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Secretário de Estado do Comércio visita Corredor Logístico de Maputo

O Secretário de Estado do Comércio, António Grispos, efectua, nesta sexta-feira, 23 de Maio de 2025, uma visita às instalações da empresa Corredor Logístico de Maputo (CLM), situada no parque da Agility, no distrito de Marracuene, província de Maputo.

A deslocação do dirigente tem como propósito tomar contacto directo com a solução logística oferecida pela CLM, entidade responsável pela gestão do Terminal Internacional de Mercadorias, considerado um dos projectos estruturantes na melhoria da eficiência do sistema logístico nacional.

O Terminal funciona como um porto seco, e pretende contribuir significativamente para a redução dos tempos de espera nas operações de importação e exportação, diminuindo, por essa via, os custos operacionais do comércio e, consequentemente, o custo de vida dos cidadãos.

Durante a visita, serão apresentados os principais mecanismos operacionais da plataforma logística, com enfoque nos padrões internacionais de qualidade e segurança adoptados pela CLM, no contexto do reforço da competitividade do corredor logístico da região sul.

A visita está agendada para as 08h30 e contará com a presença de quadros do Ministério da Indústria e Comércio, representantes do sector privado e demais entidades interessadas na dinamização do comércio nacional e internacional.

BCI distinguido como melhor Banco Corporate 2025

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O BCI foi distinguido pela Brands and Business Magazine como o Melhor Banco para o Segmento Corporate em Moçambique. No seu conjunto, os prémios da revista internacional Brands and Business reconhecem e homenageiam personalidades e organizações em diversos sectores, como banca, tecnologia, indústria, fintech, energias verdes, entre outros. Os vencedores destacam-se pelo seu desempenho de excelência e pelo impulso que dão ao sucesso nos respectivos sectores.

Conforme é referido na publicação, “a elegibilidade para o prémio baseia-se unicamente no mérito. Reconhecemos apenas empresas, serviços e indivíduos que se destacaram pelo seu compromisso excepcional com a satisfação do cliente e pela sua capacidade de sobressair num mercado competitivo”.

Para o Presidente da Comissão Executiva (PCE) do BCI, Francisco Costa, “este reconhecimento, que partilhamos com todas as empresas que confiam no BCI, reforça o nosso compromisso em continuar a prestar um serviço de qualidade, a inovar, a crescer e a contribuir para o desenvolvimento de Moçambique”.

O processo de atribuição dos prémios inclui nomeação, selecção e anúncio dos vencedores na secção “Award Winners”. As equipas de pesquisa utilizam várias fontes públicas para recolher dados, baseando a sua decisão final em diversos critérios, incluindo sucesso de mercado, sustentabilidade, crescimento do negócio e inovação.

Um dos principais propósitos da Brands and Business Magazine é fornecer notícias e conteúdos que enriqueçam o universo dos negócios e das finanças, esforçando-se por ser uma plataforma que promove colaborações benéficas entre organizações, sectores e marcas.

 

Ministério da Educação e Cultura quer currículos com maior presença da História e Cultura africanas

O Ministério da Educação e Cultura (MEC) está a reforçar os currículos escolares com conteúdos sobre a história do continente africano, com enfoque nas lutas anticoloniais, na diversidade cultural, nos grandes impérios e nos pensadores que moldaram África. A iniciativa foi anunciada esta quinta-feira, 22 de Maio, em Maputo, pela Ministra Samaria Tovela, no âmbito das celebrações do Dia de África, que se assinala a 25 de Maio.

Ao intervir num evento alusivo à efeméride, Tovela afirmou que a acção pedagógica do MEC visa “formar consciências críticas” e promover uma “justiça histórica” através da valorização da memória colectiva dos povos africanos. “O Ministério da Educação e Cultura assume, com plena convicção, o seu papel estratégico na promoção da justiça histórica. As comemorações desta semana devem reforçar a resiliência dos nossos povos, com especial atenção à nutrição, à segurança alimentar e à justiça climática”, declarou.

A dirigente sublinhou a importância de reconhecer o papel da cultura alimentar africana, da agricultura familiar e dos saberes tradicionais como resposta aos efeitos das mudanças climáticas, defendendo a sua integração nas políticas de educação e desenvolvimento sustentável.

Segundo Tovela, o programa comemorativo do Dia de África inclui actividades culturais diversas, que vão desde feiras gastronómicas a projecção de filmes, passando por exposições, passagens de moda e manifestações artísticas. Estas acções, sublinhou, “visam não apenas entreter, mas também educar, sensibilizar e unir”.

A introdução de conteúdos africanos nos currículos escolares representa, na visão do Governo, um passo para o fortalecimento da identidade nacional e para o combate ao apagamento histórico que ainda marca o ensino formal em várias geografias do continente.

Emanuel Chaves assume supervisão do Fundo Soberano

Numa altura em que o país ainda digere as implicações políticas e económicas da criação do Fundo Soberano, Emanuel Chaves foi eleito, esta quinta-feira, presidente do Comité de Supervisão (CSFS), órgão chamado a exercer vigilância sobre uma promessa que, até agora, existe mais no papel do que na vida concreta dos moçambicanos.

A nomeação de Chaves, antigo gestor com provas dadas no sector empresarial, surge num momento em que o discurso sobre a transparência continua a ser moeda de troca entre instituições públicas, mas com pouco valor prático junto da opinião pública. O Primeiro Vice-presidente da Assembleia da República, Hélder Injojo, não perdeu tempo a repetir o refrão habitual, transparência, integridade, autonomia. Palavras bonitas, mas que, fora das paredes refrigeradas da Assembleia, continuam apenas como promessas sem lastro.

Chaves, por sua vez, mostrou-se consciente da carga simbólica e política do cargo que agora assume. Reconheceu que o Fundo Soberano mexe com o imaginário colectivo de um país cansado de ver riquezas naturais traduzidas em relatórios e escândalos, e não em escolas, hospitais ou emprego digno. Prometeu prestar contas e garantir que os 40 por cento das receitas provenientes do gás natural cheguem, efectivamente, à conta do Fundo, uma declaração que, mais do que compromisso, é um reconhecimento tácito dos receios legítimos que pairam sobre o futuro da gestão desses recursos.

O CSFS foi concebido como órgão independente para supervisionar a fatia de receitas oriundas da exploração de gás nas áreas 1 e 4 da Bacia do Rovuma, um projecto que, para muitos, ainda está por provar se trará prosperidade duradoura ou mais uma oportunidade perdida.

Direitos fundamentais não se vivem por decreto, avisa Provedor da Justiça

 

Semana Académica no ISMU: Provedor de Justiça alerta para limites da Constituição face à realidade dos direitos fundamentais

O Provedor de Justiça, Isaque Chande, participou esta semana na II edição da Semana Académica do Curso de Direito do Instituto Superior Mutasa (ISMU), em Maputo, e deixou uma mensagem clara e desconfortável: a Constituição, por si só, não garante direitos. A efectividade dos direitos fundamentais em Moçambique, defendeu, exige mais do que textos jurídicos, requer vontade política, compromisso institucional e pressão social constante.

A intervenção de Chande aconteceu no acto central da semana académica, perante uma plateia composta por estudantes, docentes, funcionários públicos e representantes da sociedade civil. A palestra serviu de espelho crítico sobre os desafios do país na construção de uma sociedade de direito, onde os direitos sociais, económicos e culturais continuam reféns de constrangimentos estruturais e da inércia governativa.

Na leitura do Provedor, o mero reconhecimento constitucional dos direitos não garante a sua materialização. Países com baixos níveis de desenvolvimento, como Moçambique, enfrentam limitações crónicas na realização plena desses direitos. Contudo, observou, nem tudo se resume a limitações financeiras: há responsabilidades indeclináveis do Estado na criação de políticas públicas eficazes e na adopção de estratégias institucionais que coloquem o cidadão no centro das decisões.

Chande apontou o dedo à lentidão do Estado em responder às exigências de justiça social, advertindo que não se pode falar em democracia onde o respeito pelos direitos fundamentais é frágil ou circunstancial. Sublinhou que assegurar tais direitos não é apenas um imperativo legal, mas também uma questão de legitimidade democrática.

Segundo o Provedor, a efectividade dos direitos fundamentais deve ser entendida como um processo dinâmico e contínuo de construção social, alimentado por lutas, reivindicações e transformações profundas. E neste processo, a sociedade civil tem um papel tão decisivo quanto o próprio Estado. Grupos de pressão, organizações comunitárias e movimentos cívicos podem  e devem ser motores de mudança, exigindo acção onde há omissão e transparência onde reina a opacidade.

A mensagem foi clara: não basta legislar. É preciso agir. E agir com firmeza, consistência e compromisso ético com o bem comum. Em tempos de desigualdade crescente, discurso constitucional sem prática efectiva transforma-se em ficção jurídica.

Chapo exige coragem no combate fiscal e modernização tributária

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O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu hoje, em Maputo, que a justiça fiscal é condição essencial para assegurar a justiça social e consolidar o Estado de Direito Democrático em Moçambique.

Falando no encerramento da sua visita ao Ministério das Finanças e à Autoridade Tributária (AT), o Chefe do Estado sublinhou que a arrecadação de receitas não é apenas um imperativo técnico, mas uma missão patriótica de defesa do bem comum.

“Sem professores pagos, não há escola. Sem viaturas abastecidas para o patrulhamento, não há segurança. Sem vacinas e médicos, não há saúde. A arrecadação é a base do funcionamento do país”, afirmou o Presidente Chapo, destacando que o verdadeiro mal não é cobrar impostos, mas sim a evasão fiscal, o privilégio injustificado e a renúncia irresponsável.

Durante o seu discurso, o estadista apelou à coragem e à inovação no combate à evasão fiscal e na modernização do sistema tributário nacional, orientando para reformas estruturantes, como a expansão da base tributária, a digitalização dos processos e a revisão responsável dos benefícios fiscais.

“O Estado precisa de receitas — não para si mesmo, mas para servir melhor o seu povo. Onde o Estado falha, cresce a desigualdade. E onde há desigualdade, não há futuro seguro”, alertou.

Dirigindo-se aos agentes da fiscalidade, o Presidente da República reiterou o compromisso do Governo em apoiar a missão da AT, reconhecendo os desafios operacionais enfrentados, como a persistente informalidade, a necessidade de modernização tecnológica e o reforço dos meios logísticos e humanos.

“Não é possível arrecadar receitas sem investir. Precisamos de viaturas, sistemas modernos, combustível, pessoal qualificado. Arrecadar exige condições”, frisou.

Num apelo à consciência cívica, o governante exortou todos os moçambicanos — empresários, trabalhadores, profissionais liberais e informais — a cumprirem com as suas obrigações fiscais como acto de patriotismo: “Cada imposto pago alimenta as nossas crianças, apoia os nossos agricultores, equipa os nossos hospitais e investe no futuro”.

O Chefe do Estado valorizou ainda o espírito de missão e dedicação dos quadros do Ministério das Finanças e da Autoridade Tributária, afirmando que “são verdadeiros soldados da pátria, a lutar com números, cálculos e decisões, com a mesma paixão de quem está no campo, no hospital ou na sala de aula”.

O Presidente Daniel Chapo apelou também a uma gestão criteriosa e honesta dos recursos arrecadados, frisando que não basta cobrar, é preciso garantir que os fundos públicos sejam utilizados com responsabilidade, transparência e integridade.

“Moçambique tem futuro, um futuro com justiça fiscal, contas públicas sólidas e um povo unido pelo bem comum. Cada um de nós contribuindo para os cofres do Estado, vamos transformar o potencial do nosso país em prosperidade real”, concluiu.

A visita presidencial teve igualmente um carácter pedagógico e mobilizador, servindo para reforçar a motivação interna nas instituições fiscais e reafirmar o papel da administração tributária como alicerce do funcionamento do Estado. O contacto directo com as equipas operacionais permitiu ao Chefe do Estado auscultar os principais constrangimentos no terreno e partilhar orientações estratégicas para a sua superação.

Nos próximos meses, o Governo pretende acelerar as reformas fiscais em curso, com enfoque na justiça tributária, combate à corrupção, uso racional dos incentivos fiscais e incremento da arrecadação interna, de forma a garantir a execução bem-sucedida do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) 2025. Segundo o Presidente da República, o sucesso destas reformas depende do empenho de todos — cidadãos, instituições públicas e sector privado — num esforço colectivo em prol do desenvolvimento nacional.

Daniel Chapo visita Ministério das Finanças

Diálogo Nacional: Esperança renovada ou teatro político?

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Na última terça-feira (20/05), Moçambique testemunhou o 2.º Encontro de Diálogo Nacional Inclusivo entre o Presidente da República, Daniel Chapo, e o Engenheiro Venâncio Mondlane, ex-candidato presidencial. Realizado na residência presidencial em Maputo, o encontro reacendeu o debate sobre reconciliação, paz e o papel das lideranças políticas na construção de uma nação unida.

Segundo diversos cidadãos ouvidos, o gesto representa um avanço visível no caminho para a estabilidade nacional. No entanto, persistem dúvidas profundas quanto à transparência, ao conteúdo das discussões e aos reais impactos destas iniciativas.

O que foi discutido? O que sabemos? O que já foi realizado?

De acordo com as declarações oficiais, o encontro deu sequência ao acordo assinado a 5 de Março de 2025. O Presidente Chapo reforçou que:

“Moçambique merece a consolidação da paz, da reconciliação entre os moçambicanos, de criar uma harmonia […] só com a paz e segurança é que podemos desenvolver Moçambique.”

O Engenheiro Venâncio Mondlane considerou o encontro positivo e apontou que algumas das principais preocupações já estão a ser monitoradas com vista ao benefício da população.

Entre os pontos abordados estiveram:

  • A estabilização do país;
  • O processo de legalização do partido político de Venâncio Mondlane;
  • A recuperação social e psicológica de jovens e comunidades afectadas pelas manifestações pós-eleitorais;
  • A descentralização do diálogo para os níveis provincial e distrital.

Críticas e inquietações dos cidadãos

Apesar do ambiente pacífico e do tom conciliador, alguns cidadãos levantam sérias questões:

  • Por que o conteúdo dos encontros não é amplamente divulgado?
  • Estes temas reflectem as prioridades reais da população, como o custo de vida e a segurança?
  • A criação de um partido político deve ser central num diálogo nacional ou é uma questão individual?

Além disso, denúncias graves persistem: segundo o jornal Diário da Zambézia, dois empresários de Morrumbala estão desaparecidos após alegadas detenções pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS), acusados de financiar manifestações — um sinal preocupante da repressão política nas zonas rurais.

Palavras que inspiram, acções que se esperam

A população, apesar da desconfiança, valoriza a iniciativa de diálogo pacífico e o tom respeitoso adorado pelos dois líderes — especialmente a postura do Presidente Chapo em Manica:

“Não pode haver discurso de ódio. Onde há um moçambicano que traz um discurso para odiar outro moçambicano… Não pode.”

Conclusão: Paz com inclusão e verdade

O país aproxima-se dos 50 anos de independência nacional. Mais do que promessas, o povo exige acções concretas, justiça, liberdade de expressão e oportunidade para todos.

O diálogo só será inclusivo quando responder às dores reais dos cidadãos, garantir liberdade política, e respeitar o direito à crítica.

Quelimane: MC da RENAMO sofre emboscada de 10 jovens e acaba detido pela PRM

Quelimane: MC da RENAMO detido após reagir a agressão violenta de grupo de jovens

PRM detém Valdemiro Casimiro Bimo sem responsabilizar supostos agressores. Família denuncia tratamento desigual e negligência policial.

Valdemiro Casimiro Bimo, conhecido como o mais novo Mestre de Cerimônias (MC) da RENAMO em Quelimane, está detido desde o último domingo nas celas do Comando Distrital da Polícia da República de Moçambique (PRM). A prisão ocorre após o jovem ter sido supostamente atacado por um grupo de cerca de dez indivíduos , em uma área localizada a mais de 16 quilômetros do centro urbano da cidade de Quelimane.

Fontes próximas ao caso revelaram ao Txopela que, na tentativa de se defender da agressão, Valdemiro terá desferido alguns golpes contra um dos atacantes. Contudo, e de forma surpreendente, apenas o jovem MC foi levado sob custódia pela PRM, enquanto os supostos agressores foram deixados em liberdade. Um deles, ferido de forma ligeira, já se encontra fora de perigo e não foi alvo de qualquer medida processual.

“O Valdemiro foi detido por ter reagido à agressão. Os que o atacaram, nem sequer foram ouvidos. Há aqui uma inversão completa da lógica de justiça”, denunciou uma fonte familiar.

Segundo apurações do Txopela , a família de Valdemiro só soube da prisão dele dois dias depois do ocorrido, e foi nesta quarta-feira à delegacia onde foi oficialmente informada da situação. Até o fechamento desta edição, não foi possível saber se já havia um despacho de legalização da prisão ou acusação formal por parte do Ministério Público.

Tentativas feitas pela nossa equipa de reportagem para visitar o jovem nas celas foram infrutíferas. A PRM, segundo informações recolhidas no local, recusou-se a autorizar a visita, contrariando procedimentos básicos de transparência e respeito pelos direitos humanos.

Outro aspecto preocupante envolve o estado de saúde de Valdemiro Casimiro Bimo. O jovem possui problemas de pigmentação da pele que exigem cuidados médicos e uma vigilância específica, condições que, sob detenção, não estão garantidas. Não há registro de que o mesmo tenha recebido qualquer tipo de atendimento médico desde que foi privado de liberdade.

Zambézia em desvantagem: Estado encolhe orçamento para sectores de segurança e combate à corrupção

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Orçamento para 2025 reserva migalhas para instituições-chave da província. Documento oficial do Ministério das Finanças confirma cortes em áreas críticas.

O Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) para o exercício económico de 2025 deixa a nu, mais uma vez, as assimetrias gritantes na alocação de fundos públicos entre as províncias. No caso da Zambézia, o cenário é particularmente alarmante para sectores ligados à segurança, justiça e combate à corrupção.

Segundo o Mapa F-04, anexo ao documento oficial do Ministério das Finanças, o Comando Provincial de Salvação Pública da Zambézia, estrutura responsável pela protecção civil e resposta a desastres, receberá apenas 1,39 milhões de meticais. Trata-se de um valor considerado irrisório, tendo em conta a extensão territorial da província, os riscos de calamidades naturais e o histórico de sinistros que exigem respostas rápidas e estruturadas.

O mesmo se verifica com o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) na Zambézia, que contará com 5,2 milhões de meticais, dos quais menos de 60 mil são destinados a despesas com pessoal. Num contexto em que o crime organizado, o tráfico de drogas e os raptos vêm ganhando terreno, a previsão orçamental é um indicador de despriorização institucional.

A situação é igualmente preocupante no Gabinete Provincial de Combate à Corrupção, cuja dotação de 15,1 milhões de meticais está fortemente inclinada para despesas operacionais (cerca de 13,9 milhões), o que deixa espaço exíguo para iniciativas de investigação ou acções preventivas com impacto real.

O Jornal Txopela falou com um jurista da cidade de Quelimane que, sob anonimato, lamenta o que considera um “descaso orçamentário perigoso”. “Como é que se espera que estas instituições façam o seu trabalho, se lhes estão a cortar as pernas antes mesmo de entrarem em campo?”, questiona.

A província da Zambézia, frequentemente mencionada em relatórios sobre fragilidades na governação local, corrupção nos serviços públicos e expansão de redes ilícitas, volta a ser preterida em sectores fundamentais para a protecção do cidadão e para o reforço da legalidade.

Mais grave ainda, alguns sectores com menor pressão social ou impacto directo sobre a vida das populações acabam por receber verbas mais elevadas, sem qualquer justificação plausível constante no documento analisado.

“A alocação de recursos devia responder a critérios objectivos, com base em necessidades concretas das províncias. Mas o que vemos é a perpetuação de uma lógica centralista, em que algumas províncias continuam a ser vistas como de segunda linha”, diz um analista económico consultado pelo Txopela.

Apesar das promessas recorrentes do Governo de reforçar a descentralização e a autonomia das províncias, o PESOE 2025 mostra que os discursos nem sempre se traduzem em compromissos financeiros claros.

BCI e Academia Boost apostam no capital humano moçambicano

O Banco Comercial e de Investimentos (BCI) e a Academia Boost celebraram, na sexta-feira (16), a graduação de 67 jovens no âmbito da campanha BOOST Mediatecas BCI. O evento teve lugar no auditório do banco, em Maputo, e destacou-se como mais uma expressão da aliança estratégica entre o sector financeiro e a formação de líderes emergentes.

Através da atribuição de 100 bolsas de estudo, a iniciativa promoveu a inclusão digital e o acesso ao conhecimento, alcançando jovens de quatro cidades, Maputo, Beira, Nampula e Ilha de Moçambique. “Este projecto trouxe vida às nossas mediatecas”, afirmou Ivo Maíche, Director Central Adjunto de Retalho e Empresas do BCI, sublinhando o impacto tangível da campanha “estamos comprometidos em estimular o talento nacional e apoiar o crescimento com base no conhecimento”.

Mais do que uma cerimónia, o acto de graduação integrou-se na 2ª Conferência Digital da Academia Boost, sob o lema “Liderar com visão e gerir com coragem”. A conferência promoveu debates, dinâmicas interactivas e premiou os “Líderes do Futuro”, sublinhando a necessidade de os jovens aplicarem e multiplicarem o conhecimento adquirido.

Sofia Cassimo, representante da Academia Boost, foi clara no desafio lançado “não pendurem apenas os certificados na parede. Apliquem o que aprenderam. Partilhem. Façam disso uma ponte para o futuro”.