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Tradição oral em destaque em novo livro de Lineu

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Está agendado para a próxima terça-feira, 22 de Julho, às 14 horas, na Escola dos Bons Sinais em Quelimane, o lançamento do mais recente livro do escritor moçambicano Nelson Lineu, intitulado Quem ensinou a avó a contar estórias. A sessão contará com a apresentação da escritora e investigadora Josina Viegas, bem como uma leitura encenada da obra pela actriz e performer Sádia Ernesto Pinto.

A obra narra o percurso da avó Madalena, que, ao se deparar com a necessidade de entreter a neta Olga após a morte do avô Angorete — exímio contador de estórias — descobre sua própria ausência narrativa. Com ternura e introspecção, Quem ensinou a avó a contar estórias mergulha nas memórias familiares, afetos intergeracionais e o papel transformador da oralidade como ponte entre o passado e o presente. Mais do que uma fábula, o livro é um ensaio poético sobre as heranças intangíveis e o despertar de uma voz adormecida.

Nelson Lineu, autor com sólida formação em Filosofia, é professor na Escola Nacional de Artes Visuais e membro activo da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO). Fundador do Movimento Literário Kuphaluxa e ex-director da Revista Literatas, o escritor tem marcado presença na literatura moçambicana contemporânea com títulos como Sopro, Asas da água e Cada um em mim. A sua escrita estende-se ao audiovisual, tendo assinado guiões de telenovelas e séries como Maida, A Infiltrada e Peixe na Brasa.

A leitura dramatizada de Sádia Ernesto Pinto promete dar corpo às vozes da narrativa, numa proposta que conjuga literatura e performance, recuperando o espírito das contadoras de estórias e das noites de embondeiro. A apresentação crítica de Josina Viegas deverá situar o livro no contexto da literatura oral e da memória feminina na tradição narrativa moçambicana.

A entrada é livre e aberta ao público, com apelo especial à presença de professores, estudantes, leitores e curiosos do livro moçambicano. O evento conta com o apoio da Escola dos Bons Sinais, Kuphaluxa e parceiros culturais locais.

Quelimane reforça agricultura urbana com reactivação de campo de demonstração em Gogone

O Município de Quelimane deu um passo estratégico na promoção da segurança alimentar e agricultura urbana com a reactivação do seu campo de demonstração agrícola, localizado no bairro de Gogone, Posto Administrativo n.º 5. O espaço, com cerca de três hectares, encontra-se actualmente a produzir uma variedade de hortícolas, como alface, tomate, beterraba, cebola, couve-chinesa e pimenta.

A iniciativa, impulsionada pela Vereação de Actividades Económicas, Mercados e Feiras, visa, entre outros objectivos, melhorar a nutrição das comunidades vizinhas, garantir o acesso a produtos frescos a preços simbólicos e promover práticas sustentáveis de produção alimentar ao nível doméstico.

Durante uma visita técnica realizada nesta quarta-feira ao local, o vereador José Carvalho destacou a importância do campo como modelo de referência para os moradores do bairro de Gogone e dos restantes postos administrativos. “Queremos que este campo seja um modelo para os residentes do bairro e que sirva como exemplo para outros postos administrativos,” afirmou.

A acção insere-se numa estratégia mais ampla do Município para revitalizar práticas agrícolas urbanas, contribuindo não só para o combate à insegurança alimentar, mas também para o dinamismo económico local. Neste sentido, o vereador orientou a equipa técnica no sentido de diversificar as culturas exploradas no campo, com a introdução de papaieiras, cana-de-açúcar e bananeiras, aproveitando a extensão e o potencial fértil da área.

Por sua vez, o director do Departamento de Agricultura do Município, Avertino Sande, anunciou que o projecto será progressivamente replicado nos sete postos administrativos urbanos da cidade. “A nossa meta é transformar Quelimane numa cidade resiliente, com capacidade para produzir os seus próprios alimentos e estimular uma cultura agrícola urbana forte e participativa”, declarou.

A reactivação do campo de demonstração em Gogone reforça o compromisso do Conselho Municipal em alinhar as políticas locais com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, sobretudo no que diz respeito à erradicação da fome, promoção de saúde e bem-estar, e fomento de comunidades sustentáveis.

A médio prazo, espera-se que o impacto do projecto se traduza não apenas na melhoria dos hábitos alimentares da população, mas também na geração de rendimentos alternativos para famílias que decidam replicar o modelo em hortas comunitárias e domésticas.

 

Quelimane dá passo importante na gestão urbana com nova delimitação territorial

O Conselho Municipal de Quelimane acolheu, esta quinta-feira, no gabinete do Presidente, a apresentação dos primeiros resultados do processo de delimitação dos Postos Administrativos Municipais e Bairros da cidade, no âmbito de um projecto financiado pelos Países Baixos e implementado pela organização Terra Firma, em coordenação com o Ministério da Administração Estatal e Função Pública (MAEF).

A iniciativa visa a reorganização e clarificação dos limites administrativos dentro do município, com o objetivo de promover uma melhor gestão do território urbano, facilitar a planificação urbana, garantir uma prestação de serviços mais eficaz e aumentar a participação comunitária nos processos de governação local.

Durante o encontro, foram apresentados os novos limites dos bairros da cidade e discutidos os avanços registados na delimitação dos Postos Administrativos, um exercício considerado essencial para consolidar a autonomia e eficiência da administração municipal.

O Presidente do Conselho Municipal de Quelimane, Manuel de Araújo, destacou a importância do processo, sublinhando que “esta delimitação permitirá ao município trabalhar com mais precisão na resposta às necessidades das comunidades e no desenho de políticas públicas mais ajustadas à realidade local.”

Por seu turno, o Diretor Nacional do MAEF enalteceu o trabalho técnico levado a cabo pela Terra Firma e sublinhou que este tipo de iniciativas reforça a descentralização e contribui para a construção de cidades mais organizadas, inclusivas e resilientes.

O encontro serviu igualmente como momento de avaliação do grau de execução das actividades e de aferição do nível de satisfação das partes envolvidas com os trabalhos desenvolvidos até ao momento. A Terra Firma, responsável pela execução técnica do projeto, apresentou os métodos utilizados no mapeamento e definição dos limites territoriais, bem como os desafios enfrentados no terreno.

A delimitação agora em curso é parte de um esforço mais amplo de modernização da administração pública local, e deverá ser replicada em outras cidades do país, num esforço conjunto entre o Governo moçambicano e parceiros internacionais.

O processo de consulta comunitária e validação pública dos novos limites deverá prosseguir nas próximas semanas, com sessões nos bairros abrangidos, de forma a garantir transparência e inclusão.

Três candidatos disputam liderança da AEMO: Filimone Meigos aponta caminho da modernização

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O escritor, poeta e académico Filimone Meigos oficializou nesta terça-feira, em Maputo, a sua candidatura ao cargo de secretário-geral da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), numa cerimónia marcada por um discurso centrado na necessidade de renovação, reforço do associativismo e promoção da leitura.

Sob o lema “Uma candidatura pela leitura, pelo associativismo e pela renovação”, Meigos compromete-se a implementar uma série de iniciativas que visam resgatar o prestígio da AEMO, dinamizar a sua acção a nível nacional e modernizar a estrutura da organização que congrega escritores moçambicanos de diferentes gerações.

Entre os pontos centrais do seu manifesto, destacam-se a revitalização das associações provinciais de escritores, o estreitamento de laços com os núcleos já existentes, bem como a reabilitação e modernização da sede e serviços da AEMO. Meigos também propõe a realização de convívios intergeracionais, com o objectivo de promover o intercâmbio entre escritores consagrados e novos talentos literários.

A sua proposta inclui ainda o reforço do apoio aos clubes do livro e da leitura em todo o território nacional, bem como a implementação de um programa de aquisição de livros para os membros da AEMO, como forma de incentivo à produção e circulação da literatura moçambicana.

A eleição para o cargo de secretário-geral da AEMO está marcada para o próximo dia 26 de Julho e conta com três listas concorrentes: Lista A – liderada por Filimone Meigos, lista B – encabeçada por Aurélio Furdela e lista C – liderada por Luís Cezerilo.

A actual direcção da AEMO é presidida por Carlos Paradona, cujo mandato termina neste ciclo eleitoral. A disputa promete ser intensa, dada a diversidade de perfis e propostas apresentados pelos candidatos.

A entrada de Meigos na corrida é vista como um sinal de vontade de renovação dentro da classe literária, marcada por desafios relacionados à organização institucional, visibilidade pública e valorização dos escritores moçambicanos.

Com mais de três décadas dedicadas à literatura e ao ensino superior, Filimone Meigos traz para a candidatura uma bagagem significativa em matéria de políticas culturais e gestão associativa, o que poderá pesar na definição da liderança futura da AEMO.

A campanha eleitoral decorre até à véspera do escrutínio e espera-se que os próximos dias sejam marcados por debates, encontros com escritores e a apresentação pública dos programas de cada lista.

Ferroviário de Nampula troca de maquinista: João Chissano sai, Nacir Armando entra

O Ferroviário de Nampula anunciou esta quarta-feira (16) a demissão de João Chissano do comando técnico da equipa principal de futebol, na sequência de uma série de maus resultados que culminaram com a derrota frente ao Baía de Pemba, na sexta jornada do Moçambola 2024. A decisão foi oficialmente comunicada pela direcção do clube, após intensas críticas vindas dos adeptos e simpatizantes que já contestavam o desempenho do treinador há algumas semanas.

João Chissano, que assumiu os “locomotivas” da capital do Norte no início da presente época, não conseguiu traduzir em resultados a expectativa depositada na sua liderança. A equipa apresenta um desempenho irregular e ocupa actualmente uma posição desconfortável na tabela classificativa, o que acabou por ditar o fim precoce da sua ligação ao clube.

Para ocupar o lugar vago, o Ferroviário de Nampula recorreu a um nome conhecido do futebol nacional e da própria casa: Nacir Armando. Segundo avança o Jornal Desafio, o técnico de 63 anos, campeão nacional com a União Desportiva do Songo em 2018, deverá chegar a Nampula amanhã, quinta-feira, para oficializar o vínculo contratual e iniciar funções.

Nacir Armando não é um estranho ao universo “axinene”. Orientou a formação do Ferroviário de Nampula em 2007 e regressa agora com a missão de devolver estabilidade e competitividade ao plantel. A sua vasta experiência no futebol moçambicano, onde passou por clubes como Costa do Sol, Ferroviário de Maputo, Estrela Vermelha, Desportivo de Nacala, Ferroviário de Lichinga, entre outros, constitui um trunfo importante para os desafios que se avizinham.

A direcção do clube espera que a chegada de Nacir imprima uma nova dinâmica no balneário e permita recolocar a equipa no caminho das vitórias. A estreia do novo técnico poderá acontecer já na próxima jornada do Moçambola, dependendo da formalização do contrato e do tempo de preparação.

Enquanto isso, os adeptos aguardam com expectativa os primeiros sinais da mudança prometida, esperando que o novo treinador consiga fazer esquecer o período turbulento vivido sob a liderança de Chissano.

Silêncio das bases e ascensão dos fiéis: OJM em crise de legitimidade

Por Luís de Figueiredo

Apesar do tom conciliador do recém-eleito Secretário-Geral da Organização da Juventude Moçambicana (OJM), Constantino André, a cerimónia de passagem de pastas ocorrida esta semana em Maputo evidencia um padrão cada vez mais difícil de ignorar: a instrumentalização da juventude partidária da Frelimo em prol de interesses elitistas, práticas clientelistas e promoção de carreiras por afinidade política – o chamado “lambebotismo”.

Num discurso marcado por promessas de inclusão e respeito à diversidade, Constantino André tenta afastar a OJM da imagem de ser uma organização capturada por elites e grupinhos privilegiados, como alertou o próprio presidente da Frelimo, Daniel Chapo, durante a VII Conferência Nacional da juventude partidária. Porém, na prática, o cenário que se desenha aponta para a continuidade de uma estrutura política cada vez mais impermeável à meritocracia, e dominada por redes de lealdade pessoal e troca de favores.

A nomeação recente do ex-Secretário-Geral da OJM, Silva Livone, para o cargo de Secretário de Estado na província do Niassa, levanta sérias questões sobre o uso da organização juvenil como trampolim político. A prática recorrente de premiar quadros jovens com nomeações governamentais, sem clara prestação de contas ou mérito técnico transparente, tem sido denunciada por membros descontentes da própria Frelimo como reflexo de um sistema de promoção baseado no alinhamento político incondicional – um dos sintomas mais visíveis do amiguismo e da decadência institucional da juventude do partido no poder.

Durante a cerimónia de entrega de pastas, Livone alertou o seu sucessor sobre as pressões internas para violar normas estatutárias: “Há muitos camaradas que gostam de violar as normas. Vão pedir coisas que não se podem fazer”, afirmou. A advertência, ainda que subtil, parece ser um reconhecimento implícito da corrupção interna e das dificuldades de resistir aos esquemas de influência e manipulação dentro da estrutura da OJM.

Enquanto o novo Secretário-Geral reforça a retórica de combate à exclusão e promoção da independência económica – alinhando-se fielmente à “agenda e visão” do Presidente Chapo – vozes críticas apontam para a crescente desconexão entre o discurso oficial e a realidade das bases juvenis. A maioria dos jovens moçambicanos enfrenta desemprego crónico, exclusão das oportunidades de formação, e falta de acesso a crédito ou recursos para empreender. Em vez de servir como plataforma de mobilização autêntica e de representação das aspirações juvenis, a OJM tem funcionado, segundo analistas, como uma extensão do aparelho partidário – uma escola de obediência política e não de cidadania.

Para muitos observadores, a ascensão de Constantino André representa mais uma oportunidade perdida de renovar verdadeiramente a OJM e abrir espaço para vozes independentes e críticas dentro da juventude moçambicana. O risco, como tem sido reiterado por académicos e activistas sociais, é que a organização se afunde cada vez mais numa lógica de reprodução de poder, onde o acesso a cargos não depende da visão, competência ou integridade, mas sim da habilidade de agradar aos chefes, cultivar padrinhos políticos e seguir ordens sem questionamento.

A promessa de “resgatar os valores fundacionais” da OJM soa, para muitos jovens desiludidos, como mais um slogan vazio num partido que tem normalizado o clientelismo e ignorado a pluralidade de pensamento em suas fileiras juvenis. A juventude moçambicana merece mais do que um órgão partidário capturado. Merece liderança com coragem de ruptura, não comedida fidelidade ao statu quo

Conselho Constitucional recusa julgar recurso de Mondlane e adia futuro do ANAMALALA

O recente acórdão do Conselho Constitucional (CC) de Moçambique, que se absteve de analisar o recurso submetido por Venâncio Mondlane sobre alegado incumprimento de prazos legais por parte do Ministério da Justiça no processo de registo do seu partido político, está a levantar questões sobre a transparência e celeridade no processo de legalização de formações políticas no país, a poucos meses das eleições gerais.

No centro da polémica está o partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMALALA), cuja proposta de registo foi submetida ao Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos em 03 de abril. Venâncio Mondlane, figura política de relevo e antigo membro da RENAMO, acusa o ministério de não responder ao pedido no prazo legal de 60 dias, o que, segundo argumenta, configura um “indeferimento tácito”, passível de recurso ao Conselho Constitucional.

Contudo, o CC decidiu não apreciar o recurso, justificando a sua decisão com a “falta de objeto”. No acórdão, datado de 14 de julho, os sete juízes conselheiros consideram que, havendo necessidade de suprimento de irregularidades — o que implica pedidos de novos elementos —, o prazo legal para a emissão do parecer reinicia, suspendendo temporariamente a contagem original dos 60 dias.

Um precedente controverso

Para alguns analistas jurídicos e observadores políticos, esta interpretação pode abrir precedentes preocupantes, permitindo ao Executivo protelar indefinidamente processos de registo de partidos sob o argumento de “processamento em curso”.

“Na prática, isto permite ao Ministério da Justiça gerir politicamente os prazos, sem prestar contas claras. Basta pedir novos documentos, mesmo que de forma sucessiva, para reiniciar os prazos. Isso compromete a imparcialidade e previsibilidade exigidas num Estado de Direito”, afirmou ao Notícias da Manhã o constitucionalista Eduardo Macie.

Calendário eleitoral em jogo

O caso ganha contornos ainda mais sensíveis devido à proximidade das eleições gerais de 2025, previstas para outubro. A indefinição sobre o estatuto legal do partido ANAMALALA pode comprometer a sua participação no pleito, levantando dúvidas sobre a equidade do processo eleitoral.

Venâncio Mondlane, que nos últimos anos tem protagonizado uma trajetória política marcada pela crítica ao sistema e pela defesa de uma maior autonomia das províncias, acusa o governo de obstrução política deliberada.

“Estamos a assistir a um uso burocrático da lei para impedir a nossa participação. Isso só mostra o medo que têm de uma nova força política que não se submete aos interesses centralistas”, escreveu o político na sua conta oficial no Facebook.

Ministério da Justiça defende legalidade

Por seu turno, o Ministério da Justiça refuta as acusações de obstrução, garantindo que o processo de registo do partido está “em fase avançada” e a ser tratado “dentro da legalidade”. A instituição sustenta que a existência de irregularidades formais no processo inicial obrigou à solicitação de elementos adicionais, o que suspendeu o prazo de resposta.

“Não se pode falar de indeferimento tácito quando o processo ainda se encontra em tramitação”, lê-se na resposta enviada ao Conselho Constitucional.

Ambiente político tenso

O impasse ocorre num contexto de crescente tensão política, com denúncias recorrentes de falta de transparência nos processos eleitorais e de registo partidário. Organizações da sociedade civil, como o Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD), alertam que a morosidade e opacidade nos procedimentos administrativos enfraquecem a confiança pública nas instituições democráticas.

“O registo de partidos deve ser um ato técnico, não uma arma política”, frisou o investigador Hermenegildo Mulhovo, do CDD.

Próximos passos

Apesar da decisão do CC, Venâncio Mondlane já anunciou que irá insistir na legalização do seu partido e que irá recorrer a instâncias internacionais, caso considere esgotados os mecanismos internos.

“Não desistiremos. O povo moçambicano merece alternativas reais, e não vamos permitir que a burocracia silencie essa vontade”, disse Mondlane, num vídeo divulgado nas redes sociais.

Enquanto isso, a ANAMALALA continua suspensa numa espécie de limbo jurídico, aguardando uma decisão final do Ministério da Justiça — num momento em que o relógio eleitoral não para.

IFPELAC incentiva empreendedorismo juvenil com formação técnica na Zambézia

O Instituto de Formação Profissional e Estudos Laborais Alberto Cassimo (IFPELAC), delegação da Zambézia, graduou nesta terça-feira mais de 400 jovens formados em diversas áreas técnico-profissionais, com vista a reforçar a inserção no mercado de trabalho e fomentar o auto-emprego na província.

A cerimónia de graduação decorreu nas instalações do instituto, em Quelimane, e marcou o culminar de vários meses de formação em cursos práticos como serralharia, processamento de grãos, culinária, refrigeração, mecânica auto, carpintaria, corte e costura, entre outros.

Segundo o delegado do IFPELAC na Zambézia, Hélio Branquinho, a instituição tem como missão dotar os jovens de competências que lhes permitam não apenas competir no mercado formal de emprego, mas também criar os seus próprios negócios. “O nosso foco é garantir que o jovem saia daqui com ferramentas para a vida. Seja para trabalhar numa empresa, seja para montar o seu próprio negócio”, afirmou.

Branquinho sublinhou que o instituto tem procurado alinhar a sua oferta formativa às necessidades concretas da economia local, dando prioridade a áreas com maior potencial de empregabilidade e de geração de rendimento autónomo. “Um jovem serralheiro, por exemplo, não precisa necessariamente de esperar por uma vaga de emprego. Com criatividade e iniciativa, pode começar o seu pequeno negócio e crescer a partir daí”, explicou.

A formação oferecida pelo IFPELAC abrange não só componentes técnicas, mas também módulos de empreendedorismo e educação financeira, com o objetivo de preparar os formandos para os desafios reais do mundo laboral.

A cerimónia foi testemunhada por representantes do governo provincial, parceiros institucionais, familiares e membros da comunidade, num ambiente de celebração e esperança para os recém-formados.

Com esta nova leva de graduados, o IFPELAC Zambézia reforça o seu papel como um dos principais pilares da formação técnico-profissional na província, num contexto em que o desemprego juvenil continua a ser uma das grandes preocupações nacionais.

Tragédia enluta o desporto juvenil: Três atletas sub-14 do Ferroviário da Beira morrem em acidente

O desporto moçambicano está de luto. Três jovens atletas da equipa Sub-14 de basquetebol do Clube Ferroviário da Beira perderam a vida de forma trágica no último sábado (13), após serem colhidos por uma viatura em fuga da polícia que invadiu uma barbearia onde os menores se encontravam.

As vítimas, Vagne Francisco, Gildo Saué e Cardoso Manuel, haviam acabado de conquistar o apuramento para as finais do prestigiado Torneio Cornelder. A celebração da vitória terminou em tragédia, quando um veículo em alta velocidade, alegadamente em fuga das autoridades policiais, perdeu o controlo e entrou abruptamente no estabelecimento, atingindo mortalmente os três adolescentes.

O Clube Ferroviário da Beira, numa nota pública divulgada nas redes sociais, expressou profundo pesar pelo sucedido. “Com profunda dor e consternação”, o clube informou sobre a perda dos seus “jovens atletas”, classificando-os como verdadeiros “campeões”. A instituição prestou ainda solidariedade às famílias enlutadas, colegas de equipa e à comunidade desportiva em geral.

O acidente gerou uma onda de comoção na cidade da Beira e em todo o país, onde crescem os apelos por mais responsabilidade no cumprimento das normas de trânsito e na condução de perseguições policiais em zonas urbanas densamente povoadas.

Até ao momento, não foram divulgados detalhes oficiais sobre as circunstâncias da perseguição nem sobre a identidade do condutor da viatura envolvida. A Polícia da República de Moçambique (PRM) ainda não se pronunciou publicamente sobre o incidente.

A Federação Moçambicana de Basquetebol e outras entidades desportivas manifestaram pesar pela perda precoce dos três atletas promissores, recordando o seu talento, disciplina e dedicação ao basquetebol juvenil.

As cerimónias fúnebres dos jovens deverão decorrer nos próximos dias, com apoio da direção do clube e autoridades locais.

O país despede-se, com tristeza, de três jovens que representavam a esperança do desporto nacional.

Veteranos da RENAMO acusam Ossufo Momade de má gestão e preparam nova onda de encerramentos

As tensões no seio da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) voltam a escalar. Antigos guerrilheiros do maior partido da oposição em Moçambique anunciaram que vão encerrar, de forma definitiva, todas as delegações do partido no país, em protesto contra o que consideram ser a “inércia e má gestão” da atual liderança liderada por Ossufo Momade.

Em declarações à DW África, João Machava, porta-voz do grupo de veteranos, acusou a direção do partido de ignorar deliberadamente os apelos à convocação de um Conselho Nacional alargado — um fórum crucial para a prestação de contas e definição de rumos partidários — após o fim do prazo de 20 dias dado à liderança, que terminou no domingo (14.07).

“Demos uma trégua e abrimos as delegações no dia 23 de junho, à espera de uma resposta. Até hoje, nada foi feito. O prazo expirou. Agora é ativar o encerramento em todas as províncias”, afirmou Machava à emissora alemã.

A RENAMO havia inicialmente previsto realizar o primeiro Conselho Nacional de 2025 nos dias 7 e 8 de março, mas o evento foi adiado, sem nova data anunciada. Desde então, vozes críticas dentro da estrutura do partido têm exigido transparência e a retoma do debate interno, que consideram sufocado pela atual liderança.

O silêncio persistente de Ossufo Momade é interpretado por alguns setores como uma estratégia deliberada para evitar responsabilização. Machava acusa diretamente o presidente da RENAMO de desviar fundos do partido para fins privados e cortar o financiamento às estruturas distritais e provinciais.

“Cortou os subsídios dos delegados e cancelou o fundo de funcionamento das províncias. Depois diz que não há dinheiro para realizar o Conselho Nacional. Então, para onde vai o dinheiro que o partido recebe do Estado?”, questionou.

Mais do que uma disputa interna, o descontentamento começa a adquirir contornos mais tensos. João Machava deixou claro que os ex-guerrilheiros estão dispostos a enfrentar qualquer intervenção da polícia com firmeza.

“Não receamos uma resposta armada. Já dissemos à polícia para não se meter. Se o fizer, vamos responsabilizar quem a convidou: Ossufo Momade e os seus apoiantes”, declarou, levantando preocupações quanto à estabilidade dentro do próprio partido e aos possíveis reflexos na segurança pública.

O porta-voz dos veteranos afirmou ainda que, caso a liderança continue a ignorar as exigências, novas medidas serão anunciadas nos próximos dias.

“Daqui a sete dias vamos dizer qualquer coisa ao povo moçambicano, porque não estamos parados. Estamos a trabalhar”, concluiu, sem especificar que tipo de ações poderão ser tomadas.

A RENAMO, historicamente marcada por conflitos internos e disputas de liderança desde a morte de Afonso Dhlakama em 2018, enfrenta mais um momento delicado. A gestão de Ossufo Momade, que assumiu o cargo após um processo conturbado de sucessão, continua sob forte escrutínio, sobretudo de antigos combatentes que se sentem excluídos das decisões do partido.

Apesar das denúncias e ameaças, até ao momento, a liderança da RENAMO mantém-se em silêncio. Não foi possível obter uma reação oficial sobre as acusações levantadas pelos ex-guerrilheiros.