Decorreu ontem, 30 de Julho, na Cidade de Maputo, uma formação técnica sobre o uso do Índice de Capacidade de Resposta a Desastres (ICR), no âmbito do projecto “Preparação e Adaptação Climática Inovadora e Transformadora”, implementado pela Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), em parceria com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) e o Instituto Hondurenho de Ciências da Terra (IHCIT).
A iniciativa tem como principal objectivo reforçar a capacidade institucional e comunitária na resposta aos riscos climáticos e desastres naturais, através da aplicação de metodologias inovadoras de avaliação e planificação territorial.
Ferramenta visa fortalecer resiliência climática e planificação multissectorial em Moçambique
Ferramenta ajustada à realidade moçambicana
O ICR é uma ferramenta analítica que avalia a capacidade de resposta a desastres com base em quatro dimensões-chave, permitindo a identificação de perfis distritais de vulnerabilidade e a definição de intervenções específicas adaptadas ao contexto local. Durante a formação, será feita a adaptação da ferramenta à realidade moçambicana, com vista a apoiar a planificação multissectorial e o desenvolvimento de estratégias locais de resiliência.
A formação insere-se num esforço mais amplo de promoção de governação eficaz na gestão do risco de desastres, alinhado com os compromissos nacionais e internacionais em matéria de adaptação às mudanças climáticas. Segundo os organizadores, esta actividade constitui um passo importante para dotar as instituições moçambicanas de instrumentos técnicos que potenciem respostas mais eficazes e coordenadas a eventos extremos.
Moçambique é considerado um dos países mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas, sendo ciclicamente afectado por ciclones, cheias e secas. O fortalecimento da capacidade de resposta a nível distrital e comunitário é, por isso, essencial para garantir a resiliência das populações e a continuidade dos serviços essenciais.
A formação contou com a participação de técnicos do INGD, representantes de instituições governamentais e organizações da sociedade civil, bem como especialistas internacionais
No próximo dia 31 de Agosto de 2025, a cidade de Quelimane será palco de um dos eventos religiosos mais importantes do ano em Moçambique: a tomada de posse do novo Bispo Diocesano, Dom Osório Citora Afonso, missionário da Consolata (I.M.C.), nomeado recentemente pelo Papa. A celebração está marcada para as 09h00, no Campo do Sporting, e deverá mobilizar milhares de fiéis provenientes da província da Zambézia e de diversas regiões do país.
Quelimane prepara acolhimento solene do novo Bispo Diocesano
A nomeação de Dom Osório representa` a continuidade da missão pastoral da Diocese de Quelimane, mas também um momento simbólico de renovação espiritual e eclesial, num contexto em que a Igreja Católica em Moçambique celebra avanços na evangelização, na promoção da paz e no serviço às comunidades.
A cerimónia de entronização do novo Bispo será presidida pelas autoridades eclesiásticas nacionais, contando com a presença de representantes da Conferência Episcopal de Moçambique, membros do clero local, congregações religiosas e movimentos apostólicos. O evento está a ser preparado com especial atenção à dimensão pastoral e participativa da celebração, conforme destaca o comunicado oficial emitido pela Diocese.
“Queremos que esta celebração seja um momento de comunhão e renovação para toda a Diocese”, refere o Administrador Apostólico, Frei Pietro Tosato OFM Cap., que esteve à frente da Diocese nos últimos anos, assegurando a governação pastoral durante o período de vacância episcopal.
A nomeação de Dom Osório Citora Afonso, filho da Diocese e membro da Congregação dos Missionários da Consolata, é recebida com entusiasmo pela comunidade católica local, que vê no novo Bispo um sinal de esperança e compromisso com os valores do serviço pastoral, da solidariedade e da evangelização.
A Diocese de Quelimane, com sede na capital provincial da Zambézia, foi criada em 1954 e tem desempenhado um papel relevante no desenvolvimento espiritual, educacional e social da região. A posse de Dom Osório marca uma nova etapa na história da Diocese, e a celebração de entronização deverá assinalar um momento de forte mobilização comunitária e de afirmação da fé.
Teve lugar, na cidade de Nampula, o encerramento da XII edição do Festival Nacional da Cultura – fase provincial, que mobilizou mais de 400 artistas oriundos dos 23 distritos da província. O evento culminou na quarta-feira (30), no bairro de Namicopo, com um apelo à valorização contínua da cultura como elemento central da unidade nacional e da preservação da identidade moçambicana.
Evento reforça papel da cultura na promoção da unidade nacional e cidadania
Em representação do Governador Eduardo Mariamo Abdula, o Director do Gabinete do Governador, Calquer Nuno de Albuquerque, presidiu à cerimónia de encerramento, tendo reafirmado o compromisso do Conselho Executivo Provincial (CEP) com a promoção das tradições culturais locais. No seu discurso, sublinhou que o festival ocorre num contexto simbólico: os 50 anos de independência nacional, celebrados sob o lema “50 anos: Consolidando a Unidade Nacional e a Paz Através da Cultura”.
Durante o festival, os distritos apresentaram diversas manifestações culturais, incluindo dança, música, gastronomia, artes plásticas, cinema e fotografia. No final das actividades, foram selecionados 52 representantes — 40 artistas e 12 técnicos — que irão representar a província de Nampula na fase nacional do festival, agendada para o mês de Agosto, na província de Tete.
Calquer de Albuquerque enfatizou o papel estratégico dos artistas enquanto promotores da paz, cidadania e identidade cultural, encorajando os governos distritais a investirem na realização de festivais locais como forma de dinamizar o sector cultural e estimular a coesão social. “A cultura deve ser vivida todos os dias, nos bairros e nas famílias, como força de união e esperança”, afirmou.
Preparação para a fase nacional
Os artistas apurados para a fase nacional enfrentam agora o desafio de representar condignamente a província de Nampula, num evento que contará com delegações de todo o país. A organização sublinha que a participação neste festival contribui para reforçar o intercâmbio cultural, promover talentos locais e preservar o património imaterial nacional.
O Festival Nacional da Cultura é organizado pelo Ministério da Cultura e Turismo, em coordenação com os governos provinciais e distritais, e constitui uma das principais plataformas de valorização da diversidade cultural moçambicana.
No âmbito das comemorações do Dia Mundial de Luta Contra o Tráfico de Pessoas, o distrito de Nicoadala, na província da Zambézia, acolheu a Feira de Justiça, uma iniciativa promovida pela Procuradoria Provincial da República, em colaboração com organizações da sociedade civil e instituições que integram o Grupo de Referência Provincial.
Feira da Justica em Nicoadala a
O evento, que teve lugar no pátio do Governo Distrital de Nicoadala, mobilizou magistrados do Ministério Público, oficiais de justiça e técnicos de vários sectores públicos, numa acção coordenada de promoção de direitos e assistência aos cidadãos. Os participantes tiveram acesso a serviços gratuitos em áreas jurídicas, de registo civil e saúde comunitária.
Durante o evento, cada secção da Procuradoria esteve representada por um magistrado e um oficial ou assistente de justiça, permitindo atendimentos directos ao público em matérias criminais, laborais, familiares, administrativas e civis. Entre os serviços prestados, destacaram-se:
Tendas da Justiça, onde ocorreram atendimentos jurídicos personalizados;
Sessões de esclarecimento sobre tráfico de pessoas, com foco nos mecanismos de denúncia e apoio às vítimas;
Emissão de documentos civis, incluindo registo de nascimento e bilhete de identidade;
Serviços de saúde comunitária, como testagem voluntária de HIV, medição de pressão arterial e glicemia, além de rastreio de outras patologias.
Na cerimónia de abertura, o Procurador Provincial da República – Chefe destacou que a Zambézia registou uma redução significativa nos casos de tráfico de pessoas entre 2023 e 2025, resultado da actuação articulada entre o Ministério Público, organizações da sociedade civil e parceiros institucionais. “A meta da província é clara: extinguir por completo os casos de tráfico de pessoas. Continuaremos a investir em mecanismos de prevenção, resposta e protecção às vítimas”, afirmou.
A Feira de Justiça demonstrou o compromisso do Ministério Público com a promoção dos direitos fundamentais e a necessidade de levar os serviços públicos à população, particularmente às comunidades mais vulneráveis. A iniciativa insere-se numa estratégia provincial de combate ao tráfico de pessoas, que aposta na prevenção, no fortalecimento institucional e na mobilização social para erradicar todas as formas de exploração humana.
A cidade da Ilha de Moçambique acolheu, no passado sábado (26), o lançamento da obra literária “O Naufrágio do Sorriso”, da autoria de Arnaldo Ângelo Sondiua, numa cerimónia que decorreu nas instalações da Mediateca do BCI. Trata-se da primeira publicação do autor, composta por 70 poemas que abordam diversas dimensões da experiência humana, com especial enfoque nas questões sociais, emocionais e geográficas.
Literatura moçambicana ganha novo autor com lançamento de obra na Ilha de Moçambique
Na abertura do evento, Faruk Abdulgafur, representante do BCI, destacou a importância da literatura como pilar da cidadania e da construção cultural. “A literatura constitui uma alavanca essencial para o desenvolvimento cultural. A realização deste lançamento na Ilha de Moçambique reafirma o compromisso do BCI com a valorização da expressão artística e intelectual nacional”, referiu, sublinhando que o apoio à cultura faz parte da estratégia de responsabilidade social do banco.
A obra foi apresentada pelo escritor Bruno Areno, coordenador do Clube de Leitura Olhar Literário, que caracterizou a publicação como um exercício poético de introspecção e análise da alma humana. “Trata-se de uma obra que propõe uma leitura sensível da realidade e da interioridade do autor, através de uma linguagem poética madura e provocadora”, referiu Areno.
O evento contou com a presença de representantes de instituições culturais, académicos, membros da comunidade local e amantes da literatura, num ambiente marcado pela reflexão e celebração artística. A iniciativa foi promovida pelo Clube de Leitura Olhar Literário, em parceria com a Mediateca da Ilha de Moçambique, no âmbito da promoção do livro e da leitura.
Arnaldo Ângelo Sondiua é natural da província do Niassa. Poeta, jurista, docente universitário e especialista em Filosofia, Educação e Ética, é membro do Clube dos Escritores, Poetas e Amigos do Niassa, tendo já publicado em diversas revistas literárias nacionais. Com esta obra, passa a integrar o panorama da nova geração de autores moçambicanos que emergem no cenário cultural com propostas literárias próprias.
O Conselho Autárquico de Quelimane volta a estar sob os holofotes, desta vez num alegado esquema de desvio de fundos públicos que envolve agentes afectos ao Departamento de Indústria, Comércio e Turismo. No centro da denúncia está Juma Gentil Francisco Reno, um empresário local que acusa fiscais municipais de apropriação ilícita de fundos pagos a título de taxa de actividade económica.
O caso: um depósito feito, um recibo que nunca chegou…
Segundo um documento formal datado de 22 de Julho e endereçado ao Presidente do Conselho Autárquico de Quelimane na posse do TxopelaLeaks, Juma Reno relacta que, no dia 20 de Fevereiro de 2025, três fiscais municipais, nomeadamente: Celestino Américo Ginote, Maia Madeira Maia e Josias Rodolfo Cumbane, deslocaram-se ao terminal rodoviário sob gestão da sua empresa, MOZ TRANS onde as transportadoras Entre Rios e Khurula Investimentos parqueiam as suas viaturas. A visita resultou num aviso de pagamento de 65.000,00 meticais, a título de taxa anual pela actividade económica.
Documento entregue por Juma Reno à Presidência do Conselho Autárquico de Quelimane, denunciando a retenção indevida do talão de depósito no valor de 65 mil meticais por parte do fiscal Maia Madeira Maia. O empresário exige a emissão do recibo oficial e a responsabilização dos agentes envolvidos.
Cumprindo a ordem, o empresário efectuou o depósito na conta do município, conforme comprovativo emitido pelo Banco Comercial e de Investimentos (BCI), no dia 31 de Março de 2025. Contudo, o que parecia uma rotina administrativa transformou-se num calvário: o fiscal Maia Madeira Maia levou consigo o talão de depósito, prometendo entregar o recibo oficial, promessa nunca cumprida. Desde então, Maia tornou-se incontactável, não atendendo as chamadas nem fornecendo qualquer documento que comprove a entrada do valor nos cofres municipais.
O Jornal Txopela sabe da existência de uma grande rede de corrupção na edilidade de Quelimane e que se dedica a falsificação de recibos e esquemas de burla aos empresários da cidade. O aviso de pagamento, emitido sob número 20/2025, detalha componentes específicas da taxa cobrada, incluindo licenças, alvarás e inspeção de actividade (IPA), tudo devidamente quantificado. Nada, porém, justifica a retenção ilegal do talão nem a omissão dolosa na emissão do recibo.
A conduta dos fiscais, pode configurar crime de abuso de cargo, corrupção passiva e apropriação indevida de fundos públicos, explicou um advogado ouvido pelo Jornal Txopela. O artigo 75 da Lei do Sistema Tributário Autárquico, citado no aviso de cobrança, prevê sanções ao contribuinte em caso de incumprimento, e abre espaço para dupla cobrança.
Nota de cobrança nº 20/2025 emitida pelo fiscal Maia Madeira Maia, exigindo o pagamento de 65 mil meticais a título de taxas de actividade económica. O documento serviu de base para o depósito efectuado pelo empresário Juma Reno, cujo recibo oficial nunca foi entregue.
A carta endereçada ao edil de Quelimane, cuja recepção foi formalizada a 23 de Julho de 2025, exige uma resposta imediata. O requerente, com razão, solicita a emissão urgente do recibo para efeitos de justificação contabilística da empresa. Mais do que um documento, está em causa a confiança dos munícipes na administração municipal. Até ao fecho desta reportagem, o Conselho Autárquico não respondeu oficialmente à denúncia, e os fiscais referidos continuam a exercer funções sem quaisquer medidas cautelares conhecidas, Maia Madeira Maia declinou prestar declarações ao nosso jornal.
Fontes do sector falando ao Txopela sugerem que a apropriação de talões de depósito com posterior desaparecimento dos recibos é uma prática recorrente, invisível por falta de denúncias formais ou por medo de represálias. O município de Quelimane enfrenta não apenas um caso de corrupção pontual, mas um possível esquema organizado de extracção ilícita de fundos, sustentado na inoperância dos mecanismos de fiscalização interna.
O Presidente da República e Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança (FDS), Daniel Francisco Chapo, presidiu hoje, no Estado-Maior General, à cerimónia solene de tomada de posse e patenteamento de dezenas de oficiais superiores, num momento que serviu para reforçar o apelo à disciplina, integridade e compromisso com a soberania e o bem-estar do povo moçambicano.
Entre os destacados, foram empossados o Tenente-General Messias André Niposso, como Vice-Chefe do Estado-Maior General das FADM, e o Major-General André Rafael Mahunguane, que assume agora o comando do Ramo do Exército. O evento incluiu ainda a posse do Brigadeiro Ezequiel Isac Muianga, como Inspector das FADM, e do Brigadeiro Tiago Alberto Nampele, que dirigirá o Serviço Cívico de Moçambique (SCM).
No mesmo acto, o Brigadeiro José Domingos Benjamim Canamala foi igualmente promovido, com a missão de representar o país em funções junto a uma organização internacional, refletindo o reconhecimento da capacidade técnica e experiência acumulada.
No seio da Polícia da República de Moçambique (PRM), o Comandante-Chefe patenteou onze oficiais à categoria de Adjunto do Comissário da Polícia, com responsabilidades em áreas críticas como logística, ética, recursos humanos, formação e comando operacional nas províncias.
No Serviço Nacional de Migração (SENAMI), destacam-se as promoções da Comissária Denise Afonso Dinis Zaqueu Zandamela e de quatro Primeiros-Adjuntos do Comissário, responsáveis por operações, documentação, ética e gestão de pessoal. O Chefe de Estado alertou para a necessidade de reforçar a fiscalização migratória, lembrando que “a imigração ilegal tem sido aproveitada para o recrudescimento de práticas criminais”, e apelou a uma actuação firme, mas dentro dos princípios legais.
Um dos marcos da cerimónia foi a patenteação inédita de dez Primeiros-Adjuntos do Comissário da Guarda Penitenciária, no âmbito do Serviço Nacional Penitenciário (SERNAP). O Presidente sublinhou que estes oficiais devem liderar uma actuação humanizada e profissional, centrada na ressocialização dos reclusos e no combate à criminalidade intramuros, com forte aposta na produção agrícola e artesanal dentro das unidades prisionais.
Chapo destacou o valor da experiência acumulada pelos oficiais promovidos, afirmando que se trata de quadros que cumpriram com êxito diversas missões, e encorajou-os a serem líderes exemplares que dinamizem reformas estruturais e operacionais nas suas áreas.
O Presidente reconheceu também o trabalho dos oficiais cessantes, sublinhando que “a passagem de testemunho não significa o fim do serviço à Pátria, mas a continuidade institucional que fortalece as Forças de Defesa e Segurança”.
Na sua intervenção final, o Chefe de Estado reafirmou o compromisso do Governo em mobilizar recursos para garantir o desempenho das FDS, reiterando o apelo à unidade nacional e ao envolvimento de toda a sociedade na defesa do país. “Todos, como moçambicanos, unidos do Rovuma ao Maputo, temos que fazer parte da defesa desta Pátria amada chamada Moçambique”, concluiu.
O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, reuniu-se, no seu Gabinete de Trabalho, com os membros do Conselho Superior da Comunicação Social (CSCS), numa sessão de alto nível que visou avaliar o estado actual do processo legislativo do sector da comunicação e acelerar a aprovação de um pacote de leis fundamentais para os media moçambicanos.
O encontro, que contou com a presença de todos os conselheiros do CSCS, membros do Governo e juristas convidados, decorreu num ambiente de análise técnica e de reafirmação de compromissos institucionais.
No centro das discussões estiveram quatro diplomas legais considerados estratégicos para o futuro da comunicação social no país: a nova Lei da Comunicação Social, a Lei da Radiodifusão, o regime da Carteira Profissional dos Jornalistas e a criação de um órgão regulador independente e funcional.
“Há uma morosidade que nos preocupa”, afirmou o Chefe do Estado, ao questionar os presentes sobre os entraves que têm travado o avanço legislativo, ao mesmo tempo que exortou à busca de soluções que garantam celeridade, sem comprometer a qualidade técnica nem a inclusão social no debate.
Para o Presidente Chapo, o processo de reforma legal no sector da comunicação não pode restringir-se a círculos técnicos ou elitistas, devendo envolver jornalistas, académicos, sociedade civil e cidadãos interessados, numa lógica de governação aberta, participativa e transparente.
O estadista valorizou os avanços já registados em algumas propostas, mas reconheceu que persistem pontos críticos que exigem debate técnico-jurídico mais aprofundado. Por isso, sugeriu a implementação urgente de mecanismos de escuta pública, incluindo sessões abertas, audições parlamentares e recolha de contributos escritos de entidades representativas.
O pacote legislativo da comunicação social está em discussão há vários anos, e a sua aprovação é considerada essencial para modernizar o quadro normativo, assegurar melhores condições de trabalho para os jornalistas, promover a liberdade de imprensa, e enfrentar os novos desafios impostos pelas plataformas digitais e pela desinformação.
O CSCS comprometeu-se a acelerar os seus trabalhos, articulando com o Parlamento e outras instituições relevantes, para garantir que o novo quadro legal responda às necessidades actuais do país e se alinhe com os princípios democráticos consagrados na Constituição da República.
Ao final da reunião, ficou claro o compromisso do Presidente Chapo em acompanhar de perto o processo e em promover uma reforma profunda, inclusiva e oportuna do sector da comunicação social, considerada estratégica para a consolidação da democracia e do Estado de Direito.
O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, recebeu em audiência no seu Gabinete de Trabalho o presidente da Câmara de Comércio Brasil-África, Sinfrônio Júnior, num encontro que serviu para explorar novas iniciativas de cooperação bilateral no domínio da agricultura, com foco na modernização do sector agrário moçambicano.
À saída da audiência, Sinfrônio Júnior descreveu o encontro como produtivo e promissor, destacando o grande potencial agrícola de Moçambique e o compromisso do empresariado rural brasileiro em apoiar o país com tecnologias de ponta. A meta, segundo o dirigente, é impulsionar a agro-indústria nacional como via para o combate à fome, à pobreza e ao desemprego juvenil.
“Moçambique possui um dos maiores potenciais do mundo para desenvolver uma agricultura moderna, sustentável e competitiva. A nossa visita insere-se nesse esforço de criar sinergias e partilhar tecnologias e boas práticas”, afirmou Sinfrônio Júnior.
O presidente da Câmara de Comércio Brasil-África elogiou a postura do Presidente Chapo, sublinhando o seu entusiasmo e visão estratégica em torno da agricultura como motor do desenvolvimento económico e social. “O Presidente demonstrou clareza de objectivos. Acredita que a agricultura e a agro-indústria são a saída para um Moçambique próspero e livre da pobreza”, declarou.
Durante a reunião, foram também discutidas experiências anteriores de cooperação agrícola entre Moçambique e o Brasil, incluindo projectos implementados no passado com apoio técnico e financeiro brasileiro. Sinfrônio Júnior referiu que tais experiências podem ser redinamizadas e ampliadas, em linha com os actuais desafios e prioridades nacionais.
No plano mais amplo, o dirigente revelou que o Brasil está a reforçar a sua agenda de cooperação com África, tendo recentemente acolhido uma cimeira com os ministros da Agricultura do continente, na qual Moçambique esteve representado. Deste encontro surgiu a proposta de criação da Aliança Global contra a Fome, uma iniciativa internacional liderada por Brasília, que Moçambique poderá integrar.
“A Aliança Global contra a Fome visa erradicar a fome e a pobreza absoluta em África e noutras regiões vulneráveis. Moçambique pode ter um papel de destaque nesta frente comum”, explicou.
A audiência de hoje reafirma o interesse comum entre Moçambique e o Brasil em consolidar uma cooperação económica focada no desenvolvimento rural sustentável, na geração de emprego e na segurança alimentar, num contexto em que ambos os países partilham visões convergentes sobre os desafios globais do sector agrícola.
O Governo moçambicano, segundo o Presidente Chapo, está empenhado em mobilizar recursos e parceiros estratégicos para transformar o campo numa fonte de riqueza, inovação e dignidade para milhões de moçambicanos, tendo como prioridade a inclusão produtiva da juventude e das comunidades rurais.
O Hospital Central de Quelimane (HCQ) confirmou nesta terça-feira a entrada de 15 vítimas resultantes de um acidente de viação ocorrido no último sábado, tendo o sinistro provocado uma morte e deixado outras vítimas em diversos estados clínicos.
De acordo com declarações da porta-voz do HCQ, Palmira Nascimento, entre os feridos constam 9 homens e 6 mulheres, das quais 6 tiveram alta clínica no mesmo dia. Os restantes continuam sob cuidados médicos, sendo que dois pacientes deram entrada na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI). Infelizmente, uma dessas vítimas não resistiu aos ferimentos e perdeu a vida. A outra permanece internada em estado clínico grave, com prognóstico reservado.
Os demais pacientes, internados nas enfermarias do hospital, estão a registar sinais de melhoria e encontram-se fora de perigo. Palmira Nascimento aproveitou a ocasião para reforçar o apelo à condução prudente, alertando que o consumo de álcool e o excesso de velocidade continuam a figurar entre as principais causas de acidentes rodoviários graves na província da Zambézia.
As autoridades de trânsito já iniciaram uma investigação ao caso, com vista ao apuramento de responsabilidades e possível responsabilização criminal do condutor.
Este trágico episódio reacende o debate sobre a necessidade de fiscalização rigorosa nas estradas e campanhas de sensibilização mais incisivas sobre condução segura, num contexto em que os acidentes continuam a ceifar vidas e a deixar famílias devastadas.