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OBITUÁRIO – Fernando Cerveja (1977–2025)

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A Rádio perdeu uma das suas vozes mais comprometidas. A sociedade moçambicana perdeu um cidadão íntegro. A comunicação comunitária perdeu um farol. Fernando Cerveja, jornalista, locutor e membro dos órgãos sociais do Fórum Nacional de Rádios Comunitárias (FORCOM), partiu a 16 de Abril de 2025, vencido por uma doença prolongada, no Hospital Central da Beira.

Nascido no Distrito do Búzi, província de Sofala, a 18 de Março de 1977, Cerveja era pai de três filhos e esposo dedicado. Ao longo das últimas décadas, construiu uma reputação sólida no seio da comunicação comunitária, onde se destacou pela sua capacidade de escuta, pela paixão pelo microfone e pela firmeza com que acreditava que a rádio é, antes de tudo, um serviço público ao cidadão.

Mais do que jornalista, era um construtor de pontes. Em cada palavra transmitida pelas ondas hertzianas, em cada projecto que ajudou a erguer nas rádios locais do país, Fernando Cerveja carregava consigo o sonho de uma comunicação feita com alma e responsabilidade social. A sua presença nos órgãos sociais do FORCOM não era apenas institucional — era militante. E hoje, a sua ausência grita alto nas redacções, nas cabines de som, nas reuniões editoriais.

“Até sempre Cerveja” — lamenta a Direcção do Conselho Municipal da Beira, em nota de pesar.

Nos momentos de dor, a palavra torna-se frágil e o silêncio, pesado. À família enlutada, à sua equipa, aos seus ouvintes, endereçamos os nossos sentimentos de solidariedade e respeito.
Porque Fernando Cerveja não era apenas um nome, era uma forma de estar no mundo — com coragem, com dignidade, com entrega.

Descanse em Paz, Cerveja.
A tua voz permanecerá na memória sonora de uma nação.

Quelimane, 17 de Abril de 2025
Jornal Txopela – Porque a verdade não morre.

 

Ministro do Interior nega existência de esquadrões da morte em Moçambique

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Beira = Enquanto o país mergulha num ciclo de violência política, agravado pelo pós-eleitoral conturbado e pela onda de assassinatos selectivos, o Ministro do Interior, Paulo Chachine, veio esta semana a público garantir que “não existem esquadrões da morte em Moçambique”. A afirmação, feita esta quarta-feira (16) na cidade da Beira, entra em contradição com o sentimento de insegurança crescente e os clamores da sociedade civil que não se revê na retórica oficial.

Chachine falava durante a cerimónia de abertura do VIII Curso de Formação de Sargentos da Polícia da República de Moçambique, ocasião que usou para responder às inquietações da opinião pública nacional e internacional sobre o número crescente de assassinatos, muitos deles com forte carga política, e que até hoje não mereceram investigação conclusiva nem responsabilização dos autores.

“Não existem esquadrões da morte. Nunca foram identificados nem operam sob cobertura do Estado”, afirmou o ministro, visivelmente desconfortável com o tema.

Contudo, os factos contradizem as declarações do governante. O caso mais recente que assombra a consciência colectiva moçambicana é a tentativa de assassinato de Joel Amaral, um cidadão que, além de activista, é conhecido pelas suas ligações políticas. A tentativa ocorreu em circunstâncias obscuras, sem qualquer desfecho investigativo conhecido até ao momento.

Questionado pelos jornalistas sobre a ausência de esclarecimento nos casos de homicídios com contornos políticos, Chachine disse que não existe qualquer tipo de tratamento diferenciado por parte das autoridades policiais.

“Os crimes são investigados com o mesmo rigor, independentemente do perfil da vítima”, disse, sem avançar qualquer estatística, nome de suspeito detido ou investigação em curso.

A afirmação do ministro não convence grande parte da sociedade, sobretudo quando se tem em mente uma longa lista de mortes mal explicadas, perseguições veladas e tentativas de silenciamento político, que parecem não incomodar o aparelho de justiça. Na prática, as autoridades parecem mais preocupadas em controlar o discurso do que em garantir a verdade.

Para muitos moçambicanos, a negação da existência de esquadrões da morte é apenas uma narrativa oficial para desviar atenções e esvaziar as responsabilidades do Estado numa altura em que a cultura de impunidade parece ter-se institucionalizado.

As denúncias de execuções sumárias, raptos, desaparecimentos forçados e intimidações a vozes dissidentes não são novidade em Moçambique. São, aliás, um padrão que se repete com diferentes rostos, mas com a mesma assinatura: silêncio, medo e inércia do Estado.

No país dos “desconhecidos”, os autores dos crimes continuam à solta. E o povo, desprotegido.

🔴 Joel Amaral fora de cuidados intensivos: Estado de saúde evolui de forma satisfatória

Quelimane – Hospital Central acompanha com atenção a recuperação do político e artista.

O Hospital Central de Quelimane (HCQ) actualizou, na manhã desta quinta-feira, o estado clínico de Joel Amaral, figura pública e político, também conhecido no panorama cultural como MC Trufafa. De acordo com a porta-voz da instituição, a condição de saúde do paciente é agora considerada estável e as feridas que resultaram do atentado que sofreu encontram-se em “fase de cicatrização satisfatória”.

“Podemos confirmar que o paciente Joel Amaral já não se encontra nos Cuidados Intensivos. A sua evolução tem sido positiva e, neste momento, está sob observação médica na enfermaria geral”, referiu a responsável, sem avançar pormenores sobre o prognóstico ou data provável de alta médica.

Joel Amaral, recorde-se, foi alvo de um ataque violento cuja motivação ainda não foi esclarecida pelas autoridades competentes. A situação provocou forte comoção social e política, tendo gerado múltiplas reações de solidariedade, mas também levantado questões em torno da segurança de figuras públicas com papel activo na contestação política.

Fontes próximas do círculo familiar indicam que, apesar do abalo psicológico sofrido, Amaral mantém-se consciente e determinado a colaborar com as autoridades assim que for autorizado pelos serviços médicos.

Carta aberta ao cidadão Daniel Francisco Chapo

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Prezado Cidadão, dr. Daniel Francisco Chapo, imagino que possa estar espantado com alguém que a si se dirige na qualidade de cidadão. Efectivamente, desde Maio passado que as suas designações foram exponencialmente crescendo: Secretário-Geral, Presidente da República, Chefe de Estado, Comandante-em-Chefe das Forças Armadas, mais alto magistrado da Nação, Presidente do Partido, Presidente da ACCLN, e por aí vai. Em todo esse cenário não deixo de pensar no seu lado humano, no seu lado de cidadão; ou não teria eu tido a oportunidade de conhecê-lo como tal nos nossos anos de Tangará, Self e espaços associados.
Acho que como cidadão está de parabéns pelo facto de as suas qualidades terem levado a que seus pares no Partido pensassem em si como a melhor escolha para participar das eleições presidenciais. Não terá sido certamente sem mérito algum pois a sua trajectória é por demais conhecida. E o mérito atribuído à sua nova função deriva, principalmente, do conjunto enorme de responsabilidades que a mesma acarreta. E aí, caro cidadão, inicia uma caravana de boas notícias, e outras nem tanto.
Como é de praxe devemos começar pelas boas notícias. Há um grande número de preocupações que sairão do horizonte do dr. Chapo. Não tem mais que se preocupar, por exemplo, com o pagamento da renda de casa. Ser-lhe-á proporcionada uma habitação condigna onde poderá viver junto de sua família. Isso se aplica para todas as outras mundanas necessidades que apoquentam os comuns cidadãos: combustível, credelec, rancho, escola das crianças (com respectivo material), férias, etc. Existe uma provisão para que o Estado proporcione ao seu Chefe todas essas condições, de modo a que ele se possa concentrar no posicionamento e no devir estratégico da Nação.
Então onde se situam as “coisas não tão boas”? Acontece, caro cidadão, que o senhor já “não goza” de certas prerrogativas que a regular cidadania oferece. Com muita tristeza, caro cidadão, tenho a informá-lo que o senhor JÁ NÃO PODE “indignar-se” com um facto ocorrido na nossa sociedade. O senhor JÁ NÃO PODE “repudiar” um atentado ocorrido numa qualquer urbe com uma única saída. Infelizmente já NÃO CABE A SI “denunciar” uma alegada existência de discursos de ódio. Infelizmente, caro cidadão, essas são prerrogativas que já não se lhe aplicam.
As novas funções que ocupa emanam um poder concreto e tangível que esvaziam toda a capacidade de espanto que os comuns cidadãos (esses sim) vez e outra manifestam. Todos os títulos que agora cobrem a sua pessoa como uma instituição do Estado e da Nação, não se compadecem com uma postura similar a de um simples cidadão.
No caso concreto do baleamento de um cidadão por indivíduos até aqui desconhecidos, infelizmente (repito infelizmente), o puro e solitário “repúdio” não tem espaço. Ou o Comandante-em-Chefe das Forças de Defesa e Segurança manifesta a sua repulsa pelo ocorrido e, acto contínuo, informa os cidadãos o prazo no qual os responsáveis serão identificados; ou assume como Presidente da República que dentro do seu território existem homens a agirem ilegalmente sobre os quais não tem um controlo efectivo.
Infelizmente, mais uma vez, não existe um meio termo perante uma situação tão flagrante como esta. Se não há coragem para desistir, tem que haver coragem para prosseguir caro cidadão. Ficar no meio, declarar intenções, e juntar as suas lágrimas às do Povo não é uma opção. Infelizmente.
Generation for the Nation
Estamos Juntos
Kudumba Root

Assembleia da República autoriza visita de Estado do Presidente Daniel Chapo à Tanzânia

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Maputo– A Assembleia da República (AR) aprovou, esta terça-feira, 15 de Abril, uma autorização para o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, realizar uma visita de Estado à República Unida da Tanzânia.

A decisão foi tomada durante a III Sessão Extraordinária da Comissão Permanente da Assembleia da República (CPAR), realizada na sede do Parlamento, em Maputo.

Esta visita de Estado será a primeira autorização formal concedida pelo Parlamento ao Presidente Daniel Chapo na presente X Legislatura, conforme o estipulado na alínea a), do artigo 190 da Constituição da República.

Parlamento entrega 401 toneladas de ajuda humanitária às vítimas do Ciclone Jude em Nampula

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Nampula – A Presidente da Assembleia da República (AR), Margarida Adamugi Talapa, entregou esta quarta-feira, de forma simbólica, 401 toneladas de produtos alimentares e de higiene ao Governo da província de Nampula, destinadas a assistir as famílias afectadas pelo Ciclone Jude.

A ajuda humanitária, mobilizada pelo Parlamento moçambicano, será canalizada às populações vulneráveis dos distritos de Meconta, Mossuril e do Posto Administrativo de Lumbo, na Ilha de Moçambique — as zonas mais fustigadas pela passagem do ciclone, ocorrido no passado dia 9 de Março.

A acção insere-se numa missão de solidariedade liderada por Talapa, que iniciou esta quarta-feira uma visita de trabalho à província de Nampula, acompanhada por uma comitiva composta pelos chefes das quatro bancadas parlamentares — FRELIMO, PODEMOS, RENAMO e MDM — bem como o porta-voz da Comissão Permanente da AR.

Ao entregar o donativo ao governador Eduardo Abdula, Margarida Talapa manifestou, em nome dos 250 deputados da Assembleia da República, profundo pesar pelas vidas perdidas e solidariedade com os feridos e desalojados.

“Perante esta situação devastadora, a Assembleia da República mobilizou diversos produtos alimentares e de higiene para apoiar as famílias afectadas. Um exercício semelhante foi realizado em Cabo Delgado”, referiu a Presidente do Parlamento, que também encorajou o Governo provincial a intensificar os esforços de assistência e reconstrução.

O donativo inclui víveres, produtos de higiene pessoal e de limpeza, com o objectivo de minorar o sofrimento das populações e garantir condições mínimas de dignidade às famílias atingidas.

Visivelmente emocionado, o governador Eduardo Abdula agradeceu o gesto dos parlamentares, sublinhando o impacto positivo da solidariedade institucional. “Nampula agradece. Este gesto traz alento, protecção e, acima de tudo, esperança. Sentimo-nos amparados num momento difícil”, declarou.

Importa referir que, na véspera, terça-feira (15), Margarida Talapa procedeu à entrega ao Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) de um donativo monetário no valor de 1,3 milhões de meticais, correspondente a um dia de salário dos deputados da Assembleia da República, reafirmando o compromisso da instituição parlamentar com a solidariedade nacional.

Zambézia: Sernic apresenta hoje detidos no caso do homicídio da jovem Zarina

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Quelimane– O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) da Zambézia vai apresentar, hoje, 17 de Abril, às 09:00, os dois suspeitos detidos no âmbito do homicídio de Zarina, jovem brutalmente assassinada e cujo corpo foi encontrado no Rio dos Bons Sinais, em Quelimane.

Os detidos enfrentam acusações de Homicídio Agravado e serão apresentados à imprensa na sede do SERNIC. Este caso, que causou grande comoção na cidade, tem vindo a ser acompanhado de perto pelas autoridades, que avançaram com a identificação e captura dos suspeitos após semanas de investigação.

A morte de Zarina gerou uma onda de indignação na população, que exigiu esclarecimentos rápidos sobre as circunstâncias do crime. A jovem foi encontrada sem vida, com o seu corpo abandonado no rio, o que provocou manifestações de revolta nas redes sociais e em várias partes da cidade.

As investigações iniciais indicam que os dois indivíduos detidos estão ligados à prática do homicídio, mas mais detalhes sobre os motivos e o modo de operação dos acusados serão revelados durante a apresentação.

Governo defende ENDE 2025-2044 como guia para o futuro de Moçambique

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Maputo – O Governo moçambicano considera que a Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE) 2025-2044 representa uma bússola essencial para a construção de um Moçambique próspero e sustentável nas próximas duas décadas. A afirmação foi feita esta quarta-feira (16) pelo Ministro de Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, durante uma sessão de indução aos deputados da bancada parlamentar do partido PODEMOS, na sede do Parlamento.

Valá sublinhou que o documento estratégico traça metas de longo prazo, mas será complementado por planos específicos, sectoriais e territoriais, alinhados com a capacidade real de execução financeira do Estado. “Não adianta planear grandes projectos, como a construção de 50 escolas, sem garantir os recursos necessários para a sua concretização. Isso gera frustração e compromete os objectivos traçados”, advertiu o governante.

Segundo Valá, após a aprovação da ENDE seguir-se-ão planos estratégicos por sectores como água, estradas, agricultura, educação, saúde, ambiente, entre outros. A lógica de planeamento adoptada visa assegurar que as provisões inscritas tenham meios reais para serem implementadas.

O Ministro explicou ainda que a abordagem do Governo é orientada para resultados de desenvolvimento transversais, envolvendo de forma integrada sectores como turismo, energia, agricultura, indústria transformadora, finanças e recursos minerais. “Queremos melhorar a alocação de recursos através de um planeamento e orçamentação baseados em resultados, para melhorar a vida da população e facilitar o acesso das pequenas e médias empresas ao financiamento”, explicou.

Valá encorajou também o envolvimento activo da sociedade civil e do sector privado, destacando que o sucesso da estratégia depende de um esforço colectivo. “Os cidadãos e empresários devem conhecer e participar dos planos, sobretudo nas dimensões sociais e económicas, para identificar oportunidades e contribuir para o crescimento inclusivo”, defendeu.

Por seu turno, o porta-voz da bancada parlamentar do PODEMOS, Ivandro Massingue, reconheceu a importância da ENDE enquanto instrumento de Estado, com validade além do mandato do actual Governo. “É um documento que deverá orientar até os manifestos eleitorais de futuros Governos, independentemente da cor partidária”, referiu.

Massingue justificou o pedido da sua bancada para o adiamento do debate em plenário, solicitando esclarecimentos adicionais por parte do Governo. “Queremos garantir que todos os aspectos estejam claros, porque a viabilização do Programa Quinquenal do Governo (PQG) depende também da ENDE”, explicou.

Apesar das exigências, o porta-voz assegurou que o objectivo do PODEMOS não é inviabilizar a aprovação da estratégia e do PQG, mas sim garantir que estes instrumentos fundamentais de governação sejam bem compreendidos por todos os intervenientes. “Depois dos esclarecimentos prestados, estamos prontos para um debate aberto e construtivo em plenário”, concluiu.

Chapo ouve empresários em Inhambane e promete fundos para reanimar economia afectada pela violência pós-eleitoral

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Maxixe – O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu esta terça-feira, na cidade da Maxixe, uma governação mais próxima do sector privado, como pilar central para a recuperação económica da província de Inhambane, duramente atingida pelos efeitos das manifestações que se seguiram às eleições de 2024.

Durante um encontro com empresários locais, o Chefe de Estado reconheceu o impacto negativo dos actos violentos e destacou a necessidade de uma acção conjunta para revitalizar o tecido económico regional. “Vocês é que fazem o dia-a-dia. Quem faz o dia-a-dia é que sente na pele o que está a acontecer”, afirmou Chapo, sublinhando o papel do empresariado na reconstrução do ambiente económico.

O estadista revelou que o Governo está a manter encontros com diversos segmentos sociais para compreender melhor a magnitude dos estragos provocados pelos tumultos pós-eleitorais. “Estamos a conversar com vários estratos sociais para nos apercebermos, depois deste período das eleições e da nossa tomada de posse no meio das alegadas manifestações, criminosas, violentas e ilegais, como é que realmente está a nossa província, porque afectaram bastante a nossa economia”, observou.

Como resposta, o Executivo promete a criação de fundos de financiamento com o objectivo de injectar capital no mercado. A medida visa dinamizar a actividade empresarial e repor a confiança do sector privado. “Estamos a tentar criar vários fundos para injectar capital no mercado e podermos recuperar a nossa economia”, garantiu o Presidente, acrescentando que o sucesso dessa estratégia depende do envolvimento directo dos empresários.

O encontro foi também um momento de escuta activa. Os representantes do sector privado partilharam preocupações sobre obstáculos estruturais, como a morosidade na emissão de vistos de trabalho e de negócios, o difícil acesso ao financiamento, a opacidade nos concursos públicos, e as elevadas taxas aplicadas na troca de matrículas para viaturas importadas.

Chapo não fugiu ao debate. Reconheceu, por exemplo, que a burocracia nos serviços de migração representa um entrave, sobretudo num país que precisa de atrair investimento. “É realmente uma preocupação”, disse, prometendo reformas no sistema de vistos e reiterando que o emprego é a base do desenvolvimento.

Um compromisso com a proximidade

O Presidente reafirmou a sua promessa de uma governação próxima e participativa, conforme anunciado na sua tomada de posse. “Estamos aqui para cumprir com aquilo que prometemos. Esta visita visa criar espaço para um diálogo aberto com os empresários”, disse.

Destacando o papel do sector privado na criação de empregos e na sustentação das finanças públicas, Chapo afirmou que os empresários são parceiros cruciais na provisão de serviços como energia, estradas, escolas e saúde. “Vocês é que criam empregos, que pagam impostos e fazem o país avançar”, sublinhou.

O Presidente da República considerou o empoderamento económico uma das maiores prioridades do seu mandato, assegurando que todas as preocupações ouvidas serão levadas em conta. “Contem com todo o nosso apoio”, concluiu, deixando a promessa de que o seu Governo continuará a trabalhar para melhorar o ambiente de negócios em Moçambique.

Chapo reconhece apoio de Inhambane e promete Governo “próximo do povo”

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Maxixe – O Presidente da República, Daniel Chapo, manifestou esta terça-feira, na cidade da Maxixe, a sua gratidão à população da província de Inhambane pelo apoio que garantiu a sua eleição ao mais alto cargo do Estado. Num discurso dirigido a líderes comunitários, sociedade civil e cidadãos em geral, o Chefe de Estado afirmou que o voto massivo dos inhambanenses foi determinante para a sua vitória nas eleições gerais de 2024.

Num gesto simbólico e pessoal, Chapo sublinhou que foi em Inhambane onde moldou a sua formação política e cívica. “Foi aqui, nesta terra, que aprendi o valor do trabalho árduo, da humildade e do compromisso com o povo”, declarou, reiterando que a província teve um papel singular não apenas na sua trajectória política, mas também na sua escolha como candidato presidencial.

O estadista prometeu que o seu Governo manterá um compromisso firme com o desenvolvimento da província, com ênfase nas áreas de educação, saúde, abastecimento de água, infraestruturas e energia eléctrica. “O Governo que lidero será, acima de tudo, um Governo próximo do povo”, afirmou.

Um dos pontos centrais da intervenção do Presidente foi a necessidade de pacificação do país após os episódios de violência que se seguiram ao anúncio dos resultados eleitorais. Chapo lamentou a destruição de bens públicos e privados, classificando como “criminosas” as manifestações e actos de vandalismo. Sem mencionar nomes ou partidos, criticou a atitude de alguns actores políticos que, segundo afirmou, “não sabem perder”.

Neste contexto, destacou a promulgação da Lei do Diálogo Nacional Inclusivo, transformada recentemente em legislação pela Assembleia da República. O Presidente defendeu que Moçambique precisa de cultivar uma cultura democrática sólida, onde a aceitação dos resultados eleitorais seja parte integrante do processo. “Temos que aprender a ligar para o vencedor, felicitá-lo e esperar a próxima oportunidade”, disse.

No domínio da saúde, Chapo anunciou a entrega de duas novas máquinas de Raio X, destinadas aos hospitais provinciais de Inhambane e de Chicuque, na Maxixe. A medida, segundo o Presidente, visa “reduzir o sofrimento dos cidadãos que antes se viam obrigados a longas deslocações para exames médicos”.

Prometeu ainda a conclusão do hospital da Maxixe e o alargamento da rede de centros de saúde e escolas, em coordenação com os municípios locais. “Vamos continuar a trabalhar com os nossos municípios para garantir acesso a serviços básicos em todos os bairros”, garantiu.

No fecho da sua intervenção, Daniel Chapo reforçou a sua visão de uma governação inclusiva e transparente. “Queremos um país onde todos sintam que têm espaço, que são ouvidos e respeitados, independentemente da sua origem, filiação partidária ou condição social”, declarou, defendendo que só com justiça social e igualdade de oportunidades será possível construir um Moçambique verdadeiramente democrático.