Trinta e cinco anos depois dos primeiros grandes protestos que levaram o Quénia à transição multipartidária, milhares de manifestantes voltaram às ruas esta segunda-feira (07.07), reeditando o espírito do “Saba Saba” — expressão suaíli que significa “sete sete”, em alusão à data histórica de 7 de julho.
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Ao contrário de 1990, quando se exigia o fim do regime de partido único, os protestos de 2025 têm como alvo direto o actual Presidente William Ruto, acusado por parte significativa da população de má governação, corrupção e agravamento do custo de vida. O movimento também denuncia o uso excessivo da força pela polícia e a crescente repressão a liberdades civis no país.
Segundo a Comissão Nacional dos Direitos Humanos do Quénia (KNCHR), pelo menos 10 pessoas perderam a vida durante os protestos, e mais de 560 manifestantes foram detidos em várias partes do país. A polícia, por sua vez, reportou dezenas de agentes feridos durante os confrontos.
Na manhã de segunda-feira, as autoridades fecharam as principais vias de acesso à capital, Nairobi, numa tentativa de impedir a concentração dos manifestantes no centro da cidade. No entanto, a mobilização espalhou-se por diversas províncias, impulsionada sobretudo por jovens urbanos que exigem reformas profundas e imediatas. “O Saba Saba de 1990 foi por democracia. O Saba Saba de hoje é por dignidade económica e justiça social”, disse à DW um manifestante em Nairobi.
O simbolismo da data não passou despercebido. Os organizadores fizeram questão de sublinhar que as lutas de ontem se repetem, ainda que sob novas formas. Muitos usaram faixas com frases como “Da democracia política à justiça económica” e “Somos a geração que não esquece”.
Analistas quenianos apontam que a repetição do Saba Saba reflecte um sentimento generalizado de desilusão com os frutos da democracia multipartidária, que, apesar de conquistas institucionais, ainda não se traduziu em melhorias tangíveis na vida da maioria.
“A juventude está a dizer que não basta votar: querem empregos, educação acessível, serviços públicos funcionais e respeito pelos direitos humanos”, observa a analista política Linda Ogutu.
O Governo de William Ruto, que assumiu o poder prometendo reformas económicas, enfrenta agora o maior desafio político do seu mandato. Organizações da sociedade civil exigem uma investigação independente sobre as mortes e abusos cometidos durante os protestos.
Enquanto isso, a juventude queniana parece determinada a manter viva a chama do Saba Saba — não apenas como memória, mas como movimento político em curso, num país onde a democracia, mesmo com três décadas de história, continua em construção.
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