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Mundial de Clubes da FIFA 2025: saiba onde assistir aos 63 jogos em Moçambique

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A 21ª edição do Campeonato Mundial de Clubes da FIFA arranca a 15 de Junho de 2025, com um formato inédito e uma dimensão sem precedentes. Serão 32 equipas em competição, 63 partidas disputadas em solo norte-americano, entre 15 de Junho e 13 de Julho. Os moçambicanos poderão acompanhar todos os encontros através das operadoras de televisão por subscrição DStv e GOtv.

Esta será a primeira edição realizada sob o novo modelo de expansão da FIFA para a prova, que procura replicar, no universo dos clubes, a lógica da Copa do Mundo de selecções. O torneio será acolhido pelos Estados Unidos da América, um ano antes do país voltar a ser palco do Campeonato do Mundo de 2026.

Formato alargado e presença global

Pela primeira vez, 32 clubes estarão em prova, distribuídos em oito grupos de quatro equipas cada. Os dois melhores classificados de cada grupo seguem para os oitavos-de-final, num sistema de eliminação directa até à final, agendada para o MetLife Stadium, em Nova Jersey.

Estarão representadas todas as seis confederações da FIFA. Da Europa, participam gigantes como o Real Madrid, Manchester City, Bayern de Munique, Paris Saint-Germain, Chelsea e Juventus. A América do Sul será representada por clubes históricos como Flamengo, River Plate e Boca Juniors. O continente africano marca presença com Al Ahly (Egipto), Wydad AC (Marrocos), Espérance de Tunis (Tunísia) e Mamelodi Sundowns (África do Sul).

Entre as particularidades desta edição, destaca-se a presença do Inter Miami, que terá o privilégio de disputar o jogo de abertura frente ao Al Ahly, no dia 15 de Junho, em Miami.

Transmissão em Moçambique

Em Moçambique, os direitos de transmissão serão assegurados pela SuperSport, disponível na DStv e GOtv. Durante o torneio, o canal SuperSport Premier League será temporariamente rebatizado como SuperSport FIFA Club World Cup, com cobertura total de todas as partidas.

Os assinantes da DStv, a partir do pacote Fácil, e da GOtv, a partir do pacote Plus, terão acesso ao torneio. Adicionalmente, partidas seleccionadas serão transmitidas nos canais Máximo 2, SS LaLiga e SS Máximo 360.

A aposta na transmissão digital também estará disponível: tanto o DStv Stream quanto o GOtv Stream permitirão acompanhar os jogos em directo nos dispositivos móveis, desde que o cliente disponha de ligação de dados ou WIFI estável.

O Mundial de Clubes 2025 surge não apenas como um torneio, mas como uma montra do futebol global às vésperas do Mundial de 2026. Trata-se de uma plataforma para exibição de talentos, mas também de ensaio logístico e organizacional para o megaevento que se aproxima.

Com prémios financeiros que totalizam mil milhões de dólares, esta edição marca um salto económico significativo na história da prova, reflectindo a aposta da FIFA na monetização global do futebol de clubes.

Entre os especialistas, há quem veja neste alargamento um ensaio para a futura reformulação das competições continentais, numa altura em que o equilíbrio financeiro e desportivo entre os clubes europeus e o resto do mundo permanece tema de debate intenso.

Ubisse apresenta hoje “Matamos o Nosso Chefe” em Quelimane

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Na tarde desta terça-feira, é lançado em Quelimane o livro “Matamos o Nosso Chefe”, da autoria de Vitorino Ubisse Oliveira. O evento decorre nos átrios da Rádio Chuabo FM.

A obra reúne narrativas que exploram temas profundos como a crise da masculinidade e os conflitos culturais, marcas distintas do estilo do autor.

Natural da cidade da Beira, Ubisse estreou-se na literatura em 2023 com o conto “Há Exorcismos em Njofane”, que já havia despertado atenção pela sua abordagem singular da realidade moçambicana.

Moçambique e Eswatini reforçam cooperação para impulsionar o desenvolvimento económico

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O Presidente da República, Daniel Chapo, e o Rei Mswati III, de Eswatini, reafirmaram esta semana, em Mbabane, o firme compromisso de fortalecer os laços históricos de amizade, solidariedade e cooperação entre os dois países. O encontro resultou em entendimentos concretos nas áreas de infra-estruturas, energia, comércio e desenvolvimento económico, com destaque para iniciativas conjuntas no corredor de desenvolvimento.

“Foi um momento ímpar, onde recebemos os ensinamentos de uma mãe para um filho sobre como devemos continuar a cultivar e cementar a amizade entre Eswatini e Moçambique”, disse Chapo.

Por sua vez, o Rei Mswati III saudou a eleição de Chapo e valorizou o facto de a visita oficial ocorrer no principio do mandato.   “Estamos felizes que logo que entraste no poder como novo presidente de Moçambique, encontraste espaço no teu programa de trabalho para vir-nos visitar”, disse.

Ambos os líderes defenderam o papel dos governos na criação de um ambiente favorável ao investimento privado e no combate ao desemprego, através do fomento de parcerias empresariais sustentáveis.

Cultura e saber em destaque na programação de Junho da Associação dos Bons Sinais

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A cidade de Quelimane acolhe, durante o mês de Junho, uma série de actividades culturais e académicas promovidas pela Associação dos Bons Sinais, com epicentro no Centro Cultural Bons Sinais — espaço emblemático instalado na antiga Catedral Velha.

A programação arranca no sábado, 14 de Junho, às 15 horas, com uma cerimónia de casamento civil de carácter privado, demonstrando o reconhecimento do espaço como cenário digno para eventos de elevado simbolismo.

No domingo, 15 de Junho, à mesma hora, o espaço abre-se ao público com uma sessão do CEU — Clube de Estudos sobre o Universo, uma iniciativa voltada à promoção de debates e workshops sobre ciência, filosofia e pensamento crítico, numa tentativa ousada de reanimar a tradição dos clubes de leitura e discussão intelectual que marcaram época nas décadas passadas.

A quarta-feira, 18 de Junho, reserva um dos momentos altos do mês: o lançamento do livro Lamúrias para o meu amor, marcado para as 17 horas. Embora o título sugira um registo melancólico, espera-se uma obra carregada de lirismo e reflexões íntimas, a confirmar o crescente interesse da juventude moçambicana pela escrita autoral e confessional.

O mês encerra com mais uma sessão do CEU, no domingo, 22 de Junho, igualmente às 15 horas, consolidando este encontro como um espaço regular de diálogo e aprendizagem comunitária.

 

Local: Centro Cultural Bons Sinais (Ex-Catedral Velha), Quelimane, Moçambique
Organização: Associação dos Bons Sinais
Entrada: Livre, excepto para eventos privados

CMB acolhe Alto Comissário da Índia em visita oficial à Beira

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O Presidente do Conselho Municipal da Beira (CMB), Albano Carige, recebeu esta quinta-feira, 06 de Junho, o Alto Comissário da Índia em Moçambique, Shri Robert Shetkintong, numa visita de cortesia que insere-se numa missão de trabalho mais ampla a várias estâncias indianas e ao Ministério dos Negócios Estrangeiros.

A deslocação do diplomata indiano à cidade da Beira reflecte o interesse crescente da Índia em reforçar os laços de cooperação bilateral com Moçambique, com especial atenção ao potencial estratégico da capital da província de Sofala.

Durante o encontro, Albano Carige e Shri Shetkintong trocaram impressões sobre possíveis áreas de colaboração, com destaque para comércio, educação, saúde, energias renováveis e capacitação institucional, bem como o envolvimento de empresas indianas em projectos de desenvolvimento urbano e infraestrutural da Beira.

A presença do Alto Comissário indiano nesta autarquia é igualmente vista como um sinal de reconhecimento da importância económica e geoestratégica da Beira, sobretudo no contexto da sua posição como corredor logístico regional com acesso privilegiado ao hinterland africano.

Zambézia reforça posição estratégica na cimeira bilateral entre Moçambique e Malawi

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A Província da Zambézia marcou presença destacada nas conversações bilaterais entre Moçambique e Malawi, realizadas no âmbito da visita oficial do Presidente da República, Daniel Chapo, ao país vizinho. A comitiva moçambicana integrou representantes do sector público e privado da Zambézia, liderados pelo Governador Pio Augusto Matos, num gesto que evidencia o crescente papel da província no xadrez económico e diplomático da região.

A delegação zambeziana foi composta pela Diretora Provincial da Indústria e Comércio, Regina Ngonde; pelo Diretor Provincial da Saúde, Blayton Caetano; pelo empresário Muzafar Abdul Aziz, da Muza Investimentos Lda; e por Raison Chauluka, em representação da Agro Trading e Comércio Geral Lda.

Num momento em que a diplomacia económica ganha novo fôlego, os memorandos assinados entre os dois países cobrem áreas nevrálgicas como comércio, segurança, energia, gestão de recursos hídricos e desenvolvimento de infraestruturas. O Presidente Daniel Chapo sublinhou que a iniciativa visa aprofundar os laços de amizade e solidariedade entre os povos, dando continuidade a dossiês herdados do anterior chefe de Estado, Filipe Nyusi.

“Pretendemos dar continuidade aos projectos deixados pelo antigo Presidente da República, Filipe Nyusi, como exemplo, o Corredor de Desenvolvimento Moçambique – Malawi,” afirmou Chapo, indicando uma linha de continuidade na política externa moçambicana.

O Governador Pio Matos, por sua vez, reiterou a confiança da Zambézia nos resultados concretos dos compromissos assumidos. Destacou, em particular, o relançamento do Corredor de Desenvolvimento Moçambique-Malawi como um eixo essencial para a dinamização do Porto de Quelimane e, por extensão, da economia provincial. “Acreditamos que a revitalização deste corredor terá impactos positivos diretos na circulação de mercadorias e na atracção de investimentos para a nossa região”, frisou.

Paralelamente às conversações políticas, realizou-se um almoço de negócios que reuniu empresários de ambos os países, num espaço propício para networking, troca de experiências e assinatura de parcerias comerciais. A participação activa de representantes do sector privado reforça a abordagem de diplomacia económica defendida pelo actual Executivo.

A Zambézia posiciona-se, assim, como ponto nevrálgico da cooperação regional, com potencial de se tornar um elo logístico e comercial entre o litoral moçambicano e o interior malawiano. A assinatura dos memorandos bilaterais representa um marco na estratégia de internacionalização económica da província e do país.

O Presidente da República não é rei tribal

Na semana passada, assistimos a mais filme do governo e que atenta contra a nossa inteligência colectiva. Durante uma visita de trabalho à província de Gaza, o Presidente da República, recebeu das mãos da governadora Margarida Mapandzene uma generosa “oferta” composta por dez quilos de castanha de caju, 250 quilos de laranja, 250 quilos de mandioca, uma tonelada de arroz, um casal de suínos, 85 quilos de peixe, seis cabritos, dez ovinos e vinte cabeças de gado.

Perante a justa indignação da sociedade, o porta-voz do governo, Inocêncio Impissa, veio justificar e diz que essas ofertas não violam a Lei de Probidade Pública. Pior ainda, tentou escudar-se num discurso pseudo-cultural, afirmando que são gestos normais dentro da tradição africana de hospitalidade. Um argumento frágil, perigoso e ofensivo.

A Lei de Probidade Pública existe para proteger o interesse público da corrupção manhosa, sao esses favores disfarçados de “gentilezas”. Ao contrário do que disse Impissa, não é preciso que haja um contrato explícito entre quem oferece e quem recebe. Basta que o gesto tenha potencial para comprometer a imparcialidade, criar dívida simbólica ou afectar o juízo livre do servidor público. Isso basta. E isso é o que ocorreu em Gaza.

A governadora não é uma cidadã qualquer. É uma dirigente política que responde, directa ou indiretamente, ao Presidente. Quando uma representante do Estado oferece, em nome da província, toneladas de bens alimentares ao Chefe de Estado, está a fazer política. Não é gesto de cortesia. É gesto de subserviência.

É profundamente insultuoso invocar a tradição africana de hospitalidade como escudo para legitimar práticas institucionalmente questionáveis. A cultura moçambicana é rica, sim mas não pode ser usada como tapete para esconder práticas clientelistas.

Na tradição africana, quando alguém chega a uma aldeia, é recebido com hospitalidade enquanto ser humano, e não enquanto autoridade política. A diferença é profunda. O Presidente da República não foi a Gaza como um visitante qualquer. Foi em visita oficial, com toda a máquina do Estado. Recebê-lo com 20 cabeças de gado não é hospitalidade — é bajulação institucional.

Outro argumento insultuoso do porta-voz foi dizer que “não se espera nada em troca” dessas ofertas. Será que o senhor Impissa vive no mesmo país que nós? O povo moçambicano espera, sim, e com todo o direito, que o Presidente da República melhore os serviços públicos, invista em saúde, resolva o desemprego e promova justiça social. Não são favores. São obrigações constitucionais do cargo que ocupa.

Quando a população oferece algo ao Presidente, está a tentar comprar esperança, antecipar atenção, mendigar prioridade. E isso não deveria ser necessário num Estado de Direito funcional.

Dizer que os bens serão entregues a orfanatos ou às Forças de Defesa e Segurança é, no máximo, um exercício de limpeza de imagem. A questão aqui não é o destino, mas o acto de aceitar ofertas valiosas no exercício de uma função pública. É como um juiz aceitar um presente e depois doar a uma igreja, continua a ser antiético.

Moçambique presta tributo a Edgar Lungu

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Presidente Chapo envia condolências à Zâmbia pela morte do antigo Chefe de Estado

O Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, manifestou nesta quinta-feira a sua solidariedade ao povo da Zâmbia pela morte do antigo Presidente Edgar Chagwa Lungu, ocorrida a 5 de Junho de 2025, em Lusaka, vítima de doença.

Num comunicado emitido pelo Gabinete de Imprensa da Presidência da República, o Chefe do Estado moçambicano dirigiu uma mensagem formal de condolências ao seu homólogo zambiano, Hakainde Hichilema, destacando o papel relevante desempenhado por Edgar Lungu enquanto estadista, líder regional e defensor da estabilidade democrática.

“O Presidente Lungu foi um patriota que serviu o seu país como um estadista de alto nível, liderando a República da Zâmbia rumo à consolidação da estabilidade política através da democracia multipartidária”, lê-se na mensagem assinada por Chapo.

Edgar Lungu, que presidiu os destinos da Zâmbia entre 2015 e 2021, deixa um legado controverso, mas incontornável, num país marcado por tensões sociais, desafios económicos e uma transição pacífica de poder após eleições competitivas. Durante o seu mandato, posicionou-se como um pilar dentro da SADC, participando activamente em fóruns sobre segurança regional e integração económica.

A presidência moçambicana sublinhou, na nota, que a morte de Lungu representa “uma perda irreparável”, não apenas para a nação zambiana, mas para todo o continente africano. O documento reitera ainda a solidariedade do povo moçambicano à família enlutada e ao Governo da Zâmbia neste momento de consternação nacional.

“A região da SADC e todo o continente africano serão, eternamente, gratos pela importante contribuição do antigo Presidente Lungu para os esforços comuns para garantir a paz e a segurança em toda a região e no continente”, escreveu Chapo, assumindo um tom de tributo que transcende fronteiras.

Moçambique e Zâmbia mantêm laços históricos, forjados durante o período das lutas de libertação e consolidados ao longo de sucessivas lideranças. A morte de Lungu, que sucedeu Michael Sata e antecedeu Hichilema, encerra um ciclo da política zambiana com marcas na memória diplomática moçambicana.

Enquanto o país vizinho prepara-se para render honras fúnebres a uma das suas figuras mais notórias do pós-independência, Maputo baixa a bandeira em sinal de respeito a um dos homens que, com acertos e omissões, moldou a face política do sul do continente.

 

Quelimane – a minha Terra, uma inspiração, escreve Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo

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O Almirante Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo, herói nacional do processo de vacinação contra a COVID-19 em Portugal e hoje candidato à Presidência da República Portuguesa, é um dos filhos de Quelimane. Sim, nascido à beira do rio dos Bons Sinais, entre o som das marés e a cadência plural da cidade das bicicletas, Gouveia e Melo carrega na alma os traços profundos da sua terra natal — uma Quelimane que não é apenas saudade, mas “uma permanente inspiração”, como escreveu no seu tocante texto “Quelimane – a minha Terra, uma inspiração.”

O artigo, publicado originalmente em Portugal e amplamente partilhado nos círculos da diáspora moçambicana, é uma ode à infância e à memória. Com rara sensibilidade, o agora presidenciável relembra os dias passados entre o Clube Náutico, a Marginal, o Liceu João Azevedo Coutinho, e a praia de Zalala. Evoca o cosmopolitismo singular da cidade, onde africanos, europeus, indianos e chineses partilhavam um mesmo chão e um mesmo tempo, com igrejas e mesquitas lado a lado — símbolo vivo da diversidade que nos une.

A Câmara de Comércio Portugal-Moçambique prestou homenagem a este filho de Quelimane, lado a lado com o também quelimanense Manuel de Araújo, actual Presidente do Município de Quelimane. A distinção visou “figuras ímpares da nossa cultura, desporto e ciência, pela simpatia, mérito empresarial, camaradagem e serviços prestados em prol da sociedade”. Um gesto que, mais do que simbólico, carrega o peso de uma história partilhada entre povos e mares.

Caso venha a ser eleito, Gouveia e Melo será o próximo Presidente da República Portuguesa, substituindo o actual Chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa. A sua eleição marcaria, para os filhos de Quelimane, uma travessia emocional sem precedentes — de uma infância entre o rio e o colégio Paulo VI, até ao mais alto cargo da República no antigo país colonizador.

A trajetória do Vice-Almirante não pode ser dissociada da cidade que o viu nascer. E, por isso, Quelimane deve reclamar com orgulho o lugar que lhe cabe nesta história. Porque é também sobre nós que esse farol brilha, sobre esta cidade que ensinou a um futuro presidente o valor da humildade, da diversidade e da dignidade humana.

Quelimane não é para mim uma saudade, mas uma permanente inspiração — disse ele. E que essa inspiração continue, como um canto do Índico, até os corredores de Belém.

Jornal Txopela
Ao serviço de Moçambique e do mundo.

 

Leia o artigo na integra:

Nasci em Quelimane, saí de lá por volta dos 14/15 anos de idade.

Quando olho para o caminho que percorri, agradeço a Deus ter nascido nesta pequena e pacata cidade, na foz do rio dos Bons Sinais, em Moçambique, onde as circunstâncias me proporcionaram uma infância verdadeiramente feliz e equilibrada, entre a natureza, muito presente no dia a dia, seres humanos de diferentes raças e credos, numa comunidade vibrante e cheia de energia, num mundo pequeno inserido num oásis num espaço muito mais amplo, africano. Foi aí também que senti o sopro dos ventos de mudança que afetaram todas as nossas vidas futuras, a Revolução, o princípio da descolonização, o fim do último império ocidental.

Vivia na marginal, a 50 metros da Piscina Municipal, com o rio dos Bons Sinais pela frente e a Igreja de Nossa Senhora do Livramento ao lado.
Os meus pais educaram-me com princípios e valores cristãos, respeitador, autoconfiante, mas sem orgulhos deslocados ou sentimento de qualquer forma de superioridade, com carinho quanto bastasse, mas sem proteção especial. Conferiram com isso “asas” à minha resiliência e adaptabilidade, essenciais no meu futuro percurso.

Lembro-me de viver entre a Piscina, o Clube Náutico, a Escola Vasco da Gama, o Colégio Paulo VI e, depois, o Liceu João Azevedo Coutinho, já nos arredores da cidade.
Guardo memórias de cheiros e sons do rio dos Bons Sinais, onde nadei, brinquei e velejei, dos amigos da marginal, dos Sedeval Martins, meus amigos de infância e adolescência, da Capitania do Porto e da sua rampa, onde se picava a ferrugem dos cascos metálicos das embarcações, dos passeios e das caçadas nas savanas africanas, das praias, em especial da fabulosa praia de Zalala.

Guardo também memórias do meu irmão, já falecido, o Manuel, maior do que a vida, um verdadeiro enfant terrible, que deixava o meu pai com “os nervos em franja,” mas que tinha “ um coração do tamanho do mundo ” e que se tornou uma personagem na cidade.
Lembro-me que Quelimane na sua pequenez era estranhamente cosmopolita, uma junção de europeus, africanos, indianos e alguns chineses, com duas igrejas e uma mesquita, parte natural da comunidade.

Regressado de África em 1975, fui para o Brasil, onde passei da pacata Quelimane, com uma pequena paragem em Viseu, para a gigantesca metrópole de São Paulo. Curiosamente, não me senti amedrontado, algo de selvagem em mim, nutrido em África, me preparou para esse choque e para muitos outros seguintes.
De volta a Portugal, entrei na Escola Naval em 1979. Curiosamente, e por feliz coincidência, aportámos no mesmo curso três quelimanenses: eu, o João Azevedo e o José Costa e Castro, este último meu companheiro nos submarinos durante muitos anos.
Quiseram as circunstâncias da vida que o mar, na sua dimensão, a solidão e a torça dos elementos me fizessem sentir tantas vezes a minha terra natal, na imensidão das suas planícies e savanas, nas tempestades tropicais e na força indomada da natureza que nos fazia sentir pequeninos, indefesos e com um verdadeiro sabor da fragilidade humana. Nestas ocasiões, os cheiros, os sons e os esplendor do pôr e do nascer do sol prendiam-me num limbo transcendente de quase felicidade.

Após uma longa carreira na Marinha de Guerra Portuguesa, grande parte realizada em submarinos, as circunstâncias vieram tornar-me o coordenador do processo de vacinação contra a covid-19.
O processo de vacinação contra a Covid-19 veio colocar Portugal numa posição cimeira e singular, tendo sido o primeiro país do Mundo a ultrapassar a marca de 85% de vacinação completa.
Este sucesso não é meu, mas de toda uma comunidade que se soube unir em torno de uma ideia simples: combater um vírus mortal e resgatar o controlo das nossas vidas. Isto implicou um esforço coletivo gigantesco, em que reagimos, de forma excecional, enquanto comunidade unida por um desígnio. Estou em crer que vencemos a primeira batalha, mas que a “guerra” continua e que nada está ainda garantido a longo prazo. E é sobre isto que gostaria de escrever algumas poucas palavras e através delas lembrar Quelimane.

Enquanto privilegiado que fui, pela posição e pela sorte, não posso esquecer de que tínhamos uma relação muito desigual para com uma grande comunidade de africanos à nossa volta. Durante a crise e a entrada da Troika para Portugal, voltei a pensar em Quelimane, interiorizando melhor o que se sente quando nos acusam de indolentes, quando rebaixam a nossa estima e nos roubam a esperança. Por isso, Quelimane não é para mim uma saudade, mas uma permanente inspiração.
O mundo ocidental tem de fazer a sua “guerra” de vacinar as partes menos desenvolvidas do planeta Terra; vivemos todas na mesma nave que circula o Sol, uma nave limitada e interconectada pela globalização. Na mesma Quelimane onde nascemos, estão seres desprotegidos, sem acesso a tantas coisas que consideramos banais. A essa e outras cidades, devemos fazer chegar as vacinas contra a covid-19, devemos lutar por isso enquanto privilegiados que somos.

Assim termino a minha história sobre Quelimane, dizendo que Quelimane me gravou no coração a certeza de que não há seres humanos menos importantes ou descartáveis nem lugares que possam ser esquecidos e que não mais deixarei que a minha consciência descanse e que seja “envenenada” por uma ética e moral relativa, focada só num pequeno mundo próximo.

Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo

Destituir Araújo, Destruir a Renamo!

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NOTA EDITORIAL — JORNAL TXOPELA

Esta semana, chegou à redacção do Jornal Txopela uma reflexão contundente assinada pelo Dr. Jorge Fernandes, médico reformado, cidadão atento e ex-dirigente municipal com um legado na cidade de Quelimane.

Jorge Fernandes não é um nome estranho aos quelimanenses. Dedicou décadas da sua vida ao serviço público, especialmente na área da saúde, tendo assumido responsabilidades nos Pelouros da Saúde durante a governação municipal anterior. Dirigiu o projecto pioneiro das ambulâncias gratuitas, que permitiu pela primeira vez que doentes fossem buscados nas suas residências para os hospitais e postos de saúde —um modelo que hoje serve de inspiração a outras autarquias. Também sob a sua liderança, foi implementado o serviço funerário municipal, um instrumento fundamental de apoio às famílias em momentos difíceis.

O Dr. Jorge Fernandes conhece, como poucos, os corredores da edilidade e o pulsar da cidade. Por isso, a sua análise sobre os recentes acontecimentos na Assembleia Municipal de Quelimane, onde pela primeira vez na história as três bancadas chumbaram o Relatório de Actividades do Município, não deve ser lida como um mero desabafo, mas como um alerta de quem sempre tratou Quelimane com o cuidado de um clínico experiente. Leia-o abaixo:

O QUE SE PASSA NO MUNICÍPIO DE QUELIMANE?
Uma coisa espantosa aconteceu numa Assembleia Geral neste município, algo nunca antes visto numa edilidade em Moçambique: as três bancadas da AM chumbaram o Relatório das Atividades do Município do ano anterior.

É espantoso que, pela primeira vez na história em Moçambique, em qualquer autarquia que seja, tenha acontecido esta unanimidade.

É espantoso que a bancada maioritária, cujos membros em princípio já conheciam, tinham discutido e aprovado os documentos, na sessão solene da AM os tenha reprovado.

Estes são os procedimentos na preparação para qualquer sessão da AM: o executivo elabora os documentos, que são aprovados numa reunião de vereadores e diretores do município. Estes documentos, uma vez aprovados, deverão então ser também aprovados pelos membros da AM da bancada da Renamo e só depois enviados para todos os membros da AM — tudo isso atempadamente, antes da dita sessão geral da AM. Este procedimento normal para todas as AM sempre foi praticado por qualquer que seja o partido que esteja a dirigir o município — neste caso, também pela Renamo.

Em caso, por exemplo, de desvio de aplicações, poderia-se antes apurar o problema e resolver legalmente — por exemplo, com reposição de fundos, instauração de processos disciplinares, etc. Está tudo previsto nos Estatutos do Funcionário do Estado quando aparecem irregularidades. Só depois disso os documentos seriam aprovados e levados à AM.

O que há por detrás disto?
Parece haver manobras estranhas. Fala-se de um plano diabólico que está em execução há muitos meses:

Primeiro passo – Provocar insatisfação geral de todos os membros do município (membros da AM, vereadores e diretores, funcionários). Como? O Governo da Frelimo bloqueou e não faz chegar ao município os fundos para pagamento de salários (há cinco meses que não recebem os salários)!

Segundo passo – Desacreditar MA – foi o que aconteceu na sessão solene da AM. A bancada da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), na Assembleia Municipal (AM) de Quelimane, na província da Zambézia, acusou, na sexta-feira, a edilidade de desviar cerca de 86.733.846,15 meticais.

Terceiro passo – O Presidente da Renamo, Ossufo Momade (OM), instaria MA a apresentar a sua demissão ou seria demitido. Já circulam notícias de que MA apresentará a sua demissão.

Quarto passo – O Presidente da AM passaria a Presidente do Município.

Teríamos então um município da Renamo frelimizada, uma bancada maioritária da Renamo frelimizada, vereadores e diretores da Renamo frelimizada. E principalmente, MA desacreditado, sem voz para criticar.

Paralelamente, nas redes sociais aparece, numa montagem, MA a criticar OM na metade esquerda, e na metade direita os comentários de VM7 sobre os quadros da Renamo — dá a impressão de que os comentários de VM7 são dirigidos a MA. Faz parte da campanha de descrédito de MA?

Compensações: recebimento imediato de fundos que permitiriam o pagamento total dos vencimentos em atraso e outras compensações que foram prometidas e que estão no sigilo dos deuses Chapo e Ossufo Momade.

Será verdade? Dá para desconfiar, perante estes acontecimentos inusitados.

A ver vamos!

Dr. JF, em 3 de Junho de 2025

A “grande conspiração”: Manuel de Araújo “sob fogo amigo” na liderança do Município de Quelimane