformar a política fiscal, tornando-a mais equitativa, e para reformar a justiça, garantindo maior independência e transparência. Além disso, o debate sobre o sistema eleitoral ganha novo fôlego, numa tentativa de assegurar que a vontade popular expressa nas urnas seja respeitada.

“Não estamos aqui para aprovar um documento acabado, mas uma base para aprofundarmos e, quiçá, resolvermos de uma vez por todas as razões mais profundas da violência política em Moçambique”, afirmou Bismarque Ali, durante a sessão parlamentar. O deputado destacou que o compromisso deve servir como alicerce para um diálogo construtivo que previna futuras crises políticas e mitigue riscos à estabilidade social.

O chefe da bancada parlamentar do MDM alerta, contudo, que a materialização deste compromisso só será possível se houver uma aceitação real da democracia multipartidária no país. Segundo ele, há ainda sectores que continuam a agir como se fossem os únicos intérpretes legítimos da vontade popular, o que mina o processo democrático.

“Ninguém pode se achar dono e único intérprete da vontade popular”, afirmou, frisando que o compromisso do seu partido com o diálogo não significa validar práticas fraudulentas. “O nosso voto neste acordo não significa aceitar a batota e a fraude. Tão simplesmente significa a nossa adesão a um compromisso colectivo de resgatar a nação do precipício onde o partido Estado dominante quis voluntariamente lançá-la”, sublinhou.

O MDM defende que o sucesso deste processo dependerá da capacidade dos actores políticos de colocar os interesses nacionais acima das agendas partidárias. O desafio agora será transformar o compromisso político em acções concretas que garantam uma verdadeira mudança na estrutura do Estado.