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ÚLTIMA HORA: INCM suspende decreto sobre limites mínimos das tarifas das telecomunicações

O Instituto Nacional de Comunicações de Moçambique (INCM) suspendeu o Decreto nº 1 BR-CA/INCM/2024 de 19 de fevereiro de 2024, que estabelecia os limites mínimos das tarifas das telecomunicações no país. A decisão foi comunicada através de um comunicado de imprensa enviado à redação do Jornal Txopela nesta terça-feira.

Segundo o INCM, a suspensão do decreto visa permitir a realização de “estudos adicionais, em coordenação com as operadoras de telefonia, no sentido de dar seguimento às recomendações do Conselho de Ministros”.

 

Em atualização…

MISA treina advogados em litigação sobre as Liberdades de Imprensa e de Expressão

O MISA Moçambique capacitou, na semana passada, em Maputo, 20 advogados em estratégias de litigação e advocacia sobre as Liberdades de Imprensa e de Expressão. Os capacitados são todos membros da Rede de Advogados do MISA Moçambique, responsáveis em lidar com as violações das Liberdades de Imprensa, em todo o país.

Desde 2019 que o MISA tem trabalhado em estreita colaboração com uma rede de advogados, distribuídos em cada uma das províncias de Moçambique, para lidar com casos de violações das liberdades de imprensa. De 11 advogados no início, a rede passou, em 2022, para 20, com a inclusão e capacitação de mais nove advogadas.

São estes advogados que, na semana passada, foram treinados em litigação/advocacia para a defesa de casos sobre violações das Liberdades de Imprensa, de Expressão e do Direito à Informação. A capacitação de dois dias, 30 e 31 de Maio, marcou o início da implementação de um projecto em parceria com o IMS (International Media Support), com o financiamento da União Europeia em Moçambique, e visa contribuir para a criação de meios de comunicação social independentes, resilientes e pluralistas, comprometidos em transmitir informações confiáveis ao público.

Alerta

Falando na abertura do evento de dois dias, o presidente do MISA Moçambique, Jeremias Langa, aproveitou o momento para alertar sobre as múltiplas ameaças contra as Liberdades de Imprensa e de Expressão, em Moçambique. “Relatórios nacionais e internacionais têm demonstrado uma regressão constante nessas áreas, com um aumento significativo de violações registadas em 2023”, disse. O presidente citou o relatório do MISA sobre o estado das Liberdades de Imprensa, de Expressão e do Direito à Informação em 2023, indicando que o país passou de 11 casos em 2022 para 28 casos em 2023.

“Esses números reflectem não apenas um aumento quantitativo, mas também uma intensificação das tensões, especialmente associadas às eleições autárquicas ocorridas no ano passado” acrescentou o presidente do MISA. Jeremias Langa ressaltou que as autoridades moçambicanas têm sido apontadas como responsáveis por muitas dessas violações, com ataques contra jornalistas, ameaças, intimidações, danificação de material e até mesmo assassinatos de profissionais da comunicação social. Além disso, prosseguiu, têm-se verificado constantes processos judiciários injustos contra jornalistas. De acordo com o presidente do MISA, esse contexto é agravado pela digitalização e multiplicação de influenciadores negativos, tanto nacionais quanto internacionais, que impõem novas pressões sobre o papel dos jornalistas, incluindo ameaças online, discursos de ódio e falta de dados.

Neste contexto desafiador, destacou o presidente do MISA, o workshop da semana passada tinha um papel fundamental não apenas na capacitação dos advogados, mas também na reafirmação do compromisso com a defesa das liberdades fundamentais.

Reafirmação de compromisso

Por seu turno, o representante da União Europeia no evento, Abel Piquera, enfatizou o compromisso da UE em fortalecer a capacidade da sociedade civil, dos meios de comunicação e dos jornalistas para fornecer informações fiáveis ao público. Enfatizou, ainda, que as Liberdades de Imprensa e Expressão são pilares essenciais para a construção de sociedades democráticas justas e respeitadoras dos Direitos Humanos.

“A litigação estratégica é uma ferramenta importante para unir esforços, fazer advocacia conjunta e contestar práticas políticas que impedem o pleno exercício destas liberdades. O workshop representa, portanto, não apenas uma oportunidade de aprendizado, mas também um momento de reafirmação do compromisso de combate às violações das Liberdades de Imprensa, de Expressão e do Direito à Informação, em Moçambique” afirmou.

Por seu turno, Ilda Tembe, membro da rede de advogados do MISA Moçambique, baseada na província de Tete, incentivou a toda a classe jornalística a ter coragem de denunciar qualquer forma de violação, seja física, psicológica ou mesmo danos ao material de trabalho utilizado no exercício de suas funções. Para a advogada, a denúncia de tais violações não apenas protege os próprios jornalistas, como também é essencial para promover a transparência, a responsabilização e, por essa via, a Liberdade de Imprensa, em Moçambique.

 

 

Be Girl e parceiros celebram 10 anos de apoio às mulheres e raparigas em Moçambique

A Be Girl Moçambique, em parceria com diversas organizações, celebrou na última quinta-feira, 30 de Maio, o Dia Mundial da Higiene Menstrual, advogando os 10 anos de uma campanha global dedicada a transformar a percepção sobre a menstruação. O evento, realizado na cidade de Maputo, marcou uma década de esforços para promover a educação menstrual e combater os mitos e tabus que cercam o tema.

 

Aquílcia Joaquim, Directora Nacional da Be Girl em Moçambique, distinguiu a evolução do movimento ao longo dos últimos 10 anos. “São 10 anos de sensibilização, geração de evidências e conhecimento sobre um tema que, em muitos países, incluindo Moçambique, ainda é um mistério”, afirmou. Ela disse que a campanha começou com poucas organizações parceiras e agora conta com milhares que, anualmente, geram conversas globais sobre a menstruação.

 

Sob o lema “Juntos, desconstruindo mitos e tabus sobre a menstruação em Moçambique”, o evento reuniu cerca de 100 participantes, incluindo representantes do Governo, sector privado, organizações sem fins lucrativos e instituições de caridade, todos comprometidos com a promoção da dignidade menstrual.

 

Durante sua intervenção, Aquílcia Joaquim sublinhou os desafios enfrentados pelas mulheres moçambicanas durante o período menstrual, como a falta de recursos adequados e apoio social, além da inadequação das instalações sanitárias, o que dificulta a frequência escolar das raparigas, resultando em altas taxas de absentismo e abandono escolar. Ela também sublinhou a importância da advocacia para tornar os produtos de gestão menstrual mais acessíveis e a necessidade de envolver mais parceiros na causa.

 

Neide Acubo, representante do Ministério da Saúde, disse que o compromisso do Governo em melhorar as condições de higiene nas escolas para garantir a retenção das raparigas. “Estamos cientes dos desafios, mas reconhecemos o esforço em garantir que a escola seja um local seguro, com acesso a água limpa e sanitários adequados para a gestão da higiene menstrual”, afirmou.

 

No evento, parceiros como WATERAID, WFP, SNV e UNICEF explicaram os ganhos e desafios enfrentados na gestão e higiene menstrual nas comunidades moçambicanas ao longo dos últimos 10 anos, reforçando a importância de continuar a promover a educação e as infraestruturas necessárias para garantir uma gestão menstrual digna e saudável para todas as mulheres e raparigas.

Moçambique prepara-se para segunda manifestação nacional contra aumento das taxas de Internet, SMS e chamadas

Protestos acontecem em 20 de Junho nas capitais provinciais

 

Está agendada para o próximo dia 20 de Junho a segunda manifestação nacional contra o decreto que aumentou as taxas de internet, SMS e chamadas, aprovado pelo Instituto Nacional de Comunicações de Moçambique (INCM). A mobilização, organizada por diversos grupos da sociedade civil, acontecerá em frente ao Ministério das Comunicações e nas direcções provinciais em todo o país.

 

A primeira manifestação ocorreu no passado dia 18 de Maio de 2024, reunindo manifestantes nas capitais provinciais. Na ocasião, estudantes, pequenos empreendedores, artistas e outros membros da sociedade demonstraram a sua insatisfação com o aumento dos custos, argumentando que as novas taxas dificultam o acesso à comunicação e à informação, essencial para o desenvolvimento educacional e econômico.

 

Em uma nota divulgada pela organização dos protestos, a frase “Sugestões não são realizações” critica a decisão do Conselho de Ministros, que recomendou ao INCM a reconsiderar o aumento das taxas, mas sem acções concretas até ao momento. Os manifestantes exigem a revogação imediata do decreto, advogando que Moçambique já figura entre os países com os custos de internet mais elevados do mundo.

Constitucional recebe 1.ª candidatura de uma mulher a PR de Moçambique

Dorinda Catarina, do Movimento Nacional para a Recuperação da Unidade Moçambicana (Monarumo), foi a primeira mulher a apresentar ao Conselho Constitucional (CC) a sua candidatura a Presidente da República nas eleições de 09 de outubro.

“Anossa candidatura surge num momento em que acreditamos que o país precisa mudar de rumo, precisa de uma liderança feminina que possa apresentar uma perspetiva alternativa para o país e sobretudo reanimar a esperança dos moçambicanos”, disse à comunicação social Dorinda Catarina Eduardo, após submeter a sua candidatura.

“Acedemos ao chamamento que o país fez e esperamos que os moçambicanos nos possam acolher e dar um voto de confiança”, disse.

A presidente do Conselho Constitucional de Moçambique assinalou a importância da pretensão de se candidatar de Dorinda Eduardo, no âmbito da emancipação e do empoderamento da mulher em Moçambique.

“As mulheres não são apenas para votar, mas também para serem votadas (…) está de parabéns por isso e auguramos que tenham sucessos nesta etapa, nesta pretensão de candidatura”, disse Lúcia Ribeiro.

Dorinda Catarina Eduardo, 51 anos, é natural de Cabo Delgado e jurista de profissão.

Pelo menos cinco pessoas submeteram as suas candidaturas à Presidência de Moçambique, entre as quais Ossufo Momade, apoiado pela Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), maior partido da oposição, e Lutero Simango, apoiado pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM), terceira força parlamentar.

A submissão de candidaturas às eleições gerais de 09 de outubro termina em 10 de junho.

A Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, ainda não apresentou no CC a candidatura de Daniel Chapo.

Chapo foi eleito, a 05 de maio, candidato da Frelimo às presidenciais de 09 de outubro pelo Comité Central do partido no poder.

As eleições presidenciais vão decorrer em simultâneo com as legislativas e eleições dos governadores e das assembleias provinciais.

O atual Presidente da República e da Frelimo, Filipe Nyusi, está constitucionalmente impedido de voltar a concorrer para o cargo, porque cumpre atualmente o segundo mandato na chefia de Estado, depois de ter sido eleito em 2015 e em 2019.