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Sofala lança projecto para promover saúde sexual e reprodutiva entre jovens

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Iniciativa beneficiará 80 mil jovens com foco na prevenção de gravidezes precoces e doenças sexualmente transmissíveis

Foi lançado esta terça-feira (29/07), na cidade da Beira, o projecto “Iniciativa Local: Saúde Sexual Reprodutiva e Direitos Assegurados para Todos”, uma acção promovida pela AMODEFA, com o apoio da Embaixada da Suécia e da organização IPAS Moçambique. A cerimónia de lançamento foi dirigida por Liana Vanessa de Figueiredo, em representação do Governador de Sofala, Lourenço Bulha.

Com duração prevista de dois anos e meio, o projecto pretende beneficiar cerca de 80 mil jovens, promovendo o acesso à informação e aos serviços de saúde sexual e reprodutiva, com especial atenção à prevenção de gravidezes precoces, doenças sexualmente transmissíveis e violência baseada no género.

Iniciativa beneficiará 80 mil jovens com foco na prevenção de gravidezes precoces e doenças sexualmente transmissíveis

A iniciativa visa ainda reforçar os direitos sexuais e reprodutivos dos jovens, encorajando práticas saudáveis e informadas, através de intervenções comunitárias, campanhas educativas e reforço dos serviços de saúde amigáveis ao adolescente.

Durante o lançamento, foi sublinhada a importância da articulação entre organizações da sociedade civil, instituições públicas e comunidades, na construção de uma juventude mais consciente, saudável e empoderada.

O projecto insere-se nos esforços do Governo Provincial e dos seus parceiros para reduzir os índices de gravidez na adolescência e promover a igualdade de género, contribuindo para a realização dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), nomeadamente no que respeita à saúde e bem-estar, educação de qualidade e redução das desigualdades.

Direcção da Educação em Nampula garante controlo da situação na Escola Secundária de Cossore

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Tunzine apela ao fim de cobranças ilícitas e à colaboração entre pais, alunos e gestão escolar

A Direcção Provincial da Educação de Nampula assegurou esta quinta-feira (31/07) que a situação na Escola Secundária de Cossore está estabilizada e sob controlo, após a paralisação das aulas e actos de vandalismo a bens públicos protagonizados por um grupo de alunos que reivindicavam alegados direitos.

Em conferência de imprensa, o Director Provincial da Educação, Williamo Tunzine, confirmou que o caso está a ser acompanhado de perto em coordenação com a direcção da escola e o respectivo Conselho Escolar, tendo sublinhado que, há cerca de duas semanas, foi dada orientação formal para a devolução de valores indevidamente cobrados aos pais e encarregados de educação.

Tunzine garantiu que as aulas já foram retomadas normalmente, tendo apelado à manutenção da ordem e disciplina no seio da comunidade escolar. Reafirmou ainda que não serão toleradas cobranças ilícitas e que é essencial a colaboração entre pais, encarregados de educação e direcção escolar, no respeito integral pelas normas vigentes no sector.

“É fundamental que todos os actores compreendam que a gestão escolar deve ser participativa e transparente, evitando situações que comprometam o ambiente de ensino e aprendizagem”, afirmou Tunzine, destacando que o sector da educação continua aberto ao diálogo e à resolução concertada de conflitos.

Ataques terroristas fazem cinco mortos em Chiúre

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Cinco pessoas foram assassinadas na passada segunda-feira (28/07) por um grupo de terroristas islamistas na aldeia de Melija, distrito de Chiúre, província de Cabo Delgado, no mais recente episódio de violência que expõe a fragilidade da presença estatal e a crescente actuação de milícias populares no combate à insurgência.

Segundo relatos locais citados pelo jornal independente Carta de Moçambique, os insurgentes invadiram repentinamente a aldeia, disparando ao ar para dispersar os residentes, antes de capturarem e executarem cinco civis. A população local abandonou a zona após o ataque, e a resposta foi conduzida por forças comunitárias, conhecidas como Naparamas, em virtude da ausência das Forças de Defesa e Segurança (FDS) no local.

Cabo Delgado: FDS e forças aliadas abatem mais de seis insurgentes em Muidumbe

Fontes locais confirmam que os confrontos entre insurgentes e milícias populares prosseguem há três dias consecutivos nas zonas administrativas de Ocua e Catupa, com relatos de baixas em ambos os lados.

Execução sumária de agentes da PRM gera alarme

Num desenvolvimento alarmante, dois agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) foram executados sumariamente por membros das milícias Naparamas na aldeia de Nivenevene, após serem confundidos com terroristas. Os agentes, que se encontravam em missão de reconhecimento, chegaram de madrugada à aldeia numa motorizada e foram capturados pela população, que os espancou até à morte e queimou os corpos em público, sem verificação prévia da sua identidade.

Apesar de se terem identificado como agentes da PRM em missão oficial, os dois homens foram acusados pelas milícias de serem infiltrados terroristas e espiões. O acto foi reivindicado pelos Naparamas, de acordo com a publicação Mozambique Times, revelando o elevado nível de desinformação e descoordenação entre forças estatais e comunitárias.

A situação de segurança em Chiúre deteriorou-se significativamente desde o ataque ocorrido há uma semana, quando insurgentes ocuparam temporariamente o posto administrativo de Chiúre Velho e hastearam a bandeira do autoproclamado Estado Islâmico na esquadra local, num gesto de forte carga simbólica e intimidação pública.

Estes eventos revelam graves desafios de coordenação e presença estatal no combate à insurgência, além de riscos crescentes de justiça popular e colapso da autoridade pública em zonas remotas. A fragilidade das estruturas de segurança e a actuação autónoma de milícias levantam preocupações quanto à protecção dos direitos humanos, à disciplina operacional e à necessidade urgente de reforço institucional.

Enquanto as populações vivem sob ameaça de ataques e represálias, cresce a pressão para que o Estado restabeleça o controlo territorial e implemente mecanismos eficazes de comunicação, identificação e protecção civil, num contexto de conflito prolongado e complexidade crescente.

Poluição dos rios Révuè e Chicamba ameaça segurança alimentar em Manica

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Pelo menos 500 pescadores abandonaram a actividade pesqueira nos rios Révuè e Chicamba, província de Manica, devido à contaminação das águas por mercúrio e outros produtos tóxicos usados na exploração ilegal e industrial de ouro a montante. A situação, que já compromete a segurança alimentar, a produção agrícola e o equilíbrio ecológico, está a gerar crescente preocupação nas comunidades ribeirinhas, que denunciam perdas de sustento e riscos graves à saúde pública.

Contaminação por mercúrio resultante do garimpo força 500 pescadores a abandonar a actividade

Segundo o Presidente do Conselho Comunitário de Pescas na Albufeira de Chicamba, Sibião Kunai, a pesca no local tornou-se inviável e perigosa, tanto pela baixa qualidade do pescado, como pela alteração da cor e odor da água, que já não serve para irrigação nem consumo humano. “Estamos perante um problema que ameaça acabar com as espécies aquáticas e destruir as culturas agrícolas das famílias que vivem das margens destes rios”, alertou Kunai.

A poluição crescente é atribuída ao garimpo desenvolvido por cidadãos nacionais e estrangeiros, com uso intensivo de mercúrio e substâncias tóxicas. Segundo Kunai, a actividade “não parece ser artesanal, mas sim de escala industrial, dado o nível de poluição registado”. Apesar de medidas tomadas pelas autoridades contra algumas empresas, a situação persiste, com migração de exploradores para outras zonas, o que demonstra fragilidade na fiscalização ambiental e ausência de responsabilização efectiva.

A degradação da água afecta não só a pesca, mas também o equilíbrio da fauna local, com relatos de migração forçada de crocodilos para margens e zonas habitadas, devido à impossibilidade de sobrevivência no habitat poluído, segundo o administrador marítimo para Sofala e Manica, Daniel Bango. “A poluição pode despoletar novos riscos à população, tanto por contaminação alimentar como por exposição a animais”, advertiu.

Além dos rios Révuè e Chicamba, o rio Púnguè também apresenta níveis alarmantes de turvação, afectado por exploração ilegal de ouro em Vanduzi, revelando um padrão de deterioração ambiental sistemática nos principais cursos de água da província.

Garimpo como fonte de rendimento e desafio à governação

Estima-se que mais de 10 mil pessoas estejam envolvidas no garimpo em Manica, actividade que representa fonte primária de rendimento para muitos residentes dos distritos de Manica, Sussundenga, Báruè, Macossa, Tambara e Gondola. Contudo, o conflito entre sobrevivência económica e protecção ambiental expõe um vazio regulatório e de fiscalização, exigindo intervenção coordenada entre instituições ambientais, judiciais e comunitárias.

As comunidades afectadas apelam a intervenções urgentes, defendendo exploração responsável dos recursos e protecção efectiva dos direitos das populações ribeirinhas, cuja subsistência depende da integridade dos ecossistemas fluviais.

Banco de Moçambique reduz taxa de juro de política monetária para 10,25%

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O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique anunciou a redução da taxa de juro de política monetária (taxa MIMO) de 11,00% para 10,25%, numa decisão que visa estimular a recuperação económica interna, num contexto marcado por inflação controlada, mas com pressões fiscais e incertezas significativas no médio prazo.

Segundo o comunicado emitido pela autoridade monetária, a medida decorre da consolidação do cenário de inflação em um dígito, com destaque para a estabilidade do metical e a tendência favorável dos preços internacionais das mercadorias, que têm contribuído para conter a evolução dos preços no mercado doméstico.

Inflação permanece estável, mas com riscos

Em Junho de 2025, a inflação anual situou-se em 4,2%, após os 4,0% registados em Maio, mantendo-se dentro dos limites desejáveis para o controlo de preços. Contudo, a inflação subjacente, que exclui frutas, vegetais e bens com preços administrados, registou ligeira aceleração, sinalizando potenciais pressões futuras.

O Banco de Moçambique reconhece que, apesar do cenário favorável actual, os riscos e incertezas associados às projecções de inflação continuam elevados, incluindo choques climáticos, agravamento da situação fiscal e incertezas quanto à recuperação da capacidade produtiva e da oferta interna de bens e serviços.

Do ponto de vista macroeconómico, as projecções apontam para um crescimento económico moderado no médio prazo, excluindo o impacto do gás natural liquefeito (LNG). No primeiro trimestre de 2025, o PIB contraiu-se em 4,9% (sem LNG), após uma queda de 4,1% no trimestre anterior. Incluindo o LNG, a contracção foi de 3,9%, confirmando a debilidade da actividade económica não extractiva.

O Banco central espera, no entanto, que a redução da taxa MIMO e a implementação de projectos estratégicos contribuam para uma recuperação gradual da actividade económica.

O quadro fiscal permanece desafiante, com pressão crescente sobre a dívida interna, que atingiu 454,3 mil milhões de meticais, um aumento de 38,7 mil milhões desde Dezembro de 2024. Esta situação acentua os desafios na mobilização de recursos para o Orçamento do Estado e pode impactar negativamente a estabilidade macroeconómica.

No mercado cambial, o Banco de Moçambique prevê maior fluidez na disponibilidade de divisas, resultado da redução dos limites diários de retenção de moeda estrangeira pelos bancos e do aumento da taxa mínima de conversão de receitas de exportação de 30% para 50%, medidas que visam aumentar o acesso à moeda externa e melhorar o equilíbrio do mercado.

O CPMO sinalizou que irá prosseguir o processo de normalização da taxa MIMO de forma gradual, dependendo da evolução da inflação e da avaliação contínua dos riscos e incertezas. A próxima reunião do Comité está agendada para 29 de Setembro de 2025.

Esta redução da taxa de juro surge como um movimento cauteloso para apoiar a actividade económica, mas sem comprometer o objectivo central da política monetária: preservar a estabilidade de preços num ambiente fiscal e económico ainda volátil.

Exército garante controlo da situação em Cabo Delgado

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O novo comandante do Ramo do Exército das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), André Rafael Mahunguane, assegurou esta semana que a situação em Cabo Delgado está controlada, apesar de ainda se registarem movimentações de grupos terroristas na província, onde a insurgência armada actua desde 2017.

Em declarações à imprensa, Mahunguane explicou que os movimentos recentes dos grupos armados constituem sinais de fragilidade e recuo, motivados pela pressão militar exercida pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS). “Esta movimentação dos terroristas é uma fuga, resultado da perseguição contínua pelas FDS. Estão à procura de novos espaços e logística, porque estão a ser combatidos de forma sistemática”, afirmou.

Reconhecendo que o terrorismo é um fenómeno de dimensão internacional, o comandante advertiu que não se deve esperar um desfecho imediato do conflito, realçando a necessidade de cooperação regional e vigilância constante. “Hoje estão aqui, amanhã podem estar noutro ponto. Por isso, este combate exige união das forças de defesa da região. É uma tarefa que terá continuidade e exige perseverança operacional”, destacou Mahunguane.

Prontidão operacional das FADM

Comandante André Mahunguane sublinha continuidade do combate ao terrorismo e reforço da capacidade operacional

Questionado sobre a capacidade das FADM no terreno, o comandante foi categórico: “Estamos preparados. Homens e meios estão à nossa altura”, referindo-se ao nível de prontidão e coordenação das forças envolvidas nas operações de combate aos grupos armados em Cabo Delgado.

Desde 2017, a província tem sido palco de ataques protagonizados por grupos armados ligados ao extremismo violento, tendo forçado o deslocamento de centenas de milhares de pessoas. As operações no terreno envolvem, além das FDS, a Missão da SADC em Moçambique (SAMIM) e forças de apoio do Ruanda, num esforço conjunto de contenção e estabilização da região.

Mahunguane apelou à confiança pública nas instituições de defesa e reforçou o compromisso das FADM com a restauração da segurança e normalidade nas zonas afectadas.

Moçambique e Tanzânia reforçam cooperação no combate ao terrorismo e crimes transnacionais

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VI Sessão da Comissão Conjunta Permanente de Defesa e Segurança decorre em Maputo

Moçambique e Tanzânia estão reunidos desde, 29 de Julho de 2025, em Maputo, na VI Sessão da Comissão Conjunta Permanente de Defesa e Segurança (CCPDS), com o objectivo de reforçar a cooperação bilateral nos domínios da defesa, segurança e ordem pública, face aos desafios regionais partilhados, com destaque para o terrorismo, tráfico de armas, drogas e outros crimes transnacionais.

O encontro foi presidido pelo Secretário Permanente do Ministério da Defesa Nacional de Moçambique, Casimiro Mueio, e co-presidido pelo Secretário Permanente do Ministério da Defesa e Serviço Cívico da Tanzânia, Faraji Nyepe, que sublinharam a necessidade de intensificar a vigilância fronteiriça, harmonizar instrumentos jurídicos bilaterais e reforçar as operações conjuntas ao longo da fronteira comum.

Entre os pontos centrais da agenda destaca-se a operacionalização do Acordo de Implementação sobre Formação e Troca de Experiência entre os serviços cívicos dos dois países, mecanismo que visa fortalecer a capacidade institucional e operacional das forças de defesa e segurança, em resposta às ameaças partilhadas na região norte.

“O reforço da coordenação entre os órgãos de defesa, segurança pública e segurança do Estado é essencial para a estabilidade dos nossos países e o bem-estar das populações fronteiriças”, declarou Casimiro Mueio.

Demarcação da fronteira e patrulhamento conjunto

O dirigente moçambicano apelou ainda à continuidade do processo de demarcação da linha mediana no rio Rovuma, acção inserida nos esforços conjuntos de reafirmação da fronteira comum, e defendeu o aumento das operações de patrulhamento e resposta rápida em zonas de risco, sobretudo nas áreas afectadas pela actividade de grupos armados e redes criminosas.

A reunião conta com a presença de delegações multissectoriais de ambos os países, incluindo representantes dos ministérios da Defesa, Interior, Recursos Naturais, Terra e Habitação, bem como dos Comités de Defesa, Segurança Pública e Segurança de Estado.

 

Whaskety Fernando lança “Tratado Sobre Noite” na Beira

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Obra poética será apresentada a 7 de Agosto no Centro Cultural Português

O escritor moçambicano Whaskety Fernando lança no próximo dia 7 de Agosto, na cidade da Beira, o seu mais recente livro de poesia intitulado “Tratado Sobre Noite”, publicado pela Mapeta Editora. O evento terá lugar no Centro Cultural Português – Pólo da Beira, às 18h00, e contará com a apresentação do académico Cristóvão Seneta, docente universitário e investigador em estudos literários.

Trata-se do terceiro livro do autor, que nesta obra propõe uma incursão poética pela noite como território existencial, espaço de exílio, contemplação e resistência interior. Segundo a editora, os versos de Whaskety Fernando “nascem do escuro, mas não se apagam; acendem, em vez disso, as perguntas essenciais, os desejos calados e os cantos marginais que só a alma ouve”.

O escritor moçambicano Whaskety Fernando lança no próximo dia 7 de Agosto, na cidade da Beira, o seu mais recente livro de poesia intitulado “Tratado Sobre Noite

“Tratado Sobre Noite é um convite para habitar a noite que todos trazemos dentro”, afirma o comunicado de imprensa, sublinhando a dimensão íntima e filosófica da obra.

Nascido na Munhava, cidade da Beira, Whaskety Fernando iniciou a sua actividade literária publicando crónicas e textos poéticos na página “Diálogo”, do jornal Diário de Moçambique. É autor dos livros “Os últimos animais” (romance, 2023) e “O prazer ao chorar de dor” (poesia, 2024). Foi finalista do Prémio Literário Fernando Leite Couto com a novela “Noites de desassossego” e do Prémio Carlos Morgado com o conto “A idade do Rosto”.

A apresentação da obra estará a cargo de Cristóvão Seneta, Mestre em Estudos Literários pela Universidade do Porto e docente na Universidade Zambeze. Seneta possui vasta produção científica, com publicações em livros e artigos, e é autor de vários prefácios literários.

“Tratado Sobre Noite” insere-se num ciclo de produção literária contemporânea que privilegia a introspecção poética como leitura crítica da condição humana, num tempo de incertezas e resistências. O livro marca também a afirmação da cidade da Beira como espaço fértil de criação literária, ao dar palco a um autor que escreve a partir da sua cidade, para dentro e além das suas margens.

LAM em turbulência permanente, procura cinco aeronaves para aluguer

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Concurso público abre mais uma frente de interrogações sobre a estratégia de recuperação da transportadora nacional

As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) voltam a ser notícia, desta vez por lançarem um concurso público internacional para o aluguer de cinco aeronaves por curta duração, alegadamente para responder à crescente procura de transporte aéreo de passageiros e mercadorias. Contudo, a medida, em vez de dissipar dúvidas, levanta mais interrogações sobre a viabilidade e transparência da estratégia de reestruturação da empresa, cuja situação financeira continua longe de estabilizada.

O concurso, identificado pelo número MZ-LAM-B-P009-CP-2025, foi divulgado no dia 31 de Julho e destina-se à contratação de empresas nacionais e estrangeiras que possam disponibilizar até cinco aviões, por períodos limitados. A LAM, no comunicado, reconhece que a procura pelos seus serviços tem aumentado, impulsionada por projectos energéticos e outras actividades económicas, mas não esclarece que tipo de aeronaves pretende contratar, por quanto tempo, nem os custos totais previstos, alimentando especulações sobre os reais impactos financeiros da operação.

A opção pelo aluguer temporário de aeronaves (wet lease) não é nova na história da companhia de bandeira. Contudo, a persistência deste modelo revela a ausência de uma estratégia clara para a renovação da frota própria e a dependência de soluções avulsas e dispendiosas, com impactos pouco transparentes nas finanças da empresa  cujas contas continuam longe do escrutínio público.

O silêncio da administração sobre os resultados da gestão privada que assumiu o comando da LAM há mais de um ano levanta mais dúvidas sobre a real eficácia das mudanças operadas. O recurso frequente a contratos temporários, com custos muitas vezes desconhecidos, torna-se difícil de justificar num contexto de fragilidade financeira e endividamento da transportadora estatal.

A LAM exige que as empresas interessadas tenham certificação IOSA e comprovem capacidade financeira, mas não revela quem integrará os comités de avaliação, nem os critérios objectivos de selecção, num processo que já gerou críticas internas e externas pela falta de transparência nos procedimentos de procurement da companhia.

O prazo de submissão termina a 22 de Agosto, mas não há qualquer menção a um plano de auditoria pública dos contratos que vierem a ser assinados, nem garantias de que as decisões respeitarão critérios de custo-benefício para o erário público.

45 anos e nenhuma frota sustentável

Com 45 anos de existência, a LAM continua dependente de arrendamentos caros e sem horizonte de autonomia operacional clara. A persistência em recorrer a aeronaves alugadas levanta dúvidas sobre o compromisso real com uma reestruturação sustentável e reforça o estatuto da LAM como mais um peso morto na gestão das empresas públicas, sem clareza sobre o futuro nem prestação efectiva de contas.

Resta saber se este concurso será mais um paliativo dispendioso, ou se finalmente haverá transparência e responsabilidade na utilização dos recursos públicos numa companhia que, há muito, vive em turbulência permanente.

Chapo lança Fundo de Desenvolvimento Económico Local para impulsionar empreendedorismo juvenil e inclusão produtiva

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Iniciativa visa dinamizar economias distritais e criar emprego sustentável com recursos do Orçamento do Estado

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, procedeu esta quinta-feira, no distrito de Vilankulo, ao lançamento oficial do Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), uma iniciativa pública que visa impulsionar as economias distritais através do financiamento de pequenos negócios liderados por jovens e mulheres. O novo fundo será operacionalizado em todos os distritos e municípios do país, com recursos provenientes do Orçamento do Estado, como parte de uma estratégia de inclusão económica e fortalecimento da produção local.

Ao anunciar a medida, o Chefe do Estado afirmou que o FDEL representa uma resposta directa às necessidades das comunidades, especialmente nos territórios rurais, onde o acesso ao crédito bancário convencional continua limitado. “Este é um fundo para transformar ideias em negócios, gerar empregos e dinamizar a produção local. Não é ajuda gratuita, é crédito a ser devolvido”, declarou o Presidente, durante um encontro com membros da comunidade, administradores distritais, governadores provinciais e outros dirigentes locais.

Iniciativa visa dinamizar economias distritais e criar emprego sustentável com recursos do Orçamento do Estado

Condições de financiamento e prioridades

Com uma taxa de juro bonificada de 5% e prazos de reembolso entre 12 e 24 meses, o FDEL apoiará projectos nos sectores da agricultura, pescas, turismo, hotelaria, carpintaria, serralharia, comércio e serviços. Cerca de 60% dos recursos serão alocados a iniciativas juvenis, com prioridade para mulheres empreendedoras.

O processo de selecção dos projectos será descentralizado, a cargo de comissões distritais multipartidárias, compostas por representantes da sociedade civil, do sector privado, da academia e líderes comunitários. O Presidente sublinhou que o processo deverá ser transparente e isento, advertindo: “Este não é um fundo para amigos ou compadres, é para quem tem projectos viáveis e compromisso com o desenvolvimento local”.

Como garantia de eficácia e integridade, o Governo anunciou a criação de uma plataforma digital de candidatura e monitoria, que permitirá acompanhar em tempo real a execução dos projectos. O Presidente apelou à fiscalização comunitária, reforçando que o FDEL é um instrumento de governação moderna e participativa. “Quem não cumprir com os prazos de reembolso estará a bloquear o sonho de outros. O fundo deve girar e beneficiar muitos”, frisou.

A capacitação dos comités distritais e dos proponentes será realizada antes da liberação dos primeiros financiamentos, prevista para Setembro, de forma a garantir uma implementação responsável e sustentável. “Queremos começar bem, com responsabilidade, para criar um modelo de sucesso nacional”, observou.

Os administradores distritais terão um papel central na articulação entre o Governo central e os beneficiários, sendo responsáveis pela promoção de resultados mensuráveis e pelo uso eficiente dos recursos. “O FDEL é um teste de liderança local. Exige compromisso, seriedade e prestação de contas”, advertiu o Presidente.

O Chefe do Estado concluiu que o FDEL não é apenas uma iniciativa económica, mas também uma estratégia de valorização dos recursos locais, promoção do empreendedorismo de base e construção de comunidades mais autónomas e resilientes. “O tempo da dependência acabou. A juventude moçambicana quer trabalhar, e o nosso papel é criar as condições”, afirmou.