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MISA e Sindicato de Jornalistas de mãos dadas em Quelimane em prol da defesa dos comunicadores

O Núcleo Provincial do MISA Moçambique – Capítulo Nacional do Instituto de Comunicação Social da África Austral e o sindicato provincial  de  jornalistas  realizaram  ontem (6) de Maio um workshop de reflexão sobre os diversos perigos enfrentados pela classe jornalística. O ponto fulcral da reflexão foi sobre a violência contra jornalistas nos momentos das manifestações pós-eleitorais e dos dirigentes que se sentem

Para Zito Ossumane, presidente do núcleo provincial do MISA “são cerca de 6 casos de violência e o último caso o julgamento estava agendado para o dia 21 do mês passado, mas infelizmente a parte ofendida desistiu do processo”.

No entender de Ossumane, desistências de casos enfraquecem todo o esforço levado a cabo pela organização que representa em parceria com o sindicato de jornalistas na província da Zambézia. incomodados com a presença dos profissionais de comunicação.

Outro ponto levantado foi relacionado ao assedio das mulheres que exercem a actividdade jornalística, culminando muitas vezes com desistências das mesmas.

Procuradoria e EDM tiram pão das barraqueiras

As detentoras  das  barracas  criadas  na época  do carnaval na cidade de Quelimane, entraram em alvoroço na passada segunda-feira (5) de Maio de 2025 por conta da retirada da energia eléctrica pela Electricidade de Moçambique ( EDM) sob a ordem da procuradoria provincial.

As barraqueiras em  causa  foram  autorizadas  pelo  conselho autárquico, instituição jurídica – administrativa da cidade de Quelimane.

Ao serem surpreendidas com corte de corrente eléctrica, as mesmas amotinaram-se frente ao escritório da EDM para exigir a reposição da energia.

Em declaração ao Jornal Txopela, aquelas senhoras falaram das necessidades que existem para manter as barracas, a sustentabilidade familiar e de pagamento de vários estabelecimentos de ensino para seus filhos.

Para evita controvérsias o conselho autárquico emitiu um edital que visa encerrar as barracas num prazo de 15 dais.

Mais detalhes no jornal Txopela

Universidade Licungo: estudantes beneficiam de computadores portáteis

 

A Universidade Licungo entrega 40 computadores portáteis a igual número de estudantes no âmbito da iniciativa governamental “um estudante, um computador”, cinco anos depois do lançamento do projecto.

Os beneficiários  são  estudantes  das  áreas  de  engenharia, tecnologias, de informação e comunicação, ciências naturais e aplicadas e, ciências Agro-pecuárias, sectores considerados chave para a promoção do conhecimento técnico e científico, numa era em que a inclusão digital é cada vez mais urgente.

Na cerimónia de entrega, Boaventura Aleixo, Reitor da Universidade acima citada, destacou que a ação resulta de um compromisso assumido pelo Governo para melhorar as condições de ensino e aprendizagem, ao mesmo tempo que se promove a igualdade no acesso às tecnologias.

O responsável apelou aos estudantes para que cuidem devidamente dos equipamentos, sublinhando que “cada estudante deve manter o seu computador em bom estado e cuidado”. Garantiu ainda que o processo continuará, com vista a abranger um maior número de estudantes em futuras fases de implementação.

Embora tardia na sua operacionalização, os beneficiários dizem que a iniciativa responde a  uma  necessidade  num contexto académico que exige cada vez mais recursos digitais.

“A princípio não acreditava, mas agora é uma realidade. Este computador vai ajudar para aprofundar os meus estudos e a escrever a minha monografia”, disse Zinha Manuel, estudante de quarto ano do curso de engenharia agronómica.

 

Quelimane volta a respirar: EMUSA retoma recolha total de resíduos sólidos

QUELIMANE — Após dias de perturbações visíveis no saneamento urbano, a Empresa Municipal de Saneamento de Quelimane (EMUSA) anunciou esta segunda-feira, 5 de Maio, a retoma total dos serviços de recolha de resíduos sólidos urbanos, encerrando um periodo crítico que ameaçava a salubridade pública da cidade.

Segundo apurou o Jornal Txopela, o contratempo foi provocado por uma avaria técnica nos equipamentos operacionais da empresa, obrigando à suspensão parcial da recolha de lixo em vários pontos da urbe. O cenário agravou-se particularmente nas imediações dos mercados municipais, onde o lixo acumulado já começava a levantar preocupações sanitárias.

Contudo, num comunicado oficial divulgado esta manhã, a EMUSA garante que o problema está completamente resolvido. “Com elevada responsabilidade e celeridade, a EMUSA mobilizou os seus meios técnicos e humanos para restaurar a plena operacionalidade dos equipamentos”, lê-se no documento.

Fontes da direcção da empresa confirmaram que a operação de limpeza e recolha sistemática já decorre com prioridade nas zonas críticas, com destaque para o Mercado Grossista do Chabeco, considerado um dos principais focos de acumulação de resíduos durante o período da falha.

A empresa apela agora aos munícipes para que retomem o depósito normal dos resíduos nos contentores habituais, alertando para a importância de cumprir os horários e locais estabelecidos. “A cidadania activa e responsável é essencial para que a cidade recupere o seu equilíbrio ambiental”, reforça a nota.

Questionado pelo Txopela, um funcionário da EMUSA revelou que o plano de intervenção emergencial prevê também acções de sensibilização nos bairros periféricos, onde a situação foi considerada mais crítica. “O nosso maior desafio não é só técnico. É também educacional”, afirmou.

O apelo ao respeito pelo Código de Postura do Município de Quelimane é reiterado como ferramenta-chave para evitar futuros constrangimentos. Pequenos gestos, como ensacar o lixo e colocá-lo em locais apropriados, podem fazer a diferença, lembra a EMUSA.

A empresa mantém disponíveis canais de contacto directo com os cidadãos, incluindo uma linha verde (+258 86 215 1617) para uma gestão mais participativa e transparente do saneamento urbano.

 

Haverá uma Junta Militar na AEMO?, escreve Amosse Mucavele

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Por Amosse Mucavele
Em Moçambique, duas forças informais parecem ter um poder extraordinário: o silêncio e a fofoca. Ambas moldam, de forma subtil, as relações sociais, culturais e políticas, onde o amiguismo, o favoritismo e a ganância se assumem como valores predominantes. Esta lógica reflecte-se de forma directa em instituições como a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), que atravessa, nos últimos três anos, uma crise institucional profunda e preocupante.
A AEMO vive actualmente um dos períodos mais críticos da sua história, mergulhada numa crise de liderança e de desrespeito pelos seus próprios estatutos. A gestão em exercício, liderada pelo escritor Carlos Paradona, é, na opinião de muitos associados, a mais ineficaz desde a fundação da instituição. A incapacidade de responder às necessidades dos escritores, aliada à transformação da AEMO num aparente braço político do partido FRELIMO, evidencia um distanciamento da sua missão fundacional. Não se trata apenas de uma má gestão, mas de uma crise de legitimidade e de autonomia institucional.
O aspecto mais alarmante, contudo, reside na postura autoritária do actual Secretário-Geral. Apesar do término do seu mandato, o mesmo recusa-se sistematicamente a convocar eleições para a escolha de uma nova direcção. Em alternativa, tem adiado de forma recorrente a realização da Assembleia-Geral, alegando que apenas em Agosto ou Setembro se iniciará o processo eleitoral. A pergunta que se impõe é: a que se deve tamanha demora? Estarão em causa projectos pendentes? Ou trata-se, pura e simplesmente, de uma estratégia para prolongar ilegitimamente a sua permanência no cargo?
Carlos Paradona é o primeiro Secretário-Geral a ser amplamente criticado pela sua actuação autoritária. Recorde-se que, na sequência da sua reeleição, envolta em polémica, escritores como Ungulani Ba Ka Khosa, Armando Artur, Domi Chirongo, Japone Arijuane, Sónia Sultuane, Hélder Faife, Lucílio Manjate, Hélder Martins, entre outros, decidiram desvincular-se da associação, manifestando o seu descontentamento face ao rumo “pyongyanguizado” que a AEMO parecia adoptar. Este episódio levanta uma questão essencial: estaremos a assistir à formação de uma espécie de “junta militar” no seio da AEMO? Existirá, de facto, um pequeno grupo aliado a estruturas de poder político, interessado em controlar a associação, impedindo a renovação e bloqueando a participação de novas vozes?
Ontem, recebi três chamadas telefónicas de pessoas pertencentes a diferentes gerações, todas expressando preocupação com a passividade da juventude relativamente à situação da AEMO. Embora provenientes de contextos distintos, estas chamadas revelam um sentimento comum: é urgente que a nova geração assuma um papel interventivo na casa dos escritores, pondo fim à camaradagem, ao favoritismo e à manipulação política que têm pautado as decisões da associação.
Os jovens escritores – se é que existe distinção entre jovens e velhos escritores – têm o direito e o dever de reivindicar o seu espaço de participação activa na AEMO, e, se necessário, disputar o poder. Não podemos aceitar a “OJTeimização” do nosso protagonismo literário, nem continuar a representar uma geração de autores que apenas dançam ao som da música tocada por outros. É chegada a hora de restaurar os valores de liberdade, autonomia e criatividade que são, por excelência, a base da literatura. Este é um momento decisivo para que os escritores mais jovens se organizem e exijam um espaço de decisão efectivo na AEMO – ou, em alternativa, tomem a direcção da instituição.
Cabe ao Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Filimone Meigos, convocar com urgência, novas eleições, que possibilitem uma renovação legítima e, acima de tudo, o fortalecimento da AEMO como espaço de liberdade intelectual.
A chamada “junta militar” da AEMO – se assim lhe podemos chamar – não pode continuar a controlar os destinos da associação. O silêncio não pode persistir como táctica para calar os membros e perpetuar uma liderança desligada dos anseios da comunidade literária. A história da AEMO – como a de qualquer instituição – não pode ser escrita por uma única pessoa ou por um pequeno grupo, sobretudo quando esse grupo actua em benefício próprio.
É tempo de a AEMO reflectir profundamente sobre o seu papel na sociedade moçambicana e de recuperar a sua função original: defender os direitos dos escritores e promover, com dignidade, a cultura literária nacional. Sem uma mudança de rumo, a AEMO arrisca-se a tornar-se uma entidade irrelevante, incapaz de mobilizar as novas gerações e de cumprir a missão que lhe deu origem – uma missão que este mandato, lamentavelmente, desonrou.

Nota 

Amosse Mucavele é um escritor, poeta e activista cultural moçambicano nascido em 1992, na cidade de Maputo. Licenciado em Direito pela Universidade Eduardo Mondlane, destacou-se desde muito jovem como uma voz literária vigorosa e interventiva, que alia a poesia ao engajamento social e político.

Criado num contexto urbano e multicultural, Mucavele desenvolveu um estilo literário marcadamente crítico, sensível às tensões sociais, desigualdades e à identidade africana contemporânea. É um autor que habita as fronteiras entre o lirismo íntimo e a denúncia pública, buscando constantemente provocar reflexão sobre o estado da nação e o papel do cidadão.

Fidelidade Ímpar junta-se a iniciativa global para promover inclusão financeira de mulheres empreendedoras

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Seguradora torna-se signatária do We Finance Code, apoiado pelo Banco Mundial

Maputo, 5 de Maio de 2025 – A Fidelidade Ímpar tornou-se signatária oficial do Código de Financiamento para Mulheres Empreendedoras – We Finance Code. Uma iniciativa global, apoiada pelo Banco Mundial, que tem como objectivo fortalecer e acelerar o acesso ao financiamento para mulheres empreendedoras, eliminando barreiras e promovendo a igualdade de oportunidades.

A seguradora reforça, assim, o seu compromisso com a igualdade de género e a inclusão financeira no sector dos seguros.

“Ao tornarmo-nos signatários do We Finance Code, reforçamos o nosso compromisso em remover barreiras e criar soluções que realmente apoiem e valorizem as mulheres empreendedoras”, afirmou Vitor Bandeira, Presidente da Comissão Executiva da Fidelidade Ímpar. Segundo o mesmo responsável, esta é uma tomada de posição clara sobre o papel que a Seguradora quer ter “na construção de uma sociedade mais justa e equitativa”, sabendo que “o acesso ao financiamento e à protecção adequada pode fazer toda a diferença no sucesso de um projecto empreendedor”.

Enquanto signatária do Código de Financiamento para Mulheres Empreendedoras, a Fidelidade Ímpar compromete-se a designar um líder sénior para promover os esforços de apoio a empresas lideradas por mulheres; a expandir a disponibilidade e o uso de dados sobre o nível de financiamento fornecido a empresas lideradas por mulheres, com base em indicadores acordados; e a implementar e fortalecer medidas que apoiem directamente as mulheres empreendedoras.

A Fidelidade Ímpar irá reportar anualmente o progresso destas metas à We-Fi, para inclusão nos relatórios anuais globais do We Finance Code.

Trata-se de um compromisso assumido por instituições financeiras e outras organizações para reduzir desigualdades no acesso a capital e apoiar o empreendedorismo feminino, criando incentivos e soluções que catalisem mudanças em todo o sector financeiro. A iniciativa, de cariz internacional, reúne fornecedores de serviços, reguladores, actores de infra-estruturas financeiras, a comunidade de desenvolvimento financeiro e outros participantes do sector.

Ao assumir este compromisso, a Fidelidade Ímpar compromete-se a gerar impacto positivo através da implementação de políticas inclusivas.

SERNIC notifica Jonathan Sulemane após a marcha pró-Mondlane — jovem reage nas redes sociais

Jonathan Sulemane, um dos 17 jovens que protagonizaram a marcha simbólica de Quelimane a Maputo em apoio ao candidato presidencial Venâncio Mondlane, tornou pública, através das redes sociais, uma notificação do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), que o convoca para uma sessão de perguntas e respostas marcada para esta segunda-feira, 5 de Maio.

Na sua publicação, Sulemane afirma: “O povo foi testemunha do meu silêncio. Após o meu regresso da viagem à Maputo, fiquei no meu canto e hoje é o Ministério Público que acordou o dragão adormecido com entretanto.” A frase parece prenunciar uma postura mais activa do jovem nas próximas semanas, num ambiente político já marcado por forte tensão pós-eleitoral.

Sulemane fazia parte de um grupo de jovens que decidiram caminhar até à capital do país para participar numa marcha de sete dias em apoio a Mondlane. Contudo, a viagem foi abruptamente interrompida no distrito da Macia, província de Gaza, quando ele e dois companheiros foram detidos pela Polícia da República de Moçambique (PRM). Segundo relatou, os três foram maltratados, privados dos seus pertences, incluindo os telemóveis, e forçados a regressar à sua cidade de origem, Quelimane.

Durante o período em que estiveram incomunicáveis, surgiram rumores sobre o seu desaparecimento, facto que mobilizou preocupação a nível local e internacional. Só após o seu retorno forçado a Quelimane é que os detalhes começaram a emergir.

A convocatória por parte do SERNIC levanta novas interrogações sobre a actuação das autoridades no controlo do dissenso político e do activismo juvenil, num momento em que o país ainda digere os episódios de repressão registados no rescaldo das últimas eleições.

MISA na Zambézia promove seminário sobre segurança dos jornalistas na Universidade Licungo

O Núcleo Provincial da Zambézia do MISA Moçambique organiza amanhã, 6 de Maio de 2025, na Universidade Licungo, em Quelimane, um Seminário Provincial de Consulta sobre os Mecanismos de Protecção e Segurança dos Jornalistas. A actividade insere-se nas comemorações do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, celebrado anualmente a 3 de Maio.

O evento, com início marcado para as 8h30, reunirá jornalistas, representantes de instituições governamentais, órgãos municipais, sociedade civil e especialistas em comunicação social, com o propósito de debater os riscos enfrentados pelos profissionais da imprensa e propor medidas concretas para garantir um ambiente de trabalho seguro e respeitador das liberdades fundamentais.

Segundo o MISA, o encontro visa recolher contribuições directas dos jornalistas sobre as ameaças que enfrentam, avaliar a eficácia dos mecanismos de apoio legal e psicossocial existentes, e delinear estratégias de acção em articulação com advogados, procuradores e instituições judiciais.

O contexto do seminário não poderia ser mais oportuno. Em 2024, Moçambique assistiu a um agravamento das restrições à liberdade de imprensa, particularmente durante o período pós-eleitoral. Casos de intimidação, agressões e detenções de jornalistas foram amplamente denunciados, culminando numa queda do país no ranking internacional da liberdade de imprensa, segundo os Repórteres Sem Fronteiras.

Chapas: um transporte nas mãos das máfias

 Ainda estava em Moçambique – vivi nesse País, de 2009 a 2014 – quando me dei conta de um “fenómeno”, mais um que está na mão de amigos do poder, o da Frelimo, que é um dos maiores negócios que prospera em Moçambique, os chapas.

 Essa forma de transportar pessoas sem ser um serviço público, nada decente e pouco eficiente, além de constituir um perigo pela forma desordenada e sem regras que os seus condutores usam no dia-a-dia, está na mão de uma verdadeira máfia de interesses. Aliás, como outros tantos negócios que, em Moçambique, gravitam fora da esfera do controlo do Estado. E, por isso, há muita gente a enriquecer e outra a empobrecer alegremente…É um transporte sem condições de conforto e de segurança. Será possível? Quando é que se exige que o transporte público, em Moçambique, obedeça a normas comuns?

  Escalpelizando: o que deixa ao Estado a exploração de chapas, na grande parte das Cidades moçambicanas? Quase nada. Apenas um resquício do que deveria ser uma boa fonte de receita para o mesmo Estado prover às despesas com a saúde, o ensino, a justiça e a segurança, pelo menos.

  O Estado, nesse negócio obscuro, vai só buscar o imposto dos combustíveis – maioria dos casos é diesel – que as carrinhas afectas a esse serviço utilizam.

  Onde está esbatido o IVA na compra dos bilhetes que o utente tem de adquirir quando usa esse transporte? Não existe, até porque ninguém lhe passa o título de viagem, como em qualquer País que se preze…

  Quem fica com todo o quinhão do preço de cada bilhete? Vai para quem? Para um grupo de gente que é do aparelho do arco da governação e que, depois, o reparte pelos que fazem parte dessa verdadeira máfia?

  Este e outros aspectos da vida moçambicana nunca tiveram caminho. Andam à balda. Por isso, a coisa não funciona e o País, também não.

  Quando se vai disciplinar o transporte público urbano? Há quem continue a prosperar à custa do risco de vida dos outros, à custa de explorar os outros, à custa de vender “gato por lebre”, à custa de fugir aos impostos enganando, com a conivência do Estado, o povo…vai sendo tempo de se pôr cobro a estes “Estados”, dentro do Estado que matam a economia da Nação, mas fazem “gente grande” os comilões do regime, o de Moçambique.

                                     António Barreiros, jornalista

E se a chama for apagada?

Hoje, a província da Zambézia recebeu, com o habitual aparato cerimonial, a Chama da Unidade Nacional que tenciona percorrer Moçambique de lês a lês. É um símbolo dos sucessivos governos da  Frelimo desenhado para consolidar a presença politica e afastar a poeira das contestações pós-eleitorais que são em regra tradição desde 1994. Chegou à província pelo Alto Ligonha, em Gilé,  um território que, paradoxalmente, carrega em si ainda cicatrizes abertas da violência pós-eleitoral.

A geografia por onde a tocha vai percorrer é tudo menos neutra. Distritos como Inhassunge, Luabo, Mopeia, Morrumbala, Derre, Milange, Gurué, Nicoadala, Namacurra, Gilé e Mocuba estiveram, recentemente, sob a presença activa dos chamados “naparamas” grupos armados de auto-defesa popular. Um estudo do Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE) “UMA PROVÍNCIA ‘REBELDE’: O significado do voto zambeziano a favor da Renamo”, de Sérgio Chichava indica que mais da metade da Zambézia rural vive hoje sob uma forma de co-governação ambígua e argumenta que o voto consistente da população da Zambézia a favor da Renamo nas eleições após o fim da guerra civil está enraizado num sentimento histórico de marginalização, tanto durante o período colonial quanto no pós-independência.

Esta realidade, sociologicamente complexa, denuncia aquilo que o antropólogo norte-americano James C. Scott chamou de infra-política, as formas subterrâneas de resistência, em que os povos não se rebelam frontalmente, mas corroem a legitimidade do Estado pela rejeição simbólica e prática. E é neste caldo de revolta latente que a chama da “unidade” tenta agora acender.

Em qualquer democracia funcional, os símbolos nacionais devem ser instrumentos de coesão voluntária, não de imposição hegemónica. Quando o Estado carrega consigo a tocha da unidade sem, antes, reconhecer as dores de da população pode transformar um gesto simbólico para um acto de provocação.

A ausência da justiça no caso de Inhassunge, onde denúncias de corrupção, tráfico de influência e negligência institucional se acumulam sem resposta, torna qualquer gesto um teatro . Pior: a arrogância com que alguns dirigentes interpretam o silêncio popular como aceitação é uma leitura perigosa, e historicamente errada.

Esta rejeição deste símbolo é talvez o resultado de três camadas entrelaçadas de ressentimento: A população vê nas instituições uma máquina de fidelidade partidária, não de prestação de contas. A chama da unidade é apenas carregada pelas mãos da Frelimo e não é percebida como nacional, mas como instrumento de um partido em negação da sua crise interna. Existe também um sentimento persistente de que as culturas locais, como a chuabo, a lomué ou a sena, foram sempre periféricas no imaginário nacional. O projecto de unidade nunca levou a sério o pluralismo etnolinguístico. A tocha não fala a língua do povo e por isso, não “acende” o coração da população. A centralidade de Maputo como única capital simbólica e decisória tornou as províncias um apêndice do poder. O que para Maputo é unidade, para Quelimane pode ser apenas controle.

E se a chama for apagada?

As instituições de segurança e os organizadores do evento devem ter em conta que o risco de resistência activa ou sabotagem simbólica à chama é real. Mesmo que não haja confrontos armados, há sinais claros de que este ritual poderá ser ignorado, boicotado ou mesmo atacado como expressão de rejeição.

Como recorda um guru do jornalismo moçambicano num editorial recente, “a política é feita não só de actos, mas daquilo que os actos evocam”. E nesta evocação, a tocha pode ser vista, não como esperança, ou pior como lembrança das promessas que não foram cumpridas durante os 50 anos pela Frelimo. O pais já não é o mesmo…