Sintonize a Rádio Chuabo – 103.0 FM

Início Site Página 142

Dia de África celebrado na Biblioteca do BCI em Nampula

Teve lugar, no sábado, 25 de Maio, na Mediateca do BCI em Nampula, um encontro literário que juntou escritores, estudantes, docentes e amantes da literatura, por ocasião da passagem do Dia de
África, assinalada anualmente nesta data.
Inserido no âmbito da política de responsabilidade social do BCI, o evento foi promovido numa parceria com a Elarte Produções, a Academia de São Pedro da Aldeia e o Clube de Leitura Olhar Literário, e subordinou-se ao tema "O despertar da consciência negra", em torno do texto "o último
discurso de Ngungunhane" da obra do escritor moçambicano Ungulani Ba ka Khosa.

Num ambiente descontraído e com bastante animação, houve espaço para partilha de reflexões, declamação de poesia e acuação musical. Na sequência, um dos oradores convidados, Francisco Gaita, docente na Universidade Rovuma, fez uma abordagem sobre o cruzamento entre as obras literárias, o período histórico em análise, e a actualidade. “Precisamos de ler estes textos, enquadrados neste contexto em que vivemos”, disse, apontando para o objectivo deste recurso: “rememorar a narrativa da libertação do continente africano”. E explicou: “rememorar é da mesma linha que a releitura.

É actualizar. As narrativas independentistas das autonomias nacionais precisam de ser actualizadas”. No encontro, entre outros intervenientes, a organização contou com as contribuições do filósofo e docente da Universidade Rovuma, Felizardo Pedro.

Todos os 51 jogos do Euro 2024 serão transmitidos em directo e exclusivo na DStv e GOtv

0

É oficial! A MultiChoice, através da DStv e GOtv Moçambique,
anunciou a aquisição dos direitos da transmissão em directo e em exclusivo de todos os 51 jogos do EURO 2024. O
campeonato da Europa de Futebol vai arrancar no próximo mês, dia 14 de Junho, na Alemanha.
A DStv e GOtv trazem para si os melhores magazines, destaques, actualizações e todas as notícias deste
Campeonato Europeu. São as única e verdadeiras casas de futebol em Moçambique, oferecendo uma gama e uma
profundidade de acção que nenhum outro concorrente consegue igualar. É literalmente, 'futebol imbatível'.

Por que o Euro 2024 é imperdível?
O jogo de abertura entre a Alemanha e a Escócia dá o mote para um torneio recheado de rivalidades históricas e
novos confrontos promissores.
 Espanha vs Itália, na quinta-feira, 20 de junho
 Holanda vs França, na sexta-feira, 21 de junho
São apenas alguns dos jogos explosivos que tornam este torneio impossível de perder. Experimente a intensidade
e a paixão do melhor futebol da Europa nas plataformas DStv e GOtv, onde todos os jogos são em directo e
exclusivos.

Independentemente do seu orçamento ou estilo de vida, a MultiChoice tem tudo o que precisa. Escolha DStv
Stream para ter futebol em movimento. Escolha DStv para uma excelente qualidade em HD. Escolha a GOtv para
uma experiência mais social a um preço acessível. Com a flexibilidade no centro das nossas ofertas, cada adepto
pode desfrutar da configuração do seu jogo perfeito, onde e quando quiser.
Por que equipa está a torcer? Não perca um único momento do melhor futebol europeu! Descarregue a aplicação
MyDStv, MyGOtv. Quer esteja em casa ou em movimento, certifique-se de que está pronto para ver toda a acção
exclusivamente nas plataformas da MultiChoice.
Não perca toda a acção futebolística na DStv e GOtv.

Banco de Moçambique corta taxa de juro de 15,75 para 15%

O Banco de Moçambique baixou a sua principal taxa de juro, designada por taxa MIMO, de 15,75% para 15%, justificando com a perspetiva da inflação a manter-se em um digito no médio prazo.

“O Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique decidiu reduzir a Taxa de Juro de Política Monetária, Taxa MIMO, em um dígito, de 15,75% para 15%”, disse o governador do Banco de Moçambique, durante a apresentação das medidas tomadas hoje pelo regulador financeiro moçambicano.

“Esta decisão é sustentada pela contínua consolidação das perspetivas de inflação em um dígito, no médio prazo, num contexto em que a avaliação dos riscos e incertezas e associados às projeções, mantém-se favorável”, declarou Zandamela.

Além da tomada desta decisão, o Banco de Moçambique fez uma avaliação da evolução do risco sistémico e principias vulnerabilidades e concluiu que o sistema financeiro nacional continua estável e resiliente, prosseguiu o governador do Banco de Moçambique.

“A perspetiva de inflação mantém-se em um dígito, no médio prazo, em abril de 2024, a inflação anual fixou-se em 3,3% após 3% em março e a inflação subjacente, que exclui frutas e vegetais e bens com preços administrados, permaneceu estável”, avançou Rogério Zandamela.

Para o médio prazo, continuou, mantém-se as perspetivas de uma inflação em dígito, refletindo, sobretudo, a estabilidade do metical e o impacto das medidas tomadas.

A avaliação dos riscos e incertezas associados às projeções de inflação mantém-se favorável e os possíveis fatores de contenção dos preços no médio prazo são a estabilidade do metical e o impacto menos gravoso dos conflitos geopolíticos sobre a cadeia logística e preço das mercadorias no mercado internacional, enfatizou.

O governador do Banco de Moçambique assinalou que o setor bancário se mantém sólido, capitalizado e resiliente, tendo em março registado um rácio de solvabilidade em 25,1% acima do mínimo regulamentar, que é de 12%, e o rácio de liquidez foi de 43,6% igualmente acima do nível regulamentar de 25%.

O teste de esforço de solvência, que simula choques para avaliar a resiliência do setor bancário, mostrou que este tem reservas de capital suficientes para absorver potenciais perdas e manter-se consistente e capitalizado, no médio prazo, frisou.

O responsável máximo do regulador financeiro moçambicano adiantou que o risco sistémico que avalia o potencial efeito de contágio decorrente de perturbações do sistema bancário é moderado.

“Este comportamento reflete a recuperação global e gradual da atividade económica, a estabilidade do metical e a recente evolução da inflação, não obstante o aumento da exposição do setor bancário ao endividamento público”, sublinhou Rogério Zandamela.

A dívida publica interna, excluindo os contratos de mútuo e locação e as responsabilidades em mora situou-se em 361,8 mil milhões de meticais (5,2 mil milhões de euros), o que representa um aumento de 49,5 mil milhões (761,5 milhões de euros) em relação a dezembro de 2023.

O Banco Central “continuará com o processo de normalização da Taxa MIMO, no médio prazo, no entanto, o ritmo e a magnitude continuará a depender das perspetivas de inflação, bem como da avaliação dos riscos e incertezas subjacentes às projeções de médio prazo”, referiu.

 

PMA // ANP

Lusa/Fim

Rogério Zandamela garante que instituição “Não tem medo de ser auditada”

O governador do Banco de Moçambique (BdM), Rogério Zandamela, afirmou que a instituição que dirige “não tem medo de ser auditada”, acrescentando que o processo de auditoria é importante para demonstrar a transparência das contas.

“As contas do banco são auditadas, e isto é muito importante. O banco não é uma ‘black box’ [caixa negra] que ninguém sabe o que lá existe. Isso não existe. As nossas contas são auditadas por um auditor externo e independente. E as contas são publicadas”, explicou.

A reacção surgiu após a bancada da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder e com maioria qualificada na Assembleia da República, ter chumbado na semana passada uma proposta da oposição de inclusão do BdM na lista de instituições a serem auditadas pelo Tribunal Administrativo (TA).

Sofala: El Niño deixa 33 mil famílias sob ameaça de fome

directora do serviço distrital das Actividades Económicas, Sidónia Enosse, informou que o fenómeno climático El Niño deixou cerca de 33 mil famílias sob ameaça de fome devido à seca no distrito de Búzi, província de Sofala, centro de Moçambique.

“O impacto da situação calamitosa é maior nas localidades de Guara-guara, Banduè, Chissinguana, Nharongue e Estaquinha, onde a crise alimentar é quase uma realidade”, avançou, citada esta segunda-feira (27) pela Rádio Moçambique (RM).

A responsável explicou que a seca, que se verifica no distrito do Búzi, levou nesta época à perda de cerca de 200 mil hectares, sobretudo de culturas como o milho e arroz.

Passageiro do Tempo

Por volta das 11h, peguei a “Tempo” e a folheei distraidamente, buscando algo novo (mesmo já a tendo lido de cabo a rabo). E foi então que, encontrei “ao acaso” de Suleiman Cassamo.

Faltava pouco para o meio-dia na “terra do Primo Zeca”, e o calor era a reclamação geral em todo o Moçambique. Com a pasta no colo, dirigi-me à paragem de carros do lixo (mercado). Como muitos na minha condição financeira – muito relevante de se menosprezar, como diria aquele escritor que, por razões minhas, não vou citar – ” não é lixo no lixo, é lixo do lixo” (risos).

Ali sentado, aguardando o habitual grito ensurdecedor “Quelimane, Mocuba, Gurué”. De repente, senti o peso de uma sombra no meu ombro direito. Girei o pescoço com estilo e vi barbas compridas e amarrotadas, um homem com os pés descalços completamente nus, parado bem ali ao meu lado. Pensei: “deve ser do chá para onde vou” (Gurué). O olhar dele era enrugado e carregado de perguntas.

Curiosamente, ele observava o mesmo que eu: o relógio que se encontrava à venda na montra, já há algum tempo.

• O pai disse alguma coisa? – perguntei

• Não – respondeu. – Estou a pensar no relógio.

• Como assim?

• Bem – ele coçou a cabeça, depois o queixo e de novo a cabeça. – É que nunca vi nenhum a marcar os anos. Pois é! Tal como as horas, o tempo também vai e volta. Tudo é cíclico, como diria em português bem aportuguesado para caracterizar isso. Vai e volta a chuva, o vento, a abundância, a paz, a vida e a morte, a seca e a cheia. Os anos também. Acho que devia existir um relógio dos anos, não é?

• Relógio dos anos? Ou do tempo? Bom, se calhar ele tinha razão. Mesmo a viagem que eu ia fazer entrava nesse fluxo e refluxo do tempo. Pois é! Em outra ocasião, já tive a oportunidade de chegar lá em missão de serviço, mas desta vez era diferente: era parte de uma nova estratégia, uma nova identidade, novos ideais ajustados à medida dos meus princípios e das minhas crenças.

O senhor continuava à espera da minha resposta.

Primeiro, murmurei em silêncio: “Ele deve ter razão. Mais do que razão, é uma ideia genial, profunda e sábia.” Não era favor nenhum admiti-lo. Estendi a mão e ele correspondeu com um aperto rijo, seco e caloroso.

Um grito invadiu os nossos ouvidos e a atmosfera poeirenta daquele lugar: “Quelimane, Mocuba, Gurué!”. O carro de 16 lugares encostou bem à nossa frente. Peguei a porta, levantei o pé para o primeiro degrau da escada de acesso.

• E o senhor não vem? – perguntei, virando-me para o meu recém-amigo.

• Não – disse ele, recuando uns quatro (4) passos. – Boa viagem!

Ficou ali pregado ao chão de concreto. O carro pôs-se em marcha, ele levantou o braço e acenou até eu sumir na distância.
Era evidente que ele não esperava por carro algum. Não era um passageiro qualquer: ele era um passageiro do tempo.

Por: Zito do Rosário Ossumane (Régulo de Inhassunge)
(Escrita em Setembro de 2011)

As delícias nascem basicamente da insensatez.

Confesso: Sempre fui péssimo em cálculos, mas abençoado com a habilidade de ouvir histórias, de vê-las e vivê-las também.

Certo dia, apressado nos labirintos dos mercados da pequena e lamacenta vila de Gurué, buscava o “Piripiri” (o Vermelho), não para temperar saladas, mas para coroar um prato de todué impecavelmente preparado – apenas duas gotinhas da preciosa ardência.

“Finalmente te encontrei!”, exclamei, e retornei para casa em velocidade digna de um velocista. A bicicleta emprestada para a nobre missão foi abandonada a uns 30 metros da residência (o dono, certamente, ficou furioso).

Mergulhei na cozinha, um turbilhão de pratos, copos e talheres. O rapaz, meu ajudante de casa, observava-me com certa descrença (como quem diz não coma isso) e com olhar de semi-reprovação “nem te ligo!”, pensava eu, já a salivar. As delícias são assim: nascem basicamente da insensatez.

Após devorar a primeira bola de Nandura (xima feita à base de farinha de mandioca), um gole de água fresca acalmou o fogo do piripiri que escaldava a minha boca a 40ºC. Comentei com o rapaz: “É divino e maligno ao mesmo tempo!” (risos). Ele não compreendeu a ironia, mas captou a essência da coisa.

Assim é a nossa cultura, a nossa moçambicanidade. Em instantes, eu, o rapaz e meu novo amigo Rui (sul-africano e talentoso fotógrafo) estávamos sentados na varanda, trocamos ideias, experiências, gostos e preferências, sempre com os olhos fixos no imenso céu azul e na paisagem deslumbrante: plantações de chá, montanhas majestosas. Falávamos de sonhos realizados, sonhos adiados e sonhos a serem conquistados.

O crepúsculo vespertino tingia o céu, e tudo parecia perfeito, como se Deus, o Deus de Moçambique, estivesse satisfeito.
• O que faremos à noite?
• O mesmo de todas as noites: tentar conquistar o mundo! (risos) – respondi com um sorriso cúmplice.
A arte de sermos um com os outros, um colectivo de “eus em si, d’eus em si”, é esplendorosa.

Culturas entrelaçadas, amores e tolices. Logo, me deixei levar pelos versos de Marcelo Soriano. No silêncio estrondoso das montanhas, uma melodia ecoava: a natureza entoava uma canção para mim. Era Gurué dando-me as boas-vindas.

Por: Zito do Rosário Ossumane a.k.a Régulo de Inhassunge (Um artista de esquina, escritor marginal, pensador de bancos de praças)