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Governador de Nampula solicita apoio alemão para reativar Centro Tecnológico de Namialo

O Governador da Província de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, solicitou nesta terça-feira (29) o envolvimento da República Federal da Alemanha na revitalização do Centro Tecnológico de Namialo (CTN), durante um encontro de cortesia com o embaixador alemão em Moçambique, Ronaldo Munch.

No encontro, realizado na cidade de Nampula, o governador convidou oficialmente a Alemanha a juntar-se ao Conselho Executivo Provincial (CEP) nos esforços para reabrir o CTN, com o objectivo de disseminar tecnologias de construção resiliente. Eduardo Abdula sublinhou a importância da infraestrutura, encerrada há vários anos, no contexto da crescente necessidade de soluções habitacionais sustentáveis, especialmente para os jovens, e da exposição cíclica da província a eventos climáticos extremos.

“Tendo em conta os grandes problemas que temos de habitação para os jovens e a situação cíclica de ciclones, precisámos com maior urgência possível de reactivar o Centro Tecnológico de Namialo visto que o centro é multifuncional e conta com a componente ligada à promoção de construção resiliente”, afirmou o governador.

Abdula aproveitou a ocasião para apresentar o estágio de implementação do Plano Estratégico Provincial (PEP) 2024–2034, partilhando com o diplomata alemão as prioridades do executivo provincial, bem como dados preliminares sobre os danos causados em diversas áreas e infraestruturas da província.

O chefe do executivo provincial sublinhou ainda a necessidade de expansão do projecto de Boa Governação Financeira, que actualmente conta com apoio da cooperação alemã, para outras instituições do Estado, incluindo o próprio CEP, com vista à promoção da sustentabilidade financeira e patrimonial.

O Centro Tecnológico de Namialo foi inaugurado em 2004, com financiamento do governo moçambicano e apoio de parceiros internacionais, tendo como missão principal a formação técnica de jovens nas áreas de construção civil, carpintaria, serralharia e tecnologias apropriadas. Localizado no distrito de Meconta, o CTN esteve operacional durante alguns anos, mas a sua actividade foi progressivamente reduzida devido a limitações financeiras, falta de manutenção e ausência de um plano de sustentabilidade institucional. Actualmente, encontra-se encerrado, apesar da sua importância estratégica reconhecida por diversos actores locais.

A cooperação entre Moçambique e a Alemanha remonta a 1977 e cobre áreas como educação, boa governação, energia, saneamento e desenvolvimento rural. Nos últimos anos, a Alemanha tem canalizado recursos através da GIZ (Agência de Cooperação Alemã) e do KfW (Banco Alemão de Desenvolvimento) para apoiar reformas na gestão pública, descentralização e resiliência climática. A província de Nampula tem beneficiado pontualmente de projectos nesta linha, embora a maioria dos apoios tenha estado concentrada nas regiões centro e sul do país.

Até ao fecho desta edição, não foram tornadas públicas declarações do embaixador Ronaldo Munch sobre o teor do encontro.

Maria de Assunção Abdula distinguida pelo seu envolvimento na Economia e Negócios

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A empresária e gestora de negócios, Maria de Assunção Abdula, foi reconhecida, recentemente, em Maputo, pelo seu papel na área de Economia e Negócios no país, a par de outras duas figuras importantes da sociedade: Esselina Macome e Angelina Guita.

O reconhecimento foi feito durante a primeira edição da Gala Mulher, concebida e apoiada
pelo gabinete da Primeira-Dama, para celebrar e homenagear mulheres que, com dedicação e excelência, se têm destacado em diversas áreas e categorias, contribuindo significativamente para o progresso e desenvolvimento sustentável das comunidades.

Para Maria de Assunção Abdula esta distinção demonstra o comprometimento da Primeira-
Dama, Gueta Chapo, no que concerne ao encorajamento a iniciativas femininas de
desenvolvimento e independência económica da mulher. Foi uma experiência verdadeiramente enriquecedora estar ao lado de mulheres notáveis, cujas trajectórias refletem a determinação, inovação e compromisso com a excelência. É uma
distinção que muito nos honra e reaviva a nossa vontade de continuar a dar o singelo
contributo para o desenvolvimento, disse.
Com mais de 35 anos dedicados ao mundo empresarial, Maria de Assunção Abdula tem
construído uma carreira sólida e profundamente ligada ao associativismo empresarial em
Moçambique e além-fronteiras. Ao longo da sua jornada fundou e lidera empresas como: Electro Sul, Cine Vídeo, Caetsu, SB Restauração e desempenha as funções de Administradora Executiva da Intelec Holdings incluindo as suas extensões em Portugal e nos Estados Unidos da América.

A empresária é membro do Conselho administrativo da Fundação Salimo Abdula (FSA) e já
trabalhou pelo empoderamento feminino como Presidente da Federação de Mulheres
Empresárias da Confederação Empresarial da CPLP (FME-CPLP).

CTA apresenta balanço económico do primeiro trimestre de 2025

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A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) realiza, nesta quarta-feira, 30 de Abril, em Maputo, mais uma edição do Economic Briefing, evento  em que  será  apresentado  o 18.º Relatório do Índice de Robustez  Empresarial.  A sessão  servirá ainda para analisar os principais indicadores que  marcaram o  desempenho   económico e  empresarial  no primeiro trimestre de 2025.

A agenda do encontro contará com intervenções do Fundo Monetário Internacional (FMI), que irá partilhar mensagens sobre os desenvolvimentos macroeconómicos recentes;  da Bolsa de Valores de  Moçambique (BVM),  que destacará o papel crescente do Papel Comercial como mecanismo alternativo de financiamento; e do Centro de Integridade Pública (CIP), com uma análise dos riscos e oportunidades em matéria de governação para o novo ciclo governativo iniciado este ano.

A banalização da vida e a sofisticação do crime: Letela põe o dedo na ferida

O Procurador-Geral da República, Américo Julião Letela, subiu esta terça-feira ao púlpito da Assembleia da República com um discurso que não só deixou números a bailar no ar, como também exigiu um abanão colectivo à letargia social perante a espiral de violência e criminalidade que grassa no país. Sem rodeios, o PGR expôs uma realidade crua: o desrespeito pela vida atingiu proporções alarmantes, e as instituições, por si sós, já não dão conta do recado.

“A vida precisa ser colocada no pedestal que lhe é devido”, clamou Letela, sustentando que urge um pacto entre os vários segmentos da sociedade, desde as autoridades do Estado até as organizações de defesa dos direitos humanos, para devolver dignidade à existência humana.

A radiografia feita pelo titular da acção penal é preocupante. Em 2024, os homicídios voluntários cresceram 12,7%, com 1.566 processos registados contra 1.390 do ano anterior. A Zambézia, com 446 casos, encabeça a triste lista, seguida por Tete (208) e Manica (189). O PGR não poupou a cidade da Beira, onde actos bárbaros de violação seguidos de homicídio lançam um manto de medo e insegurança nos bairros.

Letela garante que há esforços coordenados com as autoridades policiais para “inocular um antídoto” nas comunidades vulneráveis, promovendo a adopção de medidas de segurança e sistemas céleres de denúncia. Mas, como um médico que reconhece a limitação dos seus próprios remédios, o PGR admite que só com acção colectiva se poderá virar o jogo.

O tráfico de pessoas, órgãos e partes de corpos humanos continua a ser uma chaga aberta. Em 2024, foram instaurados cinco processos de tráfico humano — um em cada nas províncias de Maputo, Cabo Delgado, Tete, Manica e Gaza — representando um salto em relação aos dois de 2023. Já os processos ligados ao tráfico de órgãos humanos registaram ligeira descida: quatro em 2024 contra cinco no ano anterior.

A vulnerabilidade socioeconómica das populações e a sofisticação digital dos criminosos são, na visão do PGR, os principais facilitadores do flagelo. “A internet tornou-se uma arma silenciosa nas mãos dos traficantes”, disse Letela, anunciando a intenção de criar uma plataforma digital pública para alertar e instruir os grupos mais expostos — crianças e jovens — sobre os riscos do aliciamento virtual.

Com olhos postos na modernização jurídica, Letela voltou a defender a revisão da Lei de Tráfico de Pessoas, adormecida desde 2023 no Ministério da Justiça, de modo a alinhá-la ao Protocolo de Palermo e ao novo figurino penal nacional.

Mas nem tudo se esgota nas estatísticas e boas intenções. Letela sugeriu a importação para o ordenamento jurídico nacional de um “instituto de direito premial” — uma espécie de acordo judicial à americana — que permitiria a redução de pena para arguidos que colaboram com a justiça. Uma proposta que, nas entrelinhas, reconhece o jogo de forças desequilibrado entre o Estado e o crime organizado.

E por falar em crime organizado, o fenómeno dos raptos continua a semear pânico, sobretudo em Maputo. Apesar da redução de 60 para 32 processos em 2024 — uma queda de 46,7% —, o PGR foi categórico: a sofisticação das redes e o envolvimento de actores externos continuam a frustrar a identificação dos mentores intelectuais.

Houve, contudo, alguns resgates para celebrar: 13 vítimas devolvidas às famílias, 21 detidos, seis armas de fogo apreendidas e três cativeiros desmantelados. Mas Letela sabe que a maré ainda está alta. Os tentáculos do crime são longos, as suas ramificações obscuras e, muitas vezes, intocáveis.

Entre linhas duras e números frios, o discurso do PGR fez o que se espera de um relatório à Nação: chocou, alertou e desafiou. Agora, cabe à sociedade — e sobretudo aos decisores políticos — decidir se ficam a aplaudir ou se descem ao ringue para combater os fantasmas que há décadas corroem o tecido social moçambicano.

 

PGR pressiona Parlamento por lei de confisco civil para combate à criminalidade organizada

Em 2024, bens arrestados totalizam mais de mil milhões de meticais

A Procuradoria-Geral da República (PGR) voltou a insistir, esta terça-feira (29), na necessidade urgente de aprovação de uma lei de confisco civil pela Assembleia da República. A proposta surge numa conjuntura marcada pelo aumento expressivo dos bens arrestados e avaliados no país, que totalizaram 1.057.917.666,21 Meticais apenas em 2024, segundo revelou o Procurador-Geral da República, Américo Letela, durante a apresentação da Informação Anual da PGR no Parlamento, em Maputo.

Letela argumentou que o confisco civil é uma ferramenta jurídica amplamente reconhecida por instrumentos internacionais, incluindo a Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção e as recomendações do Grupo de Acção Financeira (GAFI), e que visa neutralizar os benefícios da actividade criminosa antes mesmo da condenação penal. “O confisco civil constitui uma medida consolidada em instrumentos internacionais que advogam a sua adopção como reforço no combate à criminalidade organizada e transnacional”, frisou.

Durante a sua intervenção, o Procurador-Geral revelou que, do total de bens apreendidos em 2024, 34 imóveis foram avaliados em 4.224.341.462,63 Meticais e 183 viaturas em 134.192.280,37 Meticais, perfazendo um valor global de 4.435.844.360,65 Meticais. Comparativamente a 2023, quando os valores totais não ultrapassaram 1.385.367.525,41 Meticais, os números deste ano representam um aumento significativo, expondo uma tendência crescente de criminalidade económica e patrimonial.

A nível da actuação do Gabinete Central de Recuperação de Activos (GCRA), foram tramitados 110 processos de investigação patrimonial e financeira, com 32 deles concluídos e remetidos às instâncias judiciais correspondentes — o equivalente a 29,1% do total.

No que respeita a medidas preventivas, foram arrestados 141 veículos, sete imóveis, madeira de diferentes espécies, participações sociais em 15 empresas e activos financeiros ainda por valorizar. No âmbito dos processos-crime em curso, o Ministério Público apreendeu 40 imóveis, 192 viaturas e valores monetários equivalentes a 67.622.602,61 Meticais. Outros bens apreendidos — num total de 2.435 itens — estão avaliados em 9.688.015,04 Meticais.

O relatório anual da PGR revela ainda um crescimento de 11,1% no movimento processual nacional, com um total de 140.322 processos registados em 2024, contra 126.318 no período homólogo anterior.

A proposta de Letela pela institucionalização do confisco civil surge como uma medida não apenas reactiva, mas preventiva, com potencial de estancar o enriquecimento ilícito e cortar os fluxos financeiros que alimentam redes criminosas sofisticadas. Resta saber se o Parlamento acolherá o apelo da magistratura do Ministério Público, numa altura em que o país continua a ser assolado por escândalos de corrupção e desvio de fundos públicos.

 

Funcionário público detido por desvio de medicamentos na Zambézia

Suspeito terá causado prejuízos de 700 mil meticais ao Sistema Nacional de Saúde

Um funcionário do Centro de Saúde de Manhaua, distrito de Quelimane, encontra-se sob custódia do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) na província da Zambézia, indiciado pelo desvio de medicamentos pertencentes ao Sistema Nacional de Saúde (SNS). O cidadão, de 47 anos de idade, é suspeito de ter canalizado quantidades  de fármacos para o mercado paralelo, numa prática que, segundo dados preliminares das autoridades, terá lesado o erário em cerca de 700 mil meticais.

A detenção foi anunciada esta semana pelo porta-voz do SERNIC na Zambézia, Máximo Amílcar, que deu conta de que a captura do indiciado foi possível graças à denúncia de um cidadão que, após ter adquirido medicamentos em circunstâncias suspeitas, decidiu colaborar com as autoridades.

Segundo apurou o Jornal Txopela, o esquema envolvia a retirada sistemática de medicamentos da unidade sanitária onde o funcionário exercia funções, numa actuação que, segundo fontes próximas à investigação, poderá ter-se prolongado por vários meses sem ser detectada pelos mecanismos internos de controlo do sector da Saúde.

Durante a apresentação pública, realizada nesta terça-feira nas instalações do SERNIC em Quelimane, o suspeito admitiu ter levado os medicamentos da unidade sanitária, mas justificou a sua acção alegando que os mesmos se destinavam ao consumo próprio e da sua família. Contudo, esta alegação contrasta com os elementos recolhidos até ao momento pelas autoridades, que apontam para a existência de uma rede de comercialização clandestina dos fármacos.

O SERNIC garante que as investigações continuam e não descarta a possibilidade de haver outros envolvidos, nomeadamente facilitadores dentro da própria instituição de saúde.

Profissionais de saúde ameaçam paralisação total de actividades por cinco dias

A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) voltou a subir o tom e lançou, esta segunda-feira (28), um ultimato ao Governo, ao anunciar o arranque da chamada “fase RSO” da greve — sigla que remete a uma paralisação total, irrestrita e de impacto nacional, com início previsto para as 15h30 do próximo dia 30 de Abril.

Caso o Executivo continue a manter silêncio ou evasivas sobre o cumprimento dos compromissos assumidos com a classe, a medida será activada por um período inicial de cinco dias, podendo escalar para uma nova fase de greve indefinida.

Falando em conferência de imprensa, o presidente da APSUSM, Anselmo Muchave, foi claro: “Esta não é uma festa. Estamos a utilizar um mecanismo de pressão legítimo e pacífico para exigir o respeito pelos direitos fundamentais dos profissionais de saúde e, por consequência, dos próprios utentes do sistema”.

Muchave recordou que a luta, iniciada há cerca de três anos, está ancorada num caderno reivindicativo entregue ao Governo, que denuncia o colapso silencioso do sistema nacional de saúde: falta crónica de medicamentos e materiais médicos, camas hospitalares obsoletas ou inexistentes, racionamento de alimentação para pacientes internados e o não pagamento de horas extraordinárias. Soma-se a isso o descontentamento generalizado com o enquadramento dos profissionais no regime da Tabela Salarial Única (TSU), que, segundo a associação, criou distorções e injustiças gritantes.

“A nossa exigência é simples: que o Governo apresente um calendário claro e vinculativo para o cumprimento dos acordos. Até agora só temos promessas vazias e reuniões inconclusivas”, disse o líder associativo.

Com um universo de cerca de 65 mil profissionais afiliados, entre médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares, a APSUSM detém uma capacidade de mobilização nacional com potencial para colocar de joelhos o já frágil sistema de saúde público, composto por 1778 unidades hospitalares, de acordo com os dados mais recentes do Ministério da Saúde.

Muito embora o Governo tenha procurado minimizar o alcance do movimento, argumentando que “nem todos os profissionais de saúde aderiram à greve”, Muchave desmentiu categoricamente tais declarações, considerando-as uma “tentativa de manipulação pública”. “Um hospital fechado não é como uma escola onde se pode adiar matéria. Cada minuto sem atendimento pode significar uma vida perdida”, alertou.

A fase RSO, a ter início no fim do mês, representa um novo grau de radicalização da luta laboral no sector da saúde e pode vir a agravar-se, caso o Executivo mantenha a sua postura de indiferença. “Se o Governo não responder, nós voltamos a iniciar a terceira fase da nossa greve”, avisou Muchave, sem, no entanto, avançar detalhes sobre o formato e duração da eventual próxima etapa.

No pano de fundo desta crise está uma gestão estatal cada vez mais questionada pela sociedade civil, sobretudo em sectores-chave como saúde e educação, onde os cidadãos convivem diariamente com o colapso de serviços básicos.

 

Mondlane reforça ofensiva diplomática com encontro em Maputo com secretário de Estado português

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O ex-candidato presidencial e rosto mais visível da contestação política ao regime vigente, Venâncio Mondlane, reuniu-se recentemente, em Maputo, com o Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Nuno Sampaio, num encontro que, segundo palavras do próprio líder opositor, “assinala um novo tempo para Moçambique”.

A audiência, solicitada por iniciativa do governante português, insere-se na visita oficial de Sampaio ao país e, segundo comunicado divulgado por Mondlane na sua página do Facebook, “traduz uma mensagem clara: Portugal acredita no novo ciclo que se inicia em Moçambique”.

O encontro, descrito como sendo de “elevado significado político e diplomático”, centrou-se, entre outros pontos, na avaliação da actual conjuntura política nacional, marcada por um ambiente de elevada tensão social e institucional após as eleições de Outubro passado — sufrágio este duramente criticado por Mondlane, que denuncia fraude generalizada e responsabiliza o regime pela repressão brutal aos protestos subsequentes.

Recorde-se que os protestos convocados por Mondlane, e que se estenderam por várias cidades do país, foram violentamente reprimidos pelas forças de defesa e segurança, com um saldo trágico de mais de 350 mortos, segundo dados avançados pela Plataforma Eleitoral da ONG “Decide”. Houve ainda registo de pilhagens e destruição de infra-estruturas públicas e privadas, num cenário que revelou, mais uma vez, as fraturas profundas do tecido político-social moçambicano.

No seu comunicado, Mondlane revelou que o diálogo com o diplomata português também abordou o recente encontro com o Presidente Daniel Chapo, no qual se discutiram vias para um entendimento político mais alargado. “O Secretário de Estado saudou o diálogo político que iniciei com Daniel Chapo, ressaltando que o entendimento e a consulta política são fundamentais para consolidar nossa jovem democracia”, lê-se.

Em foco esteve ainda o processo de formalização do partido ANAMALALA — sigla para Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo —, um projecto político que Mondlane define como sendo o veículo de uma nova esperança nacional, assente em princípios de liberdade, justiça e desenvolvimento inclusivo. Curiosamente, o termo “anamalala”, de origem macua, significa “acabou” ou “vai acabar”, uma escolha linguística que carrega consigo um simbolismo de ruptura com o statu quo dominado pela Frelimo.

Este novo episódio da ofensiva diplomática de Mondlane sucede ao encontro realizado, dias antes, com o embaixador da União Europeia, Antonino Maggiore, com quem trocou impressões sobre a actual crise política. As movimentações do líder opositor ocorrem num momento em que o Parlamento moçambicano transformou em lei o “Compromisso Político para um Diálogo Nacional Inclusivo”, subscrito a 5 de Março por Daniel Chapo e nove formações políticas.

O referido compromisso, que aguarda concretização prática, promete reformas estruturais de largo alcance, incluindo alterações à Constituição, revisão da legislação eleitoral, reforma fiscal, modernização do sistema de justiça e da administração pública.

 

Abdula “apadrinha” Naparamas arrependidos em Mutuali

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O Governador da Província de Nampula, Eduardo Abdula, dirigiu, nesta segunda-feira (28), no Posto Administrativo de Mutuali, distrito de Malema, a cerimónia pública de apresentação de um grupo de homens armados conhecidos como “Naparamas”.

O grupo, cuja actividade violenta havia gerado instabilidade, apresentou-se agora perante as autoridades provinciais, declarando o fim das hostilidades em Mutuali e manifestando publicamente arrependimento pelos actos de violência que protagonizaram.

Na ocasião, Eduardo Abdula, numa intervenção que não escondeu a tentativa de ressignificar politicamente o fenómeno, referiu ver nos “Naparamas” jovens que, por falta de emprego e oportunidades de inserção social, teriam sido levados ao desvio de conduta. O Governador prometeu que serão desenhados programas específicos de formação, com o objectivo de converter as catanas em instrumentos de trabalho para a construção de uma nova vida.

A apresentação pública dos “Naparamas” surge num momento em que a província de Nampula busca recompor o tecido social fragilizado por episódios recorrentes de violência armada em zonas rurais, em particular em distritos como Malema e Lalaua.

Embora a declaração de arrependimento dos ex-combatentes tenha sido acolhida com alguma expectativa, vozes críticas apontam que o episódio expõe a falência de políticas inclusivas e de desenvolvimento rural que, durante anos, negligenciaram a juventude local, criando um caldo fértil para a proliferação de grupos armados.

Sem um programa robusto e sustentável de reintegração, alertam especialistas em segurança e desenvolvimento comunitário, a promessa de “transformar catanas em enxadas” pode não passar de mais um gesto simbólico num país onde os processos de desmobilização raramente se consolidam no terreno.

 

Quem são os Naparamas?

Os Naparamas surgiram em Moçambique no final da década de 1980, no auge da guerra civil, como um movimento paramilitar popular que combatia a Renamo em apoio às forças governamentais da Frelimo.

Originários da província de Nampula e Zambezia, os Naparamas eram compostos maioritariamente por camponeses organizados de forma espontânea, que, segundo relactos da época, recorriam a práticas tradicionais e crenças de invulnerabilidade espiritual para se protegerem em combate.

O seu nome deriva do termo “naparama”, que, em algumas línguas locais, significa “aquele que ataca”. Rejeitavam armamento pesado, preferindo lutar com catanas, lanças e amuletos, numa estratégia tanto física quanto psicológica para resistir ao inimigo.

Após o Acordo Geral de Paz de 1992, o grupo foi oficialmente desmobilizado, mas nunca completamente integrado em programas estruturados de reintegração social. O seu ressurgimento pontual, como agora em Mutuali, pode revelar a persistência de tensões locais, o fracasso de políticas de inclusão rural e o reaparecimento de dinâmicas de auto-defesa comunitária num contexto de insegurança e ausência do Estado.

Carige “vende” Beira a empresários de Guangzhou

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Empresários chineses sondam oportunidades na Beira

O presidente do Conselho Municipal da Beira, Albano Carige, recebeu, no início desta semana, uma delegação de empresários oriundos da cidade chinesa de Guangzhou. A visita, de carácter exploratório, teve como objectivo identificar áreas de potencial cooperação, abrangendo sectores como comércio, logística e infraestruturas urbanas.

Integrada nos esforços da edilidade para projectar a Beira como destino de investimento estrangeiro, a iniciativa surge num contexto em que o município tenta reinventar-se como plataforma logística regional, tirando partido da sua localização estratégica no corredor que liga Moçambique ao Zimbabué, Maláui e Zâmbia.

A cidade da Beira, embora rica em potencial, continua a tropeçar nos velhos problemas que ameaçam comprometer qualquer ambição de grande fôlego. As condições das infraestruturas são, para muitos operadores económicos, um calcanhar de Aquiles. O Porto da Beira, peça central do esquema logístico, enfrenta assoreamento crónico que exige dragagens regulares, sem as quais se torna impraticável a recepção de navios de grande calado.

A degradação da rede rodoviária e ferroviária agrava os custos de transporte e mina a competitividade do corredor. Situação que, a par de um ambiente de negócios ainda burocrático e pouco transparente, levanta dúvidas sobre a real capacidade do município em captar e reter investimentos de vulto.

Em meios próximos da autarquia, reconhece-se que a modernização das infraestruturas, o reforço da segurança jurídica e a aposta na inovação tecnológica serão decisivos para que a Beira possa consolidar-se como um hub logístico de referência na região austral.