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Icidua lança projecto ambiental para produção de carvão ecológico

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O bairro de Icidua, um dos mais emblemáticos da cidade de Quelimane, foi palco nesta segunda-feira do lançamento oficial do Projecto ACA, uma iniciativa ambiental que promete marcar um novo capítulo na luta pela sustentabilidade local, através do reflorestamento de mangais, produção de carvão ecológico e redução do uso de plásticos.

A iniciativa, financiada pelo Conselho Autárquico de Quelimane, com o apoio da Bloomberg Philanthropies, aposta em soluções inovadoras e sustentáveis para travar a degradação ambiental e empoderar economicamente as comunidades locais.

No cerne do projecto está a recuperação dos ecossistemas de mangal – vitais para a proteção costeira e biodiversidade –, bem como a introdução de carvão ecológico produzido a partir de papel reciclado e cascas de arroz, uma alternativa ao carvão convencional que depende do abate de árvores. Paralelamente, está em curso a fabricação de fogões ecológicos, pensados para reduzir o consumo de combustível e a emissão de fumos nocivos.

Durante a cerimónia de lançamento, foram entregues certificados aos primeiros formandos capacitados no âmbito do ACA, um sinal claro do enfoque comunitário e educativo do projeto. O evento contou com a presença de várias figuras locais, incluindo o coordenador do projecto, Filipe Ribeiro, o vereador da Juventude, Hermínio Leonel Amador, a chefe do posto administrativo urbano número 6, Setiana Domingos Zoua, bem como secretários dos bairros de Icidua e Mirrazane, líderes comunitários e jovens beneficiários.

O ACA inclui ainda campanhas de sensibilização contra o abate indiscriminado de mangais, promoção de sacos biodegradáveis em substituição ao plástico, e formações comunitárias em educação ambiental, com vista a transformar as práticas quotidianas das comunidades e estimular uma cultura de preservação ambiental.

Filipe Ribeiro destacou, na ocasião, que “o ACA é mais do que um projeto ambiental – é um movimento comunitário que alia sustentabilidade, inovação e inclusão social, colocando Quelimane na linha da frente da luta contra as mudanças climáticas em Moçambique”.

Esta intervenção inscreve-se no plano estratégico da autarquia de Quelimane, que tem vindo a afirmar-se no país e na região como um modelo de cidade verde e resiliente, comprometida com a governação participativa e o envolvimento dos cidadãos na construção de um futuro sustentável.

Quelimane marca presença no Fórum Juvenil da União Africana sobre governanção fundiária

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A cidade de Quelimane está representada na Sessão Juvenil de Trabalho para a Promoção dos Direitos e o Empoderamento de Jovens e Mulheres na Governança Fundiária, que decorre de 28 a 30 de Julho em Abuja, capital da Nigéria, sob os auspícios da União Africana.

O encontro, organizado em parceria com a Youth Initiative for Land in Africa (YILAA), junta jovens líderes, técnicos, representantes de governos e organizações da sociedade civil de todo o continente, com o objetivo de fortalecer a participação das novas gerações e das mulheres na gestão da terra, um dos sectores mais estratégicos e sensíveis para o desenvolvimento sustentável em África.

Quelimane faz-se representar pelo técnico municipal Fernando Sozinho, que integra os debates e as sessões de trabalho em nome da edilidade, levando a experiência e os desafios locais para o palco das discussões continentais.

A reunião tem como foco central a finalização do Plano de Trabalho e do Mecanismo de Coordenação do Laboratório de Inovação da União Africana, uma plataforma que visa encontrar soluções inovadoras, inclusivas e sustentáveis para a governança fundiária, com especial atenção ao empoderamento dos jovens e das mulheres, frequentemente marginalizados nos processos de acesso e uso da terra.

Em declarações breves à margem do evento, Fernando Sozinho destacou que “a participação de Quelimane neste fórum é um testemunho do compromisso da cidade com a promoção da inclusão social e da boa governação, alinhada com as agendas africanas de justiça fundiária e desenvolvimento sustentável”.

A presença de Quelimane num fórum desta natureza reforça a posição do município como ator ativo nas dinâmicas de cooperação continental e nas iniciativas que colocam os cidadãos no centro das políticas públicas. A cidade continua, assim, a afirmar-se como uma referência em Moçambique na promoção de práticas participativas e inovadoras no domínio da governação local.

Município da Beira lança ecobeira, plataforma inovadora de comunicação com os cidadãos

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O Conselho Municipal da Beira deu um passo na modernização da sua relação com os munícipes, ao lançar oficialmente a plataforma digital EcoBeira, um sistema inovador de envio de mensagens em massa, destinado a reforçar a informação pública e a participação cidadã.

A cerimónia, que teve lugar nas instalações do Município, marcou o arranque formal desta ferramenta, concebida para difundir mensagens de sensibilização, alertas comunitários e conteúdos de interesse público sobre saúde, meio ambiente, mobilidade urbana, gestão de resíduos, entre outros temas relevantes para a vida quotidiana dos residentes da Beira.

Desenvolvida pela empresa tecnológica Comunika, no âmbito do Projecto Mudar, a plataforma EcoBeira surge como resposta à necessidade de uma governação mais próxima, transparente e interactiva, onde a comunicação com os cidadãos deixa de depender exclusivamente dos canais tradicionais.

A plataforma permitirá o envio de mensagens via SMS e outros meios digitais, atingindo milhares de cidadãos de forma simultânea e em tempo real. Esta funcionalidade reveste-se de particular importância em contextos de emergência ou campanhas de utilidade pública, onde a disseminação rápida de informação pode salvar vidas ou prevenir riscos.

A introdução da EcoBeira insere-se no esforço contínuo da edilidade em inovar os seus métodos de gestão e comunicação, apostando na tecnologia como aliada na construção de uma Beira mais resiliente, inclusiva e orientada para o cidadão.

Para os promotores do Projecto Mudar, a iniciativa representa uma oportunidade de replicar boas práticas de governação local noutras autarquias do país, promovendo o uso responsável e estratégico das tecnologias de informação ao serviço do desenvolvimento urbano e da cidadania participativa.

CMB mobiliza municipes para a abertura de vias de acesso nos bairros

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Numa aposta na melhoria da mobilidade urbana e acessibilidade nos bairros periféricos, o Conselho Municipal da Beira (CMB) intensificou esta segunda-feira as acções de sensibilização comunitária, com vista à abertura de novas vias de acesso em zonas densamente povoadas.

A iniciativa foi liderada pelo Chefe do Posto Administrativo de Chiveve, José de Brito, que se reuniu no Bairro de Macuti com secretários dos bairros, chefes de quarteirões e outros líderes comunitários. Em cima da mesa esteve a necessidade urgente de envolvimento directo das comunidades na cedência de espaços para o traçado de estradas e caminhos, com enfoque nos bairros de Chipangara e Ponta-Gêa.

“A mobilidade é um direito e uma necessidade. Precisamos de vias que permitam o acesso rápido e seguro aos serviços, ao comércio e à emergência, sobretudo em zonas críticas da cidade”, afirmou José de Brito, apelando à colaboração dos líderes locais na sensibilização dos residentes.

De Brito revelou ainda que, no âmbito do plano de requalificação urbana em curso, o município irá intervir brevemente nas zonas de Nhamudima, Goto e Macurungo Miqueijo, onde se prevê a reabilitação e expansão das infraestruturas viárias e de drenagem. “Vamos djimar com os secretários dos bairros, porque este processo exige diálogo e entendimento com cada família afetada”, declarou.

A abertura de vias de acesso faz parte de um esforço mais amplo da edilidade, que visa transformar os bairros informais da Beira em zonas urbanizadas, dotadas de serviços básicos, maior fluidez de transporte e resposta eficaz a situações de emergência, como cheias e incêndios.

A aposta em soluções participativas, segundo o Conselho Municipal, é fundamental para garantir que os projectos de desenvolvimento urbano avancem com o consenso e o envolvimento ativo das comunidades beneficiárias.

Carige cumpre a promessa e entrega Morgue do Hospital Geral da Beira

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Cumprindo o compromisso assumido publicamente na semana finda, o Presidente do Conselho Municipal da Beira, Albano Carige, procedeu ontem à abertura oficial da nova morgue do Hospital Geral da Beira, uma infraestrutura há muito aguardada pela população da cidade e zonas circunvizinhas.

A morgue, agora operacional, está equipada com 20 gavetas refrigeradas, oferecendo capacidade para conservar igual número de corpos, numa resposta concreta às limitações anteriormente enfrentadas pela unidade hospitalar no que diz respeito à gestão de óbitos.

“A palavra dada é palavra honrada”, afirmou fonte da Autarquia ao Jornal Txopela, sublinhando que a intervenção do Conselho Municipal visou colmatar uma lacuna sensível no sistema de saúde local. A Autarquia acrescentou que esta morgue permitirá maior dignidade no tratamento dos corpos e alívio para as famílias que, até então, enfrentavam constrangimentos logísticos e de espaço.

A infraestrutura irá beneficiar não apenas os utentes do Hospital Geral da Beira, mas também os residentes das áreas periféricas e distritos adjacentes, que anteriormente dependiam de serviços distantes ou inadequados para a conservação de corpos.

A reabilitação e entrada em funcionamento da morgue insere-se num esforço mais amplo do Conselho Municipal da Beira de melhorar os serviços sociais urbanos essenciais, numa cidade marcada por desafios estruturais, mas onde, segundo Carige, “a liderança deve traduzir-se em ações concretas que impactem directamente a vida do cidadão”.

Banco Mundial acompanha progresso das obras na Beira

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Uma missão técnica do Banco Mundial esteve ontem na cidade da Beira, numa visita de campo destinada a monitorar e avaliar o progresso das infraestruturas financiadas por aquela instituição financeira multilateral, no quadro do reforço da resiliência urbana da capital provincial de Sofala.

A delegação, composta por especialistas do Banco Mundial e técnicos da Administração de Infraestruturas de Água e Saneamento (AIAS), foi recebida pelo Presidente do Conselho Municipal da Beira, Albano Carige, numa sessão que marcou o arranque de uma jornada intensa de trabalho no terreno.

No centro da agenda estiveram as obras de reabilitação das valas de drenagem da cidade – atualmente na sua segunda fase – que visam mitigar os efeitos das inundações e melhorar a gestão das águas pluviais numa urbe ciclicamente afetada por eventos climáticos extremos. A missão visitou ainda a draga de repulsão de solos, equipamento crucial para a abertura da segunda bacia do Estoril, uma infraestrutura estratégica para o escoamento das águas em períodos de chuvas intensas.

Outro ponto alto da visita foi a análise do estado de algumas vias urbanas, com destaque para a Rua 09 e outras artérias prioritárias incluídas no Programa de Desenvolvimento Urbano Local (PDUL), um pacote de intervenções que combina reabilitação de infraestruturas com a promoção de uma urbanização sustentável e inclusiva.

Em declarações à imprensa, Albano Carige destacou a importância do acompanhamento regular por parte dos parceiros internacionais, sublinhando que “o envolvimento do Banco Mundial e da AIAS é um sinal de confiança na governação local e na execução dos projetos que visam melhorar a qualidade de vida dos munícipes”.

A cidade da Beira, considerada uma das mais vulneráveis às mudanças climáticas em África, tem sido palco de diversas intervenções estruturais com o apoio de parceiros internacionais, procurando conciliar o desenvolvimento urbano com a adaptação climática e a promoção da resiliência comunitária.

Liberdade de Expressão em Risco: A nova Lei da Comunicação Social e os caminhos para uma inclusão democrática

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 “Quando a liberdade de expressão começa a ser tratada como ameaça, é sinal de que a democracia está a ficar sem ar.”

Foi com grande preocupação que tomei conhecimento da proposta de nova Lei da Comunicação Social, submetida pelo Governo à Assembleia da República em Dezembro de 2020 e que, até à data, permanece por aprovar. Esta semana, o Presidente da República, Daniel Chapo, instou o parlamento a acelerar a sua aprovação.

A questão que se impõe não é apenas o porquê da demora, mas o que está realmente em jogo com esta proposta. E a resposta é simples: a liberdade de imprensa, o pluralismo de vozes e a sobrevivência do jornalismo cidadão e comunitário em Moçambique.

 

Os riscos não podem ser ignorados

A análise técnica do documento revela pontos altamente preocupantes:

  • A exigência de Carteira Profissional para o exercício do jornalismo pode excluir jornalistas independentes, colaboradores comunitários e activistas digitais;
  • A definição restrita de “jornalista” ignora realidades locais onde a informação é feita por voluntários, estudantes e cidadãos comprometidos;
  • O anúncio de um órgão regulador “independente” carece de garantias claras de autonomia, podendo ser facilmente capturado por interesses políticos;
  • A menção à regulação dos conteúdos digitais pode abrir portas para limitação da liberdade nas redes sociais, afectando o papel dos cidadãos repórteres.

A comunicação não é monopólio

Num país democrático com a existência das rádios comunitárias em zonas remotas, activistas de Direitos Humanos e Cidadãos Repórteres que usam as redes sociais e o WhatsApp para partilhar denúncias, e jovens que documentam injustiças com os seus telemóveis, restringir o jornalismo a quem possui uma carteira é um ataque à própria democracia.

A actual Lei número 18/91 reconhece, no seu Artigo 26, qualquer pessoa que se dedica à recolha e divulgação de informação. Esse espírito inclusivo não pode ser perdido.

Proposta para um caminho democrático

Apelo ao MISA Moçambique, ao Conselho Superior da Comunicação Social e ao Sindicato Nacional de Jornalistas para que:

  1. Organizem urgentemente uma consulta pública nacional sobre esta proposta de lei;
  2. Garantam que todas as vozes – incluindo jornalistas comunitários, plataformas digitais e organizações da sociedade civil – sejam ouvidas;
  3. Defendam um modelo de regulação que proteja a liberdade e não imponha filtros políticos ou profissionais elitistas.

 

Não há democracia sem imprensa livre e acessível

A democracia nasce quando o cidadão comum tem voz. Silenciar, restringir ou profissionalizar de forma exclusiva o direito à comunicação é instaurar uma censura disfarçada de modernização.

O momento exige vigilância, firmeza e coragem.

Hoje, qualquer um pode ser um repórter do povo. E isso é bom. Isso é democracia. Não deixemos que a nova lei se transforme em um instrumento de exclusão ou medo. É urgente agir agora — antes que seja tarde demais.

#ComunicaçãoLivre #LeiDaImprensa2025 #ConsultaPúblicaJá #JornalismoéDireito #LiberdadeDeExpressãoMoç

CFO do Moza Banco defende integração das métricas de ESG no sector financeiro

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O Administrador Financeiro (CFO) do Moza Banco, Devan Manmoandas, defende a necessidade da inclusão de métricas ambientais, sociais e de governação (ESG) nas análises e decisões financeiras referentes às instituições que actuam no sector.

O posicionamento foi apresentado recentemente, em Joanesburgo, na Africa do Sul, durante a oitava edição do CFO Forum, uma conferencia internacional que reuniu mais de 300 líderes financeiros de diversos países africanos e não só.

Manmoandas, que se propôs a discutir sobre os desafios reais enfrentados pelos CFO’s na era digital, destaca a “nova figura do CFO” como sendo capaz de “interpretar dados não como meros relatórios, mas como bússolas estratégicas. A função financeira do futuro é proactiva, ética e orientada para impactar.”

Durante a sua apresentação, O CFO do Moza esclareceu os processos evolutivos da função do CFO, passando de simples gestor de resultados para um agente de transformação que usa os dados como base para a criação de valor e para a tomada de decisões estratégicas, ancoradas aos principais ditames globais de boas práticas e de protecção socioambiental.

Ademais, o CFO defendeu que as pessoas devem estar no centro de toda a estratégia, sendo este o principal recurso para o sucesso de toda e qualquer transformação a nível das organizações. “o investimento nas pessoas é mais importante que o investimento em qualquer máquina ou tecnologia”.

Ainda de acordo com Manmoandas é necessário que os líderes africanos do sector percebam que o futuro das finanças será moldado por aqueles que lideram com ética, compreendendo que os dados são indispensáveis para a fundamentação das decisões. “Sem dados, somos apenas mais uma opinião. Mas com dados bem governados, interpretados com inteligência e usados com responsabilidade, temos a base para decisões que constroem um legado.”disse.

A participação do CFO Devan Manmoandas neste simpósio serviu para reforçar o compromisso do Moza Banco com a inovação, a sustentabilidade e a liderança responsável no sector financeiro em Moçambique e na África Austral.

O Moza orgulha-se da participação dos seus colaboradores em encontros de alto nível, por considerar que estas ocasiões servem também para revelar a qualidade e a orientação para excelência que o seus quadros ostentam, sendo estes importantes vectores da visão do Banco no país e além-fronteiras.

Partilhando conhecimento e visão estratégica com outros líderes africanos, o CFO do Moza pratica um dos valores fundamentais do Banco, assente na necessidade de se Ganhar Juntos, em prol do desenvolvimento continental.

Furo no erário público: Chefe de receitas de Quelimane sob suspeita de desvio maciço

Um escândalo de proporções crescentes assombra o Conselho Autárquico de Quelimane, com denúncias generalizadas de desvio sistemático de receitas e uma falta gritante de transparência. Cidadãos e empresas estão a denunciar o sumiço deliberado de recibos na Repartição de Receitas, um problema que aponta para um esquema de fraude e uma cultura de impunidade que mina a confiança na administração local.

O caso mais flagrante envolveu uma das grandes companhias de telecomunicações que operam em Moçambique. Desde março deste ano, a empresa aguarda a emissão dos comprovativos de pagamento de várias taxas e impostos municipais.

Comprovativo de depósito bancário de 312.500,00 meticais efectuado pela Shoprite a favor do Conselho Autárquico de Quelimane. Apesar do pagamento, a empresa nunca recebeu o recibo nem a vinheta do Imposto Predial Autárquico de 2025, revelando indícios de um escândalo financeiro que se repete com outros contribuintes.

A ausência desses recibos não é apenas uma falha burocrática; coloca a empresa sob o risco de ser multada pela própria autarquia por uma alegada falta de pagamento, quando, na verdade, já cumpriu com as suas obrigações. Frustrada com a inação, a empresa enviou uma carta formal ao Direcção do Conselho Autárquico de Quelimane, exigindo a emissão imediata dos documentos, um grito de socorro que até agora encontrou apenas o silêncio.

Em paralelo, o Jornal Txopela tem provas documentais de outro caso alarmante. Uma empresa do sector comercial, Shoprite de Quelimane, pagou o Imposto Predial Autárquico de 2025 em 22 de maio, mas até hoje não recebeu o recibo correspondente, muito menos a vinheta do imposto. Estes não são incidentes isolados; são sintomas de um problema sistémico que afecta vários munícipes e levanta questões sobre a integridade da gestão financeira no Conselho Autárquico de Quelimane.

Marchal Manufredo, o chefe da Repartição de Receitas do Conselho Autárquico
Marchal Manufredo, o chefe da Repartição de Receitas do Conselho Autárquico

Marchal Manufredo: O nome no centro das acusações de desvio

Por trás destas práticas ilícitas, um nome é consistentemente apontado: Marchal Manufredo, o chefe da Repartição de Receitas do Conselho Autárquico. As acusações contra Manufredo são graves: ele é suspeito de desviar fundos da edilidade através de práticas obscuras, tudo para alcançar “objetivos inconfessos”. Colegas de trabalho têm denunciado o seu comportamento “impróprio” e os seus “procedimentos menos profissionais” dentro da instituição, o que sugere um padrão de conduta inadequada que já vinha sendo observado internamente.

Carta oficial da Movitel dirigida ao Conselho Autárquico de Quelimane, denunciando o comportamento obstrutivo e a falta de transparência de Marchal Manufredo, chefe da Repartição de Receitas, que tem dificultado a emissão dos recibos de pagamento e prejudicado o cumprimento das obrigações fiscais da empresa.
Carta oficial da Movitel dirigida ao Conselho Autárquico de Quelimane, denunciando o comportamento obstrutivo e a falta de transparência de Marchal Manufredo, chefe da Repartição de Receitas, que tem dificultado a emissão dos recibos de pagamento e prejudicado o cumprimento das obrigações fiscais da empresa.

A investigação do Jornal Txopela encontrou resistência directa por parte de Manufredo. Num contacto com a nossa redacção, o chefe da Repartição de Receitas negou gravar entrevista e prestar quaisquer informação ao nosso jornal, advogando que é vitima de uma cabala interna, chegou a questionar o profissionalismo do repórter do Jornal Txopela e tentou, sem sucesso, dar-“conselhos” sobre como deveria exercer a sua atividade jornalística. Esta tática de intimidação e obstrução ao acesso à informação é típica de indivíduos e instituições que buscam ofuscar a liberdade de imprensa e dificultar o papel do jornalista de informar de forma imparcial e livre.

Carta formal de reclamação enviada pela empresa gestora das lojas Shoprite ao Conselho Autárquico de Quelimane, exigindo a emissão urgente dos recibos de pagamento de taxas municipais, após meses de espera sem resposta.

Adiante, perante a insistência, Manufredo chegou a convidar o editor a desistir, como forma de, segundo suas palavras, salvaguardar a sua imagem e reputação profissional, por se achar inocente, estando alegadamente a ser vítima de ingerência interna por parte daqueles que apelidou de inimigos do seu brilhante trabalho.

Até ao fecho desta reportagem, o Conselho Autárquico de Quelimane não emitiu qualquer posicionamento oficial sobre as graves denúncias. O Jornal Txopela reitera o seu compromisso de perseguir este caso e trazer à tona todos os desenvolvimentos.

Ataques em Cabo Delgado obrigam deslocamento em massa no distrito de Chiúre

Diante de mais uma escalada de violência no norte de Moçambique, o distrito de Chiúre, em Cabo Delgado, tornou-se palco de uma mobilização emergencial para acolher milhares de pessoas deslocadas. Aproximadamente cinco mil habitantes do posto administrativo de Chiúre-Velho abandonaram suas casas na sexta-feira após uma série de ataques de grupos armados.

As forças de defesa moçambicanas conseguiram repelir os invasores, e segundo o administrador distrital, Oliveira Amimo, todas as aldeias da região foram afetadas, mas não há registo de vítimas mortais. A presença das autoridades e a articulação com instituições provinciais e nacionais estão sendo cruciais neste momento crítico.

“Já estamos a coordenar com o governo provincial e com o Instituto Nacional de Gestão de Risco de Calamidades. O nosso maior apoio agora é estar presente e garantir que estas pessoas não se sintam abandonadas”, afirmou Amimo.

A vila sede de Chiúre transformou-se em um refúgio improvisado. Apesar das limitações, as comunidades locais e o governo distrital estão a trabalhar para garantir abrigo, segurança e alguma assistência básica aos que fugiram da violência.

Enquanto a população espera por mais apoio logístico e humanitário, a resiliência e solidariedade dos moradores de Chiúre mostram-se fundamentais para enfrentar mais este episódio de instabilidade na província de Cabo Delgado.