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Manuel Soares assume presidência interina do Conselho de Administração do Moza Banco

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O Moza Banco reforça a aposta na continuidade e coesão estratégica ao nomear, por unanimidade, o seu actual CEO, Manuel Soares, como Presidente interino do Conselho de Administração (PCA). A deliberação foi tomada durante a Assembleia Geral Ordinária realizada na passada terça-feira, 29 de Abril de 2025, tendo o novo modelo de liderança entrado em vigor no dia seguinte.

Com esta decisão, Soares passa a acumular os dois principais cargos executivos do banco – uma concentração de poderes que, embora transitória, reflecte um sinal claro de confiança dos accionistas na sua liderança. A sucessão ocorre após o fim do mandato de João Figueiredo, que ocupava o cargo de PCA desde 2016 e que cessou oficialmente funções na mesma reunião magna.

Trajectória sólida e perfil técnico de peso

Manuel Soares é um nome respeitado no sector financeiro moçambicano, com quase três décadas de carreira. Começou como auditor financeiro e rapidamente ascendeu a cargos de liderança em áreas críticas como Finanças, Tesouraria, Gestão de Riscos e Planeamento Estratégico. Antes de ingressar no Moza, desempenhou funções como CFO, com um portefólio que incluía logística, procurement, controlo financeiro e definição de estratégias de crescimento.

Desde 2021, lidera a Comissão Executiva do Moza Banco, onde tem sido o rosto de uma estratégia marcada por inovação, disciplina operacional e aposta no cliente como eixo central do negócio. A sua gestão é amplamente creditada por ter consolidado a solidez financeira da instituição e impulsionado o seu crescimento sustentável.

Compromisso com o desenvolvimento económico nacional

Reagindo à nomeação, Manuel Soares declarou que este novo desafio “representa uma oportunidade para renovar o compromisso de servir com excelência, inovação e integridade”. Numa nota clara sobre o papel social da banca, sublinhou ainda que “cada decisão que tomarmos, cada produto que criarmos, terá um único objectivo – melhorar a vida dos moçambicanos e impulsionar o desenvolvimento económico do nosso país”.

Esta visão de impacto social, ancorada nos valores do banco — Ambição, Resiliência, Integridade e Colaboração — tem sido uma das marcas da sua liderança, e segundo fontes internas do banco, foi determinante para garantir o apoio unânime dos accionistas.

Um banco em fase de afirmação

A nomeação de Manuel Soares como PCA interino acontece num momento-chave para o Moza Banco, que tem vindo a consolidar-se como uma das instituições financeiras mais resilientes do mercado moçambicano. Nos últimos anos, o banco tem intensificado a sua presença junto de pequenas e médias empresas, apostado na digitalização de serviços e reforçado a sua carteira de clientes no segmento de retalho.

O futuro próximo do Moza dependerá, em larga medida, da capacidade da liderança de manter o ritmo de modernização, consolidar a confiança dos investidores e responder com eficácia aos desafios do sistema bancário nacional, num contexto económico ainda volátil.

A acumulação de funções por parte de Soares deverá vigorar até nova deliberação dos accionistas, podendo o cargo de PCA vir a ser ocupado de forma definitiva por ele ou outro nome indicado pela estrutura societária.

 

Tribunal impõe candidatura e abre guerra na CTA

CTA contesta decisões “arbitrárias” e fala em violação da legalidade e do contraditório

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) está mergulhada numa crise institucional e jurídica que ameaça implodir a credibilidade da agremiação e manchar o processo eleitoral em curso para os seus órgãos sociais. No centro da discórdia está a candidatura da Câmara de Comércio de Moçambique (CCM), liderada por Álvaro Massingue, cuja admissibilidade foi imposta por despacho judicial, sem que a CTA fosse previamente ouvida.

A CTA decidiu afastar Álvaro Massinga da corrida eleitoral para a presidência da agremiação, através de um processo disciplinar onde acusa o presidente da  Câmara de Comércio de Moçambique de tentar manipular a sua eleição através de suborno e compra de consciência dos associados, entre outras várias infracções. A medida aplica-se a Câmara de Comércio de Moçambique. A CCM recorreu ao Tribunal Judicial do Distrito Municipal de Kampfumo para impugnar aquela decisão.

No dia 23 de Abril, o tribunal proferiu um primeiro despacho, suspendendo as sanções aplicadas. Quatro dias depois, a 29 de Abril, o mesmo tribunal notificou a CTA de um novo despacho, alterando os termos da decisão inicial. E, num terceiro acto, a 30 de Abril, substituiu-se formalmente à Comissão Eleitoral da CTA, admitindo – com efeitos imediatos e provisórios – a candidatura da CCM aos órgãos sociais da confederação.

As três decisões foram emitidas sem que a CTA fosse ouvida, o que, segundo um comunicado da instituição, configura uma “violação grosseira do princípio do contraditório” e questiona sobre a imparcialidade do processo. A agremiação considera que o tribunal excedeu os limites do pedido formulado pela CCM, agindo fora do escopo legal permitido.

“A anormalidade da expedição destas decisões, sem que à CTA tivesse sido concedida oportunidade de defesa, coloca em causa o sacrossanto princípio do contraditório”, denuncia a CTA, acrescentando que tais actos violam a segurança jurídica e a previsibilidade que devem pautar os actos do Estado.

O comunicado acusa ainda o tribunal de ter ido além dos pedidos da parte requerente, ao ponto de se substituir à Comissão Eleitoral da CTA – um órgão independente e regulado pelos estatutos da instituição. A direcção da CTA já intentou acções judiciais com vista à reposição da legalidade e do respeito pelas normas internas da organização.

Fontes próximas do processo dizem que esta situação pode incendiar ainda mais as tensões internas dentro da CTA, num momento em que se prepara a renovação da sua direcção.

Chapo inaugura nova delegação do INATRO em Maputo

O Presidente da República, Daniel Chapo, inaugurou nesta sexta-feira (2) a nova Delegação do Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO), em Maputo. O edifício, imponente e moderno, com três pisos e uma área total de 10 mil metros quadrados, é apresentado como símbolo de um novo tempo na prestação de serviços públicos ligados ao sector rodoviário. Mas a inauguração acontece num momento em que os acidentes de viação sobem em número e gravidade, e o cidadão comum mantém a velha sensação de abandono e desordem nas estradas e balcões do Estado.

Num discurso cuidadosamente calibrado, Daniel Chapo declarou que o novo edifício é reflexo de um “esforço colectivo na prestação de serviços públicos cada vez melhores e próximos ao cidadão moçambicano”. A afirmação surge perante um cenário em que o próprio Chefe de Estado admite o que os utentes do INATRO já conhecem bem, longas filas, processos obscuros, atendimento deficiente e uma burocracia que, por vezes, parece desenhada para humilhar.

“O sector tem conhecido profundas reformas”, disse o Presidente, referindo-se à criação do INATRO em 2021, na sequência da extinção do antigo INATTER. Mas logo reconheceu que a transformação estrutural ainda não chegou ao rosto do cidadão. “Preocupa-nos ainda o facto de continuarmos a ter significativa intervenção e influência humana nos processos”, afirmou, apontando para a digitalização como antídoto à corrupção enraizada e à morosidade que emperra os serviços.

A denúncia do Presidente vai ao encontro do que já se tornou senso comum por detrás de cada carta de condução obtida, por vezes, há mais esquemas que exames; por detrás de cada matrícula, há mais jeitos que justiça. A modernização de edifícios e equipamentos, por mais necessária que seja, pouco resolverá se os vícios forem simplesmente realojados nas instalações novas.

A cerimónia de inauguração teve também o peso sombrio dos números da tragédia rodoviária, em 2024, o país registou 687 acidentes de viação,um crescimento de 3% em relação a 2023 que resultaram em 825 mortos, mais 9% que no ano anterior. Só entre Janeiro e Março de 2025, seis acidentes de grande magnitude mataram 61 pessoas. O Chefe de Estado preocupado, lamentou os dados e revelou ter instruído o Sector dos Transportes a elaborar um novo Plano de Acção de Segurança Rodoviária.

Chapo tentou antecipar o cepticismo ao afirmar que “planos e reformas legais não bastam”. E, com razão, defendeu acções integradas e uma aposta firme na educação cívica e na fiscalização eficaz, sobretudo nas zonas críticas. O discurso, apesar de alinhado, não tocou nas estradas esburacadas do país.

O novo edifício do INATRO, agora funcional, inclui serviços integrados como exames de condução, captação de dados biométricos, emissão de cartas, matrículas e pagamento de multas. Uma centralização promissora, que pode reduzir a peregrinação dos utentes entre balcões espalhados pela cidade. “É nossa expectativa ver melhorias na resposta à demanda dos utentes”, declarou o Presidente.

No encerramento da cerimónia, Chapo apelou à preservação do edifício: “Este é um património construído pelos moçambicanos, através dos seus impostos, que deve servir aos moçambicanos por muitos anos”.

Resultado Bruto do Moza Banco atinge 1,2 mil milhões de Meticais em 2024

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O Moza Banco reforçou a sua posição entre as instituições financeiras mais resilientes e dinâmicas do país ao atingir, em 2024, um resultado operacional de 1.178 milhões de meticais, evidenciando a consistência da performance operacional do Banco, que tem vindo a consolidar uma rota de crescimento médio anual de 20,4% nos últimos cinco anos.

Trata-se de um desempenho que reflecte a resiliência do Banco num ano marcado por desafios conjunturais, incluindo a manutenção das reservas obrigatórias e um período prolongado de instabilidade económica e social.

O Banco destacou-se pelo crescimento de 16%, correspondentes a 6,8 mil milhões de meticais do volume de depósitos, e pela expansão da sua base de clientes para 261.864, um aumento na ordem dos 8%. A solidez financeira do Moza Banco foi também reforçada pela concessão de 3,8 mil milhões de meticais em crédito a famílias e empresas, reafirmando o seu compromisso com o financiamento à economia moçambicana.

A aposta na transformação digital também registou avanços significativos, com um crescimento de 33,3% no volume de transacções digitais e a entrada de 182.000 novos utilizadores, um aumento de 7,6%.

Os activos totais cresceram em 9%, atingindo 5,8 mil milhões de meticais, enquanto o rácio de NPL (indicador em linha com a European Banking Authority) melhorou para 11,79%, uma redução de 1,76 pontos percentuais. O rácio de transformação global fixou-se em 45,4%, com uma melhoria de 9,5 pontos percentuais, reflectindo uma gestão eficiente e alinhada com as melhores práticas internacionais.

Durante o ano de 2024, o Moza Banco reafirmou-se como o 5º maior banco do país, com quotas de 6,39% em activos e crédito e 6,69% em depósitos, e foi reconhecido pelo terceiro ano consecutivo como uma das melhores instituições para trabalhar em Moçambique. A sua estratégia assenta na modernização digital, sustentabilidade e na consolidação da confiança dos stakeholders, guiada pelos valores de Ambição, Resiliência, Integridade e Colaboração.

Apesar do crescimento significativo nos resultados operacionais registado ao longo do ano, o Banco adoptou uma abordagem prudente e responsável, reforçando de forma substancial as imparidades. Como resultado, o exercício de 2024 fechou com um resultado líquido negativo de -103,8 milhões de meticais, situando-se muito próximo do breakeven, não fossem os impactos extraordinários e exógenos que marcaram o período. Ainda assim, os indicadores de solvabilidade e liquidez mantêm-se robustos, com um rácio de solvabilidade de 15,81% e um rácio de liquidez de 37,14%, ambos acima dos mínimos regulatórios.

Em 2025 o Moza Banco apresenta uma significativa melhoria em comparação com o desempenho observado durante o ano passado. Nos primeiros três meses do ano, o Banco registou um resultado líquido positivo de 4 milhões de meticais, significando uma melhoria em 51,6 milhões de meticais, face ao período homologo de 2024. O Banco melhorou igualmente os indicadores de Liquidez (43,23%) e manteve o rácio de solvabilidade acima dos limites regulamentares. Continuou, igualmente, a produzir crédito durante o primeiro trimestre deste ano, tendo disponibilizado às famílias moçambicanas e sobretudo aos investidores um total de 463,8 milhões de meticais em crédito para a dinamização da economia nacional.

De acordo com o Presidente da Comissão Executiva do Moza, Manuel Soares estamos a construir um caminho de crescimento sustentável, com foco na satisfação dos nossos clientes e na eficiência operacional. Os resultados positivos demonstram a nossa capacidade de adaptação e a força do nosso modelo de negócio, mesmo em cenários complexos.destacou.

O Moza Banco continua a afirmar-se como um parceiro estratégico para o desenvolvimento económico do país, com uma estrutura accionista maioritariamente nacional e uma oferta diversificada de soluções financeiras para todos os segmentos. A confiança dos clientes e parceiros, aliada à gestão disciplinada e visão estratégica, continua a impulsionar o Moza Banco para uma nova etapa de crescimento sustentável, consolidando o seu lugar entre as instituições financeiras mais relevantes de Moçambique.

Zambézia: A Província que a Frelimo esqueceu!

O colapso do investimento do Millennium Challenge Corporation (MCC) expõe décadas de negligência e fragilidades estruturais na segunda província mais populosa de Moçambique. Oportunidades perdidas, planos engavetados e o custo do atraso é o retrato de uma Zambézia deixada para trás.

A confirmação do cancelamento do investimento de mais de 500 milhões de dólares norte-americanos pelo Millennium Challenge Corporation (MCC) em Moçambique caiu como uma bomba sobre a esperança de reabilitação socioeconómica da província da Zambézia. A decisão é da administração  Trump motivada por reformas que abalam a estrutura do Mundo como conhecemos, e representa mais do que uma oportunidade perdida, é mais uma condenação tácita  numa das províncias mais estratégicas do país à estagnação.

Uma província rica, um povo pobre

A Zambézia, com os seus cerca de 5 milhões de habitantes, é a segunda província mais populosa de Moçambique. O seu solo fértil sustenta vastas plantações de arroz, algodão, coco e chá, para além de uma produção invejavel de hortícolas e piscicultura. Ainda assim, a província permanece no pódio da pobreza nacional. De acordo com o Relatório de Indicadores de Bem-Estar e Pobreza (INCAF, 2023), 67,9% da população da Zambézia vive abaixo da linha da pobreza.

Contribuindo com cerca de 9,2% para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE, 2022), a província está aquém do seu verdadeiro potencial. Esta disparidade entre capacidade produtiva e retorno económico directo é, em parte, reflexo do centralismo político, mas também da paralisia deliberada de infraestruturas económicas deixadas pela era colonial.

As empresas magestáticas da era colonial, como a CETA, BOROR, SONIL, MOCAMBIQUE TEA ESTATES, ZACOP, entre outras, foram nos anos 1980 e 1990 encerradas, desmanteladas ou convertidas em ruínas. As razões oficiais variaram entre falências, privatizações mal conduzidas e guerras. Conquanto, análises independentes e testemunhos locais apontam para uma estratégia política de esvaziamento económico da Zambézia, em favor de outras regiões com maior influência dentro da hierarquia do partido no poder.

“A Zambézia foi neutralizada economicamente como forma de travar o seu ímpeto político”, comenta um académico da Universidade Licungo ao Jornal Txopela. Ele lembra que a província foi bastião da oposição nos anos 1990 e 2000, e que muitos projectos de desenvolvimento foram travados ou redireccionados após as vitórias eleitorais da Renamo.

O Compacto II do MCC previa um investimento estratégico em infraestruturas rurais e urbanas, nomeadamente na reabilitação de estradas, sistemas de irrigação, abastecimento de água e fortalecimento da resiliência climática, com enfoque nas províncias da Zambézia e Nampula. Este investimento tinha o potencial de acelerar significativamente o desenvolvimento económico local.

Com base nos cenários delineados nos relatórios técnicos do próprio MCC (2022), estimava-se que a implementação dos projectos elevaria o rendimento médio per capita em até 20% nas áreas de intervenção directa e reduziria o tempo de escoamento de produtos agrícolas em 45%. Um estudo de viabilidade elaborado pela consultora Dalberg, publicado em 2021, previa que, caso os investimentos fossem mantidos, a Zambézia poderia alcançar um nível médio de desenvolvimento infraestrutural comparável ao da província de Maputo em 15 anos.

A interrupção do projecto significa, em termos práticos, um atraso de pelo menos uma década na recuperação do potencial da província. Especialistas em planeamento económico estimam que Moçambique terá agora de investir, por conta própria, o equivalente a 1,5 mil milhões de dólares para compensar as obras e projectos que seriam financiados pelo MCC — uma meta praticamente impossível diante do actual défice orçamental do país.

Quem perde com isso?

A resposta é curta: todos. Mas principalmente os produtores rurais, as mulheres e jovens que dependem de pequenos negócios informais, e os municípios que precisam desesperadamente de infraestruturas básicas. Em Quelimane, por exemplo, o projecto previa a reabilitação de estradas terciárias e o reforço do sistema de drenagem urbana para mitigar os efeitos das cheias — obras importantes num contexto de vulnerabilidade ambiental crescente.

Em Mocuba, estava prevista a construção de uma barragem de pequena escala para irrigação agrícola e o abastecimento de água. A sua não execução deixará 18 mil camponeses sem acesso a uma infraestrutura que poderia transformar a produtividade local e reduzir a insegurança alimentar.

O Governo central em Maputo reagiu com silêncio cauteloso à decisão do MCC. O porta-voz do Conselho de Ministros limitou-se a lamentar a “decisão unilateral”, sem assumir qualquer responsabilidade. Para a oposição e a sociedade civil zambeziana, no entanto, o colapso do investimento é o mais recente capítulo de uma série de actos de negligência sistemática.

“Este é o resultado de uma elite política que governa a partir do sul para o sul, ignorando que Moçambique é maior do que Maputo”, afirma Fortunato Arcangelo, activista social e coordenador de um movimento juvenil em Inhassunge no extremo sul da Zambézia.

Da parte dos partidos da oposição ainda não há um pedido de explicações públicas sobre o fracasso diplomático, ou a exigência e responsabilização do Governo por não ter negociado melhor esta oportunidade histórica de desenvolvimento regional.

Economistas ouvidos pelo Txopela estimam que, com o atraso gerado pela perda deste investimento, a Zambézia poderá milhões de dólares em produção agrícola não escoada nos próximos cinco anos. Outro detalhe se prende com  o índice de migração interna — jovens que vão abandonar a província em busca de oportunidades em outras regiões ou no estrangeiro — vai crescer, com implicações severas para o desenvolvimento humano local.

Se o Estado moçambicano continuar a marginalizar economicamente províncias com elevado potencial produtivo, o fosso entre regiões continuará a agravar-se. E com ele, o ressentimento político e social, acreditam.

 

 

O que resta à Zambézia?

Resta resistir. Reinventar-se, como sempre fez. Mas a resiliência tem limites. Uma província com os recursos da Zambézia não pode continuar a ser tratada como uma nota de rodapé nos planos nacionais. A não concretização do investimento do MCC deve servir como um alerta: sem descentralização efectiva, transparência e inclusão territorial, Moçambique continuará a desperdiçar as suas maiores riquezas — que não estão nas minas de rubis, mas nas terras férteis e nos rostos cansados do campo zambeziano.

Quelimane: Quatro barracas consumidas pelo fogo na Avenida Marginal

Na madrugada desta sexta-feira, um incêndio deflagrou no terminal informal da Avenida Marginal, local de venda de comes e bebes em Quelimane, consumindo quatro barracas comerciais.

O fogo terá começado por volta das três horas, segundo relatos locais, e alastrou-se rapidamente pelas estruturas de madeira e zinco.Duas das barracas foram completamente destruídas. As outras duas apresentam danos severos e encontram-se inoperacionais.

A hipótese de um curto-circuito foi levantada informalmente no local, mas carece de confirmação técnica. A

A área onde ocorreu o incêndio é um dos pontos mais caóticos da cidade em termos de actividade comercial informal. Cresceu sem planificação, à margem da legislação urbanística, e tornou-se um centro nevrálgico da economia popular.

O incêndio reabre um dossiê antigo: o da negligência institucional perante o crescimento desordenado das cidades. Apesar de alertas recorrentes da imprensa local e da Procuradoria não há memória de uma intervenção sistemática do município de Quelimane.

O sucessor da cadeira de Pedro

Aceitam-se apostas para o futuro Papa

 Não sou, desde já que fique claro, um jornalista vaticanista, como a minha ex-colega da Rádio Renascença, a Emissora Católica Portuguesa, Aura Miguel que, e desde 1985, é editora dos assuntos religiosos dessa Estação.

  Mas, como me perfilo como cristão, sendo pecador, como todos os outros, acreditando no Cristo salvífico e redentor, sigo e estou atento, na medida das minhas possibilidades, ao pulsar da vida na e da Igreja.

  A morte de Francisco promove, dentro do Vaticano, um Conclave, como é tradicional em semelhantes casos, que reúne Cardeais para eleger o novo Papa.

  Sem profetizar, até porque não pertenço a essa linhagem de pessoas que Deus escolheu para espalharem a sua Mensagem, tento-me, porque humano, a deixar pistas sobre quem reúne condições ou perfil, segundo os especialistas, para ser elegível, sabendo à partida que tudo poderá ficar furado ou completamente ao contrário do que vos vou apresentar. Aliás, bem posso admitir que se trata de um “banco de ensaios” de apostas sobre a matéria. Tudo, como sabemos, na vida é falível. O Espírito Santo derramará a sua luz sobre os participantes, sendo um mentor das consciências dos presentes – quero crer e acreditar.

  Petro Parolin, que era Secretário de Estado do Vaticano, reunindo os cargos de 1.o Ministro e de Chefe da Diplomacia (Ministro dos Negócios Estrangeiros) é apontado, até por causa da sua experiência e, também, por ter lidado de perto com Francisco.

  Matteo Zuppi, Arcebispo de Bolonha e Presidente da Conferência Episcopal Italiana, tem uma forte ligação à Comunidade de Santo Egídio a que, como é consabido, aprontou a Paz, depois da guerra civil que afrontou Moçambique, desde 1977 a 1992. Tem o pé rapado, como se costuma dizer, para o lugar..

  Luis Antonio Tagle é Cardeal filipino é considerado o “Francisco asiático”. Um sucessor de continuidade. Progressista de ideias.

  Peter Erdo é Arcebispo de Budapeste, bastante conservador o que iria fechar algumas portas – dizem – abertas por Francisco.

  Há outros, como dois africanos, um da Guiné e outro da República do Congo, respectivamente, Robert Satah e Fridolin Besungu. São hipóteses a não descartar, mas num Mundo em mudança, já carrilado pelas novas tecnologias, pelo digital e a entrar na Inteligência Artificial, é improvável que possam ser escolhidos porque o Continente donde são oriundos está longe, ainda, de ter calço e caminho nessas profundas modernidades que estão a materializar mais o Mundo. Não é o preconceito que me guia para o dizer, mas é a realidade da vida que me indica esta minha intuição. Poderei enganar-me… Aliás, como o referi o Espírito Santo faz das suas. O Conclave vai começar a 7. Talvez lá para o final dessa semana ou antes de 13 de Maio, dia da Senhora de Fátima, já o Conclave tenha seleccionado o sucessor à cadeira de Pedro. Qualquer personalidade da Igreja Católica apurada, por votos secretos, que seja portador da Palavra e da Mensagem esclarecedora de Deus. Uma e outra, impregnada da Esperança num Mundo melhor e na pregação da Dignidade Humana, alicerçada pela justiça social e, também, pelo Amor entre todos, única forma de nos respeitarmos, tolerarmos, aceitarmos e construirmos pontes de diálogos e de convergência para Paz e para a Tolerância. A. Barreiros, jornalista

Zambézia: OTM defende salário mínimo de 40 mil meticais para garantir o sustento digno dos trabalhadores.

O secretário  executivo  provincial da  Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical  (OTM-CS), na província da Zambézia, Caetano Galhardo, declarou esta quarta-feira, durante a celebração do 1º de Maio, que os actuais salários mínimos em Moçambique estão muito além das necessidades reais das famílias moçambicanas, agravando o sofrimento num contexto de crise política e económica.

Segundo  Galhardo,  para  que  um  salário mínimo seja minimamente digno e permita às famílias suprirem as suas necessidades básicas, este deveria situar-se entre 40 a 42 mil meticais mensais, valor considerado realista face ao escalar do custo de vida.

“Realizamos esta efeméride  num  momento em que o país atravessa uma profunda crise política, com um custo de vida sufocante, estradas em estado lastimável e condições que limitam o crescimento económico, sobretudo aqui na Zambézia”, lamentou.

De acordo com o dirigente sindical, apesar das medidas anunciadas pelo Governo central, como a prorrogação da isenção do Imposto do Valor Acrescentado (IVA) em produtos essenciais até 31 de Dezembro de 2025, os preços continuam a subir nos mercados locais. A localização geográfica da província, aliada às más vias de acesso, dificulta a circulação de bens, elevando os custos para os consumidores finais.

Num tom mais grave, Galhardo apontou a corrupção como um dos principais entraves ao desenvolvimento local, salientando que só no primeiro semestre deste ano, a Zambézia registo de 300 casos de corrupção.

Discurso oficial com tom conciliador

Por sua vez, o governador da província, Pio Matos, reconheceu a importância da data e saudou os trabalhadores pelo seu papel na construção do país. Num discurso que evitou tocar nos pontos mais críticos levantados pelo sindicalista, o governante apelou ao reforço da produtividade e à colaboração entre trabalhadores e empregadores.

“Hoje celebramos todos os trabalhadores. O lema deste ano é de combate e continuidade. A luta não deve ser só entre trabalhadores e empregadores, mas também dentro de cada um de nós, para melhorarmos a produção e a produtividade”, disse, com um apelo explícito à disciplina laboral.

 

Estudantes do Instituto 1º de Maio clamam por reabilitação e retorno dos cursos suspensos

 

No Dia Internacional do Trabalhador, celebrado a 1 de Maio, os estudantes do Instituto Industrial e Comercial 1º de Maio, em Quelimane, voltaram a erguer a voz, pedindo com urgência a reabilitação da sua escola, fortemente afectada pelo Ciclone Tropical Freddy, em Março de 2023.  A degradação da infraestrutura levou à suspensão de vários cursos, incluindo o de Mecânica, agravando ainda mais o cenário de desemprego juvenil na província da Zambézia.

“A degradação do edifício impede o normal funcionamento da instituição.  Sem  aulas,  muitos de  nós estão a perder oportunidades de formação”, lamentou uma estudante.

Com o telhado  parcialmente  destruído  e 22 salas de aula inoperacionais, o instituto transformou-se num retrato de abandono. A imagem da escola, localizada em pleno centro de Quelimane, contrasta com a sua história como referência na formação técnica e profissional.

Em resposta, uma representante do conselho autárquico de Quelimane reconheceu o problema e revelou que, em 2024, durante celebrações semelhantes, foi angariado um total de 7 mil meticais para apoiar na reconstrução do edifício. Disse mais, o município  reforçou as contribuições com valor de 10 mil meticais.  No entanto, o montante ainda é insuficiente para cobrir os custos da reconstrução total.

CTA: O trono invisível do poder económico e político em Moçambique

Há muito que a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) deixou de ser apenas um fórum de empresários para se transformar numa das trincheiras mais férteis de poder e influência no país. A corrida à presidência da CTA, hoje marcada por escândalos de suborno, guerras de bastidores e manobras kafkianas, revela que o cargo deixou de ser meramente representativo. Ele é, na verdade, um atalho para o centro do sistema económico, político e até partidário.

Nos últimos dias, relactos de que candidatos terão desembolsado milhões de meticais em “amortizações de dívidas” a associações para obter apoio eleitoral, apenas reforçam uma suspeita antiga, de que o que está em disputa não é a defesa dos interesses empresariais, mas o controle de um instrumento estratégico de influência e enriquecimento. E se há dúvidas, basta seguir o trilho dos que por lá passaram.

CTA: mais do que uma confederação, um balcão privilegiado

Formalmente, a CTA é a “voz do sector privado” no diálogo com o Governo. Mas na prática, é muito mais. O seu presidente participa de encontros com ministros, chefes de Estado, missões diplomáticas e agências de financiamento internacional. A cadeira da CTA não só oferece visibilidade pública como abre portas para moldar leis, interferir em reformas económicas e, claro, influenciar adjudicações e concessões.

Num país onde o empresariado está perigosamente entrelaçado com a elite política, presidir à CTA é ter acesso a informações privilegiadas e oportunidades de negócio antes mesmo de estas chegarem à praça pública. É ser a primeira linha nos contactos com a Frelimo, com o Executivo, com investidores estrangeiros e instituições multilaterais.

Os ganhos que não vêm no papel

Há um padrão recorrente, os presidentes da CTA não saem pobres do cargo. Pelo contrário. Alguns multiplicam empresas, outros ganham nomeações em fóruns regionais e internacionais. Veja-se Rogério Manuel, homem forte do sector de transportes, que na CTA montou a Federação dos Transportadores Rodoviários e, ao sair, consolidava investimentos na aviação. No seu funeral, esteve presente o Presidente da República – não como amigo, mas como reconhecimento institucional de quem soube jogar nas duas arenas: negócios e política.

Agostinho Vuma, engenheiro e empresário da construção, é outro exemplo. Enquanto presidia a CTA, ascendia também à presidência do Conselho Empresarial da SADC, uma plataforma com influência além-fronteiras. Coincidência? Não. O cargo serve como catapulta para cargos ainda mais lucrativos e redes de contactos que, num país de economia concentrada, valem mais do que qualquer linha de crédito.

O que vemos nesta eleição, onde se fala de subornos a mais de trinta associações e pagamentos que rondam os quatro milhões de meticais é basicamente a materialização do que a CTA se tornou, um ninho de oportunidades, onde quem controla a cadeira controla o jogo.

Mais do que gerir uma instituição, o presidente da CTA torna-se o intermediário privilegiado entre o poder político e os grandes negócios, podendo influenciar concursos públicos, definir os rumos do ambiente de negócios, e garantir apoios internacionais para projectos que, por vezes, se confundem com os seus.

É este o “pote de mel” que atrai empresários sérios, oportunistas, figuras do sistema e até operadores políticos disfarçados de empreendedores. Quem controlar a CTA poderá, a médio prazo, usar o capital simbólico do cargo para ingressar no Governo, influenciar a política económica ou até alimentar futuras candidaturas. E não é exagero. Basta olhar para os círculos da Frelimo: há ali vários ex-dirigentes empresariais que saíram da CTA para gabinetes ministeriais ou conselhos de administração.

Ao invés de ser uma organização ao serviço do sector empresarial moçambicano, a CTA é hoje um campo de batalha de elites económicas alinhadas com interesses partidários e privados. A linha entre empresário e político está borrada. A corrida à presidência da CTA já não se decide apenas nos votos das associações, decide-se nas salas escuras onde se negociam perdões de dívidas, promessas de contractos, e alianças com figurões do sistema.

Se queremos preservar o sector privado como um espaço de autonomia e desenvolvimento económico, é urgente repensar o modelo de governança da CTA, blindando-a contra capturas, clientelismo e instrumentalização política. Porque do jeito que está, a CTA serve menos ao país e mais aos seus presidentes.