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BCI fecha 2024 com solidez, apesar da pressão sobre a dívida pública

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O Banco Comercial e de Investimentos (BCI) encerrou o ano de 2024 com sinais claros de resiliência e estabilidade. Apesar de um contexto macroeconómico adverso — particularmente no último trimestre — o banco manteve indicadores robustos de liquidez (41,03%) e solvabilidade (23,33%), muito acima dos mínimos exigidos pelo regulador.

Segundo o relatório anual, o BCI viu o seu volume de negócios crescer substancialmente, sustentado por um aumento de 15% nos depósitos (MZN 23.952 milhões) e de 6% na carteira de crédito (MZN 4.469 milhões), o que impulsionou o crescimento dos activos em quase 11%. Estes resultados mantêm o BCI na dianteira do sector bancário moçambicano, com quotas de mercado de 26,94% no crédito, 25,78% nos depósitos e 22,73% em activos, à data de Dezembro de 2024.

Apesar da pressão sobre os indicadores macroeconómicos, o banco registou um crescimento de 2,5% no produto bancário, com destaque para uma melhoria de 4,73% na margem financeira. Tal desempenho é atribuído à aposta no crédito em moeda nacional e à gestão eficiente dos activos financeiros, mesmo num cenário de juros em queda e exigências elevadas em reservas obrigatórias.

Contudo, o resultado líquido do BCI foi impactado pela constituição de imparidades relacionadas com a deterioração do risco soberano de Moçambique. Entre Fevereiro e Março de 2025, as principais agências de notação financeira — Fitch, Moody’s e Standard & Poor’s — procederam a sucessivas revisões negativas do rating do país. A S&P chegou mesmo a classificar a dívida soberana em moeda nacional como “Selective Default”.

Como resultado, o banco registou um lucro líquido de MZN 6.040 milhões, o que representa uma quebra de 26% face ao exercício de 2023. Ainda assim, os rácios de rentabilidade — ROE de 19,26% e ROA de 2,64% — mantiveram-se em patamares considerados saudáveis.

Em comunicado, o BCI reafirma o compromisso com uma banca prudente, ética e voltada para o desenvolvimento inclusivo e sustentável. Para 2025, a instituição promete manter o foco na inovação, qualidade dos serviços e proximidade ao cliente, sem descurar o papel estratégico no processo de recuperação económica do país.

O País precisa de pontes, não de muros

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Num momento em que o país atravessa desafios complexos — económicos, sociais e políticos — a palavra inclusão volta a ganhar força no vocabulário da esperança nacional. A recente eleição de membros para o Conselho de Estado, órgão político de consulta do Presidente da República, reacendeu um debate legítimo: por que não incluir o Engenheiro Venâncio Mondlane (VM7), o segundo candidato mais votado nas últimas eleições presidenciais?

A resposta é simples, mas profunda: porque o país precisa de pontes, não de muros.

O Conselho de Estado não deve ser apenas um coro uníssono de aplausos. Pelo contrário, deve reflectir a diversidade de pensamento, os diferentes olhares sobre o país, e ser espaço onde as diferenças fortalecem a democracia e não a bloqueiam.

Venâncio representa uma geração crítica, que interpelou o sistema com propostas, denúncias e coragem. Integrá-lo neste órgão consultivo seria um gesto de maturidade política e um símbolo de reconciliação institucional. Moçambique só tem a ganhar quando aqueles que discordam se sentam à mesma mesa para pensar o país.

Este país é património de todos.
Não é herança de um partido, nem território exclusivo dos que venceram as eleições. As instituições do Estado devem espelhar o mosaico da sociedade moçambicana: com os seus contrastes, sonhos e visões. Negar isso é aprofundar a exclusão. Incluir é fortalecer a nação.

Precisamos de vozes críticas, não só de “yes men”.
Precisamos de diálogo honesto, de cooperação institucional e de reconciliação com sentido de Estado. Quem pensa diferente não é inimigo — é alguém com quem se pode construir pontes.

Que a decisão de integrar vozes divergentes no Conselho de Estado seja uma marca do novo ciclo de governação.
Porque quando a justiça se amplia, o medo se retrai.
E quando há pontes, o povo caminha.
Juntos.

 

 

Moçambique prepara presidência da Assembleia Parlamentar da CPLP

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Uma delegação do Parlamento moçambicano está desde 26 de Maio na cidade de Malabo, capital da Guiné Equatorial, para participar na reunião dos Presidentes dos Grupos Nacionais da Assembleia Parlamentar da CPLP (AP-CPLP).

A comitiva é composta pelos deputados Mário Amaral, Anchia Safina Talapa Formiga, Ângelo Natalino Artur Jaime, e por Maria Nhacundela, assistente do Grupo Nacional, que também deverão integrar os trabalhos da Rede de Jovens Parlamentares da CPLP.

A reunião tem como propósito preparar a XIV Assembleia Parlamentar da CPLP, agendada para os dias 7 e 8 de Julho de 2025, em Maputo, onde Moçambique assumirá a presidência pro-tempore da organização para o biénio 2025-2027.

O evento deverá reunir parlamentares dos países membros da CPLP para discutir questões de cooperação política, juventude, cultura e governação no espaço lusófono. A expectativa é que Moçambique utilize a presidência para reforçar a diplomacia parlamentar, com enfoque na integração e concertação legislativa entre os países de língua portuguesa.

Governo promete 100 ecógrafos, 29 Raio-X e 60 novos postos de saúde

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O Governo moçambicano anunciou esta quarta-feira, 28 de Maio, na Assembleia da República, que vai adquirir e instalar, “nos próximos dias”, 100 ecógrafos e 29 aparelhos de Raio-X fixos em diferentes unidades sanitárias do país.

A garantia foi dada pelo Ministro da Saúde, Ussene Isse, durante a sessão de Perguntas ao Governo, na X Legislatura, em Maputo. Segundo o governante, estas acções enquadram-se no plano de expansão da rede sanitária e do acesso aos serviços de saúde.

No mesmo pacote de promessas, o Ministério da Saúde prevê construir e equipar 60 novos Postos Comunitários de Saúde, “em todo o país”, além de concluir as obras de sete unidades hospitalares, incluindo os Hospitais Distritais de Mocímboa da Praia, Mueda, Meconta, Mopeia e os Hospitais Gerais de Nampula, Mavalane e José Macamo.

Isse disse ainda que o Governo vai avançar com a reconstrução de 104 unidades sanitárias destruídas pelos ciclones Jude, Chido e Dikelede – sendo 70 na província de Nampula e 34 em Cabo Delgado.

Para enfrentar a escassez de profissionais e reforçar os cuidados nas comunidades, o plano do Ministério inclui a formação e colocação de 1000 novos Agentes Polivalentes de Saúde (APS), passando dos actuais 9477 para um total de 10.477. Estes agentes devem actuar na promoção da saúde, prevenção de doenças, diagnóstico precoce, tratamento de casos comuns e cuidados paliativos.

O Ministro referiu também que está em curso a acreditação de novos hospitais como centros de formação médica especializada, com o objectivo de reter quadros médicos nas províncias.

Apesar do tom optimista, o anúncio surge num contexto de fraca capacidade de execução orçamental e de sucessivos adiamentos em obras anunciadas há anos, algumas das quais continuam paradas ou abandonadas.

Governo admite limitações financeiras e aposta em paliativos para manter transitável a EN1

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A Primeira-Ministra, Maria Benvinda Delfina Levi, reconheceu esta quarta-feira, na Assembleia da República, que o Executivo continuará, em 2025, a centrar esforços na mobilização de recursos para garantir a reabilitação da Estrada Nacional Número Um (EN1), mas que, na prática, as intervenções continuarão a ser pontuais e limitadas aos troços mais críticos.

A governante falava durante a Sessão de Perguntas ao Governo, ocasião em que apresentou como prioridade do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) para 2025 a manutenção de infra-estruturas básicas de conectividade territorial. Levi sublinhou que a falta de fundos continua a condicionar a execução de obras estruturantes em todo o território nacional.

Em relação à principal rodovia do país, a EN1, a Primeira-Ministra admitiu que a reabilitação integral continua dependente do financiamento externo e de processos burocráticos de desembolso. Enquanto isso, o Governo vai-se limitando a operações de “emergência” nos troços em estado mais avançado de degradação. Como exemplo, anunciou o lançamento do concurso para a reabilitação do troço Gorongosa-Caia (84 km), e estudos conceptuais para Inchope-Gorongosa (70 km), Chimuara-Nicoadala (176 km) e Metoro-Pemba (94 km).

Apesar de o Executivo apresentar como prioridade o “escoamento da produção e a mobilidade de pessoas e bens”, a falta de um plano de execução concreto para a EN1 continua a revelar um vazio entre a retórica governativa e a realidade sobre o terreno, onde milhares de utentes enfrentam diariamente estradas intransitáveis, custos logísticos elevados e riscos constantes de acidentes.

No quadro geral das vias de comunicação, o Executivo promete realizar, em 2025, a manutenção de rotina e periódica de 2.341 quilómetros de estradas nacionais, regionais e terciárias. No entanto, o discurso de Levi deixa claro que o foco será sobretudo a conclusão de obras em curso e não a abertura de novos corredores logísticos, o que reflecte o constrangimento fiscal vivido pelo Estado moçambicano.

Em resposta a questões dos deputados sobre políticas para a juventude, a governante elencou os apoios do Fundo de Desenvolvimento Económico Local e do Fundo de Apoio às Iniciativas Juvenis como instrumentos centrais para a promoção do emprego e auto-emprego. Contudo, não foram apresentados dados sobre os resultados efectivos dessas iniciativas nem indicadores que comprovem o seu impacto nas taxas de empregabilidade juvenil.

No domínio do desporto, Levi destacou as acções em curso para reabilitação de infra-estruturas com recurso a parcerias público-privadas. Referiu-se ao Estádio Nacional do Zimpeto, onde parte dos espaços está a ser concessionada a privados no modelo de Construção, Exploração e Devolução por um período de 15 anos. O Governo afirma que os recursos obtidos têm sido aplicados na reabilitação do estádio. Todavia, pouco se sabe sobre os critérios de concessão, os valores envolvidos e os reais benefícios para o desporto nacional e as comunidades locais.

 

 

Linha do Tempo: As promessas (e adiamentos) da EN1


2014 – Governo promete reabilitar EN1 “com urgência”
Durante a campanha eleitoral, o então Presidente eleito Filipe Nyusi assume a reabilitação da EN1 como uma das suas prioridades de governação. Na altura, destaca-se a necessidade de recuperar os troços mais críticos entre Inchope, Caia e Nicoadala.


2017 – Financiamento do Banco Mundial anunciado
O Executivo anuncia que o Banco Mundial vai financiar, com cerca de 400 milhões de dólares, a reabilitação de parte substancial da EN1. O acordo prevê uma abordagem faseada, mas nunca se materializa por completo devido a exigências de reformas e transparência.


2019 – Plano Quinquenal volta a destacar a EN1
No Plano Quinquenal do Governo 2020–2024, a reabilitação da EN1 surge novamente como uma meta estratégica. No entanto, o avanço físico nas obras continua nulo. A pandemia da COVID-19 é posteriormente invocada como um dos factores de atraso.


2021 – Lançamento do Projecto de Preparação da EN1
Com apoio do Banco Mundial, o Governo lança um pacote para “preparar” a reabilitação da estrada, incluindo estudos técnicos, levantamento de traçados e selecção de troços prioritários. Mas as obras continuam no papel.


2023 – Troços deteriorados tornam-se crise humanitária
As condições do troço Chimuara-Nicoadala tornam-se dramáticas: buracos transformam a estrada em armadilha para transportadores, dificultando o escoamento de produtos agrícolas e o acesso a serviços essenciais. O Governo reconhece, publicamente, o estado de degradação.


2024 – Governo admite “foco em paliativos”
Na Assembleia da República, a Primeira-Ministra declara que, face à falta de fundos, o Governo irá limitar-se a manter a transitabilidade mínima em troços críticos. Anuncia também concursos e estudos para quatro troços, sem garantias de financiamento assegurado.


2025 – PESOE fala em 2.341 km de manutenção, mas EN1 segue sem reabilitação integral
Apesar da retórica oficial, o plano de manutenção para o novo ano continua a evitar o compromisso com a reabilitação total da EN1. Promessas de concursos e parcerias persistem, mas o tempo passa, os buracos aumentam e a espinha dorsal do país continua à beira da falência estrutural.


 

Governo promete reforço do SNS com 1.700 novos profissionais e sete hospitais

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O Governo vai contratar mais de 1.700 novos profissionais de saúde, construir sete hospitais e 60 Postos Comunitários de Saúde, como parte de um pacote de medidas para responder aos actuais desafios do sector da saúde. O anúncio foi feito esta quarta-feira, na Assembleia da República, pelo Ministro da Saúde, Ussene Isse, durante a sessão de Perguntas ao Governo.

Segundo o governante, as medidas visam fortalecer o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e garantir maior cobertura e qualidade dos cuidados prestados à população, com enfoque nas zonas rurais e de difícil acesso.

Até ao fim deste ano, está prevista a entrada de 724 profissionais, entre médicos, técnicos superiores e pessoal de apoio, a par da formação de mil Agentes Polivalentes de Saúde, que serão destacados para o trabalho comunitário.

Em relação às infra-estruturas, o ministro referiu que as novas unidades serão distribuídas por províncias como Nampula, Cabo Delgado, Zambézia e Maputo, com o objectivo de aproximar os serviços de saúde às comunidades mais vulneráveis.

No que toca ao abastecimento de medicamentos, Ussene Isse garantiu que o país dispõe de stock suficiente para os próximos seis meses. Apesar disso, reconheceu restrições pontuais, que deverão ser resolvidas até Julho. Para melhorar a gestão, o Governo está a implementar sistemas digitais de rastreamento e reforçar a monitoria semanal de stocks, bem como as inspecções na cadeia de abastecimento.

Questionado sobre a violência obstétrica e os níveis de mortalidade materna, o ministro foi categórico: “Estas práticas são inaceitáveis”. Disse que estão em curso acções para a sua eliminação, como a Estratégia do Parto Humanizado, a presença de acompanhantes nas salas de parto e a realização de rondas de fiscalização, incluindo visitas-surpresa.

Sobre o surto de febre tifóide em Nampula, Isse reconheceu a existência de diagnósticos imprecisos devido ao uso do teste de Widal, uma técnica desaconselhada. Em resposta, o Ministério da Saúde está a promover o uso de exames mais fiáveis, como hemocultura e PCR, além de reforçar a vigilância epidemiológica e campanhas comunitárias de sensibilização para evitar o uso abusivo de antibióticos.

O ministro concluiu afirmando que o Executivo está comprometido com a construção de um SNS mais forte, mais próximo do cidadão e preparado para responder às necessidades reais da população.

A sessão de Perguntas ao Governo continua esta quinta-feira, com perguntas de insistência dos deputados.

 

População do Bilene cobra água, escolas e emprego jovem; Chapo promete soluções

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O Presidente da República, Daniel Chapo, garantiu esta quarta-feira (28), na vila da Macia, distrito de Bilene, província de Gaza, que o seu Governo vai continuar a tomar “medidas bem pensadas” que beneficiem o povo moçambicano.

Falando num comício popular que marcou o encerramento da sua visita de trabalho de três dias à província de Gaza, o Chefe do Estado apelou à participação activa dos cidadãos na construção do país, destacando a paz, a reconciliação e o amor ao próximo como pilares essenciais para o progresso nacional.

“Vamos continuar a trabalhar para resolver os problemas do povo, e temos que continuar a trabalhar”, assegurou o estadista, perante uma multidão que o recebeu com cânticos e danças.

No seu discurso, Daniel Chapo sublinhou que a paz deve ser protegida e promovida por todos os moçambicanos, considerando que não há desenvolvimento possível em contextos de instabilidade.

“O nosso objectivo é desenvolver Moçambique. Por isso, nós temos que combater a violência, combater o discurso de ódio entre irmãos moçambicanos e trazermos um discurso de paz, de reconciliação e de amor ao próximo”, disse.

Durante a visita, o Presidente liderou o Conselho de Ministros realizado em Xai-Xai, como sinal de uma governação próxima das comunidades.

“Uma governação próxima do povo é deixar a capital do país e ir ao encontro do povo nas comunidades, nas localidades, nas províncias para interagir com o povo e ouvir as suas preocupações”, frisou.

No comício de encerramento, Daniel Chapo agradeceu ao povo de Gaza pela confiança depositada nas urnas e pelo comportamento pacífico após as eleições gerais de 2024.

“Não há nenhum país no mundo que desenvolve com manifestações violentas, criminosas e com destruição dos bens públicos e privados”, alertou o Chefe do Estado, reiterando que o vandalismo não deve ser confundido com o direito à manifestação.

Chapo reforçou que o Diálogo Nacional Inclusivo é o caminho certo para a coesão social, apontando para os consensos alcançados através da assinatura do Compromisso Político com diversos segmentos da sociedade.

A população do Bilene reconheceu que parte considerável das promessas feitas durante a campanha está a ser cumprida e apelou à resolução de problemas concretos, como o alto custo de vida, dificuldades no acesso à água potável, educação técnica e apoio ao empreendedorismo.

Em resposta, o Presidente comprometeu-se a continuar a investir em sectores-chave:

“Vamos combater a violência, vamos combater o ódio, vamos trazer a paz, vamos trazer a reconciliação para construirmos Moçambique”, concluiu Chapo.

“Vamos produzir arroz aqui para parar de comprar lá fora” – Chapo

O Presidente da República, Daniel Chapo, entregou esta Quarta-feira o Regadio 7 de Abril, no distrito de Guijá, província de Gaza, e apelou à intensificação da produção agrícola, organização comunitária e preservação da paz como fundamentos essenciais para o desenvolvimento do país.

Durante a entrega da infra-estrutura, que cobre 138 hectares e beneficia 300 membros nesta fase inicial, o Presidente Chapo defendeu a redução das importações alimentares e valorizou a capacidade produtiva local, sublinhando que “produzir comida é também trabalhar pelo futuro de Moçambique”.

“Nós viemos a Guijá hoje para entregar o vosso regadio, que vai permitir-nos produzir muita comida aqui em Guijá e aqui em Gaza”, afirmou o Chefe do Estado, destacando a importância da agricultura familiar como motor do crescimento económico local e nacional.

O estadista enfatizou ainda que o conceito de trabalho não se resume ao emprego formal: “Trabalho que nós temos dito não é só emprego. Também é acordar, vir aqui no regadio, produzir hortícolas, produzir comida para nós podermos comer, mas também para podermos vender e termos dinheiro para a nossa família”.

Antes da cerimónia de entrega, o Presidente da República visitou a feira agrária instalada no local, onde todos os 14 distritos da província de Gaza exibiram os seus principais produtos. Entre os itens expostos destacavam-se culturas como macadâmia, batatas, amendoim, arroz, banana, melancia, mandioca, milho, castanha de caju, papaia, peixe de cativeiro e mapira, além de animais de raças melhoradas. “Conseguimos perceber que Gaza está a produzir muita comida, incluindo também animais”, sublinhou.

O governante não deixou de abordar uma das principais preocupações apresentadas pela população local: o roubo de gado. “Nós vamos continuar a trabalhar para ver como resolvermos este assunto”, assegurou, considerando que tal prática constitui um entrave ao progresso rural. “Criar um animal não é tarefa fácil. Um animal como o gado bovino leva muitos anos para crescer, para depois aparecer alguém e roubar. Este deve ser condenado, se ficar provado que roubou, realmente”.

Ademais, apelou à comunidade para se organizar com vista à conservação do regadio, destacando a importância da contribuição comunitária para assegurar o pagamento da energia eléctrica necessária ao funcionamento do sistema de irrigação.

Na componente sanitária, o Chefe do Estado lembrou a necessidade de cuidados constantes com a saúde animal. “Sempre que há campanha de vacinação, cada um de nós tem que levar os animais para a vacinação. E, geralmente, os nossos animais têm que tomar banho no tanque para não poder ter caraças e não ter doenças”, orientou, reforçando que animais saudáveis são condição indispensável para a saúde humana: “Um animal doente é uma pessoa também doente”.

Prosseguiu apelando à unidade nacional como condição indispensável para consolidar a paz e garantir a produtividade. “Vamos continuar a trabalhar em paz e reconciliação entre irmãos moçambicanos. Vamos combater discursos de violência. Vamos combater discursos de ódio entre irmãos moçambicanos. Vamos trazer a paz, porque a paz é que une os moçambicanos”, defendeu, sublinhando que o desenvolvimento de Moçambique depende da coesão social.

No fim da sua intervenção, o Presidente Daniel Chapo defendeu a produção nacional como estratégia para reduzir a dependência de importações e promover a auto-suficiência alimentar. “O Estado gasta muito dinheiro para comprar arroz durante todos os anos. E quando nós compramos arroz fora do país, estamos a tirar o nosso dinheiro para dar aos outros países. Temos que chegar ao nível de produção em que nós vamos produzir comida tal como os outros vendem para nós, sermos nós a vendermos para os outros”, disse. Para o Presidente da República, uma produção agrícola sólida e organizada permitirá gerar riqueza e responder às necessidades sociais da população: “Construirmos mais escolas que as nossas mães, quando estavam a cantar, estavam a pedir; expandirmos mais energia; podermos ter mais hospitais, mais medicamentos e muitas outras coisas; mais estrada, mais água e desenvolvermos a nossa província de Gaza”, concluiu.

Ossufo Momade: O coveiro da oposição moçambicana

 

A oposição política moçambicana encontra-se hoje em estado vegetativo. Completamente deslocada dos centros de decisão, desarticulada nas suas estruturas de base, desmoralizada junto do eleitorado urbano e rural, e reduzida, no essencial, a um papel de espectadora dos acontecimentos. No epicentro deste colapso progressivo está uma figura: Ossufo Momade, líder da RENAMO, a maior força da oposição desde o Acordo Geral de Paz de 1992. Se há um nome que ficará gravado nos anais da história como o grande facilitador da morte política da oposição multipartidária em Moçambique, é o dele.

Em ciência política, a liderança partidária eficiente baseia-se em três pilares: legitimidade, visão estratégica e capacidade mobilizadora. Ossufo Momade falhou em todos.

Primeiro, a legitimidade. A forma como ascendeu à liderança da RENAMO, logo após a morte de Afonso Dhlakama, foi marcada por uma série de manobras internas pouco transparentes, ausência de um congresso democrático. Isso gerou ao meu ver desconfiança, não só dentro do partido, mas também junto da base social da RENAMO, que via em Dhlakama uma figura de autoridade quase mística, agregadora e combativa.

Segundo, o carisma não se fabrica e Ossufo Momade nunca o teve. A sua presença pública é fria, sem magnetismo, nem força discursiva. Não inspira militância, nem respeito adversarial. Em política, especialmente em regimes com forte domínio hegemónico como o moçambicano, o líder da oposição precisa ser símbolo de resistência e esperança. Ossufo foi, no máximo, um gestor burocrático da desmobilização do seu partido.

Chegado a presidência da RENAMO, Momade optou por um discurso apaziguador, conciliatório e submisso. Conduziu o partido por um caminho de normalização forçada, como se fosse possível coexistir pacificamente com um regime que não abdica da manipulação eleitoral, do controlo dos media, do aparelho judicial e da intimidação policial.

Momade apostou numa estratégia de aproximação institucional à Frelimo, sem qualquer contrapartida visível para a RENAMO. Assinou o Acordo de Paz Definitiva em 2019, entregou as armas, aceitou desmobilizar guerrilheiros, mas nada exigiu de volta em termos de reformas estruturais nem na CNE, nem no STAE, nem no sistema de governação local. Resultado? A RENAMO ficou desarmada literal e politicamente.

No campo eleitoral, permitiu a participação em pleitos viciados sem qualquer preparação estratégica, sem uma máquina eleitoral robusta, e sem exigência prévia de condições mínimas de transparência. Entregou-se ao jogo fraudulento das urnas, onde a Frelimo já tem as cartas marcadas.

Um partido político é, sobretudo, uma máquina de organização popular. Comités, núcleos, juventudes, ligas femininas, secretariados provinciais, células nos bairros e nas zonas rurais. A RENAMO sob Momade colapsou estruturalmente. Não houve congressos regulares, não se renovaram quadros, não se consolidou a presença institucional nas zonas onde a RENAMO sempre teve capital político como Nampula, Zambézia, Sofala e Manica.

Muitos antigos combatentes e militantes históricos foram deixados ao abandono, sem reintegração social nem ocupação política. A juventude da RENAMO foi desmobilizada sem alternativa organizacional. Perdeu-se a massa crítica e o partido tornou-se uma casca institucional vazia, sem músculo social, nem intelectual.

Ossufo Momade não liderou. Administrou a decadência. Aceitou o papel de actor secundário num sistema construído para perpetuar o domínio da Frelimo. Em vez de erguer a bandeira da oposição, fez dela um trapo cinzento.

A política moçambicana precisa de figuras capazes de inspirar, articular, desafiar e mobilizar. Momade nunca foi isso. Foi o gestor do fim de um ciclo. Um coveiro sem luto. E como tal, o povo já o julgou nas urnas e na memória colectiva, será lembrado como aquele que, tendo herdado um instrumento de luta política legítima, preferiu dobrá-lo e enterrá-lo em silêncio.

Zambézia: Procuradoria empossa nova Comissão de Ética Pública

A Procuradoria Provincial da República da Zambézia procedeu esta semana à tomada de posse dos novos membros da Comissão Sectorial de Ética Pública, uma estrutura interna com responsabilidade directa na fiscalização da conduta dos agentes públicos. A cerimónia foi presidida pelo Procurador Provincial-Chefe, Freddy Jamal, que apelou a uma actuação firme e responsável da nova equipa.

A nova composição é liderada pelo Magistrado Sanu Danane, tendo como membros a Magistrada Dália Jalasse e a Escrivã Aleluia Rainho. O grupo passa a ser o rosto da vigilância interna sobre a ética dos servidores da justiça ao nível da província.

A criação e operacionalização desta comissão insere-se na estratégia nacional de reforço dos mecanismos de integridade e prevenção de práticas contrárias ao interesse público. Na ocasião, Freddy Jamal destacou a importância da estrutura na actual conjuntura administrativa, apontando a ética como um dos pilares da confiança nas instituições.

“A Procuradoria Provincial reafirma o seu compromisso com a integridade e a justiça. A Comissão de Ética Pública desempenha um papel estratégico na fiscalização e na orientação dos agentes públicos, assegurando que actuem sempre em prol do interesse colectivo”, disse Jamal.

“Confiamos que os novos membros exercerão as suas funções com dedicação e responsabilidade”, reforçou Jamal, frisando a necessidade de uma cultura institucional baseada em princípios, e não em favores. – Procurador Provincial-Chefe, Freddy Jamal

A aposta na Comissão de Ética surge num contexto em que se têm levantado várias preocupações em torno da conduta de alguns agentes públicos, quer no sector da justiça, quer em áreas administrativas e fiscais. Embora o Procurador-Chefe não tenha feito referência directa a casos concretos, fontes da Procuradoria admitem que há desafios sérios relacionados com o uso indevido de funções públicas para fins particulares.

A instalação desta comissão, de acordo com observadores locais, pode funcionar como um sinal de que há vontade de endurecer a vigilância interna e impor maior responsabilização aos funcionários que lidam com matérias sensíveis, incluindo processos judiciais, emissão de pareceres e despacho de casos disciplinares.

“Confiamos que os novos membros exercerão as suas funções com dedicação e responsabilidade”, reforçou Jamal, frisando a necessidade de uma cultura institucional baseada em princípios, e não em favores.

A Procuradoria da Zambézia tem estado, nos últimos meses, sob pressão para melhorar os níveis de transparência e resposta às queixas dos cidadãos. A entrada em funções da nova Comissão de Ética pode representar o início de um processo mais estruturado de saneamento interno, com implicações directas na qualidade da governação e na credibilidade da justiça ao nível provincial.