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Quelimane em destaque no “Unlocking the World” da CNN Travel

Cidade do Samba Reconhecida Internacionalmente pela sua Hospitalidade

 

A cidade de Quelimane, capital da província da Zambézia, foi destacada na edição desta semana do boletim informativo “Unlocking the World” da CNN Travel, uma das principais publicações globais especializadas em notícias sobre destinos, sabores e viagens.

 

O boletim recomenda Quelimane aos seus leitores, elogiando-a como “a cidade mais amiga dos pés” entre 794 cidades avaliadas em um estudo recente. Com uma população de aproximadamente 350.000 habitantes, Quelimane se destaca pela sua hospitalidade e infraestrutura urbana que favorece caminhadas e o uso de bicicletas.

 

Em 2017, a mesma publicação já havia destacado a cidade e a sua rica culinária, descrita como “uma mistura inebriante de sabores africanos, portugueses, orientais e árabes”. Na ocasião, a CNN Travel enfatizou pratos icônicos como o “Galinha à Zambeziana”, uma deliciosa combinação de frango cozido com limão, pimenta, alho, leite de coco e molho piri-piri.

 

Além do reconhecimento gastronômico, Quelimane tem se notabilizado no cenário internacional pela sua participação em eventos culturais, desportivos e políticos. A cidade tem recebido diversos prémios e apoios financeiros, notadamente através dos fundos da Bloomberg para a requalificação de estradas e ciclovias. O edil de Quelimane, conhecido por sua liderança em questões ambientais e mudanças climáticas, tem exercido papéis de destaque em fóruns globais, incluindo debates nas Nações Unidas.

BCI reitera apoio ao tecido empresarial

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O BCI acolheu, nesta segunda-feira, 3 de Junho, no seu auditório, em Maputo, o Fórum de Negócios Moçambique – Itália, um encontro empresarial que promoveu intercâmbio e exploração de oportunidades de investimentos entre as empresas moçambicanas e italianas de diversos sectores, sendo de destacar os de energia, infraestruturas, logística, construção civil e agricultura.

Como referiu o Presidente da Câmara de Comércio Moçambique Itália (CCMI), Simone Santi, o evento envolveu 15 empresas novas que vêm a Moçambique, com 18 participantes, juntando-se às cerca de 30 empresas italianas já presentes no país, na sua maioria membros da CCMI. “Só as que participam nesta missão empresarial, calculando o volume de produção do ano passado (2023), acumulam um valor de US 91,889 milhões”, disse, considerando que se trata de um grupo de empresas que representa a maior parte do sector industrial, empresarial e tecnológico italiano.

Do conjunto de quatro painéis, o BCI integrou o segundo, que discutiu a inovação de conteúdo local e financiamento para a criação de valor em Moçambique. Na ocasião, o Administrador do Banco, Raul Almeida, fez uma abordagem sobre a pertinência deste fórum e das perspectivas que se abrem para os dois países, tendo reiterado o continuado apoio do Banco ao tecido empresarial. “Do nosso lado, o que podemos dizer é que estamos preparados”. Se houver oportunidade de mais negócio, mais investimento, seguramente o BCI vai contribuir para o desenvolvimento do país, concluiu o administrador do BCI.

Intervindo, o Secretário Permanente do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, António Manda, considerou que entre os grandes projectos electrónicos do país podem ser identificadas as maiores oportunidades para a transição energética limpa na África Austral, resultando em reduções de emissões de 25 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. Desafiou, assim, o sector privado a dar o seu contributo no estabelecimento de infraestruturas que apoiem na concretização deste desiderato, designadamente no que diz respeito às infraestruturas internacionais de ligação: “esperamos que este Fórum reflicta sobre estes desafios e traga respostas sobre o financiamento aos projectos estruturantes, e apelamos à participação das pequenas e médias empresas de forma competitiva”.

 

Banco de Moçambique apela a reforço dos sistemas de pagamentos africanos

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O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, defendeu hoje que os países africanos necessitam de reforçar o sistema de pagamentos “para impulsionar o comércio” dentro do continente.

“Nos últimos dez anos, o comércio intra-africano cresceu 4%, representando apenas 14% do total das exportações africanas, comparado com o potencial inexplorado de 43% das exportações intra-africanas, cerca de 22 mil milhões de dólares [20,2 mil milhões de euros”, disse o governador, na abertura do encontro dos bancos centrais africanos, em Maputo.

Defendeu, na mesma intervenção, que “é da maior importância” que os bancos centrais continuem a “trabalhar nos sistemas de pagamentos regionais para fazer face aos desafios atinentes ao comércio intra-africano e a inclusão financeira”.

“Para impulsionar o comércio intra-africano e continuar a melhorar a inclusão financeira em África, precisamos de um sistema de pagamentos eficiente e seguro”, disse ainda.

Maputo recebe hoje o seminário continental da Associação dos Bancos Centrais Africanos (AACB), com o tema “Desenvolvimento dos Sistemas de Pagamento para a Promoção da Inclusão Financeira em África e do Comércio Intra-Africano: Desafios e Oportunidades”, juntando 66 representantes de 23 bancos centrais africanos e de instituições internacionais.

“Não obstante os notáveis progressos registados nos últimos anos, o continente Africano está ainda longe de atingir os níveis desejáveis de inclusão financeira, uma vez que cerca de metade da nossa população continua excluída, o que é quase duas vezes superior à média mundial”, reconheceu Zandamela.

“Por outro lado, os progressos no comércio intra-africano têm sido particularmente muito lentos”, apontou igualmente.

Neste aspeto, o governador do banco central moçambicano destacou “os progressos realizados no âmbito de três plataformas regionais de pagamento e liquidação na região”, casos do Sistema de Liquidação Bruta em Tempo Real da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC-RTGS), do Sistema de Pagamentos e de Liquidação da Comunidade da África Oriental, e do Sistema Regional de Pagamentos e de Liquidação do Mercado Comum da África Oriental e Austral (COMESA).

“Além de criar várias plataformas de pagamento, África precisa de integração e interoperabilidade entre os vários sistemas para que atendam aos nossos propósitos. Para o efeito, temos de continuar a trabalhar em prol da harmonização dos quadros regulamentares e de supervisão e continuar a acompanhar e mitigar os diferentes riscos, nomeadamente a cibersegurança, o branqueamento de capitais e o financiamento do terrorismo”, enfatizou.

Acrescentou a expectativa de que o sistema Pan-Africano de Pagamentos e Liquidações lançado em Acra, em 2022, ao abrigo do Acordo da Zona de Comércio Livre Continental Africana, “promova o comércio intra-africano e a inclusão financeira”.

“O sistema Pan-Africano de Pagamentos e Liquidações permitirá pagamentos em moeda local entre os países africanos, reduzindo assim a dependência da liquidez em moeda estrangeira e dos custos de transação, por forma a promover um aumento no volume de bens e serviços comercializados entre as economias africanas”, concluiu.

PVJ // ANP

Lusa/Fim

Amantes da Liga dos Campeões vivem emoções da final em Maputo

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A Liga dos Campeões da UEFA, a chamada liga milionária, juntou na capital do país, Maputo, cerca de 850 espectadores que, de perto, viveram com paixão e entusiasmo a final da prova, conquistada pela equipa espanhola do Real Madrid, após vencer os alemães do Borusia Dortumund por 0-2.

O Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM) foi a catedral desta importante competição europeia, num evento organizado pela HEINEKEN Moçambique, no âmbito de uma acção global levada a cabo pelo Grupo.

Esta é a décima quinta vez (15a) que os Merengues conquistaram este prestigiado torneio, reafirmando, deste modo, a sua posição de clube com mais títulos nesta prova. Os Auri-Negros buscavam o seu segundo troféu, depois de terem conquistado, pela última vez, na época 1996/97.

“Foi uma final épica e à dimensão desta competição que se chama: Liga dos Campeões. Conseguimos, ao estilo que nos é característico, proporcionar aos amantes desta lendária prova, uma final verdadeiramente de sonho. A “Final de Maputo” foi concebida tendo no horizonte os verdadeiros fãs, pois, estes é que dão brilho e simbolismo a esta prestigiada competição”, disse Filipa Neves, Directora de Marketing da HEINEKEN Moçambique.  

A HEINEKEN Moçambique proporcionou uma experiência sem igual aos aficionados pela prova, num ano em que as atenções estão centradas nos “verdadeiros fãs” desta lendária prova.

O jogo da final foi disputado no mítico estádio do Wembley, em Londres, Reino Unido. Esta foi a oitava vez em que este magnífico estádio acolheu a fase final do torneio.

Para alcançar a final, a equipa do Real Madrid derrotou, nas meias-finais, os alemães do Bayern de Munique. O Burusia Dortumund deixou para trás a toda poderosa equipa do Paris Saint-Germain, numa meia-final verdadeiramente eletrizante. Esta foi a última edição em que a Liga dos Campeões da UEFA foi disputada no formato de fase de grupos.

A realização do evento da final em Maputo faz parte de um conjunto de iniciativas que a HEINEKEN Moçambique tem levado a cabo com vista a aproximar cada vez mais a marca aos consumidores bem assim reforçar a sua presença no mercado moçambicano.

Importa salientar que, em 2022, a multinacional holandesa levou, pela primeira vez, às ruas de Maputo, a Taça (a orelhuda) da Liga dos Campeões, no âmbito da iniciativa Trophy Tour.

A edição passada (2022-2023) da mais importante prova futebolística do calendário europeu foi conquistada pela equipa do Manchester City, após derrotar, na final, a Inter de Milão.

Corte de energia: Zambézia sem eletricidade por 12 horas neste domingo

A Electricidade de Moçambique (EDM) anunciou que a província da Zambézia ficará sem fornecimento de energia elétrica por 12 horas no próximo domingo, 9 de junho de 2024. A interrupção do serviço está prevista para começar às 5h da manhã e se estenderá até às 16 horas.

 

Segundo a EDM, o corte de energia é necessário para a realização de “manutenção preventiva e corretiva das infraestruturas elétricas da Eletricidade de Moçambique e da Hidroelétrica de Cahora Bassa”. Os residentes e empresas da Zambézia devem se preparar para este período de interrupção, tomando medidas antecipadas para mitigar os inconvenientes causados pela falta de eletricidade.

“Infância Literária” enche de vida o Centro Cultural dos Bons Sinais em Quelimane

O Clube de Leitura de Quelimane, em colaboração com o Conselho Autárquico de Quelimane, o Centro Cultural dos Bons Sinais, o Jornal Txopela e a Rádio Chuabo FM, organizou hoje a sessão de leitura intitulada “Infância Literária”, no átrio do Centro Cultural dos Bons Sinais.

 

O evento contou com a participação dos alunos da Escola Básica de Quelimane, da Escola Primária São Carlos Lwanga e do Colégio e Orfanato Nossa Senhora de Livramento. Estes jovens leitores envolveram-se num concurso de leitura cujo tema central foi o livro “Pomar e Machamba de Palavras”, do aclamado escritor Calane da Silva.

 

Os alunos, demonstraram grandes habilidades e paixão pela leitura, competiram entre si para conquistar os primeiros lugares. Os vencedores foram premiados com livros infantis, incluindo contos, fábulas e poemas, generosamente oferecidos pelo Clube de Leitura de Quelimane e seus parceiros.

 

A iniciativa não só promoveu a leitura entre as crianças e jovens de Quelimane, mas também celebrou a rica tradição literária moçambicana, incentivando os participantes a explorar e valorizar a literatura desde tenra idade.

Venâncio Mondlane já não é deputado nem membro da Renamo

Venâncio Mondlane, figura de destaque na oposição moçambicana, renunciou tanto o seu cargo de deputado na Assembleia da República como da sua condição de membro da Renamo. Através das suas redes sociais, Mondlane, conhecido opositor de Ossufo Momade, líder da Renamo, anunciou a sua decisão em uma carta enviada à direcção do partido.

 

𝐄𝐮 𝐢𝐫𝐞𝐢 𝐨𝐧𝐝𝐞 𝐨 𝐩𝐨𝐯𝐨 𝐝𝐢𝐬𝐬𝐞𝐫 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐞𝐮 𝐢𝐫……𝐞𝐮 𝐟𝐚𝐫𝐞𝐢 𝐚𝐪𝐮𝐢𝐥𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐨 𝐩𝐨𝐯𝐨 𝐝𝐢𝐬𝐬𝐞𝐫 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐞𝐮 𝐟𝐚𝐳𝐞𝐫”, declarou Mondlane.

Em actualização 

QUELIMANE: Jovem Detido Pelo SERNIC Acusado De Falsas Qualidade

Um jovem dos seus 22 anos de idade, foi detido na última quinta-feira(29) pelos agentes dos Serviços Nacionais de Investigação Criminal (SERNIC), indiciado de falsas qualidades pelo uso indevido da farda policial e por exercício Ilícito de funções públicas, sendo que o mesmo fazia-se passar por um agente da polícia da República de Moçambique na cidade de Quelimane, Zambézia.

O indiciado, foi neutralizado quando na semana finda percorria numa das avenidas da cidade de Quelimane, fardado e sem o acompanhamento de outros colegas, facto que chamou a atenção de outros agentes que patrulhavam na mesma avenida. Questionado sobre o paradeiro de seus colegas e a sua zona de jurisdição, o mesmo teria avançado trabalhar na 3ª esquadra da PRM.

Em entrevista aos jornalistas nesta segunda-feira (03) o indiciado conhecido por Pedro, explicou que aquela era a terceira vez que se fazia passar por um agente da polícia e que a farda era do seu tio.

“Eu não sei contar, mais já usei esta farda mais de três vezes. O fardamento roubei do meu tio”, explicou o acusado.

Segundo o mesmo, durante o exercício das suas falsas funções, nunca teria interpelado algum cidadão, o motivo pelo qual fingia ser um policial era de concretizar o seu sonho de ser um agente da PRM. “Era um grande sonho ser um membro da polícia de Moçambique”. Questionado sobre o motivo pelo qual o mesmo não ter optado pelas vias legais, sendo o concurso público para formação policial, o mesmo teria afirmado que tentou ingressar, mas sem sucesso.

“Estou muito arrependido, mais continuaria porque sempre foi um sonho meu ser membro da PRM” disse.

Por seu turno, o porta-voz da SERNIC, Maximínio Manuel, afirmou que há mais de três meses, suspeitavam da existência de um indivíduo que se fazia passar por um agente da PRM, dai que na ultima sexta-feira, se depararam com mesmo no momento em que interpelava cidadãos na via pública e pela sua forma de atuação foi possível confirmar as suas falsas funções.

“Suspeitaram pela qualidade do indivíduo, tendo em conta que o trabalho policial não se faz de forma isolada, faz-se no mínimo duas pessoas. E de imediato foi encaminhado ao posto policial, ele dizia ser da 3ª esquadra e em resposta do comandante foi pela negativa e que não constava do seu efetivo” esclareceu Maximínio Manuel.

De acordo com o porta-voz do SERNIC na Zambézia, as informações preliminares avançadas pelo indivíduo, dão conta que o mesmo teria furtado a farda de um policial em ativo que trabalha na terceira esquadra da PRM em Quelimane.

Os pecados da Frelimo e do ANC

A Frelimo e o ANC, ambos antigos movimentos de libertação, têm a difícil missão de provar, nas eleições que se avizinham (9 de Outubro, em Moçambique, e 29 de Maio, na África do Sul) de que ainda merecem credibilidade e confiança dos seus povos para continuarem a governar, apesar  de se terem tornado partidos impopulares por conta da degradação da qualidade de vida dos moçambicanos e sul-africanos.

As duas formações políticas, em momentos de crise, vão aos sufrágios com muitos pecados que, no fundo, serão os seus principais adversários políticos nas urnas. O primeiro é o facto de terem abandonado os seus princípios e valores que nortearam a sua fundação. O mais grave ainda é que se distanciaram, por completo, dos seus povos.

Quer a Frelimo, quer o ANC estão numa crise de identidade. A Frelimo, depois da ideologia marxista-leninista, abraçou o capitalismo selvagem e hoje, quando falamos da Frelimo, ninguém mais sabe de que partido se trata: Se é da esquerda ou da direita ou se é centro-esquerda ou centro-direita. O mesmo acontece com o ANC.

Os seus dirigentes estão mais preocupados em servirem-se a si próprios do que ao povo. Tornaram-se arrogantes e autoritários. Pisam ou humilham pessoas à sua volta. Proferem discursos indecentes que ofendem os governados.

Da lista dos pecados que recaem sobre a Frelimo e o ANC consta o acentuado custo de vida, as desigualdades sociais, as assimetrias regionais, o desemprego, problemas de habitação e falta de oportunidades para a juventude, altos índices de criminalidade e tráfico de drogas envolvendo nomenclaturas políticas e não só.

No caso particular de Moçambique, há o caso do dossier sobre horas extras que o governo não consegue resolver, atrasos sistemáticos no pagamento dos salários aos funcionários públicos. Hoje já não há data fixa para o efeito. Há cadernos reivindicativos não respondidos, até agora, pelo governo, como são os casos de profissionais de saúde e médicos. Estes são outros pecados não menos importantes.

Na África do Sul, há, ainda, queixas sobre baixa qualidade na gestão e prestação de serviços públicos, nomeadamente os apagões contínuos de energia eléctrica resultantes da crise energética que assola, nos últimos tempos, aquele país vizinho.

Os governos moçambicano e sul-africano não conseguem, igualmente, providenciar o emprego para os jovens. A Frelimo, nas eleições gerais de 2019, prometeu criar três milhões de empregos, promessa que não foi cumprida. Cerca de 56,8 por cento da população jovem, avaliada em 33,4 por cento dos 30 milhões de moçambicanos, está no desemprego.

Na África do Sul, estamos a falar de mais de 60 por cento dos jovens entre os 15 e os 24 anos que estão sem ocupação.

O outro assunto comum nos dois países, que contribui significativamente para a impopularidade da Frelimo e do ANC, é a corrupção. Em Moçambique, temos o caso emblemático do calote de 2.2 mil milhões de dólares, dívida contratada ilegalmente em bancos russo e suíço, com o envolvimento de alguns quadros seniores da segurança do Estado, da Presidência da República e do partido Frelimo.

Tornou-se uma prática corrente dentro do partido alguns membros e simpatizantes comprarem consciências das pessoas em caso de eleições internas para garantir a sua escolha para os diferentes órgãos do partido.

No país, a corrupção tornou-se uma forma de ser e estar nas instituições públicas e privadas em que para que o seu expediente possa ser tramitado com celeridade é preciso pagar. O crime envolve, inclusive, agentes da polícia, juízes e magistrados que deviam ser a reserva moral da sociedade.

O cenário é similar na África do Sul. O ANC tem estado a ser sacudido com casos de corrupção implicando membros da direcção do partido. Em 2023, o seu secretário-geral, o ACE Magashule, foi expulso por fraude, corrupção e lavagem de dinheiro num projecto de cerca de 14,5 milhões de euros, mais de 255 milhões de randes.

Enquanto isto, o antigo Presidente da África do Sul e do ANC, Jacob Zuma, foi acusado, igualmente, de fraude, corrupção, lavagem de dinheiro e extorsão, num caso judicial de mais de 20 anos, relacionado com a compra de equipamento militar a cinco empresas europeias de armamento em 1999, quando era vice-presidente do país.

O próprio presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, foi acusado, em 2020, de acumular quantias elevadas de dinheiro na sua quinta de caça Phala Phala. É que foram roubados neste local, a 9 de Fevereiro, 4 milhões de randes, valor que o dirigente do ANC não soube explicar sobre a sua proveniência.

Como consequência dos problemas que se levantam, quer em Moçambique, quer na África do Sul, crescem, a cada dia, os níveis de insatisfação popular resultando no declínio da popularidade da Frelimo e do ANC. A sua imagem está corrompida ao serem responsabilizados pelos erros de governação dos seus países.

Enquanto em Moçambique algumas vozes se levantam, dizendo que estão cansadas de serem governadas pela Frelimo, no poder há 49 anos, na África do Sul, as últimas sondagens mostram que dado à sua impopularidade, o ANC poderá, pela primeira vez, não alcançar a maioria nas eleições deste mês.

Dados divulgados pela Fundação de Pesquisa Social (FPS) indicam que o apoio ao ANC caiu de 52 por cento para 45 por cento. Por sua vez, a pesquisa de IPSOS sugere uma queda maior para 43 por cento, o que é grave.

Estes sinais de saturação não são de desprezar. Levam a crer que alguma coisa não está bem. Que os dois antigos movimentos de libertação têm de melhorar a sua governação, sob risco de perderem totalmente a confiança dos eleitores. (X)

Gamito dos Santos é o defensor africano dos direitos humanos do ano

Seviciado por muitas vezes pelo Governo, Gamito tem se destacado na defesa dos direitos humanos na província de Nampula, a mais populosa de Moçambique, por isso é dos cinco activistas de direitos humanos, de igual número de continentes, que foi reconhecido pela Front Line Defenders.

No seu discurso de agradecimento, dos Santos afirmou não ser tarefa fácil ser defensor de direitos humanos num país em que muitas vezes os direitos das pessoas não são respeitados, tendo dito igualmente que algumas ameaças surgem da própria população.

“A maior parte da população é iletrada ou simplesmente analfabeta, não tem sido uma tarefa de qualquer um, pois, por vezes, é a própria população que defendes que te atira pedras, enquanto os políticos fecham suas entradas e saídas, as autoridades trabalham sob controlo dos políticos, os tribunais estão amarrados, o Ministério Público também menos faz pelo facto de que, quem os nomeia são os que estão no poder e que por conseguinte os infractores das normas que fazem o nosso estado de Direito”, explicou.

Na ocasião, Gamito dos Santos dedicou o prémio a sua família que dia-pós-dia suporta momentos difíceis de tensão, por conta da causa que decidiu abraçar.

“Nos dias em que já fomos invadidos em nossa residência, já fomos obrigados a abandonar a cidade por um ano, viver num distrito e escondidos, já vimos nossas oportunidades barradas, tendo sido condenados a viver em circunstâncias pouco que aceitáveis, já perdi emprego por acreditar nas minhas causas”, afirmou.

Natural da cidade de Nampula dos Santos dedicou, igualmente, o prémio aos seus pais já falecidos,  pois, estes sempre mostraram a sua preocupação com a situação que o filho está mergulhado, por isso o maior sonho, neste caso da mãe, era que abandonasse a luta.

“Pois, era frequente ser feita torturas psicológicas por algumas pessoas que detém o poder em Moçambique, particularmente em Nampula, uma vez que haviam pessoas enviadas para amedrontar ela por minhas justas lutas e acções”, revelou.

A dedicação estendeu-se aos irmãos, jornalistas locais da província, Ordem dos Advogados, assim como todos activistas e defensores das organizações que lutam pela causa dos direitos humanos no país. Contudo não deixou de apelar a não desistência por forma a que os governantes cumpram integralmente com os seus deveres.

“E exortar que continuemos unidos e coesos por um propósito único que é a Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania. Sem fundos para materializar os nossos propósitos mas temos mostrado o quão somos capazes”, instou.

O activista social sonha com um Moçambique melhor não só para os seus filhos, mas para a população no geral, um uaís em que os direitos humanos são respeitados e colocados como prioridade na agenda dos governantes.

“Tornando um Moçambique onde, Educação, Saúde, comida, Água potável, Emprego, transporte, liberdade de pensamento e de opinião deixem de ser discursos, se tornem projectos reais e acessíveis a População”, concluiu.

Importa lembrar que no passado recente, Gamito foi torturado e encarcerado sem nenhuma razão pela Polícia da República de Moçambique fora do flagrante delito tudo porque foi uma das caras visíveis na manifestação pacifica que se pretendia fazer em Nampula em homenagem ao desaparecimento físico do Rapper Azagaia.

“Em vista dos imensos desafios que enfrentamos e das forças adversas que atacam os direitos humanos em muitas partes do mundo, pode parecer tentador perder a esperança de que é possível um mundo melhor”, disse Alan Glasgow, Diretor Executivo da Front Line Defenders, prosseguindo que “porém, estes/as corajosos/as defensores/as de direitos humanos desafiaram essa tentação, servindo como inspiração para manter viva a esperança. Eles/as dizem ‘não’ às agressões e ‘sim‘ ao optimismo – eles/as sabem que vale a pena lutar por um mundo mais justo, mais igualitário e com mais respeito aos direitos”.

“Tem sido um privilégio conhecer e passar tempo com eles/as em Dublin esta semana. Esperamos que retornem aos seus países de origem – Chipre, Honduras, Moçambique, Paquistão e Palestina – cientes de que a Front Line Defenders se solidariza com eles/as em suas respectivas lutas”.

Prêmio Anual Front Line Defenders para Defensores/as de Direitos Humanos em Risco foi criado em 2005 para homenagear o trabalho de defensores/as de direitos humanos que, com muita coragem, contribuem notavelmente para a promoção e proteção dos direitos humanos de outras pessoas, muitas vezes com grande risco pessoal para si mesmos/as.

O Prêmio concentra a atenção internacional nos trabalhos e nas lutas de defensores/as de direitos humanos, oferecendo-lhes uma plataforma nacional e internacional para debater e promover as questões de direitos humanos que defendem. Os/As premiados/as deste ano foram selecionados/as entre dezenas de candidaturas apresentadas através de um processo seguro de nomeação pública, que foi realizado entre novembro de 2023 e janeiro de 2024.

Além de um prêmio em dinheiro e uma subvenção de proteção, os/as vencedores/as recebem apoio da Front Line Defenders sobre segurança digital e física, advocacy, visibilidade, bem-estar, entre outros.

Os/As premiados/as receberam o Prêmio numa cerimônia no Trinity College Dublin, que contou com a presença de diplomatas estrangeiros e representantes do governo irlandês, da sociedade civil e de organizações de mídia, entre outros. Parlamentares irlandeses que foram patronos/as do Prêmio incluem: Senadora Róisín Garvey, Charlie Flanagan TD, Cormac Devlin TD, Ivana Bacik TD e Sean Crowe TD.

Gamito dos Santos Carlos, um defensor de direitos humanos de Nampula, norte de Moçambique, é o diretor executivo da AJOPAZ, a Associação de Jovens pela Paz. O seu trabalho com direitos humanos tem como foco os direitos sociais, civis e políticos e a responsabilização. Gamito tem defendido a proteção de ativistas de direitos humanos e, junto com a juventude, vêm lutando por mudanças sociais significativas em sua comunidade, a fim de promover a justiça e a tomada de decisões sustentáveis por parte das autoridades. É também membro da Associação Amigos de Amurane por um Moçambique Melhor – KÓXUKHURO, e analista e Coordenador Provincial da Rede Moçambicana de Defensores/as de Direitos Humanos (RMDDH). Ele continuamente enfrenta intimidações por seu trabalho com os direitos humanos, incluindo repetidas invasões em sua casa e a perda de seu emprego, sendo que em março de 2023 foi sequestrado e torturado após organizar uma manifestação.

Para além de Gamito dos Santos, também, neste ano foram reconhecidos, pelas Américas, Muñecas de Arcoíris que é um coletivo fundado em 2008 por mulheres trans das cidades de Tegucigalpa e Comayagüela, em Honduras. Muñecas trabalha juntamente com a Associação LGTBI+ Arcoíris de Honduras com o objetivo de criar um espaço seguro para mulheres trans trabalhadoras do sexo. As integrantes das Muñecas começaram como voluntárias da Associação Arcoíris, onde se conscientizaram da situação enfrentada por pessoas trans em Honduras. Com o apoio da Associação Arcoíris, as integrantes das Muñecas receberam treinamentos sobre seus direitos como pessoas LGTBI+. Em seguida, começaram a documentar as violações de direitos humanos especificamente contra as mulheres trans em 2006 e, dois anos depois, em 31 de outubro de 2008, o coletivo foi formalmente criado como uma organização de mulheres trans. A maioria de suas integrantes são trabalhadoras do sexo, trabalhadoras informais, estilistas, empregadas domésticas, dentre outros trabalhos. Pela Ásia e Pacífico, Sammi Deen Baloch é uma defensora de direitos humanos de Mashkai, distrito de Awaran, da província de Baluchistão no Paquistão. Ela é a Secretária Geral da Voz para as Pessoas Desaparecidas de Baloch (VBMP), uma organização não governamental que representa e apoia as vítimas e parentes de desaparecimentos forçados no Baluchistão. Em junho de 2009, aos 10 anos, o pai de Sammi, o Dr. Deen Mohammed Baloch, foi vítima de desaparecimento forçado em Khuzdar, Baluchistão. Ela começou a fazer uma campanha implacável pela libertação de seu pai, o que a levou a se envolver com a luta coletiva contra os desaparecimentos forçados no Baluchistão por parte do Estado. Pela Europa e Ásia Central (Chipre),  Doros Polykarpou que é um eminente defensor de direitos humanos e membro fundador do KISA (Movimento pela Igualdade, Apoio e Antirracismo). Ele é especialista em questões de migração, asilo, discriminação, racismo e tráfico no Chipre. Por mais de 27 anos, ele vem se dedicando à defesa e promoção dos direitos das pessoas migrantes e refugiadas, bem como ao combate à discriminação e à xenofobia no Chipre, inserido no peculiar contexto sócio-político da pequena nação insular com forte conservadorismo. Isso expôs tanto ele como a organização a reações violentas e, no início deste ano, o escritório da KISA foi alvo de um ataque a bomba. E pelo Oriente e Norte de África Gaza, Palestina), Não Somos Números (We Are Not Numbers – WANN) que é um projeto palestino sem fins lucrativos liderado por jovens, que foi estabelecido na Faixa de Gaza em 2014 com o objetivo de contar as histórias do cotidiano de milhares de palestinos/as. Sua visão é disseminar vozes e narrativas palestinas, com base no respeito aos direitos humanos por meio do trabalho pacífico e não violento de jovens líderes palestinos/as. Quando o cofundador Ahmed Alnaouq perdeu o seu irmão de 23 anos, Ayman, durante um ataque militar de Israel contra a Palestina no verão de 2014, ficou devastado e mergulhou em uma profunda depressão da qual pensou que nunca sairia. Durante esse tempo, ele conheceu a jornalista estadunidense Pam Bailey, que o incentivou a celebrar o legado de seu irmão escrevendo uma história sobre ele. Como muitos/as jovens em Gaza, Ahmed estava se formando em literatura inglesa para melhorar suas habilidades linguísticas. Pam publicou a história em um site de notícias do Ocidente, cujo sucesso foi além das expectativas. Ahmed e Pam perceberam que escrever a história tinha sido terapêutico para ele, e que isso poderia ser feito em uma plataforma muito maior.

A Front Line Defenders é uma organização internacional de direitos humanos fundada em Dublin em 2001, com o objetivo específico de proteger defensores/as de direitos humanos em risco (DDHs). Para obter mais informações sobre os riscos enfrentados por defensores/as de direitos humanos, consulte a Análise Global da Front Line Defenders 2023/24 publicada na semana passada – é o panorama feito pela organização detalhando as violações enfrentadas por defensores/as de direitos humanos em todo o mundo. (JORNAL IKWELI)