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Giquira lança primeira pedra para reabilitação e asfaltagem da estrada da rua do matadouro

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Nampula – Foi lançada esta terça-feira a primeira pedra para a asfaltagem da estrada que liga a Rua da Solidariedade (Rua do Matadouro) à Rua dos Sem Medo na Cidade de Nampula.

O acto, presidido pelo Presidente do Conselho Autárquico de Nampula, Luís Madubula Giquira, simboliza um novo passo rumo à melhoria da mobilidade urbana e das condições de vida dos cidadãos. A iniciativa integra-se nos esforços do município para o desenvolvimento das infraestruturas rodoviárias, valorizando a cidade e reforçando o seu potencial económico e social.

Na sua intervenção, o Edil agradeceu às lideranças comunitárias, às autoridades locais e, sobretudo, à população, pela confiança e pela persistência na concretização deste sonho. Giquira sublinhou que este projecto representa mais do que a colocação de asfalto, pois traz mais segurança, mais dignidade e mais oportunidades de transformação para todos que diariamente utilizam aquela via.

MC Trufafá : Amnistia Internacional exige proteção e investigação imparcial

Quelimane – A Amnistia Internacional lançou, esta terça-feira, um apelo urgente ao Presidente da República, Daniel Chapo, exigindo uma investigação “rápida, imparcial e transparente” à tentativa de homicídio de Joel Amaral, mais conhecido como MC Trufafá, artista e mobilizador político ligado à oposição.

O incidente ocorreu na tarde de domingo, 13 de Abril, quando o músico regressava de uma cerimónia religiosa no bairro Coalane, na cidade de Quelimane. Joel foi baleado por indivíduos não identificados, tendo sido atingido por dois disparos, um deles na cabeça. Socorrido por populares, deu entrada no Hospital Central de Quelimane em estado crítico, onde se encontra sob observação médica. Fontes hospitalares confirmam que o paciente está agora estável.

A organização de direitos humanos considera o caso como parte de um “padrão alarmante de perseguições e violência política” que se intensificou após as eleições gerais de Outubro de 2024. MC Trufafá ganhou notoriedade nacional por transformar manifestações em momentos de mobilização cultural, através de músicas críticas ao governo e de apoio ao político Venâncio Mondlane.

A Amnistia recorda que desde o início da crise pós-eleitoral, já foram reportadas centenas de mortes e detenções arbitrárias, incluindo os assassinatos de membros da oposição como Elvino Dias, Paulo Guambe, e mais recentemente Daniel Guambe e Rafito Sitoe, abatidos em Inhambane num estilo semelhante ao registado em Maputo em Outubro passado.

Na carta dirigida ao Chefe de Estado, a organização pede garantias concretas de segurança para Joel Amaral, dentro e fora do hospital, bem como para outros ativistas e cidadãos críticos ao governo. O documento salienta a importância da liberdade de expressão e do direito à vida como pilares democráticos que devem ser respeitados pelas autoridades moçambicanas.

Txopela tentou, sem sucesso, obter uma reação oficial da Presidência da República sobre o conteúdo do apelo da Amnistia Internacional.

MC Trufafá é também funcionário do município de Quelimane, onde chegou a ocupar o cargo de Vereador para a Cultura. Além da sua atividade política e musical, é pai de dois filhos e membro da banda local Tudulos.

 

Protegido: Artes e cultura: Ready for Art capacita talentos na Beira e em Nampula

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Beira investe em resiliência climática com a reabilitação de valas de drenagem

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Num contexto marcado pela crescente frequência de eventos climáticos extremos, o Município da Beira avança com acções estruturantes para reforçar a resiliência urbana. Esta segunda-feira, 15 de Abril, o Presidente do Conselho Municipal da Beira – Autoridade Metropolitana da Beira, Albano Carige, realizou uma visita de monitoria às obras da segunda fase de reabilitação e ampliação das valas de drenagem no bairro de Macuti, uma das zonas mais vulneráveis à ocorrência de inundações.

A intervenção, inserida num plano mais amplo de adaptação às mudanças climáticas, contempla soluções técnicas de engenharia para a retenção e escoamento de águas pluviais. O sistema em construção terá capacidade para conter até dois milhões de metros cúbicos de água, o que deverá reduzir de forma significativa o risco de inundações em períodos de precipitação intensa.

A iniciativa visa, não apenas responder a eventos extremos já recorrentes, mas também criar condições estruturais de defesa da cidade e das comunidades contra futuros choques climáticos. O projecto está a ser executado em fases, tendo em conta a complexidade do território e a necessidade de integração com outras infraestruturas urbanas.

A escolha do bairro de Macuti para esta fase do projecto deve-se à sua recorrente exposição a inundações severas. Trata-se, por isso, de um laboratório vivo de soluções de adaptação climática aplicadas ao contexto urbano moçambicano.

A intervenção está a ser acompanhada por equipas técnicas multidisciplinares e deverá servir como referência para futuros projectos em outras cidades costeiras do país, igualmente expostas a riscos climáticos.

Gapi aposta na inclusão financeira como motor de desenvolvimento sustentável

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Num contexto em que o crescimento económico de Moçambique exige soluções mais inclusivas e sustentáveis, a Gapi – Sociedade de Investimentos, voltou a colocar o foco sobre as Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs), ao participar na terceira edição do evento “Smart Business”, realizado recentemente no Centro Cultural Moçambique–China, em Maputo.

Representada por Ramos da Silva Joaquim, a instituição financeira de desenvolvimento defendeu, com base na sua experiência de mais de três décadas, que a inclusão financeira das MPMEs constitui um dos pilares mais estratégicos para a dinamização da economia nacional. Através de um discurso centrado em resultados, o representante da Gapi destacou que as MPMEs são responsáveis por uma parte significativa da geração de emprego, inovação e estabilidade social em contextos de fragilidade.

No seu modelo de intervenção, a Gapi alia financiamento à capacitação. “O nosso modelo integrado inclui formação modular, mentoria, incubação e coaching, antes e depois do acesso ao crédito. Isto garante que o financiamento não seja apenas uma transferência de recursos, mas um instrumento de transformação”, frisou Ramos Joaquim.

A instituição tem operado numa lógica descentralizada, com presença física através de delegações, microbancos e parcerias com organizações como a AMOMIF – Associação Moçambicana dos Operadores de Microfinanças. Esta malha permite chegar a zonas remotas, onde o sistema financeiro tradicional tende a não chegar.

Um dos grandes entraves apontados foi o enquadramento regulatório. A imposição de normas internacionais como Basileia II e III, segundo a Gapi, tem limitado a capacidade das instituições não-sistémicas de operar com maior flexibilidade. Por isso, defende reformas orientadas para o contexto moçambicano e mais espaço para inovações como o sandbox regulatório, que permite testar soluções financeiras digitais num ambiente controlado.

O painel destacou ainda o papel emergente das fintechs, que vêm desenvolvendo soluções de gestão financeira, avaliação automatizada de risco e integração digital para empreendedores. No entanto, ainda falta um quadro legal robusto que proteja consumidores e incentive a confiança no crédito digital.

A presença da Gapi no evento reafirma uma visão de desenvolvimento centrada na inclusão. A sua actuação ultrapassa o financiamento: procura gerar condições sistémicas para que o pequeno empreendedor se torne resiliente e competitivo, mesmo em ambientes adversos.

O “Smart Business – III edição” revelou que não basta falar de crescimento económico em abstracto: é preciso olhar para quem produz, inova e emprega todos os dias, mesmo sem visibilidade. E, neste percurso, a Gapi posiciona-se como uma alavanca para transformar potencial em desenvolvimento sustentável.

 

Semana do Livro regressa com homenagem a Josina Viegas

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Mais de 15 lançamentos, debates e actividades culturais marcam a 3ª edição da Semana do Livro. Evento destaca o papel da literatura infanto-juvenil e reflecte sobre os direitos de autor em Moçambique.

Quelimane acolhe, de 18 a 23 de Abril, a terceira edição da Semana do Livro, este ano dedicada à  escritora Josina Viegas. A iniciativa, organizada pelo Clube de Livro de Quelimane em parceria com a Rádio Chuabo FM, decorre em vários espaços educativos da cidade e visa promover o gosto pela leitura e o acesso à literatura moçambicana.

A abertura oficial está marcada para sexta-feira, 18 de Abril, com uma palestra do académico Pedro Napido, sob o tema “A importância do livro infanto-juvenil na sociedade moçambicana”. O momento contará com moderação do escritor Bruno Areno.

A programação, diversificada e pensada para vários públicos, inclui a exposição e venda de livros ao longo de toda a semana, sessões de leitura, concursos de leitura, debates temáticos e mais de 15 lançamentos de obras de autores nacionais. Entre os destaques, estão os livros “A Saga da Estrela Champion”, de Mukuda Pinho, “O Gulamo e a Tartaruga Zena”, de Benjamim João Luís, e “O Endereço para Dentro do Segredo”, de Américo Baptista.

Outro ponto alto do evento será o lançamento da  “Tu És Linda Eu Te Amo”, de Josina Viegas, marcado para quarta-feira, dia 23. A cerimónia de encerramento prevê também a entrega de prémios do concurso de leitura que leva o nome da autora homenageada, além da exibição de uma curta-metragem produzida pelo CLQ – Clube Literário de Quelimane.

A Semana do Livro contará ainda com painéis de discussão sobre temas como “A rapariga na literatura”, “A importância da leitura nos dias de hoje” e “Desafios e direitos de autores em Moçambique”, com a participação de escritores, académicos e activistas culturais.

O evento tem como público-alvo alunos do ensino primário, secundário e universitário, professores, escritores e todos os interessados na promoção da leitura e cultura em Moçambique.

Mondlane lança campanha para ajudar Joel Amaral — solidariedade ou capital político?

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Quelimane – A cidade de Quelimane, ainda em estado de choque pelo baleamento brutal do músico Joel Amaral (MC Trufafá), viu nascer hoje uma campanha de solidariedade que junta afectos, revolta e… leitura política.

Foi Venâncio Mondlane, quem deu o pontapé de saída para a angariação de fundos destinados a custear o tratamento médico de Joel Amaral, internado em estado grave. A iniciativa, que está a ser conduzida através das carteiras digitais da esposa da vítima, mobiliza agora munícipes e cidadãos em várias latitudes, movidos por um forte sentimento de indignação e empatia.

Por detrás da aura de solidariedade, não faltam interpretações que apontam para uma manobra de visibilidade. Um politólogo ouvido pelo Txopela considera que, num momento em que a cidade vive uma comoção sem precedentes, “o gesto de Mondlane, embora meritório, também serve para cimentar a sua imagem como figura política sensível e alinhada com as causas populares”.

A mesma fonte sublinha que “não há acções neutras num cenário de guerra simbólica e capital político. O povo pode doar por amor, mas os líderes, muitas vezes, movem-se por cálculo. E Mondlane é, indiscutivelmente, um actor com tino para o palco mediático”.

Ainda assim, nas ruas de Quelimane, o que importa agora é a vida de Joel Amaral. A população responde ao apelo com transferências via M-Pesa e e-Mola, e com palavras de força. Entre mensagens de apoio e manifestações espontâneas, começa a desenhar-se um símbolo, Amaral tornou-se o corpo que sangra a dor colectiva de um país onde a crítica custa caro, e a liberdade de expressão tem preço.

Importa recordar que, até ao fecho desta edição, o Governo ainda não havia assumido qualquer encargo financeiro com o tratamento do activista, e que as autoridades policiais permanecem mudas quanto à identidade dos autores do crime.

 

II dia da marcha de repúdio em Quelimane: População volta às ruas contra tentativas de silenciar a democracia

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Quelimane – Pelo segundo dia consecutivo, centenas de cidadãos tomaram as ruas da Cidade de Quelimane numa marcha de repúdio à tentativa de assassinato de Joel Amaral, conhecido no seio juvenil e artístico como MC Trufafa, então director de campanha de Venâncio Mondlane. O protesto, marcado por forte carga simbólica, começou no exacto local onde Amaral foi baleado, alegadamente por indivíduos pertencentes aos temidos esquadrões da morte.

Entre os manifestantes, destacaram-se familiares de Elvino Dias — outro apoiante de Venâncio crivado de balas em Maputo — que se juntaram ao cortejo como gesto de solidariedade.

“Estamos aqui por justiça. Não apenas por Joel, mas por todos os que tombaram ou foram silenciados por ousarem pensar diferente. Moçambique não pode continuar a tolerar que o preço da democracia seja pago com sangue”, declarou emocionada uma jovem manifestante empunhando um cartaz com com números de carteiras digitais da esposa de Joel Amaral para contribuição de valores monetários para suportar as despesas de tratamento.

Venâncio Mondlane, principal rosto da oposição nesta marcha e actualmente um dos mais visados pela repressão política, lidera o cortejo sob forte aclamação popular.

Frelimo quebra silêncio e repudia baleamento de Joel Amaral, mas apela à calma

 

Maputo – A Comissão Política da Frelimo, reunida esta segunda-feira (14), em Maputo, sob liderança de Daniel Chapo, Presidente do partido no poder e também Chefe de Estado, manifestou finalmente a sua posição sobre o baleamento do politico e músico Joel Amaral, mais conhecido por MC Trufafá, ocorrido em pleno centro da cidade de Quelimane, na tarde de domingo.

Num breve comunicado emitido após a sua 46ª Sessão Ordinária, realizada na Sede Nacional do partido, a Frelimo expressa “preocupação” com o incidente e “repudia, com veemência, este acto”. Sem avançar qualquer pista ou contextualização política, o partido no poder apela às autoridades competentes para que investiguem e esclareçam o caso “com a devida celeridade”.

Numa viragem típica da retórica habitual, o partido alerta, contudo, para os riscos de “manipulação” e apela à população que mantenha a “calma e serenidade” – uma linha discursiva que, aos olhos de muitos analistas, tem sido usada para desmobilizar protestos e conter indignações populares em episódios semelhantes.

Até ao momento, pouco se sabe sobre os autores materiais e morais do atentado, que deixou Joel Amaral gravemente ferido. Nas ruas de Quelimane, a indignação cresce, com manifestações a multiplicarem-se e vozes da sociedade civil e da oposição a exigirem justiça e responsabilização.

A posição tardia da Frelimo contrasta com o silêncio ensurdecedor que se seguiu às primeiras horas do ataque, apenas interrompido por notas indignadas do MDM, da sociedade civil e de cidadãos anónimos nas redes sociais. Para muitos, o pronunciamento da Comissão Política surge mais como um movimento defensivo do que um acto de empatia genuína, num momento em que o país debate-se com crescentes sinais de intolerância política e repressão velada.

No mesmo comunicado, a Comissão Política afirma ainda ter analisado a situação política, económica e sociocultural do país, mas não avança com detalhes sobre os resultados dessas discussões.

Enquanto isso, em Quelimane, a pergunta persiste nas esquinas, nos mercados e nas rádios locais: quem quer silenciar Trufafá? E até onde vai o silêncio de Estado?