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ENDE 2025-2044: A estratégia para o futuro ou a última grande ilusão do Estado?

Foi com pompa parlamentar que a Assembleia da República aprovou, esta quarta-feira, 23 de Abril, a Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE) 2025-2044. A votação — 214 votos a favor, sete contra, nenhuma abstenção — foi rápida, silenciosa e previsível. Mas por trás da matemática das mãos erguidas, há um documento que tenta resgatar o país de si mesmo. Uma estratégia para vinte anos que promete muito. E, talvez por isso, assusta.

Na voz da Primeira-Ministra Maria Benvinda Levi, a ENDE surge como a “bússola” de uma nação em busca de prosperidade, justiça e inclusão. Fala-se em crescimento económico de dois dígitos, redução da pobreza em mais de metade, desemprego a cair drasticamente, e um Índice de Desenvolvimento Humano que saltará de 0,45 para 0,74, uma espécie de salto olímpico num campo minado.

Mas a história moçambicana já nos ensinou que o problema não é a falta de planos. É a sua fossilização. É a transformação de documentos técnicos em peças de vitrine, exibidas em conferências, usadas como biombo político, mas ignoradas nas trincheiras reais da governação.

O documento estrutura-se em cinco pilares. O primeiro é a Unidade Nacional, Paz, Segurança e Governação, um clássico do discurso republicano que, à primeira vista, parece consensual. Mas como se constrói unidade nacional num país onde a paz é gerida como capital político e a segurança é privatizada por milícias oficiais? Como se fortalece a governação quando a corrupção é sistémica e o Estado continua refém da fidelidade partidária?

O segundo pilar fala de Transformação Estrutural da Economia. Fala-se em industrialização, diversificação, produtividade. Mas este mesmo Estado  que agora ambiciona diversificar  foi o mesmo que desmantelou, peça a peça, o seu aparelho produtivo desde a década de 1990. Fala-se em reduzir a dependência do gás, mas as projecções são ancoradas nos dividendos do mesmo gás. Uma contradição que não é técnica — é estrutural.

O terceiro pilar  Transformação Social e Demográfica  aponta para a juventude como recurso estratégico. Aposta-se em CTEM, em formação técnica, em alinhamento com o mercado. Mas omite-se que este mercado é precário, informal e excludente. Fala-se de género, inclusão e professores valorizados, mas o salário docente continua a ser uma sombra da dignidade. O jovem que hoje ouve falar da ENDE está desempregado, endividado e cínico  e com razão.

No quarto pilar, Infraestruturas e Ordenamento Territorial, promete-se um país equilibrado entre o urbano e o rural, com gestão ambiental sensata. Mas os reassentamentos mal geridos, os projectos públicos abandonados e os corredores logísticos pensados para exportar riqueza em vez de redistribuí-la desmontam a narrativa de equilíbrio.

O quinto pilar, finalmente, fala de Sustentabilidade Ambiental e Economia Circular. Invoca-se a transição verde, a economia azul, a valorização de resíduos. Mas quem já viu as lixeiras a céu aberto nas periferias de Nampula ou de Matola, quem respira carvão nas machambas, sabe que essa economia circular não chegou e talvez não chegue.

A promessa como técnica de governo

A ENDE é bem escrita. É tecnicamente sólida. Tem boa intenção. Mas a boa intenção, em política, é o caminho mais rápido para o cinismo se não vier acompanhada de ruptura com os modelos falhados do passado. O país real, o das ruas de Mocímboa, das escolas de chão batido em Pebane, dos hospitais sem soro em Chiúre, não se comove com metas para 2044.

Quem vigiará o cumprimento da ENDE? Qual o órgão independente que medirá, fiscalizará e responsabilizará os desvios? Ou faremos como sempre: esperar 20 anos, ler o balanço final, culpar o contexto externo e escrever uma nova estratégia?

O documento é mais uma peça da liturgia tecnocrática de um Estado que planeia muito e governa pouco. Que diagnostica com precisão e trata com paliativos. Que projeta futuro, mas não resolve o presente?

Um país que adia o seu povo para depois não terá povo para celebrar quando esse “depois” chegar.

Liverpool vs Tottenham aquece maratona de 10 dias na Premier League

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34ª jornada prolonga-se devido às meias-finais da Taça de Inglaterra; DStv e GOtv garantem cobertura total

A emoção da Premier League prolonga-se por 10 dias, numa jornada invulgarmente extensa motivada pelas meias-finais da Taça de Inglaterra, que terão lugar nos dias 26 e 27 de Abril. O jogo mais aguardado é o duelo entre Liverpool e Tottenham Hotspur, marcado para o final da tarde de domingo, 27 de Abril, em Anfield.

Este será o quarto confronto entre os dois gigantes nesta época. O primeiro, na Liga Inglesa, terminou com uma vitória estrondosa dos Reds por 6-3 fora de casa. Seguiram-se os embates nas meias-finais da Taça Carabao, onde o Tottenham venceu por 1-0 em casa, mas foi atropelado no jogo da segunda mão por 4-0.

O técnico dos Spurs, Ange Postecoglou, acendeu a rivalidade ao sugerir um alegado favorecimento mediático ao Liverpool:

“Acho que, no tempo em que estou aqui, tivemos duas decisões a nosso favor contra o Liverpool e houve quase uma campanha nacional”, afirmou o treinador australiano.
“Nunca há qualquer tipo de defesa institucional. É um desafio único, mas aceitei-o.”

A jornada arrancou a meio da semana, com o Manchester City a defrontar o Aston Villa na terça-feira, 22 de Abril, e o Arsenal a receber o Crystal Palace na quarta-feira. Estes clubes, envolvidos nas meias-finais da Taça, viram os seus jogos antecipados.

No sábado, 26 de Abril, o Chelsea recebe o Everton, enquanto Graham Potter reencontra o Brighton, agora ao leme do West Ham United. Ainda no sábado, destacam-se confrontos como Newcastle vs Ipswich Town, Southampton vs Fulham, e Wolves vs Leicester City.

No domingo, antes do grande clássico em Anfield, o Bournemouth mede forças com o Manchester United. A jornada encerra na quinta-feira, 1 de Maio, com o jogo entre Nottingham Forest e Brentford, este último semi-finalista da Taça.

📺 Transmissão em directo pela DStv e GOtv: Futebol imbatível

A DStv e a GOtv continuam a afirmar-se como as casas oficiais do futebol em Moçambique, oferecendo cobertura inigualável da Premier League. Os jogos serão transmitidos pelos seguintes canais:

📅 Sábado, 26 de Abril

  • 13:30Chelsea vs Everton: SuperSport Premier League, Máximo 2 (DStv) e GOtv Premier League
  • 16:00Brighton vs West Ham: SuperSport Variety 3, Blitz, Máximo 360 (DStv e GOtv)
  • 16:00Newcastle vs Ipswich: SuperSport Premier League, Máximo 2
  • 16:00Southampton vs Fulham: SuperSport La Liga, Máximo 3
  • 16:00Wolves vs Leicester City: SuperSport Variety 2 e GOtv Action

📅 Domingo, 27 de Abril

  • 15:00Bournemouth vs Manchester United: SuperSport Premier League, Máximo 2
  • 17:30Liverpool vs Tottenham: SuperSport Premier League, Máximo 2

📅 Quinta-feira, 1 de Maio

  • 20:30Nottingham Forest vs Brentford: SuperSport Premier League, Máximo 2

Prepare-se para 10 dias intensos de futebol ao mais alto nível, com os melhores clubes, os maiores craques e a emoção típica da Premier League — só na DStv e GOtv, o lar oficial do futebol em Moçambique.

BCI e EPM de mãos dadas pela literacia financeira

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Uma geração que aprende a poupar é uma geração que constrói futuro

Numa era marcada pelo consumismo fácil e pelo endividamento precoce, falar de literacia financeira com jovens é mais do que uma opção pedagógica — é uma necessidade estrutural. Nos dias 22 e 23 de Abril, o Banco Comercial e de Investimentos (BCI) e a Escola Portuguesa de Moçambique (EPM) deram corpo a essa necessidade, unindo esforços num exercício prático e inspirador de formação em finanças pessoais.

A primeira sessão decorreu no auditório da EPM, com mais de 90 participantes — entre alunos dos 10.º e 11.º anos do curso de Economia, professores e direcção pedagógica — que ouviram, debateram e interagiram com Ivan Nhantumbo, Director do Gabinete de Oferta e Dinamização do BCI. Mais do que fórmulas financeiras, os jovens foram expostos a estratégias de sobrevivência económica num mundo onde a ilusão do crédito fácil rivaliza com a falta de formação básica sobre dinheiro.

Nhantumbo não falou para alunos: falou para futuros gestores de si mesmos. Abordou o valor da poupança, os perigos do endividamento, e a importância de começar cedo — num tom prático e envolvente, que capturou o interesse até dos mais céticos. O impacto foi imediato: muitos estudantes declararam a intenção de aplicar os princípios discutidos na sua vida pessoal.

No dia seguinte, os mesmos estudantes mergulharam na realidade bancária numa visita pedagógica à sede do BCI. Durante duas horas, caminharam pelos bastidores de um dos maiores bancos do país, dialogando com técnicos, observando operações e — sobretudo — desmistificando o funcionamento de uma instituição que, até então, lhes parecia distante.

A visita culminou numa sessão prática de educação financeira com exemplos concretos da vida quotidiana. A banca deixou de ser abstração: tornou-se escolha de carreira. Alguns manifestaram vontade de seguir estudos na área. Outros apenas agradeceram por terem aprendido o que não se ensina nos manuais.

 

 

E se o país que queremos em 2044 for o país que devíamos ter tido em 2004?

Há discursos que soam como profecias. Outros, como fórmulas de fé. O que a Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levi, apresentou no Parlamento nesta quarta-feira, 23 de Abril, é um pouco dos dois, um documento de mais de 20 anos projectado sobre um país real, feito de ruas poeirentas, escolas inacabadas e jovens à deriva. Chama-se Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE) 2025-2044, e é o mais recente exercício de engenharia político-burocrática que promete reinventar Moçambique.

Mas será esta estratégia o mapa para um país que nunca chegou ao seu destino? Ou apenas mais uma carta ao Pai Natal, escrita com dados, metas e percentagens, mas sem selo nem remetente?

Aos olhos do Governo, 2044 será o ano da redenção nacional. O Produto Interno Bruto (PIB) saltará dos actuais 662 dólares per capita para mais de 2.100. A pobreza, que hoje engole mais de 65% da população, será reduzida para 27,9%. O desemprego cairá para 10,5%, a inflação será domada, e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) atingirá 0,74, um valor ainda abaixo dos países desenvolvidos, mas suficiente para arrancar Moçambique da cauda do mundo.

As projecções, embora matematicamente sedutoras, escondem o essencial, como se fará a travessia?

O discurso oficial invoca palavras como “inclusão”, “resiliência”, “diversificação”, “economia competitiva”. Mas quem anda nas ruas da Beira, nas planícies de Namarroi ou nos mercados de Montepuez, sabe que há um abismo entre os que escrevem o futuro e os que sobrevivem no presente.

A ENDE é apresentada como fruto de uma ampla auscultação pública, envolvendo todos os “segmentos da sociedade”. Mas a pergunta é: quem fala nesses segmentos? E mais importante: quem é ouvido?

A história recente ensina-nos que os planos estratégicos têm vida curta quando não dialogam com as realidades locais. O Plano Quinquenal do Governo, a Estratégia Nacional de Redução da Pobreza, o Agenda 2025, todos prometeram reescrever o destino nacional. Nenhum mudou a natureza do Estado: centralizador, clientelista, e por vezes hostil às vozes críticas.

O país que se pretende em 2044 ainda não resolveu o problema de 1992, a paz armada, a exclusão social e a partidarização do Estado. Fala-se em crescimento de dois dígitos no PIB, mas não se discute a sua distribuição. O gás, o carvão, o rubi e o grafite não alimentam o estômago das periferias, alimentam Excelências, alimentam elites.

Quando Maria Benvinda Levi diz que “unidos é que poderemos avançar”, convoca uma imagem de nação que a própria prática política desmente. Os protestos pós-eleitorais de 2024 deixaram claro que o povo não está no mesmo barco, alguns estão a remar, outros estão sentados à sombra.

Não se pode negar que a ENDE respira boas intenções. É meticulosamente desenhada, tem lógica técnica, e busca responder aos desafios do presente com os olhos postos no futuro. A aposta na formação, na industrialização e no capital humano revela uma ambição honesta.

Mas a honestidade de um plano não garante sua eficácia. O que garante sua eficácia é o compromisso político com a mudança estrutural, algo que até agora tem sido refém de interesses instalados e de uma elite político-económica que lucra com o atraso.

A ENDE fala pouco da reforma do Estado. Diz ainda menos sobre a transparência, a justiça social, o combate à corrupção, e o fosso entre o centro e as periferias. Tudo temas que, se ignorados, tornarão 2044 apenas mais uma data num calendário de promessas não cumpridas.

E se o país que queremos em 2044 for o país que devíamos ter tido em 2004?

Afinal ‘foi só Maputo’? : A geografia silenciosa da revolta popular

O país que se quer uma democracia plural, parido a ferro e pólvora de uma luta anticolonial e sustentado na promessa constitucional de liberdade, mergulhou, entre Outubro de 2024 e Janeiro de 2025, num dos períodos mais agudos da sua história recente.

Mas se a versão oficial queria confinar o tumulto às ruas de Maputo — essa cidade-espelho da indignação urbana — a realidade, como sempre, é teimosa.

Um estudo do Observatório do Meio Rural, assinado com os punhos de de João Feijó e Rita Chiúre traça com precisão cartográfica, a extensão de um país em estado de ebulição. Os protestos eleitorais não foram apenas retóricas incendiárias ou pedras contra escudos, foram sintomas, avisos, e gritos desde Nampula a Moatize, da Beira a Alto Molócuè, como se o mapa do país desenhasse, à força de revolta, as falhas sísmicas da nossa governação.

Em conferências e entrevistas cuidadosamente encenadas, o poder repetiu o argumento: “os protestos são localizados, urbanos, produto de minorias agitadoras”. Mas o estudo aponta outra narrativa, uma contracartografia da sublevação: 92 dos 161 distritos nacionais foram palco de manifestações. Que Maputo tenha sido o epicentro não nega o óbvio, havia tremores em todo o corpo da nação.

O protesto não é apenas urbano. Ele é histórico. É uma resposta acumulada à desindustrialização, à informalidade forçada, à dívida obscena. É o preço da traição às promessas feitas à juventude que estudou, acreditou e hoje vende amendoins no passeio da Avenida Eduardo Mondlane, advogam os estudiosos.

Nas zonas de extracção — Palma, Montepuez, Chibuto, Inhassunge — os protestos explodiram como resposta ao modelo de “desenvolvimento extrativista de exportação”. Ali, onde se cava rubi, carvão ou areia pesada, há comunidades inteiras soterradas sob promessas não cumpridas. Reassentamentos inacabados, compensações atrasadas, e um Estado que se faz sócio dos exploradores em vez de defensor dos seus.

É um modelo perverso, de economia extrovertida, rendida a interesses globais, onde o capital é estrangeiro, os lucros evaporam-se para paraísos fiscais e o povo… esse fica com pó no pulmão e crateras no quintal.

Nos corredores logísticos — Nacala, Beira, Maputo, o protesto toma a forma de barricadas e sabotagens. Não é vandalismo gratuito. É política feita com os instrumentos disponíveis. Camponeses bloqueiam comboios de carvão porque não têm escolas nem hospitais. Jovens param camiões de madeira exigindo carteiras escolares. É justiça artesanal num país onde o direito tarda — ou não chega.

O governo respondeu com a gramática do medo: gás lacrimogéneo, balas reais, discursos inflamados. Bernardino Rafael comparou manifestantes a terroristas. O Presidente Daniel Chapo, em tom paternalista, disse à CNN que “o povo ama a Frelimo”. Talvez ame. Mas não calado. Não empobrecido.

Esta resposta securitária não é nova. É uma herança colonial reciclada pelo autoritarismo pós-independência. E essa reciclagem do medo tem um custo: afasta o Estado da cidadania, tornando-o espectro de uma presença apenas repressiva.

O país é jovem. E esta juventude carrega consigo diplomas e desilusões. O termo waithood usado no estudo retrata bem esta geração suspensa: adultos sem autonomia, trabalhadores sem trabalho, cidadãos sem escuta.

Esses jovens, mais escolarizados que os seus pais, mais conectados que qualquer geração anterior, não querem ser espectros. Querem futuro. E protestam por ele.

 

Esta não é uma reportagem que se encerra. Porque o protesto que começou em 2024 ainda persiste em 2025. O que aqui se viu não foi apenas contestação eleitoral. Foi um acerto de contas com um modelo de acumulação excludente, uma economia vendida à pressa e à estrangeira, e um Estado que tem confundido legitimidade com longevidade.

Carlos Cardoso, se aqui estivesse a escrever, talvez perguntasse: quantos Maputos ainda precisam acordar para que o país inteiro desperte?

Quelimane acolhe capacitação nacional sobre gestão tributária digital

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Autarquias reúnem-se na cidade para debater soluções sustentáveis no contexto da digitalização da arrecadação fiscal

A cidade de Quelimane acolhe, desde esta terça-feira, 23 de Abril, uma sessão nacional de capacitação e intercâmbio de experiências sobre o uso da plataforma E-STM, destinada à arrecadação e gestão tributária, no quadro do processo de digitalização da administração fiscal autárquica.

A iniciativa é promovida pela Associação Nacional dos Municípios de Moçambique (ANAMM), em estreita coordenação com o Conselho Autárquico de Quelimane, que assume o papel de anfitrião deste encontro de três dias, e congrega representantes dos sectores de finanças e receitas das diversas autarquias espalhadas pelo país.

Segundo apurou o Txopela, o evento insere-se no âmbito do projecto “Município Digital”, um esforço conjunto que visa conferir maior transparência, eficácia e sustentabilidade à gestão tributária local. Durante o encontro, os participantes irão partilhar boas práticas, desafios e estratégias de implementação do sistema E-STM, com enfoque para a legislação tributária vigente e as perspectivas de arrecadação no actual cenário económico nacional.

A delegação do Conselho Autárquico de Quelimane é chefiada pela vereadora Maria Moreno, em representação do edil Manuel de Araújo, estando igualmente presente a vereadora para a área de Finanças, Clésia Caridade, o chefe do sector de receitas, Marshall Manufredo, o director do departamento de informática, Fernando Varela Barros, bem como outros técnicos ligados à área de administração tributária local.

Durante o primeiro dia dos trabalhos, os participantes reflectiram sobre os actuais modelos de financiamento municipal, abordando a necessidade urgente de mecanismos inovadores para garantir a autossuficiência das autarquias, num contexto em que a descentralização exige maior responsabilização financeira por parte dos governos locais.

A sessão decorre num ambiente marcado pela troca aberta de ideias, experiências práticas e desafios enfrentados na operacionalização do E-STM, uma plataforma que se apresenta como uma das principais apostas do Governo para modernizar a administração pública local e aumentar a confiança dos cidadãos na gestão fiscal.

Os trabalhos continuarão até quinta-feira, com a previsão de debates técnicos, apresentações temáticas e exercícios práticos, esperando-se que, no fim da sessão, as autarquias participantes regressem às suas circunscrições munidas de ferramentas e conhecimento para impulsionar a modernização dos seus sistemas de arrecadação e, por via disso, melhorar a prestação de serviços aos munícipes.

Nhluvuko: Jovens Empresários premiados por responsabilidade financeira

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Manoca Cosméticos e Farmácia Bénia distinguidas por disciplina e compromisso

O projecto Nhluvuko voltou a dar cartas no fortalecimento do empreendedorismo jovem em Moçambique, ao premiar, esta semana, duas empresas que se distinguiram pela sua exemplar conduta financeira. A Manoca Cosméticos e a Farmácia Bénia receberam 75 mil meticais cada, equivalentes a 15% do valor financiado, por terem cumprido, com pontualidade, todas as suas obrigações no âmbito do programa.

A cerimónia, realizada na Matola Rio, reuniu representantes do sector público, privado e parceiros de desenvolvimento, reafirmando o impacto do projecto na criação de empregos e no estímulo à economia local.

O edil da Matola Rio, Abdul Gafur, expressou satisfação pelo papel do município na promoção de negócios sustentáveis:

“Estamos a transformar ideias em empresas viáveis e isso é fruto de dedicação, apoio e de uma visão clara de futuro.”

Já Samuel Samo Gudo, PCA da Mozal, destacou o modelo de incentivo implementado:

“O acesso ao financiamento é importante, mas o retorno responsável desse apoio é o que garante a sustentabilidade do projecto. É esse compromisso que queremos multiplicar.”

O investimento total do Nhluvuko, que ultrapassa os 77 milhões de meticais, tem beneficiado jovens empreendedores da Matola e de Boane. A Gapi, responsável pela implementação, reforçou a confiança nas novas gerações. Para Anabela Mucavel, representante da instituição,

“Estes jovens estão a mostrar que é possível empreender com ética, disciplina e visão. Eles são faróis para outros que estão a começar.”

As autoridades presentes, como a administradora distrital de Boane, Guilhermina Kumaghwelo, e o director provincial da Indústria e Comércio, Joel Nhassengo, sublinharam o papel transformador do Nhluvuko na dinamização do ecossistema empresarial moçambicano.

A distinção das duas empresas serviu como exemplo inspirador para outros empreendedores, reafirmando que a responsabilidade financeira não é apenas um dever, mas também um caminho para mais oportunidades.

“A disciplina é a semente do crescimento. Se cada jovem empresário cultivar essa atitude, Moçambique colherá prosperidade.” – frisaram os organizadores, encerrando o evento com apelos ao reforço de parcerias e à continuidade deste modelo de apoio transformador.

Reforço à fiscalização urbana na Beira: Polícia Municipal recebe novos meios de trabalho

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O Conselho Municipal da Beira, sob liderança de Albano Carige, procedeu na manhã desta terça-feira (23), à entrega de novos equipamentos à Polícia Municipal, numa cerimónia que contou com a participação de representantes da Associação dos Transportadores Rodoviários de Cargas de Sofala (ASTROS), parceiros estratégicos da edilidade.

A iniciativa, enquadrada nos esforços de reforço da capacidade operativa da corporação, visa fortalecer as acções de fiscalização nas artérias da cidade, com particular incidência para o ordenamento do trânsito, segurança de peões e prevenção de práticas lesivas à convivência urbana.

Num breve discurso, Carige sublinhou que a entrega dos equipamentos — cujo número e natureza não foram divulgados — representa um passo concreto na promoção de uma cidade mais segura, ordenada e funcional, frisando que “o combate ao desrespeito pelas normas de circulação e de ocupação dos espaços públicos exige uma polícia municipal equipada, motivada e próxima do cidadão”.

Por sua vez, os representantes da ASTROS saudaram a colaboração institucional com o município, destacando que a melhoria das condições de trabalho das forças de fiscalização é um ganho não apenas para os agentes, mas sobretudo para os munícipes e operadores do sector dos transportes, frequentemente confrontados com o caos urbano.

A Polícia Municipal da Beira tem estado a ser chamada a intervir cada vez mais num contexto urbano complexo, onde a pressão sobre os espaços públicos, o crescimento desordenado da cidade e o desafio da mobilidade exigem respostas ágeis e eficazes.

Profissionais de saúde repisam que não há medicamentos suficientes nos hospitais

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Associação dos Profissionais de Saúde Unidos de Moçambique desmente ao medico chefe provincial da Zambézia  e  repisa que  não há medicamentos  suficientes nos hospitais para atender às necessidades dos pacientes.

De acordo com  David João,  Assessor Nacional  da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos de Moçambique, o alerta foi dado ao governo, entretanto sem solução a vista.

Além da falta de medicamentos, a situação é mais grave, pois  há falta de alimento nos hospitais para  alimentar os  pacientes e  este  fenómeno  é a nível nacional, o que significa que os doentes sem familiares são deixados a sua sorte, o que inquieta ainda mais os profissionais de saúde.

Mais detalhes no jornal Txopela que sai às quartas-feiras

Todos os Papas viveram o seu tempo

Dizer este Papa é que foi. Que aqueloutro foi o melhor…e aí por diante, acaba por ser um clássico de narrativas. Todos tiveram o seu tempo. Todos se fizeram no seu tempo. Todos produziram textos de reconhecido mérito, valor e mensagem. Todos estiveram à altura da época em que exerceram o cargo. Todos se posicionaram como símbolos de uma Instituição, a Igreja Católica, que tem marcado os séculos. Uma vez menos bem, outras melhor, dando testemunho. Moldados pelas circunstâncias, por vezes.

  A Igreja é feita de homens, como todos nós. Pecadores. Caídos aqui, nos caminhos; levantados ali, noutros percursos.

  Mas a Igreja é uma voz que tenta ser pendulo do fiel da balança, numa perspectiva de liberdades. Mas devemos, crentes e não crentes, contextualizar os tempos, porque a Igreja e os seus actores são fruto desses tempos. Houve a Santa Inquisição, num tempo. Mas houve perdão e reconhecimento das faltas, noutros tempos.

  Este foi um Papa do Coração e da Escuta. Um Papa que orientou, seguindo as Mensagens Salvíficas de Cristo, apresentando-as a todos nós como um meio, partindo da fé de cada um, de nos darmos, de deixarmos amor, de nos solidarizarmos com os mais abandonados e os mais escalpelizados pelos moralistas da Vida…

  Francisco guiou-nos, deixa luz e trilho.  Deixa saudade. Esteve na linha da frente para obter Paz, num Mundo em mudança e em guerrilhas. Muitos de nós não apreciámos o seu “mandato”; outros adoraram a sua caminhada.

  Nem o Cristo Homem, filho de Deus, agradou à multidão que, em uníssono, o condenou à morte.

  O Conclave vai indicar um novo Papa. Tomara que fosse português. Mas tenho cá um pressentimento que poderá vir a ser um africano.

  Os tempos não vão de feicção, porque sopram ventos aziagos, em que os homens, os mais déspotas, se decidiram por amarrar guerras, matando inocentes e fazendo progredir as indústrias de armamento; porque se paga mal; porque não há condições dignas, para a maioria dos homens, para viverem; porque as tecnologias desumanizam cada um; porque já não há pais que saibam educar; porque queremos ter e não ser… Temos de saber aprender a ser homens e mulheres de bem, de gestos e de fragâncias de amor. O Homem só se modifica se se converter e perceber que só o Amor liberta. O Mundo apreciaria essa sua forma de agir. Moçambique precisa, por estes tempos, caro abalaga, que haja quem pregue a Paz e a Reconciliação Nacional, nunca tumultos nas ruas.

  O Papa Francisco deixa, como tantos outros um vazio, mas será ocupado, em breve, por um sucessor que terá ou poderá ter outra visão para a Igreja. Mais conservadora ou mais libertadora para perceber os tempos, os homens e a Vida? Quem sabe…só o Espírito Santo, para os que crêem, estará a preparar o substituto de Francisco. Tenhamos esperança, aliás, uma palavra de que tanto ele gostava. Convidou-nos a ser peregrinos da Esperança para a Vida, para os outros e para o Mundo.

                                         António Barreiros, Jornalista

 

Nota Editorial

É com singular satisfação que o Jornal Txopela dá guarida, a partir desta edição, à rubrica “Palavra (do) ao Abalaga”, um espaço reservado à pena arguta e ao verbo certeiro do jornalista António Barreiros, nosso colunista residente.

Nesta nova travessia de ideias e inquietações, o leitor encontrará uma visão aguda, por vezes incómoda, sempre necessária, sobre os tempos correntes — esse mundo presente que, com frequência, se disfarça de futuro. A crónica, que ora se inaugura, não pretende ser um púlpito moral, tampouco um tratado de certezas absolutas. É antes um espelho — por vezes fosco, outras vezes implacavelmente límpido — do nosso viver colectivo, dos seus silêncios, das suas rugas, dos seus sobressaltos.

O título, “Palavra (do) ao Abalaga”, faz jus à alma da rubrica: o gesto de entregar a palavra — não como simples concessão, mas como reconhecimento do valor que a mesma encerra — a um intérprete hábil da condição humana e do ofício jornalístico. “Abalaga”, expressão de nossos chãos, carrega a sonoridade e o peso de quem fala não para agradar, mas para provocar reflexão.

António Barreiros, de verbo elegante e espírito aguçado, não se furta ao exame dos temas maiores do nosso tempo: a política que nos inquieta, as ideias que nos movem, as injustiças que persistem. Com o rigor de quem escreve com o coração na tinta e os olhos na verdade, oferece-nos um exercício de jornalismo literário, onde a palavra é tanto instrumento quanto testemunha.

Que o leitor, com espírito aberto e sensibilidade crítica, encontre nesta rubrica não apenas opiniões, mas alimento para o pensamento — como se de uma ceia de ideias se tratasse, posta à mesa do discernimento colectivo.

Bem-vindo, caro leitor, à Palavra (do) ao Abalaga.