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Luís Cezerilo candidata-se a Secretário-Geral da AEMO

O escritor moçambicano Luís Cezerilo anunciou a sua candidatura ao cargo de Secretário-Geral da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), numa proposta que se apresenta como um compromisso com a juventude, a continuidade institucional e a valorização da diversidade literária no país.

A candidatura, segundo explicou Cezerilo, nasceu do apelo de jovens escritores que reconheceram no autor “a disposição, a escuta e o compromisso necessários para servir este colectivo”. Assumindo o gesto como “sentido de missão”, o escritor defende uma visão que une o respeito pela história da AEMO com a urgência de um novo impulso geracional.

“Esta é uma candidatura DA JUVENTUDE, mas não apenas. É uma proposta que afirma o papel transformador das novas gerações, sem descontinuar o fio da nossa tradição”, escreveu Cezerilo, numa nota divulgada semana finda. Entre as referências que sustentam o seu compromisso, evocou figuras como Eduardo White, Armando Artur, Ungulani Ba Ka Khosa, Hélder Muteia e Filimone Meigos, sublinhando o papel que tiveram na afirmação das vozes jovens na literatura moçambicana.

Com um discurso centrado na inclusão e sustentabilidade, Cezerilo propõe uma reconfiguração do papel da AEMO na sociedade, defendendo “estratégias que garantam autonomia, continuidade e presença relevante nos espaços culturais e sociais do país”. Reforçou ainda a necessidade de cultivar um ambiente de “solidariedade e cooperação entre pares e entre gerações”.

A mensagem foi clara no que diz respeito aos valores que pretende defender no cargo: ética, transparência, diálogo e respeito pela diferença. “A literatura não se mede em estatísticas, mas em autenticidade e presença”, afirmou.

A Associação dos Escritores Moçambicanos, fundada em 1982, é uma das mais antigas e prestigiadas organizações culturais do país. A eleição para os seus órgãos sociais ocorre num momento em que o setor cultural reclama maior apoio institucional, visibilidade e organização.

Moçambique exige restituição de artefactos saqueados durante o colonialismo

As autoridades moçambicanas exigem a restituição de pelo menos 800 artefactos saqueados durante o colonialismo.

Para o efeito, Moçambique faz parte de um movimento continental que exige a restituição de bens materiais e culturais africanos, cujo número está calculado em cerca de 3.000, inventariados de 2020 a esta parte.

“As reparações históricas também se fazem pela via simbólica e cultural, por isso estamos a nos organizar no sentido de debatermos como é que podemos nos apropriar do que foi roubado do nosso país e a nível do continente africano”, disse este domingo (25), em Maputo, a ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovele, durante a cerimónia de celebração do Dia de África.

Tovele sublinhou que a união de todos africanos na construção e, sobretudo, no alinhamento de políticas que possam promover e garantir a reparação aos povos africanos colonizados por longos anos.

“Hoje estamos libertos, mas precisamos de reaver tudo o que roubado a nível do continente africano. Por isso, a escolha do lema para a celebração do Dia de África “Justiça para os africanos e as pessoas de descendência africana através de reparações”.

Segundo a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Lucas, a matéria de reparações aos africanos e afrodescendentes envolve também reparações pelas deportações, massacres em massa, detenções arbitrárias, tortura, pilhagens de recursos naturais e ensaios nucleares com impactos humanos e ambientais catastróficos no tempo da colonização.

Dada a sua complexidade, delicadeza e sensibilidade o tema de reparações é classificado como dinâmico, não podendo, por isso, ser implementado apenas em 2025.

Deste modo, perspectiva-se a eventual década de reparações dos danos provocados pela escravatura em África, e Moçambique tem a sua história devidamente documentada.

“Por outro, os locais de onde os nossos ancestrais partiram para terras distantes e para si desconhecidas, para nunca mais voltarem à origem, estão igualmente preservados”.

“Temos a fortaleza de Maputo, que serviu de ponto de trânsito para milhares de milhares de moçambicanos, transportados e tratados nas mais degradantes condições e atentatórias à dignidade humana em negreiros, razão que impediu a alguns de não chegaram às terras desconhecidas, tendo perecido no alto mar”, acrescentou.

Relativamente ao tema de 2025, que se distingue pela sua profundidade, foi concebido um roteiro que contempla análises académicas e técnicas, entre seminários, simpósios, conferências, alguns dos quais realizam-se nas Caraíbas e noutras latitudes, de notória afro-ascendência, que vai culminar com a realização de uma Cimeira Extraordinária da União Africana (UA), com a participação de alguns Chefes de Estado e de Governo da Comunidade das Caraíbas.

Na ocasião, a governante sublinhou as acções que o país irá desenvolver ao longo da vigência do roteiro, através do Ministério da Educação e Cultura, como a realização de palestras nas escolas, entre outras actividades, com vista à consciencializar os alunos, estudantes e à sociedade, através de reparações, pelo atraso cultural, económico e científico, a que a África foi votada, resultante de práticas degradantes e desumanas, típicas da escravatura, colonialismo e do apartheid.

Por seu turno, o embaixador da República Democrática de Congo, Decano do Grupo dos Embaixadores Africanos, Kola Beby, referiu que África não é apenas o berço da humanidade, mas, também o coração da esperança mundial, por isso, considera a reparação um pilar da justiça global, bem como um instrumento de reconciliação com a humanidade, “e regozijamo-nos com a excelente cooperação neste sentido entre a UA e a Comunidade das Caraíbas (CARICOM), nomeadamente com a elaboração da sua folha de rota conjunta”.

A celebração da efeméride foi marcada por actividades culturais e uma feira gastronómica de pratos típicos africanos, entre outras.

(AIM)

Manuel de Araújo critica inação da União Africana perante os conflitos e fraudes eleitorais no continente

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Por ocasião do 62.º aniversário da criação da União Africana (UA), o Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Quelimane teceu duras críticas à actuação da organização continental, acusando-a de inércia face a conflitos armados e fraudes eleitorais que continuam a marcar o cenário político em vários países africanos.

Numa nota oficial publicada na pagina oficial da cidade, o edil denunciou o que considera ser a impotência da UA em resolver disputas internas que colocam em causa a estabilidade económica, social e cultural do continente.

“Temos conflitos em Moçambique, e a União Africana não se predispôs para dirimir e resolver tais conflitos, tornando-se impotente com olhar impávido”, afirmou.

O autarca alertou ainda para o uso das forças policiais por governos africanos em processos eleitorais fraudulentos, sublinhando que a UA tem falhado na sua missão de garantir eleições livres, justas e transparentes.

“Quando a União Africana não intervém para tirar do poder os líderes africanos que assumem o mesmo por vias fraudulentas, roubando votos e usando a Polícia para intimidar eleitores, está a trair os ideais que estiveram na base da sua fundação”, acrescentou.

No seu discurso, o presidente municipal evocou os líderes históricos do continente, como Kwame Nkrumah, Julius Nyerere e Jomo Kenyatta, que idealizaram uma África unida e soberana, recordando que foi com esse espírito que, a 25 de Maio de 1963, em Addis Abeba, nasceu a então Organização da Unidade Africana (OUA), transformada em União Africana em 2002.

“A UA foi fundada para promover a soberania, a paz, a integração e a qualidade de vida dos africanos. Hoje, infelizmente, os seus sucessores desviaram-se dos nobres propósitos dos fundadores”, lamentou.

A intervenção do edil de Quelimane terminou com um apelo à liderança africana para que retome os valores que inspiraram a criação da OUA, colocando os interesses dos cidadãos acima das conveniências políticas.

Quelimane celebra leitura e juventude com Prémio Josina Viegas

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QUELIMANE – O Salão da Escola Secundária Amor de Deus acolheu, ao meio-dia desta sexta-feira, 23 de Maio, a cerimónia de premiação da edição 2025 do Concurso de Leitura Josina Viegas, promovido pelo Clube de Leitura de Quelimane (CLQ), em parceria com o Conselho Autárquico de Quelimane, a Associação Moçambicana de Língua Portuguesa, o escritor Mudungazi, Jornal Txopela, Rádio Chuabo FM e TV Zambézia 24 Horas.

A iniciativa distinguiu seis alunos das escolas participantes, destacando o empenho e a sensibilidade literária demonstrados na leitura e análise da obra “Tu és linda, Eu te amo”, da escritora Josina Costa Viegas, homenageada da 3ª Edição da Semana do Livro de Quelimane.

Das cinco escolas concorrentes — Colégio Goivo Turmalina, Escola dos Bons Sinais, Escola Secundária Eduardo Mondlane, Escola Secundária Amor de Deus e Escola Secundária São Carlos Lwanga — participaram cinquenta alunos, dez por instituição.

O pódio da premiação ficou amplamente dominado por alunos da Escola Amor de Deus, com Ana Luísa a conquistar o 1º lugar, seguida por Cândida Dinis e Elio Aurélio. A única distinção fora deste círculo coube a Kismat Marco, do Colégio Goivo Turmalina, que garantiu o 4º lugar.

Lista completa dos premiados:
1.º lugar – Ana Luísa (Escola Amor de Deus)
2.º lugar – Cândida Dinis (Escola Amor de Deus)
3.º lugar – Elio Aurélio (Escola Amor de Deus)
4.º lugar – Kismat Marco (Colégio Goivo Turmalina)
5.º lugar – Ticiane Figueiredo (Escola Amor de Deus)
6.º lugar – Assunção Alfainho (Escola Amor de Deus)

Os premiados receberam um kit de leitura cuidadosamente seleccionado, com obras de autores moçambicanos, portugueses e lusófonos, incluindo nomes como Mudungazi, Agostinho Goenha, Virgílio de Lemos, Camilo Castelo Branco, David Frier e Fátima Ribeiro.

Obras oferecidas aos vencedores:

  • Tu és linda, Eu te amo, de Josina Viegas
  • Memória Subterrânea e Sonata de uma Nação Vagabunda, de Mudungazi
  • A função simbólica da personagem, de Agostinho Goenha
  • A dimensão do desejo, de Virgílio de Lemos
  • Memórias do Cárcere e Novelas do Minho, de Camilo Castelo Branco
  • As (Trans)figurações do eu nos romances de Camilo Castelo Branco (1850-1870), de David Frier
  • Uma abordagem do tema da prostituição na poesia de José Craveirinha, de Fátima Ribeiro

Para os organizadores, a iniciativa é mais do que um exercício de estímulo à leitura. Trata-se de um acto de afirmação cultural e cidadã: ao celebrar a literatura, promove-se pensamento crítico, expressão criativa e a construção de uma juventude mais consciente e comprometida com a sua identidade linguística e literária.

 

Zambézia aposta no Malawi para relançar relações comerciais regionais

BLANTYRE, MALAWI – Com os olhos postos na diplomacia económica de proximidade, Moçambique participa com destaque na 35ª edição da Feira Internacional de Negócios do Malawi, que decorre de 22 a 29 de Maio, na cidade de Blantyre. A presença moçambicana é liderada pelas províncias da Zambézia, Tete e Sofala, com foco na promoção de parcerias bilaterais e na projecção de produtos nacionais para o mercado malawiano.

Para o Alto Comissário de Moçambique no Malawi, Alexandre Manjate, a participação regular em eventos do género deve tornar-se uma constante: “Há um potencial inexplorado entre os dois países. A proximidade geográfica deve ser convertida em vantagens económicas concretas.” A visão expressa pelo diplomata sublinha uma agenda económica regional que vai ganhando corpo, sobretudo no contexto pós-pandemia e num ambiente de reconfiguração das cadeias logísticas no sul do continente.

A Directora Provincial da Indústria e Comércio da Zambézia, Regina Ngonde, vê na feira uma oportunidade para consolidar a visibilidade externa da província: “É um espaço importante para mostrar o que a Zambézia tem para oferecer. Precisamos de parcerias industriais inteligentes, mais valor agregado nos nossos produtos e um aproveitamento estratégico do Porto de Quelimane como corredor natural para o Malawi.”

A Delegada da APIEX na Zambézia, Maira Trindade, destaca o interesse demonstrado pelos parceiros malawianos em produtos como arroz, castanha de macadâmia e aguardente tradicional, defendendo um reforço da capacidade exportadora local. Para Maira, “há apetência clara do mercado malawiano por produtos agrícolas processados, o que deve motivar o investimento em pequenas e médias unidades de transformação na província.”

Já Raul Paruque, expositor da província de Tete, acrescenta à equação a necessidade de resolver o velho problema da logística: “Sem corredores funcionais, o comércio regional vai continuar a ser uma promessa adiada. Precisamos de uma estratégia integrada que ligue produção, transporte, turismo e cultura.”

A participação moçambicana na feira sinaliza, também, uma viragem de mentalidade: o reconhecimento de que a diplomacia económica começa nos corredores regionais e nos vizinhos históricos. E que, na ausência de uma integração efectiva no comércio da SADC, é por via destas feiras que se testam alianças, se despertam interesses e se consolidam relações.

Chachine admite novos sinais de terrorismo no país

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Quase mês e meio depois do ataque que resultou no incêndio de sete viaturas no troço da EN1, no distrito de Marínguè, província de Sofala, o Governo reconhece que ainda decorrem investigações para apurar os autores e as motivações do acto. A informação foi prestada esta sexta-feira pelo ministro do Interior, Paulo Chachine, à margem da cerimónia de passagem à reserva de 1.027 agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM).

O ataque, ocorrido a 8 de Abril, reviveu fantasmas de insegurança num dos corredores centrais do país, reavivando preocupações sobre a capacidade de actuação de grupos armados fora do perímetro de Cabo Delgado. A demora na apresentação de conclusões concretas sobre os autores do ataque levanta questões sobre a real extensão das ameaças latentes e a prontidão do aparelho de segurança.

Sem avançar hipóteses claras, Chachine limitou-se a referir que “estão em curso diligências para aferir os reais motivos” e aproveitou para lançar um aviso: “Há sinais preocupantes de possível emergência de novos focos de terrorismo no país” — uma declaração que, lida nas entrelinhas, pode indicar o alargamento geográfico da ameaça.

Ainda durante o seu discurso, o titular da pasta do Interior referiu-se à recente onda de ataques na Reserva do Niassa, reconhecendo que estes eventos geraram um ambiente de instabilidade e incerteza naquela zona. O Governo garante, no entanto, estar a trabalhar para “restaurar a ordem”.

O contexto em que Chachine falou não é irrelevante: a cerimónia assinalava a passagem à reserva de mais de mil efectivos da PRM, incluindo oficiais de comando. O momento foi aproveitado pelo ministro para reforçar a necessidade de adaptação institucional da corporação à nova tipologia de ameaças, com destaque para os crimes organizados e fenómenos de terrorismo que desafiam o modelo tradicional de actuação policial.

“A PRM está desafiada a reinventar-se, do ponto de vista técnico e táctico, para enfrentar crimes cada vez mais sofisticados e transfronteiriços”, afirmou o ministro.

Chapo abre seminário sobre modernização do Protocolo do Estado

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O Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano acolhe esta segunda-feira, 26 de Maio, a sessão inaugural do III Seminário Nacional do Protocolo do Estado, um encontro que contará com a intervenção de abertura do Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, pelas 8:30 horas.

Sob o lema “Por um Protocolo do Estado Padronizado e Dinâmico”, o seminário pretende ser mais do que um espaço de formação técnica: assume-se como palco de reafirmação do papel simbólico e funcional do cerimonial de Estado na arquitectura da governação pública.

Com a participação de profissionais do protocolo, representantes de ministérios, organismos públicos e convidados de instituições congéneres internacionais, o evento surge num momento em que Moçambique intensifica os seus esforços de diplomacia externa, projecção institucional e reposicionamento da sua imagem em fóruns multilaterais.

A presença do Chefe do Estado na abertura do seminário confere peso político à iniciativa e transmite a intenção de colocar o protocolo ao serviço da reforma e da eficiência institucional. “Um protocolo padronizado é também um Estado que se respeita e sabe comunicar a sua dignidade”, comentou uma fonte da organização, sublinhando que se pretende ultrapassar os formalismos herdados e introduzir maior flexibilidade operacional sem comprometer o rigor cerimonial.

Nos bastidores do evento, discute-se também o papel do protocolo em tempos de crescente mediatização da política. A necessidade de alinhar cerimonial, comunicação e eficiência tornou-se um desafio técnico para os quadros do Estado, especialmente em missões diplomáticas, visitas presidenciais e cimeiras internacionais.

Com a retoma de vários compromissos diplomáticos de alto nível e a crescente circulação de delegações internacionais no país, o reforço da capacitação técnica do protocolo surge como aposta estratégica do novo ciclo político.

O seminário decorre ao longo de dois dias e incluirá sessões práticas, painéis temáticos e troca de experiências com especialistas nacionais e estrangeiros.

Presidente Chapo abre simpósio de hidráulica e gestão costeira em Maputo

A capital do país acolhe esta segunda-feira, 26 de Maio, a abertura do 16.º Simpósio de Hidráulica e Recursos Hídricos e do 11.º Congresso de Planeamento e Gestão das Zonas Costeiras da Lusofonia, eventos que terão lugar no Indy Village, em Maputo, sob a presidência de Daniel Chapo, Chefe de Estado moçambicano.

Realizados sob o lema “Gestão dos Recursos Hídricos e das Zonas Costeiras em Cenários de Adaptação Climática”, os encontros juntam técnicos, académicos, ambientalistas e decisores políticos de diversos países de língua portuguesa. O foco central: o diálogo técnico-científico e a procura por soluções sustentáveis diante das pressões crescentes da crise climática sobre as infraestruturas hídricas e as populações ribeirinhas.

Num país onde a escassez de água potável, a erosão costeira e os eventos climáticos extremos se tornaram desafios cíclicos, os debates previstos pretendem também reflectir sobre o papel das políticas públicas na antecipação e mitigação desses impactos. A título de ilustração, a cidade da Beira, exemplo recorrente de vulnerabilidade, continua a sofrer os efeitos de sucessivos ciclones, enquanto distritos ribeirinhos da Zambézia e Nampula enfrentam fenómenos de salinização dos solos e destruição de habitats naturais.

A iniciativa é liderada pela Aquashare e pela Associação Moçambicana de Avaliação de Impacto Ambiental (AMAIA), com o apoio de instituições congéneres do Brasil (ABRHidro), Cabo Verde (ACRH) e Portugal (APRH). A escolha de Maputo como palco do evento parece também sublinhar a urgência de incluir as zonas urbanas costeiras nas estratégias de resiliência climática, num contexto em que a capital cresce à beira da exaustão dos seus próprios recursos hídricos.

O Estado que promete deve cumprir. A dívida social também é dívida de dignidade.

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Apesar das promessas públicas, o Governo moçambicano continua a adiar o pagamento das horas extras e benefícios devidos a professores, profissionais de saúde, idosos e crianças em situação de vulnerabilidade. A situação, que se arrasta desde 2022, levanta sérias preocupações quanto à justiça laboral, à eficiência dos serviços públicos e ao respeito pelos compromissos do Estado com os seus servidores e cidadãos mais frágeis.

Promessas ainda sem solução

Segundo o Boletim Informativo Provincial do jornal Diário da Zambézia, professores daquela província ameaçam suspender as horas extras a partir do segundo semestre de 2025. Esta decisão poderá comprometer o funcionamento regular das escolas e afectar directamente milhares de alunos.

O governo, por meio do porta-voz do Conselho de Ministros, havia anunciado em Fevereiro que os pagamentos em atraso seriam realizados em duas fases: a primeira durante os 100 primeiros dias da nova governação, e a segunda no segundo trimestre deste ano (O País, 11 de Fevereiro de 2025). Até ao momento, os compromissos não foram integralmente cumpridos.

Grupos vulneráveis também aguardam

O próprio Presidente da República, Daniel Chapo, reconheceu em Abril a existência de dívidas relativas ao subsídio social básico destinado aos idosos e crianças vulneráveis:

“Temos alguma dívida com os nossos idosos, principalmente o subsídio social básico, aquele bem conhecido por subsídio do INAS. Vamos começar a fazer os pagamentos aos nossos idosos, às pessoas vulneráveis, às crianças que cuidam de outras crianças…” — afirmou o Chefe de Estado.

Reflexão necessária: por que não contratar jovens?

Diante da sobrecarga dos profissionais da função pública, por que não se adoptam medidas alternativas, como a contratação de jovens recém-formados como assistentes ou técnicos contratados por hora?
Essa solução criaria oportunidades de emprego e aliviaria os servidores efectivos, enquanto se garante continuidade dos serviços essenciais.

Opinião e alerta cívico

A demora nos pagamentos ameaça não só a estabilidade laboral dos professores e profissionais da saúde, mas também coloca em risco a qualidade do ensino e o bom funcionamento dos serviços públicos de saúde. Além disso, o incumprimento sistemático desses compromissos pode alimentar protestos, gerar tensões sociais e fragilizar a confiança no Estado.

Se queremos paz social e um país mais justo, é urgente que o Governo honre seus compromissos com quem mantém as salas de aula e os hospitais a funcionar, e com aqueles que mais precisam da protecção do Estado.

 

 

Moção de censura, instrumento para convocar novas eleições

   Ando com um certo pensamento, o qual me está atravessado, provocando-me um autêntico nó na garganta. Deixem-me expressá-lo nalgumas das minhas linhas de texto.

  Quero transmitir-vos a minha ideia, principalmente aos deputados da oposição, em Moçambique, para que possam agir, conforme deve ser vosso apanágio, vossa determinação e encargo por terem sido investidos nesse importante lugar, o de representarem quem vos elegeu…quem vos deu o cargo. Depois, depois, façam o favor de tirarem as vossas conclusões… Vou apresentar-vos, para vosso governo, a “moção de censura”.

  Antes de mais, partilho aqui o que regista a Constituição, a propósito da matéria de que vos falo: em Portugal, quero afirmá-lo, a moção de censura, prevista na Constituição e regulamentada no Regimento da Assembleia da República (AR), é um instrumento de fiscalização que permite a esse Órgão do País expressar a sua desaprovação pela actuação do Governo. Ora, o mesmo se passa e se enquadra em Moçambique, onde a moção de censura existe, também. E apresenta-se como sendo um mecanismo para o Parlamento expressar a sua insatisfação com a actuação do Governo e, por ventura, derrubá-lo.

  O efeito é o que passo a reproduzir: caso a moção de censura seja aprovada, o Presidente da Assembleia comunica o sucedido ao Presidente da República, que pode então solicitar a demissão do Primeiro-Ministro.

  Esta minha explanação para deixar uma ingénua pergunta: se esse cenário é possível, qual a razão das bancadas da oposição, com especial referência para o MDM, Renamo e Podemos (sei bem que não têm a maioria, mas é uma forma de chatear- desculpem a expressão – o status quo político e governativo) nunca terem usado essa cartada prevista na lei?

  Será que a oposição, em Moçambique, está domesticada? Ou mais grave: os srs. deputados estão tão bem de vida que se deixam andar, declinando os seus poderes, para continuarem a ter uma vidinha de fausto?

  1. Mondlane não é, na presente legislatura, deputado pelo que a sua intervenção está circunscrita ao simples facto de ter sido candidato à Presidência da República e de ser líder de um novo partido, o qual nunca foi a sufrágio. Tem, depois dessa caminhada de candidato a Chefe de Estado, os seus poderes mais que restringidos, estão completamente asfixiados. A sua representação, depois das eleições, é nula, em razão dos resultados.

  Os únicos a quem se podem pedir responsabilidades e intervenções, mesmo sabendo que caem em saco roto – mas ouvem-se as suas vozes discordantes e dissonantes, o que já faz que o seu som se repita pelo País e fora dele, ecoando, abanando a Frelimo e o seu Governo, é aos deputados. Vou aguardar que a oposição ganhe coragem para, à vez, ir apresentando moções de censura, mediante o que a lei lhe confere.

                                    António Barreiros, jornalista