Investigadora moçambicana integra Comité Consultivo do Consórcio Africano de Coortes Populacionais
Macicame, pesquisadora e directora da Divisão de Inquéritos e Observação de Saúde no Instituto Nacional de Saúde (INS), foi recentemente eleita membro do Comité Consultivo do Consórcio Africano de Coortes Populacionais (APCC). A eleição ocorreu durante a conferência do APCC, realizada de 27 a 28 de Maio em Cape Town, na África do Sul.
Macicame junta-se a um selecto grupo de 10 membros, sendo a única representante de um país africano de língua oficial portuguesa. Ela traz consigo uma vasta experiência como investigadora principal de duas importantes coortes populacionais de Moçambique: o Sistema Comunitário de Observação em Saúde e de Eventos Vitais e o Sistema de Vigilância Demográfica e de Saúde da Polana Caniço, refere um comunicado do Instituto Nacional de Saúde enviado a nossa redacção.
O APCC, criado em 2022, visa promover o envolvimento multidisciplinar e estratégias inovadoras para melhorar a saúde e o bem-estar das comunidades africanas. A entidade pretende estabelecer uma capacidade transformacional e um fórum sobre coortes populacionais, reunindo cientistas africanos, tomadores de decisão e outras partes interessadas. Busca criar mecanismos de colaboração baseados em evidências, catalisando a investigação inovadora e promovendo a sustentabilidade a longo prazo.
PM derrotado e humilhado: Frelimo deve encontrar outro candidato, rapidamente!
Pio Matos sofreu uma grande derrota na última sessão do comité provincial realizada ontem em Quelimane, para a eleição do cabeça de lista do partido Frelimo como candidato a governador da província central da Zambézia. Matos foi uma imposição de Nyusi, que aparentemente já não goza de simpatia no fim do seu mandato. O prenúncio foi a última reunião do Comité Central, onde a “noite das facas longas” resultou num parto difícil.
Na Zambézia, o delfim de Nyusi não conseguiu amealhar sequer 25% dos votos dos seus correligionários. Foi sacrificado pela sua inoperância governativa nos últimos anos, que não rendeu absolutamente nada no capítulo do desenvolvimento. Pio Matos é acusado de ter concentrado todos os negócios do Estado para si e empresas da sua família, prejudicando desmedidamente a classe empresarial. A Frelimo não tem outra escolha: deve procurar outro candidato que possa enfrentar principalmente Manuel de Araújo, um “macaco velho” na política moçambicana, que conhece bem as manobras da Frelimo.
Pio Matos: O candidato que concorreu sozinho e perdeu
A ultima sessão do Comité Provincial da Zambézia da Frelimo revelou profundas fraturas dentro do partido, Pio Augusto Matos, actual governador da província, concorreu à sua própria sucessão como cabeça de lista do partido ao cargo de governador. O resultado foi embaraçoso: Pio Matos não conseguiu obter sequer 25% dos votos, conforme exige a directiva do partido para a sua homologação.
Durante a sessão do Comité Provincial da Frelimo na Zambézia, a votação mostrou que mais de 75% dos votos dos membros foram nulos ou em branco. Este resultado, interpretado como uma acção premeditada, expôs o alto nível de insatisfação dos membros do partido na província com a imposição de Pio Matos como candidato único pela Comissão Política. A recusa em apoiar Matos mostra a dissidência interna e a rejeição da liderança imposta, deixando um vazio jurídico na sucessão.
A decisão da Comissão Política de impor a recondução de todos os actuais governadores provinciais, obrigando-os a concorrer como candidatos únicos, não foi bem-recebida na Zambézia. A excepção a esta regra foi feita apenas para as províncias de Inhambane e Nampula. Em Nampula, Manuel Rodrigues foi punido por se recusar a ser cabeça de lista nas eleições autárquicas passadas.
Além dos desafios políticos, o nome da família Matos está sob investigação por suspeitas de envolvimento em casos de corrupção, um factor que pode ter influenciado negativamente a votação.
Celebração dos 60 anos da vila municipal de Alto Molocué: Há muita interferência política de alguns…
A vila municipal de Alto Molocué celebrou neste sábado (01) seus 60 anos de existência, sob o lema “Celebrando os 60 anos, na prosperidade e resiliência municipal”. O evento, que contou com a presença de várias figuras públicas e residentes, foi também um momento de reflexão sobre os desafios e realizações da governação local.
Em entrevista aos jornalistas, o Presidente do Município de Alto Molocué, Otílio Eduardo Munequele, sublinhou que a interferência política da administração do Governo da Frelimo está a minar a administração municipal. “Há muita interferência política de alguns e isso não vai ajudar os nossos munícipes”, afirmou Munequele, advogando que há dificuldades enfrentadas pela gestão municipal devido a essas interferências.
Otílio Eduardo Munequele explicou que essa situação tem criado muitos constrangimentos na governação local, embora reconheça que houve mudanças importantes no desenvolvimento da vila. “A administradora fica muito ausente, foge muito, não é porque ela é má, mas porque tem medo do partido Frelimo”, disse o presidente, indicando que a pressão política é um factor que afecta negativamente a actuação dos gestores municipais.
Munequele fez questão de salientar as conquistas alcançadas durante a sua gestão. “Se prestarem muita atenção, temos mudanças significativas, como o melhoramento dos passeios, reabilitação das estradas e colocação de pavês, assim como a construção de balneários públicos”, destacou, apontando para os esforços contínuos de melhorar a infraestrutura da vila.
Apesar das dificuldades, o presidente do município mostrou-se optimista em relação ao futuro. “Ainda vamos governar”.
Manuel de Araújo confirma candidatura ao cargo de Governador da Zambézia pelo partido Renamo
Em Alto Molocué, Manuel de Araújo confirmou a sua candidatura para governador da província da Zambézia nas próximas eleições gerais. Com um discurso carregado de críticas ao actual governo, Araújo expressou a necessidade urgente de mudanças na administração provincial.
“Nós vamos, de princípio, aceitar essa candidatura na esperança de não deixar um vazio na governação”, declarou Araújo. Em seguida, com uma metáfora que capturou a atenção dos presentes, afirmou: “A província da Zambézia precisa de calças novas”, simbolizando a necessidade de uma renovação profunda na gestão local.
Manuel de Araújo criticou duramente o actual governador da Zambézia, Pio Augusto Matos, acusando-o de não cumprir com seu manifesto eleitoral e de negligenciar o desenvolvimento, especialmente nas zonas mais afastadas. “A província está cansada das aldrabices do senhor Pio Matos, ele prometeu que iria fazer coisas e não cumpriu”, disse Araújo, apontando a falta de progresso nas infraestruturas e oportunidades de emprego como exemplos do fracasso do actual governo.
“A estrada de Malei para Maganja da Costa, de Maganja da Costa para Pebane, e de Pebane para Gilé está em condições deploráveis”, enfatizou. Além das estradas, Araújo disse que a falta de acesso a oportunidades de emprego e o fraco desenvolvimento econômico como promessas não cumpridas pelo governador Matos.
A candidatura de Manuel de Araújo, segundo ele próprio, visa transformar a actual imagem da província e impulsionar a economia local. “Queremos alavancar a economia da Zambézia rumo ao desenvolvimento”, afirmou, mostrando-se determinado a trazer mudanças para a província.
Ataques armados nas proximidades de Chiure afectam economia local
A vila municipal de Chiure, localizada na província de Cabo Delgado, tem registado uma acentuada queda na economia local devido aos ataques armados que vêm ocorrendo a aproximadamente 20 quilómetros daquela zona urbana. Os ataques, que têm semeado medo entre os residentes e comerciantes, forçaram mudanças no cotidiano da população.
Segundo Alicora Ntutunha, presidente do Município da Vila de Chiure, a situação tornou-se tão grave que a partir das 18 horas ninguém mais circula na vila. “A partir das 18 horas ninguém pode circular, isto nos deixa um pouco tristes, porque as pessoas não circulam”, declarou Ntutunha, evidenciando a tensão e o clima de insegurança que se abate sobre a vila.
Os estabelecimentos comerciais, que anteriormente funcionavam até às 20 ou 22 horas, agora encerram as suas actividades até as 19 horas. Esta medida é uma precaução dos comerciantes para poderem regressar a suas casas mais cedo, evitando o risco de se tornarem vítimas dos ataques que assolam as proximidades de Chiure.
Ntutunha disse mais, que até o momento, a vila em si não foi alvo direto dos ataques. A proximidade dos incidentes e o receio de uma possível escalada da violência levaram a comunidade a adoptar medidas mais restritivas. “Temos aqueles comerciantes que vendiam até as 20 ou 22 horas, agora chegando até as 19 horas tudo fica encerrado ninguém pode circular na vila”, acrescentou.
Para reforçar a segurança e tentar conter a acção dos supostos malfeitores, a administração local intensificou o controle das saídas e entradas nos bairros, uma medida que visa aumentar a vigilância e prevenir novos ataques.
O Jogo sujo e mal calculado de Inácio Reis
Inácio Reis delegado provincial da RENAMO na Zambézia, com a habilidade de um prestidigitador, acusou recentemente Manuel de Araújo de ser o maestro das desavenças internas do partido em Quelimane. Segundo Reis, as manifestações contra a liderança de Ossufo Momade não são mais do que uma orquestração astuta de funcionários do Conselho Municipal, todos a mando de Araújo. Ele até sugere que as fichas de apoio à candidatura de Venâncio Mondlane são assinadas nas horas vagas por lá.
Inácio Reis parece esquecer-se de um pequeno detalhe: a democracia. Sim, essa mesma democracia que a Renamo jura de pés juntos que é pai ou mãe, apesar de tudo, ainda pulsa no coração de Quelimane. Araújo, por mais que quisesse, não teria como manipular tal cenário. A revolta contra injustiças é parte do DNA desta cidade. Ignorar isso é mais do que imprudência, é falta de preparação política.
Manuel de Araújo, em resposta, promete queixar-se ao Conselho Jurisdicional da RENAMO, uma espécie de órgão fiscal das normas do partido, alegando que as acusações de Reis são inverdades que ferem a sua honra e a dos funcionários do Conselho Municipal. A minha sugestão? Não se limite ao Conselho. Leve Inácio Reis aos tribunais. Permitir que essas acusações permaneçam no ar é dar-lhes força, transformá-las numa sombra que paira sobre a sua carreira.
A verdadeira intenção de Inácio Reis, ao que tudo indica, é despojar Araújo de sua posição de poder. Ao retirar-lhe a confiança política, Reis espera pavimentar o caminho para influenciar o próximo presidente do município de Quelimane (graças aos acordos entre a Frelimo e a Renamo na revisão da lei é possível), aproximando-se dos tão cobiçados cofres municipais. Mas esta jogada parece ter sido mal calculada. Primeiro, num acto antidemocrático, Reis excluiu Araújo da lista dos membros do Conselho Nacional da Renamo provenientes da província da Zambézia, numa tentativa de apagá-lo do mapa. Mas o que aconteceu depois? Araújo, mesmo ausente da Zambézia, foi eleito por aclamação como candidato a governador da Zambézia, com uma vitória expressiva de 86 votos a favor. Nem Maria Rita, com seus 8 votos, nem a deputada Inês, com apenas 1, chegaram perto.
Agora, resta a pergunta: Manuel de Araújo aceitará essa indicação? E se aceitar, como lidará com seu principal detrator, Inácio Reis? A política, especialmente na Zambézia, é um jogo complexo de xadrez, onde cada movimento pode ser decisivo. A história ainda está longe de acabar, e nós, meros espectadores, continuaremos a assistir, talvez com um balde de pipocas em mãos. Porque, no fundo, a política é isso: um espetáculo contínuo, repleto de surpresas, reviravoltas e, acima de tudo traições.


