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Governo desafia Jacaranda a investir na transformação de produtos agrícolas

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Numa altura em que a retórica oficial insiste em narrativas de resiliência frente ao colapso estrutural do sector agrícola, o governador da província de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, escalou esta quinta-feira (29) as instalações da empresa agro-industrial Jacaranda, onde exaltou o “espírito de superação” da firma após sucessivas devastações causadas pelas tempestades tropicais Jude, Dikeled e Chido.

Os fenómenos meteorológicos extremos, cada vez mais recorrentes e previsíveis, deixaram um rasto de destruição em cerca de 750 hectares de áreas produtivas e armazéns da empresa, que, apesar das perdas, mantém de pé o seu modelo de negócio ancorado na produção de banana, cajú e rícino  este último com destino à indústria de biocombustíveis, uma aposta ainda pouco explorada no país.

O governante desafiou a empresa a alargar o seu raio de acção, não apenas exportando, mas contribuindo de forma mais efectiva para o abastecimento do mercado interno e, sobretudo, apostando na transformação local de produtos agrícolas em bens acabados como óleos e derivados.

Sem tocar em questões como a ausência de políticas públicas de mitigação de riscos climáticos ou a vulnerabilidade do tecido produtivo rural, o discurso do governador centrou-se na exaltação da “capacidade de adaptação” do sector privado.

Antes de abandonar o local, Abdula lançou o convite à Jacaranda para que integre a próxima Conferência Internacional de Nutrição e Agronegócios, bem como a Feira Económica Provincial, espaços que, segundo disse, podem servir para “partilhar experiências e inspirar outros produtores”.

A visita, cuidadosamente mediada, inscreve-se numa lógica governativa que privilegia o aplauso ao esforço privado, em detrimento da discussão estrutural sobre os reais gargalos do agronegócio moçambicano  entre eles, as frágeis infra-estruturas, a ausência de incentivos fiscais sólidos e uma quase inexistente rede pública de seguros agrícolas.

Governo de Nampula promete via alternativa entre Monapo e Mogincual em dez dias

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Num exercício cada vez mais recorrente de gestão de emergências sem solução estrutural à vista, o governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, deslocou-se esta quinta-feira (29) ao troço interrompido da Estrada Regional n.º 698, onde garantiu, em tom de urgência, que será reposta nos próximos dez dias uma via alternativa para assegurar a ligação entre os distritos de Monapo e Mogincual.

A ponte sobre o rio Ampuesse, epicentro do colapso, foi arrastada pela força das águas na sequência da passagem da tempestade tropical severa “Jude”, há semanas, deixando comunidades isoladas e os circuitos comerciais suspensos.

A “solução temporária” como foi rotulada pelas autoridades  vem sendo empurrada entre instituições, num cenário em que o discurso político se antecipa ao betão. “Há um esforço conjunto entre o Governo central e o Governo provincial na busca de soluções definitivas, mas enquanto isso não acontece, estamos a avançar com uma alternativa provisória”, afirmou Abdula, ladeado por deputados das bancadas parlamentares da FRELIMO, RENAMO e PODEMOS.

A visita ao local, cercada por câmaras e declarações cuidadosamente alinhadas, serviu também para sinalizar uma unidade política pouco habitual, mas ainda assim insuficiente para esconder o esgotamento da resposta pública a fenómenos climáticos cada vez mais frequentes e previsíveis.

Sem data nem garantias concretas sobre a reabilitação estrutural da ponte, o Governo provincial limita-se à promessa de que, com o restabelecimento provisório da ligação rodoviária, será possível retomar o fluxo de bens e pessoas entre Monapo e Namige, em Mogincual.

O silêncio sobre planos de resiliência e investimentos estruturais na malha rodoviária rural permanece ensurdecedor, e alimenta o cepticismo de uma população habituada a ver viaturas oficiais onde antes passavam apenas tractores de camponeses.

Carige recebe Inspeção Geral da Administração Pública na Beira

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O Presidente do Conselho Municipal da Beira, Albano Carige, recebeu esta terça-feira, 28 de Maio, uma delegação da Inspeção Geral da Administração Pública (IGAP), no âmbito do processo de monitoria e fiscalização das recomendações anteriormente emitidas por aquele órgão de controlo.

O encontro teve lugar no gabinete do edil e visou avaliar o grau de implementação das recomendações deixadas em visitas anteriores, no quadro da melhoria da gestão pública e da promoção de uma administração mais transparente e eficiente ao nível local.

Durante a reunião, foram discutidos aspectos ligados à gestão administrativa, cumprimento de normas legais, transparência nos processos internos e reforço dos mecanismos de prestação de contas no município da Beira.

Fontes do Conselho Municipal indicaram que Albano Carige reafirmou o compromisso do seu executivo em continuar a implementar boas práticas de governação, assegurando a conformidade com os padrões exigidos pela IGAP.

A Inspeção Geral da Administração Pública realiza visitas regulares às instituições do Estado, como parte do seu mandato de assegurar o cumprimento das normas de gestão e administração pública em todo o território nacional.

Carige lança Projecto de Plano de Água e Saneamento da Beira

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O Presidente do Conselho Municipal da Beira, Albano Carige, lançou esta quinta-feira (29) o projecto de elaboração do plano de água e saneamento da cidade da Beira. A iniciativa é promovida pelo Serviço de Águas e Saneamento da Beira (SASB), em colaboração com a Plataforma de Desenvolvimento Urbano Local (PDUL). Durante o acto de lançamento, que contou com a presença de representantes do governo local, parceiros de cooperação, sociedade civil e técnicos do sector de infra-estruturas, Carige sublinhou a importância estratégica do plano para responder aos desafios históricos da cidade, marcada por inundações cíclicas e défice de acesso a serviços de água potável e saneamento básico.

O projecto prevê um levantamento exaustivo das condições actuais, identificação das zonas críticas, bem como propostas de soluções técnicas, financeiras e institucionais a serem implementadas nos próximos anos. A elaboração do plano contará com consultas públicas e participação activa das comunidades locais.

O SASB, órgão autónomo municipal, lidera tecnicamente o processo, enquanto a PDUL oferece apoio metodológico e institucional, reforçando a articulação com planos urbanísticos e de resiliência ambiental já em curso.

Presidente da Autoridade Tributária visita mina da MRM em Namanhumbir

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O recém-nomeado Presidente da Autoridade Tributária de Moçambique (AT), Aníbal Mbalango, visitou no passado dia 26 de Maio as instalações da Montepuez Ruby Mining (MRM), no distrito de Montepuez, província de Cabo Delgado. A visita teve como principal objectivo conhecer de perto as operações da mineradora e os desafios enfrentados pela empresa no contexto fiscal e operacional.

Durante a visita, a equipa da MRM destacou o impacto financeiro e social que a empresa tem na região e no país, apontando como principal preocupação o atraso no reembolso do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), que tem afectado negativamente o desenvolvimento do projecto mineiro.

O Presidente da AT reconheceu as dificuldades e assegurou que estão em curso reformas que visam tornar os serviços da Autoridade Tributária mais flexíveis e eficazes. “Estamos a trabalhar na reforma tributária para garantir maior flexibilidade nos serviços prestados, visando criar um cenário em que todos pagam impostos e todos recebem o que lhes é devido pelo Estado. Este trabalho será efectuado com o envolvimento dos contribuintes”, disse Mbalango.

Joackim Bantubonse, Director Financeiro Regional da Gemfields — grupo britânico que detém 75% da MRM — mostrou-se confiante de que as reformas nos sectores fiscal e mineiro contribuirão para combater os problemas mais graves da indústria, nomeadamente a extracção e o comércio ilegais de rubis.

A MRM é considerada pela Autoridade Tributária um parceiro estratégico para Cabo Delgado e para o país. A empresa foi reconhecida como o maior contribuinte da província entre 2014 e 2019, e novamente em 2022 e 2023. Em 2021, foi também incluída entre os principais contribuintes, embora em 2020 e 2024 não tenham sido atribuídos prémios.

Desde o início das suas operações, a MRM pagou 24% das suas receitas totais em Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas e em royalties ao Estado moçambicano.

BCI recebe prémio de excelência em Banca para as PMEs em Moçambique

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O Banco Comercial e de Investimentos (BCI) recebeu o prémio Excellence in SME Banking
Mozambique 2025 atribuído pela Brands and Business Magazine. Esta distinção reconhece o
compromisso contínuo do BCI com o desenvolvimento e apoio às Pequenas e Médias Empresas (PMEs) em Moçambique.
Os prémios atribuídos pela Brands and Business Magazine visam distinguir instituições que
demonstram liderança exemplar, inovação consistente e contributos relevantes para o progresso económico e social nos seus mercados.
O Presidente da Comissão Executiva (PCE) do BCI, Francisco Costa, afirmou: “esta distinção reflecte o esforço constante do BCI em oferecer produtos e serviços que atendem às necessidades específicas das PMEs, promovendo a inclusão financeira e contribuindo para o crescimento sustentável de Moçambique”. Acrescentou ainda: “o reconhecimento reforça o nosso compromisso em continuar a contribuir para o fortalecimento do tecido empresarial nacional e para o crescimento do país”.
De acordo com a publicação, “a elegibilidade para o prémio baseia-se exclusivamente no mérito. Reconhecemos apenas empresas, serviços e indivíduos que se destacaram pelo seu compromisso excepcional com a satisfação do cliente e pela capacidade de sobressaírem num mercado competitivo”.
O processo de atribuição dos prémios inclui as fases de nomeação, selecção e anúncio dos
vencedores na secção Award Winners. As equipas de pesquisa utilizam diversas fontes públicas para recolher dados, baseando a decisão final em múltiplos critérios, incluindo sucesso de mercado, sustentabilidade, crescimento do negócio e inovação.
A Brands and Business Magazine tem como um dos seus principais propósitos fornecer notícias e conteúdos que enriquecem o universo dos negócios e das finanças, esforçando-se por ser uma plataforma que promove colaborações benéficas entre organizações, sectores e marcas. Importa referir que, este ano, a revista já havia atribuído ao BCI o prémio de “Melhor Banco para o Segmento Corporate em Moçambique”, reforçando assim o posicionamento da instituição como um agente financeiro de referência no país.

CONSELHO DO ESTADO SEM O CONSELHEIRO!

A Constituição da República de Moçambique (CRM), enquanto lei mãe, é de cumprimento obrigatório para todos os cidadãos moçambicanos, bem como para qualquer indivíduo que viva ou transite em território nacional, sem exceção. É nela que reside a espinha dorsal do Estado de Direito e da democracia. Tao lamentável e repugnante é quando os órgãos públicos que deviam ser guardiões da legalidade escolhem ignorá-la ou subvertê-la, abre-se assim um perigoso precedente de desobediência institucional e de erosão dos pilares da República. Embora seja o normal deste regime, desrespeitar os Moçambicanos!

O artigo 163, n.º 1, alínea d) da Constituição é explícito: “São membros do Conselho do Estado, o candidato à Presidência da República que tiver ficado em segundo lugar nas eleições.” Trata-se de um comando constitucional claro e inquestionável. O Presidente da Republica de solicita-lo (o segndo mais votado) formalmente e o visado deve também rejeitar ou aceitar formalmente, sem se basear dos pronunciamentos das lives nas redes sociais.

Nas violentas e altamente fraudulentas eleições gerais de 2024, o Conselho Constitucional (CC), com base num acórdão repleto de contradições jurídicas, declarou Daniel Chapo como Presidente da República e Venâncio Mondlane como o segundo candidato mais votado. Esta decisão, apesar de controversa e amplamente rejeitada pelo povo, gerou uma série de manifestações por todo o país, como expressão da busca pela verdade eleitoral.
O que se seguiu foi um cenário de repressão violenta, com a polícia a responder às manifestações com balas mortíferas, em vez de diálogo, e com o próprio Conselho Constitucional, numa linguagem mais política do que jurídica, a insinuar que a vontade popular estava a ser manipulada por “forças ocultas”, que ambiguidade. Mas, curiosamente, o mesmo CC reconheceu, no seu próprio acórdão, que Venâncio Mondlane foi o segundo candidato mais votado. Por consequência lógica e legal, ele deveria automaticamente integrar o Conselho do Estado.

No entanto, a Assembleia da República, revelando que sua génese é do atropelo a Constituição da República, agiu em flagrante violação da Constituição, confirmou os membros do Conselho do Estado, excluindo aquele que a Constituição manda incluir. Trata-se de um escândalo constitucional de grandes proporções, onde a própria Assembleia, que deveria ser o modelo de respeito pela legalidade, actua como cúmplice de um golpe silencioso à Lei suprema do país.

A ironia é ainda maior quando observamos que o excluído Venâncio Mondlane, desde o fim do processo eleitoral, tem vindo a apresentar, nas suas comunicações públicas (as famosas “lives”), um plano de governação paralelo. Nesse plano, apresenta propostas concretas para a Educação, as portagens, o sistema fiscal e outras áreas estratégicas do País. Hoje, algumas dessas ideias estão curiosamente a ser seguidas ou adotadas pelo Governo de Daniel Chapo. Coincidência? Ou Venâncio tem razão? Não será que o “excluído” está a aconselhar o “eleito” pela CC? Ou o “eleito” esta a plagiar? Essa interrogação permanece aberta mas é profundamente reveladora do paradoxo que vivemos.

Afinal, como pode o Conselho do Estado estar completo se falta justamente aquele que a Constituição manda incluir? Que valor tem a nossa Constituição se os órgãos que a deveriam defender são os primeiros a desprezá-la? Se as instituições desprezam a lei, o que se pode esperar da população que vive diariamente os desmandos do governo?
Este é o retrato de um país em que os princípios constitucionais estão a ser escamoteados em plena luz do dia, e em que a legalidade está a ser subordinada aos interesses partidários e ou estomacais. E perante este quadro, espera-se agora qual será a posição do próprio Conselho Constitucional ao ver pisada a Constituição que deveria proteger.

Diante dos factos só posso afirmam que o “Conselho do Estado esta sem o CONSELHEIRO” porque não é apenas Venâncio Mondlane que foi excluído. É a própria Constituição que foi chutada para o canto, e com ela, a esperança de termos instituições que reflitam, de facto, os valores republicanos e democráticos, não os partidários e dos interesses do corpo.

Chapo apela à paz e anuncia medidas para enfrentar desafios em Gaza

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O Presidente da República, Daniel Chapo, encerrou recentemente a visita de trabalho à província de Gaza com um comício popular na vila da Macia, onde reiterou o compromisso do Governo em tomar “medidas bem pensadas” para melhorar a vida dos moçambicanos.

A visita de três dias foi marcada por apelos à paz, reconciliação, mas também por demonstração de preocupação da população com o crescente custo de vida.

Num tom de esperança e responsabilidade, Chapo sublinhou que o desenvolvimento sustentável só é possível num ambiente de harmonia.

Apesar dos progressos, os residentes continuam a enfrentar desafios estruturais. Entre as principais preocupações destacam-se o elevado custo de vida, a escassez de financiamento para pequenos produtores, o acesso limitado à educação básica e as falhas no fornecimento de água potável na vila sede.

A comunidade local apelou ainda à construção de um instituto técnico-profissional, com vista à capacitação dos jovens e à promoção de oportunidades para o desenvolvimento local.

 

 

 

 

 

Ivan Mazanga condena detenção de ex-guerrilheiros da RENAMO e exige Conselho Nacional urgente

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O líder da Liga Nacional da Juventude da RENAMO, Ivan Mazanga, veio a público esta quinta-feira, 29 de Maio, denunciar aquilo que classificou como “repressão policial inaceitável” contra antigos guerrilheiros do partido, detidos durante uma operação da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) na sede nacional da RENAMO, em Maputo.

Em conferência de imprensa convocada de emergência, Mazanga afirmou que a intervenção da Polícia da República de Moçambique (PRM) “viola gravemente a soberania interna do partido” e compromete todos os esforços pela reconciliação e estabilidade política no seio da maior força da oposição.

“É a este mesmo regime que recorremos para resolver os nossos problemas internos? Esqueceram a última vez que essas forças tomaram as nossas instalações em Maputo e Nampula? Para resolver este problema recorremos aos mesmos que há muito tempo nos mataram?”, questionou Mazanga, num tom carregado de crítica à liderança partidária e às autoridades do Estado.

O dirigente juvenil rejeitou qualquer tentativa de criminalização dos ex-combatentes da RENAMO, lembrando que estes são “filhos da luta, com legitimidade histórica e política inquestionável”, e criticou o que chamou de “silêncio cúmplice” de alguns sectores da direcção.

Mazanga defendeu que os conflitos internos não podem ser geridos “com cassetetes e balas, mas com diálogo, escuta mútua e respeito pelos órgãos do partido”, e exigiu, de forma firme, a convocação urgente do Conselho Nacional da RENAMO como única instância legítima para resolver os diferendos internos e restaurar a coesão do partido.

“A juventude da RENAMO está pronta para defender o partido — não com violência, mas com ideias, democracia interna e respeito pelas estruturas estatutárias”, afirmou, num apelo à liderança máxima para que não adie mais um encontro nacional amplamente representativo.

A intervenção de Mazanga surge num momento de elevada tensão interna, marcado por acusações de perseguição, exclusão e gestão centralista dentro da RENAMO, sinais que, segundo analistas, ameaçam mergulhar o partido numa crise estrutural caso não haja uma resposta imediata e institucional.

 

Quando a generosidade popular coloca o Estado à prova

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Durante a recente visita do Presidente da República, Daniel Chapo, à província de Gaza, um gesto simbólico chamou a atenção da opinião pública: a Governadora Margarida Mapandzene Chongo anunciou um conjunto generoso de ofertas feitas em nome da população local ao Chefe de Estado. Entre os presentes estavam produtos agrícolas, animais de criação e peixe fresco. Um gesto de hospitalidade que, à primeira vista, poderia parecer apenas uma tradição de boas-vindas.

Mas a realidade é mais complexa. O gesto despertou reacções de organizações da sociedade civil, como o Centro de Integridade Pública (CIP), que alertou para uma possível violação da Lei de Probidade Pública – a Lei n.º 16/2012, que proíbe servidores públicos de receber ofertas em função das suas funções. A exigência do CIP foi clara: as ofertas devem ser devolvidas.

O episódio abre espaço para uma reflexão mais profunda sobre ética na gestão pública, simbolismo político e percepções que afectam as políticas sociais.

Simbolismo ou sinal errado?

Ao agradecer as ofertas, o Presidente afirmou que elas mostram que “a segurança alimentar em Gaza está garantida” — uma frase que pode, involuntariamente, transmitir a ideia de que a província vive em abundância e está imune à crise alimentar que aflige grande parte do país. Mas todos sabemos que a realidade do cidadão comum em Gaza, sobretudo nas zonas rurais, não é essa.

Dizer que “há comida” por se receber ofertas bem organizadas e seleccionadas pode ocultar as desigualdades internas, as carências reais e os desafios da população vulnerável que, em tempos de crise económica e alta do custo de vida, luta por sobrevivência com dignidade.

Ética no serviço público

Mais do que uma questão de tradição, este gesto lança luz sobre as fronteiras entre a cortesia institucional e o favorecimento político. Se o próprio Estado determina que nenhum servidor público deve receber ofertas, como se justifica este tipo de prática vindo das lideranças provinciais?

Ainda que o Presidente tenha respondido que parte das ofertas seriam destinadas aos hospitais e às forças armadas, o gesto levanta a questão: quem autorizou a oferta? A população foi consultada? Ou tratou-se de uma decisão unilateral, simbólica e política?

O caminho da integridade

É necessário repensar o simbolismo dos gestos públicos. As lideranças devem inspirar confiança através da transparência, da ética e da coerência legal. Num país onde muitos cidadãos sentem-se distantes dos benefícios do Estado, qualquer sinal de privilégio ou favorecimento pode alimentar a desconfiança.

Gaza é uma província rica em potencial, mas o combate à fome, à pobreza e à desigualdade ainda é um desafio. A mensagem que deve ser passada é a de compromisso com o bem-estar de todos — não apenas com símbolos de abundância.