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CIP aproxima-se da Autoridade Tributária e prepara palestra sobre integridade para os ‘big bosses’ fiscais

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Numa altura em que a confiança nas instituições públicas continua a ser abalada por escândalos de má gestão, corrupção e ausência de responsabilização, o Centro de Integridade Pública (CIP) iniciou esta semana um movimento de aproximação à Autoridade Tributária de Moçambique (AT), com vista a fomentar uma cultura de transparência num dos sectores mais sensíveis do aparelho do Estado: a colecta e gestão de impostos.

A reunião, realizada esta segunda-feira (20), juntou o director do CIP, Edson Cortez, o pesquisador Rui Mate e o jornalista Raul Massingue, ao Presidente da AT, Aníbal Balango, acompanhado pelo seu colectivo de direcção.

Num tom cortês mas assertivo, Balango reconheceu o papel que o CIP tem desempenhado na promoção da integridade e na fiscalização do uso dos recursos públicos. O dirigente máximo da máquina tributária mostrou-se receptivo a aprofundar a cooperação com a organização da sociedade civil e, num gesto considerado simbólico mas politicamente significativo, convidou o CIP a conduzir uma palestra interna dirigida aos gestores de topo da instituição.

Segundo apurou o Txopela, a iniciativa deverá versar sobre princípios de integridade, responsabilidade institucional e transparência fiscal,temas que têm faltado em muitas esferas do Estado e que, se ignorados, continuarão a minar a legitimidade de organismos como a AT, que, por sua natureza, lidam com o dinheiro de todos.

O encontro decorre num momento em que o debate sobre justiça fiscal, equidade tributária e responsabilização de altos funcionários ganha força no discurso público. Nos últimos anos, o CIP tem sido uma das poucas vozes que se têm mantido firmes no escrutínio de práticas questionáveis no sector público.

Agravamento dos preços das bebidas espirituosas pode eclodir numa explosão social

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A proposta do Governo  de  agravar o preço das bebidas espirituosas de baixo custo está a levantar poeira em várias zonas urbanas e suburbanas do país. Numa ronda feita pelo Txopela, na cidade de Quelimane, província da Zambézia constatou um clima de revolta entre comerciantes e consumidores que olham para a medida como uma faísca para uma explosão social.

“Se o Governo subir o preço, o que vamos vender? Vai sobrar o quê para sustentar as nossas famílias?”, questiona um dos comerciante.

Para alguns consumidores, esta estratégia pode ser apenas o empurrão para um novo tipo de “corrida alcoólica”. As pessoas vão procurar “cabanga, catxaçu e outras bebidas caseiras.

A intenção do Executivo, visa desencorajar o consumo precoce de álcool, principalmente junto às escolas, para travar o alastramento do vício entre os estudantes.

 

Joel Amaral: A vítima como réu

Soa um pouco ridículo, e até insultuoso, ouvir certas declarações das altas patentes da República de Moçambique, particularmente ao nível da província da Zambézia. Declarações que, em vez de inspirarem confiança, denunciam o desleixo institucional e a inversão perigosa de papéis num Estado que se pretende de direito. Enquanto a orientação do Comandante-em-Chefe é clara, promover a aproximação entre a Polícia da República de Moçambique (PRM) e os cidadãos, parece que, na Zambézia, a polícia insiste em remar contra a maré, adopta práticas de intimidação e omissão que apenas aprofundam o fosso entre o Estado e o povo.

Tomemos o caso de Joel Amaral, recentemente baleado em circunstâncias que envolvem não apenas violência física, mas também uma violência simbólica e institucional, exercida pelo próprio aparelho do Estado. Baleado, sobrevivente de um ataque que poderia tê-lo silenciado para sempre, Amaral vê-se agora coagido a apontar os seus próprios agressores, como se a função de investigar crimes fosse uma prerrogativa das vítimas, e não do Estado que se proclama soberano.

A vítima como réu: o sintoma de uma patologia institucional

O que está em causa aqui não é apenas um caso individual. É o paradigma securitário de um Estado que opera à margem do seu próprio ordenamento jurídico. A Polícia da República de Moçambique (PRM), ao abdicar da sua função investigativa, comete um acto de deserção institucional. Segundo Max Weber, o Estado é a entidade que detém o monopólio legítimo do uso da força. Porém, quando essa força é usada para proteger o poder e reprimir a cidadania — em vez de garantir segurança pública — estamos perante o que Giorgio Agamben denominou de “estado de exceção permanente”.

E não é um acaso. Do ponto de vista sociológico, este comportamento é produto de um modelo de governança autoritária disfarçada de democracia formal. A população é constantemente submetida à vigilância, à repressão simbólica e à ameaça velada de que a crítica poderá custar a vida. Esta não é uma mera disfunção da polícia, é uma estrutura montada para produzir medo.

Antropologia do silêncio e da impunidade

A antropologia política ajuda-nos a compreender os códigos não-ditos que regulam estas relações de poder. Em contextos pós-coloniais como o moçambicano, o Estado continua a reproduzir rituais coloniais de dominação, muitas vezes mascarados de modernidade. A ideia de que o cidadão deva temer a polícia, e não contar com ela, remete-nos a uma prática antiga, onde o “soba” moderno veste uniforme e empunha arma, mas continua a agir como senhor feudal.

Nas comunidades da Zambézia, há uma memória coletiva da repressão. Desde a Guerra Civil até os episódios recentes de contestação social, a figura do Estado aparece como presença opressiva e não como promessa de bem-estar. E quando o Estado age de forma seletiva protegendo os aliados e punindo os dissidentes está a ensinar à população que a justiça é um privilégio, não um direito.

A polícia como agente da insegurança

A ciência policial moderna baseia-se na prevenção, investigação e proximidade com o cidadão. Mas na prática moçambicana, a PRM muitas vezes opera como se a sua missão fosse proteger o poder contra o povo e não o povo contra o crime. A orientação do Comandante-em-Chefe, apelando à aproximação entre polícia e cidadão, parece cada vez mais como retórica oca quando, no terreno, os agentes públicos agem com desdém, intimidação e cumplicidade com os agressores.

É cruel e profundamente revelador que, depois de um atentado à vida de um cidadão, a polícia exija da vítima aquilo que ela própria se recusa a fazer: investigar. Este é o tipo de violência estrutural que perpetua a impunidade, legitima os agressores e torna o próprio Estado cúmplice do crime.

A lógica perversa do medo …

Não é exagero afirmar que a Zambézia se tornou um laboratório de impunidade institucional. Cada novo episódio de violência política ou social é seguido por um ritual de silêncio: nenhuma sindicância, nenhuma responsabilização, nenhuma resposta pública credível. A lógica é clara: quem ousa erguer a voz deve pagar o preço.

Este ciclo de medo cria um efeito devastador sobre o tecido democrático. Ele mina a confiança, desmobiliza a cidadania e transforma a crítica em heresia. Joel Amaral poderia estar morto. E se estivesse, provavelmente seria apenas mais um nome esquecido entre os muitos que já foram apagados do registo oficial da nossa dor colectiva.

Exigir mais: justiça, dignidade e cidadania

A política, diz Hannah Arendt, começa quando os homens decidem sair do medo. É tempo de sair do medo. É tempo de exigir que o Estado seja aquilo que promete ser: um garante da justiça, da proteção e da dignidade humana. Não se trata apenas de justiça para Joel Amaral. Trata-se de exigir um novo contrato político e social onde criticar o poder não seja uma sentença de morte.

A PRM, os serviços de inteligência, os procuradores e os governadores provinciais devem ser chamados à razão ou à responsabilidade. O Estado que exige que a vítima identifique os seus algozes é um Estado que se tornou agressor. E isso, em qualquer manual de ciência política ou direito, é uma aberração.

A história julgará todos os que, tendo o poder de agir, optaram pelo silêncio. Mas antes que a história julgue, é preciso que nós como povo, como sociedade tomemos posição. Porque quando a vítima é tratada como réu, todos nós somos cúmplices se nos calarmos.

Chapo e Mondlane reúnem-se no âmbito do diálogo inclusivo

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O Presidente da República, Daniel Chapo, manteve recentemente, um encontro com o candidato presidencial Venâncio Mondlane, no quadro do compromisso político pelo diálogo nacional inclusivo.

A audiência decorreu num ambiente de respeito institucional e visou reforçar a cultura de paz, reconciliação e unidade entre os moçambicanos. Chapo reiterou que a paz e a harmonia são essenciais para o desenvolvimento.

“A paz, a reconciliação, o perdão, a harmonia e a irmandade entre os moçambicanos é muito importante. Por isso é nosso objectivo dialogar, dialogar, dialogar com o objectivo de alcançar e consolidar melhor a paz, a reconciliação porque, como sabem, só há desenvolvimento quando há paz e segurança, e nós só podemos alcançar a paz dialogando com todos os estratos sociais”, afirmou.

Por sua vez, Venâncio Mondlane considerou o encontro positivo e produtivo, tendo abordado questões ligadas à justiça, violência política e desenvolvimento económico.

“No meu caso em particular estava muito preocupado com a questão das pessoas que estão detidas. Era preciso termos uma visão clara, com prazos, de como é que vamos tratar este assunto”, declarou

Um vasto repertório de protestos – A etnografia das manifestações pós-eleitorais, escrevem João Feijó e Rita Chiúre

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Um país sacudido por panelaços, bloqueios de estrada e palavras de ordem contra o poder. Das ruas da Beira aos bairros de Maputo, Moçambique viveu, entre Outubro de 2024 e Janeiro de 2025, uma das mais intensas convulsões populares desde o início da democracia multipartidária. O cenário que se desenhou nesses meses está minuciosamente retratado no estudo etnográfico de João Feijó e Rita Chiúre, publicado pelo Observatório do Meio Rural (OMR), no Destaque Rural nº 329, sob o título “Um Vasto Repertório de Protestos – A Etnografia das Manifestações Pós-Eleitorais” (OMR, 12 de Maio de 2025).

Das urnas para as ruas: a centelha da revolta

As eleições gerais de Outubro de 2024 acenderam o rastilho de uma indignação que já vinha sendo alimentada por anos de pobreza, desigualdades e descrença nos mecanismos formais de participação cívica. A vitória do partido Frelimo e a proclamação de Daniel Chapo como Presidente da República foram contestadas por parte significativa da população, especialmente nas regiões onde a oposição tem maior influência.

“O país assistiu a um estado de psicose colectiva, geradora de excessos, com profundo impacto no tecido social”, escrevem os autores. Segundo Feijó e Chiúre, o movimento espontâneo, mas catalisado por directrizes digitais de Venâncio Mondlane, candidato da oposição, transformou bairros em palcos de protesto criativo e, por vezes, violento.

Marchas, panelaços e túmulos na estrada

A repressão policial contra manifestações inicialmente pacíficas levou os protestos a mudarem de forma e espaço. As ruas principais deram lugar a becos e bairros; as concentrações deram lugar à dispersão organizada. Bloqueios de estrada com pneus em chamas, panelaços em janelas de prédios e cartazes colados em viaturas — tudo servia como forma de expressão política.

“Durante este período, importantes corredores de circulação foram transformados em esplanadas, cozinhas, estendais para secar roupa, locais de corte e costura, dormitórios, ou espaços de lazer,” detalha o documento.

Arte, sátira e resistência digital

Com humor corrosivo e criatividade abundante, artistas plásticos, músicos e humoristas engrossaram o coro de protesto. Músicas como Xitsungu e Povo no Poder, de Stewart Sukuma e Kiba the Seven, abarrotaram pelas redes sociais e ruas. Desenhos do artista Fredy Uamusse tornaram-se virais. E nas plataformas digitais, as transmissões ao vivo de Venâncio Mondlane chegaram a bater recordes, com 167 mil visualizações simultâneas.

Da resistência ao confronto: vandalismo e morte

À medida que a tensão aumentava, também o grau de violência. O estudo revela que instalações da Frelimo foram queimadas em várias províncias, símbolos do Estado destruídos e estátuas de figuras históricas profanadas. “Só na cidade da Matola, a Frelimo declarou necessitar de 22 milhões de meticais para reabilitação de sedes destruídas”, apontam os autores.

A resposta das forças de segurança foi brutal. De acordo com dados da plataforma DECIDE citados no estudo, pelo menos 125 pessoas perderam a vida e até 22 agentes da polícia foram mortos em linchamentos. “O aumento de vítimas mortais por baleamento… aumentou a ira popular contra a polícia”, lê-se no relatório.

Ocupar para resistir: o retorno do povo ao território

Num fenómeno reminiscentes dos anos 70, terrenos e propriedades privadas, muitas delas ligadas a figuras do regime, foram invadidos. Quintas, lojas, escolas privadas e até residências de dirigentes foram ocupadas. Em Marracuene, um bairro informal foi batizado de “Venâncio Mondlane” em homenagem ao líder opositor. A ocupação da piscina da residência de Roque Silva, ex-secretário-geral da Frelimo, tornou-se um dos símbolos mais marcantes dessa fase de revolta.

Um país em catarse

A etnografia dos protestos, descrita por Feijó e Chiúre, revela muito mais do que desobediência civil: revela um povo que, diante do que vê como a erosão da justiça e da democracia, escolheu a rua como espaço legítimo de política.

“O protesto é a linguagem dos que não são ouvidos”, já dizia Martin Luther King Jr. Em Moçambique, a rua falou alto. Resta saber quem está a ouvir.

 

 

 Estarrecido como se tratam acidentados

 Visionei umas imagens que me enviaram, aí de Moçambique, sobre um acidente de viação, entre um chapa e um veículo da polícia. Não me interessa situar esse sinistro rodoviário no tempo. O que me exige comentar é todo o aparato e a falta de meios de socorro e, também, de conhecimentos de primeira intervenção da maioria presente.

 Cidadãos que gritavam, que andavam tresloucados de um lado para o outro e que olhavam, bloqueados, para o cenário horrendo. Fico estarrecido como se tratam os acidentados.

 Vamos por partes, porque as imagens me deixaram em transe e me obrigam a colocar um conjunto de premissas.

 Primeiro: avalio que existe uma inaptidão, por banda da esmagadora maioria dos cidadãos, para lidar com situações como a que visionei. A carrinha “chapa”, de transporte de passageiros, ficou tombada no asfalto. Um magote de pessoas, reunindo forças, colocaram-na direita. Mas sem atender ao que iam fazer, porque virar uma viatura é colocar em registo os acidentados.

 Segundo: mais outra inaptidão que é assustadora para uma sociedade que se pretende desenvolvida. Deitados alguns feridos no chão, ninguém sabia lidar com os problemas. Um exemplo: uma senhora esvaia-se em sangue, através de um braço. Ninguém lhe colocou ou fez um garrote, com um cinto ou uma corda, para estancar a hemorragia… Um polícia, deitado sob o lado direito, no capim, sem que alguém o virasse, ao de leve, dando-lhe a forma de, pelo menos, conseguir respirar sem estar em esforço.

 Terceiro: não reparei na chegada de meios de socorro, ou seja, bombeiros que devem saber como actuar nesses casos, provendo à ajuda aos feridos, primeiro, mais graves e, depois, aos leves. Também, não verifiquei a chegada de ambulâncias, devidamente, equipadas com meios complementares de salvamento.

 Perante este quadro (quantos outros, dos mais variados sectores, não haverá, em Moçambique e que, por incúria de Planos devidamente enquadrados e estabelecidos pelos respectivos Departamentos/Serviços do Estado não funcionam ou nunca lhe conhecemos desempenho?) ocorre-me dizer que as falhas são tantas nesse País que, efectivamente, em cerca de 50 anos de novo regime, pouco ou nada foi feito, começando-se pelo Ensino, onde se prepara gente para a Nação que pretendemos construir. Os alunos, a partir do 9.o ano, têm noções de socorrismo e cívicas? Apraz dizer-vos que, e infelizmente, os grandes projectos para Moçambique, devendo o foco já ter sido realizado em Programas de socorro às populações, na saúde, ensino/instrução, segurança e justiça, são quimeras. Sonhos que derrotam e amarfanham o povo, desconstruindo a sociedade e postergando-a. A vida, em Moçambique, para uma alargada fatia de cidadãos, assenta num gueto de miséria pessoal, onde não vive a dignidade humana.

 É tempo de se desenharem, estudando e aprontando, para se materializarem, Programas que definam políticas públicas para o socorro e para todo um conjunto de sectores que são a alavanca do desenvolvimento e da felicidade/dignidade do povo.

António Barreiros, jornalista

 

Carige dá ultimato de 30 dias para escolha de nova liderança no Mercado do Goto

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O Presidente do Conselho Municipal da Beira, Albano Carige, deu esta segunda-feira (20) um prazo de 30 dias aos vendedores do Mercado do Goto para indicarem um novo chefe da comissão de gestão daquele espaço comercial.

A decisão foi anunciada durante uma reunião mantida com os vendedores, na qual o edil reconheceu o crescente descontentamento dos comerciantes face ao desempenho da actual liderança do mercado. Como medida provisória, Carige orientou a criação de uma comissão ad hoc para assegurar a gestão do mercado até que um novo responsável seja escolhido.

O Mercado do Goto é um dos principais centros de comércio informal da cidade da Beira e tem sido palco de várias reclamações relacionadas com gestão, segurança e salubridade. A mudança de liderança é vista como tentativa de restaurar a confiança dos vendedores e reorganizar o funcionamento do local.

Crianças e idosos do Centro Rainha da Paz, em Tete, beneficiam de almoço de confraternização

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Um grupo de crianças e idosos em situação de vulnerabilidade acolhidos no Centro de Acolhimento Rainha da Paz, na cidade de Tete, beneficiou esta segunda-feira (19) de um almoço de confraternização, numa iniciativa liderada por Célia Viola, esposa do Governador da Província de Tete.

O evento contou com a presença de Joana Beta, directora provincial do Género, Criança e Acção Social, e teve como objectivo promover momentos de convívio, solidariedade e atenção às camadas sociais mais desfavorecidas.

Na ocasião, Célia Viola apelou à contínua mobilização da sociedade para apoiar iniciativas de natureza social e defendeu a importância de “abraçar causas que contribuam para melhorar a vida das pessoas em situação de maior vulnerabilidade”. Encorajou ainda as crianças acolhidas a frequentarem a escola com regularidade, sublinhando que a educação é essencial para garantir um futuro mais promissor.

Para além do almoço, os beneficiários receberam peças de vestuário e calçado doados por pessoas de boa vontade. A acção insere-se nos esforços locais de promoção do bem-estar social e reforça o apelo à responsabilidade colectiva no combate à exclusão.

Governador de Nampula despede-se de peregrinos rumo à Makka e apela à oração pela paz

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O governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, promoveu esta terça-feira (20) uma cerimónia de confraternização na residência protocolar, em homenagem ao grupo de fiéis muçulmanos que parte nos próximos dias para a peregrinação à cidade sagrada de Makka, na Arábia Saudita.

O encontro serviu de despedida oficial aos peregrinos de Nampula e contou com a presença de líderes comunitários e religiosos, entre os quais se destacou o facilitador nacional do Hajj e Umurah, Sérgio Omar, representante do Comité Moçambicano de Facilitação do Hajj — o quinto pilar do Islão.

Na ocasião, Eduardo Abdula dirigiu palavras de encorajamento aos viajantes, apelando a que façam duwa (oração) diariamente pela paz, estabilidade e tranquilidade da província de Nampula.

Sheikh Abdullatifo Mussagy, que representa os peregrinos nesta missão espiritual, agradeceu o gesto do governador, destacando a importância do apoio institucional às manifestações religiosas.

O grupo de peregrinos parte nos próximos dias para a Arábia Saudita, integrando centenas de moçambicanos que este ano cumprem o ritual do Hajj, numa altura em que a organização da peregrinação tem vindo a ser reforçada por estruturas civis e religiosas nacionais, num esforço conjunto para garantir a dignidade e segurança dos fiéis.

A cerimónia serviu também como palco de reforço dos laços entre o governo provincial e a comunidade muçulmana, num momento em que a província enfrenta desafios de coesão social e combate ao extremismo religioso em algumas zonas da região norte.

Raul Dique renuncia 24 horas após ser empossado chefe dos Assuntos Sociais e Desmobilizados da RENAMO

Não durou sequer 24 horas. Raul Luís Dique, Tenente-General na reserva e antigo vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), renunciou ao cargo de chefe do Departamento Nacional de Assuntos Sociais e Desmobilizados da RENAMO, para o qual havia sido empossado na segunda-feira (19.04), num acto realizado no gabinete do presidente do partido, em Maputo.

Dique, uma figura de peso no aparelho militar moçambicano e recentemente activo nas fileiras políticas da RENAMO, abandonou as funções sem explicações públicas detalhadas. Fontes próximas da liderança do partido indicam, no entanto, que divergências sobre a estrutura interna de comando e alegados constrangimentos do dossiê dos desmobilizados terão precipitado a saída relâmpago.

A sua nomeação havia sido interpretada como uma tentativa da RENAMO de resgatar alguma estabilidade e respeitabilidade institucional num dos sectores mais sensíveis do partido, o dos desmobilizados da guerrilha, onde persistem fraturas, descontentamentos e expectativas mal geridas desde o arranque do DDR (Desarmamento, Desmobilização e Reintegração).

Durante a cerimónia de posse, Clementina Bomba, Secretária-Geral da RENAMO, exortou Dique a dedicar-se com “empenho e entrega total” na resolução dos problemas que afligem os antigos combatentes do partido, apelando à construção de “harmonia e unidade no seio da família RENAMO”. Uma harmonia que, à luz dos acontecimentos, parece mais um desejo do que uma realidade tangível.

Dique substituía Faustino Maure, falecido recentemente devido a doença, e cuja liderança era tida como relativamente consensual entre os veteranos da guerrilha. Com a saída abrupta de Dique, o cargo volta a estar vago.