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Clube de Leitura de Quelimane conquista Prémio Maria das Neves Rebelo de Sousa 2025

Quelimane — O Clube de Leitura de Quelimane (CLQ) foi distinguido com o Prémio Maria das Neves Rebelo de Sousa 2025, galardão atribuído pela Câmara de Comércio Portugal-Moçambique (CCPM) que reconhece iniciativas de destaque na área da responsabilidade social em Moçambique.

Fundado a 20 de Fevereiro de 2022, o CLQ tem-se destacado na promoção da literatura e incentivo à leitura na cidade de Quelimane. As suas actividades incluem sessões públicas de leitura, festivais literários, conversas com escritores, oficinas de escrita criativa e a publicação da Revista Kilimar de Artes e Letras, proporcionando um espaço de divulgação para artistas de diversas áreas.

O prémio, no valor de €7.500, reconhece o impacto do CLQ em Quelimane, especialmente entre crianças e jovens, fomentando o gosto pela leitura e contribuindo para a elevação dos níveis de literacia. Esta distinção sucede a outras honras recebidas pelo clube, como a Menção Honrosa para Figura Cultural do Ano pelo Jornal Notícias em 2022 e a eleição como Figura Cultural do Ano pela Rádio Moçambique em 2023.

Nhachote revisita a inquietação nacional com crónicas de uma era que ainda não passou

Quelimane — O jornalista e analista político Luís Nhachote regressa às lides literárias com o lançamento da sua nova obra, “Do Alto da Colina”, um compêndio de crónicas escritas entre 2003 e 2005, que se propõe a fazer muito mais do que apenas remexer nas gavetas da memória: convoca o passado para iluminar o presente, e quem sabe, baralhar as certezas do futuro.

Com o lançamento agendado para o próximo dia 17 de Abril, na sede da Associação dos Escritores Moçambicanos, em Maputo, o livro é descrito pela editora Gala Gala como um “testemunho exemplar da capacidade da crónica transcender o efémero do quotidiano e inscrever-se na memória colectiva”. A obra, com pouco mais de 300 páginas, emerge como um registo pungente de um período que marcou uma viragem na história recente do país.

Nhachote, cuja pena é conhecida tanto pela subtileza quanto pela acidez, revisita temas que outrora incendiaram a esfera pública e que continuam, de forma inquietante, a assombrar o debate nacional: o julgamento do Caso BCM, as engrenagens subterrâneas do narcotráfico, a nebulosa influência das igrejas nas decisões políticas e sociais, e até o já clássico (e sempre polémico) debate sobre a “morte da literatura” em Moçambique.

O autor, que não se reconhece na etiqueta formal de “escritor”, surge nesta obra como um cronista sensível aos detalhes do seu tempo, atento aos silêncios que gritam mais do que os discursos, e profundamente enraizado nas contradições do seu povo. Entre a ironia fina e a lucidez rara, “Do Alto da Colina” posiciona-se como um exercício de memória crítica e resistência à amnésia colectiva.

Num país onde o arquivo das emoções e dos factos é tantas vezes sabotado pelo ruído do imediatismo, o gesto de Nhachote é, em si, um acto político. Lança o livro, mas o que realmente atira são interrogações. E fá-lo sem levantar a voz — apenas escreve. Como quem sussurra verdades desconfortáveis ao ouvido da história.

O livro estará disponível em livrarias seleccionadas a partir do dia do lançamento. Espera-se que, como as crónicas que lhe deram origem, também esta obra se transforme num espelho onde a sociedade moçambicana possa, mais uma vez, confrontar-se consigo mesma.

A tocha da vergonha nacional

Há coisas que só podem acontecer em Moçambique. Um país à beira do colapso social e económico, com a sua população a morrer à míngua e sem combustível para mover ambulâncias para salvar vidas ou mesmo medicamentos nos hospitais, mas ainda assim há dinheiro , muito dinheiro para carregar um pedaço de metal. Um fogo simbólico que, para todos os efeitos, não aquece a panela de ninguém.

Dizem que é a “Tocha da Unidade Nacional”. Mas como se constrói unidade quando o povo está espalhado entre trincheiras, deslocamentos forçados e filas de gasolina? Que tipo de unidade é esta, onde uns andam com tochas e os outros nem fósforos têm para acender um fogão para alimentar os seus filhos?

O Presidente Daniel Chapo e o seu governo preferem desfilar pelas estradas esburacadas do país com ares de celebração, enquanto em Cabo Delgado a guerra continua, em Sofala há ataques armados, e na Zambézia os naparamas voltaram à ribalta. O Estado, esse que deveria ser protector, aparece apenas para organizar cerimónias, cortar fitas e acender tochas. Mas quando o povo precisa de socorro, responde com silêncio, gás lacrimogéneo e assassinatos milimetricamente planificados.

Num país a viver uma crise severa de combustíveis, com camponeses a arrastar produtos agrícolas às costas, com professores a darem aulas sem salários condignos, membros da propria policia enfileirados nos agiotas  o que justifica gastar milhões de meticais numa parada política mascarada de símbolo nacional?

É uma provocação. Uma bofetada à paciência popular. É mais um episódio de um governo que não tem noção do tempo nem do lugar onde se encontra. Está distraído ou simplesmente não quer saber.

O Presidente Daniel Chapo não herdou apenas a cadeira. Herdou também a responsabilidade de olhar este país com olhos de ver. Mas ao que tudo indica, está mais interessado em alimentar rituais do partido do que resolver os reais problemas da Nação.

A unidade que Moçambique precisa não vem da tocha. Vem da justiça social, da inclusão política e de um governo que tenha vergonha de brincar com a miséria alheia. Até lá, que carreguem a tocha… porque a vergonha, essa, já deixaram cair há muito.

Futebol feminino ganha novo impulso em Quelimane

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Arrancou no último domingo, 7 de Abril, o Torneio de Futebol Recreativo Feminino, uma iniciativa desportiva enquadrada nas actividades promovidas pela autarquia de Quelimane, através da Vereação de Desporto, com o objectivo de fomentar a prática da modalidade entre mulheres e raparigas da urbe.

A partida inaugural, disputada no campo municipal, opôs as formações de 11 Irmãos e Boa Vista, tendo o conjunto da zona da unidade vencido de forma expressiva por 6-0, num jogo que evidenciou superioridade táctica e técnica da equipa vencedora, além de destacar o crescente talento que se vem afirmando no futebol feminino local.

O torneio, de carácter recreativo, visa não apenas reforçar a presença das mulheres no panorama desportivo da cidade, mas também envolver a comunidade em torno do desporto como ferramenta de inclusão, coesão social e bem-estar.

Recorde-se que, nos últimos anos, Quelimane tem sido palco de diversas iniciativas que buscam dinamizar a prática desportiva comunitária, com particular atenção às camadas femininas, frequentemente marginalizadas nos programas competitivos de âmbito nacional.

Assistência Social: 17 Famílias Recebem Apoio em Quelimane

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A pobreza, associada à falta de oportunidades de emprego, tem forçado diversas famílias da cidade de Quelimane a viverem em condições de vulnerabilidade. De acordo com Filomena Cossoma, representante do Gabinete de Assistência Social da esposa do administrador da cidade de Quelimane, 17 famílias receberam apoio, com destaque para  o bairro de Micajune, que apresenta um número elevado de casos envolvendo crianças, idosos.

“Os bairros de intervenção temos primeiro o bairro de Chuabo Dembe, com 2 famílias, uma família no bairro sococo, bairro Micajune com maior número, temos igualmente pessoas a serem assistidas no bairro Icídua. Começamos a prestar assistência desde o ano passado, no mês de junho, e até o momento já ajudamos 17 famílias, com maior impacto nas crianças, que conseguimos reintegrar nas escolas, já que não estavam estudar. igualmente assistimos a família de um idoso de 95 anos, que está em situação de vulnerabilidade devido a problemas de saúde. O idoso vive com cinco netos e, como consequência, as crianças haviam abandonado a escola. Com o apoio dos nossos parceiros, conseguimos reintegrar uma das crianças, que actualmente está a frequentar a 8ª classe”, afirmou Filomena.

Sem revelar datas, a representante informou que o sector que lidera está a organizar um fórum com o objectivo de angariar fundos para ajudar famílias vulneráveis no distrito de Quelimane.

ZAMBÉZIA: 127 Casos de violência contra a mulher foram registados de 2024 até o primeiro trimestre de 2025

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De acordo com Odete Augusto chefe de departamento de Género Criança e Ação Social do Serviço Provincial de Assuntos Sociais da Província da Zambézia alguns casos de violência já têm o segmento.

“Temos alguns casos que já estamos a dar o seguimento. Tivemos casos de violência partindo de mulheres para homens”, disse.

Odete falava hoje na cidade de Quelimane por ocasião das celebrações do dia 7 de Abril, dia da Mulher Moçambicana. Evento orientado pelo governador da província da Zambézia, Pio Matos, seguido de desfiles das mulheres e demonstrações culturais que enaltecem o papel da mulher no país.

Na Zambézia: Mulheres se reúnem para discutir a proteção da rapariga

Dezenas de mulheres da província da Zambézia estarão reunidas amanhã (05 de Abril) para participar de um debate sobre a proteção da rapariga. O evento acontecerá no pavilhão da Escola Secundária Amor de Deus, em Quelimane, e faz parte das actividades programadas pelo Gabinete da Esposa do Governador da Zambézia, referentes ao mês de Abril.

O xeque-mate de Venâncio Mondlane

O Venâncio Mondlane e a sua equipe formalizaram a constituição do Anamalala hoje, acrônimo da Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autônomo. “Anamalala” quer dizer qualquer coisa como “acabou” ou “basta”; se quisermos puxar um pouco a corda, poderíamos traduzir como “chega!”.

Um golpe de mestre. “Anamalala” é falado e entendido pela maioria do povo moçambicano. Segundo dados oficiais do Estado, a língua macua é a mais falada do país e, por consequência, Nampula é a província mais populosa. O que parecia apenas um slogan de combate durante a campanha eleitoral e que constituiu a espinha dorsal da unidade nacional entre o Norte e o Centro tornou-se, agora, o emblema de um novo movimento político. “Anamalala” é entendido sem dificuldades nas duas regiões que concentram a maior parte da população moçambicana e onde Venâncio “governa” sem deter o poder do Estado.

Ainda mais impressionante é a estratégia política ao escolher o primeiro dia da reunião magna do Comitê Central da Frelimo para submeter os documentos oficiais da nova formação política. Num xadrez onde cada movimento carrega simbolismo e impacto, essa jogada não pode ser vista como mera coincidência. Trata-se de um desafio directo, um contraponto às elites dominantes e um recado claro de que o tabuleiro político não será mais o mesmo.

Se a Frelimo se via como a única dona do discurso de unidade nacional, agora precisa lidar com um movimento que soube interpretar e canalizar o sentimento popular. O Anamalala nasce com uma identidade linguisticamente enraizada e politicamente aguerrida. Seu crescimento e aceitação são questões de tempo e de estratégia. No jogo da política moçambicana, Venâncio Mondlane acaba de fazer xeque-mate antes mesmo da partida começar.

Venâncio Mondlane formaliza novo partido político “Anamalala”

O ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane avançou oficialmente com a constituição do seu próprio partido político, a Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamalala). A nova força política surge na sequência de divergências internas no Podemos, partido que apoiou a sua candidatura nas eleições gerais de 2024.

O pedido formal de legalização do partido foi entregue esta quarta-feira ao Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, em Maputo, pela equipa de Mondlane. A sigla, Anamalala, tem origem na língua macua e significa “vai acabar” ou “acabou”, um termo que se tornou um grito de mobilização durante a campanha eleitoral e os protestos que se seguiram ao pleito de 09 de outubro, marcados por acusações de fraude e irregularidades.

“Tem um prazo legal que é o mínimo de 30 dias, máximo de 60, e esperamos que possamos voltar a convidar a imprensa para anunciar que o partido já está autorizado pelas entidades públicas para fazer o seu trabalho”, declarou Dinis Tivane, assessor político de Venâncio Mondlane, à saída do Ministério.

O nascimento do Anamalala promete reconfigurar o xadrez político nacional, introduzindo uma nova dinâmica de oposição e reafirmando o protagonismo de Mondlane, que tem sido uma das figuras mais vocais contra o regime vigente. O ex-candidato tem reiterado a sua posição contra o que chama de “sistema de manipulação eleitoral” e defende um Moçambique mais transparente e descentralizado.

O próximo passo será a angariação de assinaturas necessárias para a oficialização do partido, bem como a estruturação das bases a nível nacional. Mondlane ainda não revelou se concorrerá diretamente nas próximas eleições, mas analistas apontam que a sua intenção será manter a presença no cenário político moçambicano com um discurso reformista e contestatário.

O futuro do Anamalala dependerá agora da sua capacidade de mobilização e estruturação, num contexto onde a oposição enfrenta desafios crescentes para consolidar-se como alternativa viável ao poder estabelecido.

FRELIMO NA MATOLA: PR diz que as manifestações estão numa agenda preparada para desestabilizar o país e estrangular a economia.

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Em meio a vários protestos no país, o comité central do partido Frelimo realiza a IV sessão ordinária que servirá igualmente para refletir e traçar estratégias para as próximas eleições.

“vamos fazer uma reflexão profunda sobre as eleições de 9 de Outubro, mas igualmente prepara as nossas victórias de 2028 e 2029”, disse Daniel Chapo, presidente da República.

A sessão decorre entre os dias 3 a 5 de Abril de 2025 e dentre vários pontos, pretende-se apreciar o plano de actividade e orçamento do partido para o ano em curso.

“um ano em que somos chamados a fortalecer o trabalho político visando reconstruir o tecido social e as infraestruturas destruídas pelas manifestações” realçou.