Sintonize a Rádio Chuabo – 103.0 FM

Início Site Página 114

Frelimo ignora a lei e organiza marcha ilegal em Quelimane neste Sábado

Num movimento desesperado para salvar a sua imagem cada vez mais desgastada, a Frelimo programou para este sábado, 7 de dezembro, uma “mega marcha” na cidade de Quelimane, Zambézia, com a presença de Margarida Talapa, membro da Comissão Política e chefe da Brigada Central de Assistência à província. O evento já está envolto em polémica, pois o partido ignorou os procedimentos legais obrigatórios para a realização de manifestações públicas, infringindo descaradamente a lei.

A escolha de Quelimane para esta marcha não é casual. Conhecida como um dos raros bastiões de relativa paz no actual cenário político tenso, a cidade é liderada por Manuel de Araújo, edil que, apesar de filiado à RENAMO, tem mostrado habilidade em evitar que a violência, que marcou as manifestações de contestação dos resultados eleitorais de 9 de outubro, se instale. Este contexto estratégico parece ter sido determinante para que a Frelimo optasse por Quelimane como palco da sua demonstração de força política.

O Jornal Txopela apurou que o partido no poder negligenciou os trâmites legais que regem o direito à reunião e manifestação em Moçambique. Segundo o artigo 10.º da Lei que regula o exercício da liberdade de reunião e manifestação, “as pessoas que pretendam realizar as reuniões ou manifestações em lugares públicos ou abertos ao público deverão avisar por escrito, do seu propósito e com antecedência mínima de quatro dias, as autoridades civis e policiais da área”.

As fontes ligadas ao gabinete do edil Manuel de Araújo confirmaram que nenhuma comunicação oficial foi submetida ao Conselho Municipal da Cidade de Quelimane, que é a autoridade civil responsável pela gestão da cidade. A ausência desta formalidade coloca a marcha da Frelimo numa posição clara de ilegalidade.

Em resposta ao que considera uma afronta à ordem jurídica, Manuel de Araújo remeteu um documento ao Ministério Público solicitando a intervenção urgente do órgão para assegurar o cumprimento da lei. No documento, o edil sublinha que a marcha é ilegal e alerta para as consequências legais que poderão advir caso ela ocorra.

“A violação da lei por parte da Frelimo não é apenas um insulto à autoridade do município, mas também um desrespeito aos cidadãos que têm cumprido as normas legais para suas manifestações. Nenhuma organização ou partido político está acima da lei, e o Ministério Público deve agir para proteger o Estado de Direito”, afirmou Araújo.

A actitude da Frelimo em Quelimane não surpreende, considerando o padrão de impunidade que tem caracterizado as acções do partido ao longo dos anos. Enquanto a oposição é alvo de detenções e repressões sempre que tenta organizar manifestações, a Frelimo parece agir sob uma espécie de “imunidade tácita”, ignorando leis e regulamentos que deveriam ser aplicáveis a todos.

Araújo desafia Quelimane a manter marchas pacíficas e civismo

Quelimane vive um momento singular de sensibilidade cívica e política. Nos últimos dias, as ruas da cidade têm sido palco de manifestações pacíficas, com munícipes a exigir a reposição da verdade eleitoral e a defesa dos seus direitos. No entanto, o Presidente do Conselho Autárquico de Quelimane, Manuel de Araújo, lançou um apelo público para que a ordem, a paz e a convivência harmoniosa sejam os pilares das acções da população.

Numa mensagem dirigida aos munícipes, Araújo disse que as manifestações são um direito inalienável assegurado pela Constituição da República de Moçambique, que consagra, nos artigos 48 e 51, as liberdades de expressão, reunião e manifestação. Este direito é reforçado pela Declaração Universal dos Direitos do Homem, reafirmando que a democracia se constrói com respeito mútuo e responsabilidade cívica.

Apesar do reconhecimento do direito à manifestação, Araújo alertou para os riscos de que a violência ou a destruição de bens públicos e privados possam desvirtuar os objetivos das marchas. “Estes bens, construídos com esforço coletivo ao longo de 14 anos, são património de todos e fundamentais para o progresso da nossa cidade. Destruí-los é retroceder nas conquistas que tanto nos custaram”, sublinhou.

O apelo à não-violência também foi estendido às forças de segurança, com o edil a exortar as autoridades a cumprirem o seu papel com respeito pela dignidade humana. “Quelimane tem sido exemplo de maturidade democrática. Durante os 44 dias consecutivos de marchas no ano passado, não tivemos escaramuças. Este espírito de paz deve continuar a guiar-nos”, recordou.

Com as manifestações agendadas para as tardes, às 15 horas, Manuel de Araújo reforçou a importância da unidade entre os quelimanenses. “A minha liberdade termina onde começa a liberdade dos outros. A convivência democrática exige que saibamos exercer os nossos direitos sem prejudicar o bem-estar coletivo”, afirmou, enfatizando que a luta pela verdade eleitoral deve ser pautada pela ordem e pelo civismo.

O papel da imprensa foi igualmente destacado como crucial neste processo. Araújo apelou à comunicação social que continue a informar e sensibilizar os cidadãos sobre a importância da preservação da paz. “A tarefa de educar é difícil, mas é um dever conjunto de todos nós”, concluiu.

A mensagem termina com um chamado à responsabilidade de cada cidadão. “Quelimane é de todos nós. Zelar por ela é um dever comum. Se cada um fizer a sua parte, o peso será menor, e juntos superaremos este momento sensível, reafirmando os valores de unidade e progresso que nos definem.”

Moçambique vacinou mais de 2,5 milhões de crianças até Setembro

Mais de 2,5 milhões de crianças foram vacinadas em Moçambique, entre Fevereiro e Setembro, no âmbito do Plano de Recuperação, implementado para a imunização de crianças ainda não vacinadas ou com vacinação incompleta, disse hoje o Ministério da Saúde.

“Na ronda de Fevereiro vacinámos cerca de 860 mil crianças, em Junho vacinámos cerca de 861 mil crianças e em Setembro vacinámos cerca de 803 mil crianças”, afirmou Quinhas Fernandes, director do Programa Nacional de Saúde Pública, em conferência de imprensa hoje em Maputo.

Fernandes avançou que 524.383 das crianças vacinadas tinham “zero dose”, classificação atribuída àquelas que, estando em idade vacinal, não receberam qualquer vacina ou tiveram apenas uma, à nascença.

Pouco mais de dois milhões de crianças estavam na situação de “sub-imunizadas”, ou seja, aquelas que não receberam um esquema completo de vacinas de rotina, explicou.

O director nacional de Saúde Pública avançou que o Plano de Recuperação previa a realização de três rondas de vacinação em 74 distritos da zona centro e norte, áreas em que se concentrava o maior número de crianças com necessidade de vacinação.

As províncias de Nampula, com cerca de 253 mil, Zambézia, com mais de 111 mil, e Cabo Delgado, com 83 mil, registaram o maior número de crianças “zero dose” vacinadas, no âmbito do Plano de Recuperação, totalizando 85%, prosseguiu Quinhas Fernandes.

“Estes resultados são impressionantes e contribuíram para retirar Moçambique da lista dos países que tinham o maior número de crianças zero dose ao nível global”, adiantou Fernandes.

Moçambique foi o primeiro país na região africana a desenvolver e implementar um plano desta natureza, acrescentou.

Aquele responsável assinalou ainda que o país teve de adoptar o Plano de Recuperação, depois de os progressos alcançados na vacinação terem sido travados pelo impacto da covid-19.

“Através da vacinação, o país conseguiu atingir os níveis de eliminação de algumas doenças, tais como o tétano e a poliomielite. Apesar dos progressos, os choques externos recorrentes e a covid-19 contribuíram para o nosso país e outros acumularem um número considerável de crianças zero dose ou sub-imunizadas”, realçou.

Adiantou que, no quadro do Plano de Recuperação, foram compradas 700 motorizadas e viaturas, bem como a aquisição e instalação de cerca de 200 geleiras, para unidades de saúde, que visou o reforço da cadeia de frio da capacidade de alcançar as comunidades distantes das unidades sanitárias. (RM)

Eleições em Moçambique: Observadores moçambicanos consideram as eleições ‘fraudulentas’

A plataforma de observação eleitoral Mais Integridade, que integra organizações da sociedade civil moçambicana, considerou hoje “fraudulentas” as eleições gerais de 09 de outubro, destacando a falsificação de editais e o enchimento de urnas entre os alegados actos ilícitos.

“Mais uma vez, como país, fizemos eleições fraudulentas, eleições que não reflectem, pelo menos pelo que observámos, a vontade dos eleitores”, disse Edson Cortez, diretor do Centro de Integridade Pública (CIP), organização não-governamental (ONG) que integra a plataforma Mais Integridade.

Cortez falava esta manhã em Maputo durante uma conferência de imprensa de apresentação do relatório preliminar sobre a votação e contagem parcial e intermédia das eleições gerais realizadas há uma semana em Moçambique.

O observador eleitoral disse que as conclusões são o resultado de uma contagem paralela de votos feita pela Mais Integridade nas províncias de Nampula e Zambézia, os dois maiores distritos eleitorais do país, usando como amostra 29.900 e 28.500 eleitores, respetivamente, dos pouco mais de 17,1 milhões de eleitores registados em todo o país.

“Perante este cenário, é muito difícil o consórcio [Mais Integridade] vir aqui dizer que fez uma contagem com base nos ‘editais’, porque a maior parte dos ‘editais’ têm resultados ‘massificados’, para dizer o mínimo”, disse Cortez.

“O que vimos a ser contado e os resultados no dia seguinte eram duas coisas completamente diferentes”

Cortez disse que os resultados divulgados pelos órgãos eleitorais de algumas assembleias de voto na província de Nampula, onde a plataforma esteve presente, dão a vitória ao candidato presidencial Daniel Chapo, apoiado pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, o partido no poder), mas a contagem de votos nas próprias assembleias de voto deu uma “vantagem significativa” ao candidato presidencial Venâncio Mondlane, apoiado pelo partido extraparlamentar Otimismo para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos).

“Temos ‘magia’ em Moçambique, é uma ‘bênção’, porque o que vimos a ser contado e os resultados no dia seguinte foram duas coisas completamente diferentes”, disse Cortez.

O diretor do CIP denunciou ainda casos de enchimento de urnas, apontando a existência de mais de dois votos especiais em algumas assembleias de voto, o que, salientou, é contra a lei.

O voto especial é aquele que é dado por um eleitor que não está inscrito na assembleia de voto onde vota, mas que goza desse direito por lei. Esta categoria inclui observadores nacionais, agentes da polícia, jornalistas, entre outros.

“Temos assembleias de voto com mais de 50 votos especiais, o que implica que houve grupos de observadores privilegiados que podem votar mais do que uma vez nas assembleias de voto que quiserem, e isso indica que houve enchimento de urnas”, alegou Cortez.

No total, Mais Integridade colocou 1.900 observadores em 1.500 assembleias de voto nos 161 distritos do país, e recebeu relatórios de um total de 3.016 assembleias de voto.

De acordo com os dados da contagem dos votos provinciais divulgados publicamente nos últimos dias pelos órgãos provinciais eleitorais – fortemente contestados pela oposição, com alegações de fraude – o candidato presidencial Daniel Chapo e a Frelimo venceram em círculos eleitorais como Nampula (o maior do país), Cabo Delgado, Manica e Maputo cidade, entre outros.

Entretanto, o candidato presidencial Venâncio Mondlane foi anunciado como vencedor das eleições na Beira, província de Sofala, a terceira maior cidade do país, enquanto o Podemos, que o apoia, aparece em alguns círculos eleitorais como o segundo mais votado nas eleições legislativas.

A CNE tem um prazo de até 15 dias – após o fecho das urnas – para anunciar os resultados, que devem depois ser validados pelo Conselho Constitucional, que não tem prazo para uma proclamação final, devendo também analisar os recursos recebidos.

As eleições gerais de 9 de outubro incluíram as sétimas eleições presidenciais – em que o atual chefe de Estado, Filipe Nyusi, que tinha atingido o limite de dois mandatos, já não se candidatou – ao mesmo tempo que as sétimas eleições legislativas e as quartas eleições para as assembleias provinciais e governadores.

Os candidatos à presidência eram Daniel Chapo, Ossufo Momade, com o apoio da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo, o principal partido da oposição), Lutero Simango, apoiado pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM, o terceiro maior partido), e Venâncio Mondlane, apoiado pelo extra-parlamentar Podemos.

DStv anuncia direitos de transmissão das competições interclubes da CAF

A DStv adquiriu os direitos de transmissão de quatro (4) competições de futebol 2024/25 da Confederação Africana de Futebol (CAF). Trata-se da Liga dos Campeões CAF 2024/25 TotalEnergies, Taça da Confederação CAF 2024/25 TotalEnergies, Liga dos Campeões 2024 em feminino e Super Taça CAF 2025. Os telespectadores vão desfrutar de mais variedades futebolísticas nos canais SuperSport – o mundo dos campeões.

Os adeptos moçambicanos terão a oportunidade de ver os jogos em directo e exclusivo a Black Bulls, único clube representante de Moçambique na Taça CAF, através dos canais SuperSport na DStv. Além dos jogos da Black Bulls, os telespectadores terão ainda a oportunidade de assistir toda a acção dos gigantes sul-africanos: Mamelodi Sundowns e Orlando Pirates (Liga dos Campeões CAF TotalEnergies) e Mamelodi Sundowns em feminino (Liga dos Campeões Feminina).

Os jogos contam também com a presença do Al Ahly (Egipto), detentor do título da Liga dos Campeões, o Espérance Sportive de Tunis (Tunísia), o CR Belouizdad (Argélia), o Raja Casablanca (Marrocos) e o TP Mazembe (República Democrática do Congo), todos já qualificados para a fase de grupos da Liga dos Campeões CAF TotalEnergies.

“Temos o prazer de anunciar que chegámos ao acordo para transmitir as competições interclubes da CAF. A DStv orgulha-se de ser a maior empresa de radiodifusão desportiva do continente e o maior financiador do desporto em África. Esta é mais uma prova disso. Estamos empenhados em dar aos nossos apaixonados adeptos de futebol toda a acção futebolística desta época. Estamos expectantes em oferecer mais uma excelente temporada de acção futebolística nos canais SuperSport”, disse Agnelo Laice, Director Geral da MultiChoice Moçambique.

O Presidente da CAF, Patrice Motsepe, afirmou a assinatura dos acordos que “o crescimento exponencial e a competitividade global do futebol em África resultaram num interesse substancial dos principais organismos de radiodifusão africanos e internacionais pelo futebol africano. A SuperSport tem participado de forma competitiva nos concursos de direitos de transmissão da CAF. A CAF dá [à SuperSport] boas-vindas como parceiros, juntando-se à uma série de detentores de direitos de transmissão da CAF. Estamos empenhados em garantir que as competições da CAF, incluindo os seus produtos de transmissão, sejam de classe mundial”.

Tens direito ao melhor futebol… Afinal de contas, é subscritor da DStv! Liga ou religa a tua conta DStv e não percas um único jogo!

A DStv é a única e verdadeira casa de futebol em Moçambique, oferecendo uma gama e uma profundidade de acção que nenhum outro concorrente pode igualar. É literalmente, ‘futebol imbatível’. A DStv também oferece uma ampla gama de opções de idiomas em português e inglês.

Ilha de Moçambique acolhe sarau cultural

Teve lugar, no Sábado, 12 de Outubro, na Mediateca do BCI na Ilha de Moçambique, em Nampula,
um sarau cultural subordinado ao tema “Habilidades para o Século XXI: O que os Jovens precisam
aprender para se destacarem no Mercado de Trabalho”. Com o apoio do Banco, o evento foi
promovido pelo grupo “Vozes da Nova Geração”, em colaboração com o Núcleo de Estudantes da
Faculdade de Ciências Sociais e Humanos (FCSH) da Universidade Lúrio.
O sarau contou com a participação de académicos, estudantes da FCSH, do Instituto Médio
Politécnico da Ilha de Moçambique, e da Escola Secundária da Ilha de Moçambique, criando um
espaço de diálogo em torno de questões juvenis.
Na qualidade de orador principal, Germito Alexandre, docente na FCSH, destacou a importância das
habilidades técnicas e interpessoais na preparação dos jovens para o mercado de trabalho. Enfatizou
que a promoção e a consciencialização sobre as habilidades necessárias para o mercado de trabalho
actual são fundamentais”, salientando que competências como “comunicação eficaz, pensamento
crítico, resolução de problemas e adaptabilidade são essenciais para lidar com o futuro”.
Além das reflexões sobre o futuro profissional, o evento incluiu apresentações artísticas, como
declamação de poesia e música. Germito Alexandre aproveitou para sublinhar a relevância da
expressão cultural como ferramenta para o desenvolvimento pessoal e profissional, incentivando os
jovens a se destacarem no seu processo de crescimento.

Carta aberta: Um golpe popular, quem pode evitar?

Excelentíssimos compatriotas, ilustres defensores da pátria, irmãos de luta e da esperança,

 

É com o peso da inquietação e a gravidade dos tempos que nos rodeiam que me dirijo a vós nesta hora de incerteza, onde o espectro do caos paira sobre a nossa amada pátria. Venâncio, numa locução firme e carregada de convicção, anunciou para segunda-feira, dia 20, o início de uma greve nacional geral. Às zero horas, as rodas do país cessarão o seu giro, com a paralisação de toda e qualquer actividade pública ou privada. Eis o que prometeu. E, ao assim o fazer, afirma que é a resposta ao clamor do seu eleitorado, após as contestadas eleições de 9 de outubro e as crescentes acusações de fraude, lançadas por todos os partidos da oposição e respaldadas pelos observadores, nacionais e estrangeiros.

 

Ora, uma manifestação de tamanha envergadura, com tais propósitos, não é isenta de consequências. Grave será, ao meu ver, e com desdobramentos imprevisíveis.

 

Moçambique, nas últimas décadas, está submerso num mar de descontentamento social. As crises económicas agudizam-se; a corrupção, por todos conhecida, alastra-se como uma chaga sobre o tecido nacional. O pão na mesa do cidadão comum escasseia, e a juventude – principalmente nas zonas urbanas – há muito perdeu a fé nos mecanismos democráticos. As recentes eleições autárquicas não trouxeram o alívio que se esperava. Os jovens, os pilares da nossa nação, acreditam agora que a democracia, tal como a conhecemos, não resolve mais os seus problemas. Quem de entre nós ousará contradizê-los?

 

Nessa arena de desalento e miséria, crer que uma manifestação de tal envergadura não se transfigure num golpe popular é pura ingenuidade. A História não nos ilude: os sinais estão por toda parte, e os precedentes, não tão distantes.

 

Os sectores nevrálgicos do nosso Estado – os professores, enfermeiros, policiais, magistrados, procuradores e juízes – todos partilham do mesmo descontentamento. Até o silêncio das nossas forças armadas, outrora característico, foi interrompido por murmúrios de insatisfação. Não podemos ignorar tal realidade, pois o sopro da mudança nunca é uma brisa suave; é uma tempestade que se forma lenta, mas inevitável.

 

Recordo-me de novembro de 2017. No Zimbábue, quando Robert Mugabe tentou assegurar o poder à sua esposa, Grace Mugabe, foi o exército que, com apoio popular, o depôs. Quem fala do Zimbábue, fala também do Egito, onde Hosni Mubarak, após 30 anos de um regime de repressão, corrupção e pobreza, caiu diante do ímpeto de um povo cansado. E o que dizer dos nossos irmãos africanos? Níger, Burkina Faso, Guiné, Chade, Mali, Sudão, Gabão. O golpe de Estado tornou-se um refrão conhecido em todo o continente.

 

A semelhança é inevitável. Crises profundas de governação, corrupção desenfreada, insegurança generalizada e um terrorismo que ameaça a paz de todos. Em cada um desses cenários, o desespero do povo encontrou nas armas uma solução. E em Moçambique? Poderemos evitar um desfecho semelhante?

 

Minhas senhoras e meus senhores, o povo é o verdadeiro soberano. Quando o grito da rua ecoa e as urnas parecem incapazes de escutar, quando o Estado vira as costas ao clamor dos seus filhos, o desespero substitui a esperança. E o que pode evitar o desespero senão uma mão firme que devolva a dignidade ao povo?

 

Que estejamos todos cientes do que se avizinha. Um golpe popular, quem poderá evitar?

Por: Zito do Rosário Ossumane

Eleições em Moçambique: Observadores preocupados com falta de acreditação na Zambézia

O consórcio de grupos da sociedade civil que observa as eleições moçambicanas agendadas para 9 de outubro, “Mais Integridade”, manifestou profunda preocupação com o atraso na acreditação de alguns dos seus observadores na província central da Zambézia, para que possam assistir à votação.

Zambézia, a segunda província mais populosa do país, é uma das províncias onde o “Mais Integridade” pretende realizar uma contagem paralela de votos.

Essas contagens paralelas são críticas para avaliar se uma eleição é honesta ou fraudulenta. Nas eleições municipais do ano passado, foram contagens paralelas independentes que provaram que o principal partido da oposição, a Renamo, havia vencido em Maputo e na cidade vizinha de Matola – embora a Comissão Nacional de Eleições (CNE) tenha atribuído a vitória nas duas cidades ao partido no poder, Frelimo.

Segundo nota de imprensa do “Mais Integridade”, há mais de duas semanas o consórcio submeteu, à Comissão Provincial Eleitoral (CPE) da Zambézia, pedidos de acreditação para 279 observadores.

Mas até terça-feira à noite, o CPE ainda não havia emitido as credenciais. O “Mais Integridade” insistiu, e o CPE então prometeu que emitiria as credenciais, mas não deu nenhuma data.

O consórcio relatou que, em geral, durante sua quinta semana a campanha eleitoral permaneceu calma. Quatro casos de violência foram relatados, nos quais sete pessoas ficaram feridas (seis apoiadores de partidos políticos e um membro do público).

O mais significativo destes incidentes ocorreu em Alto Molocue (na província da Zambézia), onde, por ocasião do Dia das Forças Armadas (25 de setembro), confrontos entre apoiantes da Frelimo e da Renamo provocaram um ferimento grave num membro da Frelimo.

Em Mandlakazi (província de Gaza), apoiadores da Frelimo sabotaram a campanha do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) e seu líder e candidato presidencial, Lutero Simango. Em Maxixe, na província de Inhambane, apoiadores da Frelimo espancaram um membro da Renamo quando carreatas dos dois partidos se cruzaram. Em Namarroi (na Zambézia), apoiadores da Frelimo bloquearam uma estrada para que uma carreata do Podemos não pudesse passar.

Houve relatos crescentes esta semana de membros da Frelimo coletando ilegalmente cartões de eleitor de cidadãos, o que coloca em risco seu direito de votar, a menos que seus cartões sejam devolvidos. Esses relatos vieram de partes das províncias de Tete, Zambézia, Niassa e Nampula.

No distrito de Nampula, em Angoche, os eleitores que entregaram seus cartões de eleitor receberam em troca material de campanha da Frelimo (camisetas e bonés).

O “Mais Integridade” notou o uso ilegal de bens de propriedade pública (principalmente veículos) e de funcionários da administração pública, particularmente professores, em 14 por cento dos eventos observados. Essa ilegalidade ocorreu em 26 por cento dos eventos da Frelimo observados, e em apenas um por cento dos eventos da Renamo e do MDM.

A polícia esteve presente em 40 por cento dos eventos organizados por partidos políticos. O “Mais Integridade” descobriu que na maioria dos casos a polícia se comportou de forma profissional, mas houve alguns casos em que a ação policial foi considerada “excessiva e intimidatória”.

A Renamo acusou a polícia de parcialidade pró-Frelimo. Disse que, nos distritos centrais de Marromeu e Maringue, a polícia apenas observou enquanto os apoiadores da Frelimo destruíam cartazes da Renamo e não tomou nenhuma ação.

Moçambique: Polícia reestrutura postos de fiscalização rodoviária

Com o objectivo de facilitar melhor a circulação de pessoas e bens, o Comandante-Geral da Polícia da República de Moçambique, Bernardino Rafael, ordenou a eliminação dos postos improvisados ​​de fiscalização rodoviária instalados por agentes da Polícia de Trânsito, Polícia de Protecção, entre outros.

A instrução, datada de 19 de setembro, estabelece que as inspeções de veículos devem ocorrer apenas em 23 postos de controle oficiais pré-estabelecidos ao longo das Estradas Nacionais 1, 4, 6 e 7. Os postos intermediários são reservados para o controle de velocidade, que deve ser realizado em locais com boa visibilidade e devidamente sinalizados com cones, e os agentes de serviço devem portar a Ordem do Dia.

O documento enfatiza que a tarefa de sinalizar paradas obrigatórias para veículos é de responsabilidade exclusiva dos agentes da Polícia de Trânsito, e em cada posto de fiscalização, apenas um máximo de quatro agentes de trânsito e dois agentes de proteção devem ser posicionados. Ele também proíbe que os policiais de motocicletas estabeleçam seus próprios postos de fiscalização e parem motoristas, a menos que haja uma violação flagrante das regras de trânsito.

INS organiza Simpósio de Clima e Saúde no Congresso Mundial de Epidemiologia

O Instituto Nacional de Saúde (INS) realizou há dias, em Cape Town, África do Sul, um Simpósio sobre Clima e Saúde intitulado “Adaptação às mudanças climáticas no sector da saúde em Africa: Lições aprendidas e boas práticas”. O evento decorreu no contexto do Congresso Mundial de Epidemiologia (WCE), realizado pela primeira vez em um país africano.

O simpósio contou com um painel que integrava três oradores, todos investigadores de países da região da África Austral, nomeadamente Tatiana Marrufo do Instituto Nacional de Saúde de Moçambique, Collins Iwuji do ‘’African Health Research Institute’’ da África do Sul, e James Chirombo da ‘’Liverpoll Malawi Welcome Trust Center’’, baseado no Malawi. A moderação do evento esteve a cargo do Director-geral do INS, Eduardo Samo Gudo.

Os investigadores partilharam as experiências e lições aprendidas em seus países rumo a resiliência climática no sector de saúde, destacando a preocupação real e urgente com os impactos das mudanças climáticas na saúde, sendo que estas constituem uma das principais ameaças ao sector.

Para obter conteúdo completo, assine os serviços entrando em contato com a área comercial do Jornal Txopela - [email protected]
Todos os conteúdos do Jornal Txopela são protegidos por direitos autorais sob a legislação moçambicana.

Verified by MonsterInsights