“Quando a liberdade de expressão começa a ser tratada como ameaça, é sinal de que a democracia está a ficar sem ar.”
Receba notícias e alertas em primeira mão diretamente no seu telemóvel.
👉 Seguir Canal no WhatsApp
Foi com grande preocupação que tomei conhecimento da proposta de nova Lei da Comunicação Social, submetida pelo Governo à Assembleia da República em Dezembro de 2020 e que, até à data, permanece por aprovar. Esta semana, o Presidente da República, Daniel Chapo, instou o parlamento a acelerar a sua aprovação.
A questão que se impõe não é apenas o porquê da demora, mas o que está realmente em jogo com esta proposta. E a resposta é simples: a liberdade de imprensa, o pluralismo de vozes e a sobrevivência do jornalismo cidadão e comunitário em Moçambique.
Os riscos não podem ser ignorados
A análise técnica do documento revela pontos altamente preocupantes:
- A exigência de Carteira Profissional para o exercício do jornalismo pode excluir jornalistas independentes, colaboradores comunitários e activistas digitais;
- A definição restrita de “jornalista” ignora realidades locais onde a informação é feita por voluntários, estudantes e cidadãos comprometidos;
- O anúncio de um órgão regulador “independente” carece de garantias claras de autonomia, podendo ser facilmente capturado por interesses políticos;
- A menção à regulação dos conteúdos digitais pode abrir portas para limitação da liberdade nas redes sociais, afectando o papel dos cidadãos repórteres.
A comunicação não é monopólio
Num país democrático com a existência das rádios comunitárias em zonas remotas, activistas de Direitos Humanos e Cidadãos Repórteres que usam as redes sociais e o WhatsApp para partilhar denúncias, e jovens que documentam injustiças com os seus telemóveis, restringir o jornalismo a quem possui uma carteira é um ataque à própria democracia.
A actual Lei número 18/91 reconhece, no seu Artigo 26, qualquer pessoa que se dedica à recolha e divulgação de informação. Esse espírito inclusivo não pode ser perdido.
Proposta para um caminho democrático
Apelo ao MISA Moçambique, ao Conselho Superior da Comunicação Social e ao Sindicato Nacional de Jornalistas para que:
- Organizem urgentemente uma consulta pública nacional sobre esta proposta de lei;
- Garantam que todas as vozes – incluindo jornalistas comunitários, plataformas digitais e organizações da sociedade civil – sejam ouvidas;
- Defendam um modelo de regulação que proteja a liberdade e não imponha filtros políticos ou profissionais elitistas.
Não há democracia sem imprensa livre e acessível
A democracia nasce quando o cidadão comum tem voz. Silenciar, restringir ou profissionalizar de forma exclusiva o direito à comunicação é instaurar uma censura disfarçada de modernização.
O momento exige vigilância, firmeza e coragem.
Hoje, qualquer um pode ser um repórter do povo. E isso é bom. Isso é democracia. Não deixemos que a nova lei se transforme em um instrumento de exclusão ou medo. É urgente agir agora — antes que seja tarde demais.
#ComunicaçãoLivre #LeiDaImprensa2025 #ConsultaPúblicaJá #JornalismoéDireito #LiberdadeDeExpressãoMoç
Discover more from Jornal Txopela
Subscribe to get the latest posts sent to your email.
📢 Anuncie no Jornal Txopela!
Chegue mais longe com a sua marca.
Temos espaços disponíveis para publicidade no nosso site.
Alcance milhares de leitores em Moçambique e no mundo.
Saiba mais e reserve já


