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Saibá Karaté Clube Sagra-se Bi-Campeão Regional Centro

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Quelimane foi, recentemente, palco de um dos mais aguardados eventos desportivos da região: o Campeonato Regional Centro de Karaté, que reuniu cerca de 200 atletas provenientes de oito escolas da zona centro do país. O torneio destacou-se pelo elevado nível técnico, competitividade renhida e um espírito desportivo que honrou a modalidade.

O grande protagonista foi o Saibá Karaté Clube, que confirmou o seu favoritismo e conquistou, pelo segundo ano consecutivo, o título de Bi-Campeão Regional Centro. Com um total impressionante de 13 medalhas de ouro, 4 de prata e 12 de bronze, a equipa garantiu o topo da classificação geral, consolidando a sua posição como uma das maiores referências nacionais no karaté.

O pódio foi completado pelo Sporting de Quelimane, com 8 ouros, 11 pratas e 9 bronzes, e pelo Núcleo de Nicoadala, que arrecadou 2 ouros, 5 pratas e 7 bronzes.

O evento contou com a presença de distintas figuras, entre elas o presidente do Conselho Municipal de Quelimane, Prof. Dr. Manuel de Araújo, o representante do Diretor Provincial da Juventude e Desportos, e o representante do Administrador de Quelimane, além de várias personalidades ligadas ao desporto.

A direção técnica esteve a cargo do Presidente da Associação Moçambicana de Karaté, Sensei Carlos Dias, que destacou a qualidade competitiva do torneio e a sua importância para a afirmação do karaté na região Centro.

Com esta vitória, o Saibá Karaté Clube reafirma que disciplina, trabalho árduo e espírito de equipa são ingredientes indispensáveis para atingir o topo — e para lá permanecer.

Estudo revela continuidade entre elites tradicionais e modernas em Moçambique

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Uma análise recente do Observatório do Meio Rural (OMR) revela que as elites políticas e económicas moçambicanas mantêm uma linha de continuidade histórica que remonta ao período pré-colonial. O estudo, intitulado “Das Elites ‘Tradicionais’ às ‘Modernas’ em Moçambique”, foi publicado na edição nº 341 do Destaque Rural, datado de 5 de Agosto de 2025, e assinado por João Mosca, coordenador do Conselho Técnico do OMR.

Segundo o documento, apesar da subordinação às potências estrangeiras durante o período colonial, as elites locais tradicionais adaptaram-se para manter o controlo sobre o poder. A modernização dessas elites não significou, porém, o abandono de valores, práticas e comportamentos herdados das sociedades tradicionais. A educação destacou-se como um dos principais meios de transição e consolidação de uma elite dirigente com traços “modernos”, mas cujas estratégias de perpetuação do poder permanecem inalteradas.

Desde os primeiros contactos com forças externas — militares ou económicas —, as elites internas beneficiaram-se através do comércio, da escravatura e, mais tarde, pela formação de uma pequena burguesia burocrática e económica. A viragem do século XX acentuou esta tendência, com o Estado a ser instrumentalizado como principal canal de redistribuição de recursos, consolidando um empresariado dependente de protecção política, lóbis e favores governamentais. Trata-se, na visão do estudo, de um tecido empresarial fragilizado, desprovido de cultura de ética e competitividade.

A análise não poupa críticas ao papel da violência como mecanismo recorrente de conquista e manutenção do poder — uma prática herdada de sistemas tradicionais de chefatura, como o império de Gaza, perpetuada pelo colonialismo e hoje visível em diversas manifestações da elite governante. João Mosca caracteriza a elite política actual como “cega e surda”, focada no enriquecimento pessoal e na preservação de privilégios, mesmo à custa da repressão.

Num cenário onde cresce uma juventude urbana que exige oportunidades de emprego, melhores condições de saúde e educação, e que se insurge contra a corrupção e as desigualdades, o estudo adverte para a fragilidade do actual modelo de governação. Em síntese, o documento traça um retrato de uma elite que, embora adaptada aos tempos modernos, conserva mecanismos de exclusão e dominação herdados do passado.

Dom Inácio Saúre: “Derrotámos o colonialismo com menos. Por que não vencemos o terrorismo com mais?”

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O arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre, voltou a colocar o dedo na ferida. Sem rodeios, questiona por que razão Moçambique, com mais recursos humanos, materiais e tecnológicos do que há cinco décadas, continua incapaz de travar a sangria que assola Cabo Delgado desde 2017.

A inquietação do prelado não é apenas pastoral — é cívica e política. “Desde Outubro de 2017 até hoje, não vejo sinais claros de um fim próximo desta realidade. É um grande problema”, afirmou, sublinhando que a violência extrema, as mortes e o deslocamento em massa de famílias são uma ferida aberta que não pode deixar ninguém indiferente.

Saúre recorda a epopeia da independência como lição e acusação: “Se fomos capazes de conquistar a independência enfrentando tropas coloniais, com poucos meios, porque não conseguimos, hoje, vencer um grupo armado com muito menos poder de fogo, quando temos mais recursos e mais aliados?” A resposta, para ele, passa por algo que falta e que não se compra — “boa vontade, sinceridade, amor à pátria”.

Enquanto isso, a tragédia em Cabo Delgado não dá tréguas. Província rica em gás natural, mas pobre em segurança e estabilidade, vê o seu futuro hipotecado pelo terror. Mais de um milhão de deslocados, seis mil mortos, aldeias despovoadas, crianças sem escola e famílias reduzidas a números frios em relatórios humanitários.

A guerra, enraizada na pobreza, exclusão e falta de oportunidades para a juventude, já não é apenas um problema militar. É um fracasso colectivo que ameaça transformar a promessa de desenvolvimento num epitáfio. E, como o arcebispo sugere, talvez a maior batalha que nos falte vencer seja dentro de nós mesmos

Quelimane: Assembleia Municipal Aprova Conta de Gerência e Plano Quinquenal 2024–2028

 

A Assembleia Municipal da Cidade de Quelimane realizou, ontem, a sua IIª Sessão Ordinária do ano, marcada pela análise e deliberação de matérias centrais para a governação autárquica.

Entre os pontos de destaque na ordem do dia estiveram a apreciação da Conta de Gerência e do Relatório de Actividades de 2024, a proposta de reajuste orçamental, a discussão e aprovação do Regimento Interno da Assembleia Municipal e a apresentação do Plano Quinquenal 2024–2028.

Com maioria formada pelas bancadas da Renamo e do MDM, foram aprovados a Conta de Gerência e o Relatório de Actividades referentes ao exercício económico de 2024, bem como o Plano Quinquenal que traça as linhas estratégicas para o desenvolvimento municipal nos próximos cinco anos. O Regimento Interno e o reajuste orçamental mereceram unanimidade, contando com o voto favorável das três bancadas representadas.

A sessão decorreu na presença dos membros da Assembleia Municipal, representantes do Conselho Autárquico, do delegado da tutela administrativa e de individualidades convidadas. Num ambiente marcado por debates técnicos e consensos pontuais, as deliberações desta reunião definem a agenda política e administrativa de Quelimane para o médio prazo, consolidando compromissos de investimento, gestão e ordenamento urbano.

Cheques falsos na autarquia de Quelimane: Manuel de Araújo confirma

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O edil Manuel de Araújo confirmou que já encaminhou o processo aos órgãos da administração da justiça e, num tom que mistura pragmatismo e resignação, recordou que “actos de corrupção existem em qualquer instituição”, acrescentando que o essencial é “a atitude tomada perante este tipo de situação”.

Mas os nomes envolvidos no dossiê levantam questões incómodas. Entre os suspeitos figuram o chefe do gabinete do presidente, a vereadora das Finanças, o antigo director municipal das Finanças, o chefe da Contabilidade e a chefe de Despesas. Juntos, formam um núcleo que, no papel, deveria garantir a integridade e transparência das finanças municipais.

O caso chegou à luz pública através da série TxopelaLeaks, do Jornal Txopela, que nos últimos meses se tem afirmado como um canal persistente de denúncias contra o que considera ser “o sistema instalado” na autarquia de Quelimane. As revelações, obtidas a partir de documentos internos e fontes próximas dos processos administrativos, indicam que a falsificação dos cheques não foi um acto isolado, mas sim parte de um padrão de práticas ilícitas que drena recursos e alimenta redes de influência.

Tribunal condena Manuel de Araújo pelo incumprimento de uma ordem judicial

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O Tribunal Judicial condenou, esta quarta-feira, o presidente do Conselho Autárquico de Quelimane, Manuel de Araújo, a uma pena de quatro meses de prisão, convertida em multa, por incumprimento de uma ordem judicial que determinava a remoção das barracas instaladas na Avenida Bonifácio Gruveta, a marginal da cidade.

A decisão do tribunal aponta que o edil não cumpriu o prazo de 15 dias estabelecido para retirar as estruturas ocupadas pelas mães barraqueiras, conforme determinação judicial anterior. O juiz da causa considerou que, apesar do contexto político conturbado do período pós-eleitoral — marcado por manifestações e tensão social —, o presidente deveria ter garantido a execução da ordem, inclusive recorrendo à força se necessário.

Na sua reacção, Araújo afirmou que foi condenado “por proteger as mesmas pessoas que agora me criticam”, numa referência às vendedoras que permaneceram no local. O edil defendeu que a decisão da autarquia visou evitar conflitos e preservar a paz social num momento politicamente sensível.

Hospital Central de Quelimane capacita profissionais para prevenir incêndios com apoio da PRM e SENSAP

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QUELIMANE, 7 de Agosto de 2025 – Antecipando o período seco, historicamente propenso a incêndios, o Hospital Central de Quelimane (HCQ) promoveu esta quarta-feira uma sessão especial de formação e demonstração prática sobre prevenção e combate a incêndios, reforçando o compromisso da instituição com a segurança dos utentes e profissionais de saúde.

A iniciativa, que decorreu no auditório do hospital, contou com a participação de agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM), do Serviço Nacional de Salvação Pública (SENSAP) e de dezenas de técnicos de saúde, e visou dotar os funcionários de conhecimentos práticos sobre o uso correto de extintores, carreteis e bocas de incêndio, instalados ao longo das diversas unidades do HCQ.

O técnico do SENSAP, Alex Ricardo Cuane, que orientou a formação, destacou que apesar da existência de infraestruturas adequadas para a primeira intervenção, a eficácia das mesmas depende do grau de preparação dos seus utilizadores. “É essencial que os profissionais saibam operar com os equipamentos de segurança que já estão disponíveis, para que o hospital possa responder com prontidão a qualquer foco de incêndio”, explicou Cuane, realçando ainda a engenhosa concepção arquitectónica do HCQ, que obedece a normas de segurança internacional.

Durante a demonstração prática, os participantes puderam simular situações de emergência e aplicar técnicas de contenção do fogo, reforçando a consciência sobre a importância de respostas rápidas e coordenadas.

A Direcção do HCQ elogiou a colaboração entre as entidades envolvidas e apelou à replicação da iniciativa em outras instituições públicas e privadas, lembrando que prevenir incêndios é preservar vidas e património público. “Esta acção não deve ser pontual, deve fazer parte de uma cultura de segurança que queremos enraizar”, declarou um representante da direcção.

Com a aproximação do verão e as temperaturas a subirem, o HCQ procura assim antecipar riscos e garantir que, em caso de sinistro, a resposta não seja improvisada, mas sim eficaz e imediata. A acção foi bem recebida entre os profissionais, que viram nela não apenas uma formação técnica, mas uma expressão de responsabilidade institucional e cuidado com o bem-estar coletivo.

Mariupol, a cidade ressuscitada para outros: reconstrução russa expulsa os ucranianos do seu próprio chão

Do epicentro da destruição à vitrine do imperialismo urbano: empreiteira ligada ao ministro russo da Construção ergue habitações de luxo nas ruínas da guerra e transforma a identidade de Mariupol.

Mariupol não é apenas uma cidade em disputa. É hoje um espelho do tipo de guerra que se trava no século XXI — onde não basta ocupar um território. É preciso reconstruí-lo para apagar quem o habitava.

A cidade que se tornou um símbolo da brutalidade da guerra na Ucrânia está a ser reconstruída — mas não para os que sobreviveram aos bombardeamentos, nem para os que fugiram das ruínas com o pouco que puderam salvar. Mariupol, hoje, é uma cidade em mutação profunda — física, política e identitária — sob domínio russo.

O que era uma cidade ucraniana vibrante, com vida portuária intensa e cultura própria, foi transformada numa zona de reconfiguração urbana ao serviço da ocupação. Segundo investigações internacionais, uma empresa ligada ao ministro russo da Construção está a liderar o processo de reconstrução, convertendo edifícios destruídos pela própria guerra em apartamentos de alto padrão para russos oriundos do interior da Federação.

O projeto, apresentado como um “renascimento urbano”, oculta uma operação silenciosa de colonização demográfica e apagamento da identidade ucraniana. Os poucos residentes locais que sobreviveram aos combates relatam despejos forçados, bloqueios à entrada na cidade e perda de direitos de propriedade — enquanto novos moradores russos são incentivados a estabelecer-se na zona com benefícios estatais e facilidades fiscais.

Mariupol caiu em maio de 2022, após semanas de cerco e bombardeamentos ininterruptos. Foi ali que o mundo assistiu, em direto, à destruição do Teatro Dramático da cidade — onde centenas de civis se refugiavam — e ao colapso total da infraestrutura urbana. Hospitais, escolas, zonas residenciais: nada foi poupado.

A reconstrução, agora conduzida por interesses ligados ao Kremlin, não é neutra. Não se trata de devolver a cidade aos seus habitantes, mas de redesenhá-la segundo os interesses geoestratégicos de Moscovo. Os novos empreendimentos seguem o modelo de cidades russas modernas, com arquitetura padronizada, vigilância eletrónica, escolas com currículo russo e toponímia alterada.

A cidade que volta sem os seus

Para muitos dos antigos habitantes de Mariupol, o pesadelo não terminou com o silêncio das armas. Vivem como deslocados internos em cidades ucranianas, ou exilados na Europa, impedidos de regressar à cidade onde nasceram. Alguns tentaram voltar, mas enfrentaram bloqueios burocráticos, perseguição, ou a constatação simples de que suas casas foram demolidas ou reocupadas.

“Reconstruir uma cidade sem os seus habitantes originais é mais do que engenharia civil — é engenharia identitária”, afirma a urbanista ucraniana Iryna Melnyk, investigadora em temas de reconstrução pós-conflito. “O que se passa em Mariupol é uma forma sofisticada de limpeza étnica urbana.”

Reconstrução como arma de guerra

Especialistas em direito internacional já alertam para a gravidade do que ocorre em Mariupol. “Este tipo de reconstrução serve para consolidar a ocupação, minar o direito ao retorno e institucionalizar o deslocamento forçado”, afirmou à Tempo o analista alemão Klaus Vinter, da Universidade de Heidelberg.

Vinter lembra que o uso de reconstrução para legitimar ocupações não é novo — mas o caso de Mariupol é particularmente simbólico por envolver uma cidade que foi destruída quase totalmente pelos próprios invasores. “É uma cidade que está a ser reconstruída para apagar o crime.”

A Rússia, por sua vez, apresenta o processo como um ato de responsabilidade e recuperação. Reportagens da imprensa estatal russa mostram imagens de novos bairros, creches, supermercados e arruamentos. Mas nenhuma dessas imagens mostra os antigos moradores. Eles desapareceram do plano urbano — e da narrativa.

A reconstrução de Mariupol é também uma mensagem para o interior da Rússia. Serve para mostrar ao cidadão comum que “vale a pena conquistar território”, porque novos espaços, com melhores condições de vida, podem ser postos à disposição de quem se alinha com o projeto imperial de Moscovo.

Para os ucranianos, no entanto, é mais uma ferida aberta. Uma cidade perdida não só pela força das armas, mas pela estratégia fria da substituição populacional. Uma cidade construída para outros, erguida sobre os escombros de quem a chamava lar.

Cabo Delgado: Governo sem clareza sobre autores dos ataques, mas garante intensificação militar

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MAPUTO, 6 de Agosto de 2025 – O Governo moçambicano reconhece a complexidade do actual contexto de violência em Cabo Delgado, onde grupos armados continuam a semear o pânico entre civis. O porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, admitiu esta terça-feira que não está claro se os recentes ataques são perpetrados por grupos terroristas ou pelos naparamas, mas assegurou que as Forças de Defesa e Segurança (FDS) estão a agir para conter os movimentos e neutralizar os agressores.

“É difícil dizer se sim, se são terroristas ou são naparamas”, declarou Impissa, acrescentando que ambos os grupos têm estado a movimentar-se ou a tentar mobilizar-se entre diferentes pontos da província. Segundo o porta-voz, as FDS têm impedido que estas movimentações se concretizem em novos focos de violência, embora o risco persista em diversas áreas, particularmente nos distritos de Chiúre e Muidumbe.

As declarações de Impissa foram prestadas em Maputo, no final da 27.ª sessão ordinária do Conselho de Ministros, numa altura em que se acumula a pressão pública para que o Executivo tome medidas mais eficazes face ao recrudescimento da violência armada no norte do país.

Questionado sobre o impacto humanitário das últimas incursões, Impissa informou que o Governo continua a mobilizar apoios para reforçar a ajuda às populações afectadas, numa altura em que milhares de deslocados se acumulam em centros de acolhimento precários, e as condições de assistência são cada vez mais desafiadoras.

Nos bastidores, cresce o mal-estar com a aparente incapacidade das autoridades em distinguir com clareza os actores da violência no terreno, numa província onde as linhas entre insurgentes, milícias paramilitares e populações armadas são cada vez mais ténues. A ausência de informação precisa alimenta um ambiente de incerteza e insegurança, enquanto comunidades inteiras vivem sob ameaça constante.

Impissa, no entanto, manteve o discurso de que o Governo “continua a trabalhar”, sem avançar prazos ou estratégias claras para o restabelecimento da ordem pública e o retorno seguro das populações às zonas de origem.

Face a um conflito que se arrasta desde 2017 e já provocou mais de um milhão de deslocados, o Executivo reafirma a sua determinação em conter a violência, mas a realidade no terreno continua a desafiar esse compromisso, deixando dúvidas quanto à eficácia dos esforços em curso.

Quelimane: Hospital Central enfrenta escassez de reagentes

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QUELIMANE, 6 de Agosto de 2025 – O Hospital Central de Quelimane (HCQ), uma das mais importantes referências hospitalares da região centro, está a operar com restrições no fornecimento de reagentes laboratoriais, afectando sobretudo os exames de função renal e hepática. A escassez, que persiste desde o mês passado, tem obrigado a unidade sanitária a adoptar critérios de priorização, focando-se em casos urgentes, pacientes internados e encaminhados de outras unidades.

Apesar do cenário, a direcção do hospital garante que os serviços continuam operacionais, assegurando à população que “não há implicações graves na prestação dos cuidados”. A afirmação foi feita por Palmira Nascimento, Directora dos Serviços de Urgência, que reiterou a capacidade de resposta da equipa médica, mesmo num contexto adverso. “Os exames continuam a ser feitos com critério e responsabilidade. Estamos atentos e a trabalhar para que não haja ruptura total”, afirmou.

De acordo com a responsável, o restabelecimento do fornecimento está previsto para a próxima semana, e os canais logísticos já foram activados para garantir o reabastecimento atempado. No entanto, Palmira Nascimento admite que a situação impôs desafios acrescidos à rotina hospitalar, obrigando os profissionais a uma gestão rigorosa dos recursos disponíveis.

O HCQ continua a registar uma média de 200 atendimentos por dia, acolhendo doentes provenientes de vários distritos da Zambézia e de províncias vizinhas. “Estamos aqui para receber e tratar. Mesmo com limitações, a nossa missão é garantir análises clínicas eficazes e seguras aos nossos utentes”, vincou Nascimento, deixando um apelo à calma e à confiança nos serviços.

Fontes do hospital indicam que as restrições no fornecimento de reagentes não são um fenómeno isolado, e reflectem fragilidades recorrentes na cadeia de abastecimento do sistema nacional de saúde. No entanto, a direcção do HCQ diz estar a monitorar a situação de perto e assegura que nenhuma urgência será desassistida.

Num tempo em que a procura por serviços de saúde de qualidade cresce exponencialmente, a escassez de insumos laboratoriais vem testar a resiliência do HCQ e a confiança dos utentes. Por agora, a resposta é pragmática: garantir o essencial e manter o compromisso com a saúde pública, mesmo quando os meios escasseiam.