Num tempo em que o poder se exerce com hesitação, e a governação se resume a slogans e fotografia, é inevitável olhar para trás e reconhecer: Armando Emílio Guebuza foi o último Presidente de Moçambique com visão estruturante e sentido de missão nacional.
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Durante os seus dois mandatos (2005–2015), Guebuza não se limitou a discursar. Planeou, executou e deixou obra. Lançou a Agenda 2025, estabeleceu os Corredores de Desenvolvimento de Nacala e Maputo, criou o Fundo de Desenvolvimento Distrital — os célebres “sete milhões” — e ergueu infraestruturas que ainda hoje sustentam a economia nacional.
De norte a sul, as suas marcas estão no chão:
- Ponte Maputo-Katembe
- Estrada Circular de Maputo
- Reabilitação da N1 e da linha férrea de Sena
- Modernização do Porto da Beira
- Electrificação rural
- Aeroportos, escolas, centros de saúde, bancos rurais
Guebuza foi ao povo. A sua Presidência Aberta não era mero exercício de propaganda. Percorria distritos, escutava camponeses, interpelava professores, sentia o país real — sem se esconder atrás de relatórios manipulados nem comitivas blindadas.
Em contraste, o sucessor Filipe Nyusi, que herdou um país em franco crescimento, preferiu centralizar o poder, sufocar as províncias, engavetar as reformas, e deixar a economia refém de escândalos e compadrios. Os distritos voltaram ao esquecimento e o Estado encolheu nas zonas rurais.
Daniel Chapo, apresentado como “o novo sangue da FRELIMO”, surge como figura sem biografia de entrega, sem acções visíveis e sem ideias transformadoras. Fala de juventude, mas sem coragem; fala de continuidade, mas sem substância. Nenhuma iniciativa estratégica lhe é atribuída. Nenhum plano nacional. Nenhuma marca.
Comparar Chapo ou Nyusi a Guebuza é insultar a memória da governação com P maiúsculo. Guebuza não foi perfeito. Cometeu erros, como qualquer líder. Mas os seus feitos estão nos portos, nas pontes, nos programas. O resto é improvisação e discursos vazios.
Hoje, Moçambique arrasta-se num piloto automático institucional. Sem rumo claro. Sem projecto nacional. Sem liderança com coragem.
E é por isso que muitos moçambicanos, silenciosamente, perguntam:
“Onde está o próximo Guebuza?”
Porque ser presidente não é ser eleito. É deixar pegadas.
E já lá vão onze anos sem presidente.
E por azar, como tudo indica, assim continuaremos por mais quatro.
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