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Quelimane: Incêndio expõe o abandono do SENSAP

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Um incêndio de proporções industriais deflagrou num armazém situado a escassos metros da ONG Visão Mundial, arrastando consigo tudo o que encontrou no caminho. O sinistro começou por volta das 8h da manhã de ontem, com uma espiral de fumo negro a anunciar o que viria a seguir. Poucos minutos depois, o céu de Quelimane tingia-se de preto vivo, alimentado por materiais altamente combustíveis armazenados no interior do edifício. “Foi como ver um filme de terror em plena luz do dia”, contou um morador, ainda a tremer de incredulidade.

Enquanto as labaredas cresciam, a impotência do Serviço Nacional de Salvação Pública (SENSAP) tornava-se tão visível quanto o próprio fogo. Viaturas sem água, mangueiras que mais pareciam cordas de estender roupa, e bombeiros que, por mais esforço e coragem que demonstrassem, pareciam lutar com as mãos nuas contra um monstro inflamado.

De acordo com dados do Orçamento do Estado para 2025, analisados pela nossa redacção, o SENSAP recebeu este ano o menor financiamento da última década, um corte superior a 30% em relação ao ano anterior. A decisão surge num país onde, segundo relatórios do Tribunal Administrativo, os incêndios urbanos aumentam ano após ano, ao mesmo tempo que o investimento na prevenção desaparece no fumo da inércia governativa.

A proximidade do armazém com os escritórios da Visão Mundial deixou em sobressalto a comunidade local. Felizmente, até ao fecho desta edição, não havia registo de danos materiais nesse edifício. Mas a sorte não é política pública.

O que se viu este sábado em Quelimane não foi apenas um incêndio. Foi um espelho ardente de um Estado que insiste em cortar naquilo que salva vidas, ao mesmo tempo que engorda rubricas obscuras e clientelistas. Quando o fogo acalma e o fumo dissipa, o que fica é o rastro de um país que arde, sem que ninguém se responsabilize por segurar o extintor.

A estratégia da China, paralelismo com a dos descobrimentos

 Mal vai a “coisa” ou mal vai quem não sabe, o que acontece com muita gente, infelizmente, porque iletrada quanto a história e com falência cultural, quando não contextualiza o tempo em que vive para situar o que se passou, faz vários séculos.

 Portugal, a dado tempo, nos séculos XV e XVI largou-se mares dentro, depois de, anos antes, por terra e por estreitos, ter enviado mensageiros para apurar rotas e perceber como é que era o mapa Mundo.

 A partir daí, desenhou cartas terrestres e marítimas, as possíveis, que, aliás, acabaram por permitir que a nossa coragem, a nossa ousadia, a nossa fé e a nossa capacidade de marinheiros nos tivessem levado longe, aos quatro cantos do Mundo. Estaríamos todos equidistantes e não existiria globalização se não tivémos registado os Descobrimentos. As consequências, algumas muito mal descritas, será objecto de outro texto, um destes dias.

 Fomos descobridores de rotas por Oceanos nunca dantes navegados, como o descreveu, com eloquência, alegorias e profundidade poética, o maior Homem de Letras português, Luís Vaz de Camões. Ele soube cantar, em versos e versos, formando estrofes, a Epopeia Lusíada. Os gregos fizeram, também, na sua obra poética a “Odisseia”, de Homero, constituindo a história desse herói, Odisseu (Ulisses, no mito romano).

 O que fizemos foi procurar novos mercados para levar e trazer, na perspectiva de comércio.

 Toda esta descrição para vos adicionar o que, nos dias de hoje, se pode encontrar, em paralelismo, com essa época e que a China estudou para, já faz uma vintena de anos, fazer com grande sabedoria.

 A China, segundo especialistas, de que destaco aqui o pensamento do Almirante António Silva Ribeiro, ex-Chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas de Portugal, professor universitário e homem de estratégia militar e não só, tem afirmado que esse País gigante seguiu a linha que esse meu País traçou por esse tempo das descobertas.

 Esse oficial militar deixa claro que a China, na sua acção expansionista pelo Mundo, procura, como o fizémos, novos mercados para levar o que produz – o que tem feito – e comprar outros, também, para tirar deles proveito, a fim de, depois, aproveitar a tecnologia dos equipamentos que compra no exterior para os construir nas suas indústrias e se modernizar. Para além do mais e, quando necessário, como já o fez no Tibete, usa a força.

 A história, como já dizia alguém com saberes, repete-se de alguma forma, passados alguns anos ou centenas deles, mas com outros protagonistas e com uma ou outra diferença, sendo que o conteúdo básico mora lá…

                          António Barreiros, jornalista

EDITORIAL | Homenagem póstuma: António Munaita não morreu. Apenas mudou de frequência.

Era habitual ouvir o Guitarra de manhã na rádio, lê-lo no jornal e, à tardinha, encontrá-lo sentado com os seus no Ferroviário, com um copo de Manica. Nunca deixava de ser ele: jornalista em tempo integral. Convivi com esse homem multifacetado, um amigo, directo e frontal.

Num dia como hoje, a cidade de Quelimane acordava mais cinzenta. Tal como hoje, o céu cobriu-se de cinza carregada. António Munaita partiu cedo demais. Jornalista de raça, actor de alma cheia, amigo da rádio, das artes e da cidade, Munaita ou simplesmente Tony Guitarra, como todos o conheciam deixou-nos no corpo, mas nunca nos deixou na memória.

Sete anos depois, o silêncio que ele nos legou continua a ser habitado pela sua voz. Não há microfone que não tenha sido tocado pelo seu timbre, nem palco que não tenha testemunhado a força expressiva com que interpretava o mundo. Era um contador de histórias, das nossas histórias, com a dignidade e paixão de quem sabia que informar e entreter são actos sagrados numa sociedade em busca de sentido.

No Jornal Txopela, não o recordamos apenas pelo que disse ou escreveu, mas pelo que foi. Um homem que viveu ao ritmo da sua cidade, que respeitava a verdade, que ouvia antes de falar, que fazia do jornalismo uma missão e da cultura uma extensão da cidadania. Era dos que sabiam que, por vezes, é preciso tocar guitarra para aliviar as dores de uma pátria cansada de promessas.

Em tempos como os de hoje, a memória de Tony Guitarra deve ser lembrada. É por isso que, neste 24 de Maio, sete anos depois do seu adeus, o Txopela se inclina com gratidão e saudade diante de um dos seus.

À família, amigos, colegas de profissão e aos ouvintes que com ele partilharam sonhos e palavras, deixamos esta singela homenagem: António Munaita não morreu. Apenas mudou de frequência.

Paz à sua alma. Memória viva nos nossos corações.

Jornal Txopela — Quelimane, 24 de Maio de 2025

Eleições moçambicanas deviam acabar com derrotados a cumprimentar vencedores – PR

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O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, defendeu ontem, enquanto líder da Frelimo, a realização de eleições pacíficas em Moçambique, em que os derrotados cumprimentam os vencedores, numa alusão ao recente processo eleitoral.

“Devia ser assim. Aquele que perde, devia pegar no telefone, ligar para aquele que venceu, desejar muitos parabéns e saber que daqui a cinco anos há outras eleições. E trabalharmos como irmãos moçambicanos e desenvolvermos o nosso país”, afirmou Daniel Chapo.

O chefe de Estado falava como presidente da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), na abertura do seminário de indução dos deputados do partido no poder, que decorreu ontem na Matola, e voltou a comparar o processo eleitoral a um jogo de futebol, aludindo aos ilícitos eleitorais apontados pela oposição nas eleições gerais de 09 de outubro, em que foi eleito o quinto Presidente da República.

“O árbitro tem cartões no bolso, cartão amarelo, cartão vermelho, porque sabe que durante os 90 minutos há de existir alguém que, por causa de querer a vitória, vai cometer faltas. Mas, mesmo que haja um cartão vermelho ou cartolinas (…) se há uma equipa que estava a ganhar 2 a 0 e, nesta equipa, há dois jogadores que tiveram cartões vermelhos, saíram por terem cometido irregularidades, estas irregularidades não anulam o resultado do jogo. A equipa continua a ganhar 2 a 0”, apontou.

E com isso, sublinhou, comparando ao processo eleitoral, que “nem todas as irregularidades anulam o resultado do jogo”.

“Quando nós dissemos que devemos ser agentes da estabilidade política, é percebermos que durante 90 minutos as pessoas lá dentro se batem, cometem faltas, porque querem vencer. Mas, quando termina o jogo, o que devia acontecer devia ser igual àquilo que acontece no jogo de futebol. Quando termina o jogo, uma equipa perdeu, a outra ganhou, os jogadores se abraçam e existem até campeonatos em que os jogadores até trocam camisolas”, disse.

Ministro das Obras Públicas diz que é preciso pensar fora da caixa para garantir habitação digna à juventude

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O Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, defendeu na passada sexta-feira, em Maputo, a necessidade urgente de uma mudança estrutural nas políticas habitacionais do país, alertando para o agravamento do défice habitacional, particularmente entre os jovens. Na sua intervenção fez apelos à criatividade política, o governante afirmou que o sonho de garantir uma casa segura e digna para cada família moçambicana está longe de ser uma realidade.

“O actual modelo é claramente insuficiente. Precisamos pensar fora da caixa”, sentenciou Fernando Rafael, dirigindo-se aos participantes do workshop “Habitação Acessível para Todos”, promovido pelo Fundo para o Fomento de Habitação (FFH), que reuniu académicos, empresários, membros da sociedade civil, parceiros de cooperação e representantes do sector público.

Moçambique conta com cerca de 34 milhões de habitantes, sendo que 65% são jovens. Apenas 5% destes têm acesso ao crédito habitacional formal. Nas cidades, onde se regista uma pressão demográfica crescente, cerca de 80% da população urbana vive em bairros informais. O ministro reconheceu que os altos custos de construção, a burocracia no acesso ao solo infra-estruturado e a inexistência de alternativas de financiamento adequadas estão a alimentar uma “crise habitacional silenciosa”.

A par desta análise, Fernando Rafael evocou o compromisso do Presidente da República, Daniel Chapo, que tem vindo a defender a infraestruturação planeada do território urbano como uma das prioridades da sua governação. Segundo o governante, o Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) de 2025 prevê a infraestruturação de 1.700 parcelas de terra ao longo do presente ano, com vista a garantir condições mínimas para o arranque de projectos habitacionais de interesse social.

“O ordenamento urbano deve ser um instrumento de justiça social”, reiterou Rafael, sublinhando que a habitação condigna é uma base estrutural para o desenvolvimento humano. “Sem uma casa, não há estabilidade. Sem estabilidade, não há progresso”, vincou.

Durante o evento, foram apresentadas propostas concretas para reverter o cenário. Entre elas, o uso de microfinanciamentos, subsídios dirigidos a jovens e mulheres chefes de família, recurso aos fundos de pensão, garantias soberanas, maior envolvimento dos bancos de desenvolvimento do Estado e a introdução de incentivos fiscais e aduaneiros para investidores no sector da habitação.

Falou-se ainda da necessidade de instituir uma entidade reguladora para o sector imobiliário, com competências para controlar preços e garantir transparência, além de promover a formação de cooperativas habitacionais e o uso de novas tecnologias construtivas de baixo custo.

“Estejam sempre em prontidão combativa e sirvam com lealdade à pátria” – Chapo exorta novos comandos das FADM

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O Presidente da República e Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança (FDS), Daniel Chapo, exortou na manhã desta sexta-feira (23) os novos graduados do Curso de Operações Especiais das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) a servirem a pátria com bravura, disciplina e prontidão, num contexto marcado pela persistência de ameaças à soberania nacional.

Falando na cerimónia de encerramento do curso na Escola de Formação de Forças Especiais (EFFE), em Nacala, província de Nampula, o Chefe do Estado apontou o combate ao terrorismo em Cabo Delgado e na Reserva Especial do Niassa como prioridade imediata para os recém-formados. “Uma das missões com a qual, certamente, vão lidar é o terrorismo que atormenta alguns distritos da província de Cabo Delgado e que, no último mês, atingiu parte da Reserva Especial de Niassa”, sublinhou.

Numa intervenção marcada por apelos ao patriotismo e à excelência profissional, Chapo reafirmou o papel central das FDS como garantes da estabilidade e da soberania do Estado, numa altura em que o país se prepara para assinalar meio século de independência. “Queremos contar com a musculatura e inteligência das Forças de Defesa e Segurança para que o nosso povo possa festejar o jubileu dos 50 anos da nossa independência num ambiente de paz, tranquilidade e harmonia”, declarou.

No seu discurso, o Presidente da República fez igualmente menção à cooperação bilateral com o Ruanda, país que mantém militares em Moçambique no âmbito do apoio ao combate ao extremismo violento. Saudando a presença do Chefe do Estado-Maior General das Forças de Defesa do Ruanda, General Mubarakh Muganga, Chapo estendeu os cumprimentos ao homólogo ruandês, Paul Kagame, enaltecendo a disponibilidade daquele país em “estabelecer laços de cooperação e amizade com a República de Moçambique”.

“Queremos expressar a nossa gratidão ao povo ruandês porque permitiu que alguns filhos seus estivessem em Moçambique combatendo o terrorismo, lado a lado com os melhores filhos de Moçambique”, vincou.

A formação de operações especiais, cujos detalhes operacionais permanecem sob reserva por razões estratégicas, foi desenhada para dotar os militares de capacidades técnicas e táticas para responder a ameaças complexas. O Chefe do Estado destacou, nesse contexto, a necessidade de constante actualização curricular nas instituições militares, advertindo que “as ameaças à segurança do Estado estão em permanente mutação”.

A concluir, o Presidente dirigiu palavras de incentivo aos novos graduados, encorajando-os a pautarem por uma conduta exemplar e por um espírito de missão inabalável. “Estejam, sempre, em prontidão combativa. Sejam amigos da população. Mantenham o compromisso com a excelência. Sirvam com integridade e lealdade aos vossos superiores hierárquicos e a esta pátria moçambicana”, exortou, apontando a nova geração de comandos como potencial referência de bravura e disciplina nas fileiras das FADM.

Porto de Quelimane: Uma porta estratégica para o comércio regional e juventude empreendedora na Zambézia

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O recente pronunciamento do Excelentíssimo Governador da Zambézia, Pio Augusto Matos, na Feira Internacional de Negócios em Blantyre, Malawi, é mais do que um ato diplomático — é uma chamada à ação estratégica. Ao posicionar o Porto de Quelimane como eixo logístico viável para o Malawi, a liderança provincial revela visão de futuro, regionalismo inteligente e abertura para novos modelos de desenvolvimento.

Quelimane: Mais do que um Porto para o Malawi

Situado numa posição geoestratégica privilegiada, o Porto de Quelimane pode servir como via de entrada e saída não só para o Malawi, mas também para países como a Zâmbia, Zimbabué e até a República Democrática do Congo. Num contexto de crescente digitalização do comércio e empreendedorismo jovem, torna-se crucial oferecer alternativas acessíveis para importação e exportação de bens — especialmente em zonas onde os jovens operam no comércio online e no fornecimento de produtos personalizados.

A Juventude Empreendedora e o Direito ao Mar

Hoje, muitos jovens na Zambézia e províncias vizinhas encontram no e-commerce e nos pequenos negócios o seu sustento. Mas para crescer, precisam de canais logísticos confiáveis, económicos e acessíveis. Reactivar o Porto de Quelimane com políticas inclusivas pode representar uma oportunidade histórica de integrar esta nova geração nos corredores económicos regionais, criando postos de trabalho directos e indirectos.

Desafios Estruturais: Oportunidades de Intervenção

Contudo, o relançamento deste corredor comercial exige olhar para os desafios de estado de infra-estruturas existentes por exemplo vias de acesso deterioradas entre Quelimane e zonas de produção como Morrumbala, falta de armazéns modernos, logística de frio, energia estável em zonas rurais e a ausência de uma rede alfandegária eficiente. Sem essas intervenções, o potencial do porto permanecerá subaproveitado.

O Que o Executivo Pode Fazer?

  • Criar um Plano Estratégico Integrado de Revitalização do Porto;
  • Estabelecer acordos binacionais com o Malawi e outros países vizinhos;
  • Envolver Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e jovens empresários locais nas decisões logísticas;
  • Mobilizar investimento para estradas, pontes, armazéns e energia rural;
  • Criar uma política provincial de incentivo à exportação de jovens.

Conclusão

O Porto de Quelimane pode voltar a ser a coluna vertebral económica da província da Zambézia — não apenas como símbolo de comércio tradicional, mas como modelo de inclusão económica moderna. Que o gesto do Governador inspire compromissos concretos, transformações estruturais e uma nova era de governação com os cidadãos no centro.

Golpe de Estado ou simples temores?

Temores e não só levaram Zito do Rosário Ossumane a escrever pelo seu próprio punho um texto sob o título “O risco de um golpe de Estado (…)”.

 Quem apresenta essa opinião, que é administrador deste OCS, mostra-se preocupado. Gostaria de buscar o que ele assinala para o deixar – permita-me ele que o faça – descansado.

 Apresentarei dois ou três motivos para o relaxar, o que corresponde à minha experiência de jornalista e de vida.

 Um golpe de Estado não se faz de um dia para o outro, de um mês para o próximo ou como quem estala dedos. Tem de ser planificado. Traçado a régua e esquadro para não se espatifar e ser abafado, logo às primeiras investidas. Tem de ter uma rectaguarda protegida. Tem de ter gente operacional.

 Por outro lado, um golpe de Estado não pode realizar-se e ter êxito, a partir do momento que, em público, se veio dizer, como o fez o Zito, que desceram do Norte e do Centro membros da Renamo que querem tomar de assalto a sede desse partido, na Capital e, depois, por ventura, apear o poder instituído, o Governo em funções.

 Ainda mais: o actual poder, certificado pela frelimo e os seus elementos, todos bem perfilados nos tachos e com excelentes remunerações, perante um povo empobrecido e faminto, está blindado pela força que sabe ter na RPM e nas Forças Armadas. Estes dois pilares, também eles “escravos” do mesmo poder, defenderão o Governo e toda a estrutura do Estado.

 Ora, e assim sendo, trata-se de uma verdadeira “teoria da conspiração” que o nosso Zito aqui quis trazer, aliás, alertando o poder central para qualquer eventualidade. Os serviços secretos do País, apoiados pelo SISE, ex-SNASP, já devem estar por dentro do assunto…não dormem.

 Na minha visão, desapaixonada e equidistante da que poderá envolver um moçambicano sobre o tema, penso que qualquer golpe de Estado faria bem ao País. Abanaria as estruturas; limparia a poeira que tem assentado nos últimos anos sob a “coisa pública”; poderia fazer emergir um Governo de Salvação Nacional; e deveria correr com toda a “malta” que se tem atrelado à Frelimo; e, também, varreria os elementos de uma máquina político-partidária – frelimo – que já deu mostras de não perceber nada, de nada, de como se gere e administra uma Nação, para a fazer progredir e ter riqueza.

 Às vezes, caro Zito, esses temores e medos já contribuem para que se introduzam mudanças não vá, como se sói dizer-se, o diabo tecê-las. Moçambique anda em águas brandas…já mais de meio século. Tempo a mais e sem efeito prático. Só conversa. Não estou a apelar à insurreição. Mas, e aqui para nós, o sr. V. Mondlane, tentou um golpe de Estado quando, pós as últimas eleições, fez sair à rua uma juventude insatisfeita e com o estômago vazio. O Estado atirou-se a eles, com gato a bofe. O Estado estancou a desordem. O Estado não permitiu tumultos e atentados ao seu próprio coração. Faz bem agitar as ideias, mas sem que o sangue corra nas ruas. Em Portugal, a revolução foi de cravos nas espingardas… um exemplo da nossa maneira de sermos povo e cidadãos. Ainda há quem nos queira balear com conversas de escárnio e maldizer.

                                              António Barreiros, jornalista

Governo vê na CLM uma peça-chave para destravar o comércio interno e regional

O Secretário de Estado do Comércio, António Grispos, considera que o Terminal Internacional de Mercadorias da CLM, em Marracuene, representa uma viragem estratégica na logística nacional. A afirmação foi feita esta manhã durante uma visita às instalações do Corredor Logístico de Maputo (CLM), operadora do terminal, onde anunciou o interesse do Governo em estreitar parcerias com a iniciativa privada para o fortalecimento da cadeia logística em Moçambique.

Num comunicado tornado público esta sexta-feira (PRESS RELEASE 005/CLM/DCM/2025), a CLM deu a conhecer os planos de expansão do terminal, que incluem a construção de armazéns numa área de 20 mil metros quadrados, num investimento estimado em 20 milhões de dólares norte-americanos. A iniciativa, segundo Grispos, tem potencial para dinamizar o sector privado e criar um novo paradigma no escoamento de mercadorias no país.

“O Governo manifesta total disponibilidade para colaborar com o Corredor Logístico de Maputo e todos os agentes económicos, que encontrarão nestas infra-estruturas um móbil para o sucesso dos seus investimentos e negócios”, frisou Grispos, reforçando que a aposta em parcerias estratégicas visa “incrementar e melhorar a infraestrutura logística nacional”.

A visita decorreu sob coordenação de Clávio Macuácua, presidente do conselho directivo da CLM, e permitiu ao governante percorrer armazéns alfandegários, salas das Alfândegas e áreas operacionais do terminal. Visivelmente impressionado, Grispos dirigiu palavras de apreço à liderança jovem da empresa, que, nas suas palavras, “tem sabido combinar visão estratégica e execução no terreno”.

Num tom pragmático, Grispos lançou ainda um repto directo à classe empresarial: “Convidamos a nossa classe empresarial para fazer uso desta infra-estrutura e dela obter ganhos económicos e comerciais, importantes para o crescimento económico do País”.

A terminar, destacou que o Executivo está a avaliar a possibilidade de isenção do IVA para a aquisição de equipamentos destinados à expansão do terminal, cujas obras deverão arrancar ainda este ano, com uma duração prevista de 11 meses.

A CLM, que conta com investimentos privados no valor de 45 milhões de dólares e actua em parceria com a multinacional Agility, posiciona-se como um operador logístico multimodal, oferecendo serviços integrados de armazenamento, trânsito, importação, exportação e cabotagem. Para além da infraestrutura moderna, a empresa alberga instituições como a Autoridade Tributária, PRM, MISAU, e outros organismos estatais relevantes, funcionando como um verdadeiro “porto seco” ao serviço do desenvolvimento nacional.

PODEMOS escolhe novo Secretário-Geral neste fim de semana

O partido PODEMOS – Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique, reúne-se este fim-de-semana, 24 e 25 de Maio, na Matola, para realizar a sua 11ª Sessão do Conselho Central. No centro da agenda está a eleição do novo Secretário-Geral, um momento que o partido classifica como “histórico”, numa fase em que tenta afirmar-se como alternativa política no xadrez nacional.

A sessão terá lugar no Instituto Industrial e Comercial da Matola, no Bairro Fomento, e, segundo o comunicado divulgado pela direcção do partido, deverá servir para “consolidar os ganhos” obtidos nas eleições de 2024. Embora sem grande expressão parlamentar, o PODEMOS acredita ter deixado a sua marca no último ciclo eleitoral, sobretudo pela retórica de ruptura com os partidos tradicionais e pelo discurso de esperança que procura ancorar nas franjas jovens e urbanas da população.

“O partido escreveu uma nova história na política moçambicana”, lê-se na nota assinada pelo actual Secretário-Geral, Sebastião Mussanhane, que não confirma se pretende ou não recandidatar-se ao cargo. Nos corredores partidários, o ambiente é de expectativa quanto ao perfil que sairá vitorioso, se será uma figura alinhada com a actual direcção, ou uma voz mais crítica, capaz de puxar o partido para uma oposição mais activa e menos institucionalizada.

Mais do que um exercício interno de eleição, a sessão deverá ser lida como uma tentativa de o partido reorganizar-se depois do impulso eleitoral. O PODEMOS tem, até aqui, mostrado dificuldades em construir estruturas fora dos grandes centros urbanos, e enfrenta o desafio de deixar de ser um fenómeno das redes sociais para se tornar uma presença efectiva nas comunidades.

Está agendada para as 08h00 de sábado uma conferência de imprensa onde o partido promete partilhar mais detalhes sobre os debates e decisões que marcarão a sessão. A assessoria de comunicação, a cargo de Josualdo Sitoe e Aunelavia Balate, sublinha que a prioridade será garantir uma comunicação transparente com o público.

Apesar do tom triunfante da convocatória, o partido sabe que enfrenta um país marcado por desigualdades persistentes, promessas falhadas e uma juventude cada vez mais desconfiada da política. Se “Juntos Podemos Erguer Moçambique” é o lema escolhido, o grande teste será a capacidade de traduzir esse compromisso em propostas concretas, mobilização sustentável e acção política consequente.