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Brazão Mazula lança obra sobre ética na Universidade Eduardo Mondlane

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O académico e pensador moçambicano Brazão Mazula lança esta quarta-feira, 28 de Maio, a sua mais recente obra intitulada “Xⁿ: Pensar e agir ético”, numa cerimónia a ter lugar na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em Maputo. O evento está agendado para as 16h00, no Complexo Pedagógico 1501, e contará com a apresentação de José Blaunde e comentários de Isac Chande.

Organizado por Mazula, o livro propõe uma reflexão profunda e multidisciplinar sobre a necessidade de resgatar e fortalecer os valores éticos no seio da sociedade moçambicana, num contexto marcado por desafios crescentes de ordem moral, social e política. Com o símbolo “Xⁿ”, o autor sugere uma multiplicação de olhares e abordagens em torno da ética, sublinhando que pensar e agir com integridade é um imperativo para a transformação social sustentável.

A obra é editada pela Fundza e conta com o apoio de instituições como a Eneka – agência de comunicação, a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), e o projecto SoLetras, indicando o seu compromisso com a promoção do pensamento crítico e da cidadania activa.

Brazão Mazula, conhecido pelo seu percurso académico e cívico, reafirma com esta publicação o seu papel como voz interventiva na construção de uma sociedade mais consciente, justa e participativa. O lançamento insere-se numa série de iniciativas que visam estimular o debate sobre os rumos éticos do país, particularmente entre jovens universitários e decisores públicos.

A entrada é livre, e espera-se a presença de estudantes, professores, activistas e demais interessados no reforço da cultura ética em Moçambique.

–– Jornal Txopela.

IMD apela ao Parlamento por leis mais inclusivas para mulheres fora da política partidária

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O Instituto para Democracia Multipartidária (IMD) exortou esta terça-feira (27) os deputados da Assembleia da República a legislarem com atenção às mulheres que não têm filiação partidária e, por isso, estão afastadas da participação activa na vida política nacional.

A posição foi defendida por Elisa Muianga, gestora de projectos no IMD, durante a sua intervenção no 1.º Fórum da Mulher Parlamentar, realizado na Assembleia da República, sob o lema “Mulher Parlamentar lutando pelo seu empoderamento e construindo a igualdade de género”.

“Cada proposta de lei que for debatida nesta casa deve reflectir as realidades das mulheres moçambicanas, mesmo aquelas que não estão aqui representadas. Que as decisões tomadas considerem o impacto real nas suas vidas”, afirmou Muianga, em representação do director executivo do IMD, Hermenegildo Mulhovo.

A responsável destacou ainda que as mulheres afectadas pela guerra, pobreza, mudanças climáticas e exclusão política aguardam por medidas concretas que promovam oportunidades reais em todas as esferas sociais e económicas. “Muitas mulheres que vivem os efeitos do extremismo violento em Cabo Delgado veem nas parlamentares uma fonte de esperança”, disse.

Muianga sublinhou também que o recuo na representação feminina no Parlamento — de 43% na IX legislatura para 39% na actual — evidencia a necessidade de reforçar os mecanismos de promoção da mulher na política.

No evento, foi também apresentado o tema “Vozes silenciadas, leis que salvam: o papel da mulher parlamentar na resposta urgente à violência feminicida em Moçambique”, pela representante do Observatório das Mulheres, Rosita Siueia.

Ainda durante o fórum, o Gabinete da Mulher Parlamentar aprovou o seu Plano Quinquenal 2025-2029 e respectivo orçamento. A iniciativa contou com o apoio do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Holanda, através do NIMD e da Embaixada dos Países Baixos em Moçambique.

Talapa defende leis eficazes e acção concreta contra a violência de género

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A Presidente da Assembleia da República, Margarida Talapa, defendeu esta segunda-feira (26), em Maputo, a necessidade de o país adoptar leis eficazes, mecanismos funcionais e promover uma consciência social que rejeite a violência como prática normal.

Talapa falava na abertura do 1.º Fórum do Gabinete da Mulher Parlamentar, realizado no quadro da presente legislatura. No evento, a dirigente frisou que o espaço deve servir de inspiração e mobilização para o fortalecimento da agenda da igualdade de género em Moçambique.

“A Assembleia da República reitera o seu compromisso inabalável com o empoderamento da mulher moçambicana”, afirmou Talapa, para quem a acção parlamentar deve traduzir-se em iniciativas legislativas que reflitam as reais necessidades das mulheres e promovam a sua inclusão em todas as esferas da vida pública e privada.

Segundo a Presidente do Parlamento, ser mulher e deputada implica uma responsabilidade acrescida, sobretudo na mediação entre os cidadãos e os órgãos que têm capacidade de resposta. “Independentemente das nossas filiações partidárias, devemos colocar o interesse da mulher moçambicana em primeiro lugar”, declarou.

Talapa acrescentou que a pacificação da sociedade deve começar pela base — a família — e que o papel das mulheres parlamentares deve incluir a promoção da harmonia nos lares, nas comunidades e no país.

Durante o evento, a dirigente comprometeu-se a acompanhar de perto as actividades do Gabinete da Mulher Parlamentar e a facilitar os meios necessários para a implementação do respectivo programa.

“A transformação que almejamos começa aqui, na forma como usamos o poder legislativo para garantir direitos, proteger liberdades e abrir caminhos de oportunidades”, afirmou Talapa, que agradeceu o apoio dos parceiros internacionais, com destaque para o Governo da Holanda, o NIMD e a ONU Mulheres.

O fórum abordou temas ligados à participação política da mulher, a violência de género e os desafios na implementação da agenda “Mulher, Paz e Desenvolvimento”. Entre os destaques estiveram as comunicações de Elisa Muianga (IMD) e Rosita Siueia (Observatório das Mulheres), que sublinharam a urgência de acções legislativas frente à violência feminicida no país.

Venâncio defende libertação de detidos e inclusão social nos bairros

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Num momento em que se acirram as disputas em torno da legitimidade do poder e da liberdade de expressão em Moçambique, Venâncio Mondlane voltou a lançar mão da retórica internacional para dar visibilidade ao seu projecto político e denunciar o que classifica como “perseguição ao dissenso”. Falando por videomensagem no encontro preparatório do Oslo Freedom Forum, evento global de defesa das liberdades, Mondlane apelou ao mundo para que repita com ele uma palavra que, segundo disse, representa esperança para o povo moçambicano: “Anamalala”.

“Quero que vocês se juntem a mim para repetir esta palavra três vezes: Anamalala. Tenho certeza de que o meu povo em Moçambique e vós serão muito gratos”, declarou Mondlane, numa intervenção marcada pela emotividade e simbolismo político.

O gesto acontece poucos dias após um encontro com o Presidente da República, Daniel Chapo, onde, segundo fontes próximas ao político, foi abordada a possibilidade de criação de uma Lei de Amnistia para libertação dos cidadãos detidos no contexto das manifestações pós-eleitorais de 2023. Em cima da mesa esteve também a proposta de assegurar atendimento médico gratuito às vítimas de repressão política, bem como a introdução de programas juvenis de inclusão social nos bairros periféricos.

Mondlane, que nos últimos meses tem reforçado os seus contactos com figuras políticas do continente, entre elas Ian Khama, antigo Presidente do Botswana, e Julius Malema, líder do EFF na África do Sul, aposta numa narrativa que lhe permita consolidar apoios fora de portas, enquanto continua a esperar pela legalização da sua força política, um processo que já terá ultrapassado os prazos legais sem qualquer pronunciamento por parte do Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos.

A movimentação de Mondlane ocorre numa altura em que sectores da sociedade civil e observadores independentes voltam a questionar os mecanismos de repressão institucional e o cerco crescente aos actores políticos fora do espectro hegemónico.

Cidade de Nampula conta com novo Entreposto Comercial de Minerais

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Foi inaugurado esta segunda-feira, 26 de Maio de 2025, na cidade de Nampula, o Entreposto Comercial de Diamantes, Metais Preciosos e Gemas, uma infraestrutura estratégica que visa dinamizar o sector mineiro e impulsionar o desenvolvimento económico da região norte de Moçambique.

A cerimónia de inauguração foi presidida pelo Secretário de Estado da Província de Nampula, Plácido Nerino Pereira, e contou com a presença de diversas individualidades, representantes institucionais e membros do Governo local. O Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Nampula, Luís Madubula Giquira, foi representado pelo Vereador Institucional, Bernardo Manuel.

Segundo as autoridades, o novo entreposto constitui um marco importante na promoção da exploração sustentável dos recursos minerais e no fortalecimento da cadeia de valor do sector. A infraestrutura deverá garantir maior transparência nas operações comerciais, fomentar o investimento nacional e estrangeiro e criar novas oportunidades de emprego e rendimento para a população local.

“Acreditamos que este empreendimento irá impulsionar o crescimento económico da província e colocar Nampula no mapa das grandes operações minerais do país”, afirmou o Secretário de Estado, Plácido Pereira, durante a sua intervenção.

O entreposto é o resultado de uma parceria estratégica entre instituições públicas e privadas, com o objectivo de assegurar a valorização dos recursos naturais moçambicanos de forma responsável e com impacto directo no desenvolvimento das comunidades.

Daniel Chapo: “Moçambique não pode ser construído com base no ódio”

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Presidente da República apela à paz, reconciliação e trabalho colectivo no início da sua visita à província de Gaza

O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu nesta segunda-feira, 26 de Maio, que Moçambique deve ser edificado com base no amor, no diálogo e no esforço colectivo dos seus cidadãos, e não através do ódio, da violência ou da destruição.

O apelo foi lançado durante um comício popular realizado no distrito de Chongoene, província de Gaza, que marcou o início da sua Visita de Trabalho à região. Na ocasião, o Chefe do Estado reafirmou o seu compromisso com a escuta activa das populações e a promoção da coesão nacional.

“Temos que falar da paz, do amor, da harmonia, de comunhão entre moçambicanos, porque é isto que vai desenvolver Moçambique”, declarou Daniel Chapo, acrescentando que as diferenças de pensamento devem ser encaradas como factor de enriquecimento e não de divisão. O estadista sublinhou que a sua deslocação a Gaza tem também como objectivo agradecer pessoalmente à população pela confiança demonstrada nas eleições gerais de Outubro de 2024, nas quais foi eleito Presidente da República.

Durante o encontro, Chapo manifestou preocupação com os episódios de instabilidade registados no período pós-eleitoral, sublinhando os prejuízos causados por actos de vandalismo em infra-estruturas públicas e privadas.

“Há coisas que foram destruídas: bens públicos e privados, que não têm nada a ver com as eleições. A escola que o governo construiu é para o povo, mas foi destruída. Hospital, quando o governo constrói, é para o povo, mas foi destruído”, lamentou.

O Presidente defendeu que o país não pode continuar a viver ciclos de contestação e violência sempre que se realizam eleições, apelando a uma cultura democrática baseada na aceitação dos resultados e no respeito entre adversários.

“Em política não pode haver inimigos, só adversários. Precisamos ultrapassar este momento em que temos eleições e aparecem sempre pessoas a alegar resultados para fazer confusão”, advertiu, reforçando a necessidade de maturidade política e convivência pacífica.

Daniel Chapo reafirmou ainda que a construção de um Moçambique mais desenvolvido depende da estabilidade social e da participação activa de todos os cidadãos, com destaque para o sector produtivo.

“Cada um de nós tem que fazer a sua parte para desenvolvermos Moçambique. Trabalhar honestamente é o caminho para sairmos da pobreza e construirmos um futuro melhor”, frisou.

O governante evocou igualmente o significado simbólico da Chama da Unidade, lançada a 7 de Abril em Cabo Delgado, no âmbito das celebrações dos 50 anos da independência nacional. Segundo afirmou, este símbolo representa a determinação do povo moçambicano em manter-se unido e coeso.

“Este símbolo que mostra o povo unido é um símbolo do Rovuma ao Maputo, do Zumbo ao Índico”, afirmou, anunciando que a Chama será acolhida no Estádio da Machava, a 25 de Junho, durante as celebrações oficiais da independência.

O Presidente encerrou o comício destacando que, apesar dos avanços registados desde 1975, Moçambique ainda enfrenta múltiplos desafios que só poderão ser superados com paz, estabilidade e compromisso cívico.

🔴Última hora: Funcionários trancam Município de Quelimane por salários em atraso

O ambiente no Município de Quelimane azedou de forma abrupta esta terça-feira, 27 de Maio de 2025. Após a intervenção da vereadora Clésia da Caridade no dia anterior, que tentou justificar os cinco meses de salários em atraso, os trabalhadores do Conselho Autárquico (CAQ) responderam com correntes e cadeados nas portas do edifício municipal, paralisando todos os serviços.

Nas primeiras horas da manhã, os funcionários montaram barricadas nas principais entradas do município, incluindo a portaria principal e os acessos aos serviços de atendimento ao público. A palavra de ordem é clara: “Queremos os nossos salários!”

Fontes no local disseram ao Txopela que os protestos foram espontâneos e sem aviso prévio. “Já não aguentamos mais viver de promessas e explicações. Cinco meses sem salário é desumano. Os nossos filhos não comem discursos”, desabafou um trabalhador.

Na véspera, a vereadora Clésia da Caridade falou à comunicação social local, alegando que os atrasos resultam de dificuldades de tesouraria e da não canalização atempada de fundos de compensação por parte do Governo central. A explicação não convenceu os trabalhadores, que dizem estar fartos de justificativas recicladas.

Greve no Município de Quelimane: Vereadora aponta pendências no SISTAFE como causa do incumprimento

Entretanto, não há ainda reacção oficial por parte do presidente do Município de Quelimane, Manuel de Araújo. Sabe-se apenas que a Polícia Municipal esteve no local, mas não interveio, optando por uma postura de observação.

A situação promete escalar, uma vez que os trabalhadores juram não voltar ao serviço até que haja pelo menos 4 mêses de salário pago. “Desta vez é até ao fim. Ou pagam, ou não abrimos mais nada”, assegurou outro funcionário.

Mambas enfrentam África do Sul em jogo amigável em Pretória

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A Selecção Nacional de Futebol de Moçambique, os Mambas, vai medir forças com a congénere da África do Sul num jogo amigável marcado para terça-feira, 10 de Junho de 2025, no Estádio Loftus Versfeld, em Pretória.

O encontro insere-se na janela oficial da FIFA e integra o plano de preparação da selecção moçambicana para os próximos compromissos internacionais, nomeadamente as eliminatórias do Campeonato Africano das Nações (CAN) e outros desafios de qualificação.

Segundo a Federação Moçambicana de Futebol (FMF), o jogo constitui uma oportunidade estratégica para reforçar o entrosamento do grupo, testar novas opções tácticas e avaliar o desempenho dos atletas num contexto de competição internacional.

A lista final dos 22 convocados será anunciada nos próximos dias, devendo incluir uma combinação de jogadores experientes e jovens talentos em ascensão, alinhada com a visão do técnico nacional para o novo ciclo competitivo.

A África do Sul, adversária dos Mambas neste amistoso, ocupa posições cimeiras no futebol africano e representa um desafio de alto nível, que poderá proporcionar uma avaliação realista do actual momento da selecção moçambicana.

Caifadine Manasse empossa novos dirigentes no Ministério da Juventude e Desporto

 

Numa cerimónia realizada esta segunda-feira (26), o Ministro da Juventude e Desporto, Caifadine Paulo Manasse, conferiu posse a novos dirigentes de vários sectores estratégicos do Ministério, marcando o início de um novo ciclo de governação no MJD.

Entre os empossados estão directores nacionais, chefes de departamento, assessores, assistentes e delegados provinciais que irão liderar áreas-chave como juventude, desporto, emprego, formação profissional, voluntariado e cooperação.

A lista dos nomeados inclui:

  • Agnaldo Taula, Inspector-Geral
  • Abel Lobo Júnior, Director Nacional para Assuntos da Juventude
  • Hélder Jossai, Director Nacional do Desporto
  • Eduardo Chimela, Director Nacional de Emprego
  • Ivan Roberto, Director Nacional para Parcerias e Cooperação
  • Vânia Ibrahimo, Directora do Gabinete Jurídico
  • Roy Tembe, Director-Geral do INEP
  • Agostinho Cosme, Director-Geral do IFPELAC
  • Elias Williamo, Director-Geral do INADE
  • Johane Muabsa, Director-Geral do INJ
  • Joana Chicuava, Directora-Adjunta da Direcção Nacional de Emprego
  • Teresa Manuel, Directora-Adjunta da Direcção Nacional do Desporto
  • Telma Guilengue, Francisco da Conceição e Eugénio Simbine, Assessores
  • Sérgio Domingos, Chefe do Departamento Central Autónomo de Administração Financeira
  • Ângela Quive, Chefe do Departamento Central Autónomo de Recursos Humanos
  • Elsa Cuamba, Chefe do Departamento Central Autónomo de Aquisições
  • Lídia Finiosse, Chefe do Departamento Central Autónomo do Voluntariado
  • Elisabeth Jossai, Chefe do Gabinete
  • Firda Laice e Tufate Tayob, Assistentes
  • Franco Mulembue, Delegado Provincial do IFPELAC em Niassa
  • Márcio Bunguele, Chefe do Departamento Central Autónomo de Comunicação, Imagem e Tecnologias de Informação

Durante o seu discurso, o Ministro sublinhou a importância deste momento para o futuro da juventude e do desporto em Moçambique:

“Os ciclos de governação trazem grandes responsabilidades e múltiplos desafios. Alguns superámos com êxito, outros enfrentámos com coragem e aprendemos com eles – essa é a essência da gestão, em qualquer parte do mundo”, declarou.

Manasse apelou a um compromisso renovado, sublinhando que a nova fase exige visão estratégica, espírito de equipa e dedicação:

“Estamos conscientes dos enormes desafios que temos pela frente, mas acreditamos que, com espírito de equipa, poderemos transformar positivamente a vida dos jovens, dos desportistas, dos beneficiários do voluntariado, dos programas de emprego e da formação profissional”.

A reestruturação visa reforçar a capacidade institucional do MJD e acelerar a implementação de políticas públicas que respondam eficazmente às aspirações da juventude moçambicana, num momento em que o país busca consolidar oportunidades para os jovens e fortalecer o papel do desporto e da formação profissional como motores de desenvolvimento social.

Moçambique defende diplomacia hídrica na SADC

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O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu esta segunda-feira, em Maputo, uma nova abordagem regional e ousada na gestão de recursos hídricos e zonas costeiras, num contexto em que os efeitos das alterações climáticas já se fazem sentir de forma brutal e persistente em Moçambique.

Falando na abertura do 16.º Simpósio de Hidráulica e Recursos Hídricos (SILUSBA) e do 11.º Congresso de Planeamento e Gestão de Zonas Costeiras dos Países de Língua Portuguesa, o Chefe do Estado deixou um recado claro: o tempo das intenções passou, e a resposta à crise hídrica deve ser coordenada, inovadora e solidária, sob pena de os países em desenvolvimento, como Moçambique, pagarem com vidas e destruição a lentidão global.

“Os desafios das mudanças climáticas não conhecem fronteiras. E, por isso, também não podem ser enfrentados com egoísmos nacionais nem com soluções importadas que ignoram as realidades locais”, afirmou Chapo, num discurso que cruzou tecnocracia e política.

Moçambique partilha nove das quinze principais bacias hidrográficas da África Austral, um dado geográfico que, na leitura do Presidente, impõe obrigações e exige protagonismo regional. Ao mesmo tempo, reiterou o compromisso com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, em particular o ODS 6 (água e saneamento), e destacou a nova Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–2044 como guia para a transformação estrutural do país neste sector vital.

Tecnologia, prevenção e diplomacia hídrica

O Presidente sublinhou que o país passou, em menos de uma década, de um sistema de alerta meteorológico que oferecia apenas um dia de antecedência para seis dias — progresso que, segundo afirmou, já contribuiu para a redução significativa da perda de vidas humanas em eventos extremos como ciclones e inundações.

“Hoje emitimos alertas com seis dias de antecedência. Em 2016, tínhamos apenas um. Isso é resultado de investimento nacional em ciência e prevenção. Os efeitos já são visíveis e salvam vidas”, declarou Chapo, lembrando os avanços na implementação de sistemas de aviso prévio, infraestruturas de contenção e ordenamento territorial em zonas de risco.

Mas foi no plano da cooperação que o Presidente foi mais contundente: voltou a defender a intensificação da diplomacia hídrica com os países com os quais Moçambique partilha bacias, nomeadamente Zambeze, Limpopo, Rovuma e Incomáti, ao mesmo tempo que apelou a um maior engajamento da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) na adopção de estratégias conjuntas de mitigação climática.

“É preciso que os países com maiores níveis de emissões de carbono também se sentem à mesa connosco, ou não haverá justiça climática. As soluções têm de ser equilibradas e baseadas na solidariedade internacional.”

O SILUSBA regressa a Maputo doze anos depois da sua primeira edição em solo moçambicano, então marcada por cheias devastadoras na bacia do Limpopo. “Na altura, saímos daqui com ideias que nos ajudaram a repensar a gestão de cheias. E hoje, voltamos com maior maturidade institucional e científica para avançar ainda mais”, frisou o Presidente.

A edição actual decorre sob o lema “Gestão dos Recursos Hídricos e das Zonas Costeiras em Cenários de Adaptação Climática”, reunindo especialistas, académicos e decisores políticos de países lusófonos, com o objectivo de discutir políticas públicas, inovação tecnológica e financiamento climático.

O discurso de Chapo, ao mesmo tempo firme e tecnocrático, parece tentar reposicionar Moçambique como um país que não espera de braços cruzados pela ajuda externa, mas que exige lugar à mesa nas decisões globais sobre clima.

“Torna-se imperativo transformar os desafios em oportunidades e, dessa forma, contribuir para a independência económica dos nossos países”, rematou, num sinal de que, para além da água, também a autonomia política está em debate neste simpósio.