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NOTA EDITORIAL — JORNAL TXOPELA

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Esta semana, chegou à redacção do Jornal Txopela uma reflexão contundente assinada pelo Dr. Jorge Fernandes, médico reformado, cidadão atento e ex-dirigente municipal com um legado na cidade de Quelimane.

Jorge Fernandes não é um nome estranho aos quelimanenses. Dedicou décadas da sua vida ao serviço público, especialmente na área da saúde, tendo assumido responsabilidades nos Pelouros da Saúde durante a governação municipal anterior. Dirigiu o projecto pioneiro das ambulâncias gratuitas, que permitiu pela primeira vez que doentes fossem buscados nas suas residências para os hospitais e postos de saúde —um modelo que hoje serve de inspiração a outras autarquias. Também sob a sua liderança, foi implementado o serviço funerário municipal, um instrumento fundamental de apoio às famílias em momentos difíceis.

O Dr. Jorge Fernandes conhece, como poucos, os corredores da edilidade e o pulsar da cidade. Por isso, a sua análise sobre os recentes acontecimentos na Assembleia Municipal de Quelimane, onde pela primeira vez na história as três bancadas chumbaram o Relatório de Actividades do Município, não deve ser lida como um mero desabafo, mas como um alerta de quem sempre tratou Quelimane com o cuidado de um clínico experiente. Leia-o abaixo:

O QUE SE PASSA NO MUNICÍPIO DE QUELIMANE?
Uma coisa espantosa aconteceu numa Assembleia Geral neste município, algo nunca antes visto numa edilidade em Moçambique: as três bancadas da AM chumbaram o Relatório das Atividades do Município do ano anterior.

É espantoso que, pela primeira vez na história em Moçambique, em qualquer autarquia que seja, tenha acontecido esta unanimidade.

É espantoso que a bancada maioritária, cujos membros em princípio já conheciam, tinham discutido e aprovado os documentos, na sessão solene da AM os tenha reprovado.

Estes são os procedimentos na preparação para qualquer sessão da AM: o executivo elabora os documentos, que são aprovados numa reunião de vereadores e diretores do município. Estes documentos, uma vez aprovados, deverão então ser também aprovados pelos membros da AM da bancada da Renamo e só depois enviados para todos os membros da AM — tudo isso atempadamente, antes da dita sessão geral da AM. Este procedimento normal para todas as AM sempre foi praticado por qualquer que seja o partido que esteja a dirigir o município — neste caso, também pela Renamo.

Em caso, por exemplo, de desvio de aplicações, poderia-se antes apurar o problema e resolver legalmente — por exemplo, com reposição de fundos, instauração de processos disciplinares, etc. Está tudo previsto nos Estatutos do Funcionário do Estado quando aparecem irregularidades. Só depois disso os documentos seriam aprovados e levados à AM.

O que há por detrás disto?
Parece haver manobras estranhas. Fala-se de um plano diabólico que está em execução há muitos meses:

Primeiro passo – Provocar insatisfação geral de todos os membros do município (membros da AM, vereadores e diretores, funcionários). Como? O Governo da Frelimo bloqueou e não faz chegar ao município os fundos para pagamento de salários (há cinco meses que não recebem os salários)!

Segundo passo – Desacreditar MA – foi o que aconteceu na sessão solene da AM. A bancada da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), na Assembleia Municipal (AM) de Quelimane, na província da Zambézia, acusou, na sexta-feira, a edilidade de desviar cerca de 86.733.846,15 meticais.

Terceiro passo – O Presidente da Renamo, Ossufo Momade (OM), instaria MA a apresentar a sua demissão ou seria demitido. Já circulam notícias de que MA apresentará a sua demissão.

Quarto passo – O Presidente da AM passaria a Presidente do Município.

Teríamos então um município da Renamo frelimizada, uma bancada maioritária da Renamo frelimizada, vereadores e diretores da Renamo frelimizada. E principalmente, MA desacreditado, sem voz para criticar.

Paralelamente, nas redes sociais aparece, numa montagem, MA a criticar OM na metade esquerda, e na metade direita os comentários de VM7 sobre os quadros da Renamo — dá a impressão de que os comentários de VM7 são dirigidos a MA. Faz parte da campanha de descrédito de MA?

Compensações: recebimento imediato de fundos que permitiriam o pagamento total dos vencimentos em atraso e outras compensações que foram prometidas e que estão no sigilo dos deuses Chapo e Ossufo Momade.

Será verdade? Dá para desconfiar, perante estes acontecimentos inusitados.

A ver vamos!

Dr. JF, em 3 de Junho de 2025

A “grande conspiração”: Manuel de Araújo “sob fogo amigo” na liderança do Município de Quelimane


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O Jornal Txopela é um dos principais órgãos de comunicação social independentes da província da Zambézia, em Moçambique. Fundado com o propósito de oferecer um jornalismo crítico e de investigação, o Txopela destaca-se pela sua abordagem incisiva na cobertura de temas políticos, sociais e económicos, dando voz às comunidades e promovendo o debate público.

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