Carta Aberta ao Presidente da República, Daniel Chapo
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Senhor Presidente,
Com o mais profundo respeito institucional e sentido de dever patriótico, tomo a liberdade de propor à Vossa Excelência uma medida de grande impacto nacional: reconverter os 100 tratores adquiridos para transporte urbano numa operação presidencial de produção agrícola mecanizada, a favor da soberania alimentar de Moçambique.
A independência económica que Vossa Excelência elegeu como bandeira do seu mandato não se atinge com discursos nem decretos. Constrói-se com políticas que enfrentem o essencial: o que comemos, o que produzimos e o que deixamos de importar. Continuar a depender de arroz, trigo e óleo importados — em tempos de guerras, choques logísticos e colapsos climáticos — é colocar a nação à mercê de factores que escapam ao nosso controlo. É ceder, silenciosamente, a soberania.
Neste contexto, usar tratores agrícolas para transporte de passageiros nas cidades é, no mínimo, um erro técnico, mas também uma mensagem política perigosa: a de um governo sem coordenação e sem prioridades claras.
É por isso que proponho, com humildade e urgência, uma iniciativa presidencial ambiciosa: a reconversão dos 100 tratores para uma grande campanha nacional de produção agrícola mecanizada, que poderia chamar-se Comida da Nossa Terra.
Uma Operação Nacional com Resultados Visíveis
A proposta assenta em quatro eixos:
- Redução da dependência alimentar em 3 anos com foco nos principais cereais, tubérculos e oleaginosas.
- Geração de emprego rural e aumento de rendimentos nos distritos agrícolas.
- Valorização prática da independência económica, com expressão nos campos, não apenas nos palanques.
- Coordenação interministerial sob liderança directa da Presidência da República.
A Zambézia reúne todas as condições para lançar esta campanha com impacto imediato: é a maior produtora de grãos do país, tem distritos com tradição agrícola consolidada (Gurué, Alto Molócuè, Ile, Mocuba, Maganja da Costa), solo fértil e um povo camponês que apenas precisa de ferramentas e orientação.
Seguir-se-iam outras regiões com vocação agrícola clara:
- Tete (Angónia, Tsangano) – milho, batata, feijão
- Nampula (Monapo, Ribáuè) – milho, mandioca, amendoim
- Niassa (Cuamba, Lichinga) – soja, arroz
- Manica (Sussundenga, Barué) – hortícolas, cereais
- Sofala (Gorongosa, Nhamatanda) – arroz e culturas irrigadas
Gestão Pública, Operacionalização Técnica
Os tratores seriam geridos por centros públicos de mecanização agrícola, com operadores qualificados, sob um plano nacional. A coordenação seria interministerial (Agricultura, Defesa, Juventude, Indústria e Finanças), com apoio de universidades, cooperativas, empresas de sementes e bancos de fomento.
Mais do que corrigir um erro, esta acção ofereceria a Vossa Excelência uma oportunidade rara: liderar, pessoalmente, uma verdadeira revolução agrícola moderna, com impacto directo na balança comercial, na confiança internacional, e no estômago do povo.
Moçambique não precisa de milagres, precisa de visão. A terra está pronta. O povo quer trabalhar. Os tratores estão aí.
Só falta a decisão que transforma ferro em pão.
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