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Presidente da república agenda visita de trabalho à província da Zambézia

De acordo com uma nota de imprensa na posse da nossa redação, o Presidente da República, Daniel Chapo, agendou uma visita de trabalho à Província da Zambézia, prevista para os dias 24 e 25 de julho de 2025. A visita tem como objetivo reforçar a governação aberta e promover o diálogo direto entre a liderança nacional e os servidores públicos da região.

No dia 24 de julho, o Presidente Chapo irá realizar uma reunião de trabalho na cidade de Quelimane, com a presença de todos os funcionários e agentes de Estado provenientes dos 22 distritos da Zambézia. A reunião tem como foco principal a avaliação do processo profissional dos servidores públicos e a discussão das preocupações do dia a dia no exercício de suas funções, visando melhorar a qualidade dos serviços prestados à população.

A nota de imprensa destaca que o encontro será uma oportunidade para o Chefe de Estado ouvir diretamente as preocupações dos servidores, identificar os desafios enfrentados no trabalho diário e buscar soluções que visem otimizar a prestação de serviços à população. A iniciativa também reflete o compromisso do Governo com a transparência e a melhoria contínua da administração pública, assegurando que os serviços estejam alinhados com as necessidades da população.

Além da reunião com os funcionários públicos, a visita do Presidente Chapo à Zambézia inclui outras atividades que visam estreitar os laços com a população local e avaliar o andamento dos projetos em execução na província.

Esta visita tem gerado grande expectativa entre os servidores públicos e a população da Zambézia, que aguardam com ansiedade a presença do Presidente, na esperança de que novas medidas sejam implementadas para melhorar a eficiência e a qualidade do atendimento público

Venâncio Mondlane: A rápida transição de herói da resistência a vilão do regime

O caso de Venâncio Mondlane, político e feroz crítico do regime moçambicano, levanta questões cruciais sobre a integridade do sistema judicial do país e as verdadeiras intenções por trás das acusações formais que lhe são imputadas. Após meses de investigações e manifestações pós-eleitorais, a Procuradoria Geral da República formalizou uma série de acusações contra o político, incluindo crimes como “apologia pública ao crime”, “incitação à desobediência pública” e “instigação ao terrorismo”. No entanto, à medida que o caso se desenvolve, uma dúvida paira no ar: estas acusações são uma ação legítima do Estado de Direito ou mais uma tentativa de repressão política disfarçada de processo judicial?

A acusação contra Mondlane, apresentada com pompa pela Procuradoria, inclui cinco crimes que, segundo as autoridades, comprometeriam a ordem pública e a segurança nacional. Entre eles, a instigação ao terrorismo e a incitação à violência são as mais graves, sendo que Mondlane é acusado de ter tentado incitar atos de desobediência e terror após o seu regresso ao país, em um cenário pós-eleitoral já marcado por tensão e contestação popular.

Porém, a forma como estas acusações são apresentadas e o contexto em que surgem suscitam dúvidas quanto à sua motivação real. Mondlane, que se posiciona como um líder da resistência contra o regime vigente, defende que as acusações são um reflexo de um sistema que, ao invés de buscar justiça, procura silenciar qualquer forma de oposição, especialmente a sua. “É a primeira vez em 30 anos de democracia que conseguimos chegar até ao fim na questão da fraude eleitoral,” afirmou recentemente, sugerindo que a acusação contra si é uma estratégia para esconder as falhas do sistema e descreditar a sua luta.

Um Sistema Judicial em Xeque

O facto de Mondlane ser acusado de incitação ao terrorismo é, sem dúvida, um ponto de viragem importante neste caso. As leis antiterrorismo, especialmente a Lei nº 15/2023, têm sido criticadas pela sua redação vaga e pelo potencial de serem usadas para reprimir qualquer forma de dissidência política. Neste sentido, a acusação contra Mondlane não parece ser uma simples questão jurídica, mas uma tentativa de criminalizar a sua resistência política e, por extensão, enfraquecer a oposição que desafia o poder estabelecido.

A maneira como o sistema judicial moçambicano está a lidar com o caso levanta uma questão ainda mais preocupante: até que ponto as instituições do país são independentes, ou estão sendo usadas para proteger um regime cada vez mais autocrático? Em uma democracia funcional, o papel das instituições judiciais seria o de garantir a justiça, sem se submeter a pressões externas ou interesses políticos. No entanto, o que se observa é um uso crescente do sistema judicial como uma ferramenta de repressão, no qual acusações de terrorismo ou incitação são uma forma de silenciar a oposição.

Em suas declarações, Mondlane tem reiterado que a sua luta é pela verdade e pela justiça em relação àquilo que considera serem fraudes eleitorais e um sistema que manipula a vontade popular. “O que está em jogo não sou eu, mas o futuro deste país e a verdadeira democracia,” afirmou, com a convicção de quem acredita que está a travar uma batalha pela liberdade de expressão e pela democracia.

Porém, ao colocar-se como uma figura de resistência, Mondlane está, inevitavelmente, a desafiar um sistema político que, ao longo dos últimos anos, tem dado sinais preocupantes de autoritarismo. A acusação de que ele está a incitar o terrorismo não é uma acusação isolada: ela surge no contexto de um governo que tem demonstrado cada vez mais intolerância para com a oposição. De facto, a instrumentalização das forças de segurança, que têm sido usadas para intimidar os manifestantes e a população em geral, é uma prática recorrente que não pode ser ignorada.

O governo moçambicano, ao lançar mão do sistema judicial para lidar com a crescente oposição, está a criar um ambiente em que a dissidência é vista como uma ameaça e não como uma parte legítima do debate democrático. A acusação de Mondlane é um claro exemplo dessa estratégia, que visa criminalizar a oposição política, transformando figuras como o político em bodes expiatórios de um sistema que se recusa a reformar-se.

Por outro lado, a legitimidade das acusações também é questionada pela maneira como o governo tem lidado com as manifestações populares e a contestação política. O clima de medo gerado pela repressão das manifestações pós-eleitorais e a violência policial não só compromete a confiança nas instituições, como também enfraquece a própria ideia de democracia, tornando-a cada vez mais uma fachada para a manutenção do poder.

Em última análise, o que está em jogo não é apenas o destino de Venâncio Mondlane, mas o futuro da democracia em Moçambique. Se as acusações contra o político forem vistas como uma tentativa legítima de justiça, as consequências poderão ser desastrosas para a liberdade de expressão e para a oposição política no país. Contudo, se a sociedade e a comunidade internacional interpretarem este processo como uma manobra de retaliação política, os danos à imagem de Moçambique como uma democracia sólida e respeitadora dos direitos humanos serão irreparáveis.

O caso Mondlane está, assim, a revelar a tensão crescente entre a luta pela verdade e justiça e a resistência a um sistema que usa as instituições judiciais para consolidar o poder. A democracia moçambicana enfrenta um momento decisivo: ou reforça as suas instituições e garante a liberdade de expressão e de oposição, ou se vê cada vez mais à mercê de um sistema autoritário disfarçado de legalidade.

A atenção da sociedade moçambicana e da comunidade internacional estará voltada para o julgamento de Mondlane, que se afigura como um verdadeiro teste à integridade das instituições judiciais e à resiliência da democracia no país.

Zambézia reforça medidas de vigilância com surto de M-Pox nas regiões vizinhas

A província da Zambézia está em estado de alerta máximo após a confirmação de casos de M-Pox em regiões vizinhas, como a província de Niassa e o país vizinho, Malawi. A proximidade geográfica da Zambézia, que partilha uma fronteira de mais de 100 quilômetros com o Malawi — abrangendo os distritos de Milanje, Morrumbala e Molumbo — tem aumentado as preocupações das autoridades de saúde locais, que reforçaram a vigilância nas portas de entrada e nas unidades sanitárias desses distritos.

De acordo com Almiro Raimundo, chefe da Repartição de Saúde Pública da Direção Provincial de Saúde da Zambézia, a situação exige uma resposta rápida e coordenada. “Todas as unidades sanitárias dos distritos fronteiriços estão em alerta e temos equipes monitorando ativamente os casos suspeitos”, afirmou Raimundo.

Recentemente, foram registrados três casos suspeitos de M-Pox no distrito de Milanje. As equipes de saúde locais, em colaboração com a equipe provincial, agiram prontamente, recolhendo amostras e enviando-as ao laboratório de referência para análise. “Felizmente, os resultados dos testes foram negativos, mas o protocolo de vigilância continua em vigor”, explicou Raimundo.

A M-Pox, que é uma doença viral, começa com febre e lesões no pescoço, e em seguida, lesões cutâneas podem aparecer e, em estágios mais avançados, afetar as mucosas, como a boca. Raimundo destacou que a doença pode ser confundida com outras condições, como o sarampo, o que exige um diagnóstico rigoroso e cuidadoso por parte dos profissionais de saúde.

Em face desse risco, o chefe da saúde pública na Zambézia fez um apelo à população para manter a vigilância. “É fundamental que qualquer pessoa que apresente lesões na pele, especialmente nas regiões de fronteira, procure atendimento nas unidades de saúde mais próximas”, disse. Para as áreas mais distantes, a população pode recorrer às Áreas de Prestação de Saúde (APS), onde também estão sendo feitas as notificações de casos suspeitos.

O alerta também se estende ao comportamento da população. Raimundo enfatizou que, como a M-Pox é uma doença altamente contagiosa, indivíduos com sintomas suspeitos devem ser isolados de outros e evitar o contato físico. “A automedicação é altamente desaconselhada, e a partilha de objetos pessoais, como roupas e toalhas, deve ser evitada”, aconselhou.

Apesar do risco de transmissão, Raimundo tranquilizou a população ao afirmar que a M-Pox é uma doença autolimitada, o que significa que a recuperação ocorre naturalmente entre duas a quatro semanas, sem necessidade de tratamentos específicos. Contudo, ele reforçou que o isolamento dos doentes e o acompanhamento médico são essenciais para o controle da doença e para evitar sua propagação.

As autoridades de saúde seguem monitorando a situação de perto, mantendo o protocolo de vigilância e controle para garantir que a doença não se alastre pela província e, consequentemente, pelo país.

 

Venâncio Mondlane convocado pela PGR: Um jogo de pressões ou de purificação?

Às vésperas do amanhecer de terça-feira, a Procuradoria-Geral da República de Moçambique fez soar os tambores do poder, convocando o ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane para comparecer a um interrogatório. A convocatória, no entanto, surge com um simbolismo carregado, apenas um dia após o regresso de Mondlane a Moçambique, vindo de uma peregrinação internacional por Portugal e Alemanha, onde se especula que tenha fortalecido laços políticos e diplomáticos.

Citado pelo jornal O País, Mondlane, com o olhar resoluto de quem já atravessou inúmeras tempestades, expressou sua perplexidade diante do movimento da PGR. Sem compreender plenamente os motivos subjacentes à convocatória, o ex-candidato qualificou a chamada de “bastante sinistra”. E, como quem desafia as sombras do regime, reafirmou sua disposição em colaborar com os órgãos de justiça — ou com o que restou deles. “Estou pronto para apresentar minhas ideias e contribuir para a sociedade que todos almejamos”, declarou, como se a frase fosse um lembrete pungente de sua integridade e da opaca realidade política que o envolve.

Desde 2023, Mondlane tem solicitado, de maneira direta, o diálogo com a PGR — um clamor que, até o presente momento, caiu em ouvidos surdos. A ironia da situação é mais do que evidente. “Agora, no dia seguinte ao meu retorno, surge uma resposta rápida”, observou, com uma leveza que não disfarça a crítica implícita. “Mas não estou preocupado. Estou pronto.”

Não deixou de enfatizar que, em todas as suas saídas do país, sempre notificou as autoridades competentes — mesmo quando a legislação não exigia tal procedimento. Um detalhe, contudo, que não parece ser suficiente para evitar o jogo de aparências e tensões políticas. “Estou pronto para enfrentar todos os desafios, conhecidos e desconhecidos”, declarou, como quem já compreende o intrincado jogo de desgaste que se trava nas entrelinhas do poder. “Faz parte da missão que decidi aceitar.”

Entretanto, o que não se pode ignorar é que, ao ser convocado com tal presteza, Mondlane se torna uma peça no tabuleiro de um jogo político que oscila entre a estratégia de amedrontamento e a purgação das vozes dissidentes. Em um país onde o silêncio se tornou uma forma de resistência e o ato de falar uma manifestação de coragem, a convocação da PGR parece ser um reflexo de tempos em que a verdade e a transparência se tornam luxos perigosos.

Jornalistas capacitados contra crimes financeiros

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Dez jornalistas moçambicanos participaram na edição 2025 do Programa de Formação Avançada em Jornalismo Financeiro, uma iniciativa que visa fortalecer a capacidade da imprensa na investigação de fluxos financeiros ilícitos em Moçambique.

A formação dividiu-se em dois módulos: o primeiro decorreu na Macaneta (2 a 6 de Junho) e o segundo em Ponta do Ouro (16 a 18 de Julho). Durante oito dias, os jornalistas exploraram técnicas avançadas de jornalismo investigativo com foco em corrupção, evasão fiscal e crimes económicos.

A capacitação é promovida pelo Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) e pela Thomson Reuters Foundation (TRF), com apoio da Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (NORAD), no quadro do projecto Expose the Flow, dedicado ao combate aos fluxos financeiros ilícitos em África Subsaariana.

Esta é a segunda formação do género em Moçambique, dando continuidade à primeira edição realizada em 2024, também em Maputo.

Asfaltagem na Rua de Sofala e Rua de Tete entra na reta final em Nampula

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As obras de asfaltagem nas ruas de Sofala e de Tete, em Nampula, estão na fase final. Esta intervenção faz parte de um pacote maior que inclui também a Rua Solidariedade e a via do Matadouro, essenciais para melhorar a mobilidade urbana.

Liderado pelo Presidente do Conselho Municipal, Luís Madubula Giquira, o projeto está a ser executado com recursos próprios do Município, ao longo de seis meses, abrangendo mais de 2.400 metros de vias.

Para além da pavimentação, o plano inclui a construção de valetas para drenagem, fundamentais para a durabilidade das estradas e o controlo das águas pluviais.

Engenheiros Consultores acompanham rigorosamente a execução, assegurando que as vias resultem em espaços mais seguros e acessíveis para todos os munícipes, reforçando o compromisso de Nampula com o progresso contínuo da cidade.

Navio gigante passa 10 dias despercebido na costa moçambicana

Como é possível um navio do tamanho de dois campos de futebol permanecer 10 dias nas águas moçambicanas sem que as autoridades se apercebam? Primeiro ancorou na praia do Bilene, depois mudou-se para Xai-Xai, onde ficou mais tempo. O Governo atribui o silêncio ao mau tempo, mas a falta de controlo levanta dúvidas sérias.

O comandante alegou ter enviado um e-mail ao Porto de Maputo — um método incomum para navios desta dimensão, que normalmente usam rádio VHF e satélite para comunicação. Nenhuma confirmação foi feita pelas autoridades.

O navio navega sob bandeira da Libéria, conhecida por laxismo e uso frequente por embarcações suspeitas. Em países como França ou EUA, a Guarda Costeira teria agido imediatamente, mas em Moçambique, quem viu foram pescadores artesanais.

Não é ignorância, é falha grave.

Guebuza: O Último Presidente com Projecto de Nação

Num tempo em que o poder se exerce com hesitação, e a governação se resume a slogans e fotografia, é inevitável olhar para trás e reconhecer: Armando Emílio Guebuza foi o último Presidente de Moçambique com visão estruturante e sentido de missão nacional.

Durante os seus dois mandatos (2005–2015), Guebuza não se limitou a discursar. Planeou, executou e deixou obra. Lançou a Agenda 2025, estabeleceu os Corredores de Desenvolvimento de Nacala e Maputo, criou o Fundo de Desenvolvimento Distrital — os célebres “sete milhões” — e ergueu infraestruturas que ainda hoje sustentam a economia nacional.

De norte a sul, as suas marcas estão no chão:

  • Ponte Maputo-Katembe
  • Estrada Circular de Maputo
  • Reabilitação da N1 e da linha férrea de Sena
  • Modernização do Porto da Beira
  • Electrificação rural
  • Aeroportos, escolas, centros de saúde, bancos rurais

Guebuza foi ao povo. A sua Presidência Aberta não era mero exercício de propaganda. Percorria distritos, escutava camponeses, interpelava professores, sentia o país real — sem se esconder atrás de relatórios manipulados nem comitivas blindadas.

Em contraste, o sucessor Filipe Nyusi, que herdou um país em franco crescimento, preferiu centralizar o poder, sufocar as províncias, engavetar as reformas, e deixar a economia refém de escândalos e compadrios. Os distritos voltaram ao esquecimento e o Estado encolheu nas zonas rurais.

Daniel Chapo, apresentado como “o novo sangue da FRELIMO”, surge como figura sem biografia de entrega, sem acções visíveis e sem ideias transformadoras. Fala de juventude, mas sem coragem; fala de continuidade, mas sem substância. Nenhuma iniciativa estratégica lhe é atribuída. Nenhum plano nacional. Nenhuma marca.

Comparar Chapo ou Nyusi a Guebuza é insultar a memória da governação com P maiúsculo. Guebuza não foi perfeito. Cometeu erros, como qualquer líder. Mas os seus feitos estão nos portos, nas pontes, nos programas. O resto é improvisação e discursos vazios.

Hoje, Moçambique arrasta-se num piloto automático institucional. Sem rumo claro. Sem projecto nacional. Sem liderança com coragem.

E é por isso que muitos moçambicanos, silenciosamente, perguntam:
“Onde está o próximo Guebuza?”

Porque ser presidente não é ser eleito. É deixar pegadas.
E já lá vão onze anos sem presidente.
E por azar, como tudo indica, assim continuaremos por mais quatro.

Um apelo presidencial pela soberania alimentar

Carta Aberta ao Presidente da República, Daniel Chapo

Senhor Presidente,

Com o mais profundo respeito institucional e sentido de dever patriótico, tomo a liberdade de propor à Vossa Excelência uma medida de grande impacto nacional: reconverter os 100 tratores adquiridos para transporte urbano numa operação presidencial de produção agrícola mecanizada, a favor da soberania alimentar de Moçambique.

A independência económica que Vossa Excelência elegeu como bandeira do seu mandato não se atinge com discursos nem decretos. Constrói-se com políticas que enfrentem o essencial: o que comemos, o que produzimos e o que deixamos de importar. Continuar a depender de arroz, trigo e óleo importados — em tempos de guerras, choques logísticos e colapsos climáticos — é colocar a nação à mercê de factores que escapam ao nosso controlo. É ceder, silenciosamente, a soberania.

Neste contexto, usar tratores agrícolas para transporte de passageiros nas cidades é, no mínimo, um erro técnico, mas também uma mensagem política perigosa: a de um governo sem coordenação e sem prioridades claras.

É por isso que proponho, com humildade e urgência, uma iniciativa presidencial ambiciosa: a reconversão dos 100 tratores para uma grande campanha nacional de produção agrícola mecanizada, que poderia chamar-se Comida da Nossa Terra.

Uma Operação Nacional com Resultados Visíveis

A proposta assenta em quatro eixos:

  1. Redução da dependência alimentar em 3 anos com foco nos principais cereais, tubérculos e oleaginosas.
  2. Geração de emprego rural e aumento de rendimentos nos distritos agrícolas.
  3. Valorização prática da independência económica, com expressão nos campos, não apenas nos palanques.
  4. Coordenação interministerial sob liderança directa da Presidência da República.

A Zambézia reúne todas as condições para lançar esta campanha com impacto imediato: é a maior produtora de grãos do país, tem distritos com tradição agrícola consolidada (Gurué, Alto Molócuè, Ile, Mocuba, Maganja da Costa), solo fértil e um povo camponês que apenas precisa de ferramentas e orientação.

Seguir-se-iam outras regiões com vocação agrícola clara:

  • Tete (Angónia, Tsangano) – milho, batata, feijão
  • Nampula (Monapo, Ribáuè) – milho, mandioca, amendoim
  • Niassa (Cuamba, Lichinga) – soja, arroz
  • Manica (Sussundenga, Barué) – hortícolas, cereais
  • Sofala (Gorongosa, Nhamatanda) – arroz e culturas irrigadas

Gestão Pública, Operacionalização Técnica

Os tratores seriam geridos por centros públicos de mecanização agrícola, com operadores qualificados, sob um plano nacional. A coordenação seria interministerial (Agricultura, Defesa, Juventude, Indústria e Finanças), com apoio de universidades, cooperativas, empresas de sementes e bancos de fomento.

Mais do que corrigir um erro, esta acção ofereceria a Vossa Excelência uma oportunidade rara: liderar, pessoalmente, uma verdadeira revolução agrícola moderna, com impacto directo na balança comercial, na confiança internacional, e no estômago do povo.

Moçambique não precisa de milagres, precisa de visão. A terra está pronta. O povo quer trabalhar. Os tratores estão aí.
Só falta a decisão que transforma ferro em pão.

Adelino Timóteo homenageado pelos 30 anos de carreira

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O artista e escritor moçambicano Adelino Timóteo foi homenageado esta sexta-feira, 18 de Julho, na cidade da Beira, por ocasião dos seus 30 anos de carreira nas artes e na literatura. A cerimónia, promovida pelo Centro Cultural Português – Polo da Beira, contou com a presença de várias figuras da cultura nacional e da sociedade civil.

O Governador de Sofala, Lourenço Bulha, marcou presença no evento e destacou a importância de celebrar figuras que têm contribuído de forma marcante para a produção artística e o pensamento crítico no país.

Ao longo de três décadas, Timóteo construiu uma obra plural, reconhecida dentro e fora de Moçambique, que atravessa a literatura, as artes visuais e a intervenção cultural.

A homenagem foi também uma chamada à valorização dos fazedores de cultura em vida, num país onde o reconhecimento costuma chegar tarde demais.