O arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre, voltou a colocar o dedo na ferida. Sem rodeios, questiona por que razão Moçambique, com mais recursos humanos, materiais e tecnológicos do que há cinco décadas, continua incapaz de travar a sangria que assola Cabo Delgado desde 2017.
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A inquietação do prelado não é apenas pastoral — é cívica e política. “Desde Outubro de 2017 até hoje, não vejo sinais claros de um fim próximo desta realidade. É um grande problema”, afirmou, sublinhando que a violência extrema, as mortes e o deslocamento em massa de famílias são uma ferida aberta que não pode deixar ninguém indiferente.
Saúre recorda a epopeia da independência como lição e acusação: “Se fomos capazes de conquistar a independência enfrentando tropas coloniais, com poucos meios, porque não conseguimos, hoje, vencer um grupo armado com muito menos poder de fogo, quando temos mais recursos e mais aliados?” A resposta, para ele, passa por algo que falta e que não se compra — “boa vontade, sinceridade, amor à pátria”.
Enquanto isso, a tragédia em Cabo Delgado não dá tréguas. Província rica em gás natural, mas pobre em segurança e estabilidade, vê o seu futuro hipotecado pelo terror. Mais de um milhão de deslocados, seis mil mortos, aldeias despovoadas, crianças sem escola e famílias reduzidas a números frios em relatórios humanitários.
A guerra, enraizada na pobreza, exclusão e falta de oportunidades para a juventude, já não é apenas um problema militar. É um fracasso colectivo que ameaça transformar a promessa de desenvolvimento num epitáfio. E, como o arcebispo sugere, talvez a maior batalha que nos falte vencer seja dentro de nós mesmos
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