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Parlamento entrega donativo ao INGD para vítimas do Ciclone Jude

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Maputo – Txopela Num gesto simbólico de solidariedade institucional, a Presidente da Assembleia da República (AR), Margarida Adamugi Talapa, vai proceder esta terça-feira, 15 de Abril, à entrega oficial de um donativo ao Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), destinado às vítimas do ciclone Jude, que recentemente fustigou várias províncias das zonas centro e norte do país.

A cerimónia terá lugar na sede do Parlamento, em Maputo, a partir das 11h00, e contará com a presença de representantes dos órgãos legislativos e do INGD.

Segundo uma nota oficial, o donativo resulta da contribuição voluntária dos deputados da Assembleia da República, que decidiram abdicar de um (1) dia do seu salário em solidariedade com os milhares de moçambicanos afectados pela passagem devastadora do ciclone, em Março último.

Embora louvado como gesto de empatia institucional, o valor total arrecadado e a sua aplicabilidade concreta ainda não foram revelados publicamente. Fica por saber se este tipo de contribuições, ainda que bem-intencionadas, representam soluções sustentáveis ou apenas actos pontuais com impacto limitado face à dimensão das catástrofes naturais que ciclicamente afligem o país.

O INGD, que tem estado sob fogo cruzado por alegadas falhas de preparação e resposta em anteriores crises humanitárias, deverá agora ser o fiel depositário da solidariedade parlamentar. Resta saber se os recursos entregues serão efectivamente canalizados para aliviar a dor dos mais vulneráveis – e não apenas para alimentar a máquina burocrática da gestão de desastres.

Debate da ENDE adiado: Parlamento pede mais tempo para digerir documento do Governo

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Maputo –Txopela A Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025-2044, ambiciosamente lançada como o novo compasso do futuro moçambicano, vai ter de esperar. A Comissão Permanente da Assembleia da República (CPAR) aprovou esta segunda-feira, 14 de Abril, o pedido de adiamento do debate em plenário do documento, inicialmente agendado para os dias 16 e 17 deste mês.

A decisão foi provocada por um pedido da Bancada Parlamentar do PODEMOS, que alegou necessidade de tempo adicional para analisar “de forma mais aprofundada e responsável” o conteúdo da ENDE, dadas a sua extensão e implicações de longo prazo para o país. O porta-voz da CPAR, Manuel Ramessane, confirmou que o pedido mereceu consenso entre todas as bancadas representadas no Parlamento, incluindo FRELIMO, RENAMO e MDM.

A suspensão do debate revela que, apesar da pompa com que o Executivo apresentou o documento estratégico, nem todos os deputados estavam convencidos – ou suficientemente preparados – para endossar, sem reservas, uma proposta que traça os caminhos da economia e sociedade moçambicana para os próximos anos.

“O país precisa de planificação, sim. Mas não podemos continuar com a cultura do atropelo, da pressa e da aprovação por inércia”, comentou um deputado do Podemos ao Txopela. “Um documento com este peso precisa ser conhecido, discutido e, sobretudo, compreendido.”

O gesto de aparente consenso entre as bancadas, ainda que raro, foi lido por alguns analistas como uma oportunidade para um debate mais sério e menos partidarizado, embora persista o ceticismo sobre a capacidade real de o Parlamento influenciar de forma significativa um documento produzido com forte pendor executivo e tecnocrático.

Governo lança nova Estratégia de Desenvolvimento para 2044, mas críticas já se avolumam

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Maputo – Com um horizonte temporal de duas décadas, o Governo moçambicano apresentou no sábado, 12 de Abril, em Maputo, a Proposta de Resolução atinente à Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE) 2025-2044, prometendo a velha ambição de sempre: transformar estruturalmente a economia, desta vez com uma retórica renovada de “diversificação produtiva” e “geração de empregos”.

Falando durante uma audição parlamentar organizada pelas Comissões de Trabalho da Assembleia da República, o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Crípton Valá, prometeu uma estratégia “flexível, resiliente e com metas quinquenais”, que procura combinar a planificação de longo prazo com revisões periódicas conforme o “contexto”.

Na teoria, a ENDE visa ser a bússola do desenvolvimento nacional, aplicando-se a todas as esferas do Estado e envolvendo os suspeitos do costume: sector privado, academia, sociedade civil e, claro, os parceiros internacionais. No papel, propõe-se estimular o desenvolvimento humano, fortalecer o capital institucional, combater a corrupção e garantir uma governação eficaz. Tudo isto com base em pilares que incluem unidade nacional, coesão territorial, integração social e industrialização rural.

Contudo, críticos já apontam o dedo à ausência de mudanças estruturais nas metodologias de implementação e responsabilização, recordando que sucessivas estratégias anteriores — de planos quinquenais a visões de desenvolvimento — foram ficando pelo caminho, sabotadas por corrupção sistémica, burocracias ineficientes e prioridades políticas voláteis.

Ainda assim, Valá insistiu que esta nova ENDE será acompanhada por indicadores mensuráveis, mecanismos de revisão formal e estruturas institucionais “robustas”, entre elas os prometidos Observatórios de Desenvolvimento. A grande dúvida reside, como sempre, na distância entre o entusiasmo tecnocrático do discurso oficial e a realidade dos moçambicanos comuns, cada vez mais estrangulados pelo desemprego, exclusão e degradação dos serviços públicos.

A proposta, de autoria do Conselho de Ministros, parece também apontar para um esforço de blindagem institucional, ao querer manter-se como “referência estratégica” mesmo diante de mudanças de Governo. Um detalhe não despiciendo, numa altura em que se vive um período de crescente contestação social e desconfiança generalizada em relação à elite política.

A ENDE 2025-2044 fala em inclusão, equidade e coesão, mas a sua concretização dependerá, como sempre, não apenas da letra do plano, mas da vontade política de romper com o status quo — algo que os observadores mais atentos continuam a ver como improvável sem um verdadeiro choque de transparência e participação cidadã.

Araújo galvaniza Quelimane contra esquadrões da morte: “Não nos vão curvar”

 

Quelimane – Mesmo a milhares de quilómetros da sua cidade, o edil de Quelimane, Manuel de Araújo, não ficou indiferente à onda de indignação que varreu a capital zambeziana após o atentado a tiro contra o músico Joel Amaral, conhecido no circuito artístico como MC Trufafá.

 

Num comunicado inflamado, enviado a partir de Seul, onde participa da Cimeira Mundial dos Governos Locais sobre Mudanças Climáticas, Araújo agradeceu o que chamou de “resposta patriótica e cívica” dos munícipes que acorreram em massa à marcha de repúdio ao que classifica de “tentativa bárbara de assassinato”.

 

O autarca, figura sempre combativa, foi claro ao lançar um alerta: “Ontem foi o Joel! Amanhã serei eu! Depois de amanhã serás tu!” — numa clara referência ao clima de insegurança e perseguição política que, segundo vários relactos, se vem agravando desde a proclamação dos controversos resultados eleitorais de 2024.

 

A mobilização popular em Quelimane chegou além-fronteiras. “Mesmo cá em Seul, a vossa voz foi ouvida”, escreveu Araújo, revelando que a solidariedade chegou de vários quadrantes internacionais. “De vários cantos do mundo recebemos chamadas, mensagens de apoio e solidariedade”, lê-se na nota.

 

No seu habitual estilo de retórica combativa, Araújo apelou à união dos quelimanenses contra os que chama de “algozes assassinos”, garantindo que “eles não nos vão curvar” e prometendo que “nenhum tirano nos irá escravizar”.

 

A manifestação, que decorreu em clima de tensão, foi descrita por observadores locais como uma das mais expressivas acções de protesto popular organizadas nos últimos tempos na cidade, marcada por cartazes, palavras de ordem e apelos à justiça.

 

O atentado contra Joel Amaral, baleado por indivíduos não identificados no passado domingo, gerou uma onda de condenação por parte de partidos da oposição, organizações da sociedade civil e cidadãos anónimos, que interpretam o episódio como parte de um padrão crescente de repressão política.

 

Enquanto isso, em Quelimane, o sentimento dominante é de resistência. “Sinto orgulho de ser um de vocês”, rematou Araújo na nota — uma declaração de pertença que reforça o seu papel de liderança num município que se tornou bastião da dissidência no centro do país.

Cidália Chaúque assume comando da OMM

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Matola – A Organização da Mulher Moçambicana (OMM), braço feminino da Frelimo, tem desde a madrugada desta segunda-feira uma nova secretária-geral: trata-se de Cidália Chaúque, política de longa data, que sucede a Mariazinha Niquice, agora reconduzida ao parlamento na qualidade de deputada pela bancada maioritária.

 

A eleição de Chaúque ocorreu durante a Sessão Ordinária do Conselho Nacional da OMM, realizada na Escola Central do partido Frelimo, na cidade da Matola, epicentro tradicional da formação e reprodução das lideranças do partido no poder. A escolha da nova timoneira da OMM confirmou o que já se antevia nos bastidores: uma sucessão controlada, com o selo da continuidade e fidelidade à linha oficial.

 

Cidália Manuel Chaúque Oliveira, nascida a 22 de Outubro de 1972, em Maputo, é uma figura bem conhecida nos corredores do poder. Filha de Manuel Eugénio Chaúque e Catarina António Macamo, construiu o seu percurso político e técnico entre Inhambane e Maputo, tendo exercido vários cargos no aparelho do Estado e da Frelimo.

 

Com raízes cristãs na Igreja Presbiteriana (Missão Suíça), e domínio de línguas locais como Gitonga, Cicopi e Xichangana, Chaúque é retratada por sectores do partido como uma mulher de “perfil discreto, mas firme”, embora a sua ascensão à liderança da OMM seja lida por analistas como mais uma peça no tabuleiro interno de reafirmação do controlo partidário sobre os movimentos sociais associados ao partido.

 

Licenciada em Contabilidade e Auditoria pela Universidade Politécnica de Maputo, Chaúque possui ainda formação técnica em recursos hídricos pela antiga Direcção Nacional de Águas, tendo ingressado no aparelho estatal nos anos 90.

 

Apesar da mudança na liderança, o discurso que marcou o encerramento da sessão da OMM indicia que pouco mudará no conteúdo político da organização. As referências ao “fortalecimento da mulher moçambicana”, ao “papel da mulher na consolidação da paz” e à “luta contra a pobreza” voltaram a marcar as declarações protocolares, agora sob nova voz, mas com a mesma cartilha.

Com Cidália Chaúque à frente da OMM, observadores políticos esperam para ver se haverá renovação real ou se o organismo continuará a cumprir o seu papel de satélite partidário, priorizando a fidelidade ao partido em detrimento das causas femininas mais críticas e estruturantes.

MDM denuncia tentativa de assassinato de MC Trufafá como “ataque à oposição”

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Quelimane – O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) veio a público esta segunda-feira repudiar veementemente a tentativa de assassinato de Joel Amaral, conhecido no meio artístico como MC Trufafá, figura pública com ligações à política, à cultura urbana e à sociedade civil da Zambézia.

 

Amaral foi baleado na tarde de domingo, 13 de abril, em plena Cidade de Quelimane, num acto que o partido liderado por Lutero Simango classifica como “brutal” e “intolerável”, atribuindo o atentado aos alegados esquadrões da morte que, segundo acusa, têm vindo a operar impunemente com o objectivo de silenciar vozes críticas e a oposição política no país.

 

Para o MDM, o ataque a Joel Amaral não é um caso isolado, mas antes o reflexo de uma escalada de violência política que ameaça os pilares de um Estado de Direito Democrático. “Este acto representa uma flagrante demonstração de intolerância política que atinge de forma grave as liberdades de expressão, manifestação, pensamento e participação política”, refere o partido em comunicado enviado à nossa redacção.

 

A agremiação política questiona a legitimidade de recentes gestos oficiais de apelo ao diálogo inclusivo e reconciliação nacional, considerando-os incompatíveis com a realidade de perseguições e atentados contra cidadãos que exercem o direito ao dissenso. “Como aceitar que há abertura para o diálogo, quando continuam os ataques contra cidadãos nacionais por expressarem pensamento diferente ao do regime?”, interroga o documento.

 

O MDM exige uma investigação “séria, célere e imparcial” por parte das autoridades competentes, que leve à responsabilização dos autores materiais e morais do atentado. Apela ainda à comunidade nacional e internacional para não ignorar os sinais de repressão e declínio democrático que se fazem sentir, sobretudo após a contestada proclamação dos resultados eleitorais.

“Não podemos pactuar serenamente com estes actos bárbaros que visam silenciar a verdadeira oposição neste país”, denuncia o partido, ao mesmo tempo que reafirma o seu compromisso com o diálogo político genuíno, a justiça social, a paz e o combate à pobreza.

Mondlane ameaça com protestos “100 vezes piores” se continuar “perseguição política”

O ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane ameaçou hoje convocar protestos “100 vezes piores” se a “perseguição política” aos seus apoiantes continuar, um dia após um dos seus aliados ter sido baleado no centro de Moçambique.

“Queremos avisar o Presidente, que foi colocado [na presidência] pela Unidade de Intervenção Rápida [polícia], que esta é a ultima chance que tem (…). A próxima vítima que eles tentarem fazer, nós vamos acionar o `Turbo V24 ultra´ [terminologia usada pelo político para classificar diferentes fases de protestos] (…). Estamos à espera de mais um ferido ou um morto. Aquilo que viram até hoje vai ser 100 vezes pior”, declarou Mondlane perante milhares de simpatizantes num comício em Quelimane, na província da Zambézia, centro de Moçambique.

Em causa está o facto de ter sido baleado, no domingo, Joel Amaral, músico apoiante de Mondlane e autor de temas que mobilizaram simpatizantes nas campanhas eleitorais para as autárquicas (2023) e depois para as presidenciais (2024).

Amaral, que está agora sob “cuidados intensivos e evoluir bem”, foi alvejado por desconhecidos no bairro Cualane 2.º, na cidade de Quelimane, capital provincial da Zambézia.

“A lesão simplesmente esteve ao nível do couro cabeludo. Ele foi dirigido ao bloco operatório onde foi feita uma limpeza exaustiva, profunda e não foi encontrada nenhuma presença de bala”, disse hoje Palmira Nascimento, porta-voz do Hospital central de Quelimane, onde a vítima está internada,

Para Mondlane, trata-se mais um caso de “intolerância política”.

“Da nossa organização, tiraram a vida de um total de 47 coordenadores nossos, apresentamos queixa à Procuradoria e até agora a justiça não foi feita”, declarou o político.

Mondlane, que rejeita os resultados das eleições de 09 de outubro, liderou, nos últimos cinco meses, a pior contestação aos resultados eleitorais que o país conheceu desde as primeiras eleições multipartidárias (1994), com protestos em que cerca de 390 pessoas perderam a vida em confrontos com a polícia, segundo dados de organizações da sociedade civil, degenerando, igualmente, em saques e destruição de empresas e infraestruturas públicas.

O Governo moçambicano confirmou anteriormente, pelo menos, 80 óbitos, além da destruição de 1.677 estabelecimentos comerciais, 177 escolas e 23 unidades sanitárias durante as manifestações.

Contudo, em 23 de março, Mondlane e o Daniel Chapo, Presidente já empossado, encontraram-se pela primeira vez e foi assumido o compromisso de cessar a violência no país.

“Eu fui obrigado a ir apertar a mão ao Presidente que foi colocado pela Comissão Nacional de Eleições e pelo Conselho Constitucional porque me garantiram que a perseguição, as mortes e os sequestros iriam parar. Mas, com o que aconteceu com o Joel Amaral, eles estão a cumprir?”, questionou o político.

Logo após as eleições gerais de 2024, o assessor jurídico de Venâncio Mondlane, o conhecido advogado Elvino Dias, e o mandatário do Podemos, Paulo Cuambe, partido que apoiava a sua candidatura presidencial, foram baleados mortalmente na noite de 18 de outubro, numa emboscada à viatura em que seguiam no centro de Maputo, com tiros de metralhadora, num crime que provocou a comoção na sociedade moçambicana e que continua por esclarecer.

O Presidente moçambicano reagiu ao mais recente caso, o de Joel Amaral, classificando o ato como uma “afronta à democracia” e pedindo uma “investigação cabal”.

“Recebemos, com profunda preocupação, a notícia do baleamento do músico e político Joel Amaral. Este ato de violência gratuita não é apenas um ataque contra um cidadão que contribui com o seu saber e dedicação ao nosso país, mas também uma afronta à democracia e aos princípios do Estado de direito, que todos devemos proteger”, afirmou o chefe de Estado, em comunicado. LUSA

Carta aberta a Chapo: Manuel de Araújo acusa o Estado de execuções *

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Sua Excia Senhor Presidente da República

 

Temos vindo a acompanhar com bastante preocupação ao desenrolar dos acontecimentos desde a proclamação dos resultados eleitorais.

 

Diariamente temos recebido informação de vários pontos do pais alertando-nos sobre uma verdadeira caça ao Homem, alegadamente efectuada por elementos  ligadas as  Forcas de Defesa e Segurança, de que Vossa Excia é Comandante em Chefe.

 

Excia,

 

Saudamos a vossa iniciativa de congregar as forcas vivas da sociedade para um diálogo inclusivo, iniciativa essa que foi aprovada pela Assembleia da Republica e aguarda a vossa ratificação e promulgação, para que passe efectivamente a ser Lei, e por isso de cumprimento obrigatório.

 

Vimos por este meio solicitar a intervenção de Vossa Excia, senhor Presidente da República, na qualidade de Comandante em Chefe das Forças de Defesa e Segurança para que ordene a investigação e imediata cessação da perseguição e morte a cidadãos indefesos alegadamente perpetradas por elementos ligados as Forças de Defesa e Segurança (FDS) e deia permissão a nacionais, regionais e  internacionais para investigarem as alegações de tortura, maus tratos, bem como a execuções extrajudiciais.

 

Excia,

 

Temos conhecimento que algumas instituições internacionais submeteram pedidos de permissão para enviarem missões de investigação entre  Outubro e Novembro de 2025 e até hoje não receberam qualquer resposta das autoridades moçambicanas.

 

Exigimos as instituições da justiça, a Procuradoria Geral da República (PGR), a Policia da República de Moçambique (PRM) e ao Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) o esclarecimento célere das circunstâncias e causas que levaram ao baleamento do nosso colega.

 

Solicitamos a organizações de defesa de direitos humanos nacionais, regionais e internacionais como a Comissão Nacional dos Direitos Humanos, a Ordem dos Advogados, a Intelwatch, a UN Human Rights Commission, a Human Rights Watch, a Amnest International dentre outras, para que levem em consideração as denúncias sobre execuções sumárias e tratamento desumano e degradante em vários pontos do pais e organizem missões de campo para in loco  investigar as alegações.

 

Excia Senhor Presidente,

 

Sabe como muitos de nós que a Constituição da República de Moçambique proíbe a pena da morte. E Vossa Excia, na Cerimónia de Tomada de Posse jurou não só respeitar como também fazer respeitar a Lei Mãe.

 

Excia,

 

 

O baleamento do jovem musico e DJ Trufafá, vulgo Joel de Amaral, bem como a  “caça ao homem” que tem sido reportadas em vários distritos da província da Zambézia e do pais, desde a proclamação dos resultados eleitorais. Estas acções ilegais e que atentam a Lei Mãe,  tem sido reportadas com maior frequência nos distritos de Morrumbala, Mopeia, Luabo, Chinde, Nicoadala, Namacurra, Maganja da Costa, Milange, Molumbo, Gurue, Moatize onde centenas de pessoas foram e continuam a ser barbaramente assassinadas e seus direitos flagrantemente violados por indivíduos alegadamente ligados as forças de defesa e segurança são violações graves a Constituição da República.

 

Excia,

 

Lembrar-Lhe que estamos em Domingo de Ramos e que passam seis meses sem on esclarecimento do bárbaro assassinato dos jovens  Elvino Dias, e Gwambe e ousaram exercer direitos fundamentais normais num  Estado de Direito Democrático.

 

Cumpramos na Letra e no Espirito o Acordo sobre o Diálogo Inclusivo.

 

Atenciosamente,

 

Manuel de Araújo

 

Cidadão Comum

 

Nota: O título desta carta aberta é da inteira responsabilidade do Jornal Txopela.

MC Trufafá: PRM fala em “elementos relevantes ” para o esclarecimento do caso

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Quelimane – A Polícia da República de Moçambique (PRM) anunciou que há “elementos relevantes” que podem conduzir ao esclarecimento do atentado contra o músico e mobilizador político Joel Amaral, mais conhecido por MC Trufafá, baleado no último Domingo no Benedito, em Quelimane. Apesar do tom cauteloso, o país continua à espera dessas respostas concretas.

O anúncio foi feito por Miguel Caetano, chefe do Departamento de Relações Públicas no Comando Provincial da PRM, que, em declarações exclusivas ao Jornal Txopela e à Rádio Chuabo FM, afirmou que “a investigação está em curso” e que “certos passos operacionais não podem ser divulgados para não comprometer o processo”.

Nada de novo, diriam os mais atentos. Porque, em Moçambique, as investigações sobre atentados com contornos políticos raramente chegam a bom porto. Muito menos com celeridade.

Quelimane continua em sobressalto. As ruas fervilham com indignação, e a resposta popular ganha corpo. O político Venâncio Mondlane, líder da formação política em gestação, Anamalala, chegou à capital zambeziana nas primeiras horas da manhã seguinte ao ataque. Após visitar o artista no Hospital Central, liderou uma marcha espontânea, que reuniu centenas de cidadãos, indignados com o que consideram ser uma tentativa falhada de silenciamento político.

A resposta policial não tardou. Com um aparato ostensivo nas principais artérias da cidade, as forças da ordem afirmam que a sua presença visa “garantir a segurança dos participantes na marcha”. Mas muitos habitantes de Quelimane lêem o gesto como um aviso preventivo a novas manifestações.

O atentado contra MC Trufafá ocorre num contexto de crispação política pós-eleitoral, alimentado por alegações de fraude nas autárquicas de 2024 e por uma crescente desconfiança institucional.

Moçambique e África do Sul reforçam laços com foco na liderança do BAD

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O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu em audiência, esta sexta-feira, em Maputo, Ayanda Dlodlo, enviada especial do Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, que solicitou o apoio de Moçambique à candidatura sul-africana à presidência do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). A visita insere-se no quadro das relações de cooperação e solidariedade entre os dois países da África Austral, com destaque para o fortalecimento das parcerias no domínio do desenvolvimento económico e da segurança regional.

Falando à imprensa após o encontro, Ayanda Dlodlo afirmou que o pedido foi feito em nome do Presidente Cyril Ramaphosa, no âmbito dos esforços diplomáticos da África do Sul para garantir o apoio de países amigos à sua candidatura. “Discutimos a solicitação de apoio em nome do Presidente Cyril Ramaphosa, solicitando apoio para a candidatura da África do Sul para a presidência do Banco Africano de Desenvolvimento”, explicou.

Dlodlo sublinhou que as relações entre Moçambique e a África do Sul são históricas e profundas, remontando ao período pré-colonial, com um crescimento contínuo ao longo dos anos. “A cooperação entre Moçambique e a África do Sul é muito histórica, e é de longa data, durante a era colonial e até mesmo antes da era colonial, e cresceu exponencialmente ao longo dos anos”, destacou. No domínio da cooperação bilateral, Dlodlo destacou avanços nas áreas de desenvolvimento e segurança, reiterando o compromisso dos dois países em manter uma parceria estratégica para a estabilidade e o progresso da região. “Há muita cooperação entre os dois países, do ponto de vista de desenvolvimento e também do ponto de vista de segurança”, concluiu.