Num exercício cada vez mais recorrente de gestão de emergências sem solução estrutural à vista, o governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, deslocou-se esta quinta-feira (29) ao troço interrompido da Estrada Regional n.º 698, onde garantiu, em tom de urgência, que será reposta nos próximos dez dias uma via alternativa para assegurar a ligação entre os distritos de Monapo e Mogincual.
A ponte sobre o rio Ampuesse, epicentro do colapso, foi arrastada pela força das águas na sequência da passagem da tempestade tropical severa “Jude”, há semanas, deixando comunidades isoladas e os circuitos comerciais suspensos.
A “solução temporária” como foi rotulada pelas autoridades vem sendo empurrada entre instituições, num cenário em que o discurso político se antecipa ao betão. “Há um esforço conjunto entre o Governo central e o Governo provincial na busca de soluções definitivas, mas enquanto isso não acontece, estamos a avançar com uma alternativa provisória”, afirmou Abdula, ladeado por deputados das bancadas parlamentares da FRELIMO, RENAMO e PODEMOS.
A visita ao local, cercada por câmaras e declarações cuidadosamente alinhadas, serviu também para sinalizar uma unidade política pouco habitual, mas ainda assim insuficiente para esconder o esgotamento da resposta pública a fenómenos climáticos cada vez mais frequentes e previsíveis.
Sem data nem garantias concretas sobre a reabilitação estrutural da ponte, o Governo provincial limita-se à promessa de que, com o restabelecimento provisório da ligação rodoviária, será possível retomar o fluxo de bens e pessoas entre Monapo e Namige, em Mogincual.
O silêncio sobre planos de resiliência e investimentos estruturais na malha rodoviária rural permanece ensurdecedor, e alimenta o cepticismo de uma população habituada a ver viaturas oficiais onde antes passavam apenas tractores de camponeses.
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