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PGR investiga ex-ministro do interior por conduta das forças policiais durante manifestações pós-eleitorais

O antigo ministro do Interior, Pascoal Ronda, está esta manhã a ser ouvido pela Procuradoria-Geral da República (PGR), no âmbito de uma denúncia formalizada por organizações da sociedade civil e por um activista social. A audição ocorre num momento em que aumentam os apelos por responsabilização de figuras públicas envolvidas em decisões com impacto na segurança e nos direitos humanos.

A denúncia imputa a Ronda responsabilidade pelas mortes ocorridas durante manifestações populares enquanto ocupava o cargo de ministro do Interior. Segundo os denunciantes, as forças policiais sob sua tutela terão recorrido ao uso excessivo da força para conter os protestos, resultando em vítimas mortais cujas circunstâncias permanecem controversas.

As organizações signatárias do processo — cuja identidade ainda não foi tornada pública — sustentam que, como responsável máximo pelas forças da ordem à época, Pascoal Ronda deve responder judicialmente pelos atos praticados sob sua jurisdição. A base da queixa assenta em princípios de responsabilidade institucional e comando hierárquico.

Fontes próximas ao processo revelam que esta é apenas uma primeira diligência no que poderá transformar-se num caso emblemático sobre abusos de poder e violência policial no país. Não se sabe ainda se Ronda figura como arguido ou apenas como declarante neste estágio da investigação.

O antigo ministro entrou nas instalações da PGR pela entrada lateral, evitando contacto com a imprensa e o público que se concentrava no local. Até ao momento, a Procuradoria não emitiu um comunicado oficial sobre o conteúdo da audição ou os próximos passos processuais.

Esta acção marca um novo capítulo na luta pela responsabilização de agentes do Estado e poderá abrir precedentes no tratamento judicial de casos envolvendo violência institucional em Moçambique.

A sociedade civil aguarda agora com expectativa os desdobramentos do caso, que poderá representar um teste à independência e firmeza das instituições judiciais no país

Guerra de palavras: Lula confronta Trump após ameaças contra blocos alternativos

O presidente dos Estados Unidos da América, o republicano Donald Trump, voltou a causar tensão diplomática internacional ao ameaçar, esta semana, impor um imposto extra de 10% sobre produtos de países que, segundo ele, “se alinharem a políticas antiamericanas ou ao bloco dos BRICS”.

A declaração, feita através da sua conta oficial na rede social Truth Social, gerou fortes reações, particularmente entre líderes de países do Sul Global. Um dos primeiros a responder foi o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou duramente a postura de Trump, classificando-a como “irresponsável” e “incompatível com o mundo multipolar atual”.

“Eu acho que nem deveria comentar sobre esse assunto, porque não acho uma coisa muito responsável e séria, um presidente da república de um país do tamanho dos Estados Unidos andar a ameaçar o mundo inteiro através da internet. Não é correcto. É preciso saber que o mundo mudou. Não queremos imperador. Nós somos países soberanos”, afirmou Lula em entrevista a jornalistas em Brasília.

A resposta do líder brasileiro sublinha a crescente fricção entre blocos económicos e políticos, especialmente num contexto global em que alianças alternativas como os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, com a recente adesão de países como Irão, Egito e Etiópia) ganham força e desafiam a hegemonia das potências ocidentais.

Lula também advertiu que medidas unilaterais como as propostas por Trump podem gerar retaliações, amparadas pelo princípio da reciprocidade nas relações internacionais. “Se ele achar que pode taxar, os países têm direito de taxar também. Existe a lei da reciprocidade”, reforçou.

O presidente brasileiro destacou ainda que ameaças feitas por redes sociais não são condizentes com a diplomacia internacional e cobrou respeito entre nações. “Sinceramente, tem outros fóruns para um presidente de um país do tamanho dos Estados Unidos falar com os outros. As pessoas devem aprender que respeito é bom, a gente gosta de dar e gosta de receber, e é preciso que as pessoas leiam sobre o significado da palavra soberania. Cada país é dono do seu nariz”, concluiu Lula.

A ameaça de Trump ocorre em um momento de intensificação da campanha eleitoral nos Estados Unidos, onde ele tenta retornar à presidência nas eleições de novembro. Analistas apontam que declarações como esta fazem parte de sua retórica populista de “América Primeiro”, mas podem ter implicações profundas nas relações comerciais e diplomáticas globais.

Enquanto isso, líderes de outros países membros dos BRICS ainda não se pronunciaram oficialmente, mas fontes diplomáticas indicam que o tema deverá estar em pauta no próximo encontro do grupo, previsto para setembro em Moscovo.

Nutrição e educação: Gueta Chapo promove iniciativa moçambicana nos EUA

A esposa do Presidente da República de Moçambique, Gueta Chapo, está nos Estados Unidos da América à procura de apoios financeiros para reforçar o programa de alimentação escolar, uma iniciativa que visa combater a desnutrição crónica em várias regiões do país.

O anúncio foi feito esta terça-feira, durante a sessão inaugural da terceira edição da Academia Global de Primeiros Parceiros, realizada em Nova York. Gueta Chapo destacou que a alimentação escolar é uma das ferramentas mais eficazes para garantir que crianças em situação de vulnerabilidade possam frequentar a escola e aprender com qualidade.

“Estamos aqui para mobilizar apoios internacionais que nos ajudem a ampliar o alcance do programa de alimentação escolar, sobretudo nas zonas rurais onde o impacto da desnutrição crónica é mais severo”, afirmou a Primeira-Dama.

O projecto, segundo explicou, procura não apenas garantir uma refeição diária nas escolas públicas, mas também fomentar a produção local de alimentos, gerando oportunidades para os agricultores comunitários. A abordagem integrada, segundo Gueta Chapo, tem potencial de criar um ciclo sustentável de nutrição, educação e desenvolvimento rural.

A Primeira-Dama moçambicana fez ainda um apelo a organizações multilaterais, fundações filantrópicas e o sector privado norte-americano a unirem esforços em torno da causa. “A nutrição infantil é uma responsabilidade global. Apoiando este projecto, estarão a investir no futuro de Moçambique”, disse.

Moçambique enfrenta elevados índices de desnutrição crónica, que afectam cerca de 38% das crianças menores de cinco anos, segundo dados oficiais. A situação é mais crítica nas províncias do centro e norte do país, onde as crises cíclicas de insegurança alimentar, associadas às mudanças climáticas e conflitos armados, têm agravado a vulnerabilidade das populações.

A Academia Global de Primeiros Parceiros é uma plataforma de intercâmbio de experiências entre cônjuges de chefes de Estado, focada em questões de saúde, educação, igualdade de género e bem-estar social. A presença de Gueta Chapo neste fórum marca mais um passo na diplomacia social moçambicana em busca de parcerias estratégicas para o desenvolvimento humano.

Projeto IRENE reforça compromisso de Quelimane com o clima e o ecossistema

A cidade de Quelimane reforça o seu compromisso com a ação climática e a preservação ambiental com o lançamento oficial, esta terça-feira, do Projeto IRENE – Inhangome Verde e Renovável, uma iniciativa liderada pela Associação Amigos da Comunidade e apoiada pelo Conselho Municipal.

Durante a cerimónia de abertura, Filipe Ribeiro, coordenador do Projecto de Iniciativas Juvenis às mudanças Climáticas no Conselho Autárquico de Quelimane, destacou a importância estratégica do projeto no contexto das mudanças climáticas e da crescente pressão urbana sobre os ecossistemas naturais da cidade. A iniciativa integra a segunda fase do programa Juventude para a Ação Climática, financiado pela Bloomberg Philanthropies, que já aprovou mais de 50 projetos em Quelimane.

“O restauro do mangal é uma das nossas prioridades. Este ecossistema desempenha um papel vital na proteção da biodiversidade, na filtragem das águas negras e na defesa da cidade contra as marés vivas”, afirmou Filipe Ribeiro, sublinhando que a destruição deste recurso natural compromete o equilíbrio ecológico do Rio dos Bons Sinais e, por extensão, o futuro da própria cidade.

Aquele responsável foi firme ao anunciar medidas mais rigorosas de fiscalização e punição contra práticas que contribuam para a devastação do mangal. “Seremos implacáveis com aqueles que banalizam os nossos esforços e os dos nossos parceiros”, advertiu, defendendo a necessidade de políticas públicas que reduzam a pressão urbana causada pelo êxodo rural.

Ribeiro alertou que a migração crescente de populações do campo para a cidade, em busca de emprego, tem provocado a ocupação desordenada e o corte indiscriminado do mangal, muitas vezes para construção ou obtenção de lenha. “Se não houver investimento no meio rural, a tendência será a ruralização das cidades e a destruição dos nossos ecossistemas”, disse.

Para ele, o sucesso do Projeto IRENE dependerá não apenas do plantio de novas mudas, mas de um acompanhamento contínuo. “Não basta plantar. É preciso monitorar, fiscalizar e envolver toda a comunidade. Só assim atingiremos resultados sustentáveis.”

Além da restauração ecológica, o município vê no projeto uma oportunidade para fortalecer parcerias internacionais e mobilizar recursos para a adaptação climática. Araújo mencionou várias ações realizadas anteriormente, como workshops, seminários e geminações com outras cidades, como parte da estratégia para enfrentar os desafios ambientais.

“Só com o nosso trabalho conjunto poderemos responder aos desafios impostos pelas mudanças climáticas e garantir que os grupos mais vulneráveis – mulheres, jovens, crianças e idosos – possam viver em territórios organizados e resilientes”, concluiu.

Com o Projeto IRENE oficialmente lançado, Quelimane reforça sua posição como uma das cidades moçambicanas mais comprometidas com a sustentabilidade e a inovação ambiental, mantendo viva a sua reputação como uma referência nos “bons sinais” da ação climática no país

Moçambique prepara cimeira da CPLP com apelo à estabilidade na Guiné-Bissau

O Parlamento de Moçambique afirmou esta terça-feira (09.07) que não irá interferir na crise política da Guiné-Bissau, marcada pela dissolução do parlamento em dezembro de 2023, mas apelou à “retoma do funcionamento institucional o mais rápido possível”, tendo em vista a realização da 14.ª Assembleia Parlamentar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (AP-CPLP), marcada para os dias 14 e 15 de julho em Maputo.

A posição foi expressa em conferência de imprensa pelo deputado Feliz Sílvia, chefe da delegação moçambicana na AP-CPLP e líder da bancada parlamentar da Frelimo. “Manifestamos a nossa solidariedade aos colegas e deputados da Guiné-Bissau. Contudo, reiteramos a nossa postura de não ingerência nos assuntos internos de Estados soberanos”, declarou.

O apelo à normalização institucional surge numa altura em que a Guiné-Bissau continua sem parlamento, após a dissolução ordenada pelo presidente Umaro Sissoco Embaló, que justificou a decisão com alegadas tentativas de golpe e instabilidade. A decisão foi tomada poucos meses após as eleições legislativas de junho de 2023, vencidas pela coligação PAI–Terra Ranka, liderada pelo PAIGC.

Apesar da crise, mais de 100 delegados, incluindo presidentes dos parlamentos dos países-membros da CPLP, já confirmaram presença na cimeira de Maputo. O encontro será palco da transição da presidência rotativa da AP-CPLP, que passará da Guiné Equatorial para Moçambique.

Segundo Feliz Sílvia, durante o mandato de dois anos, Moçambique irá concentrar esforços na promoção da paz, democracia e boa governação, pilares que ganharão centralidade nas deliberações da cimeira. “Vamos também dar especial atenção ao fortalecimento da mobilidade dentro da CPLP, assegurando a implementação prática do acordo já assinado entre os Estados-membros”, referiu.

Entre as prioridades estão ainda a harmonização de taxas alfandegárias e fiscais para estimular o investimento privado, bem como a promoção da língua portuguesa e das culturas dos países membros.

A reunião de Maputo terá lugar no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano e sucede à 13.ª sessão da AP-CPLP, realizada no ano passado na mesma cidade, após a Guiné Equatorial manifestar dificuldades logísticas em acolher o evento.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é composta por nove Estados-membros: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Criada em 1996, a organização tem como principais objetivos a concertação político-diplomática, a cooperação e a promoção da língua portuguesa. Com a instabilidade na Guiné-Bissau como pano de fundo, a cimeira da AP-CPLP em Maputo promete reforçar os mecanismos de diálogo e integração entre os países lusófonos, num momento em que a região enfrenta múltiplos desafios à democracia e à estabilidade.

Medida controversa: Governo corta apoio a estudantes no último ano de medicina

O Governo moçambicano decidiu revogar o decreto que assegurava o pagamento de subsídios aos estudantes finalistas do curso de medicina em instituições públicas de ensino superior. A decisão foi tomada na sessão do Conselho de Ministros realizada nesta terça-feira (9), pondo fim a uma medida em vigor desde 2004.

O subsídio, até agora garantido aos estudantes do sexto ano — o último da formação médica — foi criado para apoiar os futuros médicos num período considerado particularmente exigente e com pouca margem para atividades remuneradas. Na altura da sua implementação, apenas a Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em Maputo, oferecia o curso de medicina no país.

Entretanto, com a expansão do ensino superior e a criação de faculdades de medicina em outras universidades públicas, como a UniZambeze e UniLúrio, o número de beneficiários cresceu substancialmente. Segundo fontes do sector, esse alargamento terá influenciado o Governo a reavaliar os custos e a sustentabilidade do modelo.

Nos últimos anos, o pagamento do subsídio vinha sendo alvo de críticas devido a atrasos crónicos. Estudantes finalistas, muitas vezes confrontados com dificuldades logísticas e financeiras durante os estágios clínicos, chegaram a organizar protestos exigindo o cumprimento do que estava legalmente previsto. Em várias ocasiões, alertaram que a formação médica estava a ser comprometida pela ausência de condições mínimas.

A revogação do subsídio está a gerar apreensão no seio da comunidade estudantil e académica. Fontes ligadas a associações estudantis classificam a medida como um “retrocesso” e temem que afaste jovens vocacionados da carreira médica, sobretudo os provenientes de famílias com menos recursos.

“Este apoio era mais do que um benefício: era uma necessidade. Estamos a falar de estudantes que trabalham praticamente em regime de tempo integral em hospitais, sem salário, e muitas vezes fora das suas cidades de origem”, lamentou um representante estudantil da UEM, que preferiu não ser identificado.

Até ao momento, o Governo ainda não avançou com qualquer proposta alternativa para mitigar os efeitos da retirada do apoio financeiro. Também não está claro se os estudantes actualmente no sexto ano ainda receberão o subsídio em 2025 ou se a medida tem efeitos imediatos.

A decisão surge num contexto de crescentes desafios para o sistema nacional de saúde, marcado por défices crónicos de pessoal médico e pela dificuldade em fixar profissionais nas zonas rurais. Analistas alertam que desinvestir na formação de médicos pode ter efeitos a médio prazo sobre a qualidade e cobertura dos serviços de saúde no país.

“É preocupante. Moçambique ainda tem uma das mais baixas taxas de médicos por habitante da região. Medidas que enfraquecem a formação médica devem ser ponderadas com muito cuidado”, afirmou um docente da Faculdade de Medicina da UniLúrio.

Enquanto isso, os estudantes finalistas de medicina aguardam por esclarecimentos. Muitos consideram que, sem alternativas claras, a revogação do subsídio é uma ameaça direta à sua permanência no curso e à sua futura inserção profissional

Elon Musk troca foguetes por votos com criação de novo partido

Elon Musk, o multimilionário sul-africano naturalizado norte-americano e figura de destaque no mundo da tecnologia, oficializou esta semana a criação do “America Party” (Partido da América), uma nova força política que promete desafiar diretamente o domínio bipartidário nos Estados Unidos. O anúncio surge no seguimento de um rompimento público com o Presidente Donald Trump, a quem Musk apoiou em momentos decisivos nas eleições anteriores.

A cisão entre os dois magnatas torna-se agora política. Musk acusa Trump de “trair os princípios da inovação e da responsabilidade fiscal” e afirma que o atual inquilino da Casa Branca “está mais interessado em vinganças pessoais do que em soluções para o futuro dos EUA”. O Presidente, por sua vez, respondeu via rede Truth Social, chamando Musk de “egocêntrico” e “inimigo da América profunda”.

Sistema resistente, ambição persistente

A entrada de Musk no xadrez político desafia um sistema eleitoral tradicionalmente fechado à emergência de terceiros partidos. Desde o século XIX, democratas e republicanos controlam as estruturas institucionais e eleitorais do país, tornando praticamente inviável qualquer candidatura nacional fora desse eixo.

A metáfora do historiador Richard Hofstadter, que nos anos 1950 comparava os terceiros partidos a “abelhas que, ao picarem, morrem”, continua a ilustrar o destino comum desses movimentos. Mais recentemente, o analista político Nate Cohn (New York Times) acrescentou que “colocar dois pandas juntos não garante reprodução” — uma referência à dificuldade de viabilizar novos partidos mesmo quando os fatores parecem alinhados.

Entre frustração e oportunidade

Elon Musk, que já dominou os sectores do transporte, da inteligência artificial e da exploração espacial, agora mira o sistema político com uma narrativa que mistura liberdade de expressão irrestrita, redução da máquina estatal e defesa da inovação tecnológica como pilares nacionais.

“Os partidos tradicionais estão obsoletos. Precisamos de uma alternativa moderna, transparente e aberta ao futuro”, disse Musk na conferência onde anunciou a fundação do partido. Embora ainda sem plataforma formalizada ou nomes para candidaturas, o “America Party” surge como uma bandeira de protesto contra o status quo político.

Trump vs Musk: confronto de egos e visões

O fim da aliança entre Musk e Trump marca uma viragem estratégica e simbólica. Em 2020, Musk elogiava a política fiscal de Trump e encontrava nele um aliado útil para as suas ambições empresariais. Mas os últimos dois anos expuseram divergências sobre temas como liberdade digital, política ambiental e postura internacional.

“O que antes era uma parceria de conveniência tornou-se um confronto direto de visões e egos”, analisa Laura Simmons, investigadora em política norte-americana. “Trump quer preservar o que chama de valores tradicionais americanos. Musk quer reinventar tudo — da moeda ao Congresso.”

Impacto eleitoral ainda incerto

Embora a viabilidade eleitoral do novo partido seja questionável, observadores alertam que a simples entrada de Musk no debate político pode redesenhar alianças, dispersar votos e influenciar o rumo das eleições legislativas de 2026 e presidenciais de 2028 — especialmente entre eleitores independentes e desiludidos com o sistema.

No entanto, sem uma estrutura partidária sólida a nível dos estados, comissões eleitorais e representação institucional, o “America Party” enfrenta um desafio que pode ser mais complexo do que enviar um foguete para Marte

Do “Saba Saba” de 1990 ao clamor de 2025: juventude queniana volta às ruas por mudança

Trinta e cinco anos depois dos primeiros grandes protestos que levaram o Quénia à transição multipartidária, milhares de manifestantes voltaram às ruas esta segunda-feira (07.07), reeditando o espírito do “Saba Saba” — expressão suaíli que significa “sete sete”, em alusão à data histórica de 7 de julho.

Ao contrário de 1990, quando se exigia o fim do regime de partido único, os protestos de 2025 têm como alvo direto o actual Presidente William Ruto, acusado por parte significativa da população de má governação, corrupção e agravamento do custo de vida. O movimento também denuncia o uso excessivo da força pela polícia e a crescente repressão a liberdades civis no país.

Segundo a Comissão Nacional dos Direitos Humanos do Quénia (KNCHR), pelo menos 10 pessoas perderam a vida durante os protestos, e mais de 560 manifestantes foram detidos em várias partes do país. A polícia, por sua vez, reportou dezenas de agentes feridos durante os confrontos.

Na manhã de segunda-feira, as autoridades fecharam as principais vias de acesso à capital, Nairobi, numa tentativa de impedir a concentração dos manifestantes no centro da cidade. No entanto, a mobilização espalhou-se por diversas províncias, impulsionada sobretudo por jovens urbanos que exigem reformas profundas e imediatas. “O Saba Saba de 1990 foi por democracia. O Saba Saba de hoje é por dignidade económica e justiça social”, disse à DW um manifestante em Nairobi.

O simbolismo da data não passou despercebido. Os organizadores fizeram questão de sublinhar que as lutas de ontem se repetem, ainda que sob novas formas. Muitos usaram faixas com frases como “Da democracia política à justiça económica” e “Somos a geração que não esquece”.

Analistas quenianos apontam que a repetição do Saba Saba reflecte um sentimento generalizado de desilusão com os frutos da democracia multipartidária, que, apesar de conquistas institucionais, ainda não se traduziu em melhorias tangíveis na vida da maioria.

“A juventude está a dizer que não basta votar: querem empregos, educação acessível, serviços públicos funcionais e respeito pelos direitos humanos”, observa a analista política Linda Ogutu.

O Governo de William Ruto, que assumiu o poder prometendo reformas económicas, enfrenta agora o maior desafio político do seu mandato. Organizações da sociedade civil exigem uma investigação independente sobre as mortes e abusos cometidos durante os protestos.

Enquanto isso, a juventude queniana parece determinada a manter viva a chama do Saba Saba — não apenas como memória, mas como movimento político em curso, num país onde a democracia, mesmo com três décadas de história, continua em construção.


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Tribunal Supremo reforça legitimidade da proposta de Venâncio Mondlane sobre maioridade civil

O Presidente do Tribunal Supremo, Juiz Conselheiro Adelino Muchanga, defendeu publicamente a necessidade de reduzir a maioridade civil em Moçambique dos actuais 21 para 18 anos. A posição foi expressa durante uma entrevista concedida à MBC TV, onde o magistrado argumentou que a alteração permitiria uma harmonização com a maioridade política definida na Constituição da República.

“Há muito que venho defendendo a necessidade de alinhar a maioridade civil com a maioridade política, que a Constituição estabelece aos 18 anos”, afirmou Muchanga, sublinhando que a actual discrepância entre os dois marcos legais gera inconsistências jurídicas e sociais. Segundo o magistrado, esta incoerência é particularmente evidente em situações em que jovens, embora reconhecidos como plenamente capazes para votar e exercer direitos políticos, continuam legalmente impedidos de praticar actos civis de forma independente.

A intervenção do Juiz Presidente surge numa altura em que o tema volta à agenda legislativa, na sequência da submissão, à Assembleia da República, de um projecto de lei que propõe precisamente essa revisão. A iniciativa partiu do deputado e ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que classificou a manutenção da maioridade civil aos 21 anos como “um anacronismo jurídico que deve ser revisto com urgência”, tendo em conta a maturidade crescente da juventude moçambicana e os desafios contemporâneos que esta enfrenta.

O projecto de lei encontra-se, neste momento, em fase de apreciação pelas comissões especializadas do parlamento. Espera-se que o debate suscite ampla discussão, tanto no seio da Assembleia como entre organizações da sociedade civil e académicos, dada a relevância social, legal e cultural da proposta.

Se aprovada, a reforma representará uma mudança significativa no quadro jurídico nacional, alargando a autonomia dos cidadãos jovens em áreas como a celebração de contratos, gestão de heranças, casamento civil sem consentimento parental, e outros actos jurídicos anteriormente reservados a maiores de 21 anos.

A questão da maioridade civil tem vindo a ganhar destaque em diversas jurisdições da África Austral, com vários países já tendo adoptado os 18 anos como referência comum para todos os efeitos legais. A possível revisão da lei em Moçambique poderá, assim, marcar uma viragem histórica no reconhecimento da cidadania plena dos jovens e no reforço da coerência normativa do ordenamento jurídico nacional.

Quelimane acolhe lançamento do livro “Tchambalakati e Outras Crónicas” de Francisco Chuquela

A cidade de Quelimane será hoje palco do lançamento oficial do livro “Tchambalakati e Outras Crónicas”, da autoria do jornalista e escritor Francisco Chuquela. O evento terá lugar às 16h00, no átrio da Rádio Chuabo FM, numa organização conjunta do Clube de Leitura de Quelimane (CLQ), Chuquela Word Center E.I., Instituto Camões, Jornal Txopela e Rádio Chuabo FM.

A obra será apresentada pelo escritor Benone Mateus, num evento que se espera vir a reunir membros da comunidade literária, jornalistas, académicos e leitores locais. A entrada é livre.

Composto por um conjunto de crónicas que resgatam vivências do quotidiano moçambicano, sobretudo de espaços rurais e suburbanos, “Tchambalakati” é uma homenagem à oralidade, às memórias de infância e às dinâmicas sociais que definem a vida fora dos grandes centros urbanos.

Segundo o prefaciador da obra, o editor Celso Muianga, o livro oferece uma viagem íntima e reflexiva ao “milagre e à derrota” da vida comum nas franjas das cidades. “Ler Tchambalakati é sorver instantes das vivências rurais e suburbanas que circundam a cidade, onde o povo experimenta, em forma de milagre ou derrota, de acordo com a sorte de cada um”, escreveu Muianga.

Um autor multifacetado

Francisco Joaquim Pedro Chuquela nasceu em Maputo, a 17 de Junho de 1987, e apresenta um percurso profissional marcado pela versatilidade. É contabilista, professor, tradutor-intérprete oficial, revisor linguístico, webdesigner e jornalista. Com mais de uma década de experiência na comunicação social, começou no jornal A Verdade e atualmente integra a redação da TV Miramar.

Ao longo da sua carreira, foi distinguido com diversos prémios, incluindo o Prémio Nacional de Jornalismo em Nutrição e Segurança Alimentar (2022). É ainda fundador e presidente da ANUSA – Associação para a Nutrição e Segurança Alimentar. No campo literário, venceu o concurso “Eu tenho um sonho”, em 2012, e foi segundo classificado no concurso de poesia das acácias, em 2005.

Literatura moçambicana em movimento

O lançamento de “Tchambalakati e Outras Crónicas” insere-se num esforço mais amplo de promoção da leitura e da literatura moçambicana, particularmente fora dos grandes centros como Maputo e Beira. O Clube de Leitura de Quelimane tem estado na linha da frente deste movimento, promovendo encontros entre autores e leitores, debates literários e lançamentos de obras de autores locais e nacionais.

O evento de hoje representa também uma oportunidade para o público conhecer de perto uma faceta mais literária de um autor até agora mais associado ao jornalismo e à comunicação institucional.